Imprensa (2678)
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Judicialização dos planos de saúde pode explodir até 2035
TJGO e Ipasgo selam parceria para acelerar atendimento e reduzir ações na saúde
Pesquisa mostra que ressonância pode predizer o risco de metástase
https://medicinasa.com.br/ressonancia-metastase-cancer/
Rombo de plano de saúde ajuda a quebrar Correios
https://www.osul.com.br/rombo-de-plano-de-saude-ajuda-a-quebrar-correios/
CORREIO BRAZILIENSE
Judicialização dos planos de saúde pode explodir até 2035
A judicialização dos planos de saúde pode chegar a 1,2 milhão de novos processos por ano até 2035, caso não haja mudanças estruturais capazes de conter o avanço das disputas na Justiça. A projeção aparece no estudo “Judicialização na Saúde Suplementar: Desafios Regulatórios e Caminhos para a Sustentabilidade do Setor até 2035”, produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) em parceria com o juiz federal Clenio Schulze.
O relatório mostra que o fenômeno já cresce em ritmo acelerado. Entre 2020 e 2024, o número de ações mais que dobrou — salto de 112% — até atingir 298,7 mil novos processos em 2024, o que equivale a uma nova ação a cada 1 minuto e 45 segundos. Mantido esse ritmo, o setor tende a enfrentar forte pressão financeira e regulatória, com impactos diretos sobre a previsibilidade dos serviços oferecidos aos beneficiários.
Os dados do estudo apontam que as causas da judicialização permanecem relativamente estáveis. Medicamentos lideram 35% das disputas, seguidos por tratamentos médico-hospitalares (30%), reajustes contratuais (20%), órteses, próteses e materiais especiais (10%) e home care (3%).
A concentração geográfica também é significativa, São Paulo responde por 38% das ações, seguido por Rio de Janeiro (15%), Minas Gerais (9%) e Rio Grande do Sul (8%).
Entre 2019 e 2023, a judicialização consumiu cerca de R$ 17,1 bilhões das operadoras. Em 2024, o setor movimentou R$ 350 bilhões em receitas, com lucro líquido de R$ 11,1 bilhões — números que, segundo o IESS, revelam robustez, mas também um ambiente pressionado por custos crescentes e imprevisibilidade regulatória.
Para o superintendente executivo do IESS, José Cechin, o estudo deixa claro que o tema exige articulação institucional. “A judicialização não é apenas um fenômeno jurídico; é um indicador de que nossas estruturas de diálogo, regulação e mediação ainda não estão funcionando como deveriam. Quando o Judiciário vira porta de entrada do sistema, todos perdem”, afirma.
Além disso, o estudo mapeia iniciativas consideradas bem-sucedidas no esforço de desjudicialização. A Notificação de Intermediação Preliminar (NIP), da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mantém a taxa de resolução acima de 90%.
Câmaras de mediação estaduais, como as do Rio de Janeiro e da Bahia, já evitaram mais de 80 mil processos desde que foram criadas. O e-NatJus soma mais de 272 mil notas técnicas e registrou alta de 40% nas consultas somente em 2024.
Projeções
Para os próximos dez anos, o IESS projeta três possíveis trajetórias para a judicialização. No cenário pessimista, o volume de ações poderia chegar a 1,2 milhão por ano. No cenário considerado realista, haveria estabilização em torno de 400 mil processos anuais.
Já o cenário otimista prevê redução para cerca de 170 mil ações, resultado de medidas como o fortalecimento da mediação pré-processual, a criação de um NAT específico para a saúde suplementar e avanços em transparência regulatória.
Segundo Cechin, o futuro dependerá da capacidade de o setor implementar reformas. “O Brasil já mostrou que sabe construir soluções inteligentes: NAT-JUS, Conitec e NIP são provas disso. Falta agora integrar essas iniciativas em um modelo coerente, previsível e sustentável. A janela de oportunidade existe, mas não ficará aberta para sempre”, diz.
A conclusão do estudo mostra que a judicialização só deixará de ser a rota dominante se houver coordenação institucional, modernização regulatória e ampliação dos mecanismos administrativos para resolver conflitos. “O acesso à saúde não pode depender da capacidade individual de litigar. Nosso desafio é construir um sistema que funcione para todos, sem precisar do Judiciário como mediador permanente”, resume Cechin.
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JORNAL OPÇÃO
TJGO e Ipasgo selam parceria para acelerar atendimento e reduzir ações na saúde
Durante o evento, a juíza Jussara Louza destacou que o termo representa um avanço significativo na forma como o Estado lida com as demandas de saúde dos servidores públicos e seus familiares
Em uma iniciativa que promete transformar a forma como conflitos na área da saúde são solucionados em Goiás, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e o Ipasgo Saúde oficializaram, na sexta-feira, 5, um Termo de Cooperação voltado à ampliação dos métodos consensuais de resolução de disputas. O acordo busca agilizar demandas relacionadas a serviços médicos e hospitalares, priorizando conciliação e mediação para reduzir a judicialização.
A cerimônia ocorreu no Salão Nobre da Presidência do TJGO e foi conduzida pela juíza auxiliar Jussara Cristina Oliveira Louza, representante do presidente do Tribunal, desembargador Leandro Crispim. Também participaram o presidente do Ipasgo, Bruno Magalhães D’Abadia, e o juiz coordenador do Cejusc Saúde, Eduardo Oliveira.
Durante o evento, a juíza Jussara Louza destacou que o termo representa um avanço significativo na forma como o Estado lida com as demandas de saúde dos servidores públicos e seus familiares. Segundo ela, a parceria reforça o compromisso das instituições com práticas modernas de gestão pública e com as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A magistrada ressaltou que o acordo fortalece a cultura do diálogo e contribui para a redução de processos judiciais. “Nosso objetivo é garantir um atendimento que respeite a dignidade do cidadão, especialmente em momentos de vulnerabilidade. Esperamos que esta cooperação gere resultados concretos e fortaleça a cultura da paz e da eficiência no serviço público”, afirmou.
O presidente do Ipasgo, Bruno D’Abadia, celebrou a aproximação com o Judiciário e enfatizou que a medida trará benefícios diretos aos usuários do plano. Para ele, a cooperação permitirá respostas mais rápidas e soluções menos onerosas.
“O termo possibilita que o Ipasgo atue com maior eficiência, reduzindo prazos e custos. Além disso, contribui para que os recursos do Judiciário sejam utilizados de forma mais racional”, destacou.
O juiz Eduardo Oliveira, coordenador do Cejusc Saúde, ressaltou que a parceria inaugura um novo momento para o centro de conciliação. Ele lembrou que o TJGO tem buscado ampliar acordos com operadoras de saúde, e o Ipasgo tem se mostrado um parceiro constante nesse processo.
“Este termo é fruto de um esforço conjunto e está alinhado às diretrizes do CNJ. O Ipasgo tem demonstrado grande disposição em colaborar, sempre buscando soluções eficientes para as demandas judiciais relacionadas à saúde”, afirmou.
A solenidade contou ainda com a participação do secretário do Nupemec, Jackson Santos; da gestora do Cejusc Saúde, Stephanie Lopes; e dos representantes do Ipasgo José Rodolfo Alves da Silva Júnior (gerente jurídico), Caroline Nayhara Alves (chefe de gabinete) e Pedro José de Barros (secretário-executivo).
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MEDICINA S/A
Pesquisa mostra que ressonância pode predizer o risco de metástase
A ressonância magnética após a radioterapia pode predizer o risco de metástase em pacientes com câncer de reto antes mesmo do resultado da cirurgia. A descoberta é resultado de uma pesquisa conduzida no Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (INRADHCFMUSP), liderada pela médica radiologista Cinthia Ortega, coordenadora médica do Grupo de Imagem Gastrointestinal do instituto. O estudo foi publicado na revista European Radiology, publicação de alto fator de impacto e que é a principal publicação da Sociedade Europeia de Radiologia.
A pesquisa utilizou dados de pacientes com câncer de reto provenientes do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). Os sujeitos tiveram tanto dados clínicos quanto imagens de ressonância analisados e relacionados a desfechos após longo tempo de seguimento, o que permitiu aos investigadores observar como características da ressonância podem antecipar o comportamento futuro da doença.
“A ressonância, além de mostrar o estadiamento (estágio atual) do tumor, mostrou-se capaz de prever se o paciente tem maior ou menor risco de desenvolver metástases no futuro. É uma informação que transforma o exame de imagem em um biomarcador prognóstico e pode mudar a forma como decidimos o tratamento”, explica Cinthia.
O achado representa um avanço importante rumo à oncologia de precisão, em que decisões terapêuticas são cada vez mais personalizadas. Saber antecipadamente o risco de metástase pode evitar tratamentos agressivos em pacientes de baixo risco e, ao mesmo tempo, indicar a intensificação da quimioterapia naqueles com maior probabilidade de recorrência.
“Os resultados não apenas demonstram o potencial da imagem como ferramenta de predição, mas também levantam novas hipóteses para futuros protocolos de pesquisa. É um passo importante rumo a uma medicina mais personalizada”, complementa a pesquisadora.
O estudo teve origem em um protocolo clínico multidisciplinar que contou com a colaboração das disciplinas de Oncologia, Cirurgia do Aparelho Digestivo, Radioterapia e Radiologia, previamente apresentado no ESMO Congress 2020 (European Society for Medical Oncology) e reforça a posição do INRAD HCFMUSP como liderança em pesquisa.
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JORNAL O SUL
Rombo de plano de saúde ajuda a quebrar Correios
Prestes a registrar rombo de R$10 bilhões só em 2025 e na iminência de um colapso, a estatal Correios luta para manter o Postal Saúde, plano de saúde exclusivo para funcionários, aposentados e dependentes, que drena bilhões dos cofres públicos. Além dos cônjuges e filhos, o plano também beneficia pais dos funcionários e mais 203 mil aposentados. A cada três meses, R$700 milhões são tirados de quem paga impostos para cobrir o rombo do Postal, que aumentou 80% em relação a 2024.
Despesas explodem
O envelhecimento da clientela reduz a chance de recuperação do Postal Saúde: 25% dos 203 mil aposentados beneficiários têm mais de 59 anos.
Lipoaspiração
O custeio anual do Postal Saúde já chega a R$2 bilhões, segundo fontes dos Correios, consumindo 10% do faturamento da empresa.
Bomba-relógio
Sindicalistas do PT que dirigiram os Correios condenaram a empresa à morte, fechando acordos que ignoravam a sustentabilidade financeira.
Não pagou, parou
A situação é tão crítica o atraso nos repasses levou hospitais como Rede D'Or e Unimed a suspender atendimentos dos beneficiados do plano.
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Assessoria de Comunicação
Galeria de Presidentes da Ahpaceg: um registro da história da instituição
Escrito por Administrador

Fundada em 2003, a Ahpaceg eterniza uma parte de sua história com a instalação da galeria dos presidentes que estiveram à frente da Associação nesses 22 anos.
Instalada na sede da entidade, no Setor Sul, a galeria reúne, em ordem cronológica, os sete presidentes que conduziram a Ahpaceg até 2025, quando foi eleito o atual presidente, Renato Daher.
Com o lema “Nossa história tem passado, presente e futuro”, são apresentadas as fotos dos presidentes:
• Dr. Quimarques Cassemiro Barros Santos (2003/2004)
• Dr. Valney Luiz da Rocha (2004/2007)
• Dr. Luiz Mauro de Paula e Souza (2007/2009)
• Dr. Robério Ferro (2009/2010)
• Dr. Carlos Frederico Tavares (2010/2011)
• Dr. Haikal Yaspers Helou (2011/2013)
• Dr. Gustavo Gabriel Rassi (2013/2014)
• Dr. Haikal Yaspers Helou (2014/2025)
A instalação da galeria é também uma forma de homenagear quem contribuiu e ainda contribui para a construção da história da Ahpaceg.
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
'OAB da Medicina': entenda em 7 pontos o exame para médicos recém-formados aprovado em comissão do Senado
A crise que está levando médicos a desistir da residência
Doenças raras em foco: momento histórico para a ciência brasileira
https://medicinasa.com.br/doencas-raras-em-foco/
Amil investe R$ 50 milhões em espaço exclusivo no Sírio-Libanês
https://medicinasa.com.br/amil-eespaco-sirio/
Abordagem personalizada melhora evolução clínica de pacientes com choque séptico
https://medicinasa.com.br/abordagem-personalizada-sepse/
Telessaúde otimiza fluxo de pacientes e encurta tempo de espera
https://medicinasa.com.br/telemedicina-fluxo-pacientes/
Imposições unilaterais podem inviabilizar segmento de OPME
https://www.saudebusiness.com/industria/imposicoes-unilaterais-podem-inviabilizar-segmento-de-opme/
PORTAL G1
'OAB da Medicina': entenda em 7 pontos o exame para médicos recém-formados aprovado em comissão do Senado
Exame deverá representar uma etapa adicional para a obtenção do registro profissional para os graduandos de Medicina. Quem não for aprovado na ProfiMed não poderá solicitar o CRM.
Nesta semana, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou o projeto de lei que estabelece a obrigatoriedade de aprovação no Exame Nacional de Proficiência em Medicina (ProfiMed) para médicos recém-formados. O PL ainda precisa ser votado pelo Senado e pela Câmara de Deputados (entenda mais abaixo.)
Se aprovado, o exame vai representar uma etapa adicional para a obtenção do registro profissional para os graduandos de Medicina. A proposta está sendo chamada por muitos de "OAB da Medicina" por sua semelhança com a prova obrigatória para advogados.
Abaixo, entenda em 7 pontos o que propõe o PL e como a criação do ProfiMed mudará a formação médica no país.
1. O que é o ProfiMed?
O Exame Nacional de Proficiência em Medicina tem como objetivo verificar a qualidade da formação dos concluintes de graduação em Medicina e sua habilitação para a prática médica. A prova está prevista em um projeto de lei que tramita no Congresso. (Veja mais abaixo sobre a tramitação.)
A etapa será obrigatória para a obtenção do registro profissional nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs). Ou seja, mesmo após concluir a graduação, o médico só poderá exercer legalmente a profissão se for aprovado na prova.
2. Como deve funcionar o ProfiMed?
O PL prevê que o exame seja coordenado e elaborado pelo Ministério da Educação (MEC). A prova deve ser aplicada duas vezes por ano em todos os estados e no Distrito Federal.
O ProfiMed deverá avaliar competências profissionais e éticas, conhecimentos teóricos e habilidades clínicas, com base nos padrões mínimos exigidos para o exercício da profissão.
3. O que muda com o exame?
Atualmente, um médico recém-formado pode solicitar o CRM após a colação de grau e pode atuar profissionalmente a partir da emissão do documento.
Se aprovado, o ProfiMed vai adicionar uma etapa que antecede a emissão do documento, já que o profissional só terá direito ao registro profissional após ser aprovado no exame.
Já para profissionais que se formaram em instituições internacionais e precisam revalidar o diploma para atuar no Brasil, também será possível obter a revalidação do documento por meio do ProfiMed. A prova equivalerá às duas etapas do Revalida.
O que é o Revalida: o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira é a prova realizada por médicos formados fora do Brasil que querem exercer a profissão aqui no país. O exame tem duas etapas — a primeira é uma prova escrita (com questões objetivas e discursivas); e a segunda, prática, para testar as habilidades clínicas do médico — e é considerada difícil: na edição do 2º semestre de 2022, por exemplo, apenas 3,75% dos inscritos foram aprovados nas duas etapas e tiveram seus diplomas revalidados.
4. O que acontece com quem reprovar no exame?
O texto do PL prevê a criação da Inscrição de Egresso em Medicina (IEM), que permite ao recém-formado realizar atividades técnico-científicas enquanto não for aprovado no ProfiMed.
5. Quando o exame passará a ser aplicado?
O ProfiMed segue em discussão no Senado e, em seguida, na Câmara. Uma vez aprovado e sancionado, a iniciativa deve entrar em vigor em um ano.
6. O que diz o CFM
O Conselho Federal de Medicina diz que o exame é “fundamental para aprimorar a qualidade da formação médica no país.”
“A implementação do Exame Nacional de Proficiência representa um avanço estrutural para o país. Não se trata apenas de uma etapa avaliativa, mas de uma política pública que assegura que apenas profissionais realmente preparados recebam o registro para atuar. Isso protege a população e fortalece a fiscalização do exercício médico”, afirmou Alceu Pimentel, conselheiro federal suplente e coordenador-substituto da Comissão de Assuntos Políticos do CFM em reunião do grupo, em novembro.
Em abril, o CFM já havia defendido a criação do ProfiMed, argumentando que a avaliação do médico é fundamental para a segurança da população e, portanto, necessária para a concessão do registro profissional.
7. Tramitação do projeto
Na quarta-feira (3), o PL 2.294 de 2024, de autoria do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado por 11 votos a 9. Ela ainda precisa passar por um turno suplementar de votação no colegiado antes de seguir para a Câmara dos Deputados.
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PORTAL DW
A crise que está levando médicos a desistir da residência
Longas jornadas, assédio moral, baixa remuneração são alguns dos problemas estruturais da especialização médica. Situação pode impactar atendimento à população no futuro.
“Uma vez cheguei a chorar, pois não via a luz do dia por duas semanas”. Esse é o relato de Silvia (que teve o nome alterado pela reportagem), de 29 anos, especialista em cirurgia geral, que concluiu a residência no primeiro semestre deste ano, em São Paulo.
Ela prefere manter o anonimato por medo de represálias, diante do aumento do número de casos de assédio moral e jornadas exaustivas sofridas pelos médicos residentes em todo o Brasil. “Já cheguei a trabalhar mais de 100 horas por semana. Incontáveis vezes somos humilhados em cirurgias ou até mesmo na frente dos pacientes”, diz a jovem. Diante da pressão exagerada, ela pensou em desistir diversas vezes ao longo dos três anos de especialização.
Ela não é a única a se queixar de um ambiente cada vez mais hostil na residência médica. Em 2022, residentes do primeiro ano em ortopedia e traumatologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pediram demissão coletiva. Em carta, eles afirmaram que as condições de trabalho e a carga horária semanal, além do número reduzido de residentes, “tornaram nosso trabalho humanamente impossível de ser realizado”.
Embora não seja obrigatório realizar residência para ser médico , ela é necessária para a formação como especialista. O treinamento ocorre em hospitais, combina prática assistencial e atividades teóricas, sempre sob supervisão, e varia de dois a cinco anos, dependendo da área.
Esse percurso, porém, tem esbarrado em problemas estruturais. Segundo Lucas Faidiga, presidente da Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), parte das vagas seguem ociosas enquanto a pressão aumenta sobre quem está nos programas. Hoje, apenas cerca de 70% das vagas disponíveis estão preenchidas, segundo ele.
Segundo dados da Demografia Médica no Brasil 2025 (DMB), realizado pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e instituições parceiras, em dezembro de 2024, o Brasil tinha 353.287 médicos especialistas, cerca de 59% do total de profissionais registrados. Os outros 244.141, ou 41%, eram médicos formados, mas sem título de especialista.
Equilíbrio entre vida pessoal e profissional
Formado há dois anos em medicina, Renato (nome alterado pela reportagem) preferiu não fazer residência por conta da pressão e pouca qualidade de vida que a especialização oferece ao residente. Ele afirma que a relação médico-paciente vem se deteriorando e os ambientes de trabalho estão se tornando cada vez mais difíceis.
Devido às queixas de muitos colegas que seguiam na residência, ele optou por não se especializar em uma área e preservar sua saúde mental. Ele acredita que não seja o único que a fazer essa ponderação. Segundo o médico, trata-se de um movimento geracional que vem ganhando força nos últimos anos, levando em consideração a necessidade de mudanças em antigas estruturas já tradicionais e consolidadas, mas que se encontram desatualizadas.
“Ainda existe uma percepção popular de que o médico deve seguir uma jornada de altruísmo e abdicação, com um certo fator místico, mas que, na sociedade de hoje, é uma percepção que não se sustenta”, complementa.
Salários baixos e denúncias desencorajadas
Embora haja inúmeros relatos de assédio e jornadas exaustivas em residências médicas, Nicole Dittrich, residente de Radiologia e Diagnóstico por Imagem na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), diz que sua experiência tem sido diferente.
“A minha residência é bem respeitosa. Todos os chefes são muito respeitosos e a relação entre os colegas é muito boa. Nunca ouvi nenhum relato disso na minha residência. Já ouvi relatos de colegas de outras especialidades, mas eu não presenciei essas cenas”, conta.
Apesar disso, ela observa que a exposição e o desafio para mulheres continuam sendo maiores em qualquer carreira, inclusive na medicina. “As mulheres têm mais dificuldade de inserção, de terem suas opiniões com a mesma validação que um homem tem. Então, nesse sentido, acaba sendo mais desafiador para as mulheres”, afirma Dittrich, que também atua como representante dos residentes de Radiologia.
Ela também critica a remuneração e as condições de trabalho. “O valor da residência médica não é condizente com a carga horária que um médico está trabalhando. É um trabalho médico especializado, e o valor que se recebe é muito abaixo do valor de mercado de um médico generalista recém-formado. Isso prejudica até na própria residência, porque o tempo que deveria ser usado para se capacitar é usado para complementar a renda”, afirma.
Por que médicas mulheres ganham menos do que homens?
Silvia confirma que as diferenças de gênero aparecem com mais frequência em áreas com alta pressão, como cirurgia geral e ortopedia. “Na cirurgia geral ainda há bastante preconceito, inclusive de chefes que deixam os residentes homens fazerem cirurgia e as mulheres não, ou diferença de tratamento entre homens e mulheres”, diz.
Segundo a médica, essas especialidades mantêm hierarquias rígidas e perpetuam as mesmas ações ao longo de anos. Ela também afirma que situações de assédio moral não são levadas para setores responsáveis. “As denúncias são, sim, subnotificadas e desencorajadas por chefes. Se souberem que você denunciou, provavelmente sofrerá retaliação. Na maior parte das vezes, a denúncia não leva a nenhum desfecho”, diz. Em momentos de pressão ou desrespeito, ela conta que boa parte da equipe lida sozinha com o problema.
Saúde mental e futuro dos profissionais
Nesse contexto, Alcindo Cerci Neto, representante do Conselho Federal de Medicina na Comissão Nacional de Residência Médica, afirma que combater o assédio moral e psicológico deve ser prioridade. Para ele, o residente precisa ser reconhecido como profissional em formação, e não como mão de obra barata. Isso requer ambientes seguros de aprendizado, relações de respeito e clareza sobre as regras que regem a residência médica.
Cerci Neto também aponta limites no modelo brasileiro, centrado em carga horária e não em competências. Segundo ele, mesmo as 60 horas previstas em lei só são compatíveis com a preservação da saúde mental quando há descanso adequado, limites pós-plantão e acesso a apoio psicológico – algo ainda distante da realidade de muitos serviços.
Especialistas apontam que, antes de discutir evasão ou desinteresse dos recém-formados, o país precisa rever a lógica que sustenta a formação especializada e a atuação do médico em diferentes regiões.
Para Faidiga, a remuneração atual é um dos principais entraves. Ele lembra que o valor líquido recebido por grande parte dos residentes não passa de R$ 3,6 mil e pode ficar em R$ 3 mil dependendo do local da bolsa.
Para o presidente da ANMR, a má distribuição de especialistas é consequência direta da falta de infraestrutura, salários baixos em cidades pequenas e ausência de apoio estatal. Uma das soluções defendidas é a criação de um plano de carreira nacional, nos moldes do que já existe para outras profissões.
Cerci Neto reforça que o problema também está no desenho das políticas de formação. Ele aponta que o país forma mais médicos do que consegue absorver na residência, mas que muitas vagas seguem sem candidatos por falta de atratividade ou estrutura adequada. Especialidades consideradas estratégicas pelo SUS, como Medicina de Família e Comunidade ou Patologia, continuam com vagas ociosas mesmo após políticas de incentivo.
Um ponto crítico é a diferença entre a bolsa da residência e a remuneração de outras políticas públicas. “Enquanto um bolsista do Programa Mais Médicos recebe cerca de R$ 12 mil para uma jornada de 30 horas, o médico residente recebe pouco mais de R$ 4 mil, mesmo cumprindo o dobro da carga horária”, diz.
Impacto também nos pacientes
A pressão crescente dentro dos programas de residência tem reforçado um alerta que já vinha sendo discutido por entidades médicas e pesquisadores: o impacto direto do ambiente de formação na saúde mental dos futuros especialistas. Jornadas longas, hierarquias rígidas e dificuldade para relatar abusos formam um conjunto que deixa residentes mais vulneráveis ao adoecimento.
As consequências desse contexto aparecem de forma recorrente nas pesquisas e no cotidiano dos hospitais. O psiquiatra Marcel Fúlvio Padula Lamas, coordenador da Psiquiatria do Hospital Albert Sabin (HAS), afirma que o adoecimento dos residentes se concentra em três eixos: carga horária excessiva, cultura institucional hostil e falhas organizacionais.
A privação de sono e o desgaste físico, diz ele, diminuem a capacidade de enfrentar adversidades e, quando somados ao medo de retaliação, levam o residente ao isolamento. Esse conjunto aumenta o risco de burnout, depressão , ansiedade, ideação suicida e abandono da residência.
Lamas enfatiza que a solução passa por mudanças estruturais. Garantir descanso adequado, reduzir tarefas administrativas que não contribuem para a formação, qualificar preceptores e criar canais independentes de denúncia compõem, segundo ele, um conjunto mínimo de medidas. Programas de saúde mental acessíveis e sigilosos também são fundamentais, assim como o acompanhamento contínuo de indicadores, como taxas de desistência e prevalência de burnout.
Os efeitos dessa situação se estendem além da residência. “Ambientes hostis no início da carreira aumentam o risco de erros, reduzem empatia e comprometem a relação médico–paciente”, diz. Para o médico, falar sobre saúde mental na formação é discutir o futuro da assistência oferecida à população.
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MEDICINA S/A
Doenças raras em foco: momento histórico para a ciência brasileira
As doenças raras desafiam sistemas de saúde no mundo todo e, no Brasil, não é diferente. Ainda convivemos com barreiras importantes, como acesso difícil e desigual a especialistas, capacidade diagnóstica limitada e investigações que se arrastam por anos.
O impacto dessas doenças é expressivo. Embora cada enfermidade seja individualmente pouco frequente, calcula-se que existam entre 7 mil e 8 mil diferentes doenças raras, que juntas afetam até 13 milhões de brasileiros. A grande maioria tem origem genética.
Quando o diagnóstico atrasa – ou nunca chega – o que se prolonga é a incerteza. Famílias vivem anos peregrinando por consultas e exames sem obter uma resposta conclusiva, acumulando frustração, sofrimento e também custos silenciosos ao sistema de saúde, que precisa lidar com internações que poderiam ser evitadas e tratamentos, muitas vezes, desnecessários ou equivocados.
Diante desse cenário, iniciativas que estimulem a cooperação científica e ampliem a capacidade investigativa do país são essenciais. Um exemplo foi a realização, no final de outubro, da Conferência da Rede Internacional de Doenças Não Diagnosticadas (UDNI) no Rio de Janeiro – evento realizado, pela primeira vez, no hemisfério Sul e na América Latina. O movimento sinaliza que a comunidade global reconhece o potencial técnico e institucional da região.
E o Brasil mostrou que esse reconhecimento tem fundamento. A edição de 2025 foi a maior da história da UDNI, com 405 inscritos de 45 países, 55 palestrantes e moderadores, diversas sociedades médicas parceiras e debates que foram das fronteiras da genômica ao uso de inteligência artificial em casos complexos. A expressiva participação latino-americana reforça que o continente está pronto para avançar de forma mais coordenada.
Mas é fundamental reconhecer: um evento não resolve desafios estruturais. Ele pode inspirar, provocar, acelerar, mas só políticas contínuas consolidam mudanças reais. O país precisa ampliar o número de centros especializados e organizá-los em rede, formar mais profissionais treinados na área, integrar a genômica ao cuidado cotidiano e fortalecer a pesquisa clínica, que ainda opera aquém do seu potencial.
Nesse sentido, um movimento recente merece destaque especial. Um acordo firmado entre Ministério da Saúde, Fiocruz, Gemma Therapeutics e Casa dos Raros prevê o desenvolvimento de terapias gênicas no Brasil, com custos mais acessíveis. O primeiro protocolo, voltado à atrofia muscular espinhal (AME), deverá começar ainda em 2025. É um passo concreto rumo às tecnologias que moldarão o futuro da medicina e um sinal de que o país pode, sim, ocupar posição de liderança neste tema.
O impacto desse conjunto de iniciativas – UDNI, novos acordos, fortalecimento da pesquisa – será medido em resultados tangíveis: diagnósticos mais rápidos, famílias com respostas, terapias avançadas acessíveis. Capacidade técnica não nos falta; vontade de avançar, tampouco. O que ainda precisamos é transformar esse potencial em ações coordenadas dentro de um plano consistente, aperfeiçoando e alavancando as políticas públicas na área.
Se conseguirmos sustentar o que profissionais, sociedades médicas e organizações civis vêm defendendo há décadas, o Brasil poderá, enfim, assumir o protagonismo que demonstrou ser capaz de exercer no campo das doenças raras. É exatamente isso que os milhões de brasileiros que convivem com essas condições esperam – e merecem.
*Roberto Giugliani é Diretor Executivo da Casa dos Raros, Head de Doenças Raras da Dasa Genômica, Professor Titular da UFRGS e Médico Geneticista do HCPA (Porto Alegre, RS).
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Amil investe R$ 50 milhões em espaço exclusivo no Sírio-Libanês
A Amil inaugurou um espaço exclusivo no térreo do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, marcando o início de um investimento de R$ 50 milhões destinado a elevar a experiência do cliente da operadora na unidade.
“Ancoramos no Sírio-Libanês um espaço de alto padrão para atender nossos clientes. A partir daqui, pretendemos direcionar casos de altíssima complexidade. É apenas o início de uma parceria profícua em que se espera novos e maiores investimentos”, afirmou o presidente do conselho da Amil, José Seripieri Junior.
“É uma quebra de paradigma porque vai além de uma parceria entre operadora e hospital. É uma relação de negócios”, destacou Fábio Fossen, CEO do hospital.
O projeto prevê ainda para o primeiro trimestre de 2026 a entrega de um andar totalmente reformado e dedicado exclusivamente aos clientes Amil, com atendimento realizado pelo corpo clínico do próprio Sírio-Libanês.
A iniciativa reforça a estratégia da operadora em São Paulo, segunda maior praça da companhia, e consolida a parceria com um dos hospitais de maior referência em alta complexidade no país.
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Abordagem personalizada melhora evolução clínica de pacientes com choque séptico
Quando se está com infecção e pressão arterial muito baixa cada minuto conta. E cada decisão da equipe médica pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Esse é o cenário do choque séptico, a fase mais aguda da sepse, uma infecção generalizada que compromete órgãos vitais. A mortalidade nessa condição pode chegar a 40%, mesmo com tratamento rápido e adequado.
Para oferecer um atendimento mais efetivo, pesquisadores de 19 países, sob liderança de pesquisadores da Pontificia Universidad Católica de Chile (PUC-Chile), da Fundação Vale del Lili, na Colômbia, e do Hcor, desenvolveram e testaram um protocolo personalizado de ressuscitação de sinais vitais. O resultado do estudo, chamado ANDROMEDA-SHOCK-2, acaba de ser publicado no JAMA e apresentado no Congresso Anual da Sociedade Europeia de Medicina Intensiva (ESICM), reforçando a relevância científica da pesquisa.
Único hospital brasileiro a participar do estudo, o Hcor teve papel relevante no planejamento estatístico, sendo responsável pela gestão de dados dos pacientes envolvidos. “Estamos muito orgulhosos por apoiar a Pontificia Universidad Católica de Chile e a Fundação Vale del Lili na liderança deste estudo. Foi muito gratificante ter atuado em colaboração com tantos países dispostos a encontrar um melhor tratamento para uma questão tão séria como a sepse”, explica o Superintendente Médico, de Ensino e Pesquisa do Hcor, Alexandre Biasi.
No total, foram analisados 1.467 pacientes. “Em comparação ao tratamento padrão, seguir um protocolo personalizado de ressuscitação hemodinâmica trouxe benefícios significativos para os pacientes com choque séptico — principalmente por reduzir o tempo de uso de terapias invasivas, como ventilação mecânica, hemodiálise e medicamentos vasopressores”, destaca.
O protocolo personalizado avalia sinais simples à beira do leito, como o tempo de enchimento capilar (como o sangue volta a circular nas extremidades do corpo), pressão arterial, pulso, saturação de oxigênio e ultrassom básico, permitindo que o tratamento seja adaptado à resposta de cada paciente em tempo real. O objetivo é recuperar a perfusão dos órgãos nas primeiras seis horas de atendimento do choque séptico, justamente quando há maior chances de reverter as consequências negativas desta síndrome. Diferente do método tradicional, que segue etapas padronizadas para todos, essa abordagem individualiza cada decisão médica, aumentando a chance de recuperação.
Para o especialista, esses resultados demonstram que observar sinais simples e aplicar protocolos individualizados tornam o atendimento mais eficiente e sustentável. “Cada decisão é baseada na condição real do paciente, e isso faz toda a diferença”, reforça.
O estudo abre novas perspectivas para o cuidado crítico em todo o mundo, mostrando que mesmo sinais simples, quando avaliados de forma estruturada e personalizada, podem transformar o desfecho de pacientes com choque séptico, diminuindo complicações e acelerando a recuperação.
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Telessaúde otimiza fluxo de pacientes e encurta tempo de espera
A transformação digital na saúde segue ganhando força no Brasil e já demonstra impacto direto no desempenho dos hospitais e na experiência dos pacientes. No centro desse avanço está a telemedicina, que surgiu em larga escala no contexto emergencial da pandemia e se tornou uma ferramenta essencial para reduzir deslocamentos desnecessários, agilizar triagens, ampliar o acesso a especialistas e garantir a continuidade do cuidado de forma mais eficiente.
Segundo o Ministério da Saúde, somente em 2024 foram realizados 2,5 milhões de atendimentos remotos, contra 1,5 milhão em 2023, representando um crescimento de 65% em apenas doze meses. A estrutura também se expandiu de maneira significativa: entre 2022 e 2024, o número de estados brasileiros com núcleos de telessaúde passou de 10 para 24, ampliando o alcance do serviço e permitindo que mais pessoas recebam suporte especializado, inclusive em áreas desassistidas.
Um estudo internacional publicado pelo periódico Healthcare (MDPI, 2025) analisou 57 artigos científicos produzidos entre 2020 e 2024 e confirmou que a telemedicina tem potencial real para reduzir desigualdades de acesso à saúde em áreas rurais, levar cuidados especializados a populações remotas e transformar como essas comunidades acessam serviços para a saúde.
Segundo Jeferson Sadocci, Diretor Corporativo de Mercado e Cliente da MV, esse potencial é notável pois a utilização de novas ferramentas, aliada com o histórico e o registro dos dados, mesmo à distância, tem se tornado fundamental para melhorar o acompanhamento contínuo e aproximar o paciente da instituição. “A telemedicina auxilia a reduzir erros e aumentar a eficiência operacional. Informações clínicas ficam mais organizadas, integradas e acessíveis e permitem às equipes oferecer um cuidado mais seguro e consistente para o paciente”.
Além dos meios de conversação, o monitoramento remoto de quem já foi atendido presencialmente também desponta como uma ferramenta de apoio e celeridade no cuidado com o paciente.
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SAUDE BUSINESS
Imposições unilaterais podem inviabilizar segmento de OPME
Gargalos inéditos, de retenção recorde de faturamento ao avanço de modelos de compra que pressionam a sobrevivência das empresas, segundo ABRAIDI.
O setor de saúde suplementar no Brasil, especificamente o segmento de Órteses, Próteses e Materiais Especiais – OPME – vive um momento de intensas transformações e pressões. O avanço de novos portais de compras, as dificuldades de operação e retenção de faturamento, e fenômenos recentes que vêm afetando principalmente as pequenas e médias empresas, têm criado um ambiente de incerteza e preocupação entre importadores e distribuidores de produtos para saúde que, em alguns casos, já estão na iminência de inviabilidade comercial.
As distorções no setor, que vem sendo registradas pela ABRAIDI em pesquisa há quase uma década chegaram a patamares jamais registrados. O montante de pagamentos pendentes ou não realizados pelos clientes, planos de saúde ou hospitais, chegou à marca de R$ 4,587 bilhões, no levantamento deste ano.
Desse total, R$ 2,2 bilhões, que imobilizou 17,63% do faturamento das empresas de produtos para saúde, estão relacionados à Retenção de Faturamento, que é o valor de OPME já utilizado na cirurgia, que por alguma falha ou impasse, não teve a autorização de faturamento aprovada pelo hospital ou pela operadora de plano de saúde.
As glosas injustificadas, aquelas cujo pagamento é paralisado ou não realizado sem motivo legítimo e transparentes, chegaram à R$ 229,7 milhões e a inadimplência à R$ 2,069 bilhões. O valor global comprometeu 36% do faturamento das empresas.
Por outro lado, o surgimento de portais de compra, que chegaram para padronizar processos, rastrear transações, ofertar maior agilidade nas cotações e centralizar informações vem produzindo efeitos colaterais que não podem mais ser ignorados.
Sob o pretexto de modernizar e otimizar as compras, a maioria desses portais tem imposto aos fornecedores custos adicionais expressivos, que não necessariamente se traduzem em valor proporcional. Os portais de compras de OPME operam, muitas vezes, em uma lógica de leilão reverso. Para ter o direito de participar das cotações, o fornecedor precisa pagar taxas de acesso e, em determinados modelos de negócio, taxas sobre o volume transacionado.
Trata-se de um verdadeiro pedágio com condição obrigatória para poder vender a clientes já cativos, sem perspectiva de ampliação do mercado ou da visibilidade do portfólio.
Outro ponto de extrema gravidade é o avanço do chamado empacotamento de procedimentos e insumos, que vem se disseminando em diversas redes hospitalares e operadoras de planos de saúde. Sob o argumento de otimizar custos, esse modelo tem promovido reduções unilaterais de valores, agrupando diferentes procedimentos e materiais em pacotes de remuneração única e reduzida.
A prática, além de carecer de respaldo técnico e jurídico, distorce a composição de custos e compromete a qualidade assistencial, uma vez que induz à utilização de materiais de menor desempenho e à limitação de tratamentos.
Trata-se de uma forma disfarçada de contenção de despesas que, na prática, compromete a liberdade técnica dos profissionais, o equilíbrio contratual e a segurança dos pacientes, além de desrespeitar normas de referência, como as da CBHPM, e princípios básicos do Código de Defesa do Consumidor.
Esses desafios, no entanto, não são isolados. Eles refletem um cenário mais amplo de mudanças estruturais na relação entre fabricantes, distribuidores, prestadores e operadoras. Contexto que exige, mais do que nunca, coesão institucional, diálogo permanente e atuação técnica responsável porque muitas empresas já vivem um completo desequilíbrio econômico-financeiro.
Temos consciência da dimensão desses impactos e da ansiedade legítima de nossos associados diante de práticas de mercado que já comprometem a sustentabilidade das empresas e a qualidade do atendimento ao paciente. Por isso, reforçamos nosso compromisso histórico com a representatividade efetiva, a defesa jurídica e regulatória, e a busca de soluções equilibradas, que conciliem os interesses do setor com as boas práticas éticas e de governança.
Entendemos que, diante de um ambiente tão complexo, a resposta mais eficiente não está na fragmentação, mas sim no fortalecimento das instituições existentes e na construção coletiva de propostas que representem, de fato, a diversidade e a força de união do setor de OPME, que tem travado uma queda de braço com gigantes de enorme poder político e financeiro. Eles dão as cartas na saúde suplementar do país e deixam na vulnerabilidade as empresas de produtos para a saúde e na última ponta o consumidor.
Seguimos tentando ampliar o diálogo com órgãos reguladores, com o Legislativo e com a sociedade civil, reafirmando a importância de um setor de saúde suplementar ético, transparente e sustentável. Nosso compromisso é continuar sendo uma voz técnica, ponderada e firme na defesa de um mercado mais justo e equilibrado para todos.
*Sérgio Rocha é presidente da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI).
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Assessoria de Comunicação
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Avança proposta que cria exame nacional obrigatório para médicos
https://medicinasa.com.br/exame-obrigatorio-medicos/
Cibersegurança e LGPD: como reduzir riscos e ampliar confiança
https://medicinasa.com.br/ciberseguranca-lgpd-pacientes/
Nova norma do CFM: conflitos de interesse e a transparência
https://medicinasa.com.br/nova-norma-cfm/
A cláusula de coparticipação em contratos de seguro de saúde
https://medicinasa.com.br/clausula-coparticipacao/
A Nova Autogestão em Saúde
https://revistacobertura.com.br/noticias/artigos/a-nova-autogestao-em-saude/
Grupos monetizam desinformação sobre autismo e vendem substância tóxica a quem busca cura
MEDICINA S/A
Avança proposta que cria exame nacional obrigatório para médicos
A Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal aprovou, por 11 votos a 9, um projeto de lei que institui o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed) como requisito obrigatório para que novos médicos obtenham registro profissional nos conselhos regionais de Medicina. A proposta ainda passará por mais um turno de votação no colegiado para a aprovação definitiva.
O texto aprovado é um substitutivo (texto alternativo) do relator, senador Hiran (PP-RR), ao Projeto de Lei (PL) 2.294/2024, de autoria do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP). Como a CAS tem a decisão final sobre a proposta, é necessária a votação suplementar do envio do projeto à Câmara dos Deputados, explicou o presidente da comissão, senador Marcelo Castro (MDB-PI).
De acordo com o texto aprovado, o Profimed será coordenado, regulamentado e aplicado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Além do exame de proficiência para os egressos do curso, o texto amplia o alcance da proposta original e cria instrumentos para acompanhar a formação médica:
Estudantes do 4º ano do curso deverão fazer o Enamed, avaliação obrigatória sob coordenação do Ministério da Educação (MEC) para medir a qualidade dos cursos;
Plano de expansão da residência, com meta de alcançar, até 2035, ao menos 0,75 vaga de residência por médico formado;
Competência exclusiva da União para autorizar e supervisionar cursos de medicina;
Inscrição de Egresso em Medicina (IEM), permissão restrita a atividades técnico-científicas para quem ainda não for aprovado no Profimed.
“Nós do movimento médico consideramos esse o projeto de lei mais importante desse século, principalmente para proteger o povo brasileiro, porque vivemos uma crise perigosa de fragilidade na formação do médico brasileiro, consequência de uma proliferação desenfreada, irresponsável e mercantilista de cursos.” afirmou Hiran.
A iniciativa mantém a exigência do exame também para formados no exterior, mas equivale a aprovação no Profimed às duas etapas do Revalida, o que evita duplicidade de obrigações para quem já revalidou o diploma.
“Precisamos de uma solução urgente para esse crescimento desordenado de faculdades de medicina que não têm capacidade de formar bons médicos. Essa espécie de OAB da medicina é um ponto de inflexão no setor.” defendeu Astronauta Marcos Pontes, autor da proposta.
Divergências sobre avaliação
A aprovação do projeto ocorreu sob intenso debate. Parte dos parlamentares reconheceu a importância da proficiência, mas demonstrou preocupação com a aplicação concentrada em uma única prova ao final do curso e também com a coordenação da avaliação pelo CFM, e não pelo MEC.
“Não será apenas um teste final que vai reorganizar o sistema. Defendo a proficiência, mas como etapa de um processo mais amplo, que começa no quarto ano, com consequências para as escolas.” detalhou o senador Rogério Carvalho (PT-SE).
“Não sou a favor desse exame único no final do curso. Temos que avaliar o aluno durante todo o processo formativo. ” ponderou a senadora Zenaide Maia (PSD-RN).
Os dois senadores também são médicos.
Após a votação, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) ressaltou que o colegiado tem posição comum sobre a necessidade do exame, apesar das divergências sobre quem deve aplicá-lo.
“É fundamental que se saiba que todos somos favoráveis ao exame de proficiência. A divergência está em retirar do MEC a atribuição de aplicá-lo, como propôs o substitutivo.” declarou. (Com informações da Agência Senado)
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Cibersegurança e LGPD: como reduzir riscos e ampliar confiança
A transformação digital do setor de saúde, especialmente no âmbito das clínicas médicas, tem ampliado a eficiência do cuidado, a interoperabilidade entre sistemas e a capacidade de resposta das instituições. No entanto, essa evolução traz consigo um desafio igualmente relevante: a necessidade de proteger informações sensíveis.
Em razão de sua natureza, os dados de saúde são classificados pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) como “sensíveis”, exigindo tratamento mais rigoroso, medidas reforçadas de segurança e processos organizacionais próprios. Em um ambiente cada vez mais digitalizado, clínicas médicas tornam-se alvos privilegiados de ataques e incidentes, o que exige estrutura técnica, maturidade institucional e uma cultura consistente de segurança da informação.
A crescente informatização de prontuários, telemedicina, prescrições digitais e plataformas integradas ampliou significativamente o risco de fraudes, invasões e acessos indevidos. Hoje, clínicas e operadoras convivem com tentativas de captura de dados, falsificação de identidades médicas, solicitações indevidas de reembolsos, uso de engenharia social para obtenção de senhas, manipulação de credenciais de pacientes e disseminação de links fraudulentos que simulam comunicações legítimas.
Trata-se de fenômeno global, decorrente do alto valor econômico que informações de saúde têm em mercados ilícitos, além da própria fragilidade emocional e privada que tais dados representam. A regulação setorial acompanha essa preocupação: a Resolução Administrativa nº 81/23 da ANS estabelece diretrizes obrigatórias de segurança da informação, impondo controles de acesso, termos de responsabilidade e sigilo inclusive para terceiros que tenham contato com dados regulados pela Agência. O cenário demonstra que o tema deixou de ser acessório e passou a ocupar posição central na governança das instituições de saúde.
Nesse contexto, a proteção de dados em clínicas médicas demanda muito mais do que investimentos em tecnologia. Ela exige a construção de rígidos protocolos de governança que envolva políticas internas claras, definição de responsabilidades, gestão de riscos, processos de consentimento bem estruturados, controle de acessos e monitoramento contínuo. É indispensável que cada instituição compreenda que segurança da informação não se limita a sistemas robustos, mas depende de pessoas treinadas, fluxos internos adequados, contratos bem redigidos e supervisionados, bem como processos de auditoria permanentes. A integração entre áreas – jurídica, compliance, TI, desde o primeiro contato com o paciente por recepcionistas e secretárias até a direção clínica – torna-se um requisito para assegurar conformidade e fortalecer a confiança do usuário.
A LGPD, ao disciplinar o tratamento de dados pessoais sensíveis, transformou a privacidade em um componente de governança obrigatória. A lei impõe ao agente de tratamento o dever de demonstrar conformidade e de adotar medidas proporcionais ao risco da atividade, em especial por meio de relatórios de impacto, designação de encarregado, políticas formais, revisão de contratos com fornecedores e implementação de controles preventivos desde a concepção dos processos.
Longe de restringir a inovação, a LGPD confere previsibilidade, incentiva práticas seguras, fortalece a relação médico-paciente e estimula investimentos em soluções tecnológicas confiáveis. Para clínicas médicas, a conformidade deixou de ser mero requisito regulatório e passou a integrar a dinâmica da própria prestação de serviços, influenciando reputação, sustentabilidade e desempenho operacional.
Há, contudo, um aspecto frequentemente negligenciado: a corresponsabilidade do próprio paciente na segurança digital. Muitos incidentes decorrem de comportamentos inseguros dos titulares, como o compartilhamento de códigos de autenticação, o envio de documentos médicos por canais informais, o clique em links suspeitos, a instalação de aplicativos não oficiais ou o fornecimento de credenciais a pessoas mal-intencionadas que se passam por atendentes ou representantes de planos de saúde. Esses comportamentos, considerando a aplicabilidade do CDC, podem configurar culpa exclusiva do consumidor, rompendo o nexo causal em caso de incidente e afastando a responsabilidade da clínica ou da operadora.
Por isso, além das medidas internas, as instituições precisam investir em comunicação preventiva e educação digital contínua, adotando modelos de segurança baseados na experiência do usuário, com mensagens educativas, alertas de acesso, autenticação multifatorial e sistemas que orientem automaticamente o paciente a práticas mais seguras, na medida em que estamos diante da responsabilidade objetiva, ou seja, independentemente de culpa.
A conscientização do usuário é um dos pilares para a redução de fraudes. Os pacientes devem ser instruídos a reconhecer sinais de alerta, como cobranças de procedimentos não realizados, alteração não solicitada de dados cadastrais, links encaminhados por fontes duvidosas, pedidos de senhas ou códigos de verificação por WhatsApp, e notificações de acesso desconhecido em suas contas.
Tecnologias como inteligência artificial, interoperabilidade nacional, big data assistencial, prontuários integrados e telemedicina avançada tendem a expandir exponencialmente o volume e a sensibilidade das informações tratadas por clínicas médicas. Esse cenário amplia oportunidades assistenciais, aprimora diagnósticos, viabiliza medicina personalizada e reduz custos operacionais. No entanto, também potencializa riscos de ciberataques, vieses algorítmicos, e aumento da sofisticação das fraudes.
Em síntese, para clínicas médicas, proteger dados não é apenas uma obrigação jurídica: trata-se de preservar a confiança que fundamenta a relação médico-paciente e de garantir a continuidade do cuidado em um ambiente digital que combina oportunidades de inovação com riscos cada vez mais complexos à privacidade.
*Letícia Piasecki Martins é sócia do Meira Breseghello Advogados e membro da Comissão de Direito Médico e de Saúde da OAB São Paulo.
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Nova norma do CFM: conflitos de interesse e a transparência
O Conselho Federal de Medicina (CFM), desde março deste ano, implementou uma norma que exige que médicos informem ao Conselho a existência de vínculos com empresas farmacêuticas e fabricantes de próteses, como participação em palestras, consultorias ou pesquisas. Entretanto, em uma notícia recente foi informado que apenas 30 médicos brasileiros declararam vínculos com a indústria da saúde, conforme determina o CFM. E esse número se torna mais preocupante quando vemos o último levantamento do Conselho, de 2024, que diz que o Brasil possui 575.930 médicos ativos.
Vale dizer que, a norma não exige que o profissional declare informações sobre valores recebidos ou outros benefícios, somente a existência do vínculo. Ou seja, não se trata de proibir a relação entre médicos e indústria, mas de garantir que essas conexões sejam transparentes.
O problema surge quando essas relações permanecem ocultas, comprometendo a credibilidade das decisões clínicas e da própria medicina como instituição social.
A transparência é um valor ético fundamental e não uma mera exigência burocrática. É o que permite ao paciente compreender o contexto em que determinada conduta médica é adotada e ao mesmo tempo preservar a integridade do profissional. A bioética nos ensina que o dever de declarar vínculos é um compromisso com a justiça e com a confiança pública, princípios que sustentam a autonomia e segurança do paciente, além da integridade da relação médico-paciente.
Também, não podemos decretar o baixo índice de declarações somente por falta de comunicação institucional. Ele também reflete a fragilidade da cultura de compliance no ambiente médico e a resistência que ainda existe quando o assunto é prestação de contas. O CFM, ao criar a resolução, deu um passo importante, mas a ausência de divulgação ampla, de mecanismos simples de declaração e da publicação dos dados em formato acessível à sociedade enfraquece o alcance da medida. Transparência não se impõe apenas por norma, ela se constrói com educação, sensibilização e exemplo.
Nos Estados Unidos, por exemplo, existe a lei Sunshine Act que obriga a divulgação pública dos pagamentos realizados pela indústria a médicos, com detalhamento de valores e natureza dos serviços. O objetivo é garantir que eventuais conflitos de interesse sejam conhecidos e geridos de maneira responsável. No Brasil, a resolução do CFM é um passo inicial na mesma direção, mas ainda tímido diante do tamanho do desafio.
Por isso, falar sobre conflito de interesse não é apontar culpa, é reconhecer que o exercício da medicina acontece em um ambiente complexo, onde ciência, mercado e assistência se entrelaçam. O que se espera de uma instituição madura, é que reconheça esses riscos e os administre com transparência e ética. A omissão, por outro lado, fragiliza a confiança do paciente, expõe o profissional e compromete a credibilidade do sistema.
A bioética e o compliance caminham lado a lado na construção de uma cultura de integridade. É preciso que médicos, gestores e entidades representativas compreendam que declarar vínculos não é se expor, mas se proteger. A transparência fortalece o cuidado, protege o paciente e preserva a dignidade da profissão.
*Camila Cortez é advogada, consultora, palestrante especializada em Bioética, Direito Médico e Healthcare Compliance, fundadora da KCortez Consultoria, Diretora e Professora do Instituto BIOMEDS.
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A cláusula de coparticipação em contratos de seguro de saúde
O crescente número de demandas judiciais que buscam a declaração de nulidade ou a caracterização de abusividade das cláusulas de coparticipação tem ampliado o debate acerca da legalidade dessas disposições nos contratos de planos de saúde.
No entanto, uma simples análise da legislação vigente e da jurisprudência atual, à luz do princípio do equilíbrio contratual, evidencia que a cláusula de coparticipação constitui uma manifestação legítima da autonomia da vontade das partes no momento da pactuação do contrato de adesão ao plano de saúde.
Isso porque, nessa modalidade, o consumidor, ao optar por uma mensalidade mais acessível, assume o compromisso de arcar com um valor adicional fixo destinado à contraprestação devida à operadora, responsável pelo custeio do valor remanescente do procedimento, permitindo que os custos dos serviços sejam distribuídos entre as partes e assegurando o equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
A Lei nº 9.656/98, em seu art. 16, VIII, reconhece expressamente a validade da coparticipação, desde que haja previsão contratual clara, com identificação dos procedimentos sujeitos ao regime e definição objetiva dos percentuais aplicáveis.
A regulamentação infralegal reverbera o mesmo entendimento: a Resolução CONSU nº 8/1998 apenas veda mecanismos que imponham ao beneficiário o custeio integral do procedimento ou dificultem indevidamente o acesso ao serviço, enquanto a Resolução Normativa nº 465/2021 da ANS estabelece que a coparticipação está limitada a 50% do valor contratado entre operadora e prestador, devendo observar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.
É evidente, assim, que a principal finalidade da modalidade de coparticipação é assegurar o equilíbrio econômico-financeiro do contrato, atuando como mecanismo de moderação no uso dos serviços e de repartição equitativa dos custos.
Esse modelo possibilita a manutenção de mensalidades mais acessíveis, amplia o acesso dos consumidores aos serviços de saúde e vincula parte do pagamento ao uso efetivo do plano, contribuindo, assim, para a sustentabilidade do sistema de saúde suplementar e para a prevenção de aumentos generalizados nas mensalidades de todos os beneficiários. Desse modo, quem mais utiliza, pagará mais do que quem menos utiliza.
A jurisprudência, de igual modo, é firme ao reconhecer a validade da cláusula de coparticipação, desde que observados os deveres de informação e transparência contratual.
O judiciário, nesse contexto, tem papel relevante para estabilizar a judicialização das demandas que questionam as cláusulas e os cálculos de coparticipação nessa modalidade de contratação, o que deve ser feito, por um lado, para confirmar se as operadoras estão aplicando as coparticipações e os reajustes anuais de forma legal e, de outro lado, rechaçar com firmeza as milhares de ações, muitas delas movidas em massa mediante advocacia predatória e que genericamente discutem nulidade ou abusividade de cláusulas contratuais, de cálculos de coparticipação e de reajustes.
Não se pode, assim, desconsiderar que a adoção de uma interpretação consumerista irrestrita, sem observância dos princípios contratuais, fragiliza a segurança jurídica e desconsidera o pacto assumido entre as partes, além de efetivamente contrariar os dispositivos legais e regulamentares incidentes sobre a questão.
Ao aderir ao contrato, as partes assumem obrigações recíprocas, uma vez que cabe à operadora prestar informações adequadas e fornecer demonstrativos claros das cobranças, enquanto ao beneficiário incumbe o dever de adimplir a parcela proporcional ajustada e ao judiciário, ainda, preservar o equilíbrio dessas relações.
Na hipótese de controvérsia, é de se ressaltar que a análise técnica por perito atuarial é essencial para verificar a regularidade das cobranças e subsidiar a análise do magistrado acerca da aderência do contrato às normas regulatórias e às práticas de mercado, permitindo uma decisão mais bem embasada e que possa contribuir para a formação de uma jurisprudência técnica sobre o tema.
Assim, a modalidade de coparticipação não deve ser vista como obstáculo ao direito à saúde, mas como ferramenta essencial à ampliação do acesso à saúde e à manutenção da viabilidade econômica dos planos de saúde privados, amplamente respaldada na legislação e nas resoluções da agência reguladora do setor.
*Luana Sales Barros da Silva é advogada no Serur.
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PORTAL REVISTA COBERTURA
A Nova Autogestão em Saúde
A Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, na reunião da Diretoria Colegiada realizada no dia 31 de outubro p.p, aprovou a nova redação da resolução normativa que trata das entidades de autogestão no âmbito do sistema de saúde suplementar.
José Luiz Toro da Silva
O órgão regulador reconheceu que se fazia mister a alteração da regulação das autogestões em saúde porque a norma existente caracteriza um alto custo regulatório, podendo resultar na "insustentabilidade econômico-financeiro e descontinuidade de suas operações", não obstante o relevante papel social que exercem, pois não possuem finalidade lucrativa e são geridas pelos seus membros, empresas patrocinadoras ou mantenedoras, empregados e servidores públicos, representando mais de 4 milhões de beneficiários. Reconheceu a ANS que a norma até então vigente estabelecia critérios e condições restritivas, restringindo o acesso de muitas empresas e de categorias profissionais a esse exitoso modelo assistencial, mantida, porém, a regulação aplicável às autogestões de recursos humanos e órgãos assemelhados.
Aludida alteração foi objeto de inúmeros estudos e análises, bem como de intensa participação social e amplo debate.
As alterações aprovadas pela ANS referem-se, principalmente: (i) à ampliação do grupo familiar dos participantes, podendo abranger parentes consanguíneos e por afinidade até o 4º. Grau; (ii) a eliminação das restrições que existiam sobre a necessidade de as empresas patrocinadoras/mantenedoras serem do mesmo ramo de atividade ou grupo econômico; (iii) possibilidade de autogestões de uma ou mais categorias profissionais, eliminando restrição que existia; e (iv) a possibilidade das autogestões compartilharem a sua rede de prestadores de serviços com outras operadoras de planos privados de assistência à saúde.
A nova norma permitirá que pessoas jurídicas de ramos diversos possam se associar para a implantação de uma entidade de autogestão ou a integração a uma já existente, com objeto social exclusivo, destinada a proporcionar um plano de saúde mais acessível para os seus colaboradores. Doravante, empresas diversas, inclusive aquelas que estão em um mesmo distrito industrial, por exemplo, poderão constituir uma entidade de autogestão em saúde. Foi abolida a necessidade de correlação de atividades para patrocinadores u mantenedores das autogestões. As regras de convivência entre as empresas participantes são disciplinadas através de um convênio de adesão.
Igualmente, também foi afastada a exigência de associações ou fundações de uma única categoria profissional para a formação de um plano de saúde próprio, na modalidade de autogestão. Agora, categorias profissionais diversas poderão se unir, visando a constituição de um plano mais sólido e representativo, fortalecendo os princípios do mutualismo e solidariedade. Tal alteração facilitará e ampliará, por exemplo, a formação de autogestões, por iniciativa de Sindicatos, Associações Profissionais e outras formas de representação de categoriais profissionais. A norma também trata da elegibilidade de militares e ex-militares de um ou vários entes federativos.
As alterações foram realizadas, a fim de ampliar a elegibilidade das autogestões de saúde, devendo ser preservado o princípio da representatividade, pois o "ato constitutivo da entidade de autogestão deverá prever que todos os beneficiários titulares que contribuam para o custeio do plano de saúde, bem como o mantenedor ou patrocinador, serão elegíveis para compor seu órgão máximo de administração, bem como quaisquer outras instâncias de caráter deliberativo, fiscalizador ou consultivo, quando existentes". Esse aspecto é que diferencia as autogestões dos outros segmentos do mercado de saúde suplementar. A nova norma estabelece uma estrutura organizacional mínima que deverá ser observada pelas entidades de autogestão, pois os beneficiários titulares, os mantenedores e patrocinadores não são simples contratantes, mas sim os proprietários da entidade de autogestão, devendo participar de sua administração.
As alterações realizadas abrem, inclusive, a possibilidade de potenciais beneficiários e empresas, atualmente sem qualquer assistência suplementar à saúde, se tornarem elegíveis para a constituição ou a integração a uma entidade de autogestão, "estimulando o mercado e aumentando o acesso da população à saúde", lembrando que os planos de autogestão não possuem finalidade lucrativa, sendo que todos os seus resultados são revertidos para a própria entidade, sem distribuição de lucros e dividendos para seus dirigentes ou associados, bem como não possuem custos de intermediação e estão sujeitos a um regime tributário diferenciado, pois possuem natureza jurídica associativa ou fundacional.
Enfim, citada norma corrige uma situação limitadora que existia, proporcionando uma ampliação da elegibilidade do grupo de beneficiários, com a oxigenação das carteiras das autogestões, estimulando o mercado e aumentando o acesso da população à serviços de saúde de qualidade, geridos pelo seus beneficiários titulares e empresas patrocinadoras ou mantenedoras, observadas as garantias e reservas financeiras determinadas pela legislação vigente, observados os conceitos de mutualismo, solidariedade e sociedade civil organizada.
A nova norma ampliará a concorrência, com reflexos nos preços e na qualidade atualmente oferecida, com potencial de ampliação da massa atualmente assistida pelos planos privados de assistência à saúde.
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PORTAL TERRA
Grupos monetizam desinformação sobre autismo e vendem substância tóxica a quem busca cura
Roberta encontrou em uma comunidade online a promessa de cura de seu filho de cinco anos, diagnosticado com autismo. Seguindo orientações, ela deu ao menino algumas doses de dióxido de cloro, e também ingeriu o mesmo líquido, para tratar outros problemas de saúde. O que os dois tomaram como medicamento alternativo é, na verdade, uma substância tóxica e corrosiva, usada na fabricação de produtos de limpeza. Após alguns dias, o efeito era devastador.
Mãe relata ter ido para o hospital com o filho após ambos tomarem dióxido de cloro.
"Pensei que íamos morrer", relatou a mãe, no grupo de mensagens que a aconselhava. Mas ela não se queixava nem admitia ter sido iludida - queria saber o que tinha feito de errado. Outros usuários e administradores do grupo, que lucram com a venda do falso medicamento, a incentivaram a voltar a intoxicar a criança, com a falsa alegação de que isso iria curá-la. O "tratamento" tinha duração de três meses.
A reportagem teve impacto antes mesmo de sua publicação. Depois que o Estadão Verifica questionou o governo brasileiro sobre a propagação de desinformação sobre saúde no Telegram, a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou um pedido formal à empresa para remover grupos e canais que vendiam ilegalmente dióxido de cloro como suposta cura para doenças, do câncer ao autismo. Segundo o governo, 30 comunidades foram removidas em 19 de setembro. Grupos monitorados pelo Verifica, porém, continuam ativos.
No banco de dados da FGV estão cerca de 60 milhões de postagens publicadas em grupos do Telegram considerados conspiracionistas, em toda a América Latina e no Caribe. Foram identificadas cerca de 47 mil publicações que difundiram informações incorretas ou enganosas sobre autismo em aproximadamente 1.600 grupos e canais abertos ao público. Nessas comunidades há 4 milhões de usuários. Os pesquisadores mapearam menções a mais de cem diferentes substâncias ou procedimentos para tratar autismo nos grupos de Telegram, sendo que o dióxido de cloro é de longe a indicação mais citada. Os dados mostram que o número de mensagens enganosas sobre o transtorno aumentou mais de 150 vezes em cinco anos.
A amostra analisada revela que as comunidades se organizam majoritariamente por país, mas há também evidências de articulação internacional. Cerca de 15 mil posts idênticos, parte em espanhol e parte em português, circularam em comunidades colombianas e brasileiras. Já o Chile divide quase 4 mil conteúdos iguais com a Colômbia e 3 mil com o México, e esses dois últimos países têm 5,4 mil posts em comum.
A investigação identificou, por exemplo, um post que circulou em um grupo chileno em 2021 e, em 2023, passou por comunidades da Colômbia e do México. No ano seguinte, chegou aos brasileiros. A publicação é um compilado de links com orientações sobre como usar dióxido de cloro.
A segunda mensagem, também em espanhol, afirma que uma criança desenvolveu autismo após receber 18 vacinas em um único dia, o que demonstraria a relação de causa e efeito. Esse boato, que também circula no Brasil, foi checado e desmentido pelo Estadão Verifica em 2024.
Riscos para a saúde
O neurocientista Bambini explica que o dióxido de cloro é um agente oxidante altamente tóxico. "Não existe cenário seguro para seu uso terapêutico", disse. A ingestão pode causar lesões severas no trato gastrointestinal, vômitos, diarreia intensa, queimaduras nas mucosas e desidratação, com impacto ainda maior em crianças.
Em mensagens monitoradas pelos checadores, é possível observar que sintomas como náusea, ardência, vômitos e diarreia são apresentados como sinais de "desintoxicação", o que acaba normalizando reações que indicam início de lesões. De acordo com Bambini, esses sintomas refletem os danos imediatos que o dióxido de cloro pode causar. O efeito oxidativo do produto pode destruir células da boca, do esôfago e do intestino, além de provocar sangramentos, inflamação aguda e perdas rápidas de líquido. "A agressão às mucosas ocorre logo nas primeiras exposições", afirmou.
O neurocientista ressalta que os riscos vão além do sistema digestivo. O dióxido de cloro compromete a capacidade do sangue de transportar oxigênio. Em níveis mais elevados, pode levar à perda de consciência e até à morte. Autoridades de saúde alertam ainda que o líquido pode afetar negativamente os rins e o fígado. Por isso, instituições como a Food and Drug Administration (FDA), a OMS, a European Medicines Agency (EMA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbem o uso terapêutico do composto.
Pseudocientistas
Em geral, as figuras apresentadas como "especialistas" nas comunidades online não têm formação médica. Na Colômbia, o ColombiaCheck entrevistou um dos nomes mais citados nessas comunidades, Beyman Yepes Murillo, conhecido como Dr. Yepes. Ele admitiu não ser médico e alegou usar o título de "doutor" porque é "chamado assim pelas pessoas porque elas foram curadas".
Yepes disse atuar há quase duas décadas oferecendo consultas virtuais baseadas nos protocolos de Andreas Kalcker e Jim Humble, criadores do MMS. O falso "doutor" relatou prescrever dietas restritivas, desparasitação, enemas e uso contínuo do dióxido de cloro, que descreveu como "inofensivo".
Kerri Rivera, norte-americana que hoje vive no México, é uma figura de culto nos grupos que desinformam sobre o autismo. Em 2013, ela escreveu um livro que promove a alegada cura do transtorno com MMS e que foi removido de plataformas de venda por seu conteúdo enganoso. Rivera não é médica nem tem formação de cientista. Até monetizar a falsa cura com venda de livros, palestras e consultas, era corretora de imóveis.
Andreas Kalcker também é citado frequentemente nessas comunidades como fonte para respaldar as alegações. Ele foi mencionado como um dos maiores promotores do dióxido de cloro na América Latina na investigação A ciência que os promotores do dióxido de cloro realmente dominam, publicada por uma aliança de veículos, incluindo Colombiacheck, em 2022.
Procurado pelo Estadão Verifica, Kalcker alegou não afirmar que existe cura para o autismo no sentido tradicional, mas que "existem abordagens biofísicas que podem melhorar significativamente a qualidade de vida de muitas pessoas". Kerri Rivera, Leo Araujo, Pri Gavazzi e o site Purifica o Brasil também foram procurados, mas não responderam.
No Brasil, vender dióxido de cloro é crime
No ano passado, o Ministério da Justiça no Brasil notificou dez sites de comércio eletrônico brasileiros que vendiam irregularmente dióxido de cloro como tratamento para o autismo e também para "inativar" vacinas - procedimento que só existe no mundo do charlatanismo. Mas alguns deles, como ClO2 e Purifica o Brasil, continuam no ar.
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Assessoria de Comunicação
DIETA: Ipasgo exclui necessidade de autorização prévia para as dietas enterais
Escrito por Administrador
Boa notícia para os hospitais: a nova tabela Mat Med, publicada pelo Ipasgo, exclui a necessidade de autorização prévia para as dietas enterais. A mudança vai ao encontro de uma reivindicação dos hospitais, debatida em reunião do Comitê de Administradores da Ahpaceg, que analisou o novo fluxo determinado pelo Ipasgo para a cobrança, prescrição e evolução das dietas enterais.
A exclusão da autorização confere mais agilidade às prescrições, pois antes os nutricionistas dos hospitais precisavam solicitar nova autorização a cada dez dias para cada paciente. A mudança é considerada uma grande vitória.
“É uma vitória para todos, pois prescrição e evolução são importantes, e as nutricionistas gastavam muito tempo fazendo solicitações de autorização prévia”, observou a consultora regional da Danone, Christine Alves, que participou da reunião do Comitê de Administradores juntamente com administradores, faturistas e nutricionistas das instituições associadas.
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Mulher é presa suspeita de extorquir familiares de pessoas doentes
Sindhoesg inaugura Galeria de Ex-Presidentes em solenidade marcada por história e reconhecimento
https://www.issoegoias.com.br/2025/12/sindhoesg-inaugura-galeria-de-ex.html
ANS atualiza regulamentação de autogestões em saúde após quase 20 anos
Políticas institucionais como tradução da cultura organizacional
Gestão hospitalar em 2026 deve atingir novo patamar com IA
https://medicinasa.com.br/gestao-hospitalar-2026/
Modelos de remuneração por desfecho clínico: como aplicar na prática
https://www.saudebusiness.com/operadoras/modelos-de-remuneracao-por-desfecho-clinico/
TV ANHANGUERA
Mulher é presa suspeita de extorquir familiares de pessoas doentes
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ISSO É GOIÁS
Sindhoesg inaugura Galeria de Ex-Presidentes em solenidade marcada por história e reconhecimento
Goiânia - Em uma solenidade repleta de significado e de história, o Sindhoesg recebeu, na manhã de hoje, 3, um público especial para a inauguração da sua Galeria de Ex-Presidentes. O encontro reuniu os ex-presidentes Luiz Antônio Ludovico de Almeida, Paulo Rassi, José Silvério Peixoto Guimarães e Valney Luiz da Rocha.
Francisco Ludovico de Almeida Neto, primeiro presidente do Sindicato, já falecido, foi representado pela filha Maíra Ludovico. Representantes do setor hospitalar, o presidente do Conselho de Administração da Ahpaceg e familiares dos homenageados também prestigiaram a inauguração.
O presidente do Sindhoesg, Gustavo Clemente, falou sobre a importância do momento e sobre a história construída ao longo de mais de quatro décadas. Ele lembrou que o Sindhoesg nasceu em 1981 e atravessou ciclos marcados por criação, fortalecimento, inovação e modernização. Cada um desses períodos foi conduzido por lideranças que dedicaram tempo, energia e visão ao desenvolvimento da entidade e da saúde privada em Goiás.
Gustavo Clemente enfatizou que a galeria eterniza quem ajudou a formar a identidade do Sindicato, que já teve diferentes nomes – Shoclaesgo, Sessego, Sesg - e hoje se consolida como uma instituição respeitada. Ele destacou o legado de cada presidente, começando pelo fundador, Francisco Ludovico de Almeida Neto, que esteve à frente de 1982 a 1994 e deixou bases sólidas para o crescimento da entidade.
Em seguida, lembrou a consolidação institucional promovida por Luiz Antônio Ludovico de Almeida, presidente entre 1994 e 2000; o avanço no diálogo com o setor durante a gestão de Paulo Rassi, de 2000 a 2006; os anos de transformações e desafios liderados por José Silvério Peixoto Guimarães, de 2006 a 2021; e o período de equilíbrio e foco em resultados conduzido por Valney Luiz da Rocha, entre 2021 e 2024.
“Cada presidente aqui homenageado deixou uma marca própria, contribuiu com seu estilo de gestão e fortaleceu a identidade do nosso Sindicato”, disse Gustavo Clemente, que encerrou agradecendo a presença dos ex-presidentes, o trabalho de suas diretorias e o apoio das famílias que sempre acompanharam esse caminho. Ele declarou oficialmente inaugurada a Galeria, que celebra o passado, fortalece a imagem institucional do Sindhoesg e seu compromisso com o futuro.
Galeria dos Ex-Presidentes do Sindhoesg
PresidentePeríodo
Francisco Ludovico de Almeida Neto 1982 – 1994
Luiz Antônio Ludovico de Almeida1994 – 2000
Paulo Rassi 2000 – 2006
José Silvério Peixoto Guimarães 2006 – 2021
Valney Luiz da Rocha2021 – 2024
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SAÚDE BUSINESS
ANS atualiza regulamentação de autogestões em saúde após quase 20 anos
Atualização da RN 137 moderniza regras para autogestões em saúde e busca reequilibrar o setor após anos de assimetria regulatória.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a atualização da Resolução Normativa (RN) nº 137, que regulamenta o funcionamento das autogestões no sistema de saúde suplementar.
A aprovação da medida ocorreu na reunião de diretoria colegiada, no dia 31 de outubro, e busca corrigir um desequilíbrio regulatório. Segundo a Agência, há quase 20 anos, a resolução impõe custos desproporcionais às entidades desse modelo e ameaça sua sustentabilidade econômica.
A nova normativa moderniza o conceito de autogestão sem alterar sua essência, permitindo maior flexibilidade na operação e na composição das carteiras de beneficiários. Entre as principais mudanças estão:
Multipatrocínio ampliado: possibilidade de participação de patrocinadores de diferentes ramos de atividade, desde que mantida a representatividade;
Categorias profissionais integradas: permissão para que mais de uma categoria componha o mesmo grupo de beneficiários;
Compartilhamento de rede assistencial entre operadoras de diferentes modalidades;
Ampliação do conceito familiar, agora estendido até o quarto grau de parentesco por afinidade;
Uso do plano fora da área de abrangência, autorizado para até 10% dos beneficiários da carteira.
Para Mário Jorge, presidente da UNIDAS, a decisão representa um marco.
“Hoje é um dia histórico para as autogestões em saúde, pelo qual a UNIDAS batalhava há mais de 10 anos. A decisão, contudo, nos impõe novos desafios. Ao reparar um desequilíbrio no setor, a ANS nos oferece a oportunidade de oxigenar o público elegível, sem perder de vista o nosso papel social e a natureza de nossa atuação, que coloca o beneficiário no centro do cuidado”, afirmou.
As restrições que vigoravam até agora — como a obrigatoriedade de patrocinadores do mesmo ramo e os limites às categorias profissionais — foram estabelecidas em 2006, com a criação da RN 137. Desde então, apenas uma modificação relevante havia sido feita, em 2014, sem resolver os entraves ao crescimento das autogestões.
Os dados da ANS reforçam a disparidade. Entre 2006 e 2025, as operadoras de mercado tiveram expansão de quase 50% no número de beneficiários, enquanto as autogestões — entidades sem fins lucrativos e de forte papel social — mantiveram crescimento modesto. Essas organizações contribuem historicamente para aliviar a demanda sobre o SUS, ao atender diretamente trabalhadores e seus dependentes.
Diante desse cenário, a UNIDAS defendia, há mais de uma década, a revisão da norma. O debate ganhou força nos últimos três anos, culminando na aprovação, uma conquista significativa para as operadoras de autogestão e um passo importante na busca por maior equilíbrio regulatório no setor.
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Políticas institucionais como tradução da cultura organizacional
Diretrizes organizacionais transmitem valores e sustentam a cultura de qualidade, segurança e ética no cuidado.
Toda instituição tem políticas, normas e diretrizes que regem seu funcionamento. Algumas são escritas com rigor técnico, outras se acumulam em manuais, intranets e comunicados. Mas o que muitas organizações de saúde ainda não perceberam é que as políticas institucionais são a tradução mais visível da cultura organizacional.
O jeito como uma política é criada, comunicada e vivida no dia a dia revela muito mais sobre a identidade de uma instituição do que slogans em campanhas ou frases inspiradoras nas paredes. Uma política é um espelho de valores. Mostra o que a organização realmente acredita, prioriza e tolera.
Cultura organizacional: o que não está escrito, mas é praticado
Cultura organizacional é, essencialmente, o conjunto de crenças, hábitos e comportamentos que definem como as pessoas agem quando ninguém está olhando. Ela não está no manual de conduta, está na prática cotidiana, nas decisões pequenas, nas reações a crises, no tratamento dado às pessoas e na coerência entre discurso e ação.
Mas embora a cultura seja algo invisível, as políticas institucionais são o seu meio mais concreto de materialização.
Uma instituição que valoriza a segurança do paciente, por exemplo, traduz isso em políticas claras, objetivas e acessíveis.
Uma organização que realmente acredita na transparência estabelece políticas de comunicação interna e gestão de dados consistentes.
E uma instituição que fala sobre gestão de pessoas demonstra isso também em suas políticas de recursos humanos e de apoio emocional às equipes.
As políticas são, portanto, a cultura em linguagem formal.
Entre o que está escrito e o que é vivido
O maior risco das políticas institucionais é quando elas se transformam em textos decorativos, criados para atender a auditorias, certificações ou exigências externas, sem estarem verdadeiramente incorporadas à cultura da instituição.
Quantas vezes encontramos políticas impecáveis no papel, mas que não se refletem na prática diária?
Políticas de humanização que não chegam aos corredores.
Políticas de comunicação que não orientam a realidade do diálogo entre setores.
Políticas de gestão de riscos que não são conhecidas por quem executa as tarefas críticas.
Essa desconexão entre o formal e o vivido geram riscos institucionais: os profissionais percebem o abismo entre o discurso e a prática e deixam de acreditar nas intenções da organização de saúde.
Uma política que não se traduz em comportamento perde credibilidade e fragiliza a cultura.
Políticas que educam e sustentam comportamentos
As políticas são ferramentas pedagógicas. Elas não apenas definem o que pode ou não ser feito, mas também educam as pessoas sobre o que é valorizado, permitido e incentivado na instituição.
Uma política bem construída:
Traduz o propósito em práticas concretas;
Garante coerência nas decisões entre diferentes áreas;
Cria previsibilidade e segurança psicológica, porque as regras são claras e justas;
Favorece a integração de novos profissionais, que compreendem rapidamente “como as coisas funcionam por aqui”.
Por isso, políticas não devem ser apenas instrumentos administrativos. Elas são documentos de cultura, capazes de orientar, inspirar e alinhar comportamentos.
O papel das lideranças na tradução da cultura
Líderes são os principais tradutores da cultura e, consequentemente, das políticas. São eles que garantem que o conteúdo das políticas se torne ação. Quando um líder respeita e faz cumprir uma política institucional, ele reforça o senso de coerência e justiça. Quando ignora ou relativiza, transmite a mensagem de que as regras são opcionais.
As políticas só ganham vida quando a liderança:
As comunica de forma clara e humana;
As explica no contexto da missão institucional;
As aplica com consistência, sem exceções injustificadas;
As utiliza como ferramenta de desenvolvimento, não de punição.
Em outras palavras, o líder é o elo entre o que está escrito e o que é vivido.
Políticas e cultura da qualidade na saúde
No setor da saúde, as políticas institucionais têm um papel ainda mais sensível: elas sustentam a qualidade, a segurança e a ética do cuidado.
O verdadeiro diferencial não está em “ter as políticas”, e sim em como elas orientam o comportamento das pessoas. Uma política de segurança do paciente não muda nada se for desconhecida ou ignorada. Ela precisa ser vivida como princípio, não como documento.
Da mesma forma, políticas de gestão de pessoas ou de comunicação institucional, quando realmente aplicadas, fortalecem a cultura de confiança, diálogo e corresponsabilidade. Cada política é uma peça que compõe o mosaico da cultura da qualidade e quando todas se alinham, a instituição alcança coerência organizacional.
Podemos afirmar que toda política institucional comunica valores, mesmo que de forma indireta. Quando há coerência entre valores e políticas, a cultura se fortalece. Quando há divergência, surgem ruídos e desconfiança. Uma instituição que diz valorizar o aprendizado, mas não oferece políticas que incentivem a educação permanente, contradiz seu próprio discurso.
Quando há desalinhamento entre o que está escrito e o que é vivido, as políticas passam a ser vistas como imposições. Isso gera resistências, desmotivação e descrédito. O profissional deixa de enxergar sentido nas normas, e o comportamento coletivo tende a se afastar daquilo que a organização deseja cultivar.
O resultado é o que poderíamos chamar de “burocracia cultural”: estruturas rígidas que tentam regular tudo, mas não transformam nada. A solução é devolver às políticas o seu verdadeiro papel: instrumentos de coerência cultural.
Políticas que inspiram
Políticas institucionais não são apenas ferramentas de gestão. Elas são instrumentos de narrativa organizacional. Contam, em linguagem formal, quem somos, o que acreditamos e como queremos agir.
Quando bem construídas e aplicadas com coerência, as políticas se tornam poderosas tradutoras da cultura: conectam valores à prática, estratégia à rotina, e propósito à entrega. Por outro lado, quando se distanciam da realidade, elas deixam de educar e passam a engessar.
O desafio das lideranças é garantir que cada política seja mais do que um documento: seja uma expressão viva da cultura organizacional, capaz de inspirar, orientar e transformar. Porque, no fim, as instituições são aquilo que suas pessoas fazem todos os dias e as políticas existem justamente para garantir que esse fazer cotidiano continue alinhado ao propósito que dá sentido à existência de todos nós.
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MEDICINA S/A
Gestão hospitalar em 2026 deve atingir novo patamar com IA
A gestão hospitalar está prestes a dar um salto tecnológico significativo em 2026, impulsionada pela expansão do uso de Inteligência Artificial (IA), pelo avanço de soluções de automação e pelo aumento dos investimentos em infraestrutura de TI. A combinação entre pressão por eficiência e necessidade de modernização tem levado hospitais a priorizar tecnologias capazes de simplificar rotinas, melhorar a experiência do paciente e reduzir custos operacionais.
A consolidação da IA como ferramenta cotidiana nas operações hospitalares deve marcar o próximo ano. Modelos inteligentes tendem a se expandir para áreas administrativas, como faturamento, auditoria e regulação, além de apoiar decisões clínicas com base na análise de indicadores e previsões operacionais.
Esse movimento acompanha a crescente maturidade do setor em relação à digitalização, que orienta a busca por soluções simples, integradas e orientadas por dados. A IA deixa de ser vista como promessa e passa a assumir papel prático, entregando resultados concretos às instituições.
A modernização da infraestrutura de TI está diretamente ligada a essa evolução. Nos últimos anos, organizações de saúde têm acelerado a migração para sistemas mais seguros e interoperáveis, capazes de suportar o uso intensivo de dados e aplicações baseadas em IA. A adoção de plataformas integradas também ganha força, já que unificar informações assistenciais, administrativas e financeiras em um único ambiente é essencial para reduzir erros, eliminar retrabalho e melhorar a tomada de decisão.
Ao mesmo tempo, o aumento contínuo dos custos médicos e operacionais exige práticas mais eficientes. Ferramentas de análise e monitoramento de indicadores, acompanhadas de soluções preditivas, tornam-se indispensáveis para apoiar a gestão estratégica. A governança de dados também se fortalece como necessidade, impulsionando políticas de segurança, padronização, interoperabilidade e auditoria dos sistemas inteligentes.
O ano de 2026 tende a se consolidar como marco para instituições que buscam modernizar suas operações sem adicionar complexidade. A integração entre sistemas, o uso de IA e a capacitação das equipes passam a ser pilares para acompanhar uma sociedade em constante transformação e cada vez mais exigente por soluções tecnológicas que sustentem um novo patamar da gestão hospitalar.
*Kele Dias é Executiva de Negócios da CeosGO.
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Modelos de remuneração por desfecho clínico: como aplicar na prática
A transição do fee for service para o value-based healthcare é imperativa para a sustentabilidade.
O sistema de saúde brasileiro, historicamente guiado pelo modelo fee for service (pagamento por serviço), enfrenta desafios de sustentabilidade e qualidade assistencial.
Como alternativa, os modelos de remuneração por desfecho clínico ganham força ao substituir o pagamento por volume pelo valor entregue ao paciente, medido pelos resultados alcançados.
Apesar do avanço global da Saúde Baseada em Valor, sua adoção no Brasil ainda é limitada: apenas cerca de 10% dos hospitais possuem contratos realmente baseados em valor. Esse cenário reforça a urgência de uma mudança estrutural.
Para impulsionar essa transição, a ANS vem publicando guias e diretrizes que orientam a implementação desses modelos.
Embora exijam transformação organizacional, os pagamentos por desfecho trazem benefícios claros: melhor alinhamento de incentivos, compartilhamento de riscos e maior sustentabilidade hospitalar.
Tipos de modelos de pagamento baseados em valor
A remuneração baseada em valor não se resume a um único formato. Existem diversos modelos de pagamento que podem ser aplicados de forma isolada ou combinada, essenciais na transição para o Value-Based Healthcare (VBHC).
Pagamentos por Pacote (Bundled Payments)
Também conhecidos como bundles ou pagamentos empacotados, este modelo estabelece um valor fixo e pré-negociado para a jornada completa do paciente em um episódio específico de cuidado (ex: cirurgia de joelho, tratamento de parto).
O pagamento cobre todos os serviços essenciais (hospitalização, honorários médicos, medicamentos, reabilitação) dentro de um período definido.
O prestador assume o risco de custos acima do pacote, mas se beneficia da eficiência operacional em saúde e da redução de custos com qualidade se entregar o desfecho clínico esperado.
Pagamento por Capitação (Capitation)
Neste modelo, o prestador recebe um valor fixo mensal por beneficiário (Per Member Per Month – PMPM), independentemente da utilização dos serviços.
Para que seja um modelo baseado em valor, a captação deve incluir incentivos por performance clínica e estar atrelada a metas de qualidade e prevenção, promovendo a integração do cuidado e coordenação assistencial.
Pagamento por Desempenho (Pay for Performance)
Conhecido como P4P, este modelo oferece um pagamento adicional ou bônus ao prestador, condicionado ao cumprimento de metas pré-estabelecidas, geralmente relacionadas a métricas de qualidade assistencial e indicadores clínicos e assistenciais.
Embora não substitua o modelo de remuneração principal (podendo ser fee for service, capitation ou bundle), adiciona uma camada de incentivos por performance clínica, focando em resultados específicos.
Como começar a aplicar modelos de remuneração por desfecho clínico
A aplicação bem-sucedida de modelos de remuneração por desfecho clínico requer uma base sólida de tecnologia, governança e mudança cultural.
1. Mapeamento da linha de cuidado e análise de prontidão
A operadora e o prestador devem avaliar sua maturidade. Isso inclui:
Avaliação de maturidade digital, infraestrutura e governança.
Identificação de processos críticos e gargalos assistenciais que impactam os desfechos.
2. Definição de indicadores de desfecho e processo
O sucesso do pagamento por resultado depende da medição correta:
Estabelecer KPIs clínicos (ex: taxa de reinternação), operacionais (ex: tempo de espera) e de experiência do paciente (PX) como métrica.
É importante realizar o ajuste de risco populacional para garantir que a remuneração seja justa.
3. Estruturação de integração e interoperabilidade
O fluxo de dados é o coração dos modelos de remuneração por valor em hospitais, o que inclui:
Unificação de dados assistenciais e financeiros (ERP, prontuário eletrônico, BI).
Implementação de dashboards, auditoria contínua e gestão robusta de contratos.
4. Criação dos modelos contratuais
A negociação de contratos baseados em desfechos deve ser transparente:
Definir as métricas de valor que serão remuneradas.
Estabelecer critérios de elegibilidade claros para o paciente.
Detalhar os riscos compartilhados e os mecanismos de incentivo e penalidade.
5. Governança clínica e capacitação
O engajamento das equipes é vital para o sucesso dos incentivos por performance clínica:
Obter o engajamento médico e das equipes multiprofissionais.
Desenvolver uma cultura orientada a desfechos e responsabilidade em saúde.
6. Pilotos, escalabilidade e melhoria contínua
É fundamental iniciar de forma controlada e evoluir gradualmente:
Começar com projetos piloto por linha de cuidado (ortopedia, cardiologia, oncologia) ou procedimentos de alto custo.
Realizar a medição real de impacto e implementar ciclos de ajustes contínuos.
Exemplo de aplicação no Brasil
A migração para remuneração por desfecho clínico é promissora em áreas de alto volume e previsibilidade. Um exemplo prático no Brasil é a aplicação desses modelos na cirurgia ambulatorial.
Os pacotes de cuidado aumentam a eficiência e a resolutividade, pois o prestador é incentivado a tratar o paciente de forma rápida, segura e com foco no desfecho clínico. Ao evitar internações prolongadas e reduzir complicações, esse modelo alinha qualidade assistencial e sustentabilidade financeira.
Ao priorizar a qualidade e a eficiência operacional em saúde, operadoras e prestadores se unem em torno do paciente. Essa é a chave para a sustentabilidade e para a entrega do verdadeiro valor em saúde.
Dúvidas frequentes
Quais são os 7 tipos de remuneração?
Os 7 tipos mais comumente citados, incluindo modelos híbridos e de transição, são:
Fee for Service: Pagamento por item de serviço.
Capitação (Capitation): Pagamento fixo por paciente/mês.
Pagamento por Pacote (Bundled Payments): Pagamento fixo por episódio de cuidado.
Pagamento por Desempenho (P4P): Bônus por metas de qualidade.
Diária Global: Valor fixo por dia de internação.
Salário: Remuneração fixa de profissionais em estruturas próprias.
Modelos Híbridos/Compartilhamento de Risco (Global Budget, Shared Savings): Combinação de métodos para incentivar a responsabilidade em saúde e o compartilhamento de risco.
Quais são os modelos de pagamento dos planos de saúde?
O modelo dominante nos planos de saúde é o fee for service. Contudo, as operadoras de saúde brasileiras estão em transição, buscando implementar modelos alternativos, como:
Pagamento por Capitação;
Pagamento por Pacote;
Pagamento por Desempenho (P4P).
Esses modelos são fundamentais para garantir a sustentabilidade e a qualidade da saúde suplementar, alinhando os interesses da operadora e do prestador aos desfechos em saúde do paciente.
Modelos de remuneração do mercado de saúde?
O mercado de saúde global e brasileiro está em um movimento de convergência para o Value-Based Healthcare. Além do fee for service, os modelos de remuneração por desfecho clínico mais aplicados incluem os contratos baseados em desfechos, os Pagamentos por Pacote e o P4P.
O futuro aponta para a predominância de modelos híbridos de remuneração e o uso de contratos baseados em performance e risco ajustado, que garantem o foco na prevenção e na avaliação de desfechos em saúde.
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Assessoria de Comunicação
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Medicina personalizada deve transformar modelo assistencial
Planos de saúde coletivos apresentam leve redução em 2025
https://monitormercantil.com.br/planos-de-saude-coletivos-apresentam-leve-reducao-em-2025/
Judicialização da saúde consome R$ 1,84 bilhão com dez medicamentos mais caros
A cláusula de coparticipação em contratos de seguro de saúde
https://medicinasa.com.br/clausula-coparticipacao/
Violência contra médicos abre discussões do II Webinar do CFM
https://portal.cfm.org.br/noticias/violencia-contra-medicos-abre-discussoes-do-ii-webinar-do-cfm
Como implementar a gestão de cuidado preventivo nas operadoras
https://www.saudebusiness.com/operadoras-de-saude/gestao-de-cuidado-preventivo/
REVISTA COBERTURA
Medicina personalizada deve transformar modelo assistencial
Novo relatório da série Caminhos da Saúde Suplementar 2035 destaca impactos clínicos, econômicos e tecnológicos da genômica, da saúde digital e da desospitalização para o setor
A adoção da medicina personalizada baseada em genômica pode transformar profundamente o modelo assistencial da saúde suplementar brasileira, com impacto direto na sustentabilidade e nos resultados clínicos, indica a nova edição da série Caminhos da Saúde Suplementar: Perspectivas 2035, do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). O estudo projeta que a incorporação coordenada de tecnologias de precisão pode gerar economia potencial de R$ 15 bilhões a R$ 25 bilhões ao ano, impulsionada por diagnósticos mais precisos, terapias otimizadas, prevenção personalizada de doenças crônicas e expansão do cuidado domiciliar estruturado. e acesse a íntegra do estudo.
Para José Cechin, superintendente executivo do IESS, a área vive um ponto de virada. "A medicina personalizada tem capacidade real de reorganizar o sistema, permitindo que o setor ofereça cuidado mais eficiente, mais seguro e mais sustentável. Estamos diante de uma mudança estrutural na forma como tratamos, prevenimos e acompanhamos as doenças."
Segundo o relatório, a medicina personalizada já apresenta evidências robustas de benefício em áreas como oncologia, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Em câncer, a precisão terapêutica pode elevar as taxas de resposta de 25% a 30% para 60% a 75%, enquanto na cardiologia a abordagem personalizada reduz 25% a 35% dos eventos maiores. A nutrigenômica - área que relaciona variações genéticas às respostas nutricionais - demonstrou reduzir em 71% a incidência de diabetes tipo 2 em intervenções baseadas no perfil genético individual.
O avanço tecnológico também tem sido determinante para viabilizar essa transição. O custo do sequenciamento do genoma completo caiu de US$ 3 bilhões em 2003 para menos de US$ 1.000 em 2023, abrindo espaço para uso populacional, tanto em prevenção quanto em estratificação de risco. A farmacogenômica, por sua vez, já mostra resultados imediatos, com redução de 30% a 50% dos eventos adversos medicamentosos e economia anual média de US$ 5.535 por beneficiário em programas estruturados.
Cechin destaca o potencial econômico dessa mudança: "Ao reduzir complicações evitáveis, ajustar o tratamento ao perfil genético e permitir intervenções mais precoces, a medicina personalizada não apenas melhora o desfecho dos pacientes como reduz desperdícios. É uma combinação rara em saúde: melhores resultados com menor custo."
A desospitalização também aparece como elemento central da reorganização assistencial. Iniciativas internacionais de "Hospital at Home" mostram reduções expressivas de custos (32%), tempo de internação (33%) e readmissões em 30 dias (58%). Embora experiências iniciais na saúde suplementar brasileira indiquem resultados promissores, apenas 12-15% das operadoras mantêm programas estruturados de cuidado domiciliar, segundo o estudo.
A incorporação integrada de saúde digital - incluindo monitoramento remoto, inteligência artificial e telemedicina - é apontada como habilitadora estratégica da medicina personalizada. Dispositivos de monitoramento contínuo, combinados a algoritmos preditivos, já são capazes de identificar deterioração clínica com até 84% de acurácia, possibilitando intervenções precoces e redução de hospitalizações.
Apesar do potencial, o IESS ressalta que o avanço da medicina personalizada enfrenta desafios regulatórios, tecnológicos e educacionais. Entre eles, lacunas na legislação brasileira para dados genômicos, ausência de um marco de não discriminação genética, limitações de infraestrutura tecnológica e baixa capacitação profissional - apenas uma parcela reduzida dos médicos se considera apta a interpretar testes genéticos.
Cechin reforça a necessidade de coordenação entre os atores do setor: "Se o Brasil quiser aproveitar essa oportunidade, operadoras, prestadores, reguladores e instituições de pesquisa precisarão se mover juntos. A medicina personalizada exige novos arranjos regulatórios, integração de dados e investimentos consistentes em qualificação profissional."
Para acelerar essa transição até 2035, o estudo propõe quatro pilares estratégicos: infraestrutura genômica compartilhada, programa nacional de nutrigenômica aplicada, expansão estruturada da desospitalização e modelos de remuneração baseados em valor, com reinvestimento das economias obtidas em inovação e ampliação do acesso.
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MONITOR MERCANTIL
Planos de saúde coletivos apresentam leve redução em 2025
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) atualizou o Painel de Reajustes de Planos Coletivos, ferramenta que reúne estatísticas consolidadas sobre os aumentos aplicados pelas operadoras em contratos coletivos empresariais e por adesão. Segundo a agência reguladora, o reajuste médio aplicado a esses contratos de assistência médico-hospitalar de janeiro a agosto de 2025 foi de 11,15%, uma leve redução em relação ao reajuste médio do ano anterior.
Diferentemente do que faz com os planos de saúde individuais, a ANS não define um índice de reajuste específico para os coletivos. Porém, esses planos estão no radar de observação da agência. "São fiscalizados principalmente por meio da análise de reclamações de consumidores e da garantia de cumprimento de regras contratuais e de atendimento". A agência atua para evitar abusos e inconsistências, podendo intervir em casos de práticas consideradas irregulares, como reajustes excessivos e não previstos.
O Painel de Reajustes de Planos Coletivos apresenta informações agrupadas por tipo de contratação, porte do contrato, modalidade e porte da operadora, e permite consultas individualizadas por empresa. "Os percentuais refletem os reajustes anuais informados pelas operadoras com base na variação de custos efetivamente praticada", explica a agência.
As informações do painel são alimentadas pelo conjunto de dados "Reajuste de Planos Coletivos", disponível no Portal Brasileiro de Dados Abertos. Os dados abrangem os reajustes praticados nos contratos firmados sob a regulamentação da Lei nº 9.656/98, com preço preestabelecido, e são atualizados trimestralmente após o encerramento do envio dos comunicados pelas operadoras.
Regras
Os contratos com menos de 30 vidas - que são reajustados de acordo com as regras do Agrupamento de Contratos -, o percentual médio aplicado no período foi de 14,81%, quase cinco pontos percentuais acima dos contratos de maior porte, que registraram reajuste médio de 9,95%. O distanciamento entre os dois grupos se manteve no comparativo com ciclos anteriores.
O Painel destaca que um em cada quatro beneficiários em contratos coletivos reajustados em 2024 estava vinculado a contratos com menos de 30 vidas (23,9%). A proporção se manteve nos primeiros oito meses de 2025 (23,6%). Dentro deste grupo, os contratos com até cinco vidas ampliaram sua participação ao longo dos anos: de 4,7% em 2014 para 14,8% em 2024 e 15% até agosto de 2025.
Nos planos exclusivamente odontológicos, o reajuste médio entre janeiro e agosto de 2025 foi de 3,68%, permanecendo estável em relação a 2024 e abaixo dos valores praticados em 2022 e 2023.
Nesse segmento, os contratos com menos de 30 vidas registraram reajuste médio de 5,29%, enquanto os contratos de maior porte tiveram média de 3,27% no mesmo período. Diferentemente dos produtos médico-hospitalares, os planos odontológicos não seguem a regra de agrupamento de contratos.
Os dados mostram ainda que a participação dos contratos odontológicos com menos de 30 vidas aumentou de 9,7% em 2014 para 21,2% em 2024.
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CÂMARA DOS DEPUTADOS
Judicialização da saúde consome R$ 1,84 bilhão com dez medicamentos mais caros
A judicialização da Saúde no Brasil levou, até agosto deste ano, a gastos superiores a R$ 1,8 bilhão apenas na compra dos dez medicamentos mais caros, todos decorrentes de ações individuais. Esse valor não inclui despesas geradas por decisões em ações coletivas.
A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados realizou audiência pública para discutir o tema. Debatedores defenderam a adoção da medicina baseada em evidências como estratégia para reduzir gastos e dar mais segurança às decisões judiciais.
A responsável pela área de judicialização no Ministério da Saúde, Tarciana Barreto, informou que quase um quinto do total foi gasto com o medicamento Elevedys, terapia genética usada no tratamento da distrofia muscular de Duchenne. Segundo ela, não há comprovação científica suficiente sobre sua eficácia.
"Foram registradas mortes relacionadas ao uso do Elevedys no exterior. Se ele não tivesse sido suspenso pela Anvisa, os 216 pareceres executórios recebidos pelo Ministério da Saúde poderiam ter gerado quase R$ 2 bilhões em gastos", afirmou.
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP), autora do requerimento da audiência, lembrou que a tendência também ocorre no setor privado. Em 2023, ações contra planos de saúde ultrapassaram 234 mil processos, aumento de 60% em relação a 2020. A judicialização da saúde suplementar gerou R$ 5,5 bilhões em gastos no ano passado.
"Estamos falando da sustentabilidade do SUS e da saúde suplementar. Os impactos atingem pacientes e famílias, e lidamos com um orçamento finito diante de necessidades infinitas", afirmou a parlamentar.
A deputada defende que decisões judiciais se baseiem em evidências científicas e diretrizes transparentes, para garantir segurança aos pacientes e ao sistema.
Segundo dados do Ministério da Saúde, gastos com decisões individuais representam quase um terço do orçamento anual do Mais Médicos (R$ 6,4 bilhões); quase metade do Brasil Sorridente (R$ 4,2 bilhões); um quinto do Programa Nacional de Imunizações (R$ 8,6 bilhões); e equivalem ao orçamento anual do Samu.
O Ministério lembrou que, até 2024, decisões judiciais eram baseadas apenas em relatórios médicos e direcionadas a tecnologias não incorporadas ao SUS. Decisão do Supremo Tribunal Federal (temas 6 e 1234, que originaram as súmulas vinculantes 60 e 61) determinou que a concessão de medicamentos não incorporados deve ser excepcional.
Nos últimos cinco anos, 70% de todo o gasto federal com judicialização foi destinado à compra de apenas dez medicamentos. A procuradora nacional da União de Políticas Públicas da AGU, Cristiane Souza Fernandes Curto, destacou que sete em cada dez brasileiros dependem do SUS, o que representa mais de 150 milhões de pessoas.
Uso distorcido
A coordenadora de Saúde na Secretaria de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Priscila Louly, destacou a necessidade de evitar o uso distorcido do Judiciário. Dados da Advocacia-Geral da União mostram que, no ano passado, R$ 2,7 bilhões atenderam decisões judiciais que beneficiaram apenas 6 mil pacientes - valor equivalente ao orçamento do programa Farmácia Popular.
"Hoje lidamos com medicamentos de altíssimo custo. Há dez anos, o remédio mais caro custava R$ 80 mil. Hoje há tratamentos que chegam a R$ 10 milhões ou R$ 20 milhões por paciente", afirmou.
Falhas no acesso
Para a cardiologista Ludhmilla Hajjar, a judicialização reflete falhas de acesso no sistema de saúde, e não uma disputa entre cidadãos e o Estado.
"Uma mãe que busca um medicamento na Justiça não está contra o Estado; ela está tentando salvar o filho. O Judiciário virou a última porta de socorro, e essa porta está sobrecarregada, colocando em risco a sustentabilidade do sistema", disse.
Ela defendeu o fortalecimento da medicina baseada em evidências, tanto para orientar decisões judiciais quanto para agilizar o registro de novos medicamentos.
Similares
A diretora de Acesso ao Mercado da Interfarma, Helaine Capucho, informou que sete das dez moléculas mais pedidas na Justiça já estão incorporadas ao SUS. Entre as que ainda não foram incorporadas, muitas têm genéricos ou similares disponíveis no mercado brasileiro, mas o processo regulatório pode levar até quatro anos.
Entre as sete moléculas mais demandadas que já estão no SUS, cinco ainda aguardam a publicação de protocolo clínico, etapa que pode levar até 16 meses, seguida por mais de dois anos para a primeira compra
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MEDICINA S/A
A cláusula de coparticipação em contratos de seguro de saúde
O crescente número de demandas judiciais que buscam a declaração de nulidade ou a caracterização de abusividade das cláusulas de coparticipação tem ampliado o debate acerca da legalidade dessas disposições nos contratos de planos de saúde.
No entanto, uma simples análise da legislação vigente e da jurisprudência atual, à luz do princípio do equilíbrio contratual, evidencia que a cláusula de coparticipação constitui uma manifestação legítima da autonomia da vontade das partes no momento da pactuação do contrato de adesão ao plano de saúde.
Isso porque, nessa modalidade, o consumidor, ao optar por uma mensalidade mais acessível, assume o compromisso de arcar com um valor adicional fixo destinado à contraprestação devida à operadora, responsável pelo custeio do valor remanescente do procedimento, permitindo que os custos dos serviços sejam distribuídos entre as partes e assegurando o equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
A Lei nº 9.656/98, em seu art. 16, VIII, reconhece expressamente a validade da coparticipação, desde que haja previsão contratual clara, com identificação dos procedimentos sujeitos ao regime e definição objetiva dos percentuais aplicáveis.
A regulamentação infralegal reverbera o mesmo entendimento: a Resolução CONSU nº 8/1998 apenas veda mecanismos que imponham ao beneficiário o custeio integral do procedimento ou dificultem indevidamente o acesso ao serviço, enquanto a Resolução Normativa nº 465/2021 da ANS estabelece que a coparticipação está limitada a 50% do valor contratado entre operadora e prestador, devendo observar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.
É evidente, assim, que a principal finalidade da modalidade de coparticipação é assegurar o equilíbrio econômico-financeiro do contrato, atuando como mecanismo de moderação no uso dos serviços e de repartição equitativa dos custos.
Esse modelo possibilita a manutenção de mensalidades mais acessíveis, amplia o acesso dos consumidores aos serviços de saúde e vincula parte do pagamento ao uso efetivo do plano, contribuindo, assim, para a sustentabilidade do sistema de saúde suplementar e para a prevenção de aumentos generalizados nas mensalidades de todos os beneficiários. Desse modo, quem mais utiliza, pagará mais do que quem menos utiliza.
A jurisprudência, de igual modo, é firme ao reconhecer a validade da cláusula de coparticipação, desde que observados os deveres de informação e transparência contratual.
O judiciário, nesse contexto, tem papel relevante para estabilizar a judicialização das demandas que questionam as cláusulas e os cálculos de coparticipação nessa modalidade de contratação, o que deve ser feito, por um lado, para confirmar se as operadoras estão aplicando as coparticipações e os reajustes anuais de forma legal e, de outro lado, rechaçar com firmeza as milhares de ações, muitas delas movidas em massa mediante advocacia predatória e que genericamente discutem nulidade ou abusividade de cláusulas contratuais, de cálculos de coparticipação e de reajustes.
Não se pode, assim, desconsiderar que a adoção de uma interpretação consumerista irrestrita, sem observância dos princípios contratuais, fragiliza a segurança jurídica e desconsidera o pacto assumido entre as partes, além de efetivamente contrariar os dispositivos legais e regulamentares incidentes sobre a questão.
Ao aderir ao contrato, as partes assumem obrigações recíprocas, uma vez que cabe à operadora prestar informações adequadas e fornecer demonstrativos claros das cobranças, enquanto ao beneficiário incumbe o dever de adimplir a parcela proporcional ajustada e ao judiciário, ainda, preservar o equilíbrio dessas relações.
Na hipótese de controvérsia, é de se ressaltar que a análise técnica por perito atuarial é essencial para verificar a regularidade das cobranças e subsidiar a análise do magistrado acerca da aderência do contrato às normas regulatórias e às práticas de mercado, permitindo uma decisão mais bem embasada e que possa contribuir para a formação de uma jurisprudência técnica sobre o tema.
Assim, a modalidade de coparticipação não deve ser vista como obstáculo ao direito à saúde, mas como ferramenta essencial à ampliação do acesso à saúde e à manutenção da viabilidade econômica dos planos de saúde privados, amplamente respaldada na legislação e nas resoluções da agência reguladora do setor.
*Luana Sales Barros da Silva é advogada no Serur.
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PORTAL CFM
Violência contra médicos abre discussões do II Webinar do CFM
Com alertas sobre casos de violência contra médicos e casos de gestores que pretendem submeter o profissional a trabalho escravo, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, deu início às discussões do II Webinar do Médico Jovem, realizado pela autarquia nesta terça-feira (2). Entre os exemplos relatados pelo diretor do CFM, Hiran citou o caso recente de uma médica diplomada há poucos anos gravemente ferida no rosto em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no município de Aparecida de Goiânia (GO), demonstrou indignação com o crime e declarou que a profissional receberá o apoio dos Conselhos de Medicina. “Não podemos deixar isso acontecer. A pessoa jamais vai pensar que no local de trabalho, trazendo saúde para o paciente, será agredida pelo próprio paciente”, lamentou.
O coordenador da Comissão de Integração do Médico Jovem do CFM, Bruno Leandro de Souza, também destacou a preocupação com o tema. Nossa sociedade está doente, mas quando essa doença atinge os locais onde estão pessoas que saem de suas casas para ajudar, acolher, confortar, curar, quando possível, isso se torna muito mais assustador”, lamenta o conselheiro.
Resolução CFM – Como ação do Conselho no combate à violência contra médicos, o presidente do Conselho destacou a aprovação da Resolução CFM 2.444/2025, que “estabelece garantias de segurança para os médicos no exercício de sua atividade profissional em todas as unidades de saúde em funcionamento no território nacional e normas para a fiscalização e a interdição ética”. A norma é relatada pelo conselheiro federal pelo Rio de Janeiro, Raphael Câmara e foi editada pelo CFM em agosto.
A Resolução foi apresentada pelo relator após a abertura do seminário online, que pela manhã também discute temas como publicidade médica e as vantagens e desvantagens do trabalho médico como Pessoa Jurídica. Assista à íntegra do evento em CFM AO VIVO : II Webinar de Integração do Médico Jovem | Portal Médico
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SAÚDE BUSINESS
Como implementar a gestão de cuidado preventivo nas operadoras
O cuidado preventivo é a chave para o equilíbrio financeiro e a melhoria dos desfechos clínicos.
Investir em saúde preventiva contribui para a redução dos gastos assistenciais. É por isso que a gestão de cuidado preventivo vem ganhando espaço como estratégia central para as operadoras de saúde.
O avanço da Atenção Primária, os modelos baseados em valor e a necessidade de controlar custos tornaram o cuidado preventivo em saúde uma prioridade. Ao estruturar processos, dados e fluxos assistenciais, as operadoras conseguem intervir antes das complicações, oferecer acompanhamento contínuo e fortalecer a coordenação do cuidado.
A seguir, veja como programas de prevenção de doenças, rastreamentos regulares e monitoramento de saúde preventiva mostram impacto direto na redução de internações evitáveis e na melhora da experiência do paciente.
Como implementar a gestão de cuidado preventivo nas operadoras
O que é gestão de cuidado preventivo e por que ela é essencial nas operadoras
A gestão de cuidado preventivo é um conjunto de estratégias e práticas sistêmicas que visam identificar, acompanhar e intervir em grupos populacionais, com os seguintes objetivos:
evitar o surgimento de doenças (prevenção primária),
detectar condições em estágios iniciais (prevenção secundária) e
evitar a progressão de agravos e complicações (prevenção terciária).
Em essência, o acompanhamento contínuo do paciente busca promover a saúde e bem-estar do paciente, com uma integração entre níveis de cuidado.
A gestão de cuidado preventivo é o pilar central da gestão do cuidado em atenção primária (APS). A APS atua como o coordenador do cuidado preventivo e a porta de entrada preferencial, garantindo o acompanhamento contínuo do paciente.
É na APS que o cuidado centrado no paciente se manifesta, sendo o ponto ideal para a identificação de riscos, a realização de rastreamento e check-ups regulares, e a implementação de intervenções precoces em saúde.
Como estruturar um modelo preventivo eficiente
A adoção de um modelo de gestão de cuidado preventivo exige metodologia e compromisso com o acompanhamento contínuo do paciente.
É importante investir na integração dos dados, treinamento de equipes, protocolos claros e uma visão populacional. A seguir, um passo a passo direto para implementação:
1. Diagnóstico inicial da população
É fundamental conhecer o perfil epidemiológico dos beneficiários, incluindo dados demográficos, principais morbidades e indicadores de utilização de serviços. Essa análise orienta intervenções mais precisas e o gerenciamento de riscos à saúde.
2. Coleta e integração de dados assistenciais
Utilize prontuários eletrônicos e informações de laboratórios para criar uma visão unificada e completa da jornada de saúde do paciente. O uso de dados para gestão preventiva sustenta decisões clínicas mais rápidas e assertivas.
3. Estratificação de risco baseada em evidências
Classifique os beneficiários em diferentes grupos de risco (baixo, moderado e alto) para focar os recursos onde eles são mais necessários e garantir o gerenciamento de riscos.
Essa etapa define prioridades, intensidade de cuidado e ações proativas, além de estruturar cuidados preventivos e personalizados.
4. Criação de programas preventivos por linha de cuidado
Desenvolva programas de prevenção de doenças direcionados (ex: diabetes, hipertensão, saúde da mulher), utilizando protocolos clínicos preventivos específicos para cada condição. A lógica de gestão populacional em saúde garante continuidade e foco no paciente.
5. Implementação de protocolos integrados (APS, especialistas, navegação)
Padronize condutas com protocolos clínicos preventivos. A integração entre níveis de cuidado reduz a duplicidade de exames e melhora o fluxo assistencial.
Além disso, a integração do cuidado é um dos pilares da Saúde Baseada em Valor (SBV), que tem como foco principal a otimização dos desfechos clínicos para o paciente por um custo acessível.
6. Tecnologia e ferramentas de apoio
Investir em plataformas de analytics, inteligência artificial e telemonitoramento para o controle da saúde preventiva e o suporte à decisão clínica, com a ajuda da tecnologia.
7. Educação permanente do beneficiário
Promover a medicina preventiva e promoção da saúde por meio de comunicação clara e constante inventiva o engajamento e a maior adesão a tratamentos e programas. Isso aumenta a satisfação dos usuários e reduz complicações.
8. Métricas, KPIs e monitoramento contínuo
Definir indicadores de desempenho (KPIs) relacionados tanto a resultados clínicos (desfechos) quanto a resultados econômicos (custos e sinistralidade) para avaliar o sucesso e realizar ajustes.
Relacionado:[E-book] SBF 2025: insights estratégicos para gestores de saúde: Como implementar a gestão de cuidado preventivo nas operadoras
Benefícios da gestão de cuidado preventivo
A saúde preventiva transforma a operadora de um simples pagador de contas para um verdadeiro gestor de saúde. Os resultados são percebidos tanto no balanço financeiro quanto na qualidade de vida dos beneficiários.
Para operadoras
Nas operadoras, a redução de internações evitáveis é um dos primeiros resultados percebidos. Intervenções precoces diminuem a necessidade de procedimentos de alta complexidade, além de garantir uma atenção humanizada.
A sinistralidade também tende a cair quando há controle mais efetivo das doenças crônicas e prevenção de agravos. A estabilização dos casos permite que a operadora mantenha custos mais previsíveis ao longo do tempo.
Outro efeito positivo é a otimização dos custos assistenciais, que surge como consequência direta da realocação inteligente de recursos, com prioridade para a Atenção Primária. Esse movimento fortalece a porta de entrada, amplia resolutividade e evita duplicidades.
À medida que a população crônica é acompanhada de forma estruturada, a previsibilidade financeira também tende a melhorar. Com isso, a operadora consegue projetar despesas com maior segurança e tomar decisões mais estratégicas.
O fortalecimento da APS se torna evidente quando os fluxos preventivos estão integrados. A atenção integrada e preventiva aumenta a coordenação do cuidado e cria uma experiência mais consistente para o beneficiário.
Como efeito da gestão de cuidado preventivo está o aumento da eficiência operacional, a partir da padronização de processos e com a atuação conjunta das equipes. A coordenação reduz retrabalhos, falhas de comunicação e inconsistências assistenciais.
Para beneficiários
Do lado dos beneficiários, a adesão aos tratamentos aumenta quando o cuidado é centrado na pessoa e quando existe uma relação mais próxima e de confiança com a operadora. Isso favorece o engajamento e melhora o acompanhamento.
As complicações e agravos se tornam menos frequentes quando há detecção precoce e monitoramento contínuo. O paciente recebe suporte antes que a condição evolua, evitando eventos graves.
Além disso, o acompanhamento contínuo e personalizado garante que cada beneficiário receba a atenção adequada ao seu perfil de risco. Programas de gestão populacional tornam o cuidado mais direcionado e efetivo.
A melhoria dos desfechos clínicos reflete a soma dessas práticas. O beneficiário experimenta uma vida mais saudável, com menos episódios críticos e maior estabilidade de saúde.
A experiência de cuidado também se torna mais positiva quando o paciente se sente monitorado, orientado e amparado. Isso fortalece a relação com a operadora e ajuda a construir confiança no sistema.
Por fim, o incentivo à promoção da saúde ganha força quando a operadora atua como parceira ativa na construção de hábitos saudáveis. O beneficiário percebe que existe uma preocupação contínua, que vai além do tratamento de doenças.
Em resumo, a transição para um modelo focado na gestão de cuidado preventivo é o caminho mais sustentável para a redução de custos por prevenção e a garantia de excelência assistencial.
Operadoras que investem na gestão preventiva se posicionam como líderes, oferecendo valor real para seus beneficiários e estabilidade para seus acionistas.
Dúvidas frequentes
O que é cuidado preventivo?
O cuidado preventivo se refere a todas as ações e serviços de saúde destinados a evitar doenças, lesões e outras condições de saúde. Isso inclui desde a vacinação e orientação sobre estilo de vida até exames de rastreamento e intervenções para reduzir fatores de risco específicos.
O que é gestão preventiva?
Gestão preventiva, no contexto de saúde suplementar, é a aplicação de técnicas de gestão para organizar e otimizar os recursos (humanos, financeiros e tecnológicos) em função da saúde da população.
Isso envolve a utilização do uso de dados para gestão preventiva e a implementação de programas de prevenção de doenças com o objetivo de gerar valor, reduzir riscos e diminuir custos a longo prazo.
O que é gestão do cuidado?
A gestão do cuidado se dedica a garantir que o paciente receba o cuidado certo, no lugar certo e no momento certo. Ela envolve a coordenação de serviços, a comunicação entre os profissionais de saúde e a integração entre níveis de cuidado (APS, secundário e terciário).
Quais são os 4 tipos de prevenção?
Os quatro tipos de prevenção em saúde são classificados de acordo com o momento da intervenção no curso da doença:
Prevenção Primária: Evitar a ocorrência da doença (ex: vacinação, promoção de hábitos saudáveis).
Prevenção Secundária: Detectar a doença em estágios iniciais, antes do surgimento dos sintomas (ex: exames de rastreamento, como a mamografia).
Prevenção Terciária: Minimizar as complicações de uma doença já estabelecida, reabilitar o paciente e melhorar a qualidade de vida (ex: gestão de pacientes crônicos, fisioterapia após AVC).
Prevenção Quaternária: Evitar a medicalização excessiva e iatrogenias, protegendo o paciente de intervenções desnecessárias.
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Assessoria de Comunicação
Ahpaceg e Anahp avançam em parceria estratégica para fortalecer setor de saúde
Escrito por Administrador
O presidente da Ahpaceg, Renato Daher, e a executiva da entidade, Lorena Telles, estiveram na sede da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), em São Paulo, em uma agenda dedicada ao intercâmbio de experiências e ao alinhamento de uma parceria estratégica entre as instituições. O encontro teve como foco o fortalecimento do setor de saúde em Goiás e no cenário nacional.
Durante a visita e em reunião com Thiago Camargo, diretor de Gestão e Projetos da Anahp, foram discutidas iniciativas que devem impulsionar a atuação conjunta das duas entidades ao longo dos próximos anos. Uma das frentes já definidas é a realização de um evento conjunto em abril de 2026, que marcará o início formal das ações conjuntas.
Renato Daher destaca que novidades importantes estão por vir, e a expectativa é que 2026 seja marcado por uma agenda robusta de atividades integradas, reforçando o papel de ambas as organizações na defesa e no desenvolvimento do setor de saúde privado no país.
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
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O futuro das cirurgias minimamente invasivas e da medicina regenerativa: conheça a One STEP®
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O papel dos médicos na evolução da medicina digital
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Testamento Vital: proteção e garantia das vontades do paciente
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Dasa anuncia o uso da IA para laudos de ultrassom em tempo real
Política nacional visa aprimorar os programas de residência em saúde
MEDICINA S/A
O futuro das cirurgias minimamente invasivas e da medicina regenerativa: conheça a One STEP®
Práticas minimamente invasivas, foco em regeneração e controle rigoroso dos tecidos despontam como tendências para os próximos ciclos.
À medida que o ano chega ao fim, médicos e equipes clínicas renovam o interesse por abordagens cirúrgicas que entregam resultados superiores com menos trauma e mais segurança. Práticas minimamente invasivas, foco em regeneração e controle rigoroso dos tecidos despontam como tendências para os próximos ciclos.
A técnica One STEP®, criada pelo cirurgião plástico Dr. Patricio Centurion e lançada em 2017 pela DMC, tem sido reconhecida entre especialistas como um avanço relevante nesse cenário.
Baseada em um comprimento de onda específico (diferente dos métodos convencionais à base de laser tradicional), ela atua seletivamente sobre as células do tecido adiposo, promovendo procedimentos mais seguros e eficientes. São mais de 6.500 casos de sucesso realizados no Brasil, com destaque para aplicações em lipoaspiração, lipedema, reconstrução mamária, tratamento de feridas complexas, lesões articulares e outros protocolos de medicina regenerativa.
O que torna a One STEP® diferente: Diferencial técnico-científico e preservação tecidual
A One STEP® é fruto de uma engenharia óptica avançada. Seu diferencial está na emissão de luz com potência controlada, abaixo da temperatura corporal, e no comprimento de onda preciso, que permite uma atuação seletiva sobre as células. Isso garante maior preservação dos tecidos, menor risco inflamatório e mais conforto ao paciente.
Publicações científicas indexadas na PubMed confirmam que, apesar de outras tecnologias no mercado proporem abordagens semelhantes, nenhuma alcança o nível de preservação tecidual, eficácia regenerativa e segurança clínica proporcionada pela One STEP®. A técnica é a primeira, e até então única, no Brasil a atender às diretrizes da Resolução da Diretoria Colegiada nº 508 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que trata sobre as boas práticas com células humanas para uso terapêutico e pesquisas clínicas.
Aplicações: Da Medicina Regenerativa à Estética de alta precisão
A tecnologia tem sido amplamente utilizada em tratamentos regenerativos, com destaque para a extração de células-tronco do tecido adiposo. A One STEP® otimiza esse processo ao facilitar a retirada da gordura de forma mais seletiva e segura. O tecido é então centrifugado na própria sala de cirurgia, permitindo sua manipulação imediata. Trata-se de um avanço significativo em eficácia clínica e redução de custos, ao eliminar etapas laboratoriais externas.
Essas células regenerativas são empregadas com sucesso em tratamentos de feridas complexas, como as decorrentes de diabetes avançado, além de atuarem em reconstruções mamárias pós-mastectomia, promovendo melhor integração celular e recuperação funcional da área afetada.
O São Paulo Futebol Clube, por exemplo, integrou recentemente a tecnologia em seu protocolo de tratamento de lesões. Essa inovação, que aplica células-tronco mesenquimais retiradas da gordura do próprio atleta para tratar e acelerar a recuperação, coloca o Tricolor como pioneiro no uso da técnica no Brasil, evidenciando a excelência da One STEP®.
Fora dos campos, a aplicação clínica é igualmente relevante. Mulheres em tratamento de lipedema — condição que afeta entre 10% e 18% da população feminina — beneficiam-se de procedimentos menos invasivos. A técnica, ao preservar melhor os tecidos e permitir uma extração mais seletiva da gordura, oferece resultados clínicos superiores com menor risco de complicações nos casos em que a cirurgia é necessária. O tempo de recuperação reduzido significa maior qualidade de vida durante o processo.
Na medicina estética, a tecnologia One STEP® tem sido aplicada com destaque em procedimentos como a lipoaspiração e lipoescultura de alta precisão. Sua ação seletiva foca diretamente nas células de gordura, preservando as áreas ao redor, o que reduz o trauma cirúrgico, a dor no pós-operatório e acelera a recuperação do paciente, resultando também em melhores desfechos clínicos.
Comece o ano com uma tecnologia de ponta: Por que implementar a One STEP® em 2026?
Para o médico que busca elevar o padrão de suas cirurgias, a One STEP® é um protocolo consolidado, respaldado por resultados clínicos, validado por parcerias estratégicas — como a do São Paulo FC — e humanizado por histórias reais de pacientes que recuperaram sua autoestima por meio de cirurgias menos invasivas e com menos complicações.
A tecnologia é utilizada em procedimentos de lipoaspiração de alta definição, reconstruções mamárias, tratamentos de cirurgia vascular e áreas como urologia, ortopedia, coloproctologia, entre outras— uma abrangência que poucas soluções no mercado conseguem oferecer.
A One STEP® oferece um treinamento teórico e prático sem custo: basta acessar o site e entrar na fila de espera. O treinamento possibilita o contato com um cirurgião com ampla experiência no uso da técnica, além de demonstração em um caso real de utilização da técnica.
Mais de 600 especialistas no país já usam a One STEP ®em diversas aplicações.
Para saber mais sobre como trazer a tecnologia para dentro do seu consultório e iniciar 2026 com uma tecnologia de ponta que pode revolucionar sua prática cirúrgica, acesse o site da One STEP®.
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O papel dos médicos na evolução da medicina digital
Na era da medicina digital, o papel dos profissionais nas mais diversas funções e hierarquias vem sendo redefinido para atender às novas demandas da área. Os médicos, por exemplo, não atuam mais somente no cuidado direto ao paciente, mas tem participação essencial em todos os processos da cadeia de saúde, inclusive na integração de novas tecnologias aos processos clínicos, liderando a exploração do potencial de recursos como a Inteligência Artificial (IA) e soluções de suporte à decisão clínica (SDC).
Isto porque essas ferramentas não promovem mudanças apenas ao aprimoramento dos processos, redução de burocracias e otimização de custos e da mão de obra. A promoção da IA na saúde é responsável por transformações significativas na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças, além da qualidade do cuidado ofertado aos pacientes.
A base da prática da medicina, desde seus primórdios, é promover o bem-estar humano. Nesse sentido, o uso adequado da IA na área da saúde tem o poder de reforçar essa premissa, desde que os médicos e demais profissionais sigam no controle das tarefas envolvendo essa tecnologia, e não o inverso.
Atualmente, o uso da Inteligência Artificial já possui aderência considerável por parte das instituições de saúde. Segundo pesquisa desenvolvida pela Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) em conjunto com a Wolters Kluwer, 82,3% das instituições de saúde já disponibilizam algum tipo de recurso ou solução de Inteligência Artificial para práticas ou processos pré-estabelecidos.
Em contraponto, de acordo com a pesquisa, 74,5% dos respondentes apontam que a organização está pouco preparada para aplicar o uso de tecnologias de IA nas áreas clínicas nos próximos 2 anos, o que revela uma lacuna no processo de integração da tecnologia à rotina das instituições de saúde no país.
O papel dos médicos e da BEM
Além do obstáculo mencionado, a confiabilidade dos insights gerados também é um dos fatores decisivos para a adoção da IA na medicina. A confiança dos profissionais na tecnologia depende diretamente de um processo editorial criterioso, que articula ciência, julgamento humano e integridade metodológica a partir da Medicina Baseada em Evidências (MBE).
O envolvimento direto dos médicos na inserção da tecnologia na saúde é essencial para garantir que a digitalização seja mantida centrada no paciente e não focada apenas na eficiência do sistema. Se bem integrada, a IA tem o potencial de ampliar a capacidade de resposta clínica, melhorar a relação médico-paciente e ajudar a criar um sistema de saúde mais eficiente e orientado para o ser humano, mas isso depende substancialmente da inclusão do médico neste processo.
A compreensão da jornada do paciente, combinada com as habilidades e a proficiência em IA, pode definir soluções escaláveis, eficazes, sustentáveis e adaptadas ao mundo real, além de protocolos de uso racional e equilibrado do recurso tecnológico, com base nas evidências médicas mais atualizadas disponíveis.
Diante disso, a Inteligência Artificial, alinhada à utilização de soluções de SDC e da MBE, apresenta um grande potencial para alavancar a prestação de cuidados de saúde, principalmente estando integrada à prática clínica por médicos que entendem por completo as novas demandas da medicina digital, sem deixar de lado o bem-estar e o cuidado prestado aos pacientes.
*Allan Conti é Diretor Comercial da Wolters Kluwer Health no Brasil.
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Testamento Vital: proteção e garantia das vontades do paciente
Em um cenário de avanços contínuos na medicina e crescente valorização da autonomia individual, a discussão sobre o planejamento do fim da vida ganha relevância inquestionável. O Testamento Vital, formalmente conhecido como Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV), emerge como um instrumento jurídico e ético fundamental. Ele permite que qualquer pessoa, em pleno gozo de suas faculdades mentais, determine previamente os tratamentos de saúde que deseja ou não receber, caso se encontre em situação de incapacidade de expressar sua vontade.
No Brasil, a ausência de uma lei específica que regulamente o Testamento Vital não o torna inválido ou ineficaz. Pelo contrário, sua fundamentação jurídica reside em princípios constitucionais fundamentais, como a dignidade da pessoa humana (Art. 1º, III, da Constituição Federal) e a autonomia privada (Art. 5º, II). O principal marco regulatório para a classe médica é a Resolução nº 1.995/2012 do Conselho Federal de Medicina (CFM) , que, embora não seja uma lei em sentido estrito, possui força normativa para a categoria e serve como um importante balizador para a aplicação das DAV. Esses princípios asseguram ao indivíduo o direito de decidir sobre seu próprio corpo, inclusive para recusar tratamentos que apenas prolonguem artificialmente a vida em situações irreversíveis.
A Resolução do CFM estabelece que o paciente pode registrar, por escrito, suas vontades quanto aos cuidados médicos, detalhando os procedimentos que aceita ou recusa, de modo a evitar ambiguidades futuras. O documento deve ser elaborado de forma clara e objetiva por escrito, preferencialmente com a presença de duas testemunhas, e registrado em cartório por escritura pública, conferindo-lhe maior segurança jurídica. As DAV prevalecem sobre a vontade de familiares e, via de regra, sobre o parecer médico, desde que não violem o Código de Ética Médica. Além disso, é aconselhável revisar o documento periodicamente, especialmente após eventos significativos na vida, como o diagnóstico de uma nova doença ou mudanças de valores pessoais.
A jurisprudência brasileira, embora ainda em fase de consolidação, tem se mostrado favorável à validade das Diretivas Antecipadas de Vontade. É importante notar que, embora o Superior Tribunal de Justiça (STJ) demonstre uma tendência de flexibilizar as formalidades dos testamentos patrimoniais para preservar a vontade do testador, a discussão sobre o Testamento Vital ganha contornos específicos . Um marco interpretativo fundamental é o Enunciado 597 da V Jornada de Direito Civil do Conselho da Justiça Federal (CJF) , que, embora sem força de lei, representa entendimento doutrinário consolidado e serve de guia para juízes e tribunais. O enunciado afirma: “É válida a declaração de vontade expressa em documento autêntico, também chamado de testamento vital, em que a pessoa estabelece disposições sobre o tipo de tratamento de saúde, ou não tratamento, que deseja no caso de se encontrar sem condições de manifestar a sua vontade.”
Essa orientação reforça a legitimidade das DAV no ordenamento jurídico brasileiro, oferecendo maior segurança tanto para pacientes quanto para médicos. A doutrina especializada reconhece as Diretivas Antecipadas de Vontade como instrumento de efetivação da autonomia privada e do direito à morte digna, permitindo ao indivíduo preservar sua vontade mesmo em situações de vulnerabilidade extrema . Tal entendimento ganhou ainda mais relevância após a pandemia de Covid-19, quando houve um aumento significativo nos registros de Testamentos Vitais no Brasil, evidenciando maior conscientização sobre a fragilidade da vida.
Mais que um documento jurídico, o Testamento Vital é expressão de autonomia e dignidade. Ao elaborá-lo, evita-se a sobrecarga emocional de familiares diante de decisões críticas, assegurando, assim, o respeito às escolhas do paciente e garantindo que sua passagem ocorra de forma condizente com seus valores e convicções.
*Júlia Mauad é Acadêmica do Poletto & Possamai.
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SAÚDE BUSINESS
Dasa anuncia o uso da IA para laudos de ultrassom em tempo real
Além da revisão a expectativa é cruzar informações com exames anteriores do paciente para maior precisão de resultados
A Dasa, empresa brasileira de medicina diagnóstica, implementou uma nova aplicação de inteligência artificial para atuar na verificação de laudos de ultrassonografia nos laboratórios das marcas Delboni e Salomão Zoppi, como uma averiguação adicional. A previsão é de que, no futuro, essa tecnologia seja ampliada para outras marcas do grupo.
De acordo com os responsáveis pela inovação, o sistema atua como um assistente virtual que revisa os laudos antes da entrega e compara as informações com o histórico de exames do paciente. “A inteligência artificial atua como uma segunda checagem dos laudos em busca de inconsistências e alertando para possíveis gaps antes da finalização. Além da revisão interna, também cruza informações com exames anteriores do paciente, elevando o padrão de segurança e precisão dos laudos e fortalecendo a confiança entre médico e paciente”, explica Giancarlo Domingues, superintendente médico de Inovação em Diagnóstico por Imagem e Patologia da Dasa.
Tecnologia aliada a humanização
Para o diretor de Operações Médicas, Alexandre Valim, quanto mais completo o histórico do paciente, mais aprimorada se torna a entrega dos resultados e o apoio aos médicos a cada novo exame. “E, mesmo com a assistência da IA, o médico tem a palavra final, conferindo o resultado para garantir a validação e a responsabilidade do diagnóstico”, complementa Valim.
Desde 2020, a empresa utiliza algoritmos para acelerar a realização de exames de ressonância magnética, aumentando o conforto dos pacientes. Além disso, aplica inteligência artificial em tomografias para identificar achados relevantes, emprega Processamento de Linguagem Natural (NLP) para analisar milhares de laudos por dia e sinalizar resultados críticos, e mantém parcerias tecnológicas, como com o Google Cloud, para leitura automática de pedidos médicos (OCR) e aprimoramentos em sua plataforma digital de saúde, o Nav.
“A Dasa realiza mais de 400 milhões de exames por ano e se relaciona com mais de 20 milhões de pessoas. Inovação e medicina caminham juntas na Dasa. Nosso compromisso é utilizar novas tecnologias de ponta, como a inteligência artificial, para apoiar os médicos, aumentar a precisão e oferecer sempre o melhor cuidado possível aos pacientes”, conclui Valim.
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Política nacional visa aprimorar os programas de residência em saúde
O documento tem o propósito também de ampliar a presença de profissionais em áreas estratégicas do SUS e regiões menos assistidas
A Política Nacional de Residências em Saúde (PNRS) foi aprovada pela Comissão Intergestores Tripartite (CIT), na última quinta-feira, em Brasília. O documento foi elaborado pelos Ministérios da Saúde e da Educação, tem como objetivo consolidar as residências médicas e em áreas profissionais da saúde como uma estratégia prioritária para a formação de especialistas e o fortalecimento do SUS. O próximo passo será a publicação da portaria interministerial no Diário Oficial da União (DOU).
A PNRS é elaborada através de escuta qualificada, discussões em instâncias colegiadas, e consulta pública e tem o compromisso de ordenar a formação especializada pelo SUS – com base nas necessidades regionais e nacionais –, e dimensionar especialistas, apoiando a definição de áreas prioritárias e territórios estratégicos. Também busca expandir e qualificar os programas de residência, garantindo provimento de especialistas em regiões de vazios assistenciais e fortalecer o financiamento tripartite, assegurando sustentabilidade da política.
Benefícios
Entre os objetivos da PNRS, estão qualificar a prática formativa, integrando ensino, serviço e comunidade, orientada pelos princípios do SUS; aprimorar sistemas de gestão, monitoramento e avaliação, garantindo transparência e efetividade; e estimular inovação científica e tecnológica, com produção e disseminação de novos conhecimentos em saúde. A política segue os princípios da equidade na distribuição territorial dos programas e vagas, da integralidade do cuidado em saúde, da interprofissionalidade como base do processo formativo e da segurança do paciente como valor estruturante.
“Com a PNRS vamos expandir e qualificar os programas de residência, reduzindo a desigualdade regional de acesso a especialistas; aprimorar sistemas de gestão, monitoramento e avaliação; ampliar incentivos financeiros; e valorizar residentes, preceptores, tutores e coordenadores, além de realizar ações voltadas para a saúde mental dos residentes”, disse o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço. Conforme o secretário, a política também fortalece o objetivo estratégico do Programa Agora Tem Especialistas de expandir a oferta desses profissionais em áreas estratégicas para o SUS e em regiões menos assistidas.
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Assessoria de Comunicação
Ahpaceg participa da celebração dos 75 anos da AMG e da entrega da Comenda Ordem do Mérito Dr. Luiz Rassi
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