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DESTAQUES
Fraude em licitação: irmãos Magacho e ex-procurador de Formosa viram réus por corrupção na pandemia
Unimed Federação Centro Brasileira debate critérios para terapia ABA
https://www.folhadoplanalto.com.br/2025/11/unimed-federacao-centro-brasileira.html
Unimed do Brasil vai assumir assistência de beneficiários da Unimed Ferj a partir de 1º/12
A resolução aprovada pela ANS e a nova autogestão em saúde
https://medicinasa.com.br/nova-autogestao/
Estudo avalia os riscos de hospedar dados do SUS com big techs estrangeiras
https://medicinasa.com.br/dados-digitalizacao-sus/
A evolução silenciosa das UTIs e o futuro do cuidado intensivo
https://medicinasa.com.br/evolucao-silenciosa-utis/
Unimed testa modelo de telecirurgia robótica com rede pública de internet
JORNAL OPÇÃO
Fraude em licitação: irmãos Magacho e ex-procurador de Formosa viram réus por corrupção na pandemia
Segundo o promotor de Justiça Douglas Chegury, os crimes ocorreram em 2020
A Justiça de Goiás recebeu denúncia do Ministério Público (MPGO) contra quatro pessoas acusadas de participar de um esquema de fraude em licitação e corrupção que teria causado prejuízo estimado de R$ 700 mil aos cofres públicos de Formosa. A decisão é da 2ª Vara Criminal da comarca, que também determinou o sequestro de bens dos investigados no mesmo valor.
Foram denunciados Rafael Magacho Vinícius dos Santos Silva, Bernardo Magacho dos Santos Silva, Leonardo Cândido Martins Bonini e Humberto de Alencastro Costa Ferreira. Nas redes sociais, Bernardo Magacho se apresenta como médico que “deixa você mais bonito (a) e jovem”. Ele possui mais de 112 mil seguidores no Instagram.
Segundo o promotor de Justiça Douglas Chegury, os crimes ocorreram em 2020, durante a pandemia, quando os acusados teriam manipulado processos de dispensa de licitação para superfaturar kits de testes de Covid-19.
Os médicos Bernardo e Rafael Magacho teriam usado a empresa Magacho Exportação & Importação Ltda. para importar e vender os produtos a preços inflados, com o apoio do empresário Humberto, que intermediava as negociações. O então procurador do município, Leonardo Bonini, teria atuado para garantir o sucesso do esquema e receber propina.
“O filão a ser explorado foi o poder público, notadamente municípios. Dentre os clientes captados pelos médicos e pelo empresário Humberto estava o município de Formosa. O intermediador Humberto foi quem apresentou Leonardo para darem início ao esquema”, explicou o promotor Douglas Chegury.
O MPGO aponta que o grupo acertou a fraude antes mesmo da licitação ser aberta. Em 13 de maio de 2020, os envolvidos já discutiam valores e condições, embora o processo (Dispensa de Licitação nº 184/2020) só tenha sido formalizado no dia seguinte.
A empresa Magacho já estava previamente definida como vencedora, e os denunciados forjaram orçamentos de três empresas inexistentes para dar aparência de legalidade à concorrência. Coube ao então procurador Leonardo ratificar as irregularidades com parecer jurídico favorável.
A primeira entrega de 5 mil kits de testes, segundo as investigações, foi feita diretamente a Leonardo por Humberto. A Justiça considerou os indícios suficientes para receber a denúncia e dar início à ação penal, atendendo ao pedido do MPGO para bloqueio de bens dos réus.
O Jornal Opção tentou contato com Rafael Magacho Vinícius dos Santos Silva, Bernardo Magacho dos Santos Silva, Leonardo Cândido Martins Bonini e Humberto de Alencastro Costa Ferreira pelas redes sociais mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para que os citados se manifestem.
Operação
O Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou em abril a operação Homocinética, que investiga uma possível fraude em licitação para a aquisição de testes de Covid-19 pela Secretaria Municipal de Saúde de Formosa (GO), cidade localizada no Entorno do Distrito Federal.
As suspeitas se referem a processos ocorridos em 2020, durante o auge da pandemia causada pelo coronavírus Sars-CoV-2. Durante a operação, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão autorizados pela 2ª Vara Criminal de Formosa.
A apuração é conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça de Formosa e envolve possíveis crimes contra a administração pública, como corrupção, peculato, falsidade ideológica e fraude a licitação pública.
As ações ocorreram em Curitiba, Goiânia e Aparecida de Goiânia, tendo como alvos residências dos investigados Rafael Vinícius Magacho dos Santos Silva e Bernardo Magacho dos Santos Silva, além da empresa Magacho Exportação e Importação, suspeita de envolvimento na negociação de materiais hospitalares durante a crise sanitária.
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FOLHA DO PLANALTO
Unimed Federação Centro Brasileira debate critérios para terapia ABA
Participantes de workshop aprenderam como analisar a assistência de prestadores para aprimorar as negociações
A compreensão e a abordagem dos Transtornos do Neurodesenvolvimento, especialmente o autismo, têm sido um desafio constante nas Operadoras de Saúde, impactando diretamente a qualidade do atendimento e a eficiência dos serviços. Para enfrentar esse desafio, a Unimed Federação Centro Brasileira promoveu um workshop inovador sobre Análise do Comportamento Aplicada, nos dias 6 e 7 de novembro, na sede da entidade.
Durante o evento, técnicos e gestores dos serviços TEA das Unimeds Federadas tiveram a oportunidade de aprender com a psicóloga Beatriz Costa sobre a aplicação de Práticas de Análise do Comportamento Aplicada, com o objetivo de fortalecer a assistência, aprimorar a avaliação de prestadores e otimizar as negociações. O resultado esperado é um atendimento mais eficaz, que não apenas atenda às necessidades dos beneficiários, mas também contribua para a sustentabilidade do sistema de saúde, mitigando fraudes e desperdícios.
Especialista em neuropsicologia e supervisora CABA BR, ela apresentou como deve ser a formação de um terapeuta do ramo, a estrutura da clínica e até mesmo as condutas e participação dos pais.
“Com conhecimento, as equipes da Unimed conseguem mitigar fraudes nos processos terapêuticos, assim como ter entendimento para negociar a redução de custos e garantir a qualidade da intervenção”, afirmou.
Uma das dificuldades mais comuns relatadas pelos participantes foi encontrar profissionais capacitados. “Temos problemas com a capacitação e formação online. Por ser interior, é difícil achar profissionais de qualidade nessa área, que realmente se importem com os pacientes”, contou Naiara Gonçalves, supervisora de Contas Médicas da federada Unimed Regional Sul Goiás.
Entender para negociar
Na federada Unimed Araguaína, os desafios são os mesmos. A falta de padronização técnica das clínicas, de acordo com o que define a Associação Brasileira de Ciências do Comportamento (ABPMC), é uma questão cotidiana.
No entanto, em 2024, foi inaugurado o Espaço Bem Viver, de assistência própria da operadora para os beneficiários. Com isso, foi possível também aprimorar o contato com os prestadores.
“Temos o serviço, sabemos o que é correto e conseguimos exigir. Se conseguimos fazer, outras clínicas também conseguem”, defendeu a psicóloga Beatriz Alves, que é coordenadora do Espaço Bem Viver.
A qualidade da terapia ofertada também se tornou um foco. “Não é só deixar o paciente permanecer por muito tempo (na terapia). A alta é importante, assim como a busca pela autonomia dessas crianças”, acrescentou a também psicóloga Sthefany Monteiro, que atua como supervisora no Espaço Bem Viver.
Esse é um exemplo de que o conhecimento do cenário de terapia ABA é fundamental para negociar, como explicou Beatriz Costa. “As operadoras podem mostrar seus conhecimentos em terapia para negociar. Mostrar que a Unimed precisa do prestador, mas o prestador também precisa da Unimed”.
Esse workshop é um passo importante na busca por soluções inovadoras e eficazes para os desafios enfrentados pelas Operadoras de Saúde, e reflete o compromisso da Unimed Federação Centro Brasileira com a excelência e a qualidade no atendimento à saúde.
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PORTAL ANS
Unimed do Brasil vai assumir assistência de beneficiários da Unimed Ferj a partir de 1º/12
Acordo foi definido em reunião na sede da ANS na tarde desta segunda-feira, 10/11
Em reunião realizada na sede da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na tarde desta segunda-feira, 10/11, dirigentes da Unimed Ferj e da Unimed do Brasil acertaram que a Unimed do Brasil vai assumir integralmente a responsabilidade pela assistência a todos os beneficiários da Unimed Ferj a partir do dia 1º de dezembro de 2025.
A medida foi proposta pela ANS em reunião que contou com toda a diretoria da reguladora, além do procurador-chefe da Agência, de representantes das duas operadoras, do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, do Ministério Público Federal e da Defensoria Pública Estadual do Rio de Janeiro. “Com a assinatura desse acordo pelas duas operadoras, vamos restabelecer o pleno atendimento aos beneficiários, prioridade máxima para a ANS”, pontuou o diretor-presidente da Agência, Wadih Damous.
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MEDICINA S/A
A resolução aprovada pela ANS e a nova autogestão em saúde
A Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, na reunião da Diretoria Colegiada realizada no dia 31 de outubro p.p, aprovou a nova redação da resolução normativa que trata das entidades de autogestão no âmbito do sistema de saúde suplementar.
O órgão regulador reconheceu que se fazia mister a alteração da regulação das autogestões em saúde porque a norma existente caracteriza um alto custo regulatório, podendo resultar na "insustentabilidade econômico-financeiro e descontinuidade de suas operações", não obstante o relevante papel social que exercem, pois não possuem finalidade lucrativa e são geridas pelos seus membros, empresas patrocinadoras ou mantenedoras, empregados e servidores públicos, representando mais de 4 milhões de beneficiários. Reconheceu a ANS que a norma até então vigente estabelecia critérios e condições restritivas, restringindo o acesso de muitas empresas e de categorias profissionais a esse exitoso modelo assistencial, mantida, porém, a regulação aplicável às autogestões de recursos humanos e órgãos assemelhados.
Aludida alteração foi objeto de inúmeros estudos e análises, bem como de intensa participação social e amplo debate.
As alterações aprovadas pela ANS referem-se, principalmente: (i) à ampliação do grupo familiar dos participantes, podendo abranger parentes consanguíneos e por afinidade até o 4º. Grau; (ii) a eliminação das restrições que existiam sobre a necessidade de as empresas patrocinadoras/mantenedoras serem do mesmo ramo de atividade ou grupo econômico; (iii) possibilidade de autogestões de uma ou mais categorias profissionais, eliminando restrição que existia; e (iv) a possibilidade das autogestões compartilharem a sua rede de prestadores de serviços com outras operadoras de planos privados de assistência à saúde.
A nova norma permitirá que pessoas jurídicas de ramos diversos possam se associar para a implantação de uma entidade de autogestão ou a integração a uma já existente, com objeto social exclusivo, destinada a proporcionar um plano de saúde mais acessível para os seus colaboradores. Doravante, empresas diversas, inclusive aquelas que estão em um mesmo distrito industrial, por exemplo, poderão constituir uma entidade de autogestão em saúde. Foi abolida a necessidade de correlação de atividades para patrocinadores u mantenedores das autogestões. As regras de convivência entre as empresas participantes são disciplinadas através de um convênio de adesão.
Igualmente, também foi afastada a exigência de associações ou fundações de uma única categoria profissional para a formação de um plano de saúde próprio, na modalidade de autogestão. Agora, categorias profissionais diversas poderão se unir, visando a constituição de um plano mais sólido e representativo, fortalecendo os princípios do mutualismo e solidariedade. Tal alteração facilitará e ampliará, por exemplo, a formação de autogestões, por iniciativa de Sindicatos, Associações Profissionais e outras formas de representação de categoriais profissionais. A norma também trata da elegibilidade de militares e ex-militares de um ou vários entes federativos.
As alterações foram realizadas, a fim de ampliar a elegibilidade das autogestões de saúde, devendo ser preservado o princípio da representatividade, pois o "ato constitutivo da entidade de autogestão deverá prever que todos os beneficiários titulares que contribuam para o custeio do plano de saúde, bem como o mantenedor ou patrocinador, serão elegíveis para compor seu órgão máximo de administração, bem como quaisquer outras instâncias de caráter deliberativo, fiscalizador ou consultivo, quando existentes". Esse aspecto é que diferencia as autogestões dos outros segmentos do mercado de saúde suplementar. A nova norma estabelece uma estrutura organizacional mínima que deverá ser observada pelas entidades de autogestão, pois os beneficiários titulares, os mantenedores e patrocinadores não são simples contratantes, mas sim os proprietários da entidade de autogestão, devendo participar de sua administração.
As alterações realizadas abrem, inclusive, a possibilidade de potenciais beneficiários e empresas, atualmente sem qualquer assistência suplementar à saúde, se tornarem elegíveis para a constituição ou a integração a uma entidade de autogestão, "estimulando o mercado e aumentando o acesso da população à saúde", lembrando que os planos de autogestão não possuem finalidade lucrativa, sendo que todos os seus resultados são revertidos para a própria entidade, sem distribuição de lucros e dividendos para seus dirigentes ou associados, bem como não possuem custos de intermediação e estão sujeitos a um regime tributário diferenciado, pois possuem natureza jurídica associativa ou fundacional.
Enfim, citada norma corrige uma situação limitadora que existia, proporcionando uma ampliação da elegibilidade do grupo de beneficiários, com a oxigenação das carteiras das autogestões, estimulando o mercado e aumentando o acesso da população à serviços de saúde de qualidade, geridos pelo seus beneficiários titulares e empresas patrocinadoras ou mantenedoras, observadas as garantias e reservas financeiras determinadas pela legislação vigente, observados os conceitos de mutualismo, solidariedade e sociedade civil organizada.
A nova norma ampliará a concorrência, com reflexos nos preços e na qualidade atualmente oferecida, com potencial de ampliação da massa atualmente assistida pelos planos privados de assistência à saúde.
*José Luiz Toro da Silva é Advogado e Professor. Sócio do escritório Toro e Advogados Associados.
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Estudo avalia os riscos de hospedar dados do SUS com big techs estrangeiras
E se as principais informações sobre a sua saúde fossem reunidas e integradas em um grande banco nacional para facilitar diagnósticos e tratamentos? Essa ideia já está em andamento no Sistema Único de Saúde (SUS), mas, a depender de como é implementada, pode comprometer o direito à privacidade dos cidadãos e a soberania digital brasileira. Isso é o que diz um estudo realizado no Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que tem buscado entender as armadilhas envoltas nessa teia.
O trabalho foi apresentado na 16ª Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFPR (Siepe) pelo discente de graduação João Pedro Bueno Ghizelini, orientado pela professora Carolina Batista Israel, que é autora do livro Redes Digitais, Espaços de Poder, Por uma Geografia da Internet (2021).
A transformação digital do sistema público de saúde no Brasil vem avançando em sintonia com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), tendo como marco o lançamento de uma portaria em 2020 que instituiu a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), repositório com informações de operadoras, laboratórios, farmácias e aplicativos usados pelos cidadãos.
O documento também previu a criação do Conecte SUS, plataforma integrada à rede que permite ao usuário acessar registros de vacinas, exames e atendimentos. Em 2024, surgiu o Meu SUS Digital, versão aprimorada do Conecte SUS. Paralelamente às iniciativas federais, nasceram soluções locais, como o Saúde Já Curitiba, desenvolvido pela prefeitura da capital paranaense, que integra dados municipais ao ecossistema da RNDS.
A grande promessa desses projetos é otimizar e personalizar serviços de saúde, mas, dependendo de como são construídos, podem colocar dados nacionais em risco. A começar pelo espaço onde as informações da RNDS são armazenadas. Sua infraestrutura foi inicialmente alocada nos servidores da Amazon Web Services (AWS), sediada nos Estados Unidos, expondo informações sensíveis a empresas estrangeiras.
Para evitar problemas assim, especialistas propuseram que a hospedagem da RNDS fosse feita inteiramente em uma companhia do Governo Federal, a Empresa Nacional de Inteligência em Governo Digital e Tecnologia da Informação (Serpro), o que não se concretizou. Em vez disso, foi implementado o chamado Serpro MultiCloud, infraestrutura combinada com serviços de grandes empresas de tecnologia estrangeiras como a AWS. Portanto, parte dos dados continua hospedada fora do país e nas mãos de companhias internacionais, mesmo com supervisão nacional, explicam os pesquisadores.
Isso acontece porque o Brasil enfrenta uma dependência tecnológica global, permanecendo refém de servidores localizados nos Estados Unidos, segundo os autores do estudo. Essa situação deixa o país vulnerável a falhas, restrições de acesso ou intervenções capazes de afetar o controle sobre dados estratégicos de saúde.
Sob a lógica do capitalismo de vigilância, conceito da pesquisadora Shoshana Zuboff que descreve o uso massivo de dados pessoais para prever e influenciar comportamentos, elas podem acentuar desigualdades profundas e ameaçar a soberania sobre os dados dos brasileiros.
“O dado pessoal em saúde, além de sensível, é economicamente estratégico. Sabemos que 10 países controlam 88% das patentes em medicamentos e vacinas, e eles estão no norte global”, diz Ghizelini.
Israel explica que esse fenômeno ocorre não apenas em escala global, mas também local e individual, e os desdobramentos do acesso a dados e políticas de privacidade são interseccionais. “É um problema coletivo, mas que afeta mais setores da sociedade do que outros, a depender da vulnerabilidade social”.
Falta de transparência pode comprometer o acesso a direitos
Com foco nessa problemática, Ghizelini realizou uma análise do Meu SUS Digital e do Saúde Já Curitiba, avaliando a política de privacidade desses aplicativos à luz da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que regula o tratamento de dados pessoais por organizações públicas e privadas no Brasil. O pesquisador também analisou a geolocalização dos serviços que hospedam os dados dos usuários, utilizando a ferramenta LocalizeIP para verificar o domínio virtual do Meu SUS Digital.
Ghizelini remeteu ainda um requerimento à Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, com apoio da UFPR, solicitando informações detalhadas sobre a governança de dados do aplicativo Saúde Já Curitiba, como nomes dos responsáveis pelo tratamento, armazenamento, uso para fins de marketing e canais de acesso aos dados dos usuários.
O estudo concluiu que as transformações em curso na saúde brasileira têm um custo alto, e que alguns aplicativos possuem políticas de privacidade pouco transparentes. Nesse sentido, o pesquisador argumenta que a solução para os riscos e assimetrias gerados pela digitalização da saúde no Brasil não deve se restringir ao debate meramente tecnológico, mas precisa perpassar o princípio da soberania digital, capacidade de uma sociedade e seu Estado de definir, governar e controlar tecnologias indispensáveis à sua autodeterminação.
Ghizelini defende também a criação de mecanismos de governança transparentes e democráticos que garantam o controle social e a fiscalização pública das políticas digitais em saúde, e a implementação de uma Reforma Sanitária Digital, proposta por Luiz Vianna Sobrinho, pesquisador e membro da Estratégia Latino-Americana de Inteligência Artificial (ELA-IA).
Essa ideia visa fortalecer o papel do Estado na regulação das tecnologias em saúde, assegurando que o uso de dados e algoritmos atenda ao interesse público e não aos interesses comerciais das grandes corporações. A proposta busca resgatar o espírito da Reforma Sanitária original, que deu origem ao SUS, e adaptá-lo aos desafios contemporâneos da digitalização.
“Uma matéria da The Economist chegou a dizer que os dados são o novo petróleo”, lembra Israel. “E cada vez mais vemos todas as esferas da nossa vida participando dessa nova economia. Precisamos trabalhar para que ela não siga reproduzindo desigualdades e comprometendo o acesso a direitos”, finaliza. (Com informações da Agência Ciência UFPR)
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A evolução silenciosa das UTIs e o futuro do cuidado intensivo
Há três décadas, adentrar uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) era sinônimo de ingressar em um ambiente de intervenções heroicas, mas muitas vezes limitadas pela tecnologia disponível. Pacientes com falência de múltiplos órgãos enfrentavam prognósticos difíceis, e o suporte à vida era, em grande parte, reativo e segmentado. Hoje, quando olhamos para a evolução do tratamento intensivo nos últimos anos, testemunhamos uma revolução silenciosa, impulsionada por avanços tecnológicos que transformaram as UTIs em centros de cuidado mais precisos, proativos e, acima de tudo, eficazes.
Onde antes a falência renal significava partir para uma diálise convencional, com remoção rápida de fluidos que frequentemente desestabilizava pacientes críticos, hoje já é possível contar com sistemas capazes de oferecer terapias contínuas que, de forma muito mais gradual e fisiológica, permitem estabilidade ao paciente e, consequentemente, melhores desfechos clínicos. Ou seja, na prática, já é possível que o organismo do paciente se adapte sem quedas bruscas de pressão, um benefício inestimável para aqueles já em estado hemodinamicamente instáveis
Mas a grande virada, e talvez a mais significativa, se refere à possibilidade de transição de um suporte focado em órgãos isolados para uma abordagem integrada. A tecnologia não parou nos rins. A abordagem multi-órgãos, possível graças aos novos sistemas e protocolos, permite que uma mesma plataforma ofereça ao mesmo tempo suporte renal contínuo aliado a cuidados respiratórios, hepáticos, de purificação sanguínea, dentre outros.
Toda essa versatilidade, fruto de uma engenharia sofisticada, foi fundamental no contexto da pandemia de covid-19, por exemplo, onde as unidades de terapia intensiva foram colocadas ao limite e precisaram utilizar de todas as ferramentas possíveis para suportarem a demanda e a pressão daquele momento. A pandemia escancarou a necessidade de aceleração da adesão tecnológica nas UTIs e a importância do olhar holístico ao paciente.
Contudo, a tecnologia, por mais avançada que seja, é apenas uma ferramenta. Seu verdadeiro potencial é liberado pelas mãos e mentes dos profissionais de saúde. Por isso, a evolução dos tratamentos de UTI exige também uma constante atualização das equipes médicas, a partir de um compromisso inabalável com a educação continuada. Além, é claro, do trabalho multidisciplinar, que contribui de forma integrada e conjunta para garantir o melhor prognóstico aos pacientes.
As últimas décadas foram transformadoras do ponto de vista tecnológico para os ambientes hospitalares, sobretudo aqueles de terapia intensiva. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. É imperativo pensar em estratégias para ampliar o acesso às ferramentas de ponta e garantir que a capacidade de oferecer um suporte integrado e abrangente não seja um privilégio de poucas instituições, mas uma realidade em todas as UTIs.
Ao investir em equipamentos modernos e na capacitação das equipes, garantimos que mais pacientes críticos tenham a chance de recuperação, com menos sequelas e uma melhor qualidade de vida. É neste caminho que devemos mirar os próximos 30 anos. Para garantir que o futuro dos centros de cuidado possa contar com cada vez mais precisão, personalização e eficácia nos tratamentos. Com o objetivo final de salvar vidas e restaurar a saúde com a máxima dignidade.
*Paulo Lins é nefrologista, intensivista e gerente médico da Vantive.
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SAÚDE BUSINESS
Unimed testa modelo de telecirurgia robótica com rede pública de internet
Experiência inédita, na América Latina, consolida a viabilidade técnica e social da cirurgia remota, com foco em inclusão e sustentabilidade do modelo.
Em um feito que combina tecnologia, ciência e propósito social, a Unimed realizou a primeira telecirurgia robótica da América Latina utilizando rede pública de internet, conectando médicos e pacientes separados por mais de 3 mil quilômetros. O projeto, apresentado por Gualter Ramalho, diretor de Mercado e Marketing da Unimed do Brasil, representa um marco na história da medicina brasileira — e inaugura uma nova etapa de inclusão cirúrgica mediada por tecnologia.
O experimento foi resultado de três meses de trabalho e planejamento. Entre agosto e outubro de 2025, a equipe realizou três cirurgias progressivas, com distâncias e complexidades crescentes. A primeira, entre dois pontos separados por 500 quilômetros, obteve latência de apenas 0,01 segundo — um desempenho superior aos padrões globais.
Em setembro, a segunda etapa conectou o cirurgião em João Pessoa a um paciente em Curitiba, separados fisicamente por mais de 12 mil quilômetros (ou 31 mil quilômetros de cabeamento óptico), com resposta de 0,02 segundo. O terceiro ato, em outubro, foi transmitido ao vivo, unindo as duas cidades a uma distância de 3.200 quilômetros e consolidando a primeira telecirurgia robótica da América Latina feita com internet convencional.
Diferentemente dos protocolos internacionais, que normalmente exigem redes privadas e conexões dedicadas, a experiência da Unimed utilizou internet pública — ou “não dedicada”, ou seja, a mesma rede comercial disponível a qualquer usuário. A opção por essa estrutura teve caráter estratégico: testar a viabilidade de uma cirurgia robótica remota segura e de alta precisão com infraestrutura acessível, condição essencial para expandir o modelo a diferentes regiões do país.
Do pioneirismo à inclusão: um modelo para o país
O projeto marca o início de uma era em que a cirurgia se torna inclusiva e acessível, rompendo barreiras geográficas e sociais, segundo Ramalho. Em palestra no RD Summit, o executivo destacou como a tecnologia robótica vem evoluindo rapidamente — de procedimentos abertos para cirurgias endoscópicas e, agora, para o controle remoto via robô.
A inovação amplia a precisão cirúrgica, reduz o desgaste físico do cirurgião e permite que especialistas experientes atuem mesmo à distância, estendendo o alcance do conhecimento médico.
Mais do que um marco técnico, o projeto foi concebido com viés humanitário e educacional. “Estamos falando de uma solução social mediada por tecnologia”, afirmou o executivo. “Nosso objetivo é levar esse modelo de excelência para qualquer cidadão brasileiro, incluindo populações ribeirinhas e comunidades do interior, que hoje não têm acesso a esse tipo de assistência”, ressaltou.
Para sustentar o avanço, a Unimed criou um comitê científico e técnico (CET) voltado à pesquisa clínica aplicada, certificação profissional e controle de qualidade. Esse grupo é responsável por supervisionar os protocolos de segurança, garantir a regularização junto às autoridades sanitárias e disseminar boas práticas.
“A capacitação é a principal barreira para disseminar a tecnologia”, ressaltou Ramalho, lembrando que a educação médica continuada é parte da essência cooperativista da Unimed.
Em paralelo, um comitê de negócios foi formado para estruturar um modelo sustentável e multimarcas, permitindo parcerias com empresas privadas sem vínculo exclusivo com fornecedores de tecnologia. O propósito, segundo Ramalho, é assegurar que o projeto permaneça acessível e replicável, com base em um modelo de cooperação e adesão espontânea.
Inovação com propósito e cooperação em larga escala
O alcance do sistema Unimed confere musculatura ao projeto. São 340 cooperativas, 170 hospitais e 116 movimentos em atividade, além de uma base que realiza 665 milhões de procedimentos por ano, presente em 39% dos municípios brasileiros. Essa estrutura é vista como diferencial para escalar a cirurgia robótica e transformá-la em um serviço acessível e de impacto nacional.
Durante os testes, o desempenho técnico foi considerado excepcional: largura de banda superior a 100 megabytes, perda de imagem e áudio zero e latência mínima entre o comando do console e a resposta do robô. Ramalho afirmou que não houve delay perceptível.
“O cirurgião estava no quarto, o paciente em outra cidade, e a resposta era imediata. É uma demonstração concreta de que a excelência científica pode ser democratizada com recursos existentes”, explicou.
O projeto envolveu 42 profissionais, entre médicos, engenheiros, técnicos e especialistas em conectividade, e contou com quatro empresas parceiras, responsáveis pela infraestrutura e validação técnica. Cada etapa foi documentada e publicada para fins de transparência e validação científica.
Brasil, de consumidor a exportador de tecnologia
A experiência também inaugura uma nova fase no posicionamento do país no campo da inovação em saúde. “O Brasil deixa de ser apenas consumidor e passa a ser exportador de tecnologia médica”, afirmou Ramalho. A iniciativa da Unimed pode abrir caminho para cooperações internacionais, com médicos de diferentes países atuando juntos em tempo real — um modelo de cuidado transnacional e colaborativo.
No centro dessa transformação, Ramalho reforçou que a humanização segue sendo o valor norteador da medicina, mesmo em meio ao avanço tecnológico. “O olhar, a escolha e o contato humano são insubstituíveis. Mas a tecnologia pode ampliar esse olhar, levar cuidado e acolhimento — o nosso ‘colo humanitário’ — a quem antes estava distante de qualquer possibilidade de acesso”, pontuou.
Tecnologia a serviço da equidade
O programa de cirurgia robótica remota da Unimed se consolida, assim, como uma das iniciativas mais ousadas de inclusão tecnológica na saúde brasileira. Não voltado apenas ao setor suplementar, o projeto pretende beneficiar todo o sistema, público e privado, levando excelência cirúrgica e conhecimento médico especializado a localidades onde a distância costumava ser uma sentença de desassistência.
Para Ramalho, trata-se do início de uma revolução silenciosa.
“Estamos inaugurando uma era de telecirurgia inclusiva, em que a tecnologia serve como ponte entre o saber médico e o cidadão. É a prova de que inovação e humanização não são opostos — são complementares”, finalizou.
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Assessoria de Comunicação
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
CFM em foco: decisões que se afastam da prática
Dez anos na defesa de um modelo eficiente para a gestão da saúde
https://medicinasa.com.br/modelo-eficiente-gestao/
ANS aponta que número de beneficiários de planos de saúde chega a 53,2 milhões
https://medicinasa.com.br/usuarios-planos-aumenta/
Da teoria à prática: como a saúde pode liderar a agenda climática
https://medicinasa.com.br/saude-agenda-climatica/
ESTADÃO
CFM em foco: decisões que se afastam da prática
Completando 80 anos de instituição, o Conselho Federal de Medicina (CFM) tem papel fundamental na garantia de uma prática médica segura, ética e eficaz. É também quem está na linha de frente, tendo como principal objetivo a defesa dos médicos e suas condições de trabalho, atualmente em algumas situações insustentáveis: longas jornadas, falta de infraestrutura e remuneração defasada. Não há dúvidas de que a existência do conselho trouxe e traz avanços importantes em termos de organização da profissão e defesa da ética.
Mas, ao mesmo tempo, é inegável que, por vezes, o CFM se distancia das necessidades e demandas reais da categoria, ocupando-se com medidas e obrigações que ninguém pediu, que pouco levam em conta o profissional que está na ponta.
Um exemplo disso foi o Atesta CFM: uma norma, instituída em 2024 e atualmente suspensa judicialmente, que obriga que todos os atestados médicos sejam emitidos, geridos e armazenados por uma única plataforma do CFM.
Já temos prontuários eletrônicos, certificados digitais, sistemas que deveriam, idealmente, ser integrados. Agora teremos uma camada extra obrigatória. É preciso parar o atendimento para fazer login em outra plataforma, imprimir blocos de atestados e ainda redigitar informações no sistema. Tudo isso custa tempo, desgasta o médico e sobrecarrega quem já anda no limite.
O paciente é também prejudicado. No consultório lotado, em regiões que não têm internet estável, no posto de saúde que mal consegue imprimir um documento. Essas realidades parecem invisíveis para quem toma essa decisão. Imaginemos a cena: uma fila de pacientes à espera de atendimento e o médico parando para preencher e "passar a limpo" os atestados emitidos. A medida, em vez de fortalecer a assistência, só escancara o abismo entre as resoluções do conselho e a realidade do sistema público de saúde.
Além disso, impõe-se que os dados clínicos do paciente sejam compartilhados e armazenados na base de dados do CFM. A que propósito? Segundo a própria norma do CFM, o conselho poderá oferecer um serviço pago para empresas consultarem informações médicas dos colaboradores.
Ou seja, em vez de ouvir os médicos e investir em soluções que reduzam a burocracia, o CFM escolheu criar obrigações e mais barreiras, resultando em serviços pagos para a entidade.
Ainda que o uso da plataforma não tenha custo direto para o médico, sua implementação demanda adaptações, novas rotinas e tempo de trabalho. Todo esse entorno tem impacto financeiro e operacional. A criação de mais uma camada tecnológica implica ajustes em sistemas, treinamento de equipes e reestruturação de fluxos, algo que, na prática, recai sobre o médico e as instituições de saúde.
O Atesta CFM pode ter nascido com o propósito de proteger pacientes, profissionais e empregadores, mas o efeito prático é o oposto: desvia o tempo da consulta e ignora a realidade assistencial.
Não há dúvida de que mecanismos que protejam pacientes de fraudes são necessários. Queremos segurança. Mas segurança sem impor sistemas que não dialogam com a prática clínica, sem ignorar desigualdades de acesso, sem forçar duplicações desnecessárias.
Inclusive, com a expansão da telessaúde e digitalização de serviços, meios já existem para combater essas fraudes (assinaturas digitais com certificados, por exemplo - essas, aliás, fornecidas pelo próprio conselho -, assim como ferramentas de validação do próprio governo, como o Validar ITI). Elas deveriam ser melhor aproveitadas e integradas, não simplesmente suplantadas por mais uma obrigação que impactará o dia a dia do médico.
Não precisamos de um conselho que seja um cartório para autenticar ou não um documento. O que precisamos e valorizamos é uma entidade focada em proteger condições dignas de trabalho - que é a importância de uma entidade dessa natureza. Sua essencial atuação junto ao poder público, defendendo políticas que valorizem a profissão e assegurem infraestrutura adequada. Há carência de leitos, de equipamentos e de profissionais em diversas regiões do País. É esse tipo de pauta que é urgente - não a criação de plataformas que apenas acrescentam mais etapas a uma rotina já sobrecarregada.
Apreciamos a atuação do CFM quando assume o protagonismo de dialogar com a base médica, com as sociedades de especialidades e com os órgãos públicos. As decisões não podem nascer de gabinetes, mas de escuta, de consultas públicas, de entendimento real da rotina dos profissionais. Isso vale para o Atesta CFM e para tantas outras normas que impactam diretamente quem está cuidando de vidas.
Para o avanço de propostas em prol da classe, o primeiro passo é ouvir e se aproximar de quem está na ponta: médicos que trabalham no sistema de saúde, em UBS, hospitais públicos, consultórios - antes de tomar a decisão e impor obrigações. Só assim poderemos garantir que segurança e ética caminhem juntos para os próximos 80 anos com condições de trabalho mais dignas.
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MEDICINA S/A
Dez anos na defesa de um modelo eficiente para a gestão da saúde
O Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross) completa neste ano uma década de existência, reunindo as principais instituições do terceiro setor que são responsáveis por mais de 50% dos serviços públicos de saúde sob contrato de gestão com secretarias municipais e estaduais de saúde. Em 2024 essas instituições foram responsáveis por 96,6 milhões de consultas, 1,1 milhão de internações, 988,3 mil cirurgias e 124,8 milhões de exames realizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
O instituto nasceu da necessidade de defender o modelo de OSS sob diferentes aspectos, incluindo sua adequada utilização por parte do poder público na escolha e acompanhamento do trabalho executado pelas entidades parceiras, a ética, a transparência e as boas práticas de governança, além do compromisso das instituições verdadeiramente sérias na constante busca pelo fortalecimento do SUS.
Também integram os objetivos do Ibross destacar as entidades sérias, corretas e com reconhecida capacidade técnica e gerencial dos serviços de saúde. O Ibross tem buscado soluções que tragam mais qualidade e eficiência para o modelo de organizações sociais, por meio do aprimoramento da legislação, capacitação dos gestores de saúde pública para a adequada escolha das OSS, fiscalização do cumprimento dos contratos de gestão e aperfeiçoamento dos mecanismos de compliance e transparência por parte das entidades parceiras.
É importante destacar as parcerias que o instituto firmou com órgãos como o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), TCU (Tribunal de Contas da União), OPAS/OMS (Organização Pan-Americana de Saúde) e o Instituto Ética Saúde (IES), com participação ativa nas discussões sobre métodos eficientes de gestão na saúde pública.
O instituto também está desenvolvendo uma ferramenta para acompanhamento de indicadores de produtividade dos serviços de saúde sob contrato de gestão por OSS e publicou resolução interna recomendando total transparência de suas associadas em relação aos contratos de gestão firmados com o poder público, bem como contratos com fornecedores e remuneração dos colaboradores conforme cargo e função.
Promoveu, ainda, o primeiro censo nacional sobre o cenário das organizações sociais no Brasil, em parceria com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), e adotou pesquisa comparativa que auferiu significativa evolução dos pilares de maturidade em compliance das OSS associadas. Um levantamento realizado pelo Ibross em parceria com o IES e a ONA (Organização Nacional de Acreditação) revela que 68,9% dos serviços de saúde do SUS (Sistema Único de Saúde) sob gestão das principais Organizações Sociais de Saúde do país possuem selos de acreditação. Esse alto índice demonstra a preocupação das OSS associadas em garantir e comprovar a qualidade e a segurança proporcionada aos pacientes nas unidades.
O modelo de OSS já está bastante consolidado e faz parte da realidade do SUS há quase três décadas. Está presente em 20 estados e no Distrito Federal, contemplando cerca de 270 municípios. As organizações sociais existentes no país são responsáveis pelo gerenciamento de um total de aproximadamente 30 tipos de equipamentos de saúde, entre Unidades Básicas de Saúde (UBS), Caps (Centros de Atenção Psicossocial), centrais de regulação médica de urgência, ambulatórios especializados, hospitais gerais, hospitais especializados, prontos-socorros, clínicas, laboratórios, farmácias de alto custo e outros.
Em razão do avanço das OSS na saúde nos últimos anos no Brasil, o Ibross surgiu em momento oportuno para fornecer informações à sociedade sobre um sistema que proporciona mais eficiência na gestão de serviços públicos de saúde, com maior produtividade em relação aos recursos financeiros disponibilizados, além de assistência qualificada e resolutiva para a população. E temos trabalhado para o aperfeiçoamento contínuo desse modelo consagrado como um grande aliado do SUS em todo o Brasil.
*Sergio Daher é presidente do Ibross (Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde) e superintendente de relações institucionais da Agir – Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde Irmã Rosane Ghedin e diretor-presidente do Santa Marcelina Saúde.
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ANS aponta que número de beneficiários de planos de saúde chega a 53,2 milhões
O número de usuários de planos de saúde alcançou, em setembro, 53.232.560 pessoas na área de assistência médica e 34.910.516 em planos exclusivamente odontológicos. Os dados foram divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e mostram aumento de 0,63% e de 1,04%, respectivamente, em relação ao mês anterior.
Os planos de assistência médica tiveram 1.347.958 novas adesões ou vínculos, e o cancelamento de 1.015.121 vínculos. A agência chama a atenção que não se trata de indivíduos, já que uma mesma pessoa pode ser beneficiária em mais de um plano.
Segundo a ANS, os novos vínculos ou adesões são referentes a vários tipos de entrada, como novos beneficiários, transferência de carteira, mudança voluntária de plano, entre outros. Os cancelamentos também podem se referir a todo tipo de saída, seja encerramento do contrato de plano coletivo de uma empresa, retirada de beneficiários do setor ou óbito, por exemplo.
No acumulado de 12 meses, foram registrados 15.537.653 adesões e 14.111.652 cancelamentos.
Nos planos médico-hospitalares, setembro contou com mais 332.837 beneficiários em relação ao mês anterior.
Se o comparativo for em relação a igual mês de 2024, constata-se aumento de 1.426.001 beneficiários no setor. Nos planos exclusivamente odontológicos, 946.755 beneficiários incrementaram o setor em setembro deste ano, quando comparamos com o mesmo mês em 2024. Em relação a agosto, a saúde suplementar adquiriu mais 357.669 beneficiários.
Contratações
A ANS contabilizou 668 operadoras ativas nos planos de assistência médica com beneficiários, somando 21.824 planos ativos de saúde. Em relação aos planos exclusivamente odontológicos, o número de operadoras ativas com beneficiários atingiu 315, mostrando 5.321 planos ativos.
Por tipo de contratação, o número de contratos coletivos superou o de contratos individuais ou familiares tanto nos planos de assistência médica, como odontológicos, atingindo 44.637.145 nos planos médico-hospitalares, destacando os contratos coletivos empresariais (38.787.334); e 29.146.554 nos planos exclusivamente odontológicos, com 25.971.291 contratos coletivos empresariais.
Na comparação com setembro do ano passado, o setor registrou evolução de beneficiários em planos de assistência médica em todos os estados brasileiros. Os maiores números de beneficiários são encontrados em São Paulo, que subiu de 18.102.385, em setembro de 2024 para 18.694.732, em setembro de 2025; Minas Gerais (de 5.790.510 para 5.902.946|) e Rio de Janeiro (de 5.531.660 para 5.607.424).
Entre os planos odontológicos, 20 estados e o Distrito Federal registraram crescimento no comparativo anual. (Com informações da Agência Brasil)
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Da teoria à prática: como a saúde pode liderar a agenda climática
Quando falamos em sustentabilidade na saúde, é comum que o debate se concentre em eficiência hospitalar, descarte de resíduos e inovação tecnológica. Mas há um eixo que atravessa todos esses temas, o clima. A saúde é um dos setores que mais sofre os impactos da crise climática, e também um dos que mais pode contribuir para mitigá-los. No Sírio-Libanês, entendemos que cuidar do planeta é parte do nosso propósito de promover vida plena e digna.
Nos últimos anos, transformamos esse propósito em uma agenda concreta. Fomos o primeiro hospital brasileiro a aderir ao GHG Protocol, em 2011, e desde então seguimos uma jornada contínua de medição, reporte e redução de emissões. O resultado foi uma diminuição de 40% das emissões de CO₂ em quatro anos, um feito raro para o setor hospitalar, que enfrenta desafios operacionais complexos e ininterruptos.
A transição para uma matriz energética limpa foi um dos marcos dessa trajetória. Hoje, 100% da energia elétrica consumida pelo Sírio-Libanês provém de fontes renováveis, como eólica e solar. Essa mudança foi acompanhada de uma revisão de processos internos e da adoção de tecnologias de eficiência energética como automação predial, iluminação LED e otimização de equipamentos de alta demanda. Em situações emergenciais, as emissões são compensadas integralmente por meio da aquisição de créditos de carbono auditados, com preferência por projetos de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas.
Também avançamos na gestão circular de resíduos. Cerca de 18% do total produzido é reciclado e outros 17% passam por compostagem, aproveitando o potencial orgânico das operações de alimentação e lavanderia. Reduzimos o envio a aterros sanitários, priorizando destinações que capturam e reaproveitam gás metano, e ampliamos a logística reversa de insumos como embalagens de álcool em gel, sabonetes, seringas, bolsas de soro e gelox, sempre dentro dos mais rigorosos padrões de segurança hospitalar.
A sustentabilidade se estende ainda à cadeia de valor, responsável por mais de 70% das emissões indiretas. Por isso, adotamos critérios de sustentabilidade e pegada de carbono na seleção e acompanhamento de fornecedores, incentivando práticas responsáveis em toda a rede. Quando encontramos parceiros que ainda não estão alinhados à agenda ESG, buscamos promover o diálogo e a capacitação, apoiando sua transição para modelos mais sustentáveis.
Essas iniciativas só são possíveis com uma governança sólida. A sustentabilidade integra a estratégia institucional e o modelo de gestão do Sírio-Libanês, alinhado a frameworks internacionais como GRI, SASB e relato integrado. Também somos o único hospital do Brasil a receber duas vezes o selo Pró-Ética, concedido pela Controladoria-Geral da União (CGU) – um reconhecimento de que ética e transparência são pilares inseparáveis da agenda ESG.
Às vésperas da COP 30, que colocará o Brasil no centro do debate global sobre clima, reforçamos a convicção de que a saúde não deve ser apenas um setor impactado pela crise climática, mas um agente ativo na sua solução. O Sírio-Libanês tem demonstrado que é possível conciliar excelência assistencial, segurança do paciente e responsabilidade ambiental. Reduzir emissões, investir em energia limpa e promover a economia circular são decisões que salvam vidas – ainda que de forma indireta.
Cuidar do planeta é, também, cuidar da saúde de todos nós. E esse é um compromisso que ultrapassa fronteiras, governos e gerações.
*Giovana Kill é diretora de Sustentabilidade do Hospital Sírio-Libanês.
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Assessoria de Comunicação
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
STF garante segurança jurídica na regulação de estágios em medicina
https://medicinasa.com.br/stf-limites-atuacao-cfm/
Número de usuários de planos de saúde aumenta em setembro
Grupo Fleury amplia atuação na saúde da mulher com compra do laboratório Femme
Prefeito tiktoker de Sorocaba é afastado do cargo após operação que investiga contratos da Saúde
https://ohoje.com/2025/11/06/prefeito-tiktoker-de-sorocaba-afastado/
Arma dispara acidentalmente em pronto-socorro psiquiátrico em Goiânia
MEDICINA S/A
STF garante segurança jurídica na regulação de estágios em medicina
No início de outubro, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou decisão que suspendeu trechos da Resolução nº 2.434/2025 do Conselho Federal de Medicina (CFM), no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamento (ADPF) nº 1247, proposta pela Associação dos Mantenedores Independentes Educadores do Ensino Superior (AMIES). A decisão referendou a liminar concedida pelo ministro Flavio Dino.
Com o julgamento, o STF afastou a possibilidade de o CFM fiscalizar diretamente estágios de estudantes de medicina e interditar atividades consideradas irregulares, atribuições que, segundo a Corte analisou em sede cautelar, extrapolam as competências legais do conselho e invadem a esfera de atuação da União. A decisão destacou que o CFM possui papel essencial na fiscalização do exercício profissional da medicina, mas não na regulação e supervisão do ensino superior, responsabilidades atribuídas ao Ministério da Educação (MEC).
A resolução também instituía novas obrigações administrativas para instituições de ensino superior (IES) e criava hipóteses de responsabilidade civil sem amparo legal. Entre os dispositivos suspensos estava a obrigatoriedade de exercício presencial desses coordenadores e a imposição de responsabilidade civil direta e indelegável.
Segundo a decisão do STF, essas disposições violavam o princípio da legalidade e comprometiam a segurança jurídica do sistema educacional. O entendimento reforça que normas sobre formação acadêmica e diretrizes educacionais são de competência exclusiva da União, nos termos da Constituição Federal.
O julgamento representa um importante precedente para a delimitação de competências entre o sistema profissional e o sistema educacional, preservando o equilíbrio regulatório e a autonomia das instituições de ensino. O mérito da ação ainda será apreciado pelo plenário do Supremo.
Apesar das divergências pontuais quanto às competências legais, é importante reconhecer que tanto a AMIES quanto o CFM compartilham o mesmo propósito: garantir a qualidade da formação médica no país. O diálogo institucional e o respeito aos limites constitucionais são caminhos essenciais para que educação e regulação profissional avancem de forma integrada, em benefício dos estudantes, das instituições e da sociedade.
*Priscila Planelis é advogada, especialista em Direito Educacional e secretária-executiva da Associação dos Mantenedores Independentes Educadores do Ensino Superior (AMIES).
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AGÊNCIA BRASIL
Número de usuários de planos de saúde aumenta em setembro
Dados foram divulgados pela Agência Nacional de Saúde
O número de usuários de planos de saúde alcançou, em setembro, 53.232.560 pessoas na área de assistência médica e 34.910.516 em planos exclusivamente odontológicos.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (6) pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e mostram aumento de 0,63% e de 1,04%, respectivamente, em relação ao mês anterior.
Os planos de assistência médica tiveram 1.347.958 novas adesões ou vínculos, e o cancelamento de 1.015.121 vínculos. A agência chama a atenção que não se trata de indivíduos, já que uma mesma pessoa pode ser beneficiária em mais de um plano.
Segundo a ANS, os novos vínculos ou adesões são referentes a vários tipos de entrada, como novos beneficiários, transferência de carteira, mudança voluntária de plano, entre outros. Os cancelamentos também podem se referir a todo tipo de saída, seja encerramento do contrato de plano coletivo de uma empresa, retirada de beneficiários do setor ou óbito, por exemplo.
No acumulado de 12 meses, foram registrados 15.537.653 adesões e 14.111.652 cancelamentos.
Nos planos médico-hospitalares, setembro contou com mais 332.837 beneficiários em relação ao mês anterior.
Se o comparativo for em relação a igual mês de 2024, constata-se aumento de 1.426.001 beneficiários no setor. Nos planos exclusivamente odontológicos, 946.755 beneficiários incrementaram o setor em setembro deste ano, quando comparamos com o mesmo mês em 2024. Em relação a agosto, a saúde suplementar adquiriu mais 357.669 beneficiários.
Contratações
A ANS contabilizou 668 operadoras ativas nos planos de assistência médica com beneficiários, somando 21.824 planos ativos de saúde. Em relação aos planos exclusivamente odontológicos, o número de operadoras ativas com beneficiários atingiu 315, mostrando 5.321 planos ativos.
Por tipo de contratação, o número de contratos coletivos superou o de contratos individuais ou familiares tanto nos planos de assistência médica, como odontológicos, atingindo 44.637.145 nos planos médico-hospitalares, destacando os contratos coletivos empresariais (38.787.334); e 29.146.554 nos planos exclusivamente odontológicos, com 25.971.291 contratos coletivos empresariais.
Na comparação com setembro do ano passado, o setor registrou evolução de beneficiários em planos de assistência médica em todos os estados brasileiros. Os maiores números de beneficiários são encontrados em São Paulo, que subiu de 18.102.385, em setembro de 2024 para 18.694.732, em setembro de 2025; Minas Gerais (de 5.790.510 para 5.902.946|) e Rio de Janeiro (de 5.531.660 para 5.607.424).
Entre os planos odontológicos, 20 estados e o Distrito Federal registraram crescimento no comparativo anual.
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SAUDE BUSINESS
Grupo Fleury amplia atuação na saúde da mulher com compra do laboratório Femme
Aquisição de instituição de mais de R$ 200 milhões reforça presença do grupo no segmento intermediário e amplia rede para 582 unidades no país.
O Grupo Fleury anunciou a aquisição do Femme Laboratório da Mulher, referência em saúde feminina em São Paulo. O movimento dá continuidade à estratégia de expansão do grupo, iniciada em 2017, e reforça a aposta em oferecer soluções cada vez mais integradas na jornada de cuidado.
Fundado há 52 anos, o Femme atua com serviços de análises clínicas e diagnóstico por imagem em 12 unidades — 11 na capital e uma em Osasco.
Nos últimos 12 meses encerrados em 2024, o laboratório registrou receita de R$ 287 milhões. O valor da aquisição (Enterprise Value) foi de R$ 207,5 milhões, com múltiplos implícitos de 5,5x EV/EBITDA e 3,3x EV/EBITDA pós-sinergias. Com a incorporação, o Fleury passa a contar com 582 unidades de atendimento no Brasil, sendo 142 no estado de São Paulo.
Tradição e referência na saúde da mulher
Reconhecido por seu corpo clínico especializado e pela forte relação com ginecologistas, o Femme consolidou-se como prestador preferencial no cuidado à saúde da mulher. A marca conta com 1.400 colaboradores e 400 médicos atuando diariamente na atenção às pacientes.
“Femme é uma marca consolidada na saúde da mulher em São Paulo e complementa fortemente nossa oferta de serviços no segmento intermediário, em linha com nosso objetivo de oferecer soluções integradas na jornada de cuidado”, afirma Jeane Tsutsui, presidente do Grupo Fleury.
Esta é a 22ª aquisição do Fleury desde 2017, somando R$ 2,2 bilhões em investimentos. Segundo a presidente, o negócio segue a lógica de crescimento com sinergias e complementaridade.
“Além da aderência ao nosso crescimento de forma estratégica e da fundamental convergência cultural, encontramos no Femme elevado potencial de sinergias em receitas, custos e despesas operacionais que dão sustentação para nossas exigências econômico-financeiras”, destaca.
O movimento consolida o Fleury como um dos principais players em diagnósticos e saúde integrada no país, com forte presença em São Paulo e foco no segmento intermediário.
Expansão e demografia
A aquisição também reflete uma resposta ao aumento da demanda por rastreamento e diagnóstico precoce de doenças oncológicas femininas, como câncer de mama e de colo do útero. Em 2025, o Ministério da Saúde passou a recomendar mamografia para mulheres de 40 a 49 anos, em decisão compartilhada entre paciente e médico.
“Diante do envelhecimento acelerado da população brasileira – com maior expectativa de vida entre mulheres –, o sistema de saúde suplementar precisa se preparar para o aumento das doenças crônicas em uma população idosa majoritariamente feminina”, observa a presidente.
Em São Paulo, 39,8% da população tem acesso à saúde suplementar — índice bem acima da média nacional, de 24,6%.
“Atuar em mercados com ampla cobertura de planos de saúde é essencial para expandirmos nossa presença, ganharmos escala e elevarmos o padrão dos serviços diagnósticos”, conclui a executiva.
Para Jeane, o movimento reforça a trajetória centenária do grupo e sua ambição de moldar o futuro da saúde no país.
“Seguimos firmes na missão de construir a saúde que desejamos para o futuro, guiados pela ética, pelo cuidado e pela dedicação das pessoas que nos permitem evoluir como referência e como um dos líderes do setor de saúde no Brasil”, ressalta.
A efetivação da transação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
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O HOJE
Prefeito tiktoker de Sorocaba é afastado do cargo após operação que investiga contratos da Saúde
Decisão judicial suspende Rodrigo Manga do cargo em ação relacionada à operação Copia e Cola da Polícia Federal
O prefeito da cidade de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), foi afastado do cargo nesta quinta-feira (6) por decisão judicial relacionada a investigações sobre possíveis irregularidades em contratos da área da saúde. A informação foi divulgada pelo próprio gestor em vídeo publicado nas redes sociais e confirmada pela assessoria do município. No comunicado, a prefeitura afirmou que irá se manifestar por meio de nota “nos próximos dias”.
No vídeo, gravado em Brasília, Manga relatou que recebeu a notificação enquanto estava na capital federal. Ele afirmou: “Acredite se quiser, me afastaram do cargo de prefeito. Eu aqui em Brasília, ontem eu fui em frente ao Palácio da Justiça, falei que tem que colocar o Exército na rua, rodei o Congresso, os deputados me receberam super bem, falando: ‘Manga, cuidado, está aparecendo muito, estão tentando aí’”.
Influência nas redes sociais
Rodrigo Manga, de 45 anos, ficou conhecido nacionalmente por sua atuação nas redes sociais, onde publica vídeos diários sobre ações da prefeitura e bastidores da rotina política. O prefeito adotou um estilo comunicativo voltado ao público digital, ganhando o apelido de “prefeito TikTok”. Ele soma 3,8 milhões de seguidores no Instagram e 3,3 milhões no TikTok, números que colocam seu perfil entre os de maior alcance entre gestores municipais no país. Antes de assumir a prefeitura, Manga foi vereador por Sorocaba e presidiu a Câmara Municipal.
Operação investiga contratos emergenciais na Saúde de Sorocaba
A decisão judicial faz parte de uma nova fase da operação Copia e Cola, conduzida pela Polícia Federal (PF). Segundo nota da corporação, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão em Sorocaba. As ordens foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. A PF também informou que houve o sequestro e a indisponibilidade de cerca de R$ 6,5 milhões em bens de investigados, além da determinação de medidas cautelares, como suspensão de função pública e proibição de contato entre determinados envolvidos.
A investigação apura suspeitas envolvendo a contratação emergencial e o termo de convênio para gestão de unidades de saúde por uma organização social sem fins lucrativos. Segundo a PF, os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa. Os detalhes da ação não foram divulgados por determinação judicial.
A operação Copia e Cola teve início em 10 de abril deste ano. Na primeira fase, agentes cumpriram mandados ligados ao mesmo núcleo de apurações sobre supostos desvios de recursos públicos na área da saúde. Rodrigo Manga também foi alvo das investigações na ocasião, conhecido nacionalmente por compartilhar vídeos curtos sobre ações da prefeitura em suas redes sociais, onde reúne milhões de seguidores.
Veja o pronunciamento de Rodrigo Manga:
Vice-prefeito assume e prefeitura afirma continuidade dos serviços
Após o afastamento, a Prefeitura de Sorocaba comunicou que o vice-prefeito, Fernando Martins da Costa Neto, assumiu interinamente a administração municipal. Em nota enviada à imprensa, informou que ele permanecerá no cargo “até que os fatos sejam esclarecidos, garantindo a plena continuidade dos serviços públicos e o funcionamento regular da Administração Municipal”. Não foram divulgadas novas posições sobre o conteúdo da decisão judicial.
Além das investigações da PF, o prefeito já respondia a outros processos ao longo do ano. Em maio, ele se tornou réu em uma ação por improbidade administrativa que apura suspeita de superfaturamento na compra de lousas digitais fornecidas pela empresa Educateca. O valor citado na ação ultrapassa R$ 11 milhões, de acordo com documentos anexados pelo Ministério Público.
Manga também é investigado em outro caso que apura possível recebimento de propina em um esquema envolvendo o contrato com uma Organização Social de Saúde (OSS) responsável pela gestão de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na cidade. As denúncias incluem suspeitas de desvio de recursos e irregularidades na execução do contrato.
No vídeo divulgado nesta quinta-feira (6), o prefeito afirmou que pretende analisar os documentos da decisão e divulgar mais informações. “Quero dizer para vocês que não vou desistir de Sorocaba, não vou desistir do Brasil. Vou verificar tudo que aconteceu e informar para vocês”, disse.
A Polícia Federal informou que as diligências desta fase da operação seguem em andamento e que os materiais apreendidos serão analisados e incorporados ao inquérito. Novas atualizações devem ser divulgadas conforme autorização judicial.
Sorocaba, segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem 723 mil habitantes. A gestão municipal segue sob comando interino enquanto os desdobramentos do caso avançam na Justiça.
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DIÁRIO DA MANHÃ
Arma dispara acidentalmente em pronto-socorro psiquiátrico em Goiânia
Em Goiânia, um disparo de arma de fogo dentro do Pronto-Socorro Psiquiátrico Wassily Chuc provocou susto e correria entre pacientes e servidores na manhã desta quinta-feira (6). O tiro, considerado acidental, partiu da arma de um policial penal que acompanhava uma paciente internada na unidade.
Segundo informações preliminares, o agente manuseava o equipamento durante um procedimento de segurança quando ocorreu o disparo. O projétil atingiu o chão e ninguém ficou ferido.
Profissionais do hospital afirmam que situações de risco envolvendo policiais penais são recorrentes. Eles relatam manuseio inadequado de armas, servidores armados dormindo durante o plantão e outros episódios que colocam pacientes e funcionários em perigo.
A unidade, que atende pessoas em crise e com transtornos mentais graves, também enfrenta problemas estruturais. Embora a Secretaria Municipal de Saúde tenha anunciado uma reforma, trabalhadores dizem que as melhorias não avançam. Banheiros sem vasos sanitários e áreas danificadas do prédio estão entre as reclamações.
O Ministério Público de Goiás destinou R$ 4 milhões para a reestruturação do pronto-socorro. A expectativa é que as obras tragam melhorias para a unidade, atualmente considerada fragilizada.
A Polícia Civil de Goiás (PCGO) esteve no local logo após o disparo. Já a Diretoria-Geral de Polícia Penal (DGPP) informou que instaurou procedimento para apurar o caso.
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Assessoria de Comunicação
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DESTAQUES
Plano de saúde aparece em 7º no ranking de desejos dos brasileiros
https://medicinasa.com.br/vox-populi-iess/
35 anos do SUS: o papel das OSSs na consolidação do sistema
https://medicinasa.com.br/35-anos-sus/
Ahpaceg realiza reunião sobre os impactos da reforma tributária na área da saúde
https://www.folhadoplanalto.com.br/2025/11/ahpaceg-realiza-reuniao-sobre-os.html
Sindhoesg promove evento sobre terapia nutricional e auditoria
https://www.issoegoias.com.br/2025/11/sindhoesg-promove-evento-sobre-terapia.html
Saúde mira filas por cirurgias e anuncia rodízio em hospitais goianos
Após vistoria do TCE-GO, Hugo divulga lista de melhorias no atendimento
Rede D'Or (RDOR3) registra lucro de R$ 1,54 bi no 3º tri de 2025
Execução é cultura: o segredo dos planos de ação na saúde que realmente transformam
Marcos do Val quer debate sobre denúncias contra planos de saúde
MEDICINA S/A
Plano de saúde aparece em 7º no ranking de desejos dos brasileiros
Possuir carro, casa própria e celular são os três principais desejos dos brasileiros, seguidos por internet, educação, computador e plano de saúde. Os dados constam da nova edição da pesquisa Vox Populi sobre planos de saúde no Brasil, encomendada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), e mostram uma mudança de prioridades dos entrevistados, independentemente de possuir ou não plano de saúde.
Até a edição anterior do levantamento, de 2021, casa própria, educação e plano de saúde figuravam entre os três principais desejos do brasileiro, tanto para beneficiários quanto para não beneficiários. O Vox Populi alerta, entretanto, que a comparação entre a atual pesquisa e as anteriores, especialmente a de 2021, deve ser feita com cautela e considerar que alterações metodológicas introduzidas em 2025, que incluíram a substituição de “TV a cabo” por “serviços de streaming”, a separação de “computador” e “internet/Wi-Fi” como categorias distintas e o agrupamento de todos os tipos de seguros em uma única opção. Essas mudanças ampliaram as alternativas de respostas possíveis e impactam a ordem de classificação dos itens em relação às pesquisas anteriores, observa o instituto.
O plano de saúde figura em sétimo lugar entre os dez itens de maior desejo citados pela população nessa nova edição da pesquisa, ficando à frente de planos odontológicos, seguros e serviços de streaming.
O IESS analisa que, feita a ressalva sobre as mudanças metodológicas e suas influências sobre as respostas, a nova pesquisa reflete que o plano de saúde figura dentro dos desejos do brasileiro, mas admite a hipótese de estar se tornando um “sonho distante e de difícil acesso”. Isso porque um conjunto de fatores potencializa o aumento dos custos e reajustes das mensalidades dos planos, encarecendo o preço do produto. É o caso do gigantesco volume de “judicialização predatória” – ações motivadas por demandas não previstas nos contratos e no rol de coberturas e procedimentos –; o processo intenso e “em tempo real” de incorporação de novas tecnologias, especialmente de medicamentos de alto custo, algo sem precedentes no mundo; fraudes; e desperdícios, especialmente de casos de abusos.
“A adoção de novas tecnologias é um dos principais catalizadores de custos. O paciente, que é também o beneficiário, demanda e celebra essa incorporação, que amplia a oferta de tratamentos, mas que também envolve aumento de custos”, explica José Cechin, superintendente executivo do IESS. As características que envolvem a saúde suplementar no Brasil encarecem os planos e, para uma parte da população, os altos valores tornam o produto “inacessível”, a ponto de deixar de ser um objeto de desejo. “Vivemos em um país socialmente desigual e heterogêneo. Os valores dos planos de saúde podem estar se tornando algo muito distante da realidade financeira das pessoas e, diante disso, é admissível a hipótese de a pessoa deixar de desejar algo porque se tornou inatingível”, analisa.
Ainda no contexto de “acesso”, Cechin destaca o desejo da maioria dos brasileiros especialmente pelo que está a seu alcance financeiro. “O levantamento expressa as mudanças estruturais da vida do brasileiro nos últimos anos, especialmente no aumento do valor atribuído ao carro, ao celular e à conectividade — um reflexo direto da capacidade de consumo e do avanço do empreendedorismo, do trabalho remoto e das novas dinâmicas do mercado nas regiões metropolitanas”, complementa. “Mesmo distante dos primeiros lugares, o plano de saúde permanece entre os desejos mais mencionados — e isso mostra o peso simbólico da proteção à saúde em um país onde o acesso público ainda é desafiador”, reforça.
Cechin observa que o resultado demonstra a consolidação do plano como um símbolo de proteção social. “O fato de o plano de saúde aparecer em ambos os grupos, ainda que com intensidades levemente diferentes, mostra que ele já faz parte da cesta de aspirações estruturais do brasileiro — algo que traduz segurança, cuidado e previsibilidade”, conclui.
O Vox Populi ouviu 3,2 mil pessoas com 18 anos ou mais, entre beneficiários e não beneficiários de planos de saúde e odontológicos, em oito regiões metropolitanas — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre, Manaus e Brasília. As entrevistas foram presenciais, realizadas entre 31 de julho e 17 de agosto de 2025, com nível de confiança de 95%.
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35 anos do SUS: o papel das OSSs na consolidação do sistema
Em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) completou 35 anos de história, consolidando-se como patrimônio coletivo do povo brasileiro e um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo. Criado pela Constituição de 1988, o SUS garante aos mais de 200 milhões de brasileiros o direito universal e gratuito à saúde, sendo referência em atendimento, prevenção e promoção da qualidade de vida.
Ao longo destas décadas, o SUS estruturou políticas que vão da atenção primária a procedimentos de alta complexidade, passando por campanhas de vacinação, programas de saúde da família e ações de vigilância epidemiológica. Manter um sistema dessa magnitude, em um país continental e marcado por desigualdades, exige mais que recursos financeiros: requer gestão eficiente, inovação e parcerias estratégicas. É nesse contexto que as Organizações Sociais de Saúde (OSSs) se tornaram parceiras fundamentais.
As OSSs são instituições privadas, sem fins lucrativos, que colaboram com o poder público na administração de hospitais, unidades básicas, centros de especialidades e prontos-socorros. Essa parceria permite que políticas públicas sejam executadas com agilidade e foco em resultados, utilizando indicadores de desempenho para garantir atendimento de qualidade e segurança a quem mais precisa.
A atenção primária, porta de entrada do SUS, é um exemplo claro de como a gestão eficiente transforma vidas. Por meio de equipes multiprofissionais, os profissionais acompanham pacientes com doenças crônicas, previnem complicações e incentivam hábitos saudáveis. Essa abordagem reduz a demanda por atendimentos de urgência e internações, melhora a experiência do usuário e garante a sustentabilidade do sistema.
Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 70% da população brasileira depende exclusivamente do SUS. Em muitas localidades, são as OSSs que asseguram consultas, exames e tratamentos especializados, ajudando a diminuir desigualdades históricas e a levar saúde de qualidade para todos.
Celebrar os 35 anos do SUS é reconhecer suas conquistas, mas também assumir o compromisso com os desafios que virão. A sustentabilidade do sistema depende de modelos de gestão inovadores, investimento contínuo e parcerias sólidas que transformem políticas em serviços concretos.
Como gerente executivo de uma OSS, acredito que o SUS é mais do que uma política pública: é um patrimônio coletivo que deve ser protegido e fortalecido. Instituições, gestores e profissionais de saúde seguem trabalhando em parceria com o Estado e a sociedade civil para garantir que, nos próximos anos, o sistema público continue promovendo equidade, inovação e qualidade de vida para todos os brasileiros.
*João Romano é gerente executivo do CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”).
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FOLHA DO PLANALTO
Ahpaceg realiza reunião sobre os impactos da reforma tributária na área da saúde
A Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) promoveu, na tarde desta quarta-feira, uma reunião com os sócios do Grupo Mapah, Manoel Estevam e Leandro Resende, que apresentaram aos associados as principais mudanças na forma de tributação e os reflexos da reforma tributária no setor da saúde. O encontro aconteceu no formato híbrido.
Manoel Estevam, graduado em Ciências Contábeis e pós-graduado em Gestão Financeira e Controladoria, abordou os principais pontos da proposta de simplificação tributária. Com mais de 20 anos de experiência em auditoria contábil, tributária e financeira, ele destacou que a reforma é um passo importante para reduzir a complexidade do sistema atual, que reúne mais de 460 mil normas desde 1988.
Também ressaltou que o novo modelo busca amenizar problemas históricos como litígios, insegurança jurídica, burocracia, falta de transparência e guerra fiscal entre estados e municípios.
Manoel explicou os pilares da nova tributação, os novos tributos sobre valor agregado (IVA) e o cronograma de implantação e transição. Comentou ainda o Projeto de Lei nº 1087/2025, que trata das novas regras de tributação de rendimentos e lucros.
Em seguida, o sócio Leandro Resende, graduado em Administração de Empresas e Ciências Contábeis, com ampla experiência em consultoria e auditoria tributária, apresentou uma análise sobre a tributação específica da área da saúde.
Ele destacou como os serviços médicos e de saúde serão alcançados pelas novas regras, as reduções e isenções previstas, os desafios e os principais impactos da implementação do IBS e da CBS no setor.
Ahpaceg tem acompanhado as discussões sobre a reforma tributária e promovido encontros com especialistas para manter os associados informados e preparados para as mudanças.
O presidente Renato Daher reforça a importância de as instituições de saúde iniciarem desde já o planejamento e a adequação às novas regras, garantindo segurança e sustentabilidade no período de transição.
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ISSO É GOIÁS
Sindhoesg promove evento sobre terapia nutricional e auditoria
Participantes tiveram aulas a respeito de condutas na nutrição especializada e como esse cuidado contribui financeiramente com os hospitais
Em parceria com o Movimento Nutrindo Vidas, o Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado de Goiás (Sindhoesg) reuniu colaboradores dos hospitais associados para uma aula sobre auditoria e conexões estratégicas no futuro da saúde, na tarde do dia 4 de novembro. O evento teve o apoio a Danone, Ello Distribuidora e Viva Comércio e Importação.
“Falar sobre auditoria é falar sobre vidas, sobre terapia nutricional”, ressaltou Christine Pinto, consultora hospitalar da Danone Nutricia, responsável pelo Movimento que trabalha pela assistência nutricional especializada.
Assim, os participantes puderam conhecer as condutas atuais que envolvem a terapia nutricional. A nutricionista Débora Berbert destacou como os desfechos clínicos, principalmente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), são influenciados pela nutrição.
“Por trás de cada conduta clínica há um fator silencioso, mas que define a saúde, que é a nutrição. Não queremos que os pacientes saiam da UTI como sobreviventes, mas como indivíduos funcionais, que conseguem manter suas atividades”, afirmou.
O cuidado deve ser individualizado no decorrer da jornada do paciente, de acordo com triagens que podem diagnosticar a avaliar os níveis de desnutrição, como apresentou a especialista.
Ela alertou ainda que terapias nutricionais enterais costumam ser interrompidas por motivos evitáveis, comprometendo os tratamentos. “A desnutrição hospitalar é um problema de saúde pública no país e, quanto maior o tempo de internação, maior a prevalência do dano”.
Por isso, Débora recomendou o início precoce da terapia nutricional, nas primeiras 48h. “A nutrição enteral não pode ser adiada. Ela pode salvar vidas, especialmente em casos mais críticos”, aconselhou.
Nutrieconomia
Quando o assunto é nutrição, também é necessário pensar na sustentabilidade financeira da instituição, o que é chamada de “nutrieconomia”. Esses fatores se tornam cada vez mais relevantes em um cenário de envelhecimento da população, aumento das doenças crônicas e elevação dos custos hospitalares.
Com base em estudos científicos, Karla Oliveira Blue, especialista em auditoria da Danone, reforçou que o acompanhamento nutricional desde os primeiros momentos da internação contribui com a redução de custos no atendimento ao paciente.
“Não existe caro e barato, existe o que você está investindo no desfecho que espera ter”, resumiu.
Ao final do evento, representantes do Hospital do Rim e do Hospital da Criança, associados do Sindhoesg, apresentaram suas estratégias e debateram com os demais participantes sobre o que pode ser feito para aprimorar a assistência aos pacientes.
A roda vida, contou ainda com a participação de auditores do Ipasgo, que debateram com os representantes dos hospitais as condutas e novas normativas do Instituto para terapia nutricional. Janaína Ferreira Teixeira, coordenadora de Auditoria em Saúde, e Mayara Ferreira dos Santos Cananeia, coordenadora de Atenção Domiciliar do Ipasgo, esclareceram dúvidas dos nutricionistas hospitalares acerca das autorizações e guias de atendimentos parenteral.
O que é o Movimento Nutrindo Vidas?
Com uma coalizão formada por membros segundo e terceiro setores, o Movimento Nutrindo Vidas, relacionado à Danone Nutricia, tem o objetivo de lutar pelo direito à assistência nutricional especializada, principalmente para grupos de pacientes da primeira infância com agravos, oncológicos e idosos.
Uma das maneiras é promover informação por meio de eventos e palestras, como a realizada no Sindhoesg, que é apoiador dos trabalhos. O presidente do Sindicato, Gustavo Clemente, ressaltou a satisfação de fazer parte do movimento e levar informações aos profissionais de saúde.
Você também pode aproveitar essas ações de educação continuada. Fique atento ao cronograma do Sindicato e participe!
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A REDAÇÃO
Saúde mira filas por cirurgias e anuncia rodízio em hospitais goianos
Rasivel dos Reis prestou contas na Alego
Sob a presidência do deputado Wagner Camargo Neto (Solidariedade), a Comissão de Tributação, Finanças e Orçamento (CTFO), da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), se reuniu na tarde desta quarta-feira (5/11), em audiência pública para a prestação de contas da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), referente aos 1º e 2º quadrimestres de 2025.
A apresentação dos dados foi feita pelo secretário Rasivel dos Reis Santos Júnior na Sala das Comissões Júlio da Retífica. Na ocasião, o gestor relatou, entre outras coisas, o aumento no número de consultas especializadas e queda nas taxas de mortalidade, além de divulgar balanço de atendimentos realizados em hospitais estaduais. Questionado por deputados, Rasivel respondeu sobre gastos com organizações sociais de saúde (OSSs) e demanda por vagas em leitos de unidade de terapia intensiva (UTI).
A apresentação teve início com relatório referente à fila de espera para cirurgias eletivas e consultas especializadas no Estado. “Temos visto uma expansão contínua de consultas e procedimentos especializados”, disse, expondo números da primeira metade de 2025, em contraste com o mesmo período de 2024. Segundo ele, nos dois primeiros quadrimestres de 2025, foram feitas 56.426 cirurgias eletivas. Atualmente, 23.129 pacientes aguardam por procedimentos. “Estamos trabalhando para reduzir essa fila de espera, trabalhando com a priorização”, afirmou.
A estratégia será fazer um rodízio, com a participação de quatro hospitais goianos: de Urgências de Goiás (Hugo), Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana) e Estadual de Aparecida de Goiânia Caio Louzada (Heapa). Neste primeiro momento, cada um deles ficará uma semana sem receber pacientes levados pelo Samu e pelo Corpo de Bombeiros, podendo realizar cirurgias eletivas represadas.
Consultas especializadas
Com relação às consultas especializadas, o secretário enfatizou que, por meio do Sigo e do painel Regulatron, o percentual de utilização das vagas aumentou de 42,77%, em janeiro, para 72,38% em agosto. “Com o sistema integrado, são mais de 30 mil consultas marcadas automaticamente e, quando o paciente desiste, já entra outro da lista de espera. Isso otimizou muito a questão da consulta especializada”, pontuou Reis.
Mortalidade prematura e materna
Em seguida, o secretário apontou a redução na taxa de mortalidade prematura pelo conjunto de quatro principais doenças crônicas não transmissíveis. O número caiu, de acordo com o Rasível, em mais de 100 por 100 mil habitantes. A redução exposta passou de 287,08 para 185,53. A estimativa era de 275, 71.
Já a redução de mortalidade materna foi de 53,6 mortes para cada 100 mil nascidos vivos. “Toda morte materna deve ser tratada como um evento catastrófico, porque 95% das mortes maternas são consideradas evitáveis”, frisou Rasivel. “Estamos fazendo todo o esforço para não termos morte materna. Cada morte materna é investigada para sabermos o que devemos fazer para que ela seja evitada”, salientou o titular da pasta da Saúde.
Iniciativas recentes e premiadas
O secretário também apontou as iniciativas recentes e premiadas do período. Ele abordou, primeiramente, a Rede Nascer, que tem foco na melhoria de crianças e gestantes, incluindo a busca pela redução das mortes maternas e infantis.
Outra ação que o secretário destacou foi a Identificação Neonatal, que consiste em identificar a criança e a mãe já na sala de parto, o que evita troca e rapto de bebês, além de ajudar em casos de abandono de recém-nascidos. A iniciativa teve início em setembro de 2025, no Hospital Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, e está em expansão, de acordo com Rasivel dos Reis.
O titular da Saúde abordou, ainda, o Meu Prontuário Eletrônico (Meu PEP), vencedor de prêmio de inovação digital. No prontuário, é disponibilizada aos pacientes uma série de informações relacionadas ao histórico de saúde a partir de dados das redes estaduais e municipais.
Ampliação da cobertura vacinal
Rasivel dos Reis destacou, ainda, o Canal Saúde Goiás como uma grande inovação do Estado. Trata-se de uma nova forma de comunicação com o cidadão, com acesso em tempo real a campanhas direcionadas, agendamento de consultas, exames, cirurgias e posição na fila de espera.
O sistema, que envia mensagens via SMS, mensagem de voz ou por meio do aplicativo WhatsApp, resultou no aumento da taxa de cobertura vacinal. “Começamos com a campanha da influenza e foi um sucesso. Conseguimos em torno de 15 mil pessoas a mais para serem vacinadas”, relatou Rasivel dos Reis ao apontar a importância da vacinação, sobretudo no momento atual.
“O mesmo leito em que eu internaria um paciente com uma complicação evitável porque ele não tomou a vacina seria o mesmo leito em que eu internaria um paciente com AVC, infarto ou algum trauma. Muitas vezes, aquele leito está sendo utilizado de forma inadequada por alguém que tomou a decisão deliberada de não se vacinar”, frisou o secretário.
O secretário de Saúde salientou, ainda, a atuação da gestão estadual no incentivo à imunização. “Precisamos nos recuperar dessa tragédia da hesitação vacinal, que, em momento nenhum, o nosso governador participou. Ronaldo Caiado foi o único gestor de direita que sempre incentivou a vacinação, nunca foi negacionista e sempre valorizou a ciência e a vida. Essa é uma questão extremamente importante, que o Estado de Goiás deu exemplo”, completou Rasivel dos Reis.
Novas unidades hospitalares
No encontro, o secretário também apresentou números referentes a novas unidades hospitalares em Goiás. Segundo o relatório, com um ano de funcionamento, o Hospital Estadual Ronaldo Ramos Caiado Filho, em Águas Lindas de Goiás, realizou mais de 200 mil atendimentos à população do Entorno do Distrito Federal (DF). O valor investido na unidade de saúde, que conta com 164 leitos, 40 unidades de terapia intensiva (UTIs) e 22 consultórios, foi de R$ 157 milhões.
Já o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora), dedicado ao tratamento do câncer infantojuvenil, registrou no período de três meses de funcionamento: 119 casos atendidos; 81 casos diagnosticados; 146 internações em enfermaria; 35 admissões em UTI; 225 cirurgias realizadas, sendo 18 de grande porte e 19 neurocirurgias; 526 consultas médicas; 926 consultas multi; 104 sessões de quimioterapia; e 853 manipulação de quimioterápicos.
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Após vistoria do TCE-GO, Hugo divulga lista de melhorias no atendimento
Denúncias apontaram superlotação na unidade
Corredores limpos, sem pacientes em macas e sem superlotação – essas foram as imagens e informações de melhoria no atendimento prestado no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), mostradas nesta quarta-feira (5/11) pelo secretário estadual de Saúde, Rasível dos Reis, ao conselheiro Sebastião Tejota durante reunião no Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO). O secretário e assessores trouxeram os primeiros resultados da ação da Secretaria de Estado de Saúde (SES) após vistoria que o Tribunal realizou no Hugo, motivada pelo recebimento de denúncias de superlotação e demora no atendimento aos pacientes.
As medidas também implicaram na dinamização dos serviços prestados pelo Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage (Hugol), Hospital Estadual de Aparecida de Goiânia Cairo Louzada (Heapa) e Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana), que passaram a receber um acompanhamento integrado e contínuo da secretaria.
A equipe da SES foi recebida pelo conselheiro Tejota, relator da área de saúde; pela secretária de Controle Externo, Ana Paula Rocha, e por integrantes da equipe técnica especializada. Durante a reunião, os expositores evidenciaram o caráter colaborativo da atuação do Tribunal em relação ao órgão fiscalizado, tendo como foco a melhor prestação de serviços públicos ao cidadão.
Rasível dos Reis explicou ao conselheiro relator e à área técnica do TCE-GO as medidas adotadas para otimizar o atendimento nos hospitais públicos, a partir do acompanhamento contínuo por parte de um grupo de trabalho, com a realização de reuniões diárias junto às equipes das unidades de saúde. A integração entre a Secretaria e os hospitais e o redesenho de processos de trabalho possibilitaram a redistribuição da demanda por cirurgias eletivas e até as de emergência, atendimento no pronto-socorro, bem como na recepção dos casos enviados pelos sistemas de regulação.
Integração em rede, apoio para consultas especializadas e a instituição da Semana Protegida – sistema que permite aos hospitais adotarem, a cada mês, uma semana com redução do número de atendimentos e a possibilidade de planejamento das demais semanas -, bem como a análise do ciclo de altas foram medidas elencadas pelo titular da SES para viabilizar os resultados alcançados após 23 dias de implementação.
Gestão orientada por evidências
O secretário discorreu ainda sobre gestão orientada por evidências, monitoramento dos ajustes operacionais clínicos e melhorias das condições de trabalho, assegurando que já foram gastos R$ 60 milhões em novos equipamentos para o Hugo e que outros R$ 40 milhões serão aplicados.
As providências, segundo ele, levaram ao aumento do giro de leitos e da eficiência cirúrgica, além da otimização das altas e agilidade nos diagnósticos. E finalizou falando sobre o compromisso da Secretaria de Saúde com a total transparência com o Tribunal de Contas, o monitoramento contínuo da rede, a qualidade e segurança do cuidado e a atuação de forma preventiva no ciclo de demanda.
O conselheiro Sebastião Tejota ressaltou que a parceria entre o Tribunal e a Secretaria é de caráter colaborativo, com foco em apresentar soluções que propiciem ao cidadão um atendimento público de qualidade, semelhante ao da rede privada. Por seu turno, a secretária de Controle Externo do TCE-GO, Ana Paula Rocha, enfatizou que o Tribunal vem mantendo uma fiscalização próxima à SES, acompanhando de forma contínua as ações direcionadas à melhoria dos serviços de saúde.
Ela explicou que uma das principais motivações para a reunião desta quarta-feira foi justamente a superlotação no Hugo, o que levou à adoção de medidas corretivas e à apresentação dos resultados dessas ações. Além disso, a Secretaria de Controle Externo do TCE-GO está realizando uma auditoria para avaliar os sistemas utilizados pela SES na condução das políticas de saúde, especialmente nas unidades hospitalares do estado.
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CNN
Rede D'Or (RDOR3) registra lucro de R$ 1,54 bi no 3º tri de 2025
A Rede D'Or, a maior rede de hospitais listada na bolsa brasileira, anunciou um lucro líquido de R$ 1,54 bilhão entre julho e setembro de 2025. Este resultado representa um crescimento de 32% em co
A Rede D'Or, a maior rede de hospitais listada na bolsa brasileira, anunciou um lucro líquido de R$ 1,54 bilhão entre julho e setembro de 2025. Este resultado representa um crescimento de 32% em comparação ao mesmo período do ano anterior, superando as expectativas do mercado, que previa um lucro de R$ 1,2 bilhão.
Além do lucro expressivo, a companhia reportou um Ebitda de R$ 3,23 bilhões, um aumento de 24,6% em relação ao ano anterior. A receita líquida também cresceu 10,7%, totalizando R$ 14,4 bilhões, embora tenha ficado abaixo da expectativa média de R$ 15,24 bilhões, conforme análise de analistas financeiros.
Esses números refletem a resiliência e o crescimento contínuo da Rede D'Or em um setor crítico como o da saúde. O desempenho acima do esperado pode influenciar as estratégias futuras da empresa e impactar o mercado de ações, especialmente em um cenário onde o setor de saúde enfrenta desafios constantes.
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SAÚDE BUSINESS
Execução é cultura: o segredo dos planos de ação na saúde que realmente transformam
Na gestão hospitalar, o verdadeiro diferencial não está em planejar, mas em fazer os planos acontecerem.
Quem trabalha na saúde sabe: planos de ação existem em abundância. São dezenas de planos em andamento ao mesmo tempo, tratando de qualidade, acreditação, segurança do paciente, processos assistenciais, indicadores e demandas administrativas. Cada plano nasce de uma boa intenção: corrigir falhas, melhorar resultados, alcançar excelência.
Mas há uma diferença entre ter planos de ação e fazer planos acontecerem. Muitos ficam apenas nos papéis, nas planilhas e nos slides das reuniões. Poucos se transformam em resultados concretos.
Planejar é importante. Mas planejar sem executar é desperdiçar energia estratégica. E é aqui que mora o verdadeiro desafio da gestão em saúde: criar uma cultura da execução.
A distância entre o planejamento e o resultado
Hospitais e clínicas têm se tornado cada vez mais hábeis em planejar. As equipes sabem estruturar 5W2H, aplicar PDCA, participar de reuniões de análise crítica, montar cronogramas. Mas, ao longo dos meses, os planos se perdem.
É comum ouvir frases como: “Esse plano ainda está pendente porque não deu tempo”; “Faltou acompanhamento”; “Começamos, mas não conseguimos finalizar”; Não falta competência técnica, falta disciplina, constância e senso de prioridade.
Quando há excesso de planos, pouco tempo e ausência de rituais de acompanhamento, a execução se torna frágil. Na saúde, onde tempo e atenção são recursos escassos, a execução só se sustenta se for parte da cultura, e não apenas uma etapa de um processo burocrático.
Execução é cultura
Uma organização que executa bem é aquela em que todos entendem que cumprir um plano de ação é compromisso institucional. Não se trata de “seguir ordens” ou “entregar para o gestor ver”. Trata-se de fazer o que precisa ser feito porque o propósito é maior do que a tarefa.
Cultura de execução é construída quando:
Há clareza sobre o porquê de cada plano;
Os resultados são acompanhados com transparência;
As equipes se sentem corresponsáveis pelos desdobramentos;
Existe reconhecimento pelos avanços e aprendizado com os erros.
Executar é um ato coletivo, sustentado por comunicação clara, liderança coerente e constância nos hábitos.
Um bom plano de ação não garante resultado se não for acompanhado de rotina, método e persistência. Os planos que realmente transformam seguem alguns princípios:
Metas claras e realistas: objetivos bem definidos, mensuráveis e alcançáveis dentro do contexto.
Prazos possíveis: um plano impossível de cumprir desmotiva.
Responsáveis definidos: se tudo é de todos, nada é de ninguém.
Monitoramento constante: reuniões curtas e periódicas de acompanhamento.
Revisão contínua: corrigir o rumo é parte do processo, não um sinal de fracasso.
Executar exige uma mistura de técnica e comportamento: organização, priorização e, acima de tudo, disciplina.
Quando a cultura da execução não existe
Sem cultura de execução, a instituição cai em alguns padrões nocivos:
Síndrome do planejamento eterno: novos planos são criados antes que os antigos terminem.
Relatórios que não mudam a realidade: muito documento, pouca ação.
Reuniões de acompanhamento improdutivas: longas, repetitivas e sem decisões.
Desmotivação das equipes: quando as pessoas percebem que nada avança, perdem o engajamento.
O resultado é um sistema de gestão que parece movimentado, mas é ineficaz, uma engrenagem que gira sem sair do lugar.
O papel do líder e das equipes
O líder é o guardião da execução. Seu papel é inspirar constância e remover obstáculos:
Estimular acompanhamento leve e produtivo;
Reconhecer avanços visíveis;
Transformar falhas em aprendizado.
Por outro lado, as equipes também precisam assumir protagonismo: a execução pertence a quem faz, e não apenas a quem cobra. Quando a equipe entende o impacto de suas entregas no resultado institucional, seja para o paciente, seja para o processo, o engajamento cresce naturalmente.
Barreiras e como superá-las
Falta de tempo: priorize o essencial. Menos planos, melhor execução.
Excesso de burocracia: simplifique relatórios e planilhas.
Falta de clareza: revise objetivos e responsabilidades a cada início de ciclo.
Desalinhamento entre áreas: crie rituais de integração e comunicação horizontal.
Falta de feedback: celebre avanços, mesmo pequenos, a motivação sustenta o ritmo.
Superar essas barreiras exige uma liderança comprometida e equipes conscientes de que execução é sinônimo de confiança.
Fazer é o que transforma
Na saúde, cada plano de ação representa uma promessa: melhorar processos, garantir segurança, aprimorar o cuidado. Mas promessas não salvam vidas, ações salvam.
Execução é o ponto em que a cultura se torna visível. Não basta planejar com excelência se não há disciplina para realizar, medir e corrigir.
Por isso, a execução é mais do que gestão, é uma forma de liderança. É o momento em que a intenção se converte em resultado, e a melhoria contínua deixa de ser discurso para se tornar prática viva.
No fim, o que diferencia as instituições que evoluem das que apenas planejam é simples: umas falam sobre o que vão fazer, outras fazem o que prometeram.
E, na saúde, essa diferença pode significar vidas salvas pela força de um plano de ação bem executado.
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AGÊNCIA SENADO
Marcos do Val quer debate sobre denúncias contra planos de saúde
Em pronunciamento no Plenário nesta quarta-feira (5), o senador Marcos do Val (Podemos-ES) anunciou que apresentará à Comissão de Direitos Humanos (CDH) um pedido de audiência pública para debater possíveis irregularidades e práticas ilícitas no setor de planos de saúde. O parlamentar pretende convocar representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), da Unimed Brasil e do Conselho Federal de Medicina (CFM) para prestar esclarecimentos. De acordo com o senador, documentos e áudios recebidos por ele apontam que planos de saúde estão interferindo em prescrições médicas para pacientes em tratamento oncológico.
— Isso é uma violação de direitos humanos. Vamos começar a investigar essa atitude criminosa. Se a Unimed está determinando que os médicos oncologistas não prescrevam essa medicação pelo preço e que prescrevam qualquer outra, ou seja, não cumprindo a sua formação como médico, que é salvar vidas a qualquer custo — afirmou o senador.
O senador comentou ainda sobre a operação policial no Rio de Janeiro, nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou na morte de 121 pessoas, entre elas quatro policiais. Ele destacou que o uso de câmeras corporais comprovou a conduta dos agentes e, segundo ele, desmentiu a narrativa de abuso policial. Marcos do Val afirmou que as imagens mostraram os policiais sendo atacados por traficantes que utilizavam drones para monitorar o avanço das tropas.
— Acabou essa narrativa de que são os excluídos da sociedade, os coitadinhos que não tiveram oportunidade e foram para o crime, foram para as drogas, foram ser traficantes. E também acabou-se a narrativa de que a polícia é violenta, criminosa, assassina, perseguidora. Acabou essa narrativa. Contra fatos não há mais argumentos. As imagens mostram isso para o Brasil e para o mundo — concluiu.
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Assessoria de Comunicação
Ahpaceg realiza reunião sobre os impactos da reforma tributária na área da saúde
Escrito por Administrador
A Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) promoveu, na tarde desta quarta-feira, uma reunião com os sócios do Grupo Mapah, Manoel Estevam e Leandro Resende, que apresentaram aos associados as principais mudanças na forma de tributação e os reflexos da reforma tributária no setor da saúde. O encontro aconteceu no formato híbrido.
Manoel Estevam, graduado em Ciências Contábeis e pós-graduado em Gestão Financeira e Controladoria, abordou os principais pontos da proposta de simplificação tributária. Com mais de 20 anos de experiência em auditoria contábil, tributária e financeira, ele destacou que a reforma é um passo importante para reduzir a complexidade do sistema atual, que reúne mais de 460 mil normas desde 1988.
Também ressaltou que o novo modelo busca amenizar problemas históricos como litígios, insegurança jurídica, burocracia, falta de transparência e guerra fiscal entre estados e municípios.
Manoel explicou os pilares da nova tributação, os novos tributos sobre valor agregado (IVA) e o cronograma de implantação e transição. Comentou ainda o Projeto de Lei nº 1087/2025, que trata das novas regras de tributação de rendimentos e lucros.
Em seguida, o sócio Leandro Resende, graduado em Administração de Empresas e Ciências Contábeis, com ampla experiência em consultoria e auditoria tributária, apresentou uma análise sobre a tributação específica da área da saúde.
Ele destacou como os serviços médicos e de saúde serão alcançados pelas novas regras, as reduções e isenções previstas, os desafios e os principais impactos da implementação do IBS e da CBS no setor.
A Ahpaceg tem acompanhado as discussões sobre a reforma tributária e promovido encontros com especialistas para manter os associados informados e preparados para as mudanças.
O presidente Renato Daher reforça a importância de as instituições de saúde iniciarem desde já o planejamento e a adequação às novas regras, garantindo segurança e sustentabilidade no período de transição.
AHPACEG NA MÍDIA
FOLHA DO PLANALTO
Ahpaceg realiza reunião sobre os impactos da reforma tributária na área da saúde
https://www.folhadoplanalto.com.br/2025/11/ahpaceg-realiza-reuniao-sobre-os.html
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
PC interdita fábrica clandestina de produtos hospitalares em Goiânia
https://www.youtube.com/watch?v=ZuJ8K_twDUc
Medicamentos vencidos em UTI de hospital
ANS atualiza regulamentação de autogestões em saúde após quase 20 anos
Unimed mantém liderança global entre cooperativas de saúde, aponta relatório
https://medicinasa.com.br/unimed-lideranca-cooperativas/
Correção de Dívidas pela Selic: os impactos em Glosas Hospitalares
https://medicinasa.com.br/stj-dividas-selic/
Hapvida começa a atender pacientes do SUS
https://atarde.com.br/saude/hapvida-comeca-a-atender-pacientes-do-sus-1367106
MPGO aponta irregularidades na UTI do Hospital Municipal de Morrinhos
Aluna de Goiânia desenvolve IA que reduz custos em cirurgias oftalmológicas
TV SERRA DOURADA
PC interdita fábrica clandestina de produtos hospitalares em Goiânia
https://www.youtube.com/watch?v=ZuJ8K_twDUc
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TV ANHANGUERA
Medicamentos vencidos em UTI de hospital
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SAÚDE BUSINESS
ANS atualiza regulamentação de autogestões em saúde após quase 20 anos
Atualização da RN 137 moderniza regras para autogestões em saúde e busca reequilibrar o setor após anos de assimetria regulatória.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a atualização da Resolução Normativa (RN) nº 137, que regulamenta o funcionamento das autogestões no sistema de saúde suplementar.
A aprovação da medida ocorreu na reunião de diretoria colegiada, no dia 31 de outubro, e busca corrigir um desequilíbrio regulatório. Segundo a Agência, há quase 20 anos, a resolução impõe custos desproporcionais às entidades desse modelo e ameaça sua sustentabilidade econômica.
A nova normativa moderniza o conceito de autogestão sem alterar sua essência, permitindo maior flexibilidade na operação e na composição das carteiras de beneficiários. Entre as principais mudanças estão:
Multipatrocínio ampliado: possibilidade de participação de patrocinadores de diferentes ramos de atividade, desde que mantida a representatividade;
Categorias profissionais integradas: permissão para que mais de uma categoria componha o mesmo grupo de beneficiários;
Compartilhamento de rede assistencial entre operadoras de diferentes modalidades;
Ampliação do conceito familiar, agora estendido até o quarto grau de parentesco por afinidade;
Uso do plano fora da área de abrangência, autorizado para até 10% dos beneficiários da carteira.
Para Mário Jorge, presidente da UNIDAS, a decisão representa um marco.
“Hoje é um dia histórico para as autogestões em saúde, pelo qual a UNIDAS batalhava há mais de 10 anos. A decisão, contudo, nos impõe novos desafios. Ao reparar um desequilíbrio no setor, a ANS nos oferece a oportunidade de oxigenar o público elegível, sem perder de vista o nosso papel social e a natureza de nossa atuação, que coloca o beneficiário no centro do cuidado”, afirmou.
As restrições que vigoravam até agora — como a obrigatoriedade de patrocinadores do mesmo ramo e os limites às categorias profissionais — foram estabelecidas em 2006, com a criação da RN 137. Desde então, apenas uma modificação relevante havia sido feita, em 2014, sem resolver os entraves ao crescimento das autogestões.
Os dados da ANS reforçam a disparidade. Entre 2006 e 2025, as operadoras de mercado tiveram expansão de quase 50% no número de beneficiários, enquanto as autogestões — entidades sem fins lucrativos e de forte papel social — mantiveram crescimento modesto. Essas organizações contribuem historicamente para aliviar a demanda sobre o SUS, ao atender diretamente trabalhadores e seus dependentes.
Diante desse cenário, a UNIDAS defendia, há mais de uma década, a revisão da norma. O debate ganhou força nos últimos três anos, culminando na aprovação, uma conquista significativa para as operadoras de autogestão e um passo importante na busca por maior equilíbrio regulatório no setor.
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MEDICINA S/A
Unimed mantém liderança global entre cooperativas de saúde, aponta relatório
O Sistema Unimed reafirma seu protagonismo global, figurando entre as organizações que mais contribuem para o desenvolvimento sustentável e para a democratização do acesso à saúde. De acordo com a edição 2025 do World Cooperative Monitor (WCM), relatório internacional que analisa o impacto econômico e social das maiores cooperativas do planeta, a Unimed continua ocupando a posição de maior cooperativa de saúde do mundo.
Produzido pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI) com o apoio técnico e científico do Instituto Europeu de Pesquisa sobre Cooperativas e Empresas Sociais (Euricse), o estudo apresenta o ranking das 300 maiores cooperativas do mundo, além de classificações por setor econômico e dados sobre geração de empregos.
O relatório deste ano foi lançado durante as celebrações do Ano Internacional das Cooperativas, reforçando a relevância do modelo cooperativista como motor de inovação, inclusão e prosperidade coletiva. A edição também reúne uma série de entrevistas com líderes do Cooperatives and Mutuals Leadership Circle (CM50), iniciativa da Co-op News, que traz reflexões sobre o futuro do setor e o papel das cooperativas na construção de uma economia mais humana e colaborativa.
“O reconhecimento da Aliança Cooperativa Internacional é motivo de orgulho para todos os médicos e profissionais que integram o Sistema Unimed. Ele reflete a força de um modelo que coloca o cuidado no centro das decisões e que, ao longo de mais de cinco décadas, tem mostrado que é possível unir eficiência, propósito e impacto social”, afirma Omar Abujamra Junior, presidente da Unimed do Brasil.
Com mais de 20 milhões de clientes, 116 mil médicos cooperados e 338 cooperativas, o Sistema Unimed é hoje o maior sistema cooperativista de saúde do mundo e um dos principais agentes privados de atenção à saúde no Brasil.
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Correção de Dívidas pela Selic: os impactos em Glosas Hospitalares
No dia 15 de outubro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu decisão unânime que redefine o cenário das obrigações civis no Brasil. O julgamento do Recurso Especial nº 2.199.164/PR, sob relatoria do Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, fixou tese vinculante no Tema 1.368 dos recursos repetitivos. A taxa Selic passa a ser o índice obrigatório para juros de mora e correção monetária em dívidas civis.
O aspecto mais relevante da decisão é sua aplicação retroativa. A regra vale inclusive para processos iniciados antes da Lei 14.905/2024, que havia estabelecido a Selic como índice para atualização de débitos civis, mas deixou dúvidas sobre sua aplicação a processos anteriores. A decisão do STJ encerra essa discussão ao afirmar que se trata de interpretação do art. 406 do Código Civil, norma já vigente desde 2002. Encerra-se, assim, uma disputa jurídica de mais de vinte anos.
A afetação ao rito dos recursos repetitivos decorreu da multiplicidade de processos versando sobre o tema e das decisões contraditórias em tribunais estaduais, gerando insegurança especialmente para o setor de saúde, onde litígios sobre glosas hospitalares e inadimplemento contratual movimentam bilhões de reais anualmente.
O Cenário Antes da Decisão no Setor de Saúde
Até então, o Brasil vivia um verdadeiro mosaico de critérios de correção. Um hospital que obteve sentença favorável em 2020 para receber indenização por inadimplemento de contrato de credenciamento com operadora de plano de saúde; o Tribunal de Justiça de São Paulo aplicava IPCA-E mais juros de 1% ao mês. No Paraná, outro tribunal utilizava IGP-M mais a mesma taxa de juros. No Rio Grande do Sul, alguns juízes já adotavam a Selic.
Essa fragmentação gerava insegurança jurídica e dificultava o planejamento financeiro. Hospitais com credenciamento em múltiplas operadoras e disputas em diferentes estados não sabiam quanto efetivamente receberiam. Operadoras não conseguiam calcular com precisão suas obrigações. O mercado de antecipação de recebíveis de glosas judicializadas operava com deságios elevados devido à imprevisibilidade.
O Que Muda com a Decisão
A partir de agora, a uniformização é a regra. A Selic, taxa básica da economia brasileira, torna-se o padrão nacional. A Selic já incorpora correção monetária e juros, evitando-se a cumulação de índices distintos.
Para ilustrar: se uma dívida de R$ 100.000,00 referente a glosas não pagas por operadora está em discussão judicial desde 2022, a atualização será feita exclusivamente pela Selic acumulada no período. Não há mais espaço para discussões sobre qual índice de inflação aplicar ou qual percentual de juros somar. A simplificação é evidente.
Economicamente, a decisão se justifica. O STJ argumenta que permitir remuneração superior à Selic nas relações civis criaria uma distorção. Os próprios bancos, ao captar e emprestar recursos para financiamento de hospitais e clínicas, estão vinculados a essa taxa. Um credor civil não pode ter direito a rendimento maior do que o sistema financeiro oferece. Isso violaria a lógica macroeconômica e criaria incentivos perversos. A decisão promove, assim, harmonia entre as obrigações públicas e privadas.
Quando a Decisão NÃO se Aplica no Setor de Saúde
Aqui reside o ponto crucial que gestores de faturamento, áreas jurídicas e de auditoria de contas devem compreender. A decisão do STJ respeita dois pilares fundamentais do direito: a coisa julgada e a autonomia da vontade.
Primeiro, se o título judicial já transitou em julgado com previsão de outro índice de correção, ele prevalece. Exemplo prático: um hospital obteve sentença definitiva em 2023 determinando correção pelo IPCA mais juros de 1% ao mês em ação sobre glosas de operadora. Essa decisão não será alterada. A coisa julgada é intangível. A nova tese do STJ não tem efeito rescisório. Ela se aplica apenas a processos em curso, sem decisão definitiva.
Segundo, e igualmente importante, quando o próprio contrato de credenciamento entre hospital e operadora estabelece juros e correção monetária, prevalece o pactuado. O princípio do pacta sunt servanda permanece intocado. Se um contrato de credenciamento prevê que, em caso de inadimplemento, haverá correção pelo IPCA-Saúde e juros de 2% ao mês, essa cláusula será respeitada. A decisão do STJ incide apenas quando não há convenção entre as partes. O artigo 406 do Código Civil é claro: aplica-se a taxa legal “quando os juros moratórios não forem convencionados”. A autonomia privada é preservada. Isso é fundamental para contratos de credenciamento, fornecimento de materiais médico-hospitalares e prestação de serviços médicos que preveem índices específicos.
Quadro Resumo: Aplicação da Decisão no Setor de Saúde
Impactos Práticos para Instituições de Saúde
Gestão de Faturamento e Glosas
As áreas de faturamento e auditoria de contas médicas de hospitais e operadoras ganham previsibilidade significativa. Provisões contábeis para glosas judicializadas tornam-se mais precisas. A Selic é uma taxa pública, de fácil acesso e acompanhamento. Não há mais necessidade de consultar múltiplos índices ou interpretar jurisprudências divergentes. A gestão de risco melhora significativamente. Projeções de recebimentos de créditos judicializados ganham previsibilidade, facilitando o planejamento de desembolsos com fornecedores, folha de pagamento e investimentos em equipamentos.
Mercado de Antecipação de Recebíveis
A padronização pode fomentar negociações no mercado de antecipação de recebíveis de saúde. Bancos e factorings especializados em healthcare que descontam recebíveis judicializados terão mais segurança para precificar ativos. O deságio tende a diminuir. Isso beneficia especialmente hospitais filantrópicos e de pequeno porte que desejam antecipar créditos em litígio para manter o fluxo de caixa e continuar operando.
A Questão da Inflação Médica
Contudo, há um ponto de atenção crítico. A Selic é volátil e pode não refletir adequadamente a inflação médica, que historicamente supera a inflação geral. O IPCA-Saúde, subíndice do IPCA que capta variação de preços de medicamentos, planos de saúde e serviços médicos, frequentemente apresenta variação superior à inflação geral e à própria Selic.
Entre 2020 e 2024, por exemplo, enquanto o IPCA geral acumulou aproximadamente 28%, o IPCA-Saúde registrou variação próxima a 35%, uma diferença de 7 pontos percentuais. Medicamentos oncológicos importados chegaram a ter reajustes de 50% a 80% no período devido à variação cambial e à concentração de mercado. Para um hospital com glosa judicializada de R$ 1 milhão em 2020, essa diferença entre índices representaria aproximadamente R$ 70.000,00 a menos no valor atualizado.
A questão é ainda mais sensível considerando que o setor de saúde opera com margens estreitas. Hospitais privados no Brasil trabalham com margens operacionais médias de 3% a 8%, segundo dados da ANAHP (Associação Nacional de Hospitais Privados). Uma correção que não reflita adequadamente a inflação de custos pode comprometer seriamente a sustentabilidade financeira da instituição.
O próprio acórdão prevê uma válvula de escape: o artigo 404 do Código Civil permite ao juiz conceder indenização suplementar se os juros não cobrirem o prejuízo. Essa ressalva, porém, pode gerar nova onda de litígios. Hospitais podem pleitear indenização adicional demonstrando que a Selic não cobriu a inflação real de custos operacionais, mediante planilhas detalhadas de composição de custos, cotações de medicamentos, materiais médicos e evolução de despesas com pessoal. A discussão se desloca do índice de correção para a suficiência da indenização.
Glosas Hospitalares: Uma Relação Complexa
As glosas hospitalares merecem análise específica. Glosas são contestações feitas por operadoras de planos de saúde sobre procedimentos, materiais ou medicamentos cobrados por hospitais e clínicas. Dividem-se em glosas técnicas (relacionadas à adequação do procedimento) e administrativas (relacionadas a falhas documentais ou contratuais).
O volume de glosas no Brasil é expressivo. Estima-se que entre 10% e 20% do faturamento hospitalar seja glosado pelas operadoras, gerando litígios que podem se estender por anos. A decisão do STJ impacta diretamente essa dinâmica:
Para hospitais: Glosas judicializadas que não tenham previsão contratual específica de índice de correção serão atualizadas pela Selic. Isso pode reduzir o valor efetivamente recebido em comparação com índices setoriais como IPCA-Saúde, que refletem melhor a inflação médica.
Para operadoras: A previsibilidade trazida pela uniformização facilita a provisão de passivos e a gestão de sinistralidade. Operadoras podem precificar com mais precisão o custo de manter glosas em discussão judicial.
Recomendação estratégica: Ambas as partes devem considerar revisão de contratos de credenciamento para incluir cláusulas claras sobre índices de correção em caso de inadimplemento ou glosas judicializadas. A especificação contratual de IPCA-Saúde ou outro índice setorial pode beneficiar hospitais, enquanto a Selic pode ser mais vantajosa para operadoras em cenários de juros elevados.
Contratos de Credenciamento e Fornecimento
Contratos de credenciamento entre hospitais e operadoras são a espinha dorsal do sistema de saúde suplementar brasileiro. A decisão do STJ torna ainda mais importante a redação cuidadosa desses instrumentos.
Cláusulas essenciais a incluir ou revisar:
Índice de correção monetária específico: Definir se será IPCA, IPCA-Saúde, IGP-M ou outro índice
Taxa de juros moratórios: Especificar percentual (1% ou 2% ao mês são comuns)
Prazo para pagamento: Quanto mais claro, menor a chance de litígio
Critérios de glosa: Definir procedimentos administrativos prévios à judicialização
Foro e arbitragem: Considerar cláusulas de mediação ou arbitragem para resolver disputas
Contratos de fornecimento de medicamentos e materiais médico-hospitalares também devem receber atenção especial. Fornecedores frequentemente enfrentam inadimplência de hospitais. Contratos que especifiquem índices de correção adequados protegem ambas as partes.
SUS e Saúde Pública
Um esclarecimento fundamental: a decisão do STJ aplica-se a relações civis entre particulares. Débitos relacionados ao Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo repasses federais, estaduais e municipais a hospitais filantrópicos e conveniados, seguem regras próprias de direito público.
Precatórios e requisições de pequeno valor (RPVs) relacionados a serviços prestados ao SUS têm sistemática específica de correção, estabelecida pela legislação de direito financeiro e pela jurisprudência do STF sobre precatórios. A decisão não altera essa dinâmica.
Contudo, contratos de gestão com Organizações Sociais (OSs) e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), quando configurarem relações civis e não administrativas típicas, podem ser impactados pela decisão caso não prevejam índices específicos.
Medicina Diagnóstica e Laboratórios
Laboratórios de análises clínicas e clínicas de diagnóstico por imagem frequentemente enfrentam disputas sobre pagamento de exames. A relação entre esses prestadores e operadoras de planos de saúde também é alcançada pela decisão.
Contratos de prestação de serviços diagnósticos que não especifiquem índices de correção para inadimplemento seguirão a Selic em litígios judiciais. Considerando que exames laboratoriais têm custos significativos de insumos (reagentes, muitos importados) e equipamentos (manutenção em dólar), a Selic pode não refletir adequadamente a inflação de custos do setor.
Home Care e Atendimento Domiciliar
O segmento de home care, em franca expansão no Brasil, também merece atenção. Contratos de atendimento domiciliar prolongado envolvem valores expressivos e frequentemente geram disputas entre prestadores, operadoras e famílias.
A natureza contínua desses serviços (muitas vezes por anos) e a complexidade das despesas envolvidas (equipes multidisciplinares, equipamentos, medicamentos) tornam especialmente importante a previsão contratual clara de índices de reajuste e correção em caso de inadimplemento.
A Questão da Retroatividade e Provisões Contábeis
A aplicação retroativa tem impacto direto nas demonstrações financeiras de hospitais e operadoras. Contratos de credenciamento frequentemente se estendem por 3 a 5 anos, e litígios sobre glosas podem tramitar por períodos similares ou superiores.
Para hospitais: É necessário reavaliar provisões de créditos a receber de glosas judicializadas. Se a expectativa era receber correção por IPCA-Saúde mas a Selic será aplicada, pode haver redução do ativo esperado.
Para operadoras: Provisões técnicas de sinistros a liquidar (IBNR – Incurred But Not Reported) e passivos judiciais devem ser recalculados. A uniformização pela Selic pode reduzir provisões se anteriormente se consideravam índices mais elevados.
Impacto em auditoria: Auditores independentes devem revisar a adequação das provisões à luz da nova jurisprudência. A aplicação retroativa pode exigir ajustes em demonstrações de exercícios anteriores se os efeitos forem materialmente relevantes.
A Questão da Retroatividade
A aplicação retroativa merece reflexão cuidadosa. Contratos de credenciamento, que frequentemente se estendem por anos, serão impactados. Um hospital que, em 2021, calculava receber R$ 150.000,00 de glosas judicializadas com base em IPCA-Saúde mais juros de 1% ao mês, pode agora receber valor diferente com a Selic. Dependendo do período e da oscilação das taxas, pode haver ganho ou perda significativa.
Essa mudança nas regras do jogo, embora tecnicamente justificada pela necessidade de uniformização jurisprudencial, toca na previsibilidade que o mercado de saúde tanto valoriza e necessita para sua sustentabilidade.
O STJ fundamenta a retroatividade na interpretação do artigo 406 do Código Civil. A norma sempre existiu. O que muda é apenas a sua interpretação uniforme. Não se trata, portanto, de aplicação retroativa de lei nova, mas de definição do sentido de lei antiga. Esse argumento é juridicamente robusto. Mas, do ponto de vista econômico e gerencial, o efeito prático é semelhante: alteração de expectativas consolidadas e impacto direto em fluxos de caixa projetados.
Recomendações Práticas para o Setor de Saúde
Diante do novo cenário, sugere-se aos agentes do setor:
Revisar todos os contratos de credenciamento em vigência quanto à existência e clareza de cláusulas sobre juros e correção monetária
Atualizar modelos-padrão de contratos incluindo índices que reflitam a inflação médica (IPCA-Saúde, IGP-M)
Reavaliar provisões contábeis de glosas judicializadas e contas a receber/pagar
Considerar acordos judiciais em processos pendentes, aproveitando a nova previsibilidade de cálculo
Documentar detalhadamente a inflação de custos operacionais (medicamentos, materiais, pessoal) para eventual uso do art. 404 do CC
Capacitar equipes de faturamento e auditoria sobre a importância da especificação contratual
Implementar ou revisar processos de mediação e arbitragem para glosas, reduzindo judicialização
Revisar processos de aprovação de minutas contratuais, garantindo análise jurídica e financeira integrada
Considerações Finais
Em síntese, a decisão do STJ inaugura nova era de previsibilidade na atualização de débitos civis, com impactos profundos e imediatos para o setor de saúde brasileiro. A Selic torna-se padrão nacional, mas a autonomia privada permanece intocada: contratos bem redigidos podem e devem prever índices que melhor reflitam a realidade econômica setorial. O desafio está na transição e na adequação de expectativas sobre créditos e débitos passados.
A decisão representa um marco na evolução do direito civil brasileiro. Alinha o Judiciário à realidade econômica contemporânea. Promove isonomia e simplificação. Para hospitais, clínicas, operadoras de planos de saúde, laboratórios e fornecedores, a mensagem é inequívoca: a Selic é agora o denominador comum das obrigações civis não convencionadas. O planejamento financeiro e jurídico deve incorporar urgentemente essa nova realidade, privilegiando a clareza contratual e a especificação de índices adequados ao setor.
O desafio, contudo, permanece. A segurança jurídica não se constrói apenas com uniformização de índices. Ela exige também respeito às expectativas legítimas e à estabilidade das relações passadas. A decisão é tecnicamente impecável. Mas o ideal seria que a uniformidade do presente não gerasse incertezas sobre o passado. O direito e a economia caminham juntos. E ambos dependem de um elemento essencial: a confiança. A decisão fortalece a previsibilidade futura. Resta saber se o custo da transição será absorvido sem abalos pela indústria da saúde, setor que já opera sob significativa pressão financeira e regulatória, e que é absolutamente essencial para a sociedade brasileira.
*Arthur Mendes Lobo é advogado e sócio-fundador do escritório Wambier, Yamasaki, Bevervanço e Lobo Advogados.
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A TARDE
Hapvida começa a atender pacientes do SUS
A partir deste mês de novembro, novas unidades da Hapvida começarão a atender pacientes da rede pública pelo programa federal “Agora Tem Especialistas”, integrado à estratégia do governo federal para reduzir filas e diminuir o tempo de espera no Sistema Único de Saúde (SUS). Os atendimentos estarão disponíveis nos estados do Pará, Ceará, Pernambuco e também no Distrito Federal.
O anúncio foi realizado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o 29º Congresso Abramge, em São Paulo, no dia 30 de outubro, quando também confirmou a adesão do Hospital Santa Marcelina, referência na Zona Leste da capital paulista, ao programa. Atualmente, 12 instituições participam da iniciativa, incluindo hospitais como Cynthia Charone (PA), Santa Casa de Sobral (CE), Beneficência Portuguesa (PA), Imip (PE) e Santa Casa de Porto Alegre (RS).
Tudo sobre Saúde em primeira mão!
“O Agora Tem Especialistas concretiza a parceria necessária para acabar com o tempo de espera no SUS. Estamos transformando dívidas e incentivos fiscais em mais cirurgias, exames e consultas, garantindo atendimento gratuito e digno à população”, afirmou Padilha durante o evento.
Como funciona
Hospitais privados e filantrópicos habilitados no programa poderão abater dívidas com a União por meio da prestação de serviços ao SUS. No caso da Hapvida, o abatimento ocorre sobre dívidas de ressarcimento ao SUS, que surgem quando pacientes de planos de saúde são atendidos na rede pública. Já outras instituições podem compensar débitos tributários vencidos ou a vencer com os créditos obtidos pela prestação de serviços.
Primeiros atendimentos e prioridades
O programa começou em agosto, no Hospital Ariano Suassuna, em Recife (PE), com cirurgias de prótese de quadril, procedimentos de vesícula e exames de imagem. As especialidades prioritárias incluem oncologia, ortopedia, ginecologia, cardiologia, oftalmologia e otorrinolaringologia. A expectativa é que até R$ 3,3 bilhões sejam convertidos em serviços de saúde por meio do programa.
Expansão regional
A Hapvida mobilizará equipes médicas ao longo de novembro para atender pacientes encaminhados pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde no Norte, Nordeste e Distrito Federal. O objetivo é ampliar rapidamente a capacidade do SUS com suporte da rede privada.
Inovação e tecnologia
Durante o Congresso, Padilha também anunciou a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) com a HealthAI – The Global Agency for Responsible AI in Health, formalizando a entrada do Brasil na rede global de regulação em inteligência artificial aplicada à saúde. O acordo de 24 meses visa mapear a maturidade regulatória brasileira e desenvolver planos de implementação personalizados, garantindo uso ético e seguro da IA, respeitando a LGPD e a soberania digital do país.
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A REDAÇÃO
MPGO aponta irregularidades na UTI do Hospital Municipal de Morrinhos
O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Morrinhos, recomendou ao município o afastamento imediato da secretária municipal de Saúde, Náryma Angélica Rabello e Silva Diedam, bem como a adoção de medidas urgentes para restabelecer o funcionamento da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal.
A recomendação, expedida pelo promotor de Justiça Guilherme Vicente de Oliveira nesta terça-feira (4/11), foi motivada por graves irregularidades identificadas na UTI, que culminaram na suspensão temporária do cofinanciamento estadual pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES).
Durante vistoria realizada em 5 de setembro deste ano pela SES, em conjunto com a Gerência de Atenção Especializada (GAE) e a Gerência de Regulação de Internações (Gerint), foram constatadas falhas críticas que comprometem diretamente a segurança assistencial e a regularidade do funcionamento da unidade.
Irregularidades
Entre as irregularidades identificadas estão: medicamentos vencidos encontrados em estoque e carrinhos de emergência, com checklist interno que autorizava o uso de fármacos vencidos por até três meses após a validade; insumos críticos reutilizados, como cateteres, cânulas e sondas, reabertos e vedados com fita adesiva; ausência de telas de proteção nas janelas da UTI, permitindo entrada de insetos; e taxas de mortalidade acima do previsto, sem plano de ação corretivo.
A vistoria também apontou a ausência de documentação legal mínima, como Alvará Sanitário e Certificado de Conformidade (Cercom), além da falta de designação formal de responsável técnico médico e fisioterápico. O relatório da SES destacou ainda condutas antiéticas e degradantes em relação às(aos) pacientes, associadas a falhas graves de biossegurança.
Recursos estaduais não repassados à empresa contratada
De acordo com a apuração preliminar realizada pelo MPGO, a Secretaria de Estado da Saúde efetuou regularmente os repasses financeiros ao município de Morrinhos. No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde não repassou adequadamente os recursos à empresa responsável pela gestão da UTI (Organização Goiana de Terapia Intensiva Ltda.), comprometendo a prestação do serviço.
Durante inspeção realizada pelo promotor de Justiça no último dia 20 de outubro, constatou-se que os 10 leitos da UTI encontravam-se desocupados desde 17 de outubro. Os gastos públicos correspondem a aproximadamente R$ 440 mil mensais para a manutenção dos leitos, que permanecem desocupados.
Segundo apontado na recomendação, a crise na UTI teve início após a posse do atual prefeito e as subsequentes substituições em cargos de natureza política, incluindo a nomeação da atual secretária municipal de Saúde em 30 de janeiro de 2025.
Prazo para cumprimento das medidas
O MPGO estabeleceu prazo de 48 horas para o afastamento da secretária municipal de Saúde e a nomeação de pessoa substituta, além de prazo de 10 dias para a apresentação de todos os elementos informativos a respeito da suspensão temporária do cofinanciamento estadual.
O município de Morrinhos também deverá cumprir, no prazo de 30 dias, todas as recomendações da GAE, Gerint, Subsecretaria de Políticas e Ações em Saúde (Subpas) e da SES, com a finalidade de restabelecer a prestação do serviço público na UTI.
O não atendimento à recomendação poderá ensejar a caracterização do elemento subjetivo “dolo”, para fins de responsabilização na forma da Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992, alterada pela Lei 14.230/2021), além do eventual ajuizamento de ação civil pública e outras medidas judiciais cabíveis.
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Aluna de Goiânia desenvolve IA que reduz custos em cirurgias oftalmológicas
Ela venceu prêmio nacional pelo projeto
A estudante Gabriela Santos Mendanha, de 24 anos, de Goiânia, aluna do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), foi a grande vencedora do Prêmio Na Prática: Protagonismo Universitário 2025, representando o Centro-Oeste e também conquistando o reconhecimento nacional na cerimônia realizada nesta segunda-feira (3/11), em São Paulo.
O prêmio reconhece universitários com trajetórias de impacto social, científico e econômico em todo o Brasil. Nesta edição, mais de 8 mil candidaturas foram iniciadas e apenas 15 finalistas chegaram à etapa decisiva.
Gabriela foi premiada por desenvolver um algoritmo de inteligência artificial capaz de revolucionar o diagnóstico e o planejamento de cirurgias oftalmológicas. O sistema, criado no Ver Hospital dos Olhos, vinculado à PUC Goiás, interpreta tomografias de córnea no pré-operatório de cirurgias refrativas — um dos maiores desafios da área.
A solução criada por Gabriela atingiu mais de 80% de acurácia, reduziu 70% dos custos de triagem e gerou economia média de R$ 37 mil em 112 pacientes, sendo reconhecida em congressos nacionais e pelo Bascom Palmer Eye Institute, nos Estados Unidos — referência mundial em oftalmologia.
“Espero que esse prêmio seja mais um passo importante na minha trajetória guiada pelo desejo de levar mais saúde à população brasileira”, disse Gabriela ao receber o prêmio de destaque nacional.
A jovem embarca nos próximos meses para uma viagem à China, oferecida aos vencedores do prêmio, para conhecer o ecossistema global de inovação e empreendedorismo.
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Assessoria de Comunicação
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
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Para Mário Jorge, presidente da UNIDAS, a decisão representa um marco.
“Hoje é um dia histórico para as autogestões em saúde, pelo qual a UNIDAS batalhava há mais de 10 anos. A decisão, contudo, nos impõe novos desafios. Ao reparar um desequilíbrio no setor, a ANS nos oferece a oportunidade de oxigenar o público elegível, sem perder de vista o nosso papel social e a natureza de nossa atuação, que coloca o beneficiário no centro do cuidado”, afirmou.
As restrições que vigoravam até agora — como a obrigatoriedade de patrocinadores do mesmo ramo e os limites às categorias profissionais — foram estabelecidas em 2006, com a criação da RN 137. Desde então, apenas uma modificação relevante havia sido feita, em 2014, sem resolver os entraves ao crescimento das autogestões.
Os dados da ANS reforçam a disparidade. Entre 2006 e 2025, as operadoras de mercado tiveram expansão de quase 50% no número de beneficiários, enquanto as autogestões — entidades sem fins lucrativos e de forte papel social — mantiveram crescimento modesto. Essas organizações contribuem historicamente para aliviar a demanda sobre o SUS, ao atender diretamente trabalhadores e seus dependentes.
Diante desse cenário, a UNIDAS defendia, há mais de uma década, a revisão da norma. O debate ganhou força nos últimos três anos, culminando na aprovação, uma conquista significativa para as operadoras de autogestão e um passo importante na busca por maior equilíbrio regulatório no setor.
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MEDICINA S/A
Unimed mantém liderança global entre cooperativas de saúde, aponta relatório
O Sistema Unimed reafirma seu protagonismo global, figurando entre as organizações que mais contribuem para o desenvolvimento sustentável e para a democratização do acesso à saúde. De acordo com a edição 2025 do World Cooperative Monitor (WCM), relatório internacional que analisa o impacto econômico e social das maiores cooperativas do planeta, a Unimed continua ocupando a posição de maior cooperativa de saúde do mundo.
Produzido pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI) com o apoio técnico e científico do Instituto Europeu de Pesquisa sobre Cooperativas e Empresas Sociais (Euricse), o estudo apresenta o ranking das 300 maiores cooperativas do mundo, além de classificações por setor econômico e dados sobre geração de empregos.
O relatório deste ano foi lançado durante as celebrações do Ano Internacional das Cooperativas, reforçando a relevância do modelo cooperativista como motor de inovação, inclusão e prosperidade coletiva. A edição também reúne uma série de entrevistas com líderes do Cooperatives and Mutuals Leadership Circle (CM50), iniciativa da Co-op News, que traz reflexões sobre o futuro do setor e o papel das cooperativas na construção de uma economia mais humana e colaborativa.
“O reconhecimento da Aliança Cooperativa Internacional é motivo de orgulho para todos os médicos e profissionais que integram o Sistema Unimed. Ele reflete a força de um modelo que coloca o cuidado no centro das decisões e que, ao longo de mais de cinco décadas, tem mostrado que é possível unir eficiência, propósito e impacto social”, afirma Omar Abujamra Junior, presidente da Unimed do Brasil.
Com mais de 20 milhões de clientes, 116 mil médicos cooperados e 338 cooperativas, o Sistema Unimed é hoje o maior sistema cooperativista de saúde do mundo e um dos principais agentes privados de atenção à saúde no Brasil.
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Correção de Dívidas pela Selic: os impactos em Glosas Hospitalares
No dia 15 de outubro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu decisão unânime que redefine o cenário das obrigações civis no Brasil. O julgamento do Recurso Especial nº 2.199.164/PR, sob relatoria do Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, fixou tese vinculante no Tema 1.368 dos recursos repetitivos. A taxa Selic passa a ser o índice obrigatório para juros de mora e correção monetária em dívidas civis.
O aspecto mais relevante da decisão é sua aplicação retroativa. A regra vale inclusive para processos iniciados antes da Lei 14.905/2024, que havia estabelecido a Selic como índice para atualização de débitos civis, mas deixou dúvidas sobre sua aplicação a processos anteriores. A decisão do STJ encerra essa discussão ao afirmar que se trata de interpretação do art. 406 do Código Civil, norma já vigente desde 2002. Encerra-se, assim, uma disputa jurídica de mais de vinte anos.
A afetação ao rito dos recursos repetitivos decorreu da multiplicidade de processos versando sobre o tema e das decisões contraditórias em tribunais estaduais, gerando insegurança especialmente para o setor de saúde, onde litígios sobre glosas hospitalares e inadimplemento contratual movimentam bilhões de reais anualmente.
O Cenário Antes da Decisão no Setor de Saúde
Até então, o Brasil vivia um verdadeiro mosaico de critérios de correção. Um hospital que obteve sentença favorável em 2020 para receber indenização por inadimplemento de contrato de credenciamento com operadora de plano de saúde; o Tribunal de Justiça de São Paulo aplicava IPCA-E mais juros de 1% ao mês. No Paraná, outro tribunal utilizava IGP-M mais a mesma taxa de juros. No Rio Grande do Sul, alguns juízes já adotavam a Selic.
Essa fragmentação gerava insegurança jurídica e dificultava o planejamento financeiro. Hospitais com credenciamento em múltiplas operadoras e disputas em diferentes estados não sabiam quanto efetivamente receberiam. Operadoras não conseguiam calcular com precisão suas obrigações. O mercado de antecipação de recebíveis de glosas judicializadas operava com deságios elevados devido à imprevisibilidade.
O Que Muda com a Decisão
A partir de agora, a uniformização é a regra. A Selic, taxa básica da economia brasileira, torna-se o padrão nacional. A Selic já incorpora correção monetária e juros, evitando-se a cumulação de índices distintos.
Para ilustrar: se uma dívida de R$ 100.000,00 referente a glosas não pagas por operadora está em discussão judicial desde 2022, a atualização será feita exclusivamente pela Selic acumulada no período. Não há mais espaço para discussões sobre qual índice de inflação aplicar ou qual percentual de juros somar. A simplificação é evidente.
Economicamente, a decisão se justifica. O STJ argumenta que permitir remuneração superior à Selic nas relações civis criaria uma distorção. Os próprios bancos, ao captar e emprestar recursos para financiamento de hospitais e clínicas, estão vinculados a essa taxa. Um credor civil não pode ter direito a rendimento maior do que o sistema financeiro oferece. Isso violaria a lógica macroeconômica e criaria incentivos perversos. A decisão promove, assim, harmonia entre as obrigações públicas e privadas.
Quando a Decisão NÃO se Aplica no Setor de Saúde
Aqui reside o ponto crucial que gestores de faturamento, áreas jurídicas e de auditoria de contas devem compreender. A decisão do STJ respeita dois pilares fundamentais do direito: a coisa julgada e a autonomia da vontade.
Primeiro, se o título judicial já transitou em julgado com previsão de outro índice de correção, ele prevalece. Exemplo prático: um hospital obteve sentença definitiva em 2023 determinando correção pelo IPCA mais juros de 1% ao mês em ação sobre glosas de operadora. Essa decisão não será alterada. A coisa julgada é intangível. A nova tese do STJ não tem efeito rescisório. Ela se aplica apenas a processos em curso, sem decisão definitiva.
Segundo, e igualmente importante, quando o próprio contrato de credenciamento entre hospital e operadora estabelece juros e correção monetária, prevalece o pactuado. O princípio do pacta sunt servanda permanece intocado. Se um contrato de credenciamento prevê que, em caso de inadimplemento, haverá correção pelo IPCA-Saúde e juros de 2% ao mês, essa cláusula será respeitada. A decisão do STJ incide apenas quando não há convenção entre as partes. O artigo 406 do Código Civil é claro: aplica-se a taxa legal “quando os juros moratórios não forem convencionados”. A autonomia privada é preservada. Isso é fundamental para contratos de credenciamento, fornecimento de materiais médico-hospitalares e prestação de serviços médicos que preveem índices específicos.
Quadro Resumo: Aplicação da Decisão no Setor de Saúde
Impactos Práticos para Instituições de Saúde
Gestão de Faturamento e Glosas
As áreas de faturamento e auditoria de contas médicas de hospitais e operadoras ganham previsibilidade significativa. Provisões contábeis para glosas judicializadas tornam-se mais precisas. A Selic é uma taxa pública, de fácil acesso e acompanhamento. Não há mais necessidade de consultar múltiplos índices ou interpretar jurisprudências divergentes. A gestão de risco melhora significativamente. Projeções de recebimentos de créditos judicializados ganham previsibilidade, facilitando o planejamento de desembolsos com fornecedores, folha de pagamento e investimentos em equipamentos.
Mercado de Antecipação de Recebíveis
A padronização pode fomentar negociações no mercado de antecipação de recebíveis de saúde. Bancos e factorings especializados em healthcare que descontam recebíveis judicializados terão mais segurança para precificar ativos. O deságio tende a diminuir. Isso beneficia especialmente hospitais filantrópicos e de pequeno porte que desejam antecipar créditos em litígio para manter o fluxo de caixa e continuar operando.
A Questão da Inflação Médica
Contudo, há um ponto de atenção crítico. A Selic é volátil e pode não refletir adequadamente a inflação médica, que historicamente supera a inflação geral. O IPCA-Saúde, subíndice do IPCA que capta variação de preços de medicamentos, planos de saúde e serviços médicos, frequentemente apresenta variação superior à inflação geral e à própria Selic.
Entre 2020 e 2024, por exemplo, enquanto o IPCA geral acumulou aproximadamente 28%, o IPCA-Saúde registrou variação próxima a 35%, uma diferença de 7 pontos percentuais. Medicamentos oncológicos importados chegaram a ter reajustes de 50% a 80% no período devido à variação cambial e à concentração de mercado. Para um hospital com glosa judicializada de R$ 1 milhão em 2020, essa diferença entre índices representaria aproximadamente R$ 70.000,00 a menos no valor atualizado.
A questão é ainda mais sensível considerando que o setor de saúde opera com margens estreitas. Hospitais privados no Brasil trabalham com margens operacionais médias de 3% a 8%, segundo dados da ANAHP (Associação Nacional de Hospitais Privados). Uma correção que não reflita adequadamente a inflação de custos pode comprometer seriamente a sustentabilidade financeira da instituição.
O próprio acórdão prevê uma válvula de escape: o artigo 404 do Código Civil permite ao juiz conceder indenização suplementar se os juros não cobrirem o prejuízo. Essa ressalva, porém, pode gerar nova onda de litígios. Hospitais podem pleitear indenização adicional demonstrando que a Selic não cobriu a inflação real de custos operacionais, mediante planilhas detalhadas de composição de custos, cotações de medicamentos, materiais médicos e evolução de despesas com pessoal. A discussão se desloca do índice de correção para a suficiência da indenização.
Glosas Hospitalares: Uma Relação Complexa
As glosas hospitalares merecem análise específica. Glosas são contestações feitas por operadoras de planos de saúde sobre procedimentos, materiais ou medicamentos cobrados por hospitais e clínicas. Dividem-se em glosas técnicas (relacionadas à adequação do procedimento) e administrativas (relacionadas a falhas documentais ou contratuais).
O volume de glosas no Brasil é expressivo. Estima-se que entre 10% e 20% do faturamento hospitalar seja glosado pelas operadoras, gerando litígios que podem se estender por anos. A decisão do STJ impacta diretamente essa dinâmica:
Para hospitais: Glosas judicializadas que não tenham previsão contratual específica de índice de correção serão atualizadas pela Selic. Isso pode reduzir o valor efetivamente recebido em comparação com índices setoriais como IPCA-Saúde, que refletem melhor a inflação médica.
Para operadoras: A previsibilidade trazida pela uniformização facilita a provisão de passivos e a gestão de sinistralidade. Operadoras podem precificar com mais precisão o custo de manter glosas em discussão judicial.
Recomendação estratégica: Ambas as partes devem considerar revisão de contratos de credenciamento para incluir cláusulas claras sobre índices de correção em caso de inadimplemento ou glosas judicializadas. A especificação contratual de IPCA-Saúde ou outro índice setorial pode beneficiar hospitais, enquanto a Selic pode ser mais vantajosa para operadoras em cenários de juros elevados.
Contratos de Credenciamento e Fornecimento
Contratos de credenciamento entre hospitais e operadoras são a espinha dorsal do sistema de saúde suplementar brasileiro. A decisão do STJ torna ainda mais importante a redação cuidadosa desses instrumentos.
Cláusulas essenciais a incluir ou revisar:
Índice de correção monetária específico: Definir se será IPCA, IPCA-Saúde, IGP-M ou outro índice
Taxa de juros moratórios: Especificar percentual (1% ou 2% ao mês são comuns)
Prazo para pagamento: Quanto mais claro, menor a chance de litígio
Critérios de glosa: Definir procedimentos administrativos prévios à judicialização
Foro e arbitragem: Considerar cláusulas de mediação ou arbitragem para resolver disputas
Contratos de fornecimento de medicamentos e materiais médico-hospitalares também devem receber atenção especial. Fornecedores frequentemente enfrentam inadimplência de hospitais. Contratos que especifiquem índices de correção adequados protegem ambas as partes.
SUS e Saúde Pública
Um esclarecimento fundamental: a decisão do STJ aplica-se a relações civis entre particulares. Débitos relacionados ao Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo repasses federais, estaduais e municipais a hospitais filantrópicos e conveniados, seguem regras próprias de direito público.
Precatórios e requisições de pequeno valor (RPVs) relacionados a serviços prestados ao SUS têm sistemática específica de correção, estabelecida pela legislação de direito financeiro e pela jurisprudência do STF sobre precatórios. A decisão não altera essa dinâmica.
Contudo, contratos de gestão com Organizações Sociais (OSs) e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), quando configurarem relações civis e não administrativas típicas, podem ser impactados pela decisão caso não prevejam índices específicos.
Medicina Diagnóstica e Laboratórios
Laboratórios de análises clínicas e clínicas de diagnóstico por imagem frequentemente enfrentam disputas sobre pagamento de exames. A relação entre esses prestadores e operadoras de planos de saúde também é alcançada pela decisão.
Contratos de prestação de serviços diagnósticos que não especifiquem índices de correção para inadimplemento seguirão a Selic em litígios judiciais. Considerando que exames laboratoriais têm custos significativos de insumos (reagentes, muitos importados) e equipamentos (manutenção em dólar), a Selic pode não refletir adequadamente a inflação de custos do setor.
Home Care e Atendimento Domiciliar
O segmento de home care, em franca expansão no Brasil, também merece atenção. Contratos de atendimento domiciliar prolongado envolvem valores expressivos e frequentemente geram disputas entre prestadores, operadoras e famílias.
A natureza contínua desses serviços (muitas vezes por anos) e a complexidade das despesas envolvidas (equipes multidisciplinares, equipamentos, medicamentos) tornam especialmente importante a previsão contratual clara de índices de reajuste e correção em caso de inadimplemento.
A Questão da Retroatividade e Provisões Contábeis
A aplicação retroativa tem impacto direto nas demonstrações financeiras de hospitais e operadoras. Contratos de credenciamento frequentemente se estendem por 3 a 5 anos, e litígios sobre glosas podem tramitar por períodos similares ou superiores.
Para hospitais: É necessário reavaliar provisões de créditos a receber de glosas judicializadas. Se a expectativa era receber correção por IPCA-Saúde mas a Selic será aplicada, pode haver redução do ativo esperado.
Para operadoras: Provisões técnicas de sinistros a liquidar (IBNR – Incurred But Not Reported) e passivos judiciais devem ser recalculados. A uniformização pela Selic pode reduzir provisões se anteriormente se consideravam índices mais elevados.
Impacto em auditoria: Auditores independentes devem revisar a adequação das provisões à luz da nova jurisprudência. A aplicação retroativa pode exigir ajustes em demonstrações de exercícios anteriores se os efeitos forem materialmente relevantes.
A Questão da Retroatividade
A aplicação retroativa merece reflexão cuidadosa. Contratos de credenciamento, que frequentemente se estendem por anos, serão impactados. Um hospital que, em 2021, calculava receber R$ 150.000,00 de glosas judicializadas com base em IPCA-Saúde mais juros de 1% ao mês, pode agora receber valor diferente com a Selic. Dependendo do período e da oscilação das taxas, pode haver ganho ou perda significativa.
Essa mudança nas regras do jogo, embora tecnicamente justificada pela necessidade de uniformização jurisprudencial, toca na previsibilidade que o mercado de saúde tanto valoriza e necessita para sua sustentabilidade.
O STJ fundamenta a retroatividade na interpretação do artigo 406 do Código Civil. A norma sempre existiu. O que muda é apenas a sua interpretação uniforme. Não se trata, portanto, de aplicação retroativa de lei nova, mas de definição do sentido de lei antiga. Esse argumento é juridicamente robusto. Mas, do ponto de vista econômico e gerencial, o efeito prático é semelhante: alteração de expectativas consolidadas e impacto direto em fluxos de caixa projetados.
Recomendações Práticas para o Setor de Saúde
Diante do novo cenário, sugere-se aos agentes do setor:
Revisar todos os contratos de credenciamento em vigência quanto à existência e clareza de cláusulas sobre juros e correção monetária
Atualizar modelos-padrão de contratos incluindo índices que reflitam a inflação médica (IPCA-Saúde, IGP-M)
Reavaliar provisões contábeis de glosas judicializadas e contas a receber/pagar
Considerar acordos judiciais em processos pendentes, aproveitando a nova previsibilidade de cálculo
Documentar detalhadamente a inflação de custos operacionais (medicamentos, materiais, pessoal) para eventual uso do art. 404 do CC
Capacitar equipes de faturamento e auditoria sobre a importância da especificação contratual
Implementar ou revisar processos de mediação e arbitragem para glosas, reduzindo judicialização
Revisar processos de aprovação de minutas contratuais, garantindo análise jurídica e financeira integrada
Considerações Finais
Em síntese, a decisão do STJ inaugura nova era de previsibilidade na atualização de débitos civis, com impactos profundos e imediatos para o setor de saúde brasileiro. A Selic torna-se padrão nacional, mas a autonomia privada permanece intocada: contratos bem redigidos podem e devem prever índices que melhor reflitam a realidade econômica setorial. O desafio está na transição e na adequação de expectativas sobre créditos e débitos passados.
A decisão representa um marco na evolução do direito civil brasileiro. Alinha o Judiciário à realidade econômica contemporânea. Promove isonomia e simplificação. Para hospitais, clínicas, operadoras de planos de saúde, laboratórios e fornecedores, a mensagem é inequívoca: a Selic é agora o denominador comum das obrigações civis não convencionadas. O planejamento financeiro e jurídico deve incorporar urgentemente essa nova realidade, privilegiando a clareza contratual e a especificação de índices adequados ao setor.
O desafio, contudo, permanece. A segurança jurídica não se constrói apenas com uniformização de índices. Ela exige também respeito às expectativas legítimas e à estabilidade das relações passadas. A decisão é tecnicamente impecável. Mas o ideal seria que a uniformidade do presente não gerasse incertezas sobre o passado. O direito e a economia caminham juntos. E ambos dependem de um elemento essencial: a confiança. A decisão fortalece a previsibilidade futura. Resta saber se o custo da transição será absorvido sem abalos pela indústria da saúde, setor que já opera sob significativa pressão financeira e regulatória, e que é absolutamente essencial para a sociedade brasileira.
*Arthur Mendes Lobo é advogado e sócio-fundador do escritório Wambier, Yamasaki, Bevervanço e Lobo Advogados.
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A TARDE
Hapvida começa a atender pacientes do SUS
A partir deste mês de novembro, novas unidades da Hapvida começarão a atender pacientes da rede pública pelo programa federal “Agora Tem Especialistas”, integrado à estratégia do governo federal para reduzir filas e diminuir o tempo de espera no Sistema Único de Saúde (SUS). Os atendimentos estarão disponíveis nos estados do Pará, Ceará, Pernambuco e também no Distrito Federal.
O anúncio foi realizado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o 29º Congresso Abramge, em São Paulo, no dia 30 de outubro, quando também confirmou a adesão do Hospital Santa Marcelina, referência na Zona Leste da capital paulista, ao programa. Atualmente, 12 instituições participam da iniciativa, incluindo hospitais como Cynthia Charone (PA), Santa Casa de Sobral (CE), Beneficência Portuguesa (PA), Imip (PE) e Santa Casa de Porto Alegre (RS).
Tudo sobre Saúde em primeira mão!
“O Agora Tem Especialistas concretiza a parceria necessária para acabar com o tempo de espera no SUS. Estamos transformando dívidas e incentivos fiscais em mais cirurgias, exames e consultas, garantindo atendimento gratuito e digno à população”, afirmou Padilha durante o evento.
Como funciona
Hospitais privados e filantrópicos habilitados no programa poderão abater dívidas com a União por meio da prestação de serviços ao SUS. No caso da Hapvida, o abatimento ocorre sobre dívidas de ressarcimento ao SUS, que surgem quando pacientes de planos de saúde são atendidos na rede pública. Já outras instituições podem compensar débitos tributários vencidos ou a vencer com os créditos obtidos pela prestação de serviços.
Primeiros atendimentos e prioridades
O programa começou em agosto, no Hospital Ariano Suassuna, em Recife (PE), com cirurgias de prótese de quadril, procedimentos de vesícula e exames de imagem. As especialidades prioritárias incluem oncologia, ortopedia, ginecologia, cardiologia, oftalmologia e otorrinolaringologia. A expectativa é que até R$ 3,3 bilhões sejam convertidos em serviços de saúde por meio do programa.
Expansão regional
A Hapvida mobilizará equipes médicas ao longo de novembro para atender pacientes encaminhados pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde no Norte, Nordeste e Distrito Federal. O objetivo é ampliar rapidamente a capacidade do SUS com suporte da rede privada.
Inovação e tecnologia
Durante o Congresso, Padilha também anunciou a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) com a HealthAI – The Global Agency for Responsible AI in Health, formalizando a entrada do Brasil na rede global de regulação em inteligência artificial aplicada à saúde. O acordo de 24 meses visa mapear a maturidade regulatória brasileira e desenvolver planos de implementação personalizados, garantindo uso ético e seguro da IA, respeitando a LGPD e a soberania digital do país.
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A REDAÇÃO
MPGO aponta irregularidades na UTI do Hospital Municipal de Morrinhos
O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Morrinhos, recomendou ao município o afastamento imediato da secretária municipal de Saúde, Náryma Angélica Rabello e Silva Diedam, bem como a adoção de medidas urgentes para restabelecer o funcionamento da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal.
A recomendação, expedida pelo promotor de Justiça Guilherme Vicente de Oliveira nesta terça-feira (4/11), foi motivada por graves irregularidades identificadas na UTI, que culminaram na suspensão temporária do cofinanciamento estadual pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES).
Durante vistoria realizada em 5 de setembro deste ano pela SES, em conjunto com a Gerência de Atenção Especializada (GAE) e a Gerência de Regulação de Internações (Gerint), foram constatadas falhas críticas que comprometem diretamente a segurança assistencial e a regularidade do funcionamento da unidade.
Irregularidades
Entre as irregularidades identificadas estão: medicamentos vencidos encontrados em estoque e carrinhos de emergência, com checklist interno que autorizava o uso de fármacos vencidos por até três meses após a validade; insumos críticos reutilizados, como cateteres, cânulas e sondas, reabertos e vedados com fita adesiva; ausência de telas de proteção nas janelas da UTI, permitindo entrada de insetos; e taxas de mortalidade acima do previsto, sem plano de ação corretivo.
A vistoria também apontou a ausência de documentação legal mínima, como Alvará Sanitário e Certificado de Conformidade (Cercom), além da falta de designação formal de responsável técnico médico e fisioterápico. O relatório da SES destacou ainda condutas antiéticas e degradantes em relação às(aos) pacientes, associadas a falhas graves de biossegurança.
Recursos estaduais não repassados à empresa contratada
De acordo com a apuração preliminar realizada pelo MPGO, a Secretaria de Estado da Saúde efetuou regularmente os repasses financeiros ao município de Morrinhos. No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde não repassou adequadamente os recursos à empresa responsável pela gestão da UTI (Organização Goiana de Terapia Intensiva Ltda.), comprometendo a prestação do serviço.
Durante inspeção realizada pelo promotor de Justiça no último dia 20 de outubro, constatou-se que os 10 leitos da UTI encontravam-se desocupados desde 17 de outubro. Os gastos públicos correspondem a aproximadamente R$ 440 mil mensais para a manutenção dos leitos, que permanecem desocupados.
Segundo apontado na recomendação, a crise na UTI teve início após a posse do atual prefeito e as subsequentes substituições em cargos de natureza política, incluindo a nomeação da atual secretária municipal de Saúde em 30 de janeiro de 2025.
Prazo para cumprimento das medidas
O MPGO estabeleceu prazo de 48 horas para o afastamento da secretária municipal de Saúde e a nomeação de pessoa substituta, além de prazo de 10 dias para a apresentação de todos os elementos informativos a respeito da suspensão temporária do cofinanciamento estadual.
O município de Morrinhos também deverá cumprir, no prazo de 30 dias, todas as recomendações da GAE, Gerint, Subsecretaria de Políticas e Ações em Saúde (Subpas) e da SES, com a finalidade de restabelecer a prestação do serviço público na UTI.
O não atendimento à recomendação poderá ensejar a caracterização do elemento subjetivo “dolo”, para fins de responsabilização na forma da Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992, alterada pela Lei 14.230/2021), além do eventual ajuizamento de ação civil pública e outras medidas judiciais cabíveis.
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Aluna de Goiânia desenvolve IA que reduz custos em cirurgias oftalmológicas
Ela venceu prêmio nacional pelo projeto
A estudante Gabriela Santos Mendanha, de 24 anos, de Goiânia, aluna do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), foi a grande vencedora do Prêmio Na Prática: Protagonismo Universitário 2025, representando o Centro-Oeste e também conquistando o reconhecimento nacional na cerimônia realizada nesta segunda-feira (3/11), em São Paulo.
O prêmio reconhece universitários com trajetórias de impacto social, científico e econômico em todo o Brasil. Nesta edição, mais de 8 mil candidaturas foram iniciadas e apenas 15 finalistas chegaram à etapa decisiva.
Gabriela foi premiada por desenvolver um algoritmo de inteligência artificial capaz de revolucionar o diagnóstico e o planejamento de cirurgias oftalmológicas. O sistema, criado no Ver Hospital dos Olhos, vinculado à PUC Goiás, interpreta tomografias de córnea no pré-operatório de cirurgias refrativas — um dos maiores desafios da área.
A solução criada por Gabriela atingiu mais de 80% de acurácia, reduziu 70% dos custos de triagem e gerou economia média de R$ 37 mil em 112 pacientes, sendo reconhecida em congressos nacionais e pelo Bascom Palmer Eye Institute, nos Estados Unidos — referência mundial em oftalmologia.
“Espero que esse prêmio seja mais um passo importante na minha trajetória guiada pelo desejo de levar mais saúde à população brasileira”, disse Gabriela ao receber o prêmio de destaque nacional.
A jovem embarca nos próximos meses para uma viagem à China, oferecida aos vencedores do prêmio, para conhecer o ecossistema global de inovação e empreendedorismo.
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Assessoria de Comunicação
Ahpaceg e Adial fortalecem diálogo em prol do desenvolvimento de Goiás
Escrito por Administrador
Dando sequência à série de encontros com lideranças do setor produtivo goiano, o presidente da Ahpaceg, Renato Daher, e o presidente do Conselho de Administração da entidade, Haikal Helou, estiveram reunidos na segunda-feira (3) com o presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), Edwal Freitas Portilho, o Tchequinho.
O encontro teve como foco aproximar as duas entidades e construir parcerias estratégicas em prol de avanços na área da saúde e do desenvolvimento econômico e social de Goiás.
Com quase três décadas de atuação, a Adial representa mais de cem indústrias e 30 operadoras logísticas, sendo uma das principais vozes do setor produtivo goiano. Já a Ahpaceg é referência na defesa e no fortalecimento da saúde privada no Estado.
A união entre as duas instituições promete somar forças, conectar setores e gerar benefícios concretos para a sociedade e para a economia goiana, reforçando o papel de Goiás como um polo de inovação, produtividade e qualidade de vida.
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Franquias médicas em alta: saúde ambulatorial e medicina empreendedora em crescimento
A essência do cuidado: um novo olhar sobre o ato médico
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Hospital Edmundo Vasconcelos adota modelo de Pediatria Colaborativa
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O custo invisível do não controle da hipertensão nas empresas
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Quando a ciência avança e a saúde recua: contradição que custa vidas
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Diversidade também é competência em saúde
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Intoxicação medicamentosa: entenda a doença que levou o músico Lô Borges à morte
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Ministério da Saúde intensificará mobilização contra dengue no Brasil
Saúde Digital Brasil atualiza manual de boas práticas e consolida a maturidade da telessaúde
Brasil avança em melhorias na saúde com anúncios estratégicos
AFINA MENINA
Franquias médicas em alta: saúde ambulatorial e medicina empreendedora em crescimento
O mercado de saúde privada no Brasil atravessa uma fase de expansão que tem impulsionado modelos de negócio escaláveis, como as franquias médicas. Com mais de 291 mil clínicas médicas particulares em operação e crescimento superior a 20% nos últimos cinco anos, segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Médica Brasileira (AMB), há um movimento claro rumo à conveniência e ao atendimento humanizado.
Nesse cenário, as clínicas ambulatoriais especializadas ganham protagonismo ao oferecer tratamentos menos invasivos e alta no mesmo dia. Como destaca a cirurgiã vascular Camila Kill: “Hoje é possível tratar varizes com métodos minimamente invasivos, como o Endolaser, que dispensa internação e cortes, permitindo alta no mesmo dia. Essa conveniência, somada à segurança, é o que o paciente contemporâneo procura.” A padronização de protocolos e o treinamento das equipes em rede também ampliam o acesso a tecnologia antes restrita a hospitais.
O modelo de franquias médicas oferece estrutura, padronização de processos e suporte administrativo, permitindo que médicos se concentrem no cuidado ao paciente sem abrir mão da gestão eficiente. “A medicina mudou. O profissional de hoje precisa entender de finanças, marketing, gestão de pessoas e experiência do paciente. O modelo de franquia permite que ele empreenda com suporte, sem abrir mão da qualidade assistencial”, observa o cofundador da rede.
A estratégia de expansão vem acompanhada de uma aposta em formação. O lançamento do Vascularte Academy, por exemplo, tem foco na capacitação de cirurgiões vasculares e equipes clínicas, com cursos sobre técnicas ambulatoriais, atendimento humanizado e gestão de clínicas. “A medicina do futuro passa por esse equilíbrio entre conhecimento técnico e capacidade de gestão”, afirma Camila Kill. O projeto pretende formar profissionais completos, capazes de combinar excelência técnica e visão empreendedora.
Com crescimento dos serviços privados e demanda por atendimento personalizado e preventivo, o modelo ambulatorial e a franquia médica se consolidam como alternativas relevantes para ampliar acesso, qualificar o atendimento e profissionalizar a gestão das clínicas. Texto produzido com dados da assessoria de imprensa.
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MEDICINA S/A
A essência do cuidado: um novo olhar sobre o ato médico
Há algo na prática médica que transcende o gesto técnico. É o olhar atento, a escuta paciente, o silêncio que antecede a palavra certa. Cada anamnese é um exercício de sensibilidade e de discernimento: compreender o que é relevante na história, entre exames e relatos, e decidir com responsabilidade diante da singularidade de cada pessoa.
Ser médico é entender que a ciência orienta nossas condutas, mas nem sempre acompanha o tempo da vida. A ciência avança em ritmo próprio, em laboratórios e em publicações; já a medicina exige decisões imediatas, na presença do paciente, diante de um conjunto de variáveis humanas e emocionais que nenhum protocolo contempla por completo.
É nesse espaço — entre o conhecimento técnico e o encontro humano — que nasce a verdadeira arte do cuidado. O médico é, ao mesmo tempo, cientista e intérprete do sofrimento. Sua missão é traduzir o conhecimento em acolhimento, unir empatia, ética e resultado em um gesto de confiança.
A carreira médica, especialmente nos primeiros anos, tem se tornado cada vez mais desafiadora. Exige atualização constante, pensamento crítico e discernimento ético. Já não basta o “como eu faço”, mas o “como se faz”, respaldado em evidências, boas práticas e sensibilidade.
Ser médico também se tornou mais complexo. O paciente chega informado — muitas vezes mal informado — pelas redes e por fake news. A incorporação de novas tecnologias e o custo crescente da saúde fazem com que o cuidado seja um ato que demanda conhecimento, mas também bom senso e equilíbrio. O mesmo impulso que leva o médico a aplicar o que há de mais moderno pode esbarrar nas limitações econômicas e estruturais do sistema.
Hoje, cuidar significa compreender que o ato médico acontece em rede. É uma relação que envolve o paciente, os profissionais, o sistema de saúde e a sociedade. O bom exercício da medicina depende do diálogo entre todos esses atores e da construção coletiva de um ambiente que valorize o conhecimento e priorize o bem-estar das pessoas.
A medicina que praticamos é feita de presença e precisão — e também de perguntas. É uma medicina que escuta, observa e transforma. Ser médico é viver nesse equilíbrio: entre a técnica e a humanidade, entre a ciência e o tempo de cada paciente. É uma escolha diária pela responsabilidade e pela vida.
*Luiz Antonio Nasi é Superintendente Médico do Hospital Moinhos de Vento.
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Hospital Edmundo Vasconcelos adota modelo de Pediatria Colaborativa
O Hospital Edmundo Vasconcelos está transformando a experiência de atendimento pediátrico com um modelo inovador: a Pediatria Colaborativa, que conecta o pediatra plantonista ao médico que já acompanha a criança. A proposta garante integração das informações clínicas, continuidade do tratamento e mais segurança para pacientes e famílias, um formato ainda pouco comum entre hospitais brasileiros.
Essa comunicação transparente e integrada traz mais tranquilidade para as famílias e fortalece o vínculo de confiança entre médico, paciente e instituição. Todos os exames realizados no hospital ficam disponíveis para o pediatra responsável pela criança, o que assegura acompanhamento contínuo e cuidado de qualidade.
“Nosso objetivo é que cada atendimento, mesmo em situações emergenciais, seja uma experiência de cuidado integral, segura e acolhedora. A Pediatria Colaborativa traduz nosso compromisso com a saúde e o bem-estar das crianças e de suas famílias”, conclui Wallace Gaspar, pediatra do Hospital.
Outro destaque é a composição da equipe: 100% dos profissionais de plantão são pediatras titulados, qualificados para atender situações agudas com agilidade e precisão. O hospital também conta com ambulatório de especialidades pediátricas, que permite dar sequência ao tratamento iniciado no pronto-socorro, proporcionando resolutividade e acolhimento aos pequenos pacientes.
De acordo com Wallace, é natural que, ao longo da infância, surjam situações que gerem dúvidas sobre a necessidade de uma visita ao pronto-socorro, especialmente em casos de febre, tosse ou mal-estar. “Com informação e orientação adequadas, os pais podem agir com mais segurança, sabendo reconhecer quando o atendimento imediato é realmente necessário”, conclui o médico.
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O custo invisível do não controle da hipertensão nas empresas
O que durante décadas simbolizava saúde perfeita agora acende um sinal de alerta. A nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, publicada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) em parceria com a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), reclassificou como pré-hipertensão os níveis de 120/80 mmHg a 139/89 mmHg, o antigo “normal alto”.
A atualização, alinhada às novas recomendações da American Heart Association (AHA), redefine o que é considerado ideal e amplia o número de pessoas que precisam de atenção médica e monitoramento. Estamos diante de uma mudança de paradigma. Pessoas que antes eram consideradas saudáveis agora fazem parte de um grupo que exige vigilância precoce e mudança de estilo de vida, e essa revisão reforça o valor do diagnóstico antecipado e da prevenção estruturada.
A hipertensão arterial deixou de ser um problema de gerações mais velhas e passou a se manifestar cada vez mais cedo. Uma análise conduzida pela Funcional, com base em 1,2 milhão de vidas ativas em seu Benefício Farmácia, mostra que 27% dos colaboradores em uso de medicamentos para controle da pressão arterial têm entre 30 e 40 anos, representando um aumento de 20% em apenas um ano.
O fenômeno revela uma tendência clara: estamos mapeando o risco cardiovascular mais precocemente para adultos jovens, impulsionado por uma série de possíveis causas, como estresse corporativo, longas jornadas, sono irregular e alimentação inadequada. Trata-se de um desafio silencioso, mas com alto impacto econômico. O controle da hipertensão não é apenas uma questão clínica, é um tema de sustentabilidade e produtividade.
O custo invisível do não controle
As doenças cardiovasculares seguem entre as principais causas de internações e afastamentos no Brasil. A sinistralidade média das operadoras médico-hospitalares chegou a 82,2% em 2024, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), pressionando diretamente os reajustes dos planos empresariais.
Grande parte desses custos é gerada por condições evitáveis, como o acidente vascular cerebral (AVC), uma das consequências mais graves da hipertensão não controlada. Ele é a ponta mais visível de um problema que começa antes, e pode ser prevenido com acompanhamento médico e adesão ao tratamento. De acordo com o “Estudo econômico sobre o tratamento dos casos de acidente vascular cerebral no Brasil: revisão integrativa”, o custo médio de uma internação por AVC ultrapassa R$ 55 mil em hospitais privados, e as sequelas costumam resultar em meses de afastamento e queda de produtividade.
Por outro lado, pacientes hipertensos que mantêm a pressão arterial controlada reduzem o risco de AVC em até 50% e o de infarto em cerca de 40%, o que significa menos internações, menos afastamentos e maior produtividade. A prevenção, nesse contexto, é um investimento com retorno mensurável, não um custo adicional.
A nova diretriz amplia o papel das empresas na promoção da saúde. Organizações que implementam check-ups baseados em dados, monitoram a adesão medicamentosa e incentivam programas de bem-estar contínuos passam a atuar antes da doença, onde o impacto é maior e o custo, menor.
Quando a empresa apoia o colaborador no cuidado com a própria saúde, ela fortalece vínculos, reduz custos e constrói um ciclo sustentável de cuidado.
*Alexandre Vieira é Diretor Médico da Funcional.
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Quando a ciência avança e a saúde recua: contradição que custa vidas
Por muito tempo, a medicina seguiu uma lógica reativa: esperar o sintoma aparecer para, então, tentar controlá-lo. Esse modelo nos trouxe avanços, mas já não responde aos desafios atuais. Hoje, vivemos uma transição para uma medicina preventiva, personalizada e regenerativa, que não se limita a prolongar a vida, mas busca antecipar riscos, restaurar tecidos e oferecer qualidade de vida duradoura.
A ciência já nos permite regenerar estruturas que antes acreditávamos impossíveis, como cartilagem e tecidos lesionados. Estudos recentes apontam que não falamos mais de promessas vagas, mas de um campo ativo e diverso. A revisão científica “Emerging Strategies in Cartilage Repair and Joint Preservation” (2024), por exemplo, mostra avanços consistentes em terapias baseadas em células, scaffolds biomateriais, intervenções genéticas e até estratégias de modulação microambiental: todos caminhos concretos para restaurar cartilagem articular, que antes era vista como um tecido “irrecuperável”.
Ainda assim, a maior parte dos pacientes segue recebendo tratamentos paliativos: infiltrações, medicamentos de alívio temporário e intervenções repetidas que não tratam a causa, apenas mascaram o problema.
A pergunta é inevitável: se já sabemos regenerar, por que ainda estamos remediando?
Inovação científica versus barreiras de acesso
Parte da resposta está no descompasso entre ciência e sistemas de saúde. De um lado, o Brasil mostra sinais de avanço: em 2025, o Ministério da Saúde anunciou R$561 milhões para investimentos em pesquisas científicas, valor importante para estimular a inovação no país. De outro, o setor suplementar cresce em tamanho, mas nem sempre em qualidade.
Segundo levantamento da ANS (dezembro/2024), os planos de saúde atingiram 52,2 milhões de usuários em assistência médica, recorde histórico. Número que mostra a força desse mercado, mas que também evidencia a responsabilidade de tornar as inovações acessíveis a quem já paga por esse serviço.
A realidade, no entanto, é que a maioria dos planos ainda reluta em incorporar tecnologias regenerativas, preferindo cobrir soluções mais baratas a curto prazo, mas que se tornam ineficazes e custosas no longo prazo. É uma contradição que precisa ser enfrentada: de que adianta expandir o número de beneficiários se o cuidado oferecido ainda se baseia em protocolos ultrapassados?
O papel de médicos e pacientes nessa mudança
Como cirurgião, vejo diariamente pacientes que poderiam ter sua dor interrompida e sua mobilidade restaurada de maneira mais definitiva, mas acabam presos em ciclos de terapias temporárias até que a doença avance para um estágio irreversível. É como se tivéssemos a chave de uma porta, mas insistimos em manter as pessoas olhando apenas pela fresta.
A transformação da medicina não será completa sem pressão da sociedade. Médicos precisam se atualizar constantemente e defender a adoção de terapias mais eficazes. Pacientes, por sua vez, devem questionar indicações ultrapassadas, exigir respostas e buscar informações sobre o que a ciência já comprova como viável. Quando ambos se posicionam, o sistema é obrigado a mudar.
O futuro da medicina já começou. Ele é regenerativo, antecipatório e centrado no paciente. O que falta não é ciência, mas vontade coletiva para transformar conhecimento em acesso. Quanto tempo mais aceitaremos tratar sintomas quando já podemos, de fato, regenerar e devolver qualidade de vida?
*Bernardo Paiva é cirurgião com doutorado pela Faculdade de Medicina da USP e especialista em medicina regenerativa e inovação no desenvolvimento de produtos.
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Diversidade também é competência em saúde
Recentemente, no dia 30 de setembro, o Ministério da Educação homologou as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Medicina. Acredito que para muitas pessoas, mesmo que da área da medicina, esse pode parecer apenas mais um ajuste técnico na formação médica, mas, na minha visão, trata-se de um marco histórico e que me deixou muito entusiasmado. Pela primeira vez, o documento traz com clareza a necessidade de formar médicos preparados não apenas para diagnosticar e tratar doenças, mas também para reconhecer, respeitar e acolher a diversidade humana em todas as suas dimensões.
Ao longo da minha trajetória como médico endocrinologista, professor e pesquisador, percebi (porque não aprendi sobre isso na faculdade) que um dos maiores vazios da formação médica no Brasil está justamente na falta de preparo para atender pessoas diversas, e eu falo especialmente sobre a população trans. Isso se traduz, na prática, em barreiras de acesso, diagnósticos tardios e desfechos de saúde piores do que poderiam ser. Somando-se a episódios de transfobia em equipamentos de saúde, a insegurança médica neste perfil de atendimento por desconhecimento técnico reforça o afastamento da possibilidade de acesso à saúde.
Para ilustrar o que estou falando, compartilho um dado divulgado pela ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transsexuais): 36% das pessoas trans já tiveram atendimentos de saúde recusados devido a sua identidade de gênero. Esse cenário me trouxe um incômodo, que me motivou a dedicar minha carreira à saúde de pessoas trans e a construir pontes entre assistência, pesquisa e ensino.
Quando falamos sobre a formação médica, estamos também falando sobre gestão da qualidade do cuidado. Preparar equipes e currículos para lidar com a diversidade não é apenas uma pauta ética, mas uma estratégia de inovação institucional: profissionais mais capacitados geram maior adesão ao tratamento, reduzem erros e melhoram indicadores de eficiência em saúde. Isso significa que diversidade e gestão caminham juntas e que o investimento em competências humanas é também uma decisão de gestão responsável.
Por isso, ao me deparar com as novas diretrizes do MEC, que colocam ênfase em competências humanas e sociais e com um direcionamento voltado, principalmente, para populações historicamente marginalizadas, como indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e a comunidade LGBTQIAPN+ fico mais confiante que estamos avançando e evoluindo. Principalmente, porque a medicina que eu acredito para o futuro precisa ser capaz de olhar para cada paciente de forma integral, considerando pontos para além da biologia, como sua história, identidade, contexto social e cultural.
Realmente acredito que a diversidade também é competência em saúde. Não se trata apenas de um compromisso ético, moral ou de direitos humanos, embora esses aspectos sejam, sim, fundamentais. Trata-se da qualidade do cuidado com cada pessoa que procura atendimento. Quando médicos estão preparados para acolher realidades diversas, eles reduzem o risco de abandono de tratamento e incentivam o paciente a seguir o tratamento corretamente, o que contribui para melhores resultados clínicos.
Como professor, percebo o impacto que esse tema causa nos alunos. Muitos se surpreendem quando descobrem que ainda estamos distantes de uma prática médica verdadeiramente inclusiva. Entretanto, a boa notícia é que há uma nova geração de futuros médicos que estará mais preparada, informada e pronta para construir uma medicina mais justa e acolhedora.
As diretrizes do MEC, não são um ponto de chegada, mas de partida. Agora, precisamos garantir que saiam do papel e se transformem em conhecimento e práticas concretas nas salas de aula, nos estágios e, sobretudo, nas clínicas e hospitais. Só assim conseguiremos formar profissionais capazes de oferecer um atendimento digno a todas as pessoas, independente do grupo que pertençam.
Diversidade não é um detalhe. É uma competência essencial, e deve estar no centro da formação médica brasileira.
*Leonardo Alvares é médico especialista em Endocrinologia e Metabologia, doutor pela USP e autor do livro “Saúde de Pessoas Transgênero – Práticas Multidisciplinares”.
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O HOJE
Intoxicação medicamentosa: entenda a doença que levou o músico Lô Borges à morte
Especialista explica como o uso incorreto de remédios pode causar danos graves ao fígado, rins e sistema nervoso
O cantor e compositor Lô Borges, de 73 anos, morreu neste domingo (2), em Belo Horizonte (MG), em decorrência de uma intoxicação medicamentosa. O músico, um dos fundadores do movimento Clube da Esquina, estava internado desde 17 de outubro em um hospital da Unimed, onde chegou a ser intubado e passou por uma traqueostomia. O quadro se agravou nos últimos dias, e ele não resistiu.
De acordo com especialistas, a intoxicação medicamentosa é uma condição séria, que pode ocorrer tanto por erro na dose quanto por uso prolongado ou combinação indevida de remédios. O caso reacendeu o alerta entre médicos sobre os riscos da automedicação e do consumo de medicamentos sem acompanhamento profissional.
O que é a intoxicação medicamentosa
A médica Milena Ricardo Alves Moreira, generalista do Hospital Mater Dei Goiânia, explica que a intoxicação medicamentosa é “uma condição causada pelo uso excessivo, inadequado ou impróprio de medicamentos”. Segundo ela, o problema pode ocorrer por ingestão exagerada, intolerância ao remédio, erro na administração ou interação entre substâncias usadas ao mesmo tempo.
“Os sintomas variam de acordo com o medicamento e com a quantidade ingerida. Podem incluir alterações no estado mental, problemas cardiovasculares, respiratórios, hepáticos ou renais”, detalha a médica. “Toda medicação tem uma dose máxima e um tempo de intervalo entre uma dose e outra para evitar que isso aconteça.”
Dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam que os medicamentos são a principal causa de intoxicações no Brasil. O levantamento mostra que cerca de 30% dos casos registrados envolvem uso incorreto de remédios de prescrição ou de venda livre.
Riscos de medicamentos de uso comum
Mesmo remédios amplamente utilizados podem representar perigo quando usados sem orientação médica. Analgésicos, anti-inflamatórios e antidepressivos estão entre os mais associados a quadros de intoxicação.
De acordo com Milena Moreira, “anti-inflamatórios podem causar lesões nos rins, analgésicos em excesso causam lesão no fígado e alteração no nível de consciência, enquanto antidepressivos podem levar ao rebaixamento da consciência e dificuldade respiratória”.
A automedicação é outro fator que agrava o problema. O uso contínuo de fármacos sem acompanhamento pode provocar sobrecarga nos órgãos responsáveis pela filtragem e eliminação de substâncias — especialmente fígado e rins. Interações entre diferentes medicamentos também podem alterar seus efeitos e causar reações inesperadas.
A intoxicação medicamentosa se torna grave quando afeta órgãos vitais ou compromete a respiração. A médica alerta que qualquer pessoa que apresentar dificuldade para respirar, vômitos incontroláveis ou mudança do nível de consciência deve procurar atendimento médico imediatamente.
Entre os principais sinais de alerta estão:
Náusea e vômito;
Dor abdominal;
Confusão mental e desorientação;
Sonolência ou perda de consciência;
Alterações no ritmo cardíaco;
Dificuldade respiratória;
Tremores ou convulsões;
Sudorese intensa;
Pupilas dilatadas ou contraídas;
Alterações na pressão arterial;
Irritação na boca e garganta (em casos de ingestão tópica).
Esses sintomas podem surgir minutos ou horas após a ingestão, dependendo do tipo e da quantidade de medicamento envolvido. Em muitos casos, o tratamento exige internação hospitalar e suporte respiratório, como aconteceu com o músico mineiro.
A intoxicação medicamentosa é uma condição causada pelo uso excessivo, inadequado ou impróprio de medicamentos
Cuidados e prevenção
Para evitar esse tipo de situação, Milena recomenda que os pacientes tenham sempre acompanhamento médico e farmacêutico. “Mesmo as medicações que não exigem receita oferecem riscos à saúde. É importante seguir corretamente a prescrição e nunca ultrapassar as doses indicadas”, orienta.
A médica reforça ainda a importância de armazenar os remédios de forma segura e descartar corretamente os que estiverem vencidos ou sem identificação. A prática de compartilhar medicamentos entre familiares ou amigos também deve ser evitada.
De acordo com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp (CIATox), o Brasil registra anualmente milhares de casos de intoxicação medicamentosa, com aumento significativo entre idosos e pessoas que fazem uso contínuo de mais de um remédio.
O caso de Lô Borges chama atenção para uma causa que é comum e muitas vezes silenciosa. O uso inadequado de medicamentos continua sendo um dos principais motivos de internações por intoxicação no país, segundo dados da Fiocruz e do Ministério da Saúde.
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AGÊNCIA BRASIL
Ministério da Saúde intensificará mobilização contra dengue no Brasil
Dia D contra a doença ocorre no sábado (8)
O Ministério da Saúde vai promover uma ação de mobilização nacional contra a dengue no próximo sábado (8/11). O objetivo é conscientizar gestores públicos, profissionais da saúde e a população em geral sobre a importância das medidas recomendadas para conter a proliferação do mosquito Aedes aegypti, principal transmissor da doença.
“A gente age ao longo de todo o ano, mas agora é a oportunidade de voltarmos a chamar a atenção da população para evitarmos qualquer tipo de cenário, de crescimento do número de casos”, declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao anunciar a realização do Dia D contra a dengue. A iniciativa faz parte da campanha nacional “Não Dê Chance para Dengue, Zika e Chikungunya”, que o ministério lançou nesta segunda-feira (3/11).
“Agora é hora de organizar a assistência à saúde, reforçar as ações de prevenção e orientação e identificar os pontos estratégicos a atacar nas cidades”, acrescentou o ministro.
De acordo com o ministério, em 2025, foram registrados, até o momento, 1.611.826 casos prováveis de dengue e 1.688 mortes. Ainda segundo a pasta, os resultados são, respectivamente, 75% e 72% inferiores aos do mesmo período de 2024.
Redução
Mesmo com a redução dos números, o ministro considera a situação alarmante. Principalmente porque, historicamente, os números de casos de dengue, zika e chikungunya costumam aumentar entre novembro e maio, quando as condições climáticas são mais favoráveis à proliferação do mosquito.
Além disso, outro dado preocupa os técnicos do ministério: o aumento do número de municípios brasileiros em estado de alerta para a dengue. Uma pesquisa realizada em agosto e setembro apontou que ao menos 30% das cidades já se encontravam nesta situação.
“O cenário exige atenção redobrada nos locais em alerta”, comentou o secretário adjunto de Vigilância em Saúde e Ambiente, Fabiano Pimenta, chamando a atenção para a importância da participação da população no enfrentamento ao mosquito.
egundo Pimenta, mais de 80% das larvas do Aedes aegypti encontradas por agentes de combate a endemias que visitaram imóveis em 3,2 mil municípios estavam em ambientes domiciliares, em locais como vasos de plantas, pratinhos, garrafas usadas, bebedouros, pneus, entulho, lixo, sucata, caixas d´água, cisternas, filtros, barris, calhas, ralos, vasos sanitários sem uso, tanques em obras, piscinas, fontes ornamentais e até mesmo em folhas de bromélias, casas de coco e cavidades de árvores.
Em alerta
Até o momento, as cinco unidades da federação com maior número de casos prováveis de dengue são São Paulo (890 mil), Minas Gerais (159,3 mil), Paraná (107,1 mil), Goiás (96,4 mil) e Rio Grande do Sul (84,7 mil). De acordo com o ministério, o estado de São Paulo também tem o maior número de óbitos: 1.096, ou 64% das 1.688 mortes já confirmadas.
O ministério garante que medidas já estão sendo adotadas para, em conjunto com estados e municípios, preparar a rede de saúde para um eventual aumento do número de casos. Entre elas, o reforço na assistência, com equipes da Força Nacional de Saúde atuando em cidades com alta incidência da doença; instalação de centros de hidratação e a distribuição de insumos e equipamentos, incluindo larvicidas, testes e nebulizadores portáteis.
Para o ministro Alexandre Padilha, contudo, a maior aposta no enfrentamento à doença é a vacina que está sendo desenvolvida aqui mesmo, no Brasil, pelo Instituto Butantan, e que será produzida, em parceria, por um fabricante chinês. De acordo com o ministro, a expectativa é que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprove o imunizante até o fim deste ano, para que as primeiras doses possam ser aplicadas já em 2026.
“Os estudos finais da Anvisa estão indo muito bem e o calendário que anunciamos em março deste ano vai ser cumprido: teremos o registro da vacina para dengue 100% brasileira até o final deste ano, para que possamos reforçar nosso Programa Nacional de Imunização já no ano que vem”, disse Padilha.
O ministro explicou que, após a aprovação da Anvisa, especialistas do Comitê Técnico do Programa Nacional definirão a melhor estratégia de imunização, incluindo critérios de distribuição. De acordo com ele, a previsão é que a farmacêutica chinesa WuXi Biologics produza e entregue para o Brasil 40 milhões de doses da vacina no próximo ano.
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SAÚDE BUSINESS
Saúde Digital Brasil atualiza manual de boas práticas e consolida a maturidade da telessaúde
Documento traz conteúdo inédito sobre telenfermagem e saúde mental digital, além de reforçar padrões de ética, qualidade e interoperabilidade.
Mais de 6,6 milhões de atendimentos por telemedicina foram realizados no Brasil entre 2020 e 2025, segundo o relatório preliminar “Painel de Indicadores de Saúde Digital”, elaborado pela Saúde Digital Brasil (SDB). Desse total, 87% ocorreram por teleconsultas e 13% via telemonitoramento, evidenciando a consolidação da telessaúde como uma prática segura, eficiente e integrada ao sistema nacional de saúde.
O avanço da modalidade reflete um movimento de amadurecimento do setor e impulsiona a atualização de diretrizes que orientam a prática. No dia 29 de outubro, a SDB lançou, na sede da Fiesp, em São Paulo, a segunda edição do Manual de Boas Práticas de Telemedicina e Telessaúde, documento que consolida referências técnicas e éticas para o desenvolvimento sustentável da saúde digital no país.
Novos temas e desafios da telessaúde
A nova edição amplia o escopo de orientações ao incorporar capítulos inéditos sobre telenfermagem e saúde mental digital — dois campos em rápida expansão.
O capítulo sobre telenfermagem reconhece o protagonismo dos profissionais de enfermagem no cuidado remoto, com práticas de telemonitoramento, educação em saúde, protocolos de segurança e inovação assistencial.
Já o capítulo de saúde mental digital discute os desafios e benefícios da telepsiquiatria, processos de avaliação psicológica em ambiente virtual e o uso ético de tecnologias como inteligência artificial (IA) e realidade aumentada no suporte emocional aos pacientes.
Outros pontos de atualização incluem o capítulo “Documentos Eletrônicos de Saúde”, que aborda a emissão, uso e integração de registros de dispensação digital. Também ganham espaço os temas de proteção de dados e segurança da informação, com orientações sobre governança, atuação do Data Protection Officer (DPO) e do Chief Information Security Officer (CISO), e adoção de frameworks internacionais como ISO/IEC 27001 e CIS Controls.
Diretrizes para uma saúde digital ética e segura
“O Brasil vive uma transformação profunda na forma de cuidar das pessoas. Esta nova edição traduz o compromisso da SDB com uma saúde digital ética, inclusiva e responsável, capaz de unir tecnologia e humanidade”, comenta Carlos Pedrotti, presidente da SDB e gerente médico do centro de telemedicina do Hospital Albert Einstein.
Com mais de 200 páginas, o manual foi elaborado por especialistas de instituições, como Hospital Albert Einstein, Dasa, Grupo Fleury, Sabin, que compõem o corpo técnico da associação. Cada capítulo foi desenvolvido com base em experiências práticas e alinhamento à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e aos referenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Interoperabilidade e integração com o sistema de saúde
O manual também reforça os princípios de interoperabilidade, destacando o uso do padrão HL7 FHIR e a adesão à Estratégia de Saúde Digital para o Brasil (2020–2028), fundamentais para a integração segura de sistemas e fortalecimento da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).
“Mais do que um guia técnico, o manual propõe uma cultura digital responsável, que valoriza a ética, transparência e o protagonismo dos profissionais e pacientes no processo de transformação digital na saúde”, afirma Michele Alves, gerente executiva da SDB.
Formação, governança e futuro da telessaúde
Além das diretrizes técnicas, o documento traz recomendações práticas sobre competências profissionais em saúde digital, governança clínica, indicadores de qualidade e equidade no acesso, além de orientações para formação de equipes e gestão de serviços de telessaúde.
A SDB define o manual como um instrumento vivo, sujeito a atualizações contínuas, que reflete a evolução do setor e o compromisso com um cuidado cada vez mais integrado e sustentável.
A iniciativa consolida o papel da entidade como uma das principais referências nacionais na representação do ecossistema de saúde digital, conectando sociedade, governo, empresas e profissionais em torno de um propósito comum: fortalecer uma saúde mais acessível, eficiente e humana. Acesse o manual completo!
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PORTAL REVISTA COBERTURA
Brasil avança em melhorias na saúde com anúncios estratégicos
Evento consolida o protagonismo da Abramge na criação de diálogos para ações concretas e coloca o país entre líderes globais no uso ético da inteligência artificial e na ampliação do acesso da população à saúde
O Brasil deu importantes passos rumo a um sistema de saúde mais moderno, integrado e sustentável durante o 29º Congresso Abramge, realizado nesta quinta-feira (30), em São Paulo. O maior evento de saúde suplementar do país foi o palco escolhido pelo Ministério da Saúde para anunciar duas iniciativas estratégicas que fortalecem a gestão pública, ampliam o acesso da população a serviços especializados e reforçam o modelo de saúde como um dos melhores do mundo.
Entre as medidas assinadas pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha está a expansão do programa "Agora Tem Especialistas". Além de Recife, os estados do Ceará e do Pará, além do Distrito Federal, passaram a integrar essa parceria entre os sistemas público e privado no atendimento à população com vistas a reduzir as filas do Sistema Único de Saúde (SUS). A outra, um memorando de entendimento inédito com a HealthAI, agência global dedicada à formação técnica de reguladores para o uso responsável da inteligência artificial (IA) no setor.
O termo de ampliação e compromisso do programa "Agora Tem Especialistas" reuniu no palco do 29º Congresso Abramge o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; o presidente da Abramge, Gustavo Ribeiro; o governador do Ceará, Elmano de Freitas; o prefeito de Fortaleza, Evandro Sá Barreto Leitão e os representantes das duas instituições da saúde suplementar que aderiram ao programa: Jorge Pinheiro, CEO da Hapvida, e os representantes da Santa Casa Marcelina, Fabrício Santana Ferreira e a irmã Rosane Ghegin. A cerimônia contou ainda com a participação virtual da secretária de Saúde do Pará, Ivete Vaz e do secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante Lacerda.
A escolha do Congresso Abramge como palco para os anúncios simboliza o reconhecimento da entidade como fórum de diálogo com os diversos agentes do sistema de saúde do país. "As pessoas são a razão de ser desse setor. Nosso propósito é entregar saúde com qualidade e eficiência. É fundamental que o olhar para o beneficiário esteja sempre alinhado à sustentabilidade das operadoras", afirmou Gustavo Ribeiro, presidente da Abramge, durante a cerimônia de abertura.
O 29º Congresso Abramge reuniu autoridades nacionais e internacionais, especialistas e executivos sob o tema "A Nova Ordem Mundial da Saúde". O encontro destacou avanços tecnológicos, parcerias inéditas e o papel estratégico da integração entre os setores público e privado na construção de uma saúde mais eficiente e acessível à população. Entre as autoridades presentes estavam os ministros José Antonio Dias Toffoli (STF) e Luís Roberto Barroso, o presidente da ANS, Wadih Damous, e o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), relator do Projeto de Lei 2338/2023, que visa regulamentar o uso da Inteligência Artificial (IA) no Brasil.
No encerramento, um painel presencial com o filósofo e escritor israelense Yuval Harari que trouxe reflexões sobre o impacto da inteligência artificial na sociedade contemporânea. "A inteligência artificial saberá mais da saúde do que nós mesmos e saberá também dar diagnósticos muito mais precisos, por isso uma regulamentação global da IA é tão importante". afirmou Harari.
Em sua 29º edição, o Congresso Abramge reafirmou o protagonismo da saúde suplementar como agente de transformação e inovação no sistema de saúde brasileiro, consolidando o evento como um marco de diálogos que podem servir de insumos para decisões concretas e avanços institucionais em benefício da população.
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Assessoria de Comunicação
Excelência que Inspira: Madalena Del Duqui é homenageada no 12º Prêmio Profissional Destaque da Enfermagem
Escrito por Administrador

A enfermeira Madalena Del Duqui, coordenadora de Educação Continuada da Ahpaceg, foi homenageada pelo Conselho Regional de Enfermagem de Goiás (Coren-GO) durante a solenidade do 12º Prêmio Profissional Destaque da Enfermagem, realizada no dia 31 de outubro.
O prêmio é concedido a profissionais e instituições goianas que, com dedicação, competência e compromisso, contribuem para o fortalecimento e a valorização da enfermagem no Estado.
Durante o evento, a presidente do Coren-GO, Thaís Luane Pereira Prado, enalteceu a trajetória de Madalena e sua contribuição para o desenvolvimento da enfermagem no Estado. Ela destacou o trabalho que Madalena desenvolve à frente da Educação Continuada da Ahpaceg, ressaltando sua contribuição para a formação e atualização das equipes de enfermagem das instituições associadas, o que tem fortalecido a prática profissional e promovido avanços importantes para a enfermagem em Goiás.

Na coordenação da Educação Continuada da Ahpaceg, Madalena tem sido referência na promoção da atualização, capacitação e valorização dos profissionais de enfermagem das instituições associadas. Sua atuação é marcada pela busca permanente da excelência no cuidado, na formação e na humanização da prática profissional, valores que refletem a missão da Ahpaceg de fortalecer a segurança e a qualidade dos serviços de saúde em Goiás.
A Ahpaceg parabeniza Madalena Del Duqui por essa merecida homenagem e reafirma o orgulho em ter em sua equipe uma profissional cuja trajetória inspira, transforma e eleva o nome da enfermagem goiana.