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CLIPPING AHPACEG 07/01/26
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Maturidade digital hospitalar: das promessas às prioridades
https://medicinasa.com.br/maturidade-digital-hospitalar/
Como a incorporação de novas tecnologias pode humanizar a assistência à saúde
https://medicinasa.com.br/incorporacao-tecnologias/
EUA alteram calendário infantil e deixam de recomendar seis vacinas de forma universal
https://ohoje.com/2026/01/06/vacinas-infantis-deixa-de-ser-ofertada-eua/
Fiocruz lança curso gratuito sobre a saúde mental no trabalho
https://www.saudebusiness.com/gestao/curso-aborda-saude-mental-e-estrategias-de-cuidado-no-trabalho/
Hapvida mantém rating AA no MSCI ESG
https://www.saudebusiness.com/hospitais/hapvida-mantem-rating-aa-no-msci-esg/
MEDICINA S/A
Maturidade digital hospitalar: das promessas às prioridades
Encerramos 2025 com uma percepção clara que a maturidade digital dos hospitais não evoluiu na velocidade que esperávamos. Houve avanços importantes, sim, especialmente na expansão da infraestrutura crítica, na integração de dados assistenciais e na adoção de ferramentas de apoio à decisão clínica. Mas também houve desapontamentos por conta das expectativas otimistas sobre a capacidade de execução, orçamento e mudança cultural. Entramos em 2026 com a responsabilidade de fazer um acerto de contas com a realidade, para que possamos construir algo sustentável em vez de repetir promessas vazias.
Uma das frustrações de 2025 foi perceber que parte significativa dos hospitais continuou apostando em soluções de digitalização, como aplicações, interfaces e novos módulos sem equilibrar a base que sustenta tudo isso. Quando faltam redes resilientes, gestão adequada de dispositivos, arquitetura de dados clara e governançaconsistente, qualquer avanço se torna frágil.
Muitos projetos travaram não por questões técnicas, mas estruturais, por conta de ambientes híbridos mal dimensionados, interoperabilidade subestimada, ausência de mapeamento de processos e maturidade baixa em segurança da informação. A consequência foi que as expectativas de automação, integração e eficiência não se concretizaram.
Outra previsão que não se confirmou em 2025 foi a crença de que o corpo clínico estaria mais engajado com novas rotinas digitais. A verdade é que a mudança cultural segue como o principal desafio. Profissionais de saúde lidam com alta pressão assistencial, falta de tempo e processos fragmentados. Esperar adoção imediata de ferramentas digitais, sem repensar fluxos e sem incluir esses profissionais desde o projeto da solução, é um erro. TInão deve ser apenas fornecedora de tecnologia, mas parceira de construção de processos, e quando isso não acontece, a maturidade estagna.
A maturidade digital do setor segue travada pela incapacidade de fazer os sistemas conversarem entre si e seguirmos com a pauta da interoperabilidade. Em 2025, era esperado um avanço mais acelerado em padrões de integração, centralização de dados clínicos e uso inteligente de indicadores assistenciais. Em 2026, não haverá mais espaço para tolerar dados ilhados. Interoperabilidade deixou de ser tendência, é condição mínima para garantir segurança, produtividade e qualidade assistencial.
Se houve um ponto positivo nisso tudo, veio por conta da cibersegurança, já que os incidentes que marcaram o setor deixaram claro que maturidade digital não existe sem uma postura de segurança robusta. Mas apesar dessa tomada de consciência, muitas instituições passaram 2025 ainda “tapando buraco”, em vez de trabalhar com estratégias estruturantes de Zero Trust, controle de acesso, segmentação e gestão contínua de vulnerabilidades. A expectativa otimista de que a segurança estaria mais madura esbarrou nos orçamentos curtos e na dificuldade de reter especialistas.
2026: o ano em que TI precisa assumir seu papel estratégico
O amadurecimento digital dos hospitais não nascerá de compras pontuais de tecnologia, mas da consolidação de uma visão estruturada. No próximo ano, a TI precisa ocupar definitivamente o lugar que ainda hesitamos em assumir, o de área estratégica, orientando a operação e influenciando nas decisões clínicas e administrativas. Isso significa fazer:
- Arquiteturas resilientes, pensadas para cinco ou dez anos, não para resolver o problema imediato;
- Integração real entre tecnologia, governança e corpo clínico;
- Infraestrutura que não seja invisível apenas quando funciona, mas valorizada como base crítica;
- Indicadores assistenciais e operacionais confiáveis, que transformem dados em priorização;
- Segurança da informação como pilar.
Hospitais que desejam dar um salto real em 2026 devem abandonar a ideia de “projeto” como solução isolada e abraçar a jornada como estratégia contínua. Isso exige coragem para rever processos, clareza para priorizar e humildade para reconhecer limites, inclusive os que ficaram expostos ao longo de 2025.
A jornada da maturidade digital requer consistência e se há algo que o último ano nos ensinou, é que somente os hospitais que tiverem disciplina técnica, visão de longo prazo e respeito pelos desafios humanos conseguirão avançar de verdade.
*Edgard Nienkotter é CEO na Hexa IT.
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Como a incorporação de novas tecnologias pode humanizar a assistência à saúde
A implementação de novas tecnologias será o tema em destaque neste ano na área da saúde. O avanço tecnológico é essencial para a medicina e, segundo o professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), uma das soluções para a diminuição das desigualdades sociais.
“Durante a recente pandemia de covid, o sistema de saúde brasileiro estava em uma tragédia sanitária e também em um desencontro político entre diferentes níveis do governo. Os profissionais tiveram que ir para a frente de batalha nas UTIs, no pronto atendimento. Entre os profissionais, pessoas que não atuavam na área fazia um tempo ou jovens recém-formados. Como se faz para capacitar esses trabalhadores e reduzir a letalidade? Um exemplo é a tele-UTI, onde se conseguiu não só monitorar os pacientes a distância, mas também fazer educação com a segunda opinião formativa, passar visita com várias UTIs. As UTIs que, digamos, tiveram que ser montadas às pressas, a mortalidade caiu de 70% para acima de 30%, que era a média mundial”, diz.
Utilização da IA
“O que não pode acontecer é impessoalizar a medicina e fazer do uso de novas tecnologias só o ganho de rentabilidade e não de promoção de maior acesso. Sabe-se o que acontece com algumas organizações financeiras, onde se diminuiu muito o atendimento pessoal. Esse dilema é um dilema moral, ou seja, a inteligência artificial representa o futuro, mas tem que se usar o ato de cuidar. Ele não tem história, ele não tem futuro, nem passado, o ato de cuidar é o mesmo. A forma de cuidar é que pode mudar.”
Além disso, o professor complementa sobre como o uso será influenciado por outras áreas do conhecimento. “Vai-se ter uma grande influência das ciências humanas. Valores como alteridade, ética e valores para entender os aspectos culturais, as opções que as pessoas querem, são de uma importância fundamental. A inteligência artificial vai ter um futuro junto da medicina digital, mas a área terá que ter também os componentes de humanidade do ato de cuidar”.
Capacitação na saúde
A incorporação de novas tecnologias torna necessária uma aprendizagem constante dos novos recursos e uma reinvenção dos mais antigos. Saldiva afirma que “hoje existem infinitas possibilidades de processamento de dados, em que se sabe tudo sobre o indivíduo. O conhecimento desses dados permite que o profissional não só descubra a efetividade de tratamentos ou de novas alternativas, mas também permite que você lucre, como as empresas do mundo financeiro. A medicina vai ter que ter uma constante vigilância nesse dilema. Quando se fala da capacitação, eu vejo que hoje existem muitos recursos para a qualificação e manter-se atualizado na saúde; para isso tem que estudar, através do ato de querer procurar”.
“A medicina está crescendo e a saúde está crescendo de forma exponencial em seu conhecimento. Em algumas áreas, até a primeira metade do século 20, o tempo de duplicação do conhecimento médico era de mais ou menos cinquenta anos, quer dizer, o profissional se formava e, durante a sua vida, ele sabia o suficiente para exercer a profissão estudando pouco. Agora você tem áreas em que o tempo de duplicação é de meses. Isso significa que o trabalhador vai ter que estudar a vida inteira e a inteligência artificial acentua essa situação”, finaliza. (Com informações do Jornal da USP)
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O HOJE
EUA alteram calendário infantil e deixam de recomendar seis vacinas de forma universal
Mudança anunciada pelo governo norte-americano transfere a decisão sobre imunização para famílias e médicos e provoca forte reação de especialistas em saúde pública
O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta segunda-feira (5), uma alteração sem precedentes no calendário de vacinação infantil. A partir de agora, seis vacinas deixam de ser recomendados de forma rotineira para todas as crianças no país. A medida foi divulgada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), atualmente sob comando de Robert Kennedy Jr., e integra uma revisão mais ampla da política de imunização incentivada pelo presidente Donald Trump.
Com a nova diretriz, deixam de constar como recomendações universais as vacinas contra a gripe, hepatites A e B, meningococo, bactéria responsável por casos graves de meningite, vírus sincicial respiratório (VSR), associado à bronquiolite em bebês, e rotavírus, causador de gastroenterites severas. Meses antes, a vacina contra a Covid-19 já havia sido retirada do calendário infantil de recomendação geral.
Decisão compartilhada de imunização com as vacinas e críticas da comunidade médica
A mudança passa a valer imediatamente e altera a lógica da política de prevenção. Os imunizantes agora serão indicados apenas para crianças consideradas de alto risco ou em situações específicas, mediante avaliação médica individual. O modelo adotado pelo governo é o da chamada “decisão compartilhada”, em que profissionais de saúde e responsáveis avaliam conjuntamente a necessidade da vacinação.
A decisão, no entanto, gerou reação imediata entre especialistas. Infectologistas e pediatras alertam que a retirada das vacinas do calendário universal pode resultar em queda da cobertura vacinal e no aumento da circulação de doenças preveníveis, sobretudo em populações mais vulneráveis.
Segundo esses profissionais, comparações com políticas adotadas por outros países desconsideram diferenças significativas entre sistemas de saúde, condições socioeconômicas, acesso a serviços médicos e padrões de circulação de vírus e bactérias. Para eles, o histórico norte-americano de controle de doenças infecciosas está diretamente ligado à ampla adesão às campanhas de vacinação.
“O calendário vacinal infantil dos Estados Unidos é uma das ferramentas mais estudadas e eficazes para prevenir doenças graves e potencialmente fatais”, afirmou o pediatra Sean O’Leary, especialista em doenças infecciosas. De acordo com ele, qualquer revisão nesse sistema deveria se apoiar exclusivamente em evidências científicas sólidas e amplamente consensuais.
A mudança reacende o debate sobre o papel do Estado na promoção da saúde pública e levanta preocupações sobre possíveis impactos a médio e longo prazo na proteção de crianças contra doenças já controladas nas últimas décadas.
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SAÚDE BUSINESS
Fiocruz lança curso gratuito sobre a saúde mental no trabalho
A formação, desenvolvida pelo Observatório Nacional de Saúde Mental e Trabalho, é gratuita e tem como principal objetivo capacitar profissionais da área da saúde.
O Brasil vive uma crise de saúde mental que tem impactado diretamente trabalhadores e empresas. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2024, foram registrados quase meio milhão de afastamentos por questões relacionadas à saúde mental, o maior número dos últimos dez anos. Para enfrentar esse cenário preocupante, um novo curso voltado à Saúde Mental do Trabalhador foi desenvolvido com o objetivo de qualificar profissionais e estudantes para enfrentar esse desafio de forma crítica, preventiva e integrada.
Criado pelo Observatório Nacional de Saúde Mental e Trabalho, o curso é gratuito e on line e tem como objetivo central formar profissionais das áreas da saúde, do trabalho e da gestão pública para reconhecer, analisar e intervir nas dinâmicas que afetam a saúde mental no contexto laboral, promovendo ambientes mais saudáveis e práticas institucionais voltadas à prevenção, à vigilância e ao cuidado psicossocial.
A proposta dialoga diretamente com a realidade vivenciada nos serviços e territórios, buscando fortalecer a atuação das redes de atenção psicossocial (Raps), da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (Renast) e dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest).
A iniciativa nasceu como uma resposta estratégica da crescente incidência de adoecimentos mentais associados ao trabalho, fenômeno agravado por vínculos laborais fragilizados, metas excessivas, assédio e pela ausência de políticas institucionais consistentes de cuidado.
Para Simone Oliveira, coordenadora da nova formação pesquisadora do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh) da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), o acirramento da competitividade, o isolamento e o individualismo cada vez mais intenso precisam ser encarados pela gestão com acolhimento e escuta.
“Apostamos que o processo reflexivo, aliado a espaços de fala, afirmem que os problemas de saúde mental no trabalho são consequência da organização do trabalho, dos modelos de avaliação ancorados apenas em metas, sem valorização dos investimentos subjetivos dos trabalhadores e trabalhadoras para darem conta das tarefas. Nossa expectativa é que o curso contribua com os processos de transformação da realidade do trabalho, coletivamente, e escape da descrição que individualiza e culpabiliza o trabalhador e a trabalhadora pelo atual quadro de aumento do adoecimento em saúde mental, fruto da organização do trabalho”, explica Simone.
A partir da composição do Observatório de Saúde Mental e Trabalho, a realização deste curso surge do encontro de pesquisadores de diferentes instituições universitárias e profissionais da RENAST (Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador) – estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, criada para organizar e implementar ações de promoção, prevenção, vigilância e assistência à saúde relacionadas ao trabalho, visando um cuidado integral aos trabalhadores, através de uma rede de serviços que inclui os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST).
Estruturado em quatro módulos e com carga horária de 20h, o curso aborda desde os fundamentos da relação entre saúde mental e trabalho até estratégias práticas de intervenção.
Inserido nas áreas temáticas de Saúde do Trabalhador, Saúde Mental, Saúde Coletiva, Vigilância em Saúde, Educação e Trabalho e Políticas Públicas, o curso se apresenta como uma iniciativa relevante para profissionais e gestores comprometidos com a construção de práticas institucionais mais humanas, protetivas e sustentáveis, como uma questão coletiva e de saúde pública.
Conheça a estrutura da nova formação:
Módulo 1 – Introdução ao Curso de Saúde Mental no Trabalho
Aborda a definição de saúde mental no trabalho, discutindo o impacto das condições laborais no equilíbrio psíquico e a profunda relação entre o exercício da profissão e a construção da identidade do indivíduo.
Módulo 2 – Dinâmicas de Trabalho e Impacto na Saúde Mental
Examina como a precarização das relações laborais afeta a saúde mental, detalhando as diversas formas de violência no ambiente de trabalho e suas consequências graves, como o desenvolvimento de estresse pós-traumático e depressão no contexto ocupacional.
Módulo 3 – Identificação e Manejo de Transtornos Mentais no Trabalho
Demonstra a importância da identificação precoce de transtornos mentais no trabalho, apresentando estratégias práticas de manejo para casos de depressão e TEPT, além de destacar o papel essencial das redes de suporte e do apoio institucional na recuperação do trabalhador.
Módulo 4 – Estratégias de Prevenção e Promoção da Saúde Mental
Apresenta as principais políticas de prevenção de transtornos mentais e exemplos de intervenções eficazes, visando promover práticas laborais que protejam e fortaleçam a saúde mental nas instituições.
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Hapvida mantém rating AA no MSCI ESG
A empresa elevou sua nota ESG de 7,1 para 8,3 em 2025, refletindo o aprimoramento de práticas de sustentabilidade corporativa.
Pelo segundo ano consecutivo, a Hapvida alcançou o rating AA no índice MSCI ESG, uma das principais avaliações globais de desempenho ambiental, social e de governança. Esse resultado reforça sua liderança em ESG entre as grandes empresas do setor de Healthcare Providers & Services mundialmente.
A companhia manteve o rating AA no índice MSCI ESG e registrou um avanço significativo em desempenho ESG, com o score ajustado subindo de 7,1 em 2024 para 8,3 em 2025, um aumento de 1,2 pontos. O resultado reflete o aprimoramento de políticas, processos e práticas alinhadas às melhores referências internacionais de sustentabilidade corporativa.
“A companhia integra sustentabilidade à gestão do negócio, com foco em eficiência operacional, ética, transparência, excelência no cuidado com as pessoas e regime responsável de impactos sociais e ambientais. Os indicadores demonstram esse avanço, ratificado pelo rating AA”, ressalta Rafael Sobral, diretor de ESG da Hapvida.
Avaliação ESG
O MSCI ESG Ratings é uma das metodologias mais renomadas globalmente para avaliação ESG, amplamente utilizada por investidores institucionais, gestores de ativos e analistas de mercado. O rating avalia como as empresas lidam com riscos e oportunidades ligados a fatores ambientais, sociais e de governança, considerando aspectos como políticas corporativas, práticas operacionais, gestão de riscos, transparência e abordagem a questões relevantes para cada setor.
As companhias são classificadas em uma escala que vai de CCC a AAA, sendo os ratings AA e AAA atribuídos às empresas consideradas líderes em ESG dentro de seus segmentos.
Com a manutenção do rating AA em 2025, a Hapvida permanece posicionada acima de importantes pares do setor de saúde no Brasil.
Sustentabilidade
Atualmente, 85% da energia contratada pela Hapvida é proveniente de fontes limpas e renováveis, com meta de alcançar 100% em 2026. O programa de eficiência hídrica gerou economia de 71,4 milhões de litros de água, com redução de 17% no consumo e impacto ambiental equivalente ao plantio de 1.419 árvores.
A companhia é signatária do Pacto Global da ONU e mantém compromissos como ampliar ações de reciclagem e compostagem, alcançar a neutralidade de carbono operacional até 2040 e intensificar a capacitação de colaboradores sobre cultura ambiental e uso consciente de recursos nas unidades.
Projetos Sociais
A empresa desenvolveu iniciativas sociais, como o programa ‘Vida que Alimenta’, que oferece diariamente café da manhã e sopa para pessoas em situação de vulnerabilidade. Em São Paulo, o projeto alcançou a marca de 150 mil refeições distribuídas em seu primeiro ano, contando com o apoio de colaboradores voluntários.
O ‘Vida que Aquece’ é uma extensão do projeto que transforma uniformes hospitalares sem uso em cobertores destinados a pessoas em situação de rua. Em 2024, 1,5 tonelada de tecidos foi reaproveitada e, neste ano, o projeto ultrapassou a marca de 2,6 mil cobertores doados em diversos estados.
Diversidade
A diversidade e a inclusão são princípios centrais na atuação da empresa, que tem 74% de mulheres e 64% de pretos e pardos em seu quadro de funcionários. Além disso, metade das vice-presidências é ocupada por lideranças femininas. Em 2025, esse compromisso foi reconhecido com o selo IDIVERSA da B3, que certifica a solidez e a maturidade das práticas de diversidade e inclusão adotadas pela Hapvida.
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Assessoria de Comunicação
CLIPPING AHPACEG 06/01/26
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Futuro da infraestrutura hospitalar: tecnologia distribuída e inteligente
https://medicinasa.com.br/futuro-infraestrutura-hospitalar/
Setor de saúde suplementar brasileiro projeta 2026 desafiador
https://medicinasa.com.br/saude-suplementar-2026/
Compartilhamento de risco: um novo caminho para a saúde
https://medicinasa.com.br/compartilhamento-de-risco/
Marcelino Champagnat cria plataforma para apoiar a jornada assistencial
https://medicinasa.com.br/tecnologia-marcelino-champagnat/
Desafio: a interseção entre saúde, escolaridade e comunicação
https://medicinasa.com.br/saude-escolaridade-comunicacao/
Centro de Diagnósticos Unimed implementa sistema integrado para agendamentos
Rol da ANS: STF garante critérios objetivos e reforça sustentabilidade
MEDICINA S/A
Futuro da infraestrutura hospitalar: tecnologia distribuída e inteligente
Com a proximidade das festas de fim de ano, hospitais e gestores de tecnologia começam não apenas a encerrar um ciclo, mas também a projetar quais serão os próximos passos para seguir ofertando o melhor atendimento ao paciente e se preparando, inclusive, para a inclusão cada vez mais assertiva da tecnologia nesse ambiente. Parte fundamental do ambiente hospitalar, o setor de infraestrutura de TI, será um dos mais impactados por essas mudanças nos próximos cinco anos.
Entre as principais transformações esperadas estão o avanço da presença da Inteligência Artificial (IA), o crescimento do ecossistema de dispositivos conectados, além de uma maior presença de ações voltadas à sustentabilidade e segurança. A adoção de IA deixará de ser pontual para integrar toda a operação, atuando desde a análise de dados clínicos e predição de riscos até a automação de tarefas administrativas. Modelos multimodais passarão a exigir maior capacidade de processamento e padrões rígidos de governança, levando as instituições a operarem em arquiteturas híbridas, capazes de equilibrar processamento local e escalabilidade em nuvem.
Iniciativas como essas descentralizam a TI e “obrigam” hospitais a adotarem processamento distribuídos, mais seguros e resilientes. A interoperabilidade também tende a ganhar força, impulsionada pela adoção de padrões como o Fast Healthcare Interoperability Resources (FHIR). Ao optar pelo padrão FHIR, por exemplo, a instituição de saúde permitirá que dados “circulem” de forma mais confiável entre sistemas, prontuários eletrônicos, laboratórios e plataformas de telemedicina. Mas, para que essa evolução ocorra com segurança e de forma sustentável, serão necessários investimentos em qualidade, rastreabilidade e integração de dados.
Além disso, outro fator importante será a sustentabilidade. Com o aumento do uso de IA e a consequente demanda energética, os data centers precisarão operar de forma mais eficiente, passando a utilizar energia renovável e práticas que reduzam o impacto ambiental. Por isso, espera-se que os hospitais comecem a exigir que seus parceiros de TI apresentem indicadores claros de eficiência, tornando o desempenho ambiental um critério competitivo.
Somado a isso, a segurança e a soberania dos dados se tornarão prioridades estratégicas diante do aumento das ameaças cibernéticas e de novas regulações nacionais e internacionais. Isso fará crescer a demanda por arquiteturas baseadas em “Zero Trust”, criptografia reforçada e ambientes híbridos capazes de manter dados sensíveis sob jurisdições específicas.
Ainda, a escassez de profissionais especializados continuará pressionando o setor, fazendo com que hospitais fortaleçam parcerias com provedores de serviços gerenciados para que esses assumam operações críticas, façam o monitoramento contínuo e respondam à incidentes. A combinação entre mão de obra qualificada, automação inteligente e serviços terceirizados será fundamental para manter a disponibilidade e a segurança das operações.
Considerando todas essas tendências, é possível concluir que o futuro da infraestrutura de TI será construído pela integração entre tecnologia avançada, governança sólida e sustentabilidade operacional. E, quanto mais cedo as instituições de saúde realizarem essas mudanças e adaptações, mais preparadas estarão para oferecer cuidado de qualidade, reduzir riscos e operar com eficiência em um cenário cada vez mais digital, exigente e conectado.
*Saulo Lima é Diretor da Flowti.
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Setor de saúde suplementar brasileiro projeta 2026 desafiador
O setor de saúde suplementar brasileiro se prepara para um ano de desafios em 2026, mas também com oportunidades de avanços significativos para os 53 milhões de beneficiários. Para a FenaSaúde, a recuperação recente das operadoras, após anos de resultados negativos no período pós-pandemia, precisa ser analisada com cautela, considerando a preponderância dos resultados financeiros no resultado total e as desigualdades estruturais que ainda afetam principalmente pequenas operadoras em cidades menores do Norte e Nordeste.
Cenário macroeconômico pressiona rentabilidade do setor
Entre 2021 e 2023, as despesas do setor superaram as receitas em mais de R$ 17 bilhões, deixando cicatrizes profundas. É importante destacar que, apesar dos sinais de retomada, o lucro líquido das operadoras médico-hospitalares registrou variação de -14,1% em relação ao trimestre anterior, passando de R$ 5,5 bilhões para R$ 4,8 bilhões.
Merece atenção o fato de que o lucro líquido do 3º trimestre de 2025 teve contribuição do resultado operacional (R$ 2,0 bilhões), mas principalmente do resultado financeiro (R$ 4,2 bilhões), muito relacionado ao cenário macroeconômico, no qual a taxa básica de juros da economia, a taxa Selic, se mantém em patamares elevados. Por fim, o setor apresenta grande heterogeneidade, e 1 a cada 4 operadoras apresenta resultado líquido negativo.
A margem de lucro também apresentou mudança, variando de 6,7% para 5,6%. O índice combinado, que representa a relação entre as despesas operacionais (administrativas, de comercialização e assistenciais) e as receitas provenientes das contraprestações efetivas, apresentou aumento de 1,1 p.p., passando de 94,2% para 95,3%.
Além disso, as operadoras de planos de saúde com resultado operacional negativo aumentaram desde o início do ano: eram pouco menos de 1/3 (202 operadoras — 31,7%) no 1T25 e já são quase metade agora (315 operadoras — 49,2%). Ao todo, 8,65 milhões de beneficiários estão em operadoras com resultado operacional negativo.
Perspectivas e desafios para o setor em 2026
“Para 2026, projetamos um setor de saúde suplementar com foco em sustentabilidade, inovação e ampliação do acesso à população. É fundamental avançar em modelos de financiamento equilibrados, adotar novas tecnologias como inteligência artificial, fortalecer a coordenação do cuidado e a atenção primária, e implementar soluções como franquias para tornar os planos mais acessíveis. Precisamos também combater fraudes e reduzir a judicialização excessiva, garantindo que a expansão ocorra de forma responsável e com qualidade”, afirma Raquel Reis, CEO da SulAmérica e Presidente da FenaSaúde.
“A saúde suplementar é um ambiente complexo e sua boa condição econômico-financeira é essencial para o equilíbrio do sistema de saúde brasileiro como um todo. Quando o setor funciona bem, o SUS também se beneficia”, destaca Bruno Sobral, Diretor- Executivo da FenaSaúde. “O desafio de 2026 será ampliar o acesso de forma responsável garantindo que a incorporação de novas tecnologias não comprometa a sustentabilidade do setor principalmente para os beneficiários de pequenas cidades e regiões mais vulneráveis.”
Para a entidade, a expansão da oferta de planos de saúde em 2026 dependerá de preços acessíveis, especialmente para pequenas empresas, segmento considerado termômetro do crescimento do setor. No entanto, o cenário permanece complexo: a regra de reajuste dos planos individuais limita a oferta desse produto, concentrando o mercado nos planos coletivos, que representam hoje mais de 83% das contratações.
O crescimento da saúde suplementar seguirá atrelado ao desempenho econômico do país, ainda de acordo com a FenaSaúde. Entre janeiro e setembro de 2025, foram criados 1,7 milhão de empregos formais, elevando para 48,9 milhões o número de vínculos ativos, o que tende a impulsionar a contratação de planos de saúde no próximo ano.
O envelhecimento populacional e a incorporação de tecnologias de alto custo continuam pressionando os sistemas de saúde no Brasil e no mundo, tornando a racionalização das despesas assistenciais uma prioridade para 2026. Além disso, a ANS deixará para o próximo ano discussões regulatórias estruturantes, como reajuste de planos coletivos, coparticipação, oferta de planos segmentados e revisão do marco regulatório da Lei nº 9.656/1998.
Apesar das incertezas, o setor tem potencial para avanços significativos, desde que as decisões sejam tomadas de forma ampla, transparente e baseada em evidências, equilibrando a ampliação do acesso com a sustentabilidade do sistema.
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Compartilhamento de risco: um novo caminho para a saúde
Os avanços da oncologia moderna, especialmente com o surgimento de imunoterapias e terapias-alvo combinadas, têm transformado a forma como tratamos o câncer no Brasil. Mas, também trouxeram um dilema: como garantir o acesso a medicamentos de altíssimo custo, sem comprometer a sustentabilidade dos sistemas de saúde? É exatamente neste cenário que os acordos de compartilhamento de risco (risk-sharing agreements) ganham protagonismo como um novo modelo de remuneração, capaz de equilibrar inovação, acesso e eficiência.
Os acordos de risk-sharing são contratos firmados entre hospital, indústria farmacêutica e operadoras que vinculam o pagamento de um medicamento para um ciclo de tratamento ao resultado clínico alcançado, nos casos que chamamos de pacientes de vida real, dentro de critérios previamente definidos, ou seja, estes acordos condicionam o critério de cobertura e reembolso à comprovação de benefício clínico mensurável para o paciente. Desta forma, o pagamento é feito pela performance do fármaco e da assistência hospitalar.
Inovação à favor da vida
A ideia nasceu na Europa, no início dos anos 2000 e a Itália foi pioneira ao associar a aprovação de novos medicamentos oncológicos à devolução de recursos em caso de falha terapêutica. O objetivo: garantir o acesso à inovação, sem transferir todo o risco financeiro ao sistema de saúde. Já no Brasil, o debate sobre risk sharing é bem mais recente, impulsionado pelo Ministério da Saúde que lançou em 2020 um projeto-piloto de incorporação condicional de medicamentos de alto custo no SUS.
Mas, foi na saúde suplementar que o modelo se concretizou pela primeira vez. Em 2022, o A.C.Camargo firmou o primeiro acordo de compartilhamento de risco do setor, voltado ao tratamento do carcinoma de pulmão de pequenas células. O contrato, celebrado diretamente entre o Cancer Center e a indústria farmacêutica, previa a devolução do valor correspondente às caixas de medicamento utilizadas até o momento da falha terapêutica, caso o paciente não atingisse os critérios de resposta e sobrevida previamente acordados, gerando economia real para hospital, paciente e operadoras.
Três anos depois e o número de contratos do tipo, firmados pela instituição, já chega a cinco, com novos acordos, para diferentes tipos de tumores, sendo traçados para 2026. Mas, é preciso destacar que para que esses contratos se tornassem possíveis, foi necessário um nível de transparência de dados até então nunca apresentado, que demonstrou resultados superiores aos dos ensaios clínicos originais, um fator determinante para a credibilidade do modelo. Afinal, a confiança depende diretamente da qualidade da assistência prestada ao paciente.
Mudando a forma de pensar em saúde suplementar
Costumo dizer que o compartilhamento de risco desafia a atual lógica da saúde suplementar, ainda baseada em volume e sinistralidade, por isso é tão inovador. Ao atrelar o pagamento ao desempenho, custo à performance, esses acordos transferem parte do risco clínico e financeiro para todos os envolvidos (indústria, prestador e, potencialmente, o pagador) e passam a executar um modelo de remuneração pautado no que chamamos de “Cuidado Baseado em Valor”. Exigindo uma gestão robusta, interoperabilidade de dados e clareza metodológica sobre o que se entende como “sucesso” ou “falha terapêutica”.
A adoção desses modelos tem mobilizado discussões importantes junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). É um desafio regulatório importante, que passa a fazer parte do amadurecimento do setor no Brasil. No entanto, os acordos já firmados até aqui, comprovam que esse novo modelo de remuneração é totalmente viável se implementado com critérios clínicos claros, transparência de dados e alta performance assistencial.
Mais do que um experimento financeiro, o compartilhamento de risco representa uma mudança de cultura, é o caminho para sairmos do modelo que remunera quantidade de atendimento, para um modelo que paga por valor real, ou seja, melhor desfecho clínico.
*Aline Yuri Chibana é gerente do Escritório de Valor do A.C.Camargo Cancer Center.
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Marcelino Champagnat cria plataforma para apoiar a jornada assistencial
A humanização do cuidado é tão essencial quanto qualquer avanço tecnológico e, no ambiente hospitalar, essas duas frentes caminham juntas para aliviar um dos momentos mais delicados para qualquer família: a espera por notícias. Profissionais que criam conexões genuínas e ferramentas que ampliam a transparência se complementam ao colocar pessoas, sentimentos e necessidades no centro da experiência.
A falta de informações sobre o que está acontecendo, seja durante uma cirurgia, seja no pronto atendimento, sempre figurou entre os principais fatores de ansiedade de pacientes e acompanhantes. Para responder a essa demanda, o Hospital São Marcelino Champagnat desenvolveu uma plataforma que permite acompanhar, em tempo real, cada passo da jornada assistencial.
A ferramenta apresenta o status de cada etapa, estima tempos de espera e organiza os próximos passos de maneira simples. No centro cirúrgico, familiares podem seguir o procedimento mesmo fora da instituição, recebendo uma notificação automática uma hora antes da conversa com a equipe médica. No pronto atendimento, o paciente visualiza com clareza desde a coleta de exames até o tempo necessário para medicação e diagnóstico, reduzindo a sensação de incerteza.
Desenvolvida internamente, a solução envolveu as equipes de Transformação Digital, Design, Experiência do Cliente, Atendimento, Pronto Atendimento e Centro Cirúrgico. O acesso é feito por QR codes distribuídos nas recepções, permitindo uso imediato por qualquer familiar ou paciente. Os resultados mostram o impacto direto sobre a experiência: aproximadamente oito mil pessoas por mês passaram a ter mais previsibilidade sobre sua jornada no hospital, 83% avaliaram a plataforma como fácil ou muito fácil de usar, e o NPS (Net Promoter Score) do pronto atendimento subiu 15 pontos percentuais após a implementação.
Além de reduzir incertezas, a solução também transformou a dinâmica de circulação no hospital. “A implementação da ferramenta trouxe um benefício significativo para os acompanhantes, que agora podem acompanhar a evolução do paciente no Centro Cirúrgico de casa, sem precisar permanecer na recepção. Essa mudança reduziu a concentração de pessoas no local, tornando o ambiente mais organizado e confortável. A melhoria na experiência é perceptível e tem gerado feedbacks muito positivos”, confirma o coordenador de Atendimento do hospital, Marcello Cresbiene Rodrigues de Oliveira.
A nota geral também avançou, indicando maior confiança e tranquilidade. “Quando pensamos em experiência do paciente, falamos tanto da sensibilidade no cuidado direto quanto da importância de oferecer informação clara em momentos delicados. A plataforma nasceu dessa necessidade: reduzir inseguranças e fazer com que pacientes e familiares se sintam acompanhados durante toda a jornada. Ver o impacto na prática mostra que estamos no caminho certo”, destaca o coordenador de Marketing e Experiência do Cliente do hospital, Lenon Castro de Araujo.
O projeto recebeu reconhecimento nacional no The Customer Summit – Awards 2025, na categoria Tecnologia Customer – Melhor Inovação Tecnológica, que celebra iniciativas capazes de transformar a experiência de pacientes, clientes e colaboradores.
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Desafio: a interseção entre saúde, escolaridade e comunicação
Por Gilmara Espino
Cerca de 9,1 milhões de pessoas, o que representa 5,3% dos brasileiros com 15 anos ou mais, são analfabetas. Outros 29% de indivíduos de 15 a 64 anos, algo como 40 milhões de pessoas, são analfabetos funcionais. Todas essas pessoas precisam ou um dia precisarão de atendimento médico.
Só esses números já permitem imaginar a cena. Diante de um médico, sentindo dor e medo, muitas vezes depois de uma verdadeira maratona até conseguir atendimento, uma parte importante dos pacientes simplesmente não entende o que lhe é dito. A hipossuficiência informacional, isto é, a assimetria de informação na relação médico e paciente, contribui para aumento de custos em saúde e para piores desfechos, inclusive mais mortes.
Como referência, nos Estados Unidos órgãos públicos e guias oficiais estimam cerca de 125 mil mortes por ano ligadas à não adesão medicamentosa, além de cerca de 11% das internações e algo entre US$ 100 e US$ 300 bilhões em custos extras. Na União Europeia, estimativas frequentemente citadas falam em cerca de 200 mil mortes por ano associadas ao problema. Esses números ajudam a dimensionar o que se perde quando a pessoa não inicia o tratamento, interrompe por conta própria ou toma o medicamento de forma incorreta.
Sentir-se impotente diante de um desfecho de saúde ruim não é, porém, exclusividade de cidadãos analfabetos ou semianalfabetos. Independentemente de ter estudado na escola A ou B, de ter ou não planos de saúde, todos estamos sujeitos a não saber avaliar se nós ou alguém da família fomos, por exemplo, vítimas de um erro médico. Foi exatamente o que aconteceu comigo, que perdi meu pai precocemente, em grande parte pela falta de informação adequada para ele e para a família.
O que pode ser feito?
Um caminho para reduzir essa assimetria passa por um tripé comunicacional: letramento, conscientização e informação.
1. Letramento
Letramento em saúde é a capacidade de encontrar, entender, avaliar e usar informações de saúde para agir. No Brasil, existe um degrau importante antes mesmo de chegar ao consultório.
Em amostras brasileiras de atenção primária, usando o instrumento HLS-EU-Q6, apenas 2% dos participantes atingiram um nível considerado suficiente de letramento em saúde. O restante ficou entre problemático e inadequado. Em outro estudo, fatores como escolaridade e idade mostraram forte associação com o escore de letramento. Em Altamira, no Pará, baixa escolaridade e baixa renda aumentaram o risco de letramento insatisfatório, com 24,5% em nível inadequado e 16,5% em nível limítrofe.
Baixa renda costuma significar escolaridade mais curta e piores resultados. Além disso, há barreiras digitais. Em 2023, somente 69% das pessoas nas classes D e E eram usuárias de internet, e metade acessava apenas pelo celular. Isso limita o uso de portais de saúde, resultados de exames e aplicativos que poderiam ajudar o paciente a entender melhor seu tratamento.
2. Conscientização
Campanhas bem planejadas ajudam a corrigir percepções e a aumentar a procura por prevenção. O movimento Outubro Rosa, por exemplo, contribui de forma importante para a conscientização sobre o câncer de mama e para o aumento da busca por exames preventivos.
Por outro lado, campanhas podem induzir condutas pouco adequadas ou com benefícios questionáveis. O Novembro Azul, em alguns momentos, acabou estimulando um rastreamento pouco criterioso da saúde masculina, sem o mesmo rigor científico observado em outras campanhas.
A disseminação de informação baseada em evidências enfrenta ainda desafios crescentes, como a proliferação de notícias falsas, o uso pouco crítico das redes sociais e, mais recentemente, o uso de ferramentas de inteligência artificial para criar ou amplificar desinformação.
3. Informação baseada em dados e transparência
O terceiro pilar é a oferta de informação qualificada sobre segurança e desfechos em saúde. A ideia é ir além de listas de preferência do tipo “os mais amados” ou “os preferidos”, que medem simpatia, mas não necessariamente qualidade assistencial.
Um exemplo prático vem dos Estados Unidos. O Leapfrog Group publica, há mais de 20 anos, dados comparáveis de segurança hospitalar e atribui uma nota de A a F duas vezes por ano, com base em mais de 30 indicadores de segurança e qualidade. O site HospitalSafetyGrade.org permite ao cidadão buscar o hospital de interesse e visualizar sua nota de forma simples. É uma vitrine de transparência pensada para leigos.
*Gilmara Espino é professora do MBA de Gestão em Saúde do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e presidente da GPeS Comunicamos Saúde.
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A REDAÇÃO
Centro de Diagnósticos Unimed implementa sistema integrado para agendamentos
Foco é organizar o fluxo e e facilitar acesso aos serviços
A cooperativa de Trabalho Médico implementou um sistema integrado de atendimento no Centro de Diagnósticos Unimed (CDU), que passa a centralizar os serviços em um número único de telefone. Através do (62) 3216-9515, os beneficiários podem realizar agendamentos, acessar resultados, esclarecer dúvidas e obter outras informações por meio de uma Unidade de Resposta Audível (URA). A iniciativa tem como objetivo organizar o fluxo de atendimentos e facilitar o acesso aos serviços diagnósticos da rede própria da cooperativa.
O sistema digital de resultados também passou por reformulação. Os pacientes agora dispõem de login e senha únicos para acessar o histórico completo de exames realizados no CDU, permitindo o acompanhamento contínuo dos resultados ao longo do tempo. Além disso, o laboratório do CDU ampliou significativamente o horário de funcionamento: de segunda a sábado, o atendimento ocorre das 6h às 20h; aos domingos e feriados, das 6h às 19h.
“A centralização do atendimento em um número único e a ampliação do horário do laboratório representam avanços na experiência do paciente. O sistema digital com histórico integrado permite que médicos e pacientes tenham acesso organizado aos resultados, facilitando o acompanhamento clínico e a tomada de decisão”, explica o diretor de Provimento de Saúde, Dr. Francisco Rebouças Jr.
Sobre a Unimed Goiânia
A Unimed Goiânia integra o Sistema Nacional Unimed e atua com princípios cooperativistas no setor de Saúde Suplementar. Conta com uma ampla rede credenciada, composta por mais de 450 estabelecimentos, entre hospitais, clínicas e laboratórios, além de oferecer serviços próprios como o SOS Unimed (UTI móvel, aéreo e terrestre) e programas de atenção integral à saúde, responsáveis pela assistência a mais de 400 mil beneficiários em Goiânia, na região metropolitana e em outros 69 municípios circunvizinhos.
A cooperativa oferece planos de saúde individuais ou familiares para pessoas físicas, além de planos empresariais e coletivos por adesão para pessoas jurídicas, com cobertura definida pela lista de Procedimentos e Eventos em Saúde estabelecida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Também disponibiliza produtos opcionais, como SOS – UTI móvel, aéreo e terrestre – e Proteção no Trabalho. Presente há mais de 47 anos no mercado, a cooperativa segue investindo em inovação e qualidade assistencial, reforçando seu compromisso de cuidar da vida e da saúde dos goianos.
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PORTAL MIGALHAS
Rol da ANS: STF garante critérios objetivos e reforça sustentabilidade do setor
Bianca Pires Andreassa e Isabela Campos Mourão
Supremo confirma cobertura mínima obrigatória em planos de saúde, com exceções técnicas que trazem previsibilidade e segurança jurídica às operadoras.
No dia 2 de dezembro de 2025, foi publicado o acórdão proferido pelo Plenário do STF que julgou a ADIn 7.265, proposta pela Unidas - União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde, que questionava a constitucionalidade da lei 14.454/22. A lei havia alterado a lei 9.656/98 para transformar a natureza do Rol da ANS de "taxativo" em "exemplificativo", o que gerava forte insegurança jurídica para o setor da Saúde Suplementar.
O ministro Luís Roberto Barroso, relator da ADI, firmou entendimento de que o Rol deve ser considerado taxativo, mas com possibilidade de mitigação em hipóteses específicas. O STF estabeleceu critérios objetivos para custeio de procedimentos fora do Rol: prescrição médica ou odontológica; ausência de negativa expressa ou pendência de análise pela ANS; inexistência de alternativa terapêutica adequada; comprovação científica robusta de eficácia e segurança; e registro na Anvisa.
Embora a lei não tenha sido declarada inconstitucional, o acórdão trouxe avanços relevantes às operadoras, ao reforçar previsibilidade, segurança jurídica e estabilidade regulatória. Com critérios técnicos cumulativos, as operadoras passam a contar com parâmetros claros para análise de solicitações, o que reduz incertezas e riscos de judicialização descontrolada.
Os critérios estabelecidos pelo julgado elevam o patamar mínimo para cobertura, protegendo as operadoras de pedidos baseados em evidências frágeis ou estudos experimentais, ao mesmo tempo em que garante maior racionalidade no processo decisório.
O julgamento, se respeitado em sua literalidade, também reduz a margem de arbitrariedade judicial. Ao condicionar a cobertura extra rol a uma negativa expressa da ANS ou a uma análise pendente de atualização, o STF reforça o protagonismo da agência reguladora e estabelece que o Judiciário só deve intervir após esgotados os mecanismos técnicos e administrativos.
Esse posicionamento cria um cenário de maior clareza e equilíbrio: preserva os direitos dos beneficiários em situações excepcionais, mas impõe responsabilidade técnica e regulatória. Para as operadoras, isso significa previsibilidade contratual, menos espaço para decisões judiciais inesperadas e maior capacidade de planejamento financeiro.
Sem esses filtros, a lei 14.454/22 poderia resultar em insegurança jurídica, violação da legalidade contratual e impacto financeiro desproporcional sobre o setor. A decisão do STF, ao impor critérios objetivos, tornou a norma aplicável de forma equilibrada, protegendo tanto os beneficiários quanto a sustentabilidade do sistema de saúde suplementar.
Bianca Pires Andreassa - Especialista em saúde suplementar e sócia do Villemor Amaral Advogados.
Isabela Campos Mourão - Advogada no Villemor Amaral Advogados.
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Assessoria de Comunicação
CLIPPING AHPACEG 05/01/26
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Plano de saúde: O falso coletivo e suas consequências
https://www.migalhas.com.br/depeso/447144/plano-de-saude-o-falso-coletivo-e-suas-consequencias
Goiás inclui 10 hospitais públicos entre os 100 melhores do SUS no Brasil
Goianos ganham acesso à reabilitação de alta tecnologia pelo SUS
https://aredacao.com.br/goianos-ganham-acesso-a-reabilitacao-de-alta-tecnologia-pelo-sus/
Os 10 avanços de pesquisa que vão impulsionar a medicina nos próximos anos
https://medicinasa.com.br/10-avancos-pesquisa-2025/
Conheça os vencedores do Prêmio IESS de Produção Científica em Saúde Suplementar
https://medicinasa.com.br/premio-iess-saude-suplementar/
ANS faz retrospectiva da saúde suplementar em 2025
https://www.saudebusiness.com/mercado-da-saude/ans-faz-retrospectiva-da-saude-suplementar-em-2025/
Médica fala sobre atender mais de 80 pacientes em plantão: ‘Atendo com o máximo de atenção’
PORTAL MIGALHAS
Plano de saúde: O falso coletivo e suas consequências
Tacito Alexandre de Carvalho e Silva
Este artigo tem o escopo de trazer a baila a discussão sobre um pratica corriqueira entre operadoras de planos de saúde que pode gerar severos prejuízos aos consumidores.
1. Introdução
A criação dos planos coletivos empresariais e por adesão tinha como finalidade permitir que grupos organizados negociassem condições mais vantajosas com as operadoras, estimulando a competitividade e reduzindo custos. Todavia, a partir da década de 2010, intensificou-se no mercado brasileiro a prática de comercializar planos coletivos sem efetiva coletividade, com empresas constituídas apenas para contratar o plano ("empresas de fachada") ou associações fictícias. Surge aí o chamado "falso coletivo", figura amplamente repudiada pela doutrina e pelo Poder Judiciário.
A problemática é relevante, pois o regime jurídico dos planos coletivos é menos protetivo que o dos planos individuais, especialmente em relação aos reajustes anuais, rescisões unilaterais e carências. Com isso, pessoas físicas acabam submetidas a situações de extrema vulnerabilidade. Por outro lado, as operadoras de planos de saúde adquirem poderes que desequilibra a relação contratual.
2. Conceito e natureza jurídica do falso coletivo
O falso coletivo ocorre quando o contrato é registrado como coletivo, utilizando-se de um CNPJ, mas não existe vínculo empresarial ou associativo real entre os beneficiários. Na verdade, na esmagadora maioria dos casos, são famílias que deveriam estar com um plano individual/ familiar, mas estão em um plano coletivo por adesão.
Este plano de saúde coletivo "camuflado" fica evidente quando naquele CNPJ do plano só estão como beneficiários apenas os familiares do responsável pela empresa.
A ANS não reconhece formalmente o termo "falso coletivo", mas em diversos estudos técnicos alerta para "inconsistências cadastrais" em planos empresariais, notadamente em microempresas recém-criadas apenas para fins de contratação.
2.1 Elementos identificadores do falso coletivo
Constituição de CNPJ exclusivamente para contratar o plano;
Inexistência de atividade econômica real;
Associação criada sem proveito comum ou objeto social;
Ausência de vínculo entre os supostos associados;
Quantidade mínima de vidas inferior à própria lógica de coletividade;
Ausência de política de admissão e exclusão de membros.
3. Regime jurídico dos planos coletivos e o incentivo ao falso coletivo
A lei 9.656/1998 estabelece regras rígidas para os planos individuais, especialmente quanto:
Ao reajuste anual, que deve ser autorizado pela ANS;
À impossibilidade de rescisão unilateral imotivada pela operadora;
Às carências mais protegidas.
Já os planos coletivos são submetidos à livre negociação de reajustes e admitem a rescisão unilateral após 12 meses, desde que haja prévia notificação. Assim, operadoras e intermediárias passaram a estimular a migração forçada de indivíduos para planos "coletivos", com o objetivo de driblar a regulação.
É comum, infelizmente, as operadoras se recusarem a contratar planos individuas às famílias. Sem outra alternativa e, na grande maioria das vezes, precisando de um plano de saúde, outra alternativa não resta, senão a contratação de um plano "falso" coletivo.
4. Consequências jurídicas do falso coletivo
4.1 Reajustes abusivos
O principal efeito é a aplicação de reajustes anuais desproporcionais, muitas vezes superiores a 40% ou 50%. A jurisprudência tem entendido que, caracterizada a inexistência de coletividade real, aplica-se ao contrato o regime dos planos individuais, inclusive os tetos da ANS.
STJ - Ramo da jurisprudência:
O Tribunal tem reiterado que aumentos expressivos em planos coletivos podem ser revisados judicialmente quando ausente justificativa atuarial (ex.: AgInt no AREsp 1.199.563/SP);
Em hipóteses de falso coletivo, tribunais estaduais vêm reconhecendo que a operadora não pode se valer de reajustes livres.
4.2. Rescisão unilateral indevida
Se o plano é individual camuflado, a operadora não pode rescindir unilateralmente sem motivo, pois aplica-se o art. 13 da lei 9.656/98. A prática de cancelar coletivos empresariais com menos de cinco vidas ou microempresas fictícias é considerada abusiva.
4.3 Dever de informação e responsabilidade civil
A comercialização de falso coletivo viola o dever de informação (CDC, arts. 6º, III e 39, IV). Intermediários, administradoras e operadoras podem ser responsabilizados solidariamente por:
Danos morais decorrentes da perda do plano;
Danos materiais com despesas médicas;
Nulidade de cláusulas abusivas.
4.4. Enquadramento como prática abusiva
A conduta dos intermediários, administradoras e operadoras de plano de saúde, nos casos do falso coletivo, traz em seu bojo: a venda casada (participação em empresa os associação fictícia), oferta enganosa, fraude contra a regulação da ANS, além de burlar o regime de reajuste dos planos individuais.
Essas sobreditas condutas causam prejuízos incalculáveis aos usuários/consumidores, além o desequilíbrio contratual.
5. Judicialização: Impactos e tendências
A judicialização dos falsos coletivos cresce exponencialmente por três fatores:
5.1. Aumento dos litígios por reajuste
Os reajustes elevados e sem transparência são o principal gatilho para ações coletivas e individuais. Perícias atuariais têm reforçado que tais aumentos muitas vezes não possuem base estatística consistente.
5.2. Cancelamentos de pacientes em tratamento
Hospitais e clínicas frequentemente comunicam pacientes sobre cancelamentos repentinos, especialmente em casos graves (oncologia, hemodiálise, cardiologia). A jurisprudência tende a considerar abusiva a interrupção de tratamento indispensável, mesmo em planos coletivos.
5.3. Reenquadramento contratual
Na grande maioria das ações, o Poder Judiciário tem reconhecido a natureza individual desses contratos, determinando a aplicação dos reajustes determinados pela ANS; restabelecimento do plano, nos casos de rescisões unilaterais; devolução dos valores pagos a maior.
Com este cenário, a judicialização cada vez mais se torna medida para o restabelecimento do equilíbrio entre contratante e contratado.
6. Medidas regulatórias e propostas de solução
6.1. Fiscalização da ANS
A agência possui instrumentos para identificar inconsistências cadastrais, mas ainda há déficit na fiscalização. É necessária:
Validação automática de CNPJ;
Comprovação efetiva de atividade;
Verificação anual da coletividade.
6.2. Responsabilidade das administradoras de benefícios
Administradoras que fomentam associações fictícias devem ser responsabilizadas civil e administrativamente, como medidas de inibição dessa prática abusiva.
6.3. Proibição de comercialização "porta a porta"
Corretoras e empresas de intermediação frequentemente induzem consumidores ao erro, razão pela qual alguns projetos legislativos sugerem restringir essa forma de venda.
7. Conclusão
O "falso coletivo" representa uma distorção grave do mercado de saúde suplementar. Ao mascarar planos individuais como coletivos, operadoras reduzem o nível de proteção ao consumidor, permitindo reajustes elevados e rescisões unilaterais. A judicialização tornou-se, portanto, um instrumento indispensável de reequilíbrio contratual.
A adequação regulatória, a responsabilidade civil das intermediárias e o reforço da atuação da ANS são caminhos necessários para proteção do usuário e para um mercado mais transparente.
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ANS - AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Caderno de Informações da Saúde Suplementar. Rio de Janeiro: ANS, vários anos.
BRASIL. Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998. Dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde.
BRASIL. Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990).
NUNES, Luiz Antonio Rizzato. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. São Paulo: Saraiva, 2021.
TARTUCE, Flávio. Manual de Direito do Consumidor. 10. ed. São Paulo: Método, 2022.
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Jurisprudência sobre reajustes de planos de saúde. Diversos julgados.
APOSTILA, Judicialização dos Planos de Saúde. ALBERT EINSTEN Ensino e Pesquisa.
Tacito Alexandre de Carvalho e Silva
Advogado. Pós-graduado em Processo Civil. Pós-graduado em Direito Médico pelo instituto Albert Einstein. Professor de Processo Civil (Faculdade São Paulo). Procurador M 2009/2016. Vereador 2021/2024.
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JORNAL OPÇÃO
Goiás inclui 10 hospitais públicos entre os 100 melhores do SUS no Brasil
Ranking nacional coloca Goiás em 2º lugar, atrás apenas de São Paulo em hospitais públicos
Goiás ficou na segunda colocação entre os estados brasileiros com maior número de hospitais públicos do Sistema Único de Saúde (SUS) incluídos na lista dos 100 melhores do país. O dado consta em levantamento do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), realizado em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Ao todo, o estado aparece com 10 unidades no ranking, o equivalente a 10% do total, ficando atrás apenas de São Paulo, que lidera com 30 hospitais.
A pesquisa avaliou exclusivamente hospitais públicos que atendem pelo SUS, com base em critérios técnicos como acreditação hospitalar, taxas de ocupação, indicadores de mortalidade e estrutura de suporte intensivo. O estudo contou ainda com apoio técnico do Instituto Ética Saúde (IES), do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
De acordo com informações do governo estadual, o desempenho de Goiás está relacionado à expansão da rede hospitalar e à redistribuição dos serviços de saúde em diferentes regiões. Em declarações oficiais, o governador Ronaldo Caiado atribuiu o resultado ao trabalho das equipes que atuam na assistência e na gestão das unidades. Já o secretário estadual da Saúde, Rasivel Santos, afirmou que a colocação no ranking reflete ações voltadas à organização do sistema e à ampliação do acesso da população aos serviços públicos de saúde.
Atualmente, Goiás mantém 25 hospitais e seis policlínicas sob gestão estadual. Dados oficiais apontam que, entre 2019 e 2025, os investimentos anuais em saúde passaram de R$ 2,6 bilhões para cerca de R$ 5,7 bilhões, totalizando R$ 29,9 bilhões no período. Em 2025, o estado destinou 15,08% da receita para a área da saúde, percentual acima do mínimo constitucional de 12%.
No mesmo intervalo, a rede hospitalar estadual foi ampliada de 17 para 25 unidades, e o número de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) cresceu de 267 para 848. O acesso a esse tipo de atendimento, que antes estava concentrado em Goiânia, Anápolis e Aparecida de Goiânia, passou a abranger 24 municípios goianos.
Entre os hospitais de Goiás incluídos no ranking nacional estão unidades localizadas na capital e no interior do estado, com atendimento em áreas como urgência e emergência, saúde da mulher, pediatria, doenças infecciosas e assistência de alta complexidade. A lista nacional reúne ainda hospitais de estados como Pará, Santa Catarina, Pernambuco, Rio de Janeiro, Paraná, Amazonas, Bahia, Distrito Federal e Minas Gerais.
Confira os hospitais de Goiás incluídos entre os 100 melhores do SUS
Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia
Hospital Estadual da Mulher Dr. Jurandir do Nascimento (Hemu), em Goiânia
Hospital Estadual de Aparecida de Goiânia Cairo Louzada (Heapa), em Aparecida de Goiânia
Hospital Estadual de Luziânia, em Luziânia
Hospital Estadual de Santa Helena de Goiás (Herso), em Santa Helena de Goiás
Hospital Estadual de Trindade Walda Ferreira dos Santos (Hetrin), em Trindade
Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia
Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu
Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), em Goiânia
Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG), em Goiânia
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A REDAÇÃO
Goianos ganham acesso à reabilitação de alta tecnologia pelo SUS
Crer utiliza análise 3D para realizar processos
O Governo de Goiás amplia o acesso à reabilitação especializada ao ofertar, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tecnologia avançada para a análise do movimento humano. O Laboratório de Marcha do Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), unidade da Secretaria de Estado da Saúde (SES), é um dos serviços mais modernos do país na avaliação biomecânica da marcha, que já beneficiou milhares de pacientes e contribui para decisões clínicas mais precisas, apoiando a definição de condutas terapêuticas e cirúrgicas.
A análise tridimensional permite identificar alterações sutis do movimento, ampliando a efetividade da reabilitação e a funcionalidade dos pacientes. O serviço conta com 12 câmeras com sensores infravermelhos e softwares de última geração. Durante o exame, marcadores posicionados no corpo do paciente permitem a captação detalhada dos movimentos, que são analisados por uma equipe multiprofissional, formada por médicos, fisioterapeutas e especialistas em reabilitação.
De acordo com o gerente de Reabilitação Física e Visual do Crer, Eduardo Carneiro, a tecnologia fortalece a precisão do cuidado. “O Laboratório de Marcha subsidia um planejamento terapêutico individualizado e baseado em evidências científicas, apoiando desde a prescrição de órteses até o planejamento cirúrgico, com impacto direto na autonomia do paciente”, afirma.
Atendimento de alta complexidade
O Laboratório atende casos neurológicos e ortopédicos complexos, como paralisia cerebral, sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), traumatismo cranioencefálico (TCE), doenças neuromusculares, mielomeningocele, amputações e lesões ortopédicas nos membros inferiores. O serviço também tem papel relevante na reabilitação de pacientes com sequelas neurológicas pós-covid-19.
Referência em reabilitação
Com tecnologia avançada, equipe especializada e fluxo de atendimento estruturado, o Laboratório de Marcha se consolidou como uma ferramenta estratégica para qualificar a assistência em reabilitação no estado. “Mais do que tecnologia, o serviço integra ciência e humanização para oferecer soluções mais assertivas aos pacientes”, destaca Eduardo Carneiro.
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MEDICINA S/A
Os 10 avanços de pesquisa que vão impulsionar a medicina nos próximos anos
Da descoberta de medicamentos impulsionada por inteligência artificial a terapias regenerativas e ferramentas neurológicas de última geração, pesquisadores da Mayo Clinic listaram avanços significativos em 2025 para prever, prevenir e tratar algumas das doenças mais graves e complexas do mundo.
Essas descobertas refletem o progresso em três grandes frentes de inovação da Mayo Clinic. Médicos e cientistas da instituição trabalham de forma integrada para desenvolver ferramentas capazes de prever e interceptar processos biológicos antes que evoluam para doenças ou progridam para condições complexas e de difícil tratamento, por meio da iniciativa Precure. Eles também estão avançando no desenvolvimento de novas curas para a falência de órgãos terminais, indo além do transplante tradicional, como parte da iniciativa Genesis e unindo conhecimento clínico à engenharia de ponta para oferecer novos métodos de diagnóstico e terapias neurológicas inovadoras por meio da iniciativa Bioelectronics Neuromodulation Innovation to Cure (BIONIC).
1. ‘Ensaios clínicos virtuais’ podem prever o sucesso de medicamentos para insuficiência cardíaca
Pesquisadores da Mayo Clinic criaram os chamados “ensaios clínicos virtuais”, que aceleram a descoberta de terapias ao reduzir tempo, custos e o risco de estudos malsucedidos, combinando modelagem computacional avançada com dados reais de pacientes, no âmbito das iniciativas Precure e Genesis. Por meio de um desses ensaios virtuais, foi desenvolvido um novo método para prever se medicamentos já existentes podem ser reaproveitados para tratar a insuficiência cardíaca, um dos maiores desafios de saúde global.
“Os ensaios clínicos continuarão sendo sempre essenciais”, afirma Cui Tao, Ph.D., titular da Cátedra Nancy Peretsman e Robert Scully de Inteligência Artificial e Informática e vice-presidente de Informática da Plataforma Mayo Clinic. “Mas essa inovação demonstra como a inteligência artificial pode tornar a pesquisa mais eficiente, acessível e economicamente viável. A integração de emulação de ensaios, simulação, ensaios sintéticos e modelagem de conhecimento biomédico abre caminho para um novo paradigma na ciência translacional.”
2. Nova descoberta pode abrir caminho para terapias regenerativas em doenças pulmonares
Pesquisadores da Mayo Clinic identificaram o “interruptor” molecular que orienta um pequeno, porém poderoso, conjunto de células responsáveis por decidir entre reparar tecidos ou combater infecções, uma descoberta que pode contribuir para o desenvolvimento de terapias regenerativas para doenças pulmonares crônicas, como parte da iniciativa Genesis da Mayo Clinic.
“Ficamos surpresos ao descobrir que essas células especializadas não conseguem desempenhar as duas funções ao mesmo tempo”, explica Douglas Brownfield, Ph.D., autor sênior do estudo. “Algumas se comprometem com a regeneração, enquanto outras se concentram na defesa. Essa divisão de tarefas é essencial — e, ao identificar o mecanismo que a controla, podemos começar a pensar em como restaurar o equilíbrio quando ele é comprometido pela doença.”
3. Células-tronco podem oferecer nova esperança no tratamento da doença renal em estágio terminal
Pesquisadores da Mayo Clinic descobriram que as próprias células-tronco dos pacientes, obtidas do tecido adiposo, podem ser injetadas antes da hemodiálise, que é o tratamento para a doença renal em estágio terminal, e que essa estratégia frequentemente ajudou a prevenir inflamação e estreitamento das veias. Essa abordagem pode permitir que milhões de pessoas tolerem a diálise por mais tempo, ampliando o período antes da necessidade de um transplante renal, no contexto da iniciativa Genesis da Mayo Clinic.
“Essa estratégia tem potencial para melhorar os resultados clínicos de milhões de pacientes com insuficiência renal, reduzir custos em saúde e orientar novas diretrizes clínicas para o manejo do acesso à diálise, caso seja validada em estudos clínicos maiores”, afirma Sanjay Misra, M.D., radiologista intervencionista da Mayo Clinic.
4. Médicos da Mayo Clinic mapeiam ondas cerebrais dos pacientes para personalizar o tratamento da epilepsia
Com o uso de mapas detalhados dos padrões únicos de ondas cerebrais de cada paciente, médicos da Mayo Clinic agora conseguem identificar com precisão os pontos em que a estimulação é mais eficaz, superando a abordagem tradicional de tratamento da epilepsia baseada em um modelo único para todos. Essa pesquisa integra a iniciativa BIONIC.
“O objetivo de longo prazo é reduzir a atividade da rede de crises epilépticas, de modo que ela seja eventualmente ‘esquecida’ A reorganização da rede neuronal pode nos levar além do controle das crises, com a possibilidade de, de fato, curar a epilepsia”, afirma Nick Gregg, M.D., neurologista da Mayo Clinic.
5. Novo biomarcador genético sinaliza tumores cerebrais agressivos
Pesquisadores da Mayo Clinic descobriram que, quando meningiomas — o tipo mais comum de tumor cerebral — apresentam atividade em um gene chamado transcriptase reversa telomerase (TERT), a doença tende a recidivar mais rapidamente, mesmo quando o tumor aparenta baixo grau ao microscópio. A descoberta faz parte da iniciativa Precure da Mayo Clinic.
“A alta expressão de TERT está fortemente associada a uma progressão mais rápida da doença”, explica Gelareh Zadeh, M.D., Ph.D., neurocirurgiã da Mayo Clinic e autora sênior do estudo. “Isso torna o TERT um novo biomarcador promissor para identificar pacientes com maior risco de desenvolver formas agressivas da doença.”
6. Pesquisadores da Mayo Clinic descobrem a ‘fonte da juventude’ do sistema imunológico
Pesquisadores da Mayo Clinic identificaram que algumas pessoas mais velhas mantêm o que chamaram de “juventude imunológica” – um termo cunhado pelos próprios pesquisadores para descrever um sistema imunológico jovem em pessoas com mais de 60 anos.
“Observamos que esses pacientes apresentam sistemas imunológicos muito jovens, apesar de estarem na faixa dos 60 ou 70 anos. “O custo disso, no entanto, é a autoimunidade”, afirma Cornelia Weyand, M.D., Ph.D., reumatologista e médica-cientista da Mayo Clinic. A descoberta faz parte da iniciativa Precure da Mayo Clinic.
7. Ferramentas da Mayo Clinic permitem prever, identificar e diagnosticar Alzheimer e demências com mais rapidez
Pesquisadores da Mayo Clinic desenvolveram novas ferramentas para estimar o risco de uma pessoa desenvolver a doença de Alzheimer anos antes do aparecimento dos sintomas, como parte da iniciativa Precure, e para ajudar médicos a identificar padrões de atividade cerebral associados a nove tipos de demência, incluindo a doença de Alzheimer, em um único exame. Eles também confirmaram a precisão de um exame de sangue aprovado pela FDA que pode ser utilizado em clínicas ambulatoriais de memória para diagnosticar a doença em pacientes com diferentes graus de comprometimento cognitivo.
“Cada paciente que entra no meu consultório traz uma história única, moldada pela complexidade do cérebro”, afirma David T. Jones, M.D., neurologista da Mayo Clinic e diretor do Programa de Inteligência Artificial em Neurologia da Mayo Clinic. “Essa complexidade foi o que me levou à neurologia e continua a impulsionar meu compromisso com respostas mais claras.”
8. Pesquisa da Mayo Clinic aprimora o rastreamento e a detecção precoce do câncer de mama em mamas densas
Quase metade do total de mulheres nos Estados Unidos apresenta tecido mamário denso, o que pode dificultar a detecção do câncer de mama por meio da mamografia. Pesquisadores da Mayo Clinic constataram que a adição de um exame complementar, chamado imagem molecular da mama (molecular breast imaging, ou MBI), à mamografia tridimensional aumentou em mais do que o dobro a capacidade de detectar câncer em mamas densas.
“Nossa pesquisa tem como foco a detecção dos cânceres mais letais, que podem incluir tumores invasivos de crescimento rápido. Se forem identificados mais cedo, provavelmente conseguiremos salvar mais vidas”, afirma Carrie Hruska, Ph.D., professora de física médica da Mayo Clinic e autora principal do estudo.
9. Pesquisadores da Mayo Clinic descobrem que ‘revestir’ células com açúcar pode proteger aquelas normalmente destruídas no diabetes tipo 1
Após identificar uma molécula de açúcar que células cancerígenas utilizam em sua superfície para se esconder do sistema imunológico, pesquisadores da Mayo Clinic descobriram que essa mesma molécula poderá, no futuro, ajudar no tratamento do diabetes tipo 1, anteriormente conhecido como diabetes juvenil. “Um dos objetivos seria fornecer células transplantáveis sem a necessidade de imunossupressão”, explica Virginia Shapiro, Ph.D., pesquisadora em imunologia da Mayo Clinic. “Embora ainda estejamos em estágios iniciais, este estudo pode representar um passo rumo à melhoria do cuidado.”
10. Novo estudo calcula a prevalência de doenças autoimunes
Pesquisadores da Mayo Clinic e colaboradores descreveram — pela primeira vez — a prevalência das doenças autoimunes nos Estados Unidos. O estudo estima que cerca de 15 milhões de pessoas tenham uma ou mais de 105 doenças autoimunes. A pesquisa também constatou que essas doenças ocorrem com mais frequência em mulheres e identificou as principais doenças autoimunes de acordo com prevalência, sexo e faixa etária. “Saber quantos pacientes têm uma doença autoimune nos Estados Unidos é fundamental para avaliar se essas doenças estão aumentando ou diminuindo ao longo do tempo e com o tratamento”, afirma DeLisa Fairweather, Ph.D., vice-presidente de pesquisa translacional do Departamento de Medicina Cardiovascular da Mayo Clinic na Flórida e autora correspondente do estudo.
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Conheça os vencedores do Prêmio IESS de Produção Científica em Saúde Suplementar
O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) apresenta os vencedores da 15ª edição do Prêmio IESS de Produção Científica em Saúde Suplementar, principal reconhecimento acadêmico do País dedicado à pesquisa sobre o setor. A premiação contempla estudos desenvolvidos nas categorias Promoção da Saúde, Qualidade de Vida e Gestão em Saúde; Direito; e Economia, com foco na produção de conhecimento baseado em evidências e com impacto para o aprimoramento do sistema de saúde suplementar brasileiro. Os vencedores de primeiro lugar em cada categoria receberam um Kindle. Clique aqui para fazer o download dos trabalhos vencedores.
Segundo José Cechin, superintendente executivo do IESS, o Prêmio cumpre um papel estratégico para o setor. “Ao longo de 15 edições, o Prêmio IESS se consolidou como um instrumento fundamental de aproximação entre a produção acadêmica e os desafios concretos da saúde suplementar. Reconhecer pesquisas de qualidade é essencial para qualificar o debate público, fortalecer a regulação e apoiar decisões mais eficientes e sustentáveis”, afirma.
Na categoria Promoção da Saúde, Qualidade de Vida e Gestão em Saúde, avaliada pelo Prof. Alberto Ogata, o primeiro lugar foi concedido a Luana Martins Oliveira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pelo trabalho “Estratégia de influência: um estudo dos atos de concentração econômica realizados por hospitais e planos de saúde no Brasil”. O estudo analisou atos de concentração econômica aprovados pelo CADE entre 2014 e 2019 e identificou um processo relevante de consolidação do setor, com potenciais impactos sobre a equidade do sistema de saúde e a formulação de políticas públicas. O segundo lugar ficou com Ana Cláudia Couto de Abreu, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), cujo trabalho desenvolveu um modelo preditivo para eventos adversos graves não infecciosos em internações hospitalares. A menção honrosa foi concedida a Anderson Almeida Ferreira (UFMG), pelo estudo que avaliou o uso de grandes modelos de linguagem na sumarização de diálogos reais entre pacientes e equipes de saúde, com potencial aplicação na atenção primária digital.
Na categoria Direito, avaliada pelo Prof. Dalton Tria Cusciano, o primeiro lugar foi concedido a Vinicius Machado Rodrigues Vianna, da Fundação Getulio Vargas – Rio de Janeiro (FGV Direito Rio), pelo trabalho “Deferência do STJ às escolhas regulatórias da ANS sobre coberturas assistenciais”. A pesquisa analisou decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e identificou heterogeneidade no grau de deferência às normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com impactos relevantes sobre a segurança jurídica e a previsibilidade regulatória do setor. O segundo lugar ficou com Valquíria Ferreira de Faria, da Universidade de Brasília (UnB), cujo estudo analisou a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP) como instrumento de resolução extrajudicial de conflitos, destacando sua contribuição para a redução da judicialização.
Na categoria Economia, avaliada pelo Prof. Antonio Carlos Coelho Campino, o primeiro lugar foi concedido a Isamara Silva Cota, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, pelo trabalho que analisou práticas de gestão de riscos de subscrição em cooperativas médicas à luz da regulação da ANS, evidenciando avanços em governança e controles internos. O segundo lugar ficou com Vinicius Martins Castilho, do Hospital Sírio-Libanês, cujo estudo avaliou os impactos clínicos e econômico-financeiros de modelos de gestão de saúde populacional baseados na Atenção Primária à Saúde (APS), indicando redução de custos e retorno positivo sobre o investimento.
Para Cechin, a diversidade temática dos trabalhos reforça a importância do Prêmio. “Os estudos premiados mostram como a pesquisa acadêmica pode contribuir de forma concreta para a melhoria da gestão, da regulação e do cuidado em saúde. Ampliar o acesso a esse conhecimento é parte central da missão do IESS”, destaca.
Os trabalhos vencedores e as pesquisas reconhecidas nesta edição estão disponíveis para download no site do IESS. Podem se inscrever no Prêmio pesquisadores e estudantes autores de artigos científicos ou trabalhos de conclusão de cursos de pós-graduação, incluindo MBA, mestrado e doutorado.
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SAÚDE BUSINESS
ANS faz retrospectiva da saúde suplementar em 2025
Os destaques incluem a modernização da fiscalização e o fortalecimento da integração com o Sistema Único de Saúde.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou um balanço das principais conquistas alcançadas em 2025 no âmbito da regulação do setor de saúde suplementar no Brasil. Entre os destaques, estão mudanças normativas relevantes, implementadas em resposta às demandas da sociedade. O período também foi marcado por uma renovação interna, com a transição de parte da diretoria da instituição. Além disso, os resultados econômico-financeiros do setor chamaram atenção, com o desempenho positivo das maiores operadoras médico-hospitalares e a redução da sinistralidade, refletindo avanços significativos na gestão do segmento.
O setor de saúde suplementar registrou crescimento contínuo ao longo de 2025, encerrando o mês de outubro com 53,3 milhões de beneficiários em planos de assistência médica, um aumento de aproximadamente 1,4 milhão em relação a outubro de 2024. No segmento de planos exclusivamente odontológicos, o total de beneficiários chegou a 35,1 milhões, representando um acréscimo de 982 mil no mesmo período.
“Em 2025, a ANS intensificou seus esforços para garantir a qualidade do atendimento aos beneficiários, atuando com muito diálogo e de forma incansável para assegurar que as operadoras cumpram suas responsabilidades. Nossa missão continua sendo a defesa dos cidadãos que têm planos de saúde, buscando sempre soluções que atendam às suas necessidades e garantam um sistema mais justo e acessível para todos”, destaca Wadih Damous, diretor-presidente da ANS.
A ANS em 2025
A participação social ampliada promovida pela ANS segue como destaque da atuação da reguladora. Ao longo de 2025 foram realizadas 13 audiências públicas, 22 consultas públicas e uma tomada pública de subsídios, que permitem que a sociedade participe das decisões da Agência e acompanhe os debates em torno dos temas que são propostos para aperfeiçoamento do setor. Ao todo, foram realizadas 30 reuniões de Diretoria Colegiada, que puderam ser acompanhadas de forma remota por todos os interessados.
Foi registrada a quarta edição da ação ANS com Você, mantendo o modelo de capacitação de funcionários de órgãos de defesa do consumidor sobre as regras de funcionamento do setor de planos de saúde.
Em 2025, o mandato de três diretores foi encerrado, sendo empossados novos diretores: Wadih Damous como diretor-presidente e de Desenvolvimento Setorial, Lenise Secchin como diretora de Normas e Habilitação dos Produtos e Carla Soares como diretora interina de Gestão. Eliane Medeiros e Jorge Aquino permanecem nos cargos de diretores de Fiscalização e de Normas e Habilitação dos Produtos, respectivamente.
Integração com o SUS por meio do programa Agora Tem Especialistas, que viabiliza a troca de dívidas, como as do Ressarcimento ao SUS, das operadoras por atendimento na saúde suplementar a pacientes da rede pública.
Gestão de crises e monitoramento diante de situações críticas envolvendo operadoras, como no caso da Unimed Ferj.
Chegada de novos servidores em 2025 – aprovados no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) – que, embora o número esteja aquém do necessário, são essenciais para auxiliar na força de trabalho da Agência para melhor atendimento à sociedade.
Agenda Regulatória
Atualmente, 270 hospitais gerais contam com Certificado de Acreditação ou certificação de qualidade em saúde.
A Agenda Regulatória se manteve, em 2025, como o principal instrumento de planejamento regulatório e orientador para a atuação da Agência. Assuntos como o aperfeiçoamento dos mecanismos de fiscalização e a reformulação da política de preços e reajuste foram amplamente debatidos durante o ano.
A agência se prepara para construir a próxima Agenda Regulatória 2026-2028. A sociedade já foi convocada a participar da elaboração dessa ferramenta, fundamental para a execução dos trabalhos prioritários da reguladora, por meio da Tomada Pública de Subsídios 6. Os interessados podem enviar contribuições até 31/1/2026.
Rol de coberturas
Leia mais sobre Mercado da Saúde
Em 2025 foram incorporados ao rol 25 itens, entre procedimentos, medicamentos, indicações ou ampliações de uso. Tratamentos inovadores para câncer e insuficiência pancreática, por exemplo, somaram-se à lista que deve ser disponibilizada pelas operadoras aos beneficiários.
A Notificação de Intermediação Preliminar (NIP) completou 15 anos e continua se mostrando uma ferramenta importante para agilizar e solucionar demandas de consumidores.
Qualificação do setor e promoção à saúde
Foi lançado neste ano o Manual de Acreditação de Operadoras Exclusivamente Odontológicas. A publicação traz conteúdos específicos para o setor odontológico, além de conferir mais clareza e adesão às práticas de saúde bucal.
Além disso, a Agência realizou oficinas com representantes dos hospitais que compõem o Programa de Monitoramento da Qualidade Hospitalar (PM-QUALISS Hospitalar). Atualmente, 270 hospitais gerais que possuem Certificado de Acreditação ou certificação de qualidade em saúde fazem parte do Programa.
Painéis interativos
A Agência lançou dois painéis: o Painel de Rede e Vazios Assistenciais na Saúde Suplementar e o Painel de Contratantes de Planos Coletivos. O Painel de Rede e Vazios Assistenciais na Saúde Suplementar permite o mapeamento detalhado da disponibilidade de profissionais e estabelecimentos de saúde que atendem beneficiários de planos de saúde em todo o Brasil.
Já o Painel de Contratantes de Planos Coletivos reúne informações detalhadas sobre as empresas contratantes constantes na base da Receita Federal do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), que respondem pelo atendimento de cerca de 80% dos beneficiários no país.
Aperfeiçoamento da regulação
Entraram em vigor resoluções normativas, como a 623/2024, que trouxe novas regras para o relacionamento entre as operadoras e os beneficiários de planos de saúde. E a Resolução Normativa 585/2023 para para ampliar a transparência e a proteção para os beneficiários de planos de saúde, como a ampliação das regras da portabilidade, a obrigação da comunicação individualizada e a necessidade de manter ou elevar a qualificação do hospital a ser substituído.
Foram aprovadas as novas regras para as operadoras de autogestão, conforme a Resolução Normativa 649/2025, que pretende tornar o modelo mais transparente e sustentável, aprimorando a governança e consolidando a proteção dos beneficiários.
O final do ano também foi marcado pela aprovação do novo modelo de fiscalização da ANS, que reorganiza as ações fiscalizatórias com foco na prevenção de falhas e na indução à conformidade regulatória, e pelo início das avaliações trimestrais das operadoras com base no Índice Geral de Reclamações (IGR), ampliando a transparência sobre o relacionamento com os beneficiários.
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PORTAL G1
Médica fala sobre atender mais de 80 pacientes em plantão: ‘Atendo com o máximo de atenção’
O vídeo mostra a realidade de uma unidade de saúde que opera como único ponto de socorro da região. Ela ressaltou a importância da empatia no SUS, mesmo diante da rotina exaustiva entre consultório e emergências.
A médica Emily Assis postou um vídeo nas redes sociais contando sobre a rotina de plantão após atender mais de 80 pacientes em um hospital do interior de Goiás. Segundo a médica, ela tenta atender cada paciente com qualidade e precisa dividir as consultas com a sala vermelha, atendimentos que chegam do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e outras intercorrências.
De acordo com Emily, quando o paciente chega ao consultório e recebe um atendimento com mais atenção, fica menos bravo. "Mudava a cara comigo, ficava mais satisfeito", afirmou.
A médica comenta também sobre a carga de plantões, que são escolha de cada profissional, e enfatiza a importância de prestar um bom atendimento.
"A gente não é obrigada a dar plantão. Todo plantão que você pega, você escolheu dar. Todo mundo tem conta para pagar. E, quando você se dispõe a trabalhar e a atender uma pessoa, eu acho que você tem que atender aquela pessoa com toda a qualidade", destaca.
No dia em que gravou o vídeo, a médica disse que estava atendendo em um hospital do interior. Segundo explica, na cidade só existe esse hospital e mais um "postinho", que está fechado até segunda-feira (5) por causa do feriado de Ano Novo. Ela mostra que foram 83 atendimentos no dia e fala sobre as pessoas que reclamam da espera.
"Eu sei que para as pessoas é muito complicado esperar. Eu fico escutando aqui do consultório assim: 'Nossa, que médica enrolada'; 'Eu vou embora. Não é possível que só uma injeção leve esse tempo todo'", comenta.
Emily finaliza contando que, além do consultório, a rotina de plantão envolve outras responsabilidades, como atender na sala vermelha (onde estão os pacientes mais graves), na enfermaria e na "porta". "Então, a porta não para. Se tem intercorrência ou se chega SAMU, eu paro para poder ir lá", disse.
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Assessoria de Comunicação
CLIPPING AHPACEG 31/12/25
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
PUC TV
Falhas no sistema de regulação afetam atendimento em upas de Goiânia
https://www.youtube.com/watch?v=Gw-qC0tek74
Famílias denunciam demora para realização de cirurgias no Hugo
Proposta regulamenta atividade de técnico em imobilizações
https://medicinasa.com.br/tecnico-imobilizacoes-ortopedicas/
PUC TV
Falhas no sistema de regulação afetam atendimento em upas de Goiânia
https://www.youtube.com/watch?v=Gw-qC0tek74
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TV ANHANGUERA
Famílias denunciam demora para realização de cirurgias no Hugo
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MEDICINA S/A
Proposta regulamenta atividade de técnico em imobilizações
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que regulamenta o exercício da profissão de técnico em imobilizações ortopédicas. O texto estabelece requisitos de formação e define que a atividade deve ser realizada sob supervisão médica.
Como tramita em caráter conclusivo, a proposta deverá seguir para o Senado, salvo se houver recurso para análise no Plenário da Câmara. Para virar lei, a versão final do texto precisa ser aprovada pelas duas Casas.
Por recomendação do relator na CCJ, deputado Fausto Pinato (PP-SP), foi aprovada a versão da Comissão de Trabalho para o Projeto de Lei 2194/19, do ex-deputado André de Paula (PE), e uma proposta similar que tramita em conjunto.
O texto aprovado prevê que o exercício da profissão dependerá da conclusão de curso técnico com carga horária mínima de 1.200 horas, das quais pelo menos 600 horas serão dedicadas a atividades práticas ou treinamento em serviço.
A exigência de qualificação busca proteger a sociedade de riscos decorrentes de procedimentos inadequados. A proposta aprovada assegura a continuidade do trabalho para os profissionais que atuam na área há pelo menos dois anos.
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Assessoria de Comunicação
CLIPPING AHPACEG 30/12/25
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
ANS aprova novo modelo de fiscalização para a saúde suplementar
Saúde de Goiânia fecha 2025 com reestruturação do Samu e recorde de atendimentos
Bioética como eixo central das decisões nas instituições de saúde
https://medicinasa.com.br/foco-saude-2026/
SAÚDE BUSINESS
ANS aprova novo modelo de fiscalização para a saúde suplementar
A iniciativa busca fortalecer a adesão regulatória dos entes fiscalizados, garantindo maior agilidade na atuação da agência.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou, em reunião extraordinária da Diretoria Colegiada (DICOL), uma nova norma que estabelece o Novo Modelo de Fiscalização do Setor de Saúde Suplementar. A medida marca um importante passo na modernização das ações fiscalizatórias da entidade, com ênfase na prevenção de conflitos, na melhoria da experiência dos beneficiários e no estímulo à adoção de boas práticas por operadoras e administradoras de benefícios.
A proposta utiliza uma abordagem de regulação responsiva, que combina instrumentos preventivos, indutores e sancionatórios e foi desenvolvido no âmbito da Agenda Regulatória da ANS 2023-2025.
A medida foi bastante discutida em 2025, com início na Consulta Pública nº 147, que garantiu a participação da sociedade e dos agentes regulados na construção da nova norma, e ao longo do ano em eventos técnicos voltados ao aprimoramento do modelo de fiscalização.
Os principais objetivos são:
redução do tempo de análise das reclamações
atuação mais rápida da fiscalização diante dos problemas identificados
criação de um sistema que estimula o cumprimento das normas pelas operadoras, tornando os processos fiscalizatórios mais eficientes e alinhados à realidade do setor
“O novo modelo de fiscalização reforça o papel da ANS como indutora de boas práticas no setor. A proposta é provocar a mudança de cultura com os direitos dos beneficiários respeitados e a melhoria do atendimento das operadoras, sem abrir mão de medidas coercitivas quando necessárias”, destacou a diretora de Fiscalização da ANS, Eliane Medeiros.
A nova norma entrará em vigor em 1º de maio de 2026 e será aplicada exclusivamente às infrações ocorridas a partir dessa data, conforme parecer da Procuradoria Federal junto à ANS.
Entre as principais mudanças trazidas pelo novo modelo, destacam-se:
▪ Análises individuais de demandas por amostragem, realizadas com base em critérios previamente definidos e aprovados pela Diretoria Colegiada;
▪ Remodelação das ações planejadas e estratégicas de fiscalização;
▪ Ajustes em tipos infrativos e no valor das multas pecuniárias;
Fiscalização pro amostragem
A ANS adotou a avaliação por amostragem para tornar a fiscalização mais ágil e eficiente, sem comprometer o atendimento às reclamações dos beneficiários. As demandas continuarão sendo recebidas e encaminhadas às operadoras por meio da Notificação de Intermediação Preliminar (NIP), ferramenta que facilita a mediação eletrônica e a resolução de problemas dos consumidores.
As regras estabelecidas podem gerar penalidades de até R$ 1 milhão e restrições ao exercício do cargo pelo administrador da operadora em caso de descumprimento.
A partir da nova regra, parte das reclamações seguirá sendo analisada individualmente, dentro da capacidade operacional da fiscalização, enquanto as demandas não selecionadas servirão de base para as ações planejadas da ANS, além de impactarem em diversos indicadores. Essa abordagem permite evitar o acúmulo de processos, distribuir melhor a força de trabalho da agência e identificar, de forma mais rápida, padrões de conduta que demandem atuação regulatória mais ampla.
Vale ressaltar que qualquer reclamação não resolvida poderá ser incluída nas análises individualizadas, conforme critérios definidos e a prerrogativa fiscalizatória da Agência.
Ações de Fiscalização Planejada
Segunda a ANS, dessa forma é possível reorganizar as Ações de Fiscalização Planejada (AFP), que passam a ter papel central na atuação da agência. Essas ações são estruturadas em diferentes modalidades, de acordo com a gravidade da situação identificada e o desempenho das operadoras nos indicadores da ANS, especialmente o Índice Geral de Reclamações (IGR).
As novas ações de fiscalização da ANS incluem a Ação Planejada Preventiva (APP), de caráter orientador, a Ação Planejada Focal (APF) e a Ação Planejada Estruturada (APE), destinada a casos mais complexos. Esta última prevê penalidades que podem alcançar R$ 1 milhão e restrições ao exercício do cargo pelo administrador da operadora em caso de descumprimento.
O modelo também contempla a Ação Coercitiva Incidental (ACI), quando houver aumento recente no registro de reclamações ou quando há descumprimento relevante da legislação setorial que impacte negativamente a prestação de serviços à coletividade de beneficiários.
As mudanças seguem os princípios da regulação responsiva. “Ao priorizar ações planejadas e graduais, a ANS fortalece um ambiente regulatório mais previsível, que estimula ajustes tempestivos por parte das operadoras e contribui para a qualificação dos serviços prestados aos beneficiários”, ressaltou Eliane Medeiros.
Multas e infrações
A proposta aprovada atualiza também os tipos de infração previstos e revisa os valores das multas às operadoras. As penalidades passam a ter valores mais altos, com aumento escalonado que, ao final do período de implementação, representa elevação total de até 170% em relação aos valores atualmente vigentes.
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A REDAÇÃO
Saúde de Goiânia fecha 2025 com reestruturação do Samu e recorde de atendimentos
Investimento foi superior a R$ 830 milhões
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) encerra o ano com investimento superior a R$ 830 milhões na saúde de Goiânia. As melhorias incluem a reestruturação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), implementação de novo modelo de gestão nas maternidades municipais, restabelecendo serviços essenciais, e mais de 2 milhões de atendimentos na rede de atenção primária e de urgência e emergência.
“Um dos nossos compromissos foi a transformação da saúde, e muito já foi feito. Assumimos com um cenário de uma cidade totalmente destruída, com a saúde em intervenção. Mesmo diante de uma dívida de quase R$ 5 bilhões, o trabalho tem resgatado a confiança do goianiense na administração pública”, afirma o prefeito Sandro Mabel. Neste ano, foram quitados R$ 276 milhões de dívidas da gestão anterior com fornecedores e prestadores de serviço.
Os investimentos promoveram a contratação de mais de 280 novos profissionais, entrega de novas mobílias para as unidades e reabertura do Centro de Referência em Ortopedia e Fisioterapia (Crof), que realizou mais de 38 mil atendimentos. O atendimento pediátrico 24h foi ampliado para todas as unidades de emergências, realizando mais de 178 mil atendimentos, e as cirurgias cardiopediátricas foram retomadas, em parceria com o Hospital da Criança.
Samu
Neste ano, o Samu foi reestruturado com 22 novas ambulâncias e 89 novos profissionais, alcançando mais de 42 mil atendimentos. Com a frota e equipe renovada e protocolos que reduzem o tempo de retenção das ambulâncias nas unidades de saúde, o serviço registrou avanço de 22,7% na capacidade operacional. Entre janeiro e outubro, foram realizados 41.883 atendimentos, sendo sete mil a mais que no mesmo período de 2024.
Maternidades
Com a implementação da gestão por organizações sociais, as maternidades municipais retomaram serviços essenciais, como atendimentos de urgência e emergência; partos e cirurgias eletivas; consultas e exames ambulatoriais. Em apenas três meses, as três unidades realizaram mais de 26 mil atendimentos. Entre setembro e novembro, foram 1.735 partos, 11.100 atendimentos de urgência e emergência e 46.443 exames laboratoriais e de imagem.
Atendimentos
Em 2025, segundo a Secretaria, foram realizados 2.131.452 atendimentos em saúde. Composta por mais de 100 unidades de saúde, a rede de atenção primária do município realizou neste ano 1.124.006 consultas ambulatoriais, sendo 30.235 com pediatra, 39.032 com ginecologista e 1.054.739 com clínico geral e médico generalista. Segundo a pasta, ainda foram realizados 1.007.446 atendimentos de urgência e emergência, entre adultos e crianças.
A rede de atenção básica de Goiânia oferta mensalmente cerca de 28 mil consultas. Lançado no último dia 24 de novembro, o Mais Saúde Goiânia, serviço de agendamento disponível no aplicativo Prefeitura 24h, soma 3.699 consultas agendadas em apenas 15 dias de operação. A nova plataforma possibilita que os usuários marquem consultas com clínico geral, pediatra, ginecologista e médico generalista pelo celular e no conforto de casa.
Vacinação
Neste ano, o número de pontos de vacinação disponibilizados à população subiu de 29 locais para 67. Com essa ampliação, 1.269.390 de doses de vacinas foram aplicadas na capital em 2025. A prefeitura contratou ainda 98 novos profissionais para reforçar as escalas nas unidades, a oferta de imunizantes em locais alternativos, como shopping centers, centros de educação infantil e o zoológico, e a participação nas campanhas de multivacinação.
Combate a dengue
Goiânia registrou uma queda de 47,2% no número de casos de dengue neste ano, no comparativo com o ano passado. Números são resultados dos esforços dos agentes de combate a endemias, que realizaram mais de 2,3 milhões de visitas domiciliares, além de vistorias compulsórias em 1.017 imóveis abandonados ou permanentemente fechados, onde foram exterminados 30.890 focos do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
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MEDICINA S/A
Bioética como eixo central das decisões nas instituições de saúde
Vivemos um momento decisivo que evidencia uma transformação profunda no modo como decisões na área da saúde vêm sendo tomadas, e projetadas. Com ela, a bioética, antes vista quase exclusivamente como campo acadêmico ou de comitês internos, ganha status de ferramenta essencial no cotidiano de instituições de saúde, conselhos, tribunais e gestores. Em 2026, tudo indica que essa tendência se consolidará.
Cada vez mais, a velocidade dos avanços biomédicos, a judicialização crescente da medicina, a emergência de novas tecnologias e a pressão por resultados demandam um eixo ético robusto. Leis, regulamentos ou protocolos não são suficientes para abarcar a complexidade dos dilemas clínicos, institucionais e sociais. Nesse contexto, a bioética se apresenta como a bússola indispensável para decisões que envolvem vida, dignidade, justiça e responsabilidade.
As instituições de saúde — sejam públicas ou privadas — precisam reconhecer que a bioética não é mais um diferencial, mas um pilar estruturante. Em 2026, vai ser cada vez mais comum que auditorias, protocolos de governança, comitês internos e decisões clínicas considerem — além da técnica — a pertinência ética de cada ação. A omissão ética deixará de ser uma falha apenas moral: será juridicamente questionável e operacionalmente inviável.
Por exemplo, a bioética fornece a capacidade necessária para interpretar e complementar normas quando estas não contemplam todas as nuances da prática médica: autonomia fragilizada, vulnerabilidades sociais, desigualdades regionais, consentimento informado, conflito de interesses, decisões, uso de novas tecnologias, riscos e benefícios. Além disso, ao orientar a governança institucional, a bioética ajuda a prevenir litígios, a estruturar processos decisórios transparentes e a garantir que o cuidado à saúde seja exercido com dignidade e justiça.
Também, a bioética também fortalece a confiança da sociedade no sistema de saúde. Quando as instituições assumem uma postura ética, reconhecem a complexidade dos dilemas e adotam práticas transparentes, elas não apenas protegem os pacientes, mas os protegem. O profissional de saúde, o gestor, o jurídico, todos ganham amparo para agir de forma consciente e responsável.
2026 caminha para ser o ano da consolidação dessa mudança. A bioética tende a ser incorporada na rotina: nas políticas internas, nos códigos de conduta, nas decisões clínicas, nos comitês de ética, nos contratos, nas auditorias e, sobretudo, na cultura das organizações. Não mais uma reflexão isolada, mas uma diretriz estrutural.
Se quisermos construir instituições de saúde verdadeiramente seguras, justas e humanas — que respeitem a dignidade do paciente e protejam o profissional —, não há outro caminho: a bioética precisa deixar os limites do gabinete e invadir o centro da gestão, da tomada de decisão e do cuidado.
*Camila Cortez é advogada, consultora, palestrante especializada em Bioética, Direito Médico e Healthcare Compliance, fundadora da KCortez Consultoria, Diretora e Professora do Instituto BIOMEDS.
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Assessoria de Comunicação
CLIPPING AHPACEG 29/12/25
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DESTAQUES
ISS Fixo para médicos e clínicas: o que a nova jurisprudência significa
https://medicinasa.com.br/iss-fixo-medicos-clinicas/
Projeto que integra hospitais e operadora de saúde por meio de interoperabilidade é vencedor do 3º Prêmio Inovação
https://medicinasa.com.br/projeto-conecte-saude-premio/
Parceria entre Unimed e TJMG visa reduzir judicialização na saúde
O custo da saúde na ponta começa na regulação
https://www.saudebusiness.com/colunistas/o-custo-da-saude-na-ponta-comeca-na-regulacao/
Por que estrangeiros estão escolhendo o Brasil para cuidar da saúde
Curto-circuito causa princípio de incêndio e unidade do Albert Einstein é evacuada
LEITURA ESTRATÉGICA
Desafios e avanços econômicos de 2025 na saúde
Este artigo faz parte da matéria “A leitura do ano na visão de 20 líderes setoriais“, que retrata análises, desafios e perspectivas que marcaram a economia brasileira e goiana sob o olhar de quem decide, investe e constrói o desenvolvimento. Confira os outros artigos em nosso site: https://leituraestrategica.com.br/
Renato Daher
Na saúde privada goiana, 2025 foi marcado por fortes desafios econômicos, com reflexos diretos na oferta de serviços de alta complexidade. A inflação específica da saúde permaneceu acima do índice oficial, impulsionada pelo aumento dos custos de insumos, equipamentos e logística, pressionando a sustentabilidade das instituições.
Em muitos casos, os reajustes das fontes pagadoras não acompanharam essa realidade, agravando o descompasso histórico entre receitas e custos.
Destaque também para a apreensão do setor diante do “tarifaço” imposto ao Brasil pelos Estados Unidos, pelo risco de novos aumentos nos preços de insumos importados, como contrastes para exames de imagem e equipamentos especializados.
A implantação do piso salarial da enfermagem, uma conquista dos profissionais, seguiu pressionando de forma significativa as despesas com a folha de pagamento, que representa parcela expressiva dos custos hospitalares.
Apesar das dificuldades, que levaram à redução da capacidade assistencial em algumas instituições e ao risco de descontinuidade de serviços, 2025 também trouxe avanços. A Ahpaceg ampliou o diálogo com os principais compradores de serviços de saúde em Goiás, fortalecendo negociações contratuais e abrindo caminhos para a melhoria da remuneração. A entidade também avançou na articulação de compras coletivas de insumos, obtendo melhores condições comerciais e aliviando custos para os associados.
Para 2026, a Ahpaceg manterá o foco no diálogo, na eficiência e na união do setor de alta complexidade, buscando superar vulnerabilidades e fortalecer a sustentabilidade das instituições que são essenciais para a assistência à população e para a geração de emprego e renda.
Maior impacto positivo: Queda taxas desemprego
Pior impacto: Ameaça do tarifaço
Renato Daher, é o atual presidente da Diretoria Executiva da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) (para o biênio 2025-2027), assumindo em 1º de maio de 2025 e sucedendo Haikal Helou. Ele também é CEO da CRD Medicina Diagnóstica e tem focado em inovação, usando IA e criando processos exclusivos, como o Protocolo Ninar, destacando a transformação digital na medicina.
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MEDICINA S/A
ISS Fixo para médicos e clínicas: o que a nova jurisprudência significa
As transformações recentes no ambiente regulatório brasileiro têm colocado a gestão tributária no centro da agenda de clínicas, consultórios, hospitais e empresas do ecossistema da saúde. Entre elas, uma discussão ganhou força: a possibilidade de médicos e sociedades uniprofissionais recolherem o ISS pelo regime fixo, e não sobre o faturamento.
Em dezembro de 2025, uma decisão relevante da 2ª Vara da Fazenda Pública de Florianópolis reacendeu o debate ao autorizar uma médica — única sócia e responsável técnica de sua sociedade — a recolher o ISS pelo regime fixo, afastando imediatamente a cobrança baseada na receita bruta.
Embora pareça um assunto restrito ao campo jurídico, na prática este tema impacta diretamente:
previsibilidade financeira,
custos operacionais,
modelos societários,
estratégia de compliance,
competitividade de clínicas e consultórios,
e o próprio planejamento estratégico dos líderes do setor.
É sobre esses impactos — e por que gestores devem acompanhar essa tendência — que este artigo se debruça.
1. O pano de fundo: por que o ISS fixo voltou ao centro da gestão tributária
O ISS, tradicionalmente recolhido sobre a receita bruta, possui exceção legal desde 1968 para profissionais liberais e sociedades uniprofissionais. O Decreto-Lei 406/1968, ainda com status de lei complementar nacional, prevê que médicos que prestam serviços de forma pessoal podem recolher o imposto de forma fixa e anual, por profissional habilitado.
Essa norma, apesar de antiga, tem sido alvo de:
interpretações restritivas por parte de municípios,
autuações fiscais,
disputas judiciais,
e tentativas de ampliar a base de cálculo do tributo.
O resultado é um cenário de insegurança jurídica que afeta diretamente a sustentabilidade financeira das clínicas, especialmente das estruturas enxutas, orientadas ao atendimento técnico individualizado.
2. O caso de Florianópolis: o que exatamente foi decidido?
No Mandado de Segurança nº 5071155-89.2025.8.24.0023/SC, uma médica — única sócia de sua sociedade limitada — contestou a exigência de recolhimento do ISS sobre o faturamento.
O juízo reconheceu que:
A médica presta serviços de forma pessoal, individual e técnica, assumindo responsabilidade direta por cada ato profissional;
A forma jurídica sociedade limitada não impede o enquadramento no regime fixo;
Há respaldo em precedentes consolidados do STF (Tema 918), STJ (Tema 1.323) e TJSC (Tema IAC 22).
Com isso, concedeu liminar determinando que:
a partir de janeiro de 2026, o ISS seja recolhido pelo regime fixo,
a Fazenda Municipal se abstenha de exigir o imposto sobre receita bruta,
a médica tenha imediato alívio financeiro e previsibilidade para planejar seu exercício profissional.
3. Por que isso interessa aos gestores, CEOs e líderes do setor saúde?
O tema transcende o aspecto jurídico. Ele afeta dimensões centrais da gestão de saúde, tais como:
3.1. Previsibilidade e governança tributária
Modelos fixos de tributação permitem:
projeção de custos com maior precisão,
redução de volatilidade financeira,
maior organização orçamentária anual.
Para clínicas e estruturas que baseiam sua operação em médicos prestadores — inclusive em sociedades com mais de um profissional — a definição do regime de ISS impacta margem operacional e precificação de serviços.
3.2. Modelos societários e estratégias de expansão
A discussão gera reflexões importantes para:
sociedades uniprofissionais,
clínicas híbridas,
operações multiunidades,
telemedicina,
estruturas de prestação compartilhada.
Gestores devem compreender que a forma societária pode ser menos relevante do que o modelo de atuação profissional.
3.3. Compliance e relação com o Fisco Municipal
A decisão reforça uma tendência nacional: municípios que restringem o regime fixo violam normas de hierarquia superior.
Para organizações de saúde, isso traz dois movimentos:
necessidade de revisar enquadramentos tributários,
oportunidade de corrigir distorções e recuperar valores pagos indevidamente.
3.4. Competitividade e sustentabilidade do negócio
Estruturas médicas que recolhem ISS sobre o faturamento enfrentam, muitas vezes, carga tributária desproporcional ao seu porte ou modelo de operação. Isso pode impactar:
expansão,
contratação de equipe,
investimento em tecnologia,
aquisição de equipamentos,
abertura de novas unidades.
O ISS fixo pode, em muitos casos, liberar capital importante para reinvestimento empresarial.
4. A jurisprudência está madura — e os gestores devem acompanhar o movimento
Os tribunais superiores são uníssonos:
STF – Tema 918: Municípios não podem restringir o regime fixo quando preenchidos os requisitos legais.
STJ – Tema 1.323: A sociedade limitada não impede a tributação fixa.
TJSC – Tema IAC 22: O critério determinante é a atuação pessoal e técnica, não a forma societária.
Essa convergência jurisprudencial reduz a insegurança e cria ambiente propício para que organizações da saúde:
revisem estruturas,
adequem modelos de negócio,
atualizem seus programas de compliance tributário,
e adotem boas práticas de governança fiscal.
5. O que clínicas, consultórios e grupos médicos devem avaliar em 2026?
Aqui estão os principais pontos estratégicos:
Estrutura societária atual realmente reflete a forma de atuação dos profissionais?
O ISS está sendo recolhido de maneira adequada ou excessiva?
Há espaço para revisão de regime tributário ou recuperação de valores?
A documentação comprobatória de atuação pessoal está organizada?
A política tributária da organização está alinhada à jurisprudência mais atual?
Essas perguntas se tornaram parte do cotidiano dos líderes de saúde — e, cada vez mais, influenciam competitividade, governança e sustentabilidade.
Conclusão: o ISS fixo é mais do que uma tese tributária — é uma escolha de gestão
A decisão de Florianópolis reforça que o modelo tributário das organizações de saúde precisa ser constantemente revisitado sob o prisma da inovação regulatória, eficiência financeira e conformidade.
Para gestores e líderes do setor, compreender o alcance do ISS fixo — e sua correta aplicação — não é apenas uma vantagem tributária.
É uma estratégia de gestão, governança e sustentabilidade.
O cenário para 2026 exige um olhar integrado entre jurídico, financeiro e operacional. E decisões como esta mostram que há espaço real para alinhar conformidade tributária, eficiência fiscal e competitividade das organizações de saúde.
*Bruno Resque é advogado especializado em Direito Médico, Negócios da Saúde e Tributação e sócio-fundador da Bruno Resque Advocacia e do hub digital LegalMed.
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Projeto que integra hospitais e operadora de saúde por meio de interoperabilidade é vencedor do 3º Prêmio Inovação
O Conecte Saúde, projeto idealizado em 2020 pelo Centro de Inovação e Tecnologia em Saúde (CITS) do Hospital Ernesto Dornelles, foi o vencedor da categoria Destaque de Inovação no 3º Prêmio Inovação da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. A premiação, realizada no dia 17 de novembro e promovida pelo Gabinete de Inovação, reconheceu iniciativas capazes de transformar a cidade por meio de tecnologia, impacto social e sustentabilidade. Entre 750 projetos inscritos, apenas 20 chegaram à final.
O case premiado é uma iniciativa de inovação aberta desenvolvida em parceria com o Hospital São Lucas da PUCRS, o Hospital Mãe de Deus, Hospital Ernesto Dornelles e Unimed Porto Alegre, com criação e amparo tecnológico da Sisqualis, empresa do ecossistema Tecnopuc especializada em interoperabilidade, open health, health analytics e proteção de dados em saúde.
Embora tecnologias de integração de dados em saúde já existam, seus usos tradicionalmente permanecem restritos a instituições de um mesmo grupo. A verdadeira disrupção do Conecte Saúde está em viabilizar, pela primeira vez, interoperabilidade entre hospitais independentes e uma operadora de saúde, permitindo que equipes médicas e de enfermagem acessem, de forma temporária, segura e autorizada, informações relevantes do prontuário do paciente armazenadas em outra instituição. A parceria demonstra a construção de confiança entre instituições heterogêneas, que se unem por um propósito comum: tornar o ecossistema de saúde mais eficiente e focado no paciente.
Para Luis Goulart, gerente de TI do Hospital Ernesto Dornelles, a iniciativa é um marco para o ecossistema de saúde. “O Conecte Saúde demonstra que a interoperabilidade de dados vai além da tecnologia: exige interoperabilidade humana, alinhamento entre equipes e confiança entre instituições unidas por um propósito comum de entregar valor em saúde. O projeto reduz desperdícios, eleva a qualidade e a segurança assistencial e impacta positivamente os desfechos clínicos ao longo da jornada do cuidado da pessoa”.
O reconhecimento no 3º Prêmio Inovação reforça o papel do CITS e das instituições parceiras do projeto como protagonistas no ecossistema de inovação em saúde, impulsionando soluções que conectam tecnologia, cuidado e transformação social.
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SAÚDE BUSINESS
Parceria entre Unimed e TJMG visa reduzir judicialização na saúde
O projeto incentiva a resolução de conflitos através de soluções inovadoras e humanizadas.
A Unimed Federação Minas firmou um Termo de Cooperação Técnica com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), com o propósito de promover a resolução consensual de demandas na etapa pré-processual. Essa parceria busca reduzir a judicialização e oferecer soluções mais rápidas e eficientes e aprimorar a gestão de conflitos na área da saúde suplementar.
A Federação se torna a primeira representante da saúde suplementar a se juntar ao Núcleo Integrado de Justiça Multiportas (Nucleomulti), projeto do TJMG que incentiva métodos adequados de resolução de conflitos, com alternativas mais humanizadas, como mediação, conciliação e arbitragem.
Segundo Aylan César de Melo, presidente executivo da Unimed Federação Minas, a parceria reforça a essência cooperativista e a busca por soluções inovadoras: “Estamos criando um caminho mais rápido e efetivo para a solução de demandas, preservando o vínculo de confiança que é a base do cooperativismo. O beneficiário passa a contar com um ambiente de diálogo, conduzido por mediadores e conciliadores do TJMG, com o apoio de profissionais da Unimed preparados para orientar, esclarecer e buscar a melhor solução possível”, destaca.
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O custo da saúde na ponta começa na regulação
Uma regulamentação bem estruturada é um instrumento de eficiência econômica e minimiza riscos jurídicos, perdas operacionais e prejuízos aos pacientes.
O valor que o paciente paga por um medicamento, exame ou procedimento não nasce no momento do atendimento. Ele é o resultado de uma cadeia longa, técnica e regulada, que começa muito antes da saúde chegar à ponta. Nesse percurso, a regulação sanitária exerce papel central, ainda que frequentemente seja tratada apenas como custo ou burocracia.
É fato que regular custa. Estudos, certificações, auditorias e controles exigem investimento. O que raramente se discute é que não regular, ou regular mal, custa muito mais. Falhas regulatórias geram desabastecimento, recalls, eventos adversos, judicialização e desperdício de recursos, impactos que recaem diretamente sobre o sistema e, ao final, sobre o paciente.
Quando regulados e reguladores deixam de pensar no efeito econômico de uma regulação burocrática, complexa e não inclusiva, o efeito é uma saúde de pouco ou quase nenhum acesso. Atrasos, indeferimentos e paralisações reduzem a oferta, pressionam preços e comprometem a previsibilidade do setor. Na prática, a desorganização regulatória se transforma em aumento do custo assistencial.
Por outro lado, a regulação bem estruturada funciona como instrumento de eficiência econômica. Cadeias organizadas, com governança regulatória desde a origem, reduzem retrabalho, riscos jurídicos e perdas operacionais. Para o Estado, normas claras e tecnicamente fundamentadas diminuem conflitos e aumentam a segurança jurídica.
O debate sobre custo da saúde precisa amadurecer. Não se trata de escolher entre regular ou desregular, mas entre regular bem ou pagar o preço da improvisação. Em um setor tão sensível quanto a saúde, a experiência mostra que atalhos quase sempre saem caros, e quem paga essa conta, inevitavelmente, é o paciente.
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JORNAL OPÇÃO
Por que estrangeiros estão escolhendo o Brasil para cuidar da saúde
Qualidade médica, preços competitivos e profissionais reconhecidos internacionalmente colocam o país no radar do turismo de saúde, um mercado bilionário em rápida expansão
O Brasil começa a ocupar um novo espaço no mapa do turismo internacional. Além de praias, cultura e biodiversidade, o país passa a ser cada vez mais procurado por estrangeiros que desembarcam por um motivo específico: cuidar da saúde. Tratamentos odontológicos, procedimentos estéticos, medicina preventiva e até terapias de alta complexidade têm atraído pacientes de fora, impulsionando um setor que já movimenta bilhões de dólares.
Em 2025, o país alcançou um recorde histórico de visitantes internacionais, superando com folga a marca de 6 milhões que havia se mantido estável por anos. Embora ainda fique atrás de destinos turísticos consolidados, como algumas nações europeias menores, o crescimento percentual brasileiro foi um dos maiores do mundo. Parte desse avanço é explicada por um segmento pouco visível ao grande público, mas cada vez mais estratégico: o turismo de saúde.
Um mercado em franca expansão
Levantamentos de consultorias internacionais indicam que o turismo médico no Brasil movimentou mais de US$ 3 bilhões em 2024 e pode ultrapassar a casa dos US$ 14 bilhões na próxima década. A cidade de São Paulo concentra a maior parte dessa demanda, reunindo hospitais de ponta, clínicas especializadas e ampla malha aérea. Hoje, a capital paulista já figura entre os maiores polos latino-americanos de atendimento a pacientes internacionais.
Dados de agências de promoção econômica apontam que centenas de milhares de estrangeiros passaram pelo Brasil recentemente com foco em tratamentos médicos ou odontológicos. Em muitos casos, trata-se de brasileiros que vivem fora do país e retornam para procedimentos específicos. Em outros, são estrangeiros com vínculos familiares ou profissionais que descobrem no sistema privado brasileiro uma alternativa mais acessível e eficiente.
Relatos que ajudam a explicar o fenômeno
Nas redes sociais e em relatos espontâneos, histórias se repetem. Pacientes estrangeiros relatam surpresa com o custo-benefício, o tempo de atendimento e a qualidade técnica dos profissionais. Procedimentos odontológicos que custariam dezenas de milhares de dólares nos Estados Unidos ou na Europa podem sair por menos da metade no Brasil, com tecnologia de ponta e acompanhamento próximo.
Esse diferencial é ainda mais evidente em áreas como odontologia, cirurgia plástica, fertilização assistida e medicina estética. Não por acaso, o país é líder mundial em número de procedimentos estéticos realizados anualmente e referência histórica em cirurgias plásticas.
Cultura do cuidado e formação profissional
Especialistas apontam que o sucesso do Brasil nesse setor não é casual. Há décadas, o país desenvolveu uma forte cultura ligada aos cuidados pessoais, à higiene e à estética. O brasileiro frequenta o dentista com regularidade acima da média mundial e consome intensamente produtos e serviços ligados à saúde e à beleza.
Esse comportamento moldou um mercado profissional robusto. O Brasil abriga centenas de milhares de cirurgiões-dentistas e médicos, além de universidades e centros de formação que aparecem em rankings internacionais, especialmente nas áreas de medicina e odontologia. Hospitais brasileiros também acumulam certificações internacionais de qualidade, superando, em número, instituições reconhecidas em países europeus tradicionais.
Muito além da estética
Embora os procedimentos estéticos sejam a porta de entrada para muitos pacientes estrangeiros, o turismo de saúde brasileiro vai além. Pacientes de países vizinhos e de nações africanas de língua portuguesa buscam, sobretudo, tratamentos de alta complexidade, como oncologia, cardiologia e ortopedia. Em alguns casos, o atendimento privado se soma à estrutura do sistema público, que também chama atenção de imigrantes em busca de qualidade de vida e segurança sanitária.
Essa combinação faz com que clínicas e hospitais passem a se estruturar como verdadeiros hubs internacionais, oferecendo desde pré-consultas online até suporte com hospedagem, transporte e acompanhamento pós-tratamento.
Os desafios para consolidar o Brasil como polo global
Apesar do crescimento, especialistas apontam entraves. Falta integração entre saúde, turismo e hotelaria, além de políticas públicas específicas para promover o país como destino internacional de cuidados médicos. Enquanto países como a Turquia investem pesado em campanhas globais e pacotes integrados, o Brasil ainda depende muito do “boca a boca” e de iniciativas isoladas do setor privado.
Há também desafios estruturais: ampliar a oferta de hotéis adaptados a pacientes, melhorar a comunicação em outros idiomas e criar marcos regulatórios que deem segurança jurídica ao turista de saúde.
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Curto-circuito causa princípio de incêndio e unidade do Albert Einstein é evacuada
Fogo teria começado no ar-condicionado da unidade do Hospital Albert Einstein, na zona oeste de SP. Não há vítimas no local
Um incêndio atingiu a unidade do Hospital Albert Einstein localizada no bairro Perdizes, zona oeste de São Paulo, sábado, 27. Pacientes tiveram que ser retirados do local às pressas.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o fogo teve início em um ar-condicionado portátil no 4º andar da unidade. Cinco equipes de bombeiros foram chamadas por medidas de segurança. O fogo foi controlado pelos brigadistas da própria unidade.
Por meio de nota, o Hospital Albert Einstein informou que “um curto-circuito em sala administrativa causou um princípio de incêndio que foi controlado de imediato”. Ainda de acordo com o hospital, a área não é acessada por pacientes, mas devido o excesso de fumaça, a unidade precisou ser evacuada.
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Assessoria de Comunicação
Ahpaceg na Mídia: Desafios e avanços econômicos de 2025 na saúde
Confira o artigo do presidente da Ahpaceg, Renato Daher, publicado na revista Leitura Estratégica
Desafios e avanços econômicos de 2025 na saúde
Este artigo faz parte da matéria “A leitura do ano na visão de 20 líderes setoriais“, que retrata análises, desafios e perspectivas que marcaram a economia brasileira e goiana sob o olhar de quem decide, investe e constrói o desenvolvimento. Confira os outros artigos em nosso site: https://leituraestrategica.com.br/
Renato Daher
Na saúde privada goiana, 2025 foi marcado por fortes desafios econômicos, com reflexos diretos na oferta de serviços de alta complexidade. A inflação específica da saúde permaneceu acima do índice oficial, impulsionada pelo aumento dos custos de insumos, equipamentos e logística, pressionando a sustentabilidade das instituições.
Em muitos casos, os reajustes das fontes pagadoras não acompanharam essa realidade, agravando o descompasso histórico entre receitas e custos.
Destaque também para a apreensão do setor diante do “tarifaço” imposto ao Brasil pelos Estados Unidos, pelo risco de novos aumentos nos preços de insumos importados, como contrastes para exames de imagem e equipamentos especializados.
A implantação do piso salarial da enfermagem, uma conquista dos profissionais, seguiu pressionando de forma significativa as despesas com a folha de pagamento, que representa parcela expressiva dos custos hospitalares.
Apesar das dificuldades, que levaram à redução da capacidade assistencial em algumas instituições e ao risco de descontinuidade de serviços, 2025 também trouxe avanços. A Ahpaceg ampliou o diálogo com os principais compradores de serviços de saúde em Goiás, fortalecendo negociações contratuais e abrindo caminhos para a melhoria da remuneração. A entidade também avançou na articulação de compras coletivas de insumos, obtendo melhores condições comerciais e aliviando custos para os associados.
Para 2026, a Ahpaceg manterá o foco no diálogo, na eficiência e na união do setor de alta complexidade, buscando superar vulnerabilidades e fortalecer a sustentabilidade das instituições que são essenciais para a assistência à população e para a geração de emprego e renda.
Maior impacto positivo: Queda taxas desemprego
Pior impacto: Ameaça do tarifaço
Renato Daher, é o atual presidente da Diretoria Executiva da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) (para o biênio 2025-2027), assumindo em 1º de maio de 2025 e sucedendo Haikal Helou. Ele também é CEO da CRD Medicina Diagnóstica e tem focado em inovação, usando IA e criando processos exclusivos, como o Protocolo Ninar, destacando a transformação digital na medicina.
2025: um ano de conquistas!
Agradecemos a todos e seguimos confiantes de que, em 2026, continuaremos juntos para avançar ainda mais em prol da saúde de alta complexidade em Goiás.

CLIPPING AHPACEG 23/12/25
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Iniciativa inédita define regras para a terapia ABA no intercâmbio regional da Unimed Federação Centro Brasileira
https://www.folhadoplanalto.com.br/2025/12/iniciativa-inedita-define-regras-para.html
Os pequenos milagres de Natal
https://g1.globo.com/go/goias/videos-ja-2-edicao/video/os-pequenos-milagres-de-natal-14201354.ghtml
Em 2024 foi pregação; 2025, evangelização. De 2026 em diante, a Saúde pode desvelar-se
Técnico de Enfermagem é Demitido por Cair no Golpe do Falso Médico
FOLHA DO PLANALTO
Iniciativa inédita define regras para a terapia ABA no intercâmbio regional da Unimed Federação Centro Brasileira
A Unimed Federação Centro Brasileira acaba de dar um passo inédito e estratégico no cuidado oferecido a pacientes que necessitam da terapia ABA, com a aprovação da primeira regra para a regulação da prestação de serviços de Análise do Comportamento Aplicada (ABA) no intercâmbio regional.
Elaborado com o apoio de uma consultoria especializada e após intensas discussões com a equipe técnica da Federação, o Regramento Técnico para Prestação de Serviços em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) foi detalhado inicialmente durante o Workshop de Intercâmbio, realizado em 31 de outubro. No evento, foram apresentadas contribuições relevantes, que foram prontamente incorporadas ao projeto.
Em 12 de dezembro, a proposta foi apresentada pela mestre em Psicologia, especialista em Neuropsicologia e ABA, Beatriz Costa, durante a Reunião do Conselho Federativo da Unimed Federação Centro Brasileira. A aprovação foi unânime, consolidando o compromisso da Federação com a qualificação do atendimento e a adoção de práticas alinhadas aos mais altos padrões técnicos.
Segundo Roberta Castro, da área de Gestão em Saúde/Compras da Federação, o próximo passo será a operacionalização e a implementação do regramento nos processos de intercâmbio entre as Unimeds de Goiás e Tocantins, assegurando uma atuação integrada e eficaz.
O regramento será aplicado a profissionais credenciados e instituições parceiras que ofertem serviços de intervenção comportamental, além de orientar as áreas assistenciais e de auditoria das Singulares.
O documento estabelece, entre outros pontos, os requisitos mínimos para a composição das equipes de atendimento, a formação do aplicador terapêutico, a definição de valor teto para cobrança em intercâmbio, a inclusão da participação de psicopedagogo graduado em Pedagogia e especializado em Psicopedagogia, bem como indicadores de qualidade e monitoramento dos serviços.
A proposta também institui o Comitê Técnico ABA da Federação, composto por representantes de cada Singular, responsável por atualizar o regramento, deliberar sobre codificação e tabelas, acompanhar indicadores e auditorias e revisar a norma anualmente ou sempre que houver atualização regulatória.
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TV ANHANGUERA
Os pequenos milagres de Natal
https://g1.globo.com/go/goias/videos-ja-2-edicao/video/os-pequenos-milagres-de-natal-14201354.ghtml
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SAÚDE BUSINESS
Em 2024 foi pregação; 2025, evangelização. De 2026 em diante, a Saúde pode desvelar-se
Cognição Artificial pode fazer o setor voar.
O ano de 2025 foi um ano em que a intuição valeu menos. Não é possível dizer se foi diferente em 2024, mas tudo foi mais rápido. Assustadoramente mais rápido no contexto de “tempo dos afetos”, onde tudo nos parece mais ou menos veloz. Muitas vezes estamos diante de determinadas situações na vida, ou desafios, em que não basta ‘gastar’ intuição; é preciso parar, pensar, estudar, inserir análises e, com algum heroísmo, concluir. Nem sempre concluímos de maneira acertada; em geral, temos pouco tempo para avaliar e o erro nos espreita.
Em 2025, estamos sendo testados, ou cobrados a formular juízo em escolhas que envolvem consequências que nos impactarão décadas ou séculos à frente. Refiro-me à locomotiva da Cognição Artificial (IA), que está invadindo nossas vidas, nosso trabalho, família, crenças, política e Saúde. Em 2025, nossa capacidade de intuição foi menos importante do que nossa capacidade de discernimento. Não será diferente em 2026, talvez seja ainda mais rápido.
Nas Cadeias de Saúde, não nos livramos dos velhos problemas e demandas seculares. Pelo contrário, como imaginar essa manchete há uma década? “Oito em cada dez hospitais do NHS inglês estão atendendo pacientes de pronto-socorro nos corredores”. Comparativamente, no mesmo dezembro de 2025, o MIT (Massachusetts Institute of Technology), talvez a melhor universidade do mundo, publicou: “Pesquisadores do MIT dão vida a objetos usando IA e robótica”, sem falar no relatório “AI in Hospitals: 2025 Adoption Trends & Statistics” queexpressou:“Em 2024, 71% dos hospitais não-federais de cuidados agudos dos EUA já utilizam IA preditiva integrada aos seus EHR (contra 66% em 2023)”. Tempos loucos, tempos exuberantes…
A comunidade médica e as lideranças globais em saúde estão no alto de uma montanha, muitos olhando para os lados sem saber bem qual é o topo, mas ativando esforços para subir ainda mais e não descer. Até porque não há mais retorno. Outros permanecem impávidos, presos, imobilizados pela incerteza e pela aposta intuitiva (“é bolha!”). Algumas lideranças médicas, inclusive no Brasil, já arregaçam as mangas, testam, estudam, pesquisam e, talvez, ainda assim desconfiem que o “mundo não dura mais do que um par de anos…”.
Essa relação entre medo, coragem e esperança na tomada de decisão é decifrada por Espinosa (1632-1677): “medo não é covardia, é tristeza por antecipação produzida pela imaginação de um futuro incerto” (se temos certeza de algo ruim, não temos mais medo, mas tristeza).Ele nasce menos do perigo do que da ‘ideia de um perigo eminente’, reduzindo a potência de agir. Coragem, ao contrário, não é euforia e nem negação ao risco. Espinosa chamava de fortitudo [em português, fortaleza ou força de ânimo] essa força de perseverar e agir sob a orientação da razão, mesmo quando a imaginação insiste em transformar o futuro incerto em sentença. “Sob a razão, a perseverança vira fortitudo; sob a imaginação, vira servitus: o conatus governado por paixões e pela flutuação entre esperança e medo.”
Ou seja, nossas expectativas quanto ao porvir (futuro) dialogam constantemente com nossa emoção e razão. Quando a ‘conjectura sobre o futuro é positiva’, decorre esperança; quando somos dominados por uma ‘conjectura negativa’, decorre medo. Assim, diante das IAs, muitas lideranças médicas não apostam no “fim do mundo” (embora não haja certezas).
Essa fluência de dúvidas, debates e questionamentos sobre o impacto da tecnologia na civilização humana não é nova. Esse mergulho tecnicista vem de milênios. Espiar suas raízes talvez nos ajude a entender a brutal transformação que nos aguarda. Se Heidegger (1889-1976), por exemplo, um dos mais importantes pensadores sobre a ‘metafísica da técnica na vida humana’, estivesse vivo hoje, ele não perguntaria “o que essa IA faz?”; mas sim: “o que a IA nos faz ver como sendo real?”.
Para ele, tecnologia não é um conjunto de ferramentas: é um modo de desvelamento. Uma lente ontológica. Uma maneira de o mundo aparecer. Entendendo “desvelamento” aqui como “o ato de tornar público, de fazer com que seja do conhecimento da maioria; revelação, exposição”. Se ontologia é o estudo do ser, da existência e da realidade, Heidegger levou isso aoparoxismo:para ele, a desertificação (cunhada por Nietzsche), onde o homem suprassensível desapareceu(não há mais muletas metafísicas de apoio, sejam celestiais ou transcendentais), restou ao humano a tarefa mais incômoda de todas: habitar essa clareira (abertura em que algo novo pode aparecer), decidindo o que comparecerá como o real.
A técnica moderna, em Heidegger, não entra nessa clareira desértica como mera “ajuda”: ela a reorganiza e redefine o deserto. Ela enquadra o mundo (Gestell), exigindo que tudo e todos compareçam como recurso disponível, mensurável, previsível, extraível, inclusive nós mesmos. Nesse cenário de desertificação, o que antes era “muleta metafísica” vira muleta operacional e consolo por meio da eficiência. Ou seja (e aqui vem o desconforto), a IA não chega apenas como mais um instrumento, ela chega como uma entidade que reordena o visível, reclassifica o provável, decide o relevante, e transforma a experiência humana em algo cada vez mais… interconectado (cada vez menos “só nosso, só meu”). Para entender essa fricção entre a tecnologia e a pulsão humana, é preciso entender as diferenças heideggerianas entre “ente” e “ser”.
Se ‘ente’ é tudo aquilo que encontramos (pessoas, objetos, eventos, dados, etc.), então a IA pode ser a grande indústria contemporânea de ‘entes’: ela captura, recorta, prevê, recombina… etc. Mas o ‘ser’… bem, o ser é outra coisa. É o horizonte que permite a qualquer ente “aparecer”. É a condição de possibilidade do aparecer. Quando o mundo inteiro vira cálculo, o ‘ser’ se ausenta, não por desaparecer, mas por ficar “imperguntado” (não-interrogado), apenas observando. Hoje, com as IAs, nós talvez estejamos vivendo um salto tecnológico mais amplo, que não só domina a matéria como também a significação. Isto é, uma inteligência artificial que reorganiza o mundo em conexões, dependências, correlações, mediações e acoplamentos: ela “redesenha o aparecer”.
O ‘ente’ vira dado; mas o ‘ser’ não se deixa reduzir a dado: permanece irredutível ao cálculo e escapa ao tipo de captura exercida sobre o ‘ente’. A IA opera sobre o ‘ente’: textos, imagens, prontuários, sinais vitais, padrões, correlações, etc. Ela não alcança o ‘ser’. Heidegger insere o exemplo do martelo: “Pense num martelo. Quando eu estou martelando de verdade, eu não fico contemplando o martelo. Eu não penso: ‘isto é um objeto de metal com cabo de madeira’. Nada disso. O martelo, nesse momento, quase desaparece. Ele é só ‘o que funciona’, incorporado no gesto. Agora, quando o martelo quebra, ou a cabeça se solta, aí acontece uma coisa estranha: o martelo deixa de ser ‘aquilo com que eu faço’ e vira ‘aquilo sobre o que eu penso’. Ele salta do pano de fundo e vira tema”. Ou seja: o mundo não exige que repensemos o sentido a cada segundo (enlouqueceríamos). O mundo nos entrega um sentido ‘suficiente’ para viver. Mas quando algo falha, o sentido aparece como problema (muitos, inclusive, vivem em tormento porque tudo precisa fazer sentido a todo instante).
Será assim com a Cognição Artificial (IA): ela não existe para nos fazer pensar nela o tempo todo, mas para reprogramar o pano de fundo, fazendo as coisas aparecerem como probabilidade, score, prioridade, antes mesmo de notarmos. Quando ela ‘funciona’, ela some do cotidiano (tudo o que a envolve é “ente”, não precisa do “ser”). Ela está no corretor, na busca, no mapa, no filtro, no suporte clínico, no resumo, na triagem, na agenda, na consulta ambulatorial, etc. Ela vira infraestrutura, ou talvez commodity, como citou recentemente Satya Nadella, CEO da Microsoft. Ela ficará invisível, como hoje é a eletricidade (você só pensa nela quando é cortada).
Isso é parte do ideário heideggeriano: quando a IA falhar (quando alucina, quando erra, quando distorce ou evidencia um viés, ou uma recomendação errada), ela deixa de ser pano de fundo e vira alvo: salta do modo ‘com-que-eu-operava’ para o modo ‘sobre-o-que-eu-tenho-que-pensar’. Estamos preocupados demais em criar “instâncias” ou atributos de segurança para os LLMs. Antes de testá-los, já estamos angustiados com as possíveis imperfeições. É mais simples do que parece: “teste, use, ensaie, erre: quando a IA desaparecer no uso, ela vira mundo. E quando vira mundo, a pergunta não é mais tecnológica, mas ontológica”. Se, por outro lado, ela vira infraestrutura de Saúde, então o que vale é governança, auditoria e responsabilidade, que deixam de ser ‘compliance’ para se transformarem em “condições de realidade”.
Nem por um momento pense que Heidegger, vivendo hoje, entre nós, ficaria satisfeito com os efeitos da tecnologia sobre o mundo. Longe disso. Em muitos capítulos de sua vasta produção literária (dezenas de volumes), ele escrevia como um verdadeiro tecnófobo. Aliás, não poucas vezes ele escreveu estultices medonhas, quando à sombra do nacionalismo nazista alemão (nunca se livrou da pecha de ‘pulha colaboracionista’). Mesmo assim, suas obras “Ser e Tempo” (1927), “Os Problemas Fundamentais da Fenomenologia” (1928) e muitas outras ainda hoje são cânones da filosofia e continuam estruturando debates acadêmicos em todo o Ocidente.
Para finalizar, antes de entrar em 2026, seria bom preocuparmo-nos menos com a litania de “que as inteligências artificiais vão superar os humanos, ou uma AGI vai subjugar os homens”. Apenas voe. Sabe o que é voar? Quem sair de Guarulhos com destino a Madri, por exemplo, VOARÁ. Seu corpo vai atravessar o Atlântico e chegar à Europa dentro de uma aeronave. Antes de sentar em seu assento, ninguém se perguntará: “..., mas será que esse avião voa como um pássaro?” Óbvio que não voa, mas isso é totalmente desimportante e tolo. Use as IAs sem exigir que elas “voem” melhor ou pior que humanos. Comemore 2025. Logo vamos decolar novamente. Sorte em 2026!
Guilherme S. Hummel
Head Mentor – EMI (eHealth Mentor Institute)
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DIÁRIO DO ESTADO
Técnico de Enfermagem é Demitido por Cair no Golpe do Falso Médico
Sidnei Alves Monteiro, de 47 anos, enviou a lista de ramais telefônicos e alguns prontuários para um homem que fingia ser um profissional do hospital em Santos (SP). Ele registrou um boletim de ocorrência e pretende entrar com um processo contra a unidade de saúde.
Um técnico de enfermagem e instrumentador cirúrgico foi demitido de um hospital em Santos, no litoral de São Paulo, após cair no golpe do falso médico. As imagens, obtidas pelo DE nesta terça-feira (23), mostram o momento em que Sidnei Alves Monteiro, de 47 anos, enviou a lista de ramais telefônicos e alguns prontuários para um homem que fingia ser um profissional da unidade de saúde.
O Hospital Beneficência Portuguesa informou que o funcionário foi desligado após descumprir as normas internas, principalmente a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e as diretrizes institucionais de segurança da informação e do paciente (confira o posicionamento completo mais abaixo).
Sidnei contou que o golpista entrou em contato por meio do ramal telefônico que os funcionários usam para se comunicar. O suspeito se apresentou com o nome real de um dos médicos do centro cirúrgico e tinha os nomes completos dos pacientes que estavam na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O técnico afirmou que não estava acostumado a fazer serviços administrativos, mas não encontrou uma secretária para ajudar o suposto médico que pedia as numerações dos prontuários dos pacientes, por volta das 9h do último dia 12.
“Prestes a desligar o ramal, devido ao tempo que estava perdendo, o golpista pediu meu celular e pediu que eu fotografasse os prontuários com os números destes, e assim fiz inocentemente”, disse Sidnei, destacando ter enviado apenas a capa dos documentos, onde não havia os telefones dos pacientes.
O suposto médico tentou dar um golpe em uma das pacientes, que desconfiou do contato e acionou o hospital. Por volta das 16h do mesmo dia, o técnico foi chamado pela gerência de enfermagem porque o nome dele estava na foto do prontuário enviada pelo golpista.
“De boa-fé, eu falei o que ocorreu. Pensei que iria ajudar na investigação e não ser mandado embora por justa causa”, afirmou Sidnei. “Minha carreira de 18 anos foi manchada por eu levar o golpe, eu sou o culpado pelo golpe?”, questionou o profissional.
Sidnei registrou um boletim de ocorrência (BO) pela Delegacia Eletrônica e pretende entrar com um processo contra o hospital.
“Me sinto triste e abalado, pois sou PCD [Pessoa Com Deficiência], tenho visão monocular [condição de enxergar com apenas um olho] e negro. Tenho ciência de que será difícil um novo emprego, sou pai de família e em pleno Natal fiquei desempregado”, lamentou Sidnei.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o caso foi registrado como estelionato e encaminhado ao 2º Distrito Policial (DP) de Santos. A pasta acrescentou que a vítima foi orientada quanto à necessidade de representação criminal para prosseguimento das investigações.
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Assessoria de Comunicação
CLIPPING AHPACEG 22/12/25
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Panorama da Educação Médica
https://medicinasa.com.br/educacao-edicao32/
Menos desperdício, mais acesso: a equação da saúde suplementar
https://medicinasa.com.br/equacao-saude-suplementar/
Viagens ao exterior, carros e apartamentos à beira mar: a vida de luxo do empresário acusado de desviar dinheiro da saúde pública
Promessas de cura rápida e tratamentos milagrosos: anúncios falsos de saúde usam IA e imagem de famosos
Como calcular ROI em clínicas com exemplos práticos
https://www.saudebusiness.com/gestao/como-calcular-roi-em-clinicas/
MEDICINA S/A
Panorama da Educação Médica
Brasil ultrapassa 50 mil vagas anuais em medicina após abertura de 77 novos cursos. Projeção indica que o país pode superar 1,2 milhão de médicos até 2030
Um levantamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) mostra que o Brasil vive uma nova fase de expansão no ensino médico. Entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, o Ministério da Educação (MEC) autorizou a criação de 77 novos cursos de Medicina, totalizando 4.412 vagas de graduação. No mesmo período, outros 20 cursos já existentes tiveram suas turmas ampliadas, o que representou 1.049 vagas adicionais.
No total, o país ganhou 5.461 novas vagas em menos de dois anos. Com isso, o Brasil chega a 494 escolas médicas em 2025, com 50.974 vagas anuais de graduação, das quais 80% estão em instituições privadas.
A análise, que utilizou dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), foi realizada pelo grupo de pesquisa Demografia Médica no Brasil, coordenado pelo Prof. Dr. Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP, com a participação dos pesquisadores Ivan Hossni e Cristiane Almeida.
O grupo avaliou 197 portarias publicadas no Diário Oficial da União (152 referentes a pedidos de novos cursos e 45 a aumentos de vagas), excluiu os pedidos indeferidos e cruzou as informações com o sistema e-MEC, base pública do Ministério da Educação, para calcular o total de cursos e vagas de graduação de medicina no país.
Expansão regional
A região Nordeste concentrou 43% das novas vagas (2.365), seguida por Sudeste (1.225), Norte (835), Sul (729) e Centro-Oeste (307). Os estados que mais receberam novos cursos foram Pará, Bahia e São Paulo, com oito cada. Entre as capitais, destacam-se São Luís (MA), que sozinha obteve cinco autorizações, e Belém (PA), Teresina (PI) e Boa Vista (RR), com dois cursos cada.
Entre os municípios do interior, chamaram a atenção aqueles que receberam duas autorizações simultâneas: Feira de Santana (BA), Luís Eduardo Magalhães (BA), Sobral (CE), Tianguá (CE), Cariacica (ES), São Mateus (ES), Ariquemes (RO), Santarém (PA) e Joinville (SC).
“Essa expansão reflete tanto o lobby do setor privado da educação e a pressão de prefeitos e parlamentares dos municípios beneficiados quanto diferentes fluxos e marcos regulatórios que orientam os processos de abertura de cursos ou ampliação de vagas, que podem seguir a lei Mais Médicos, ações judiciais ou portarias do MEC”, explica o Prof. Dr. Mário Scheffer.
Impactos no sistema de saúde
Com o ritmo atual de formação, que supera 50 mil novos médicos por ano, o Brasil poderá alcançar 1,2 milhão de profissionais até 2030, o equivalente a mais de cinco médicos por mil habitantes.
“A expansão terá impactos significativos no sistema de saúde. Por um lado, aumenta a disponibilidade de médicos; por outro, acentua a defasagem entre vagas de graduação e de residência médica. O Brasil precisa planejar melhor a qualificação, a distribuição e a inserção desses novos profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS)”, avalia Scheffer.
As novas Diretrizes Curriculares Nacionais para Medicina, homologadas pelo MEC em setembro, que preveem avaliação obrigatória no quarto ano do curso, antes do internato, juntamente com o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), são parte dos esforços para assegurar a qualidade dos cursos e da formação dos futuros médicos.
Raio X da medicina no estado de São Paulo
Ao final de 2025, o estado de São Paulo contará com aproximadamente 197 mil médicos. O estudo “Demografia Médica do Estado de São Paulo 2026”, realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a Associação Paulista de Medicina (APM) e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), projeta um aumento expressivo da oferta nos próximos anos, quando o número de profissionais poderá ultrapassar 235 mil em 2030, chegando à marca de 340 mil profissionais ao final da década.
Esse crescimento acelerado fará com que a razão de médicos por habitantes suba de quatro por mil habitantes em 2025 para sete por mil em 2035. Apesar do aumento geral, a distribuição permanecerá desigual. Enquanto em 2025 a região de Ribeirão Preto dispõe de 5,2 médicos por mil habitantes, a de Registro tem 2,1.
“Ter acesso a dados tão importantes e confiáveis é fundamental para nortear nossas ações e seguir no caminho da qualidade, tomando decisões baseadas em informações concretas e objetivas, com condições de estabelecer uma política de saúde pública competente”, destaca o secretário de estado da saúde de São Paulo, Eleuses Vieira de Paiva.
Especialistas x generalistas
O estudo aponta que 60% dos médicos em São Paulo (aproximadamente 117,7 mil) são especialistas, confirmando o papel do estado como centro formador e empregador. Ainda mais concentrados do que os médicos em geral, 57% dos especialistas estão na Grande São Paulo e outros 10% na região de Campinas.
Já o grupo de médicos generalistas (sem título de especialista) cresce em ritmo muito maior que o de especialistas. Atualmente, são cerca de 80 mil profissionais nessa condição, correspondendo a 40% do total, um salto significativo em comparação ao ano 2000, quando representavam menos de 25%.
Expansão e privatização do ensino
O fenômeno do crescimento do número de médicos generalistas está relacionado, dentre outros fatores, à expansão do ensino privado e à insuficiência de vagas de residência médica (RM) para todos os egressos. Nos últimos dez anos, foram abertos 40 novos cursos de medicina em São Paulo, totalizando 87 escolas médicas em 2025. A expansão consolidou a privatização do ensino: hoje, 92% do total de vagas são oferecidas por escolas médicas privadas, enquanto menos de 10% estão em instituições públicas.
Embora tenha havido descentralização, a Grande São Paulo ainda detém mais de 40% das vagas de graduação. A oferta de residência, apesar de ter aumentado, não acompanhou o mesmo ritmo e ainda atrai muitos candidatos de outros estados.
“A abertura indiscriminada de cursos de Medicina e o crescimento acelerado do número de médicos generalistas, uma vez que não há vagas de residência médica para todos, são uma grande preocupação da APM e de todo o movimento associativo”, afirma o presidente da Associação Paulista de Medicina, Antonio José Gonçalves.
Mulheres e jovens redefinem a profissão
O perfil dos médicos em São Paulo vem apresentando mudanças. As mulheres consolidaram-se como maioria e, em 2025, passaram a representar 52% do total de médicos. A tendência de feminização é contundente: a projeção é de que elas passem a representar 70% da população de médicos na próxima década.
Atualmente, as médicas predominam em 22 das 55 especialidades, sendo maioria expressiva (mais de 60%) em áreas como pediatria, ginecologia e obstetrícia, e medicina de família e comunidade. Além de mais feminina, a profissão rejuvenesceu: mais de um terço dos médicos no estado tem 35 anos ou menos.
“A feminização da medicina brasileira é uma conquista irreversível. Esse fato reflete o momento de transformação que vivemos, mas também impõe novos compromissos. Precisamos garantir que essa superioridade numérica venha acompanhada de equidade real em cargos de chefia, remuneração e condições de trabalho compatíveis com a realidade da mulher contemporânea”, analisa a diretora da FMUSP, Profa. Dra. Eloisa Bonfá.
Atualização profissional
A qualificação e a atualização dos profissionais de saúde serão determinantes para que o Brasil enfrente o envelhecimento populacional e a multimorbidade de doenças, e reduza desigualdades estruturais na formação e na oferta de mão de obra no sistema até 2035. O novo estudo da série Caminhos da Saúde Suplementar 2035, do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), mostra que o país carece de políticas integradas de desenvolvimento profissional e convive com forte assimetria regional, marcada pela concentração de profissionais nas capitais.
“A força de trabalho em saúde precisa estar preparada para uma sociedade que envelhece rapidamente e que exige competências técnicas, sociais e culturais mais amplas do que as práticas tradicionais contemplam”, afirma José Cechin, superintendente executivo do IESS.
O relatório destaca que o Brasil não possui uma política nacional obrigatória de capacitação para todas as categorias da saúde e que fragilidades nos currículos e na formação em serviço dificultam o atendimento às necessidades da população. Mesmo com expansão de cursos, a preparação continua insuficiente para estimular competências interprofissionais, sensibilidade cultural e domínio de tecnologias emergentes. Esse descompasso fica evidente na distribuição dos profissionais: municípios com mais de 500 mil habitantes concentram 57,8% dos médicos, com 5,75 por mil habitantes, enquanto municípios com menos de 5 mil têm apenas 0,51.
“Sem investir em qualificação permanente, continuaremos formando profissionais que não respondem adequadamente às necessidades reais da população, especialmente nas regiões mais vulneráveis”, destaca Cechin.
Tendências na qualificação
Entre as recomendações, o estudo defende políticas de desenvolvimento profissional contínuo, fortalecimento da formação interprofissional, maior uso de tecnologias educacionais — como simulação e teleducação — e mecanismos de certificação e acreditação das práticas formativas. A análise também apresenta experiências de Canadá, Austrália e Reino Unido, que adotam sistemas estruturados de atualização com avaliações periódicas, prática reflexiva e documentação sistemática. “Esses países mostram que a formação não termina na graduação. É preciso acompanhar, avaliar e garantir padrões mínimos de competência ao longo de toda a carreira”, complementa Cechin.
No Canadá, o programa Maintenance of Certification (MOC), conduzido pelo Royal College of Physicians and Surgeons of Canada, constitui uma das principais estruturas de desenvolvimento profissional contínuo (DPC) do país. O modelo é baseado na premissa de que a aprendizagem ao longo da vida é essencial para manter a competência clínica, promover o aprimoramento profissional e garantir a qualidade dos serviços de saúde. Nesse contexto, o CPD (Continuing Professional Development) é a unidade básica de mensuração das atividades formativas, sendo que cada hora de participação em uma atividade reconhecida equivale a um crédito de CPD.
O programa exige que, em um ciclo de três anos, o profissional acumule pelo menos 150 créditos, distribuídos em diferentes tipos de atividades que reflitam tanto a atualização técnica quanto o desenvolvimento de habilidades transversais. As oito categorias de CPD reconhecidas são:
Aprendizagem em grupo (Group Learning), como congressos, workshops e cursos presenciais.
Aprendizagem autodirigida (Self-Learning), que envolve leitura crítica de literatura científica, módulos online ou podcasts educacionais.
Avaliação de desempenho pessoal (Assessment of Performance), com uso de feedbacks, auditorias clínicas e análise de resultados próprios.
Avaliação de resultados da prática profissional (Assessment of Outcomes), baseada em indicadores de desempenho clínico e impacto das ações sobre os pacientes.
Ensino e supervisão (Teaching and Supervision), incluindo preceptoria, orientação de residentes e palestras educacionais.
Contribuições para a profissão (Contribution to the Profession), como atuação em comitês, publicações científicas, revisão de periódicos ou participação em conselhos regulatórios.
Planejamento de aprendizado pessoal (Personal Learning Projects), nos quais o próprio profissional define objetivos, métodos e evidências de aprendizagem.
Atividades de desenvolvimento profissional estruturadas institucionalmente, como programas formais de mentoria e treinamento organizacional.
De acordo com o IESS, as abordagens adotadas revelam a importância de sistemas formais e estruturados de capacitação e revalidação profissional. Embora existam diferenças quanto à rigidez regulatória, à natureza das atividades formativas e aos mecanismos de avaliação, todos enfatizam a prática reflexiva, a integração de competências não clínicas e a necessidade de documentação sistemática.
“Desafios persistem, especialmente na equidade de acesso, na capacitação digital e na formalização da avaliação de competências transversais. O aprendizado a partir dessas experiências pode orientar o aperfeiçoamento das políticas de educação permanente no Brasil e em outros contextos”, conclui o estudo.
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Menos desperdício, mais acesso: a equação da saúde suplementar
As fraudes, erros e desperdícios ocupam um espaço relevante no custo das operadoras de saúde no Brasil. A estimativa é que aproximadamente 16% da despesa do setor seja consumida por pagamentos indevidos, o equivalente a mais de R$30 bilhões em 2024. Um volume bilionário que não produz qualquer ganho em saúde e reduz a capacidade do sistema de ampliar acesso aos planos de saúde. Afinal, em um mercado de sinistralidade elevada e margens estreitas, perdas desse tipo comprimem ainda mais a margem das operadoras e aumentam a pressão sobre preços ao longo do tempo.
Pesquisa recente do Vox Populi encomendada pelo Instituto de Estudos em Saúde Suplementar (IESS) expõe um paradoxo que o setor de saúde suplementar já conhece, mas ainda não conseguiu resolver. De um lado, o plano de saúde permanece como um dos benefícios mais desejados pelos brasileiros. Entre quem não possui cobertura, 85% dizem que ter um plano é importante e 61% afirmam que gostariam de contar com um hoje. De outro, a porta de entrada segue estreita, com o fator econômico sendo o principal impeditivo. Ou seja, o plano de saúde é valorizado, mas para muitos permanece fora do alcance.
A pesquisa também revela um outro lado da equação: a experiência dos usuários que já possuem um plano de saúde. Ainda que 85% dos beneficiários estejam satisfeitos com seus planos de saúde, melhor índice na série histórica, quase um quarto deles (24%) relata ter recebido alguma negativa de autorização de procedimento ou exame no último ano. O que impressiona aqui é que, no maior número de casos, essas negativas chegam sem transparência: 54% dizem não ter recebido justificativa clara. Não por acaso, a própria regulação avançou nesse tema com a nova RN 623, que passa a exigir transparência ativa nos canais de comunicação entre operadoras e beneficiários.
O efeito mais grave, contudo, não é apenas a fricção com o cliente. Quando a cobertura é recusada, 57% das pessoas simplesmente deixam de realizar o procedimento por não conseguirem arcar com o custo do particular. Em outras palavras: para muitos brasileiros, a negativa não vira alternativa – vira desistência, com risco direto para diagnóstico e tratamento no tempo certo. É um sinal claro de que, quando o controle de custo opera por bloqueio e burocracia, ele não só corrói confiança, como pode piorar desfechos e alimenta um ciclo de judicialização.
Tudo isso é reflexo da pressão econômica que o setor da saúde suplementar vive hoje. Os números da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ajudam a dimensionar o contexto: entre 2021 e 2024, o número de beneficiários passou de 49 milhões para 52 milhões de pessoas – um crescimento de 6%. No mesmo período, a despesa assistencial avançou 24%.
Isso tensiona o próprio princípio de mutualidade: em um sistema baseado na diluição de risco, o equilíbrio depende de mais vidas compartilhando um custo relativamente previsível. Quando as despesas disparam sem crescimento equivalente da base, a mutualidade perde potência. Como consequência, o risco fica menos distribuído, o custo médio sobe e o setor passa a operar em modo defensivo. Isso aparece para o usuário na forma de burocracia, demoras na aprovação e, muitas vezes, negativas.
Diante desse contexto, obter equilíbrio financeiro é um grande desafio para as operadoras de saúde. Controlar custos é necessário, mas não pode vir às custas de barreiras ao cuidado, nem transferir o peso da ineficiência do sistema ao beneficiário. Afinal, se uma parcela relevante dos custos nasce de ineficiências e pagamentos indevidos, então endereçar esse tema é a maneira mais direta de olhar para recuperação de margens no setor.
É por isso que as operadoras têm avançado para modelos de auditoria mais inteligentes, baseados em IA e análise de dados. Essas ferramentas permitem identificar padrões de comportamento suspeito, detectar cobranças irregulares e evitar pagamentos indevidos antes que eles ocorram, eliminando gargalos que custam bilhões todos os anos. Em outras palavras, a tecnologia permite o surgimento de uma barreira de alta precisão, evitando somente aquilo que realmente não melhora a saúde das pessoas, permitindo que os pacientes continuem tendo acesso ao tratamento devido.
É inegável que o equilíbrio econômico da saúde suplementar depende de múltiplas variáveis, e não só de eliminar pagamentos indevidos. Mas ignorar o peso das ineficiências é desperdiçar uma das oportunidades mais objetivas de aliviar a pressão sobre o sistema. Cada real que deixa de ir para o ralo em desperdícios retorna ao sistema como capacidade de investimento, expansão de rede, contenção de reajustes e ampliação de cobertura.
A tecnologia já está pronta e os resultados são visíveis e promissores. O desafio é ganhar escala, ampliar sua implementação e dar espaço para inovação dentro da operação, a fim de fortalecer as áreas de auditoria e transformar a eficiência em política permanente do setor.
*Fabricio Valadão é CEO e cofundador da Arvo.
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PORTAL G1
Viagens ao exterior, carros e apartamentos à beira mar: a vida de luxo do empresário acusado de desviar dinheiro da saúde pública
A Polícia Federal prendeu no fim de novembro o empresário Humberto Silva, acusado de liderar um esquema que desviou pelo menos R$ 25 milhões de recursos.
Por Fantástico
O Fantástico deste domingo (21) deu detalhes de um golpe que financiava viagens ao exterior, festas em apartamentos à beira mar e compra de carros e lanches. Tudo com dinheiro público desviado de postos de saúde e hospitais.
A Polícia Federal prendeu no fim de novembro o empresário Humberto Silva, acusado de liderar um esquema que desviou pelo menos R$ 25 milhões de recursos destinados à saúde pública para financiar uma vida de ostentação.
Segundo as investigações, Humberto e outros empresários usaram o Instituto Riograndense de Desenvolvimento Social Integrado (IRDESI), uma organização social sem fins lucrativos responsável pela gestão de hospitais, para desviar recursos públicos.
Entre 2022 e 2025, o instituto recebeu R$ 340 milhões, sendo a maior parte do valor paga pela Prefeitura de Embu das Artes, com verba federal.
O Fantástico deste domingo (21) deu detalhes de um golpe que financiava viagens ao exterior, festas em apartamentos à beira mar e compra de carros e lanches. Tudo com dinheiro público desviado de postos de saúde e hospitais.
O esquema
A Polícia Federal prendeu no fim de novembro o empresário Humberto Silva, acusado de liderar um esquema que desviou pelo menos R$ 25 milhões de recursos destinados à saúde pública para financiar uma vida de ostentação, incluindo viagens internacionais, aluguel de imóveis de luxo e um casamento em Paris.
Segundo as investigações, Humberto e outros empresários usaram o Instituto Riograndense de Desenvolvimento Social Integrado (IRDESI), uma organização social sem fins lucrativos responsável pela gestão de hospitais, para desviar recursos públicos. Entre 2022 e 2025, o instituto recebeu R$ 340 milhões, sendo a maior parte do valor paga pela Prefeitura de Embu das Artes, com verba federal.
Vida de ostentação
Segundo a polícia, parte do dinheiro desviado foi usada para pagar despesas pessoais, como aluguel de um apartamento de frente para o mar em Balneário Camboriú, viagens e compras de artigos de luxo.
A atual esposa de Humberto, Maíne Baccin, que foi pedida em casamento aos pés da Torre Eiffel, recebia salário de R$ 23 mil sem trabalhar. A ex-esposa também se beneficiava do esquema, com aluguel pago pelo instituto.
A PF também identificou empresas fictícias que emitiam notas fiscais falsas para justificar serviços não realizados. Só com duas dessas empresas, foram desviados pelo menos R$ 8 milhões.
Impacto na saúde
Enquanto o dinheiro era usado para ostentação, hospitais administrados pelo IRDESI enfrentavam falta de medicamentos e equipamentos básicos. Em Jaguari (RS), um idoso morreu após não conseguir nebulização por falta de aparelho de R$ 70.
“É absurdo, porque está faltando na base, no atendimento, no remédio, nos cuidados de saúde”, resumiu um morador de Embu das Artes.
Medidas judiciais
Até agora, a Justiça bloqueou 14 imóveis, 53 veículos, uma lancha e contas bancárias de 20 investigados. O prejuízo estimado é de R$ 25 milhões.
Em nota, a defesa de Tássia Nunes disse que ninguém é culpado antes do devido processo legal. E que a antecipação de juízos condenatórios viola a presunção de inocência. Também por nota a defesa de Maíne Baccin afirma que "está realizando análise detalhada de todos os documentos e informações constantes do inquérito".
A reportagem também procurou a defesa de Humberto Silva, mas não teve retorno.
Por nota a Prefeitura de Embu das Artes disse que "se confirmadas as condutas apontadas na investigação, são de inteira responsabilidade da organização social contratada. Quanto à falta de medicamentos esclarece que a obrigação e responsabilidade é da organização gestora."
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Promessas de cura rápida e tratamentos milagrosos: anúncios falsos de saúde usam IA e imagem de famosos
Estudo da UFRJ revelou que mais de 76% das propagandas na internet são enganosas; cerca de 5 mil são golpes relacionados à saúde.
Anúncios com promessas de cura rápida, resultados garantidos e tratamentos milagrosos circulam nas redes sociais usando fotos e vídeos de médicos, apresentadores, políticos e outras figuras conhecidas para dar credibilidade às fraudes.
Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) analisou quase 170 mil anúncios no Facebook e Instagram e constatou que mais de 76% eram enganosos.
Entre os mais de 6 mil analisados individualmente, cerca de 5 mil eram golpes relacionados à saúde.
Segundo a pesquisa, os anúncios se concentram em doenças graves ou crônicas, oferecendo supostos tratamentos para câncer, diabetes, emagrecimento e disfunção erétil.
Os criminosos usam nomes conhecidos para dar credibilidade às ofertas. O médico Drauzio Varella é o mais citado nos anúncios falsos.
Promessas de cura rápida, resultados garantidos e tratamentos milagrosos. Anúncios com esse tipo de mensagem circulam nas redes sociais usando fotos e vídeos de médicos, apresentadores, políticos e outras figuras conhecidas para dar credibilidade às fraudes.
Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) analisou quase 170 mil anúncios no Facebook e Instagram e constatou que mais de 76% eram enganosos. Entre os mais de 6 mil analisados individualmente, cerca de 5 mil eram golpes relacionados à saúde.
Segundo a pesquisa, os anúncios se concentram em doenças graves ou crônicas, oferecendo supostos tratamentos para câncer, diabetes, emagrecimento e disfunção erétil. Em 85% dos casos, basta um clique para que a vítima seja direcionada ao WhatsApp, onde os golpistas pressionam para fechar a “compra”.
"É um problema sistêmico. A rede social é escolhida porque é um anúncio que é bem segmentado e barato, você atinge só aquele segmento que você tem interesse", afirma Marie Santini, pesquisadora da UFRJ.
Uso de imagens de famosos
Os criminosos usam nomes conhecidos para dar credibilidade às ofertas. O médico Drauzio Varella é o mais citado nos anúncios falsos. Ele conta que processa a Meta — dona do Facebook, Instagram e WhatsApp — por permitir a veiculação dessas propagandas.
"Fui obrigado a contratar um escritório de advocacia para tentar tirar do ar essas propagandas porque a gente tentava explicar, olha, isso aí é absurdo, eles não davam nem bola nem respondiam, você mandava um e-mail explicando que aquilo era falso, eles nem não se dava o trabalho de responder".
Em alguns casos, vídeos manipulados com inteligência artificial imitam a voz dele para vender medicamentos sem registro.
“Existe um curso dado pela internet para ensinar os falsários a imitar a minha voz por inteligência artificial e a criar as imagens para vender remédios falsos", disse Drauzio.
Segundo o estudo, além de Drauzio, nomes como Susana Vieira, Simone Mendes e até o ex-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, aparecem entre os dez mais usados pelos golpistas.
Riscos à saúde
Médicos alertam que, além do prejuízo financeiro, esses golpes também colocam a vida de pacientes em risco.
“É um crime que deve ser taxado como hediondo, porque é inadmissível alguém querer ganhar dinheiro dessa forma, expondo as pessoas a riscos”, afirma Neuton Dornellas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
O que diz a Meta
Segundo o estudo da UFRJ, alguns anúncios permanecem online por mais de dois anos — e mesmo quando são removidos, outros muito parecidos entram no lugar.
"O anúncio está sendo pago, né?", diz a pesquisadora Marie.
Em nota, a Meta disse que os golpes têm aumentado, estão mais sofisticados e que os esforços para combatê-los se intensificaram. A nota também diz que a empresa está testando o uso de tecnologia de reconhecimento facial, aplicando políticas para coibir golpes e capacitando as pessoas a se protegerem por meio de diversas ferramentas de segurança e alertas disponíveis nas suas plataformas.
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SAÚDE BUSINESS
Como calcular ROI em clínicas com exemplos práticos
Saber como calcular ROI em clínicas é a habilidade mais importante para a gestão financeira. Veja como o cálculo transforma a intenção de investimento em uma decisão objetiva, baseada em lucratividade.
No ambiente altamente competitivo da saúde, tomadas de decisões precisam ser orientadas por dados — não por achismos. Adquirir um novo equipamento, expandir a unidade ou implementar um software de gestão exige uma análise financeira rigorosa. É aí que entra a importância de saber como calcular o ROI em clínicas.
O ROI (Retorno sobre o Investimento) é o indicador financeiro que quantifica a eficiência de um investimento, mostrando quanto foi ganho (ou perdido) em relação ao valor investido.
Para o gestor de saúde, saber como calcular é essencial para justificar custos, priorizar projetos e garantir a eficiência financeira no consultório.
Dessa forma, o ROI se torna uma ferramenta primordial para transformar gastos em investimentos estratégicos. Neste guia, vamos apresentar tudo o que você precisa saber sobre o assunto.
Fórmula: como calcular ROI em clínicas
O cálculo de ROI para clínicas utiliza uma fórmula universal, mas exige atenção aos detalhes da gestão financeira em clínicas médicas para ser preciso.
Fique atento à fórmula:
ROI = (Lucro Obtido – Investimento) / Investimento
O resultado é geralmente multiplicado por 100 para ser expresso em percentual.
Lucro Obtido: refere-se ao ganho gerado pelo investimento em um determinado período (ex: 12 meses). É a Receita Incremental menos os custos operacionais em clínicas gerados.
Investimento: é o custo total (equipamento, implementação, treinamento etc.).
Exemplos práticos de cálculo de ROI
Para ilustrar como calcular ROI em clínicas, veja dois cenários comuns:
Exemplo 1: decisão de adquirir um ultrassom
Este cálculo é típico para a análise de investimentos em clínicas em retorno financeiro de equipamentos médicos.
Custo do equipamento (Investimento): R$ 120.000
Receita extra/mês com exames: R$ 18.000
Custos operacionais (insumos, manutenção, salário técnico): R$ 2.000/mês
Cálculo da Receita Anual Adicional Líquida:
(18.000 − 2.000) × 12 = 192.000
ROI = 192.000 − 120.000 × 100 = 60%
__________________
120.000
Conclusão: com este cálculo, notamos que a clínica ganha R$ 0,60 para cada 1 real investido em um ano. O Payback (tempo de recuperação do investimento) é inferior a 8 meses. Este é um forte argumento para aquisição.
Exemplo 2: implementação de um software médico
Este exemplo demonstra como uma gestão baseada em dados em hospitais e clínicas pode gerar retorno pela redução de custos assistenciais.
Custo anual do software (Investimento): R$ 1.200/mês x 12 = R$ 14.400
Economia mensal com redução de glosas e otimização de estoque: R$ 4.000
Ganho Anual Líquido: R$ 4.000/mês x 12 = R$ 48.000
Cálculo do ROI:
ROI = 48.000 − 14.400 × 100 = 233%
_______________
14.400
Conclusão: o software gera mais do que o dobro do investimento anual (233%). O impacto direto no fluxo financeiro e a facilidade de aprovação imediata pela diretoria são evidentes.
Checklist: o que analisar antes de aprovar um investimento
Antes de aplicar a fórmula do ROI, o gestor de saúde deve fazer perguntas estratégicas para avaliar o potencial do projeto.
Se a maioria das respostas for “sim”, é provável que o investimento tenha um ROI positivo e um bom payback de investimentos em clínicas.
1. O investimento gera nova receita?
Avalie se o projeto amplia o faturamento, seja pelo aumento da capacidade instalada, pela oferta de novos serviços ou pela melhoria no desempenho por procedimento.
2. Há redução de custos operacionais ou de perdas financeiras?
Considere impactos em insumos, energia, eficiência dos fluxos e redução de glosas. Quanto maior a economia recorrente, mais rápido o retorno.
3. A produtividade da equipe aumenta?
Projetos que elevam o número de consultas, atendimentos ou exames por dia tendem a mostrar resultados de curto prazo, sem necessariamente exigir contratação adicional.
4. O investimento melhora a experiência do paciente?
Redução do tempo de espera, simplificação de processos ou mais conforto na jornada geram fidelização e isso impacta diretamente o resultado financeiro.
5. Há diminuição de erros operacionais ou de faturamento?
Iniciativas que reduzem retrabalho, inconsistências e perdas administrativas fortalecem o caixa e trazem previsibilidade.
6. O payback é curto (até 12 ou 18 meses)?
Projetos com retorno rápido são mais seguros, especialmente em cenários de restrição de orçamento.
7. O investimento melhora indicadores assistenciais ou de qualidade?
Se há impacto na segurança do paciente, desfechos clínicos ou resolutividade, o valor agregado vai além do financeiro e ainda reduz riscos para o gestor.
Em resumo, mais do que analisar planilhas, investir bem significa entender onde o capital realmente transforma a operação de saúde.
Quando essas respostas apontam na mesma direção, o gestor ganha clareza para priorizar projetos que entregam valor, aceleram resultados e fortalecem a sustentabilidade do serviço.
Como apresentar o ROI para diretoria ou sócios
A comunicação financeira deve ser clara e direta. O ROI deve ser mostrado em um formato objetivo para facilitar a análise financeira baseada em dados e a aprovação interna.
Apresente os seguintes pontos-chave para eliminar a subjetividade:
Custo Total do Investimento (Cᵢ): O valor exato a ser gasto.
Receita Incremental Anual (Rₐ): O faturamento líquido esperado.
ROI (%): O resultado do cálculo.
Payback (meses): Em quanto tempo o dinheiro investido retorna.
Impacto Operacional (Justificativa): Como o investimento afeta a margem de lucro na área da saúde e a produtividade.
Ao estruturar a apresentação nesses cinco pontos, o gestor transforma o ROI em uma ferramenta de decisão. Isso facilita discussões com diretoria e sócios, reduz ruídos na aprovação e mostra, com transparência, como o investimento fortalece a operação e a rentabilidade do seu negócio.
Quando usar o ROI como decisão final
O ROI, combinado ao Payback, funciona como um filtro decisivo para investimentos relevantes em clínicas. Ele deve ser aplicado especialmente em situações como:
Compra de equipamentos médicos (ultrassom, laser, raio-X, etc.).
Expansão ou abertura de novas unidades.
Contratação de novas linhas de serviço (abertura de novos consultórios).
Implementação de softwares (gestão, telemedicina, faturamento).
Grandes investimentos em marketing médico.
Decisão final: quando o ROI é positivo (acima de 0%) e o payback é inferior a 18 meses, o investimento tende a ser financeiramente sólido, sustentável e alinhado a uma operação de saúde orientada à eficiência. Esse é o sinal verde para avançar com segurança e com dados.
Dúvidas frequentes
Qual a fórmula correta para calcular o ROI?
A fórmula correta para calcular o ROI é:
O Ganho do Investimento deve incluir a receita incremental líquida de quaisquer custos operacionais adicionais gerados pelo próprio investimento.
Como calcular o valor do ROI?
Para calcular o valor do ROI, determine o lucro líquido gerado pelo investimento (receita menos custos operacionais) em um período.
Subtraia o custo total do investimento inicial desse lucro e, por fim, divida o resultado pelo custo do investimento. O valor é geralmente apresentado em percentual.
Se o ROI for positivo, o investimento gerou lucro; se for negativo, gerou prejuízo.
O que é ROI na saúde?
ROI na saúde é o indicador financeiro que mede o retorno sobre investimento na saúde.
Ele é usado por clínicas, hospitais e operadoras para avaliar a lucratividade de serviços médicos, seja na aquisição de investimentos em tecnologia médica, na expansão de unidades ou na contratação de novos profissionais. O ROI ajuda a justificar custos e a tomar decisões baseadas em dados.
Quais os 3 fatores que são levados em consideração para o cálculo do ROI?
Os três fatores principais levados em consideração para o cálculo de ROI para clínicas são:
Investimento Inicial: o custo total do projeto (compra, instalação, treinamento).
Receita/Ganho Incremental: o aumento de faturamento ou a redução de custos assistenciais gerados pelo investimento.
Custos Operacionais Adicionais: todas as despesas recorrentes (manutenção, insumos, salário) para manter o investimento em funcionamento.
Saber como calcular ROI em clínicas é o primeiro passo para uma gestão financeira em clínicas médicas de sucesso.
O ROI transforma a incerteza do gasto em uma decisão estratégica e mensurável, garantindo que cada real investido contribua diretamente para a lucratividade de serviços médicos e o crescimento sustentável.
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Assessoria de Comunicação