Terça, 23 Setembro 2025 07:04

CLIPPING AHPACEG 23/09/25

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ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Vizinho é detido após atacar ambulâncias e ameaçar incendiar hospital em Aparecida

https://www.maisgoias.com.br/cidades/vizinho-e-detido-apos-atacar-ambulancias-e-ameacar-incendiar-hospital-em-aparecida/

Cremego garante autonomia médica após polêmica das ‘consultas de 15 minutos’ em Goiânia

https://www.maisgoias.com.br/cidades/cremego-garante-autonomia-medica-apos-polemica-das-consultas-de-15-minutos-em-goiania/

Tecnologia e prevenção: o futuro da saúde já começou

https://medicinasa.com.br/tecnologia-prevencao/

Como transformar dados clínicos em valor real para os pacientes

https://medicinasa.com.br/poder-dados-saude/

O impacto do transtorno do espectro autista nos planos de saúde

https://revistacobertura.com.br/noticias/saude-e-odonto-noticias/o-impacto-do-transtorno-do-espectro-autista-nos-planos-de-saude/

SUS realiza 60% dos exames de imagem no país, mas acesso é maior na saúde privada

https://93noticias.com.br/sus-realiza-60-por-cento-dos-exames-de-imagem-mas-acesso-maior-na-rede-privada/

Sepse mata 136 crianças goianas em dois anos e traz alerta para risco silencioso

https://ohoje.com/2025/09/23/sepse-mata-136-criancas-goianas-em-dois-anos-e-traz-alerta-para-risco-silencioso/

Setembro marca campanha de conscientização sobre a alopecia areata

https://cbngoiania.com.br/cbn-goiania/setembro-marca-campanha-de-conscientizac-o-sobre-a-alopecia-areata-1.3314987

Superbactérias resistentes a antibióticos podem superar mortes por câncer no mundo, alerta ONU

https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2025/09/23/superbacterias-resistentes-a-antibioticos-podem-superar-mortes-por-cancer-no-mundo-alerta-onu.ghtml

MAIS GOIÁS

Vizinho é detido após atacar ambulâncias e ameaçar incendiar hospital em Aparecida

O autor justificou que está incomodado com a luz e o barulho do hospital, que vão diretamente para a casa dele

Um homem foi detido após atacar ambulâncias e ameaçar incendia o Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP). O suspeito, que seria vizinho da unidade de saúde, ofendeu funcionários e chegou a lançar garrafas de vidro contra ambulâncias. O autor justificou que está incomodado com a luz e o barulho do hospital, que vão diretamente para a casa dele. O caso ocorreu na noite de sábado (20) e deve ser investigado.

De acordo com o relato da Polícia Militar, o homem entrou no hospital acompanhado do filho em estado de grande agitação. Aos gritos, dirigiu ofensas a servidores, ameaçou “resolver a situação com as próprias mãos” e jogou uma garrafa em direção a uma ambulância. Segundo consta no boletim de ocorrência, “em razão do comportamento violento, a equipe policial, com apoio do Comandante do Policiamento da Unidade (CPU), interveio para garantir a segurança de pacientes e profissionais. Foi necessário o uso de algemas para contê-lo”.

Ameaças

Imagens feitas por testemunhas registraram o momento em que o suspeito, alterado, discute com um segurança do hospital. Apontando o dedo no rosto do servidor, ele reclama da iluminação e do barulho das ambulâncias: “Para que você deixa essa lâmpada acesa que vai dentro da minha casa, esse motor dos infern0s? Vai pra p** que pariu, eu tô cansado. Eu entendo que aqui é um hospital, mas esse inferno está acabando com a minha vida, estou adoecendo por causa desse inferno.”

Em outro momento, ao ser questionado por um servidor do Samu sobre ter arremessado garrafas na ambulância, Samuel responde: “Meu irmão, para mim era para tacar na sua cabeça, para te matar.” Segundo relatos, ele ainda afirmou que iria atear fogo na unidade de saúde e matar funcionários.

Prisão

Segundo o boletim policial, o homem ofendeu, desacatou, injuriou e colocou em risco a integridade física de pelo menos 8 trabalhadores do hospital. Após ser contido, ele foi encaminhado à Central Geral de Flagrantes (CGF), onde a autoridade policial adotou as medidas cabíveis.

Em nota, o HMAP confirmou a ocorrência e disse que não houve danos à estrutura do hospital, nem registro de feridos. “O hospital esclarece ainda que o nível de ruído gerado pelas ambulâncias que atendem aos pacientes da unidade está dentro do que prevê a legislação. O HMAP mantém contato direto com a Guarda Civil Metropolitana e já solicitou intensificação das rondas em seu entorno, visando garantir a segurança de pacientes e colaboradores.”

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Cremego garante autonomia médica após polêmica das ‘consultas de 15 minutos’ em Goiânia

Medida "garante respaldo ético para que o médico atue com independência técnica, respeitando as necessidades clínicas de cada paciente"

Nova resolução do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) prevê que a definição do tempo necessário para cada atendimento médico cabe exclusivamente ao médico responsável. A medida, publicada em 19 de setembro no Diário Oficial da União, “garante respaldo ético para que o médico atue com independência técnica, respeitando as necessidades clínicas de cada paciente”, conforme a entidade.

Vale lembrar que, em março deste ano, a Secretaria de Saúde de Goiânia (SMS) enviou um termo instrutivo que sugere aos médicos da rede pública atender quatro pacientes por hora, resultando em uma média de 15 minutos para cada consulta. No mês passado, o Cremego realizou um fórum para debater a carga horária nos serviços de saúde e autonomia médica, onde reforçou que este tempo é uma base, mas não precisa ser seguido estritamente. Além disso, elaborou a minuta da resolução, à época.

Em nota, nesta segunda-feira (22), o presidente do Cremego, Rafael Martinez, disse que a nova norma é um marco importante para a categoria. “É com grande satisfação e um senso de dever cumprido que o Conselho entrega essa resolução aos médicos e à sociedade. Ela ampara a boa medicina e reforça a autonomia do profissional ao deixar claro que quem julga o tempo necessário para cada atendimento é o médico”, afirmou.

À época em que houve a reunião do Cremego, a SMS disse, em nota, que a proposta buscava garantir que os pacientes tivessem consultas ambulatoriais agendadas por horário para reduzir o tempo de espera e proporcionar maior conforto, já que eram atendidos por ordem de chegada e precisavam aguardar por mais tempo. Além disso, afirmou que a medida não seria adotada nas unidades de urgência e emergência. “A SMS ressalta que a medida não interfere no tempo médio de atendimento de cada consulta, que é definido exclusivamente por cada profissional, e garante maior controle das agendas, que antes ficavam subaproveitadas, com horários ociosos, sem pacientes agendados”, informou naquele momento.

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MEDICINA S/A

Tecnologia e prevenção: o futuro da saúde já começou

Da inteligência artificial aos dispositivos vestíveis, a inovação vem transformando a medicina preventiva e oferecendo novos caminhos para viver mais e melhor.

A medicina sempre foi moldada por grandes avanços tecnológicos. Da descoberta dos antibióticos ao advento da imagem digital, cada etapa abriu possibilidades antes inimagináveis. Hoje, vivemos mais uma transformação: a revolução digital que coloca a prevenção no centro da prática médica.

Não se trata apenas de tratar doenças quando elas já se instalaram, mas de usar ciência, dados e tecnologia para antecipar riscos e orientar escolhas de vida. Essa mudança já está documentada por estudos recentes, como o publicado na Journal of Medical Internet Research (De la Torre et al.), que aponta para uma redefinição global do cuidado em saúde: a medicina está migrando para o modelo preditivo, preventivo, personalizado e participativo, a chamada P4.

Um dos pilares dessa mudança é a inteligência artificial. Com capacidade de analisar grandes volumes de dados em segundos, a IA consegue identificar padrões invisíveis ao olho humano. Pequenas alterações em exames, no sono ou nos batimentos cardíacos, que antes poderiam passar despercebidas, hoje já acendem alertas que orientam médicos e pacientes. Isso significa diagnósticos mais precoces, tratamentos menos invasivos e maior chance de evitar complicações futuras.

Outro vetor é a integração de dispositivos vestíveis. O editorial da Nature Reviews Electrical Engineering destacou como a engenharia biomédica tem avançado para criar sensores acoplados ao corpo, capazes de monitorar em tempo real frequência cardíaca, respiração, temperatura e até níveis de estresse. Esses equipamentos vão muito além de relógios inteligentes: são plataformas completas que permitem ao indivíduo acompanhar sua saúde de forma contínua, gerando informações valiosas para médicos e sistemas de saúde.

Na prática clínica, a telemedicina também tem se consolidado como ferramenta essencial. Ela garante acessibilidade, aproxima especialistas de pacientes em qualquer lugar e possibilita acompanhamento pós-consulta ou pós-check-up. Em um cenário de envelhecimento populacional e sobrecarga dos sistemas de saúde, soluções digitais tornam a prevenção mais viável, personalizada e sustentável.

Mas é importante ressaltar: tecnologia sozinha não faz saúde. É preciso integrá-la a um olhar humano e ético. A prevenção depende tanto de algoritmos sofisticados quanto da consciência de cada pessoa sobre hábitos de vida. Dormir bem, praticar atividade física, manter alimentação equilibrada, reduzir o estresse e realizar exames periódicos são atitudes que continuam sendo a base para evitar doenças crônicas. O diferencial é que, hoje, a tecnologia potencializa esses cuidados, oferecendo informações objetivas, suporte em tempo real e programas de acompanhamento mais eficazes.

Do ponto de vista da gestão, a inovação aplicada à medicina preventiva também tem um impacto social relevante. Ao reduzir hospitalizações e aumentar a adesão a hábitos saudáveis, diminui-se a pressão sobre os sistemas de saúde, com benefícios econômicos e maior qualidade de vida para a população. No entanto, esse processo exige governança responsável: privacidade, proteção de dados e práticas alinhadas aos princípios ESG são indispensáveis para que a tecnologia seja de fato confiável e transformadora.

O grande desafio está lançado: como usar inovação e tecnologia não apenas para prolongar a vida, mas para garantir que ela seja vivida com autonomia, equilíbrio e bem-estar? A resposta está na integração entre ciência e cuidado, prevenção e propósito.

Estamos diante de uma oportunidade histórica. A tecnologia nos dá ferramentas inéditas para antecipar doenças, personalizar cuidados e ampliar a longevidade. Mas cabe a nós, médicos, gestores e cidadãos, escolher colocá-la a serviço do que realmente importa: a vida.

*Gilberto Ururahy é Diretor-médico especializado em medicina preventiva na Med-Rio Check-up.

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Como transformar dados clínicos em valor real para os pacientes

Os hospitais produzem um volume impressionante de informações clínicas todos os dias. Contudo, grande parte desses dados — especialmente os não estruturados, como laudos, anotações médicas e evoluções — acaba não sendo aproveitada em sua totalidade. Essa realidade não é uma falha tecnológica ou humana, mas sim uma oportunidade de transformar esses registros em inteligência estratégica, capaz de orientar decisões mais assertivas e impulsionar tanto os resultados clínicos quanto os financeiros.

Hospitais que centralizam seus dados e adotam plataformas de IA conseguem reduzir custos administrativos em até 40%, além de aumentar a precisão de seus indicadores de qualidade e compliance. Com dados bem estruturados, é possível agir antes que o paciente se agrave — e até evitar a chamada “fuga de pacientes”, identificando padrões de consumo e fragmentação do cuidado para trazer os usuários de volta à instituição, o que pode elevar a receita em até 17% .

No entanto, na minha visão, o maior desafio não é só identificar esses dados, é dar valor real para eles e maior poder de decisão aos gestores de saúde. Tecnologias que capturam e processam dados não estruturados com NLP (natural language processing) são fundamentais. Estima-se que 70% a 80% do conteúdo dos EHRs esteja em notas livres, que são invisíveis para sistemas tradicionais, de acordo com informações do Institute for Health Metrics (IHM). Nesse sentido, ferramentas de IA habilitam o resumo automático de prontuários e extração de sinais clínicos relevantes, reduzindo erros e tempo médico dedicado à revisão manual, segundo estudo publicado na plataforma Arxvi, da Cornell University.

Recentemente, falei do desenho de uma solução para lidar com esse desafio. Pensem que quase todo dado no setor de saúde é textual – evoluções clínicas, anotações médicas, exames — e infelizmente, a maioria não é utilizada corretamente, ou aproveitada em sua totalidade. Logo, é preciso criar pontinhos de dados e transformar tudo num único filme do paciente. Essa capacidade de transformar fragmentos desestruturados em uma visão integrada é o que reduz riscos clínicos e permite ações mais rápidas e direcionadas por parte das equipes assistenciais.

Como CEO de uma helthtech, atuo diariamente ao lado de hospitais e outros gestores de saúde que enfrentam essa realidade. Assim, atuamos no sentido de identificar pacientes com risco clínico elevado, mas que também entrega os meios para que a instituição entre em ação — e garanta que intervenções, triagens e linhas de cuidado sejam, de fato, implementados. Agimos assim, pois o simples envio de uma lista de indivíduos em risco não basta. É preciso que a instituição tenha ferramentas para captar e acompanhar aquele paciente de forma segura e sustentável.

Na prática, a tecnologia precisa mais do que detectar risco e oferecer recursos para atrair o paciente identificado. É essencial inseri-lo em jornadas de cuidado oncológico ou cronológico e monitorar se o que precisa ser feito está realmente acontecendo. Essa ponte entre risco identificado e ação efetiva é o que pode acelerar diagnósticos, reduzir reinternações e fortalecer o relacionamento com o paciente.

Assim, vejo que a eficiência não é só cortar custos, mas fazer mais com os recursos que já existem, especialmente os humanos. Um exemplo concreto disso, é o caso de um hospital mineiro, em que se conseguiu reduzir uma fila de 45 dias de análises de laudos para câncer de pulmão para praticamente zero, usando IA. Em apenas seis meses, uma única enfermeira altamente capacitada conseguiu inserir 36 pacientes em linhas de cuidado oncológico — pessoas que provavelmente não seriam diagnosticadas a tempo sem esse tipo de apoio tecnológico.

Além disso, quando executada corretamente, a integração e inteligência aplicada aos dados também garantem governança e transparência num sistema hospitalar cada vez mais regulamentado e exigente. Estudos indicam que 33% de melhoria no compliance da CMS (autoridade americana de saúde) pode ser alcançada em três meses com dados centralizados e de alta integridade, em artigo publicado no exterior.

Hospitais que implementam essa cultura data-driven ganham eficiência operacional e melhores desfechos para pacientes, além da sustentabilidade ao longo prazo. Para líderes de hospitais e operadoras, é hora de considerar estratégias integradas que tornem dados clínicos — mesmo os não estruturados — em uma fonte de rendimento assistencial e valor para o paciente.

Minha experiência mostra que transformar dados em diagnóstico, ações e resultados concretos não se trata de uma opção. Estamos falando de uma necessidade urgente para quem quer antecipar crises clínicas com semanas de antecedência — ao mesmo tempo que eleva a eficiência hospitalar, melhora as margens financeiras, sem comprometer a segurança do paciente ou deixar de lado a necessária humanização do cuidado.

Contudo, é importante lembrar que a IA na saúde não é um fim, mas sim um meio. Ela deve ser usada para identificar o paciente certo, no momento certo, e garantir que ele receba o cuidado mais adequado. Nesse contexto, a tecnologia deve atuar como aliada dos profissionais de saúde: uma ferramenta de apoio, nunca uma substituta.

*Anthony Eigier é CEO e fundador da Neuralmed.

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REVISTA COBERTURA

O impacto do transtorno do espectro autista nos planos de saúde

O autismo tem ganhado cada vez mais relevância no debate sobre saúde suplementar no Brasil. A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) aponta que os custos com terapias para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) cresceram 74,4% entre 2021 e 2023. O percentual é expressivo, sobretudo quando comparado ao aumento de 37,3% observado nos tratamentos oncológicos no mesmo período, historicamente entre os mais onerosos do setor.

Segundo o Censo 2022, o Brasil conta com 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo, o equivalente a 1,2% da população. O dado evidencia a dimensão do desafio e ajuda a explicar a pressão crescente sobre os planos de saúde: a ampliação da conscientização sobre o diagnóstico precoce e a importância de terapias adequadas têm elevado de forma significativa a demanda por atendimento contínuo.

Essa tendência já se reflete diretamente nos custos corporativos. Em levantamento realizado por meio de pesquisa de consultoria empresarial, a Lockton, maior corretora de seguros independente e privada do mundo, identificou que, em 2024, 37,38% das crianças e adolescentes de 1 a 18 anos com plano de saúde realizaram terapias relacionadas ao TEA. Esses atendimentos representaram 4,82% de todo o sinistro do período. O custo anual médio do tratamento possui uma alta variação conforme a necessidade de cada paciente, porém, alguns casos já ultrapassam a marca de R$ 450 mil/ano. Desde a mudança da lei em 2022, os gastos associados ao tratamento já acumulam alta superior a 300%.

"Estamos diante de uma realidade que exige atenção e proatividade", alerta Leonardo Ribeiro, Diretor Médico da Lockton. "É fundamental que empresas e operadoras compreendam esse cenário e transformem dados em estratégia, por meio de análises detalhadas e de parcerias com clínicas e profissionais especializados. Somente assim será possível desenhar soluções que reduzam custos sem comprometer a qualidade do cuidado. Nosso compromisso é com a saúde e o bem-estar, buscando continuamente formas de tornar o tratamento do TEA mais acessível e inclusivo", finaliza Ribeiro.

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93 NOTÍCIAS

SUS realiza 60% dos exames de imagem no país, mas acesso é maior na saúde privada

O Sistema Único de Saúde respondeu por 60% dos principais exames de imagem realizados no Brasil em 2023, somando mais de 101 milhões de procedimentos. No entanto, a proporção de exames para cada 1 mil usuários mostra que o acesso é ainda maior entre as pessoas que têm plano de saúde, apesar de ter havido melhora entre 2014 e 2023.

Naquele ano, a cada 1 mil usuários do SUS, foram realizados cerca de 634,41 exames. Já no setor privado, foram aproximadamente 1.323 procedimentos custeados pelos planos para cada grupo de 1 mil beneficiários.

Os dados são do Atlas da Radiologia no Brasil 2025, elaborado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, com base em informações oficiais do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Os números englobam cinco tipo de exames: raio-x (exceto odontológico), mamografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

A base de usuários considerada no estudo é de 160,4 milhões de brasileiros atendidos pelo SUS e de 51,2 milhões que possuíam plano de saúde em 2023.

A partir dessa base, o Atlas calculou a razão entre os exames realizados em cada situação e a quantidade de usuários, o que chamou de densidade. Além disso, criou um Indicador de Desigualdade Público/Privado (IDPP).

A comparação anual mostra que a densidade no SUS aumentou e o IDPP caiu desde 2014 em quatro exames: raio-x, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Já no caso das mamografias, o movimento foi inverso entre 2014 e 2020. Nos anos seguintes, a desigualdade caiu, mas continuou maior em 2023 (3,54) do que em 2014 (3,23).

Isso significa que os usuários dos planos realizaram 3,54 vezes mais mamografias do que os do SUS. O exame é essencial para o diagnóstico do câncer de mama e deve ser realizado, inclusive, para o rastreamento da doença, mesmo quando não há sintomas.

No entanto, há divergência sobre a periodicidade recomendada. O Ministério da Saúde preconiza um exame a cada dois anos, para todas as mulheres entre 50 e 69 anos. Já o rol obrigatório da ANS garante às usuárias dos planos a mamografia de rastreio a partir dos 40 anos.

O menor IDPP, ou seja, a menor diferença entre o SUS e os planos de saúde, é encontrado no raio-x: 1,36. Já a maior desigualdade está na ressonância magnética: o exame foi realizado 13,13 vezes mais entre os beneficiários dos planos do que entre os usuários de serviços públicos.

O Atlas, no entanto, mostra que a densidade de ressonâncias no serviço público mais do que dobrou entre 2014 e 2023, saindo de 6,07 exames a cada 1 mil pessoas, para 13,80, o que fez o IDPP cair 30% no período.

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O HOJE

Sepse mata 136 crianças goianas em dois anos e traz alerta para risco silencioso

A infecção pode atingir qualquer pessoa, mas alguns grupos estão mais vulneráveis, como recém-nascidos, crianças idosos e grávidas

Pouco conhecida por grande parte da população segundo o Ministério da Saúde, a sepse, também chamada de  infecção generalizada, é uma condição grave que surge como resposta descontrolada do organismo a uma infecção. Quando isso acontece, o corpo libera substâncias que, em vez de ajudar, acabam provocando uma inflamação generalizada. Isso compromete o funcionamento dos órgãos e, em casos mais sérios, pode levar à morte em poucas horas.

A doença pode ser desencadeada por infecções simples, como uma pneumonia, uma infecção urinária ou mesmo uma lesão na pele. Mas o problema está na forma como o corpo reage. Em vez de combater apenas o foco da infecção, o sistema imunológico ataca o próprio organismo, afetando coração, rins, fígado e outros órgãos vitais.

Em Goiás, os números revelam a gravidade do cenário. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), foram registradas 91 mortes de bebês e crianças de até 12 anos por sepse em 2024. Neste ano, até o momento, já são 45 óbitos pela mesma causa, totalizando 136 mortes infantis em dois anos. Os dados são do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e ainda podem passar por atualizações.

Além das mortes, os registros de internações também chamam atenção: 374 crianças foram internadas em hospitais estaduais em 2024 com diagnóstico de sepse. Em 2025, até o momento, são 183 internações em unidades sob gestão estadual.

A infecção pode atingir qualquer pessoa, mas alguns grupos estão mais vulneráveis, como recém-nascidos, crianças pequenas, idosos, grávidas, pacientes com doenças crônicas (como diabetes, insuficiência renal ou cardíaca), imunossuprimidos (como pessoas com Aids ou em tratamento contra o câncer), transplantados, usuários frequentes de antibióticos, além de pacientes hospitalizados com uso de sondas, cateteres ou ventilação mecânica.

O pediatra Tiago Dalcin, membro da Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente, alerta que é preciso atenção com qualquer infecção em crianças. Segundo ele, a sepse pode ter várias origens. “Existem vários tipos de infecções que podem causar sepse em crianças: como doenças respiratórias, infecções urinárias, meningite, até uma infecção de pele pode evoluir para sepse”, explica.

Ele reforça que o principal risco da doença está na  letalidade. “O grande perigo é que ela está associada a maior mortalidade. Cerca de 20% das crianças com sepse morrem, isso significa que 1 a cada 5 crianças com sepse não sobrevive”, alerta o médico.

Reconhecer os sinais iniciais pode salvar vidas. De acordo com Dalcin, os pais devem observar mudanças no comportamento da criança durante quadros de infecção.

“Os principais sinais e sintomas que os pais devem ficar atentos, eu diria, têm a ver com o estado geral da criança. Uma criança que está muito prostrada, eventualmente sonolenta, associada a um quadro de infecção, deve ser avaliada o mais rápido possível por um profissional de saúde. Muito importante deixar claro que, felizmente, a maioria dos quadros infecciosos não evolui para a sepsis, mas alguns sim acabam evoluindo e, quando evoluem, a gente sabe que tem um risco maior de morte”, afirma.

Em caso de suspeita, a recomendação é agir rápido. “A primeira coisa a fazer numa desconfiança de que pode ser sepse é procurar imediatamente o serviço de saúde mais próximo. E a grande questão da importância do diagnóstico de sepsis cedo é que quanto mais cedo a gente conseguir diagnosticar sepsis, mais cedo a gente vai conseguir fazer uma intervenção”, orienta.

A prevenção da sepse, segundo o especialista, está ligada ao controle de infecções em geral. Higiene e vacinação são as principais recomendações para proteger os pequenos. “A grande prevenção da sepsis, na realidade, acaba sendo a prevenção das infecções que podem evoluir com a sepsis. A gente enfatiza há bastante tempo medidas fundamentais como a higiene de mãos, medidas fundamentais como a imunização. A gente tem novas vacinas, cada vez mais o calendário vacinal brasileiro está mais completo. E a gente sabe que as vacinas funcionam bastante para a gente poder fazer esse tratamento, essa prevenção.”, afirma.

Segundo a superintendente de Políticas e Atenção Integral à Saúde da SES/GO, Amanda Melo, os profissionais de saúde fazem treinamentos com frequência para criar um protocolo padronizado de atendimento. ” Nós, com frequência fazemos treinamentos com os profissionais, e nesse momento nós estamos com um projeto chamado IHR, que é Integração Hospitalar em Rede. E a partir disso, com parceria do Instituto IHI e também Einstein, a gente vem fazendo capacitações e treinamentos dentro das nossas unidades de saúde, nos nossos hospitais estaduais, para que eles tenham os protocolos padronizados”, afirmou

Em relação a estrutura dos hospitais, Amanda ressaltou que o Estado possui leitos de UTI pediátricas suficientes e preparadas para receber esses pacientes. ” A gente faz muitas visitas, além dos nossos hospitais estaduais, nós temos alguns planos de fortalecimento, , que nós cofinanciamos também alguns leitos de UTIs pediátricas. Em quantidade nós temos um quantitativo suficiente para atendimento das crianças”, comentou. 

Diante dos números crescentes e da falta de conhecimento sobre a sepse, em 2024 foi lançada a Agenda Global para a Sepse. A iniciativa tem metas a serem cumpridas até 2030 e é apoiada por mais de 70 organizações internacionais. Ela se baseia em cinco pilares: liderança política com planos nacionais, preparação dos sistemas de saúde para atendimento, mobilização social com campanhas educativas, incentivo à pesquisa e inclusão do tema em políticas públicas.

A sepse é uma emergência médica e precisa ser tratada como tal. O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são determinantes para a sobrevivência. Ao menor sinal de agravamento em um quadro infeccioso, principalmente em crianças, é essencial buscar atendimento médico. Quanto antes a sepse for identificada, maiores são as chances de recuperação.

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RÁDIO CBN GOIÂNIA

Setembro marca campanha de conscientização sobre a alopecia areata

https://cbngoiania.com.br/cbn-goiania/setembro-marca-campanha-de-conscientizac-o-sobre-a-alopecia-areata-1.3314987

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PORTAL G1

Superbactérias resistentes a antibióticos podem superar mortes por câncer no mundo, alerta ONU

Avanço da resistência bacteriana está diretamente ligado ao uso inadequado de antibióticos ao longo das décadas, mas cientistas do MIT acreditam que a IA pode abrir uma nova “era de ouro” dos antibióticos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) faz um alerta: até 2050, infecções causadas por superbactérias podem provocar dez milhões de mortes por ano no mundo, superando o número de vítimas de câncer.

O Fantástico mostrou que o avanço da resistência bacteriana está diretamente ligado ao uso inadequado de antibióticos ao longo das décadas, que reduziu a eficácia desses medicamentos e abriu caminho para microrganismos mais fortes. VEJA O VÍDEO ACIMA.

No Brasil, por exemplo, antibióticos chegaram a ser vendidos sem receita médica, o que contribuiu para acelerar a resistência. A preocupação é global: em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) listou 12 famílias de bactérias resistentes que representam ameaça prioritária à saúde pública.

Ao mesmo tempo em que o cenário é alarmante, a ciência busca soluções. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, vêm utilizando inteligência artificial para acelerar o desenvolvimento de novos antibióticos. Os algoritmos já projetaram mais de 36 milhões de moléculas e identificaram compostos com potencial antimicrobiano em tempo recorde.

Antes, a criação de uma nova substância podia levar até dois anos; agora, os resultados aparecem em dias e já avançam para testes em laboratório e em animais. O objetivo é encontrar alternativas para combater bactérias que desafiam os tratamentos atuais, como as que causam gonorreia e pneumonia.

Para especialistas, a inteligência artificial pode inaugurar uma “era de ouro” dos antibióticos, quase um século após a descoberta da penicilina. Em meio ao alerta da ONU, a tecnologia surge como uma das principais apostas para evitar que o mundo enfrente uma crise sanitária de proporções inéditas.

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Assessoria de Comunicação        

Segunda, 22 Setembro 2025 06:32

CLIPPING AHPACEG 20 A 22/09/25

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ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Nova resolução do Cremego reforça autonomia do médico na definição do tempo de atendimento

https://www.issoegoias.com.br/2025/09/nova-resolucao-do-cremego-reforca.html

Nota técnica sobre suspensão parcial da Resolução CFM nº 2.434/2025

https://portal.cfm.org.br/noticias/nota-tecnica-sobre-a-suspensao-parcial-da-resolucao-cfm-no2-434-2025

Dino proíbe conselhos de intervir diretamente em universidades de medicina

https://www.contrafatos.com.br/dino-proibe-conselhos-de-intervir-diretamente-em-universidades-de-medicina/#google_vignette

Mutirão no Hugo realiza 347 cirurgias em duas semanas

https://www.aredacao.com.br/noticias/240610/mutirao-no-hugo-realiza-347-cirurgias-em-duas-semanas

Alopecia Areata: a doença que provoca queda repentina de cabelo

https://www.youtube.com/watch?v=KeVRo8hFLrU

Crise dos opioides: da tragédia americana ao risco brasileiro

https://www.jornalopcao.com.br/reportagens/crise-dos-opioides-da-tragedia-americana-ao-risco-brasileiro-747491/#google_vignette

Inovação goiana aprimora treinamento em cirurgias oculares

https://www.foconacional.com.br/2025/09/inovacao-goiana-aprimora-treinamento-em.html

Glosa é jabuticaba para consumidor e jaca na cabeça de fornecedor

https://www.saudebusiness.com/mercado-da-saude/glosa-e-jabuticaba-para-consumidor-e-jaca-na-cabeca-de-fornecedor/

STF define regras para procedimentos fora do rol; Idec vê prejuízo a pacientes

https://medicinasa.com.br/stf-procedimentos-rol-ans/

Cerca de 45% dos médicos apresentam algum quadro de doença mental

https://medicinasa.com.br/medicina-doenca-mental/

Especialistas alertam para risco de falta de radiofármacos no Brasil

https://medicinasa.com.br/falta-radiofarmacos/

Diagnóstico por imagem: menos excessos, mais precisão

https://medicinasa.com.br/diagnostico-por-imagem/

ISSO É GOIÁS

Nova resolução do Cremego reforça autonomia do médico na definição do tempo de atendimento

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) publicou, no dia 19 de setembro, a Resolução nº 118/2025, que trata diretamente da autonomia médica e estabelece diretrizes éticas voltadas à valorização da boa prática da medicina.

Em vigor desde sua publicação, a resolução deixa claro que a definição do tempo necessário para cada atendimento médico cabe exclusivamente ao médico responsável. A medida garante respaldo ético para que o médico atue com independência técnica, respeitando as necessidades clínicas de cada paciente.

O presidente do Cremego, Rafael Martinez, afirma que a nova norma representa um marco importante para a categoria. “É com grande satisfação e um senso de dever cumprido que o Conselho entrega essa resolução aos médicos e à sociedade. Ela ampara a boa medicina e reforça a autonomia do profissional ao deixar claro que quem julga o tempo necessário para cada atendimento é o médico”, destaca.

A Resolução Cremego nº 118/2025 está disponível na íntegra no Diário Oficial da União. Acesse e confira: https://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-cremego-n-118-de-21-de-agosto-de-2025-657079323

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PORTAL MÉDICO

Nota técnica sobre suspensão parcial da Resolução CFM nº 2.434/2025

A Resolução nº 2.434/2025 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que trata da responsabilidade técnica de coordenadores de curso de medicina em campos de estágio, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 01 de agosto de 2025 e entrará em vigora dia 1º de outubro deste ano. Trata-se de uma resolução inovadora que amplia a fiscalização de campos de estágio, dando maior segurança ao ato médico e garantindo o ensino de habilidades práticas aos estudantes de medicina nos locais de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

 A Associação de Mantenedoras de Instituições de Ensino Superior (AMIES) entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI – 7.864) solicitando ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão integral da resolução.

No dia 19 de setembro de 2025, o ministro relator Flávio Dino reconheceu a legalidade da resolução, mantendo a sua vigência e suspendendo liminarmente trechos que podem ser verificados aqui. Em tempo, o CFM se manifestará processualmente, mas, há pontos de extrema importância nessa decisão que merecem ser destacados:

1- A resolução CFM nº 2.434/2025 continua válida e entrará em vigor no dia 01/10/2025, excetuando-se nos artigos que estão temporariamente suspensos.

2- Foi reconhecido o direito do CFM de fiscalização do ato médico.

3- Foi ratificado que o CFM e os CRMs “podem e devem apontar irregularidades”, se reportando as autoridades competentes como o MEC.

4- Houve o reconhecimento de que as intervenções do CFM visando assegurar padrões de qualidade e conformidade com os objetivos fundamentais da educação nacional não são obstáculos a livre iniciativa e podem ser realizados.

5- Reconhece a OBRIGATORIEDADE do coordenador do curso de medicina e do internato médico serem MÉDICOS e reconhece a exigência de comunicação pelas IES quanto à identidade do médico designado como coordenador do curso para que seja viabilizada a fiscalização ética e técnica da atuação profissional.

6- Fica mantida os princípios gerais da resolução CFM 2.434/2025 em seus principais eixos: o estabelecimento da responsabilidade técnica do coordenador do curso de medicina quanto aos campos de estágio; a obrigatoriedade do coordenador e todos os professores de disciplinas médicas serem médicos regularmente inscritos nos CRMs onde ocorrerem os estágios obrigatórios; a comunicação ao CRM de quaisquer irregularidades, infrações éticas ou eventos adversos graves observados nos campos de estágio que envolvam estudantes, professores ou preceptores; o cadastro de todas as informações sobre os campos de estágio e a identificação dos coordenadores.

Brasília, 20 de setembro de 2025.

Conselho Federal de Medicina (CFM)

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CONTRAFATOS

Dino proíbe conselhos de intervir diretamente em universidades de medicina

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu trechos da Resolução 2.434/2025 do Conselho Federal de Medicina (CFM) que permitiam aos conselhos de médicos interditar cursos universitários de medicina.

A decisão foi tomada em caráter monocrático, atendendo a pedido da Associação dos Mantenedores Independentes Educadores do Ensino Superior, que ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a norma. A entidade alegou que o CFM estaria invadindo atribuições que são de competência exclusiva da União.

Limites à atuação dos conselhos

Dino determinou a suspensão de dispositivos específicos, entre eles os que previam a interdição de cursos, a exigência de anuência em convênios e a definição de critérios para salários de funcionários das instituições de ensino.

Na decisão, o ministro destacou:

“Não é dado aos Conselhos Profissionais reivindicarem para si, por ato unilateral e infralegal, as prerrogativas titularizadas pela União e conferidas por lei em sentido formal e material aos órgãos federais e estaduais de educação”.

Segundo ele, os conselhos de classe têm competência normativa restrita a aspectos técnicos e de fiscalização profissional, sem poder para impor obrigações às universidades ou intervir diretamente na área educacional.

Fiscalização possível

Dino ressaltou que os conselhos podem identificar e relatar irregularidades, mas devem encaminhar essas informações às autoridades educacionais competentes, como prevê a legislação, evitando conflitos normativos e insegurança jurídica.

A medida ainda será analisada pelo plenário do STF, que dará decisão definitiva sobre a constitucionalidade da resolução.

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A REDAÇÃO

Mutirão no Hugo realiza 347 cirurgias em duas semanas

Equipes trabalharam à noite e fins de semana

O Hospital de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (Hugo) concluiu um mutirão que resultou em 347 cirurgias realizadas em cerca de duas semanas, superando a meta inicial de 160 procedimentos. A ação, prevista em plano de contingência do Governo de Goiás, ampliou em 25% a média de atendimentos no período, com equipes atuando também à noite e nos fins de semana para enfrentar o aumento da demanda na unidade.

A prioridade foi atender os casos ortopédicos, que representavam a maior demanda, além de procedimentos gerais, vasculares e neurocirúrgicos. A iniciativa ocorreu de 27 de agosto a 14 de setembro e de acordo com a diretora médica do Hugo, Fabiana Rolla, o engajamento das equipes foi essencial. “Conseguimos garantir resolutividade, mesmo em um cenário desafiador, de alta demanda e gerenciamento de casos urgentes. Nosso objetivo foi atender com celeridade, mas preservando o cuidado centrado no paciente. O resultado possibilitou maior giro de leitos e, consequentemente, ampliou o acesso dos pacientes”, destaca a médica.

Outro dado destacado pela gestão da unidade de saúde é que, em menos de um ano, houve redução do tempo médio de espera por cirurgias de cerca de 60 dias para apenas oito. Isso graças à implementação de um conjunto de ações estruturadas, como o Projeto Terapêutico Singular (PTS), programas de controle de infecções e novas estratégias de alta hospitalar planejada e acompanhamento ambulatorial.

A mobilização também se somou a outras medidas previstas no plano de contingência, como a criação de novos fluxos assistenciais no pronto-socorro e o direcionamento interno dos pacientes, conforme o nível de gravidade, para as Unidades de Internação (UI), Ortopedia (UOT) e Cirurgia (UDC). Nelas, os pacientes recebem assistência integral e todo o cuidado necessário enquanto aguardam o leito definitivo de enfermaria.

“Apesar de ser uma unidade regulada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), o dia a dia no Hugo é dinâmico e imprevisível, pois recebemos diariamente pacientes direcionados pelo Samu e Corpo de Bombeiros, sem que seja possível prever quantas pessoas chegarão ou qual será a gravidade dos casos, o que exige um modelo de gestão e profissionais preparados”, destaca a diretora médica, ao completar: “O plano será acionado sempre que necessário, visando assegurar que o hospital trabalhe de forma ágil e organizada, mesmo diante de alta demanda”.

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PUC TV

Alopecia Areata: a doença que provoca queda repentina de cabelo

https://www.youtube.com/watch?v=KeVRo8hFLrU

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JORNAL OPÇÃO

Crise dos opioides: da tragédia americana ao risco brasileiro

Entre a saúde e a geopolítica, a nova guerra às drogas envolve o combate aos opioides sintéticos e tensões internacionais

“É uma epidemia”, diz Antônio Caiado, goiano que vive nos Estados Unidos há 20 anos. “Muitos jovens, principalmente no Norte do país, têm morrido por overdose de fentanil. Muitos adolescentes têm perdido a vida”. Desde 2018, cenas de usuários dos opioides sintéticos chamam a atenção nas redes sociais e nos noticiários: pessoas inconscientes, aparentemente paralisadas em pé ou sentadas. 

Segundo o Centers for Disease Control (CDC), a crise chegou ao auge em 2023, quando 105 mil pessoas morreram por overdose nos EUA. Desde então, medidas de controle nas fronteiras fizeram com que a disponibilidade da droga caísse e as mortes diminuíssem nos Estados Unidos. Neste período, entretanto, no Brasil e no restante do mundo, cresceu a circulação de fentanil e outros opioides sintéticos ainda mais potentes, como os nitazenos.​

​O Relatório Mundial sobre Drogas 2025 da ONU revela que os opioides sintéticos foram o segundo grupo de drogas sintéticas mais apreendido no mundo em 2023, com o fentanil dominando em termos de número de doses devido à sua alta potência. O tráfico ainda concentra-se na América do Norte, onde os opióides sintéticos foram originalmente usados como agente de corte para drogas já estabelecidas no mercado, como heroína, mas começaram a surgir também na América Latina. 

Estudo de 2025 do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelou que as apreensões desses opioides têm se tornado frequentes: de 2022 a 2023, a Polícia Civil de São Paulo realizou 133 apreensões de drogas em que nitazenos estavam presentes. O tipo mais comum identificado foi o metonitazeno, em forma de vegetal seco e fragmentado, o que sugere o uso por via inalatória (fumada). Os nitazenos também foram misturados com canabinoides sintéticos, bem como com cocaína. 

Polícias civis de três estados já identificaram nitazenos em apreensões: São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. Questionados pelo Jornal Opção, tanto a Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc) quanto a superintendência da Polícia Federal em Goiás afirmaram que não há registros de apreensões dos opioides sintéticos no Estado. Nos países da América Latina, o fentanil circula principalmente em ampolas desviadas de sistemas de saúde, segundo a subdiretoria de Drogas da Procuradoria Nacional. 

Menos de cinco apreensões foram feitas no Brasil no período analisado pelo relatório de 2025 da ONU — mas, desde então, outras apreensões chegaram aos jornais. Em 15 de setembro, uma jovem de 20 anos foi presa em flagrante em Recife portando 20 frascos de fentanil, por exemplo. 

Infográfico no Relatório Mundial sobre Drogas 2025 ilustra a potência da droga em comparação com similares:​

​Renata Mazaro é professora titular do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Goiás (UFG). A professora faz parte do Centro Regional de Referência para Formação Permanente sobre Drogas, do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Drogas e Outras Dependências, e desenvolve a linha de pesquisa neurobiologia das drogas de abuso. Em entrevista ao Jornal Opção, a pesquisadora explica o funcionamento dos opioides sintéticos e a razão de sua letalidade. 

“Os nitazenos são mais potentes, e portanto provocam maior risco de morte”, diz Mazaro. “Apesar de possuírem o mesmo mecanismo de ação da morfina, precisam de quantidades bem menores para exercer o mesmo efeito, seja analgésico, ou seja de deprimir a região do cérebro que controla a respiração. A morte induzida pelos opioides ocorre, principalmente, pelo fato dessas drogas inibirem a resposta do centro respiratório (neurônios no cérebro que respondem às modificações de parâmetros sanguíneos referentes à respiração, principalmente a quantidade de gás carbônico no sangue).”

“Se a quantidade de gás carbônico estiver alta no corpo, os neurônios do centro respiratório disparam uma resposta para o sistema respiratório aumentar a troca gasosa e eliminar o CO2. Contudo, sob efeito dos opioides, esses neurônios perdem a habilidade de identificar essa alteração, e o corpo não consegue compensar o alto CO2 — o indivíduo vai parando de respirar, até a morte.”

“Como a potência é maior, os nitazenos e o fentanil deprimem o centro respiratório com pouca quantidade. Ao mesmo tempo, induzem a dependência rapidamente; tudo porque os receptores que se ligam as essas drogas têm alta afinidade por elas e possuem um mecanismo de adaptação rápida frente sua a presença. O corpo passa a precisar de mais e mais drogas para obter o efeito inicial.”

A heroína é menos potente em termos farmacológicos em comparação com o fentanil e os nitazenos, mas ainda é muito perigosa, destaca Renata Mazaro. 

De problema de saúde à crise geopolítica

O governo do republicano Donald Trump tem tomado medidas para controlar a crise dos opioides nos Estados Unidos. Além de aumentar o controle domesticamente, com operações e forças-tarefa policiais para desmobilizar redes de tráfico, o país passou a cobrar que países latinoamericanos persigam narcotraficantes e produtores de drogas em seus próprios territórios. 

A atitude está alinhada à nova diplomacia linha-dura dos Estados Unidos — em harmonia com tarifaços globais, suspensão do suprimento de armas para aliados e disputa agressiva por minérios estratégicos. Na última segunda-feira, 15, militares americanos destruíram um navio venezuelano que viajava em águas internacionais, supostamente com drogas a caminho dos EUA. Nicolás Maduro disse sofrer “agressão” dos EUA, chamando o principal diplomata americano, Marco Rubio, de “senhor da morte e da guerra”.

Embora não tenha recorrido à ação militar, os Estados Unidos pressionaram o México (após a China, o México é o maior produtor mundial de fentanil) a reforçar o combate ao narcotráfico por meio de sanções econômicas. Atualmente, os EUA estão em uma disputa tarifária e política com o Brasil — movida em parte pela condenção do ex-presidente Bolsonaro, aliado de Trump. Abrigando grandes facções criminosas que exportam drogas, o Brasil se preocupa com a possibilidade de se tornar um alvo.

Em 9 de setembro a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que o presidente dos EUA, Donald Trump, não tem medo de usar recursos militares e econômicos contra o Brasil. Um dia antes, o presidente Lula (PT) havia criticado o envio de forças navais dos Estados Unidos para o Caribe (com propósito de coibir o narcotráfico), chamando-as de uma fonte de tensão que poderia minar a paz na região.

Para entender até onde o conflito pode escalar, o Jornal Opção ouviu um militar de dupla cidadania. Nascido em Mossâmedes, Goiás, Antônio Caiado vive nos Estados Unidos há 20 anos. Atualmente morando em Dallas, ele é primeiro-sargento na Texas Army National Guard, responsável por gerenciar equipes que coletam informações usadas na elaboração de operações estratégicas do exército americano. Ele revela detalhes da “guerra às drogas” conduzida por Donald Trump.

“Os Estados Unidos vêm adotando ações não apenas no México, mas também dentro do próprio território. Na semana passada, por exemplo, o exército apreendeu um grande volume de material utilizado na produção de fentanil que estava dentro dos Estados Unidos. O maior produtor é a China. O México funciona, na verdade, como rota de trânsito: os insumos chegam lá, a produção é finalizada e, em seguida, a droga é enviada para os Estados Unidos.” 

“Atualmente, no entanto, a fronteira está muito mais fechada, o que dificulta bastante a entrada de qualquer tipo de droga. A forma como Trump tem combatido o tráfico deve reduzir o consumo interno nos próximos anos. Ele reforçou o controle em todo o Caribe, além de intensificar a vigilância nas fronteiras com o México e o Canadá. Ele não está brincando: os Estados Unidos mantêm vigilância em nível global.”

“Por outro lado, à medida que Trump endurece o combate, os traficantes também buscam novas rotas alternativas. Ou seja, a luta contra o tráfico e, em especial, contra o fentanil não é apenas um pretexto político, trata-se de uma preocupação real. A intenção é reduzir as mortes de cidadãos, não se trata de uma tentativa de interferir em outros governos.”

Por que nos EUA e não no Brasil?

Renata Mazaro explica que fatores históricos e de políticas públicas explicam por que os opioides se tornaram um enorme problema nos Estados Unidos, mas nem tanto no Brasil. Essa realidade não diz respeito apenas ao fentanil e nitazenos, mas remonta à heroína no século 20. O elevado custo da heroína desestimulou seu uso no Brasil, enquanto nos EUA, a maior penetração dos opióides está associada ao uso da morfina por veteranos de guerra. 

“No Brasil, o perfil de usuários de opioides está ligado aos profissionais da área da saúde, que têm acesso aos medicamentos controlados. Sobre as overdoses, temos principalmente casos de intoxicação acidental, quando essas drogas estão misturadas em outras. Há registro de fentanil colocado nos selinhos de LSD, por exemplo. A pessoa compra o LSD e consome fentanil sem saber.”

“Pela facilidade de síntese em laboratórios clandestinos de algumas moléculas presentes nas drogas sintéticas, elas acabam entrando no mercado de forma muito fácil”, diz Renata Mazaro sobre novas drogas não catalogadas. Ela explica que para que uma nova droga passe a ser monitorada pelas autoridades, os órgãos competentes da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (SENAD) solicitam à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sua inclusão nas listas de classificação. “Isso ajuda muito a polícia no controle da repreensão desse tipo de droga quando chega no Brasil”.

A cientista explica por que e como produtores e traficantes seguem criando novas moléculas. “Pensando da perspectiva dos traficantes, fazendo uma ‘análise de mercado’, a existência de drogas muito potentes, que levam à morte os usuários, isso não é interessante. O tráfico perde seu usuário. Então, eles fazem ajustes de acordo com a resposta de intoxicação desse usuário. É um processo bem primitivo do ponto de vista científico e farmacológico, mas é a forma que eles fazem o equilíbrio do mercado de consumo deles, infelizmente”. 

Os laboratórios forenses associados às polícias Civil e Federal são capazes de identificar opioides, sejam naturais ou sintéticos, como é o caso do fentanil e os nitazenos. “A rede dos CIATox (Centros de Informação e Assistência Toxicológica) estão distribuídos em 22 das 27 unidades federativas do Brasil, totalizando 32 centros ativos”, diz Renata Mazaro. 

Quando uma vítima busca tratamento e a intoxicação é confirmada, médicos podem reverter o efeito depressor respiratório com a droga Naloxona — um antagonista de opioide indicado para o tratamento de emergência de superdose. “Após o acolhimento e tratamento da vítima, o sangue é enviado para laboratórios de análises cadastrados.”

“O grande alerta feito pela United Nations Office on Drugs and Crime (UNDOC) hoje, e de todos órgãos responsáveis dos países que trabalham avidamente para o combate do tráfico de drogas, são as drogas sintéticas. Essas drogas são produzidas a todo momento. São refúgios de moléculas da indústria farmacêutica que não foram aproveitadas para uso terapêutico, mas que encontraram uso de forma abusiva por conta de seus efeitos colaterais”, conclui Renata Mazaro.  

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FOCO NACIONAL

Inovação goiana aprimora treinamento em cirurgias oculares

Os oftalmologistas goianos Bruna Thomé Rassi e Leiser Franco, membros do corpo clínico do Instituto Panamericano da Visão (IPVisão), desenvolveram um dispositivo inovador que está transformando o treinamento de residentes e especialistas em oftalmologia. Trata-se do iChamber.

O equipamento permite a simulação realista de cirurgias oculares, como a cirurgia de catarata, oferecendo um ambiente seguro e eficaz para o aperfeiçoamento técnico dos profissionais. Com o uso do iChamber, oftalmologistas em formação e já experientes podem praticar, repetir movimentos e simular situações complexas, aumentando sua precisão cirúrgica e segurança no atendimento ao paciente.

Segundo Leiser Franco, o treinamento contínuo e controlado é essencial para o domínio de técnicas e a atualização em novas abordagens, sem expor pacientes a riscos. “A possibilidade de simular diferentes cenários e repetir procedimentos torna o aprendizado muito mais eficiente e contribui para o desenvolvimento da precisão cirúrgica”, destaca.

A inovação tem sido apresentada por Bruna Thomé Rassi e Leiser Franco em cursos, workshops e congressos especializados, contribuindo significativamente para a formação e o aperfeiçoamento de médicos na área da cirurgia ocular.

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MEDICINA S/A

Glosa é jabuticaba para consumidor e jaca na cabeça de fornecedor

Prática comum no Brasil, as glosas desafiam a sustentabilidade das empresas de produtos para saúde, geram insegurança financeira e expõem a falta de transparência no relacionamento com operadoras.

Lembro-me, como se fosse hoje, de um episódio ocorrido há cerca de uma década. Na época, Martha Oliveira, então diretora da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), relatava a surpresa de um executivo alemão ao ouvir, em uma reunião internacional na Europa, a menção às “glosas” praticadas com tanta frequência por operadoras e planos de saúde no Brasil.

O executivo não conseguia compreender o que era uma glosa, como se aplicava e, sobretudo, por que era imposta quando o procedimento já havia sido previamente autorizado. Não foi apenas ele: segundo Martha, o espanto se espalhou entre todos os integrantes da mesa e da plateia.

Mais do que uma “jabuticaba”, a glosa parece uma verdadeira jaca pendurada, a seis metros de altura, sobre a cabeça dos fornecedores de produtos para a saúde. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI) constatou que 80% das empresas associadas tiveram sua prestação de contas glosada por operadoras e planos de saúde ao longo do último ano.

A glosa ocorre quando o cliente suspende total ou parcialmente o pagamento por equipamentos e materiais utilizados em cirurgias, assim como acontece com os consumidores que têm um reembolso lícito glosado, por exemplo.

O problema se agrava porque, muitas vezes, os motivos da glosa sequer são informados. Quando são, a comunicação carece de transparência e costuma vir acompanhada de justificativas vagas, baseadas em “razões técnicas ou administrativas”. O que se sabe de fato é que o pagamento não será realizado ou sofrerá atrasos significativos.

Na mesma pesquisa, apontou-se um prazo médio de pagamento de 139 dias — o equivalente a quatro meses e 19 dias. Essa prática recorrente cresceu cerca de 20% em relação ao ano anterior, subtraindo ou postergando aproximadamente R$ 30 milhões do caixa das empresas de produtos para a saúde. Trata-se do valor mais alto desde o início da série histórica da ABRAIDI, que começou em 2017.

Os pagamentos glosados atingem toda a gama de procedimentos, tanto cirurgias de urgência e emergência quanto procedimentos eletivos, previamente programados e autorizados pelas operadoras. A proporção de glosas entre ambos os tipos de atendimento foi equivalente. É interessante notar, porém, que essa prática recuou durante os anos da pandemia de Covid-19 — provavelmente devido à queda no número de cirurgias eletivas —, mas voltou a crescer gradativamente nos anos seguintes, até atingir o pico em 2024.

As glosas geram incerteza e dificuldades na gestão financeira, comprometem o fluxo de caixa, afetam a sustentabilidade das empresas e, inevitavelmente, desgastam o relacionamento comercial. Fornecedores de produtos para a saúde acabam obrigados a se submeter a condições que os prejudicam, assim como os consumidores, que enfrentam no dia a dia problema semelhante.

Segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o número de ações contra planos de saúde dobrou nos últimos quatro anos, passando de 141 mil novos processos em 2020 para quase 300 mil em 2024.

O consumidor não quer uma jabuticaba lhe desça torta pela garganta, nem o fornecedor de produtos deseja viver sob o risco de uma jaca sobre a cabeça. O que se busca é um diálogo mais transparente com as operadoras, para que juntos possamos construir soluções para um problema tão grave.

Instituto Ética Saúde tem debatido as distorções do setor. No entanto, nessas discussões, permanece vazia a cadeira que deveria ser ocupada por representantes dos planos de saúde.

Um dos maiores filósofos da Grécia Antiga Sócrates ensinava que “a palavra é o instrumento irresistível da conquista da razão”. Quem foge do diálogo o faz porque sabe que não há nada de racional em suas atitudes, apenas a busca pelo benefício próprio, sem qualquer compromisso com o coletivo.

*Sérgio Madeira é médico e diretor técnico da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI).

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STF define regras para procedimentos fora do rol; Idec vê prejuízo a pacientes

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (18) permitir que os planos de saúde sejam obrigados a cobrir procedimentos que não estão no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a lista de procedimentos que devem ser cobertos obrigatoriamente pelos planos. Com a decisão, a Corte considerou constitucional obrigar as operadoras a cobrir tratamentos ou procedimentos fora do rol da ANS.

Contudo, a cobertura de tratamentos fora do rol deverá levar em conta cinco parâmetros, que devem estar presentes cumulativamente nos casos que forem analisados.

Parâmetros para autorização

Prescrição do tratamento por medico ou odontólogo habilitado;

Inexistência de negativa expressa ou pendência de análise de atualização do rol da ANS;

Inexistência de alternativa terapêutica que já esteja no rol da ANS;

Comprovação de eficácia e segurança do tratamento conforme na medicina baseada em evidências;

Existência de registro da Anvisa.

Decisões judiciais

Nas decisões judiciais envolvendo autorizações para tratamentos que não constam no rol da ANS, o Supremo entendeu que o juiz deverá fazer diversas verificações antes de decidir o caso. Se a orientação não for seguida, a decisão judicial poderá ser anulada.

Verificar se houve requerimento prévio à operadora e se houve demora irrazoável ou omissão da operadora na autorização do tratamento;

Analisar previamente informações do banco de dados do Núcleo de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NATJUS) antes da decisão. O magistrado não poderá fundamentar sua decisão apenas na prescrição ou lado médico apresentado pelo usuário do plano.

Em caso de concessão da liminar favorável ao usuário, o juiz deverá oficiar a ANS sobre a possibilidade de inclusão do tratamento no rol de procedimentos.

Os parâmetros foram estabelecidos pelo relator, ministro Luís Roberto Barroso, que foi seguido pelo ministro Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

Os demais ministros também votaram pela validade da cobertura de procedimentos que não estão no rol, mas entenderam que a Corte não poderia estabelecer os parâmetros. Estão nessa situação os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Cármen Lúcia.

Idec diz que decisão do STF vai prejudicar usuários de planos de saúde

O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) afirmou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou os procedimentos fora do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vai prejudicar os usuários de planos de saúde.

Mais cedo, a Corte decidiu validar uma lei de 2022 que obriga os planos de saúde a cobrir os tratamentos fora da lista da ANS. Contudo, a maioria dos ministros estabeleceu novos critérios para as autorizações.

Na avaliação do Idec, um dos principais órgãos de defesa do consumidor no país, a decisão do Supremo é “gravemente prejudicial” aos usuários de planos e privilegia argumentos econômicos das operadoras em detrimento da saúde dos pacientes.

De acordo com o advogado Walter Moura, representante do instituto, o entendimento do STF terá consequências concretas para os usuários.

“Apesar de afirmar que o rol continua exemplificativo, trouxe uma situação pior da que a prevista pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que levou o Poder Legislativo a editar uma lei para salvar o cidadão, que já paga valores estratosféricos para manter seu contrato de plano de saúde”, avaliou Moura.

Hospitais

Em nota, a Federação dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios e Estabelecimentos de Saúde do Estado de São Paulo (FeSaúde) disse que o setor precisa de segurança jurídica e equilíbrio regulatório.

Para Francisco Balestrin, presidente da entidade, o rol de procedimentos não pode ser absoluto nem um “convite a coberturas sem limites”.

“É exatamente essa a posição que defendemos. Exceções podem existir, mas com critérios técnicos claros, eficácia comprovada, registro regulatório, ausência de alternativas adequadas e avaliação científica”, afirmou.

Balestrin também defendeu o reconhecimento a ANS como instância técnica para atualizar a lista de procedimentos e evitar a “judicialização excessiva” no setor.

“Esse é o caminho que protege a sustentabilidade dos planos, assegura a viabilidade dos prestadores e, sobretudo, preserva o direito do paciente de acessar inovações de forma responsável”, completou.

Entenda

A Corte julgou uma ação protocolada pela União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas) contra trechos da Lei 14.454/2022.

A norma definiu que as operadoras devem custear tratamentos e exames que não estão previstos no chamado rol da ANS, a lista de procedimentos que devem ser cobertos obrigatoriamente pelos planos.

A lei foi sancionada após a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que definiu, em junho de 2022, que as operadoras não são obrigadas a cobrir procedimentos médicos que não estão previstos no rol da ANS.

O STJ entendeu que o rol de procedimentos definidos pela agência é taxativo, ou seja, os usuários não têm direito a exames e tratamentos que estão fora da lista.

Após a entrada em vigor da legislação, o rol passou a ser exemplificativo, e não taxativo.

Além disso, a norma definiu que o rol é uma referência básica para os planos privados de assistência à saúde contratados a partir de 1º de janeiro de 1999.

Dessa forma, os procedimentos que forem autorizados por médicos ou dentistas devem ser autorizados pelos planos, desde que exista comprovação da eficácia do tratamento ou sejam recomendados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

Com a decisão do Supremo, o rol exemplificativo continua valendo, mas as concessões de autorizações para a cobertura de tratamentos fora do rol deverão levar em conta cinco parâmetros, que devem estar presentes cumulativamente nos casos que forem analisados. 

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Cerca de 45% dos médicos apresentam algum quadro de doença mental

Com rotinas de trabalho que podem ultrapassar 70 horas semanais e uma pressão constante pela excelência em toda jornada, médicos enfrentam condições que favorecem o esgotamento emocional. Nova pesquisa Qualidade de Vida do Médico, realizada pelo Research & Innovation Center da Afya, ecossistema de educação e tecnologia em medicina, mostra que cerca de 45% desses profissionais apresentam algum quadro de doença mental.

“A formação médica exige dedicação integral, o que, somado à cobrança por excelência e à dificuldade de reservar tempo para si, pode favorecer o esgotamento emocional”, destaca Stella Brant, vice-presidente de Marketing e Sustentabilidade da Afya.

Burnout, ansiedade e depressão

Em comparação com o ano anterior, o estudo Qualidade de Vida do Médico aponta um aumento de 13% no número de profissionais que relatam algum quadro de doença mental, um retorno ao patamar observado no período pós-pandemia.

O recorte de gênero também chama atenção: 51,8% das médicas foram diagnosticadas com algum transtorno em 2025, frente a 46,8% no ano anterior. “O aumento geral desses números pode estar relacionado à maior conscientização sobre saúde mental, que tem levado mais médicos a reconhecer sintomas, buscar apoio especializado e obter diagnósticos adequados”, explica o médico Eduardo Moura, que está à frente do Research & Innovation Center da Afya.

O estudo também aponta que 1 a cada 2 médicos (58,2%) já vivenciaram algum grau de esgotamento relacionado ao trabalho, enquanto 4 em cada 10 convivem com um diagnóstico de transtorno de ansiedade. Apenas 24,7% dos respondentes afirmam nunca ter apresentado sintomas de ansiedade — o que significa que mais de 75% já vivenciaram algum grau de sofrimento ansioso ao longo da vida.

A pesquisa também busca avaliar o número de diagnósticos de depressão entre médicos e médicas e se há tratamento e acompanhamento com um especialista.

No caso específico da depressão, apenas 36,1% nunca apresentaram sintomas — ou seja, quase dois terços da amostra já vivenciaram, em algum grau, experiências depressivas. Além disso, 22,6% já foram diagnosticados em algum momento e atualmente não convivem com a condição. Hoje, 41,3% manifestam sintomas de depressão, sendo 25,7% diagnosticados formalmente com a condição. Ainda assim, parte desse grupo não realiza acompanhamento com especialista.

 

As mulheres relatam a condição com mais frequência em todas as etapas do ciclo da doença. Elas são maioria tanto entre aquelas que têm diagnóstico atual e fazem acompanhamento (25,1%, contra 18,2% dos homens) quanto entre as que já foram diagnosticadas (24,6% contra 20%).

“Os números mostram que o sofrimento emocional dos médicos não é pontual, é estrutural. Altos índices de ansiedade, burnout e depressão, somados às desigualdades de gênero, revelam a urgência de reposicionar o cuidado com quem cuida como prioridade estratégica. Isso exige políticas contínuas, integradas e sensíveis às realidades da profissão. Mais do que estatísticas, os dados escancaram urgências humanas que o país não pode mais ignorar”, conclui Eduardo Moura.

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Especialistas alertam para risco de falta de radiofármacos no Brasil

Debatedores apontaram riscos no abastecimento de radiofármacos no país durante audiência pública da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, realizada a pedido da deputada Adriana Ventura (Novo-SP) e do deputado Frederico (PRD-MG). Radiofármacos são medicamentos combinados com material radioativo usados em exames e tratamentos, auxiliando no diagnóstico de câncer, doenças cardíacas, neurológicas e da tireoide.

Em 2022, a Emenda Constitucional 118 derrubou o monopólio estatal na fabricação desses medicamentos, com o objetivo de democratizar o acesso e viabilizar a produção regionalizada. No entanto, segundo os especialistas, desde a mudança, a oferta caiu e os preços aumentaram. Entre 2022 e 2025, por exemplo, o kit Sestamibi — usado em cintilografias — quase dobrou de preço, passando de R$ 795 para R$ 1.565.

A presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN), Elba Cristina Echtebehere, lembrou que a especialidade cresce 11% ao ano e que o Brasil poderia atender três vezes mais pacientes por ano. Hoje, são realizados cerca de 2 milhões de exames anualmente.

Falta de concorrência

De acordo com Davi Chaves, do Instituto Livre Mercado, as regras editadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) inviabilizaram a concorrência na produção de radiofármacos pelo setor privado e prejudicaram o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear.

A professora da Universidade de Brasília (UnB) Amanda Flávio de Oliveira avaliou que as exigências da Anvisa comprometem o setor, provocam desabastecimento e levam à adoção de medidas paliativas. “As medidas paliativas têm prazo e vão sendo reeditadas, o que mostra a inadequação da regulamentação.”

Problemas de transporte

Outro entrave é o transporte dos radiofármacos. O presidente da Associação Nacional de Empresas de Medicina Nuclear (ANAEMN), Marcos Villela Pedras, disse que companhias aéreas evitam transportar os produtos por receio de ações trabalhistas. O problema é mais grave nas regiões Norte e Nordeste.

“As empresas aéreas não querem transportar o material radioativo porque estão sendo processadas por questões trabalhistas relativas à periculosidade, mesmo quando o material já está liberado e não emite radiação.”

Risco de interrupção da produção

A coordenadora de Radiofarmácia do Ipen, Elaine Bortoleti de Araújo, alertou para o risco de interrupção na produção. “A fabricação é feita em instalações antigas, da década de 1970, o que representa risco iminente de interrupção. Dos 36 radiofármacos peticionados na Anvisa, o Ipen tem 18 registros sanitários. É fundamental ampliar a interação entre os ministérios de Ciência e Tecnologia e da Saúde para discutir um novo modelo de gestão.”

Ravvi Madruga, do Ministério da Fazenda, informou que a pasta avalia a questão sob o ponto de vista da concorrência, ouvindo Anvisa, Ipen e agentes de mercado.

A Anvisa foi convidada para a audiência, mas não enviou representante. (Com informações da Agência Câmara de Notícias)

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Diagnóstico por imagem: menos excessos, mais precisão

Um exame de imagem pode mudar os rumos de um tratamento. Em poucos minutos, fornece informações essenciais que orientam decisões médicas e pode salvar vidas. No entanto, para garantir segurança e efetividade, o exame de diagnóstico por imagem deve ser solicitado com critério e realizado conforme protocolos que equilibrem benefícios e riscos. Segundo o Painel D-TISS da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), somente na saúde suplementar, foram realizados mais de 10 milhões de exames de raios-X em 2024. O dado evidencia como essa modalidade está presente no cotidiano médico, mas também reforça a necessidade de uso responsável, especialmente em contextos de alta demanda.

Nos últimos anos, os avanços tecnológicos no setor permitiram reduzir significativamente as doses de radiação utilizadas, sem prejuízo da qualidade diagnóstica. Protocolos otimizados possibilitam, por exemplo, realizar tomografias de tórax ou abdômen com até 75% menos exposição em comparação aos métodos convencionais. Essa redução é especialmente relevante para pacientes mais sensíveis, como crianças e idosos, que se beneficiam de ajustes específicos ao seu perfil clínico.

O uso criterioso dos exames de imagem traz benefícios não apenas para o paciente, mas também para todo o sistema de saúde. Em ambientes públicos, onde os recursos são limitados, cada exame realizado de forma adequada contribui para que mais pessoas tenham acesso ao diagnóstico no momento certo, aumentando a eficiência, a qualidade e a equidade no atendimento.

Manter esse padrão exige a adoção de protocolos baseados em evidências, alinhados a diretrizes nacionais, como as do Colégio Brasileiro de Radiologia, e internacionais, como as do Colégio Americano de Radiologia (ACR). Também requer investimento contínuo em atualização tecnológica, capacitação das equipes e implantação de sistemas que favoreçam a agilidade e a segurança na entrega dos resultados. Entre as práticas que vêm transformando o setor estão a interoperabilidade de sistemas, que permite acesso rápido às informações; a telerradiologia, que amplia a avaliação médica à distância; a operação remota de equipamentos, viabilizada por centrais de comando; e o uso de inteligência artificial para triagem de exames, acelerando a identificação de achados críticos em situações de urgência.

O diagnóstico por imagem tornou-se um pilar da medicina moderna. Mais do que detectar doenças, os exames encurtam o tempo até o tratamento e devolvem qualidade de vida aos pacientes, desde que realizados com critério, protocolos rigorosos e equipes capacitadas.

Avanços como a interoperabilidade de sistemas, a operação remota de equipamentos e o uso de inteligência artificial na triagem de exames aceleram a identificação de achados críticos e elevam a precisão, tornando o processo mais ágil e seguro para todos. Por isso, a qualidade no diagnóstico por imagem não se mede apenas pelo número de exames realizados, mas pela capacidade de fazer o exame certo, da forma certa e no momento certo. Esse é um compromisso essencial para garantir que cada imagem captada represente um passo seguro na jornada de recuperação de um paciente — unindo ciência, tecnologia e cuidado.

*Henrique Carrete Jr. é médico radiologista e Head de Qualidade da FIDI – Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem.

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Assessoria de Comunicação        

Sexta, 19 Setembro 2025 06:44

CLIPPING AHPACEG 19/10/25

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ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Maioria dos ministros do STF vota a favor de regras claras para coberturas fora do Rol

https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/sobre-ans/maioria-dos-ministros-do-stf-vota-a-favor-de-regras-claras-para-coberturas-fora-do-rol

Idec diz que decisão do STF vai prejudicar usuários de planos de saúde

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-09/idec-diz-que-decisao-do-stf-vai-prejudicar-usuarios-de-planos-de-saude

Anahp expõe descompasso entre ganhos de operadoras e pressão sobre hospitais 

https://www.saudebusiness.com/gestao/anahp-expoe-descompasso-entre-ganhos-das-operadoras-e-pressao-sobre-hospitais/

Posse da nova diretoria da ANS marca momento estratégico para a saúde suplementar 

https://www.saudebusiness.com/gestao/legislacaoo-e-regulamentacao/posse-da-nova-diretoria-da-ans-marca-momento-estrategico-para-a-saude-suplementar/

Presidente do Conselho Federal de Medicina reage à crítica de Lula sobre ‘elite médica’

https://nn1.com.br/presidente-do-conselho-federal-de-medicina-reage-a-critica-de-lula-sobre-elite-medica/

Fila única para atendimento pelo SUS em Goiás é sancionada

https://www.aredacao.com.br/noticias/240512/fila-unica-para-atendimento-pelo-sus-em-goias-e-sancionada

Glosas: um significativo obstáculo para pacientes e fornecedores

https://medicinasa.com.br/glosas-obstaculo/

04|10 – Fórum Multidisciplinar de Segurança do Paciente

https://www.cremego.org.br/noticias/0410-forum-multidisciplinar-de-seguranca-do-paciente

ANS

Maioria dos ministros do STF vota a favor de regras claras para coberturas fora do Rol

Com a decisão, o Supremo reafirma que cabe à ANS definir o que os planos têm obrigação de oferecer. Coberturas fora da lista deverão seguir critérios específicos

Em um importante julgamento finalizado na tarde desta quinta-feira, 18/9, o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria sobre a necessidade de definição de critérios claros para a cobertura de procedimentos e tratamentos que não estão no Rol da ANS.

O julgamento analisou a validade da Lei 14.454/2022. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, foi o relator do caso e teve seu voto acompanhado por outros cinco ministros.

Pela proposta de Barroso, todos os critérios abaixo deverão ser cumpridos em caso de cobertura extra-rol:

Prescrição por médico ou odontólogo assistente

Inexistência de negativa expressa da ANS ou de pendência de análise em proposta de atualização do rol

Ausência de alternativa terapêutica adequada para a condição do paciente no rol da ANS

Comprovação de eficácia e segurança do tratamento à luz da medicina, baseada em evidências, necessariamente respaldadas por comprovações científicas de alto nível

Existência de registro na Anvisa


“Com esta decisão, o STF reafirma que cabe à ANS a definição do rol de coberturas obrigatórias dos planos de saúde e que os casos excepcionais deverão ser tratados de acordo com regras objetivas. Trata-se de uma decisão equilibrada que, para além de garantir o direito do consumidor de forma coerente, reafirma a importância da saúde baseada em evidências, da capacidade institucional da agência reguladora e racionalidade decisória”, pontuou o diretor-presidente eda ANS, Wadih Damous.

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AGÊNCIA BRASIL

Idec diz que decisão do STF vai prejudicar usuários de planos de saúde

Operadoras serão obrigadas a cobrir tratamentos fora do rol da ANS

O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) afirmou nesta quinta-feira (18) que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou os procedimentos fora do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vai prejudicar os usuários de planos de saúde.

Mais cedo, a Corte decidiu validar uma lei de 2022 que obriga os planos de saúde a cobrir os tratamentos fora da lista da ANS. Contudo, a maioria dos ministros estabeleceu novos critérios para as autorizações. 

Na avaliação do Idec, um dos principais órgãos de defesa do consumidor no país, a decisão do Supremo é “gravemente prejudicial” aos usuários de planos e privilegia argumentos econômicos das operadoras em detrimento da saúde dos pacientes.

De acordo com o advogado Walter Moura, representante do instituto, o entendimento do STF terá consequências concretas para os usuários.

“Apesar de afirmar que o rol continua exemplificativo, trouxe uma situação pior da que a prevista pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que levou o Poder Legislativo a editar uma lei para salvar o cidadão, que já paga valores estratosféricos para manter seu contrato de plano de saúde”, avaliou Moura.

Hospitais

Em nota enviada à Agência Brasil, a Federação dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios e Estabelecimentos de Saúde do Estado de São Paulo (FeSaúde) disse que o setor precisa de segurança jurídica e equilíbrio regulatório.

Para Francisco Balestrin, presidente da entidade, o rol de procedimentos não pode ser absoluto nem um “convite a coberturas sem limites”.

“É exatamente essa a posição que defendemos. Exceções podem existir, mas com critérios técnicos claros, eficácia comprovada, registro regulatório, ausência de alternativas adequadas e avaliação científica”, afirmou.

Balestrin também defendeu o reconhecimento a ANS como instância técnica para atualizar a lista de procedimentos e evitar a “judicialização excessiva” no setor.

“Esse é o caminho que protege a sustentabilidade dos planos, assegura a viabilidade dos prestadores e, sobretudo, preserva o direito do paciente de acessar inovações de forma responsável", completou.

Entenda 

A Corte julgou uma ação protocolada pela União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas) contra trechos da Lei 14.454/2022.

A norma definiu que as operadoras devem custear tratamentos e exames que não estão previstos no chamado rol da ANS, a lista de procedimentos que devem ser cobertos obrigatoriamente pelos planos.

A lei foi sancionada após a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que definiu, em junho de 2022, que as operadoras não são obrigadas a cobrir procedimentos médicos que não estão previstos no rol da ANS. 

O STJ entendeu que o rol de procedimentos definidos pela agência é taxativo, ou seja, os usuários não têm direito a exames e tratamentos que estão fora da lista.

Após a entrada em vigor da legislação, o rol passou a ser exemplificativo, e não taxativo.

Além disso, a norma definiu que o rol é uma referência básica para os planos privados de assistência à saúde contratados a partir de 1º de janeiro de 1999.

Dessa forma, os procedimentos que forem autorizados por médicos ou dentistas devem ser autorizados pelos planos, desde que exista comprovação da eficácia do tratamento ou sejam recomendados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).   

Com a decisão do Supremo, o rol exemplificativo continua valendo, mas as concessões de autorizações para a cobertura de tratamentos fora do rol deverão levar em conta cinco parâmetros, que devem estar presentes cumulativamente nos casos que forem analisados.

Parâmetros para autorização

Prescrição do tratamento por médico ou odontólogo habilitado;

Inexistência de negativa expressa ou pendência de análise de atualização do rol da ANS;

Inexistência de alternativa terapêutica que já esteja no rol da ANS;

Comprovação de eficácia e segurança do tratamento conforme na medicina baseada em evidências;

Existência de registro da Anvisa. 

Decisões Judiciais 

Nas decisões judiciais envolvendo autorizações para tratamentos que não constam no rol da ANS, o Supremo entendeu que o juiz do caso deverá fazer diversas verificações antes de decidir o caso. Se a orientação não for seguida, a decisão judicial poderá ser anulada.

Verificar se houve requerimento prévio à operadora e se houve demora irrazoável ou omissão da operadora na autorização do tratamento;

Analisar previamente informações do banco de dados do Núcleo de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NATJUS) antes da decisão. O magistrado não poderá fundamentar sua decisão apenas na prescrição ou laudo médico apresentado pelo usuário do plano. 

Em caso de concessão da liminar favorável ao usuário, o juiz deverá oficiar a ANS sobre a possibilidade de inclusão do tratamento no rol de procedimentos. 

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SAÚDE BUSINESS

Anahp expõe descompasso entre ganhos de operadoras e pressão sobre hospitais 

Balanço evidencia que margem EBITDA das instituições caiu ao menor nível em quatro anos, enquanto glosas e provisões técnicas das operadoras seguem em alta.

A 7ª edição do Balanço Observatório Anahp aponta que as operadoras de planos de saúde seguem registrando bons resultados financeiros, mas esses ganhos não chegam de forma proporcional aos demais elos da cadeia, especialmente os hospitais. O levantamento destaca a queda do EBITDA das instituições associadas à Anahp, o aumento das taxas de glosa e o crescimento das provisões feitas pelas operadoras para despesas futuras. 

Os dados foram tema do “Anahp Ao Vivo”, evento on-line que analisou as informações recém-divulgadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do Sistema de Indicadores da Anahp. Participaram do debate os sócios-fundadores da Arquitetos da Saúde, Luiz Feitosa e Adriano Londres, além de Antônio Britto, diretor executivo da associação. 

Hospitais privados sob pressão 

Do ponto de vista hospitalar, o cenário segue de dificuldades. A margem EBITDA recuou para 10,74% no segundo trimestre de 2025, frente a 14% em 2023 – o menor patamar dos últimos quatro anos. 

As glosas também chamam atenção. A taxa inicial subiu de 12,45% em 2024 para 14,6% em 2025, e na comparação com 2023 o aumento já supera cinco pontos percentuais. A glosa final foi de 1,97% no segundo trimestre deste ano. 

“Em março do ano passado, eu disse que, enquanto o ano fosse ruim para as operadoras, dificilmente seria bom para o restante da cadeia. Isso não significa, porém, que um ano bom para as operadoras se traduza em um ano bom para os prestadores. Quando você apresenta os dados de glosas para alguém de fora, a reação é de espanto: começa em 14% ou 15% e termina em 2%. Isso claramente é ganho de prazo. Acredito que só poderemos afirmar que os resultados serão sustentáveis quando eliminarmos aquilo que é comum a todos: as ineficiências e desperdícios”, analisou Adriano Londres. 

“Somos um setor. Não haveria saúde suplementar sem empresas que contratam operadoras, que contratam hospitais e empresas de medicina diagnóstica, que contratam fornecedores de equipamentos, serviços e insumos. A sustentabilidade do setor depende da boa prestação de serviços ao nosso verdadeiro patrão: o beneficiário. Seguimos na expectativa positiva e, por meio do diálogo e do debate, buscamos apontar possíveis caminhos para todos.”, concluiu Antônio Britto. 

Glosa inicial das operadoras de planos de saúde (%) – Média dos hospitais Anahp – 2TRI 2023 a 2TRI 2025

 

Gráfico x | Margem EBITDA (%) – Média dos hospitais Anahp – 2TRI 2022 a 2TRI 2025

 

Fonte: Sistema de Indicadores Hospitalares Anahp.

A dúvida sobre a razão do crescimento de reservas técnicas 

A própria ANS tem chamado a atenção para outro ponto relevante nos dados divulgados neste mês e comentados pelo Balanço da Anahp: o crescimento da PEONA – Provisão de Eventos Ocorridos e Não Avisados. O montante representa procedimentos já realizados pelos beneficiários, mas ainda não comunicados às operadoras. 

Nos últimos meses, sobretudo no trimestre mais recente, o aumento foi considerado atípico. Entre as hipóteses, está a relação com o volume de glosas. Esse movimento, segundo especialistas, pode representar ganhos financeiros para as operadoras, mas gera preocupação ao afetar o fluxo de caixa e a agilidade no pagamento das despesas médicas. 

“Esse provisionamento pode gerar maior rentabilidade sobre aplicações financeiras, mas nos preocupa porque, de alguma forma, tem refletido no fluxo de caixa das operadoras e na velocidade com que elas pagam as despesas médicas – ainda que isso não seja totalmente transparente nos dados públicos”, avaliou Luiz Feitosa. 

 

O cenário reforça a necessidade de maior equilíbrio entre os resultados financeiros das operadoras e a sustentabilidade dos prestadores. Enquanto os números mostram ganhos expressivos de um lado, a pressão sobre hospitais e serviços evidencia fragilidades no modelo atual. A construção de soluções conjuntas, com mais transparência e eficiência, pode abrir caminhos para que toda a cadeia avance de forma mais sustentável e em benefício do paciente.

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Posse da nova diretoria da ANS marca momento estratégico para a saúde suplementar 

Wadih Damous assume a presidência da agência e Lenise Secchin passa a comandar normas e habilitação de produtos.

Nesta quarta, 17 de setembro, ocorreu a cerimônia de posse da nova diretoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no Ministério da Saúde, no Auditório Emílio Ribas. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, oficializou a nomeação de Wadih Damous como diretor-presidente da agência e de Lenise Secchin como diretora de Normas e Habilitação dos Produtos (DIPRO). 

O evento reuniu autoridades dos poderes Legislativo e Judiciário, além de lideranças políticas e representantes do setor de saúde, evidenciando o peso estratégico da ANS na regulação da saúde suplementar no país. 

Integração entre SUS e saúde suplementar

Durante o discurso, o ministro Alexandre Padilha enfatizou a relevância da integração entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e a saúde suplementar. Segundo o minsitro, essa articulação é essencial para o fortalecimento da rede de atenção à saúde no país. 

“Essa união é fundamental para impulsionar o desenvolvimento e garantir uma assistência mais robusta e acessível à população”, afirmou. 

Compromissos da nova diretoria da ANS 

Ao assumir a presidência da ANS, Wadih Damous reafirmou o compromisso da agência em avançar na regulação e na estruturação da saúde suplementar, destacando a necessidade de uma abordagem integrada e eficiente.  

Lenise Secchin, por sua vez, defendeu uma regulação baseada em evidências científicas e no diálogo com a sociedade. “Saúde é um direito, e precisa ser respeitada também na regulação econômica e social”, pontuou. 

Papel da ANS e colaboração com o setor privado

A cerimônia também trouxe à tona o papel estratégico da ANS no cenário da saúde suplementar, com reflexos diretos na sustentabilidade e na qualidade do setor. Nesse contexto, a Informa Markets, organizadora de eventos como a Hospitalar e o Healthcare Innovation Show (HIS), destacou sua disposição em colaborar com iniciativas que promovam avanços no setor. 

“Nosso propósito é aproximar atores-chave, fomentar debates relevantes e apoiar iniciativas que tragam sustentabilidade e qualidade para todo o ecossistema da saúde. A ANS é parte fundamental desse processo, e estamos à disposição para colaborar em ações que fortaleçam o setor e beneficiem a sociedade”, afirmou Juliana Vicente, diretora do portfólio de saúde da Informa Markets. 

O encontro reforçou ainda a necessidade de buscar soluções que garantam eficiência e equidade em um cenário no qual a saúde suplementar enfrenta pressões crescentes para responder às demandas da população. 

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PORTAL NN1

Presidente do Conselho Federal de Medicina reage à crítica de Lula sobre ‘elite médica’

No último sábado (13), o presidente Lula Inácio Lula da Silva (PT) participou de um mutirão nacional para redução das filas do Sistema Único da Saúde (SUS), em Brasília, e aproveitou seu discurso no evento para criticar “uma parte da elite médica brasileira que acha que a gente não precisa formar mais médicos”.

Ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o presidente falava da resistência inicial ao programa Mais Médicos, lançado em 2013 no governo Dilma Rousseff, cujo número de profissionais despencou após o impeachment dela e voltou a crescer na atual gestão.

Declarou Lula:

— Nós agora já estamos com quase 30 mil médicos. Nós mais do que dobramos, em apenas 2 anos e meio, a quantidade de médicos que nós achamos. E nós achamos que é pouco. Porque tem uma parte da elite médica brasileira que acha que a gente não precisa formar mais médicos. Que acha que tem muito médico. Tem muito médico em uma certa região do país. Nas cidades brasileiras. Mas e quando a gente entra no coração deste país? Quando a gente vai pra cidade de 8 mil habitantes, 5 mil habitantes, 6 mil habitantes, que a gente vai pro Norte, pro Nordeste, pro sertão. Tem médico? Não tem.

As declarações provocaram uma reação do presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiran Gallo, que vai divulgar logo mais uma nota “aos médicos e à sociedade” para dizer que “os médicos brasileiros não formam uma elite, mas um grupo de profissionais comprometidos com a população e o país”.

O texto classifica o comentário como lamentável e diz que “posicionamentos desse tipo não contribuem em nada para a solução desse problema e ainda alimentam a narrativa do ‘nós’ contra ‘eles’ que tanto mal tem feito ao funcionamento dos serviços públicos de saúde, palcos frequentes de casos de violência contra médicos em locais de atendimento”.

Afirma Gallo:

“Aos adeptos desse discurso, lembro que os médicos brasileiros são trabalhadores comprometidos com a qualidade da assistência da população e têm cumprido seu papel com dedicação, competência e qualidade, em contextos nem sempre favoráveis, onde imperam a falta de infraestrutura, de recursos humanos, de financiamento e, sobretudo, de gestão”.

Ele também convidou autoridades federais a visitarem “sem aviso prévio” postos de saúde, prontos-socorros, UPAs e hospitais de áreas distantes e com indicadores de desenvolvimento humano precários.

Conclui o chefe do CFM:

“Com certeza essa imersão deixará claro que pacientes e médicos compartilham uma mesma posição: a de vítimas de um sistema injusto que carece de vontade política para ser corrigido e não precisa de falas de efeito que ganham manchetes, mas não resolvem os problemas de doentes e equipes de saúde”.

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A REDAÇÃO

Fila única para atendimento pelo SUS em Goiás é sancionada

O atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Goiás deverá ser realizado com base em uma fila única informatizada e gerida por sistema centralizado de regulação estadual. A novidade é estabelecida pela Lei Estadual nº 23.585, de 19 de agosto de 2025, que é resultado de proposta do presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto (UB).

O texto da legislação define que as centrais do Complexo Regulador Estadual devem utilizar o sistema informatizado de regulação e atuar de forma integrada, observando os princípios da regionalização e da integração das ações e serviços de saúde, respeitada a autonomia de cada ente federativo.

O uso dos módulos já disponibilizados pelo Estado de Goiás deve ocorrer em, no máximo, 30 dias para o de internação e 120 dias para o de consulta e exames. Os prazos valem a partir da data de publicação da lei. No caso do módulo de cirurgias eletivas e faturamento, o limite é de 120 dias a partir da data em que estiver disponível.

Modernização da administração pública
Na justificativa do projeto que deu origem à nova lei, Bruno Peixoto afirmou que se trata de uma medida para a modernização da administração pública e gestão eficiente e econômica dos recursos públicos, em especial aqueles destinados à saúde. “Vale mencionar que a multiplicidade de sistemas de regulação inviabiliza o conhecimento real da demanda em saúde nas redes estadual e municipais, dificultando a adequada configuração dessas redes”, observou.

Conforme a norma, é de responsabilidade dos municípios inserir os pacientes no Complexo Regulador Estadual, sempre que houver necessidade de acesso e oferta na rede estadual de serviços prestados sob gestão do Estado. Além disso, a esfera municipal também deve cumprir as obrigações que assumiram nas pactuações estabelecidas na Comissão Intergestores Bipartite.

Complexo Regulador Estadual
A norma isenta o Estado de responsabilidade nos casos de pacientes ainda não inseridos no Complexo Regulador Estadual ou inseridos em desconformidade com os protocolos estabelecidos pela Comissão Intergestores Bipartite. As solicitações que não cumprirem com os requisitos do colegiado serão encerradas.

Mais um ponto de destaque é o abordado pelo artigo 6º, para a celebração de convênios, acordos, ajustes ou afins, bem como para o repasse de transferências voluntárias de recursos financeiros do Estado de Goiás aos municípios. Deverá ser demonstrada, pelo ente municipal, a regularidade no cumprimento das normas, diretrizes e pactuações estabelecidas na Comissão Intergestores Bipartite e por essa lei.

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MEDICINA S/A

Glosas: um significativo obstáculo para pacientes e fornecedores

Lembro-me, como se fosse hoje, de um episódio ocorrido há cerca de uma década. Na época, Martha Oliveira, então diretora da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), relatava a surpresa de um executivo alemão ao ouvir, em uma reunião internacional na Europa, a menção às “glosas” praticadas com tanta frequência por operadoras e planos de saúde no Brasil. O executivo não conseguia compreender o que era uma glosa, como se aplicava e, sobretudo, por que era imposta quando o procedimento já havia sido previamente autorizado. Não foi apenas ele: segundo Martha, o espanto se espalhou entre todos os integrantes da mesa e da plateia.

Mais do que uma “jabuticaba”, a glosa parece uma verdadeira jaca pendurada a seis metros de altura sobre a cabeça dos fornecedores de produtos para a saúde. Uma pesquisa da ABRAIDI constatou que 80% das empresas associadas tiveram sua prestação de contas glosada por operadoras e planos de saúde ao longo do último ano. A glosa ocorre quando o cliente suspende total ou parcialmente o pagamento por equipamentos e materiais utilizados em cirurgias, assim como acontece com os consumidores que têm um reembolso lícito glosado, por exemplo.

O problema se agrava porque, muitas vezes, os motivos da glosa sequer são informados. Quando são, a comunicação carece de transparência e costuma vir acompanhada de justificativas vagas, baseadas em “razões técnicas ou administrativas”. O que se sabe de fato é que o pagamento não será realizado ou sofrerá atrasos significativos. Na mesma pesquisa, apontou-se um prazo médio de pagamento de 139 dias — o equivalente a quatro meses e 19 dias.

Essa prática recorrente cresceu cerca de 20% em relação ao ano anterior, subtraindo ou postergando aproximadamente R$ 30 milhões do caixa das empresas de produtos para a saúde. Trata-se do valor mais alto desde o início da série histórica da ABRAIDI, em 2017.

Os pagamentos glosados atingem toda a gama de procedimentos, tanto cirurgias de urgência e emergência quanto procedimentos eletivos, previamente programados e autorizados pelas operadoras. A proporção de glosas entre ambos os tipos de atendimento foi equivalente. É interessante notar, porém, que essa prática recuou durante os anos da pandemia de Covid-19— provavelmente devido à queda no número de cirurgias eletivas —, mas voltou a crescer gradativamente nos anos seguintes, até atingir o pico em 2024.

As glosas geram incerteza e dificuldades na gestão financeira, comprometem o fluxo de caixa, afetam a sustentabilidade das empresas e, inevitavelmente, desgastam o relacionamento comercial. Fornecedores de produtos para a saúde acabam obrigados a se submeter a condições que os prejudicam, assim como os consumidores, que enfrentam no dia a dia problema semelhante.

Segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o número de ações contra planos de saúde dobrou nos últimos quatro anos, passando de 141 mil novos processos em 2020 para quase 300 mil em 2024.

O consumidor não quer uma jabuticaba que lhe desça torta pela garganta, nem o fornecedor de produtos para a saúde deseja viver sob o risco de uma jaca sobre a cabeça. O que se busca é um diálogo mais transparente com as operadoras, para que juntos possamos construir soluções para um problema tão grave. O Instituto Ética Saúde tem debatido as distorções do setor; no entanto, nessas discussões permanece vazia a cadeira que deveria ser ocupada por representantes dos planos de saúde.

Um dos maiores filósofos da Grécia Antiga, Sócrates, ensinava que “a palavra é o instrumento irresistível da conquista da razão”. Quem foge do diálogo o faz porque sabe que não há nada de racional em suas atitudes, apenas a busca pelo benefício próprio, sem qualquer compromisso com o coletivo.

*Sérgio Madeira é médico e diretor técnico da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI).

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CREMEGO

04|10 – Fórum Multidisciplinar de Segurança do Paciente

A segurança do paciente será o tema do próximo fórum do Cremego, que acontecerá no dia 4 de outubro (sábado), das 8h30 às 12h30, na sede do Conselho.

O Fórum Multidisciplinar de Segurança do Paciente é aberto a médicos, profissionais de saúde, gestores de instituições de saúde e demais interessados no tema.

Os interessados em participar já podem ser inscrever gratuitamente pelo link: bit.ly/forum_seguranca

Em breve, serão divulgadas as informações sobre a programação.

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Assessoria de Comunicação        

Quinta, 18 Setembro 2025 06:45

CLIPPING AHPACEG 18/09/25

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ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

STF definirá regras para autorizar procedimentos fora do rol da ANS

https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-09/stf-definira-regras-para-autorizar-procedimentos-fora-do-rol-da-ans

Bionexo adquire Overmind e amplia vertical de ciclo da receita 

https://www.saudebusiness.com/mercado-da-saude/bionexo-adquire-overmind-e-amplia-vertical-de-ciclo-da-receita/

Como a IA explicável reduz erros em clínicas e melhora resultados

https://www.saudebusiness.com/ti-e-inovao/ia-explicavel-em-clinicas/

CFM alerta risco após Anvisa autorizar enfermeiros a prescrever antibióticos

https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/09/18/prescricao-de-antibioticos-por-enfermeiros-cfm-pede-revogacao-da-norma-entenda.ghtml

Prefeitura de Goiânia estuda abrir quarto turno para atender pacientes de hemodiálise

https://g1.globo.com/go/goias/videos-ja-2-edicao/video/prefeitura-de-goiania-estuda-abrir-quarto-turno-para-atender-pacientes-de-hemodialise-13938805.ghtml

STJ suspende liminar do TJ e retoma perícia do Sesi em servidores de Goiânia

https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/stj-suspende-liminar-do-tj-e-retoma-pericia-do-sesi-em-servidores-de-goiania-746607/

Ministro da Saúde empossa novos diretores da ANS e reforça integração entre SUS e saúde suplementar

https://radardigitalbrasilia.com.br/saude/ministro-da-saude-empossa-novos-diretores-da-ans-e-reforca-integracao-entre-sus-e-saude-suplementar/

AGÊNCIA BRASIL

STF definirá regras para autorizar procedimentos fora do rol da ANS

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, votou nesta quarta-feira (17) para permitir que os planos de saúde sejam obrigados a cobrir procedimentos que não estão na lista da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

O voto do ministro, relator da ação, foi proferido durante o julgamento que vai decidir se operadoras devem custear tratamentos e exames que não estão previstos no rol da ANS, a lista de procedimentos que devem ser cobertos obrigatoriamente pelos planos.

Após voto do ministro, o julgamento foi suspenso e será retomado nesta quinta-feira (18). 

Barroso reconheceu que é constitucional obrigar as operadoras a cobrir tratamentos ou procedimentos fora do rol da ANS, desde que os parâmetros definidos sejam seguidos.

Conforme o entendimento, a cobertura do tratamento fora do rol deve levar em conta cinco parâmetros, que devem estar presentes cumulativamente nos casos que forem analisados.  

Parâmetros para autorização:

prescrição do tratamento por médico ou odontólogo habilitado;

inexistência de negativa expressa ou pendência de análise da tecnologia pela ANS;

inexistência de alternativa terapêutica que já esteja no rol da ANS;

comprovação de eficácia e segurança do tratamento conforme na medicina baseada em evidências;

existência de registro da Anvisa. 

Nas decisões judiciais envolvendo autorizações para tratamentos que não constam no rol da ANS, Barroso entendeu que o juiz deve fazer diversas verificações antes de decidir o caso. Se a orientação não for seguida, a decisão judicial poderá ser anulada.

Orientações:

Verificar se houve requerimento prévio à operadora e se houve demora irrazoável ou omissão da operadora na autorização do tratamento;

Analisar previamente informações do banco de dados do Núcleo de Apoio Técnico do Poder Judiciário (Natjus) antes da decisão. O magistrado não poderá fundamentar sua decisão apenas na prescrição ou laudo médico apresentado pelo usuário do plano. 

Em caso de concessão da liminar favorável ao usuário, o juiz deverá oficiar a ANS sobre a possibilidade de inclusão do tratamento no rol de procedimentos.

Votos

O entendimento do ministro Roberto Barroso foi seguido pelo ministro Nunes Marques. 

O ministro Flávio Dino abriu divergência e defendeu que os procedimentos que não estão no rol da ANS devem ser regulamentados pela própria agência reguladora. 

"A regulamentação técnica pela ANS é insubstituível, e me parece ser a seara adequada de arbitramento de eventuais exceções àquilo que o legislador definiu", argumentou. 

Na sessão desta quinta-feira, o ministro Cristiano Zanin será próximo a proferir voto sobre a questão, e em seguida os oito demais ministros da Corte devem votar. 

Entenda

A Corte julga uma ação protocolada pela União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas) contra trechos da Lei 14.454/2022, que definiu que as operadoras devem custear tratamentos e exames que não estão previstos no chamado rol da ANS.

A lei foi sancionada após a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que definiu, em junho de 2022, que as operadoras não são obrigadas a cobrir procedimentos médicos que não estão previstos no rol da ANS. 

O STJ entendeu que o rol de procedimentos definidos pela agência é taxativo, ou seja, os usuários não têm direito a exames e tratamentos que estão fora da lista.

Após a entrada em vigor da legislação, o rol passou a ser exemplificativo, e não taxativo. Além disso, a norma definiu que o rol é uma referência básica para os planos privados de assistência à saúde contratados a partir de 1º de janeiro de 1999.

Dessa forma, os procedimentos que forem autorizados por médicos ou dentistas devem ser autorizados pelos planos, desde que exista comprovação da eficácia do tratamento ou sejam recomendados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). 

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SAÚDE BUSINESS

Bionexo adquire Overmind e amplia vertical de ciclo da receita 

A compra amplia a plataforma de soluções, que conecta mais de 9 mil provedores, trazendo automação, inteligência de dados e maior previsibilidade financeira para hospitais e operadoras.

Bionexo anunciou a aquisição da Overmind, healthtech focada em automações para elegibilidade de pacientes e autorização de procedimentos. A operação reforça o posicionamento da empresa na gestão do ciclo da receita no setor. 

“Com automação e inteligência de dados, reafirmamos nossa liderança em tecnologia para a saúde, com mais eficiência, transparência e previsibilidade financeira em toda a cadeia. Ao antecipar tendências e redefinir padrões de gestão, fortalecemos a sustentabilidade do setor e damos suporte às empresas para que alcancem novos patamares de inovação, desempenho e competitividade no longo prazo”, afirma Solange Plebani, CEO da Bionexo. 

A expansão no segmento começou em 2020, com a aquisição da Avatar, e foi consolidada com a chegada da Beecare (2022) e da Tradimus (2024), formando uma vertical estratégica no portfólio da empresa.  

Com a Overmind, a Bionexo amplia a capacidade da plataforma, focada em eficiência financeira, redução de custos e previsibilidade, direcionada a hospitais e operadoras de diferentes portes. 

“A Overmind representa o futuro do ciclo da receita em saúde: automação, inteligência e eficiência. Ao incorporá-la, aumentamos nossa capacidade de gerar impacto positivo para o setor de saúde, com foco em inovação e sustentabilidade”, afirma Herbert Cepêra, diretor executivo da Bionexo. 

Entre os clientes da Bionexo estão Fleury, Hospital Israelita Albert Einstein, Hapvida, Da Vita, Hcor e Hospital Alemão Oswaldo Cruz. A companhia é capaz de integrar toda a jornada de gestão na saúde – da cadeia de suprimentos ao faturamento –, combinando tecnologia e eficiência. 

Com 25 anos de atuação, a Bionexo movimentou mais de R$ 40 bilhões em seu ecossistema digital, em 2024. Chegou a somar R$ 24 bilhões na cadeia de suprimentos e R$ 16 bilhões no ciclo da receita. Atualmente, a empresa conecta mais de 9.000 provedores de saúde e 30.000 fornecedores no Brasil, Argentina, Colômbia e México. 

“A Bionexo tem um histórico consolidado de inovação e excelência na gestão da saúde, e vamos impulsionando a inovação em ciclo da receita, com foco na melhoria da experiência do cliente, oferecendo atendimento mais personalizado e ágil, além do uso extensivo de inteligência de dados”, completa Cepêra. 

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Como a IA explicável reduz erros em clínicas e melhora resultados

A análise de exames por IA agiliza laudos, apoia decisões médicas e amplia a confiança entre médicos e pacientes.

Diferente de outros modelos de inteligência artificial, a aplicação da IA explicável em clínicas permite que médicos compreendam as razões por trás de cada recomendação, aumentando a confiabilidade das decisões e fortalecendo a prática médica com suporte tecnológico.

Esse modelo já está presente em ferramentas que auxiliam no reconhecimento de padrões clínicos, na análise de imagens médicas e no apoio à tomada de decisão em tempo real

Com transparência e clareza nos resultados, a tecnologia se torna uma aliada para clínicas brasileiras que buscam diagnósticos mais seguros e atendimentos mais assertivos. 

Ao longo deste artigo, você vai conhecer as aplicações práticas, os benefícios e os principais desafios dessa transformação digital.

IA explicável: como funciona e por que é essencial

A IA explicável em clínicas é uma abordagem de inteligência artificial que busca tornar transparentes as decisões dos algoritmos. 

Diferente de modelos tradicionais, que funcionam como uma “caixa-preta”, a XAI na medicina permite que médicos entendam os critérios usados pela máquina para chegar a um diagnóstico ou recomendação. 

Essa abordagem garante mais clareza, aumenta a confiança dos profissionais e possibilita integrar a tecnologia de forma responsável. Além de fortalecer a segurança do paciente ao tornar os resultados mais compreensíveis e rastreáveis.

O conceito de inteligência artificial explicável se aplica de maneira prática no ambiente clínico. Ao analisar imagens de exames, por exemplo, o sistema não apenas aponta a possível alteração, mas também mostra em qual área detectou o padrão suspeito.

A transparência da ferramenta auxilia médicos a confirmarem diagnósticos e reduz o risco de erros, transformando a IA em um recurso de suporte à decisão clínica em vez de um substituto da prática médica.

Como utilizar a IA explicável em clínicas e hospitais

Antes de detalhar aplicações específicas, é importante entender como essa tecnologia apoia decisões médicas e melhora o fluxo de trabalho.

Suporte à decisão médica

A IA explicável em clínicas atua como ferramenta de apoio ao diagnóstico, oferecendo informações claras para médicos e equipes de saúde. 

Em vez de apenas apresentar um resultado, o sistema mostra quais fatores levaram àquela conclusão, permitindo que o profissional valide ou questione o achado e reduzindo erros médicos em situações de maior complexidade.

Um exemplo prático está na análise de exames por IA, em que algoritmos de machine learning na saúde conseguem destacar áreas suspeitas em imagens de ressonância ou tomografia, indicando os pontos que motivaram a recomendação. 

O mesmo ocorre em exames laboratoriais, nos quais a tecnologia identifica alterações em padrões sanguíneos e sinaliza possíveis anomalias de forma explicada. 

Triagem inteligente de pacientes

Estudos recentes destacam que a IA explicável pode ser utilizada na triagem de clínicas para identificar, de forma rápida, casos que exigem atenção prioritária. 

Ao analisar sintomas, exames e histórico clínico, o sistema aponta potenciais riscos e contribui para reduzir erros em diagnósticos complexos.

Na prática, essa tecnologia ajuda a priorizar casos urgentes, garantindo que pacientes com condições críticas recebam atendimento imediato. Com alertas claros e explicações detalhadas sobre cada recomendação, a equipe médica consegue organizar o fluxo de maneira mais segura, evitando atrasos e falhas na avaliação.

Eficiência operacional

A implementação da IA explicável em clínicas também impacta diretamente o fluxo operacional, tornando processos internos mais organizados e ágeis.

Ferramentas inteligentes auxiliam na distribuição de atendimentos e no acompanhamento de exames, reduzindo gargalos e retrabalho.

Diagnósticos e análises mais precisos diminuem a necessidade de repetir exames ou corrigir procedimentos, liberando tempo da equipe e melhorando a rotina clínica.

Benefícios da IA explicável para clínicas

A XAI oferece vantagens que fortalecem a segurança e a confiabilidade nos atendimentos médicos. Seus impactos se refletem tanto na prática clínica quanto na gestão do dia a dia das instituições de saúde.

Redução de erros diagnósticos

Com a inteligência artificial explicável, é possível identificar padrões e sinais clínicos de forma precoce, aumentando a precisão das análises. Essa clareza ajuda a minimizar diagnósticos incorretos e garante que pacientes recebam tratamentos adequados desde o início.

O recurso de explicar o raciocínio por trás das recomendações permite que médicos validem os resultados, tornando a redução de erros médicos uma consequência natural da integração da IA nos processos clínicos.

Melhoria na tomada de decisão

A tecnologia oferece suporte transparente para médicos e equipes clínicas, mostrando exatamente como cada resultado foi gerado. Essa abordagem facilita decisões mais seguras e aumenta a confiança na interpretação dos dados.

Explicações claras sobre recomendações da IA ajudam na comunicação entre profissionais e pacientes, permitindo que todos compreendam as bases do diagnóstico. Esse nível de transparência reforça a colaboração e a assertividade na escolha do melhor tratamento.

Eficiência clínica

A IA para clínicas médicas reduz o tempo gasto em revisões e conferências de exames, permitindo que os profissionais se concentrem no atendimento direto ao paciente. Processos mais ágeis garantem maior precisão e menos retrabalho.

A tecnologia contribui para um fluxo clínico mais organizado e otimiza a rotina dos médicos com menos interrupções e mais foco na qualidade do cuidado.

Retorno financeiro

A diminuição de retrabalho e a redução de exames repetidos impactam diretamente nos custos operacionais da clínica. Ao integrar a IA para diagnóstico médico, é possível economizar recursos e direcionar investimentos para áreas estratégicas do atendimento.

O uso da tecnologia não só melhora o desempenho clínico, mas também potencializa resultados financeiros, tornando os processos mais sustentáveis e vantajosos para a instituição.

Desafios e como superá-los

A implementação da IA explicável em clínicas apresenta desafios que precisam ser gerenciados com cuidado. Superá-los é essencial para garantir segurança, confiabilidade e resultados positivos no atendimento.

Garantir dados de qualidade e integridade

A qualidade dos dados clínicos é fundamental para que a IA funcione corretamente. Informações incompletas ou inconsistentes podem comprometer diagnósticos e reduzir a confiabilidade das recomendações.

Para superar esse desafio, é necessário implementar processos rigorosos de coleta, validação e atualização dos dados. A integração de prontuários eletrônicos, exames laboratoriais e imagens médicas garante informações precisas e seguras, permitindo que a tecnologia opere de maneira confiável.

Treinamento da equipe para interpretação de relatórios da IA

Mesmo com sistemas avançados, médicos e equipes clínicas precisam entender como interpretar os resultados fornecidos pela IA. Sem capacitação, o potencial da tecnologia pode ser subutilizado ou gerar interpretações equivocadas.

Investir em treinamentos, workshops e protocolos claros permite que os profissionais compreendam as recomendações da IA, reconheçam padrões e tomem decisões mais assertivas. Esse preparo transforma a tecnologia em uma ferramenta confiável de suporte à decisão clínica.

Conformidade regulatória (LGPD e boas práticas clínicas)

O uso da IA em clínicas exige atenção à LGPD e às normas éticas da saúde, garantindo proteção de dados e segurança do paciente. Falhas na conformidade podem gerar riscos legais e comprometer a confiança na tecnologia.

Para enfrentar esse desafio, é fundamental adotar políticas de governança de dados, controlar acessos e manter registros auditáveis. 

A combinação de boas práticas clínicas com supervisão regulatória assegura que a implementação da IA explicável seja segura, ética e totalmente conforme a legislação vigente.

Caso de sucesso

A adoção da IA explicável em clínicas tem mostrado resultados concretos, com redução de erros diagnósticos e maior produtividade das equipes médicas. 

Em clínicas de imagem e diagnóstico, a tecnologia permite identificar alterações com precisão, apresentando explicações detalhadas sobre os padrões detectados. Isso facilita a validação dos resultados e torna o atendimento mais seguro, ágil e confiável.

Um exemplo de grande impacto é o modelo crossNN, desenvolvido pelo Charité Universitätsmedizin Berlin. Essa rede neural explicável classifica mais de 170 tipos de câncer com alta acurácia e permite que médicos entendam como cada diagnóstico foi gerado, aumentando a confiança na tomada de decisão clínica. 

Aplicado em exames de imagem e biópsias-líquidas minimamente invasivas, o crossNN identifica tumores complexos, como os cerebrais, com menor risco para os pacientes.

Desde a triagem inteligente e integração de exames até a gestão de fluxos hospitalares, a tecnologia permite decisões mais seguras e maior confiabilidade nos resultados, beneficiando tanto profissionais quanto pacientes.

Investir em soluções de IA para clínicas médicas é uma oportunidade de transformar o atendimento, melhorar a produtividade e reduzir custos com retrabalho e exames repetidos. 

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PORTAL G1

CFM alerta risco após Anvisa autorizar enfermeiros a prescrever antibióticos

Conselho médico aponta ameaça de resistência bacteriana e judicialização; Anvisa diz que decisão apenas atualiza sistema de controle de medicamentos.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a imediata revogação do ato que autoriza a inclusão do enfermeiro como prescritor de antibióticos no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) - plataforma que monitora a entrada e saída de substâncias controladas em farmácias no Brasil.

No início do mês, a Anvisa informou em seu site que a prescrição de antimicrobiano (antibiótico), quando prescrita com o devido amparo legal, por profissional de enfermagem inscrito no Conselho Regional de Enfermagem (COREN), poderá ser enviada ao SNGPC, que foi atualizado.

A Anvisa destaca em sua página que este procedimento não se aplica aos medicamentos sujeitos a controle especial da Portaria SVS/MS n° 344/1998, os quais não podem ser prescritos por profissionais enfermeiros.

Confira exemplos desses medicamentos:

entorpecentes e psicotrópicos, como morfina, metadona, fentanila, petidina, plantas proscritas que podem originar entorpecentes, anfetaminas e derivados (metilfenidato, femproporex, anfepramona, mazindol), benzodiazepínicos e afins (diazepam, clonazepam, alprazolam, lorazepam).

outras substâncias sujeitas a controle especial: antiepilépticos como fenobarbital, antidepressivos tricíclicos, retinóides de uso sistêmico (isotretinoína, acitretina) e imunossupressores (ciclosporina, talidomida).

Uma nota técnica publicada pela própria Anvisa (n°2/2024) informa que a competência para determinar se uma categoria profissional pode ou não realizar certos procedimentos é dos conselhos profissionais e não da Anvisa.

Segundo o CFM, a prescrição de medicamentos pressupõe atividade que é de "competência privativa do médico, como define a Lei nº 12.842/2013, e para a qual enfermeiros não têm conhecimento nem competência técnica para realizar visto que não faz parte de sua formação".

Já o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) esclarece que a prescrição de medicamentos por enfermeiros é regulamentada há 39 anos, desde que a Lei 7.498/1986 entrou em vigor.

"A inclusão do enfermeiro no SNGPC representa mais um passo importante para uma categoria que tem o direito de exercer suas prerrogativas com autonomia e reconhecimento social. Agora, as farmácias podem aceitar os receituários de antimicrobianos prescritos por enfermeiros com segurança jurídica", informa o Cofen.

Na visão Cofen, a liberação do registro do Coren no SNGPC é uma "adequação técnica" que também amplia a "resolutividade dos serviços de saúde, principalmente nas regiões remotas e em unidades básicas de saúde, onde enfermeiros já desempenham papel protagonista em programas de saúde".Para o conselheiro federal e primeiro-secretário do Cofen, Vencelau Pantoja, a medida vai ter impacto significativo. "Tanto nos grandes programas de saúde voltados à população, quanto nos programas de enfrentamento às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), especialmente aquelas que constituem problemas de saúde pública que têm forte ligação com fatores sociais", considera Pantoja.

CONTEXTO: A permissão para enfermeiros prescreverem antibióticos já era reconhecida pela Anvisa em algumas situações, mas não havia uma categoria para incluí-los como prescritores no SNGPC. De acordo com a Portaria 2.436/2017, do Ministério da Saúde, que define a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), profissionais da enfermagem podem "prescrever medicações conforme protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, ou outras normativas técnicas estabelecidas pelo gestor federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal".

Debate sobre competência legal

Em entrevista ao g1, o segundo secretário do CFM, Estevam Rivello, afirmou que a Anvisa não tem competência legal para questões relacionadas ao exercício profissional, porque quem faz isso é o Congresso Nacional.

Rivello destacou a necessidade do uso racional de antimicrobianos para não se criar resistência bacteriana e não se alongar o tempo de internação.

Em setembro de 2024, um estudo publicado na revista científica "The Lancet" apontou que a resistência a antibióticos pode causar mais de 39 milhões de mortes até 2050.

"Quando a Anvisa libera a prescrição por aquilo que não tem amparo na lei em relação ao enfermeiro, ela está permitindo um 'pode tudo', que é contrário ao que o mundo tem praticado (...). O enfermeiro não consegue fazer a diferenciação do que é viral, o que é bacteriano e o que é fúngico", diz Rivello. Diante disso, o CFM aguarda uma resposta da Anvisa sobre a fundamentação da decisão e, dependendo da resposta, o conselho pretende judicializar o órgão para que "a força da lei do exercício do ato médico e do ato da enfermagem possa ser respeitada na integralidade".

Histórico de embatesAo comparar com a disputa judicial entre o CFM e o Conselho Federal de Farmácia (CFF), travada em março, Estevam diz que, dessa vez, o conflito é mais complexo.

Na época, reações negativas de associações médicas questionaram a capacitação dos farmacêuticos para a função de prescrever medicamentos.

O secretário do CFM disse ainda que essa é a primeira vez que a Anvisa elabora algo nesse sentido.

O CFM afirma que a mudança feita pela Anvisa, já em vigor no país, é um "risco concreto à saúde da população".

Confira outros detalhes da nota do CFM à imprensa:

"Durante mais de 10 anos, o Brasil tem se dedicado a reduzir o uso inadequado de antimicrobianos e o CFM alerta que a banalização dessa prescrição tem efeitos nocivos à saúde: aumento de internações, permanências hospitalares mais longas, maior mortalidade e elevação de custos assistenciais.

A resistência aos antibióticos é hoje uma das 10 maiores ameaças à saúde pública global, enquanto a adoção de medidas de controle e uso racional é custo-efetiva e salva vidas.

Além de colocar a população e os sistemas de saúde em risco, ao ampliar a atuação profissional dos enfermeiros através de um ato administrativo, a Anvisa também fere frontalmente a legislação brasileira, transformando uma adequação técnica no SNGPC em uma autorização para exercício ilegal da medicina. Este poder legislador, porém, não é de competência da Anvisa e sim do Congresso Nacional.

A própria Procuradoria Federal junto à Anvisa afirma, por meio do Parecer Consultivo 97/2007 e da Nota Consultiva 68/2012, que 'a Anvisa não detém competência para resolver questão relacionada ao exercício da profissão'.

A modificação no SNGPC ainda permite que a prescrição de medicamentos por enfermeiros se dê sem mecanismos de fiscalização, legitimando uma ação irrestrita e sem controle.

Assim, o CFM reitera que, ao ampliar prescrições fora de protocolos e sem governança diagnóstica, a Anvisa transfere aos sistemas de saúde o ônus de decisão administrativa que também afronta a Constituição Federal, sendo urgente sua revogação a fim de restabelecer a coerência com a política nacional de uso racional de antimicrobianos e com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil".

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TV ANHANGUERA

Prefeitura de Goiânia estuda abrir quarto turno para atender pacientes de hemodiálise

https://g1.globo.com/go/goias/videos-ja-2-edicao/video/prefeitura-de-goiania-estuda-abrir-quarto-turno-para-atender-pacientes-de-hemodialise-13938805.ghtml

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JORNAL OPÇÃO

STJ suspende liminar do TJ e retoma perícia do Sesi em servidores de Goiânia

Em sua decisão, o ministro do STJ, Herman Benjamin, considerou que a suspensão do contrato causaria grave lesão à ordem e à economia públicas

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) acatou um pedido da Prefeitura de Goiânia e derrubou uma liminar do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) que havia suspendido a contratação do Sesi para a realização de perícias médicas em servidores públicos municipais.

Em sua decisão, o ministro do STJ, Herman Benjamin, considerou que a suspensão do contrato causaria grave lesão à ordem e à economia públicas e “desorganização na ordem e economia públicas, não se justificando, sob o aspecto da proporcionalidade”.

A suspensão da contratação havia sido determinada pelo TJGO em decorrência de uma Ação Popular movida pelo vereador Mauro Rubem (PT). Na ocasião, O Tribunal deferiu o pedido de antecipação da tutela recursal para suspender a execução do contrato ao entender que era “plausível a tese de que a perícia médica funcional seria atividade típica de Estado, indelegável à entidade privada”, no caso, o Sesi.

O contrato da Prefeitura com a entidade prevê o pagamento de R$ 315,00 por laudo singular e R$ 556,00 por laudo composto, em casos de avaliação com psiquiatra. A contratação foi feita sem licitação, sob alegação de inexigibilidade.

Ao deferir o recurso da Procuradoria-Geral do Município (PGM), o ministro do STJ suspendeu a liminar até o julgamento do recurso de apelação contra a sentença a ser proferida no processo do pedido original.

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RADAR DIGITAL

Ministro da Saúde empossa novos diretores da ANS e reforça integração entre SUS e saúde suplementar

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, empossou nesta quarta-feira (17) os novos diretores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e defendeu maior integração entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e a saúde suplementar. A cerimônia, realizada em Brasília (DF), marcou a posse do diretor-presidente, Wadih Damous, e da diretora de Normas e Habilitação dos Produtos (DIPRO), Lenise Secchin.

O ato contou com a presença de autoridades como o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski; o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta; o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Leandro Safatle; o diretor-presidente do Grupo Hospitalar Conceição, Gilberto Barichello; e o deputado federal Paulo Pimenta (PT/RS), entre outros.

Na ocasião, Padilha ressaltou a importância da integração entre os dois sistemas de saúde, reforçando a visão de complementaridade. "Um não existe sem o outro. Qualquer pensamento que busque separar ou criar antagonismos entre o Sistema Único de Saúde e a saúde suplementar não tem fundamento. Um depende do outro para se desenvolver e crescer."

Ele destacou ainda a saúde como motor de desenvolvimento do país, conectando o cuidado da população ao fortalecimento da economia nacional. "Separados, nós não vamos crescer. Juntos, SUS e saúde suplementar podem garantir o direito à saúde e, ao mesmo tempo, impulsionar o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, fundamental para reduzir desigualdades e fortalecer a soberania do Brasil", disse Padilha.

Durante o discurso de posse, o novo diretor-presidente da ANS, Wadih Damous, reafirmou o compromisso da gestão em fortalecer a integração entre o setor suplementar e o SUS. Ao citar o programa Agora Tem Especialistas, ressaltou a importância da iniciativa como medida de cidadania e de alívio ao sistema público.

"Quero estar na ANS junto com o ministro Padilha para tocar esse programa, que se traduz em construção de cidadania. Conclamo todo o setor regulado a participar e colaborar na consolidação dessa iniciativa, que desafoga o SUS, garante acesso a milhões de brasileiros e fortalece a lógica de uma saúde verdadeiramente suplementar e integrada", afirmou Wadih Damous.

Já a diretora de Normas e Habilitação dos Produtos, Lenise Secchin, destacou a relevância do fortalecimento do SUS e o papel complementar da saúde suplementar no atendimento à população. Ela também enfatizou a importância de uma regulação baseada na ciência, mas aberta à escuta da sociedade. "Todas as incorporações que a Agência faz são técnicas e científicas, mas sempre ouvindo também a sociedade. Essa escuta e esse acolhimento precisam ser considerados na regulação econômica e social, porque saúde é um direito e precisa ser respeitada".

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Assessoria de Comunicação        

Quarta, 17 Setembro 2025 06:45

CLIPPING AHPACEG 17/09/25

Escrito por

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

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Vantagens do open health na saúde: benefícios, desafios e futuro

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Liderança ativa muda perfil do pronto-socorro do Hospital São Paulo

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Como oferecer exames on-line com segurança e eficiência

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STJ: operadoras de saúde não são obrigadas a custear exames feitos no exterior

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Cerca de 40% dos médicos apresentam quadros de doença mental, aponta novo estudo da Afya

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Pedido de ajuda do Hospital do Câncer Araújo Jorge

https://www.youtube.com/watch?v=nJpA_Y1BaDw

Crise no serviço de hemodiálise atinge pacientes em Goiás

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Dia Mundial da Segurança do Paciente destaca cuidados pediátricos no Brasil

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Cartão do SUS será unificado com dados do CPF do usuário

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SAÚDE BUSINESS

Vantagens do open health na saúde: benefícios, desafios e futuro

O open health integra sistemas e compartilha dados, aumentando eficácia e personalização no cuidado à saúde.

A digitalização da saúde está transformando a forma como hospitais, clínicas e operadoras interagem com pacientes e profissionais. 

O conceito de open health surge como uma evolução do ecossistema de saúde, permitindo o compartilhamento seguro de dados médicos e a integração de sistemas. Ele surge para melhorar a personalização do atendimento, reduzir custos e aumentar a eficiência operacional. 

A seguir, exploramos as principais vantagens do open health na saúde, os desafios de implementação e as perspectivas para o futuro da saúde digital.

O que é open health e como funciona?

A integração de dados entre diferentes sistemas — chamada de interoperabilidade — é o alicerce do open health, já que permite que informações de saúde circulem de forma segura e padronizada entre hospitais, clínicas, operadoras e pacientes.

Open health, ou saúde aberta, é um movimento que busca tornar o sistema de saúde mais transparente, acessível e colaborativo.

A iniciativa promove o compartilhamento de dados com o objetivo de melhorar a qualidade do atendimento, ampliar o acesso a informações e possibilitar decisões mais informadas.

Na prática, o open health foca em três pilares:

Tornar os dados de saúde abertos e acessíveis, incluindo prontuários eletrônicos, exames e dados genômicos, permitindo que pesquisadores desenvolvam tratamentos mais eficazes.

Garantir transparência no funcionamento de instituições de saúde, possibilitando que pacientes comparem serviços e façam escolhas informadas.

Incentivar a pesquisa médica colaborativa, com acesso aberto a dados de ensaios clínicos e inovação compartilhada.

Globalmente, diversas iniciativas têm adotado o open health para ampliar o acesso a registros médicos digitais, melhorar a gestão clínica e fortalecer a colaboração entre profissionais e instituições.

No Brasil, a adoção do open health ainda está em fase inicial, seguindo a lógica do open banking, com foco em estimular a concorrência, otimizar planos de saúde e facilitar o acesso a informações para pacientes e operadoras, promovendo experiências mais personalizadas e eficientes.

Vantagens do open health na saúde

O open health oferece benefícios significativos para hospitais, clínicas, operadoras de planos e pacientes, com foco na eficiência, personalização e integração do atendimento.

Melhoria na personalização do atendimento

Com o compartilhamento seguro de dados, médicos e profissionais de saúde têm acesso ao histórico completo do paciente, permitindo decisões mais precisas e um atendimento individualizado. 

A centralização de informações em prontuários eletrônicos garante que os pacientes não precisem repetir seu histórico, aumentando a confiança e otimizando a relação médico-paciente.

Redução de custos para operadoras e hospitais

O acesso automatizado a dados clínicos reduz a duplicidade e desperdícios de exames, agiliza processos e diminui custos operacionais. 

Ao facilitar a portabilidade de planos e o gerenciamento de informações, hospitais e operadoras podem otimizar recursos, promovendo maior competitividade no mercado.

Maior integração entre sistemas e profissionais

O open health permite que diferentes sistemas de saúde se comuniquem, favorecendo a interoperabilidade na saúde e o compartilhamento de informações entre médicos, laboratórios e operadoras. 

Esse trabalho em conjunto acelera diagnósticos, melhora a coordenação do cuidado e contribui para o aperfeiçoamento da gestão hospitalar digital, colocando o paciente no centro do cuidado.

Desafios da implementação do open health

A adoção do open health no Brasil apresenta grande potencial para transformar o sistema de saúde, mas ainda enfrenta obstáculos relacionados à tecnologia, regulamentação e cultura organizacional.

Questões de segurança e privacidade de dados

O compartilhamento de informações médicas exige protocolos robustos de segurança e conformidade com a LGPD na saúde

Sem garantias de proteção adequadas, os dados dos pacientes podem ficar vulneráveis, comprometendo a confiança no sistema e a eficiência do atendimento.

Barreiras regulatórias e culturais no Brasil

A fragmentação regulatória entre órgãos como ANS e Ministério da Saúde, aliada à resistência cultural de algumas instituições em abrir seus dados, dificulta a implementação ampla do open health. 

Assim como ocorreu no open banking, a padronização e incentivos claros são essenciais para acelerar a adesão.

Infraestrutura tecnológica e interoperabilidade

A adoção do open health depende de sistemas interoperáveis e padronizados, capazes de compartilhar dados de forma segura entre hospitais, clínicas e operadoras. 

Perspectivas e tendências para o open health

O open health representa um movimento em expansão que deve remodelar o ecossistema da saúde no Brasil.

De acordo com estudo do IESS, países como Estônia, Reino Unido, Singapura e Austrália já avançaram em modelos de interoperabilidade e governança de dados que podem servir de referência para o cenário nacional. 

Essas experiências reforçam que a transformação digital no setor exige colaboração entre diferentes players, inovação tecnológica e foco no paciente.

O papel das healthtechs no ecossistema

As healthtechs têm papel estratégico no desenvolvimento de soluções que promovem interoperabilidade e inovação. 

Elas trazem para o setor de saúde práticas já testadas em outros mercados digitais, viabilizando maior integração de dados e personalização dos serviços.

Como hospitais e operadoras podem se preparar

A preparação envolve investimento em infraestrutura digital, conformidade com normas de proteção de dados e adoção de padrões de interoperabilidade. 

O estudo do IESS mostra que países como Reino Unido, Estônia e Singapura têm utilizado modelos colaborativos e APIs abertas para estimular a inovação — práticas que podem inspirar hospitais e operadoras no Brasil.

Futuro da saúde digital e impacto no paciente

A experiência internacional indica que o open health tende a colocar o paciente no centro do cuidado, ampliando sua autonomia sobre os dados e facilitando o acesso a serviços de qualidade.

Para o cenário brasileiro, isso pode significar maior eficácia, redução de custos e um modelo de cuidado mais ágil e inclusivo.

O open health abre caminho para uma nova era da saúde digital, em que a integração de sistemas, a governança de dados e a inovação colaborativa serão essenciais para garantir eficiência e melhores experiências para pacientes e profissionais. 

As referências de outros países mostram que o Brasil tem um potencial expressivo para adaptar modelos de sucesso, mas será necessário investir em infraestrutura, segurança da informação e fortalecimento da cultura de compartilhamento. 

Nesse contexto, hospitais, operadoras, healthtechs e órgãos reguladores precisam atuar de forma integrada para tornar essa transformação sustentável e centrada no cuidado.

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Liderança ativa muda perfil do pronto-socorro do Hospital São Paulo

Mudança no pronto-socorro prioriza casos graves, reforça protocolos baseados em evidências e envolve liderança para engajar equipes e integrar o SUS.

O Hospital São Paulo, vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), passou por uma transformação em sua unidade de emergência. A mudança, iniciada no final de 2022, teve como objetivo central reorganizar o atendimento para priorizar casos de alta complexidade e fortalecer a missão acadêmica da instituição. 

“Não se tratou apenas de uma reforma física, mas de uma nova forma de enxergar a unidade de emergência”, afirmou Eduardo Alexandrino Medeiros, diretor técnico do hospital, durante o Lean Summit 2025. Segundo o executivo, a proposta foi integrar o pronto-socorro ao Sistema Único de Saúde (SUS), evitando a sobrecarga com casos leves.

“Queríamos deixar de gastar energia desnecessária com atendimentos simples e focar naquilo que é nossa missão: casos graves e complexos”, explicou. 

Estrutura modernizada e protocolos baseados em evidências 

A unidade ganhou banheiros acessíveis, áreas separadas para adultos e crianças e uma sala vermelha para emergências críticas. “Hoje temos duas portas de entrada: uma para ambulâncias e outra para livre demanda, com triagem médica rigorosa”, detalhou Medeiros. Essa mudança visa reduzir filas, aumentar a resolutividade e melhorar a integração com serviços como SAMU e Corpo de Bombeiros. 

Além da infraestrutura, a gestão implementou protocolos clínicos baseados em evidências científicas. “A tomada de decisão precisa ser fundamentada em ciência, não em achismos”, destacou o diretor. 

Liderança e gestão: pilares da transformação 

A mudança exigiu liderança ativa e gestão participativa. “Não basta ter estrutura física; é preciso engajar 4.500 profissionais de enfermagem, 1.200 residentes e mais de mil alunos”, ressaltou Medeiros. O processo incluiu: 

Definição de objetivos estratégicos claros 

Comunicação interna contínua para reduzir resistências 

Protocolos clínicos baseados em evidências científicas 

Capacitação em gestão para médicos e líderes de equipe 

“Muitos médicos assumem cargos de gestão sem formação específica. Trabalhamos para mudar isso, trazendo ferramentas de gestão e cultura de melhoria contínua”, afirmou. 

Desafios financeiros e missão acadêmica 

Apesar dos avanços, o hospital enfrenta desafios econômicos. “Uma consulta de emergência é remunerada em apenas R$10 pela tabela SUS, valor muito inferior ao custo real do atendimento”, alertou Medeiros. Essa realidade pressiona a sustentabilidade do serviço, que também é responsável pela formação de profissionais. O Hospital São Paulo mantém 95 programas de residência médica, sendo o maior do país. 

“As salas do hospital são nossas salas de aula. A formação acontece à beira do leito, com casos reais”, reforçou Medeiros, lembrando que a instituição alia assistência, ensino e pesquisa. 

Impacto esperado 

Com a reestruturação, a expectativa é reduzir o tempo de espera, aumentar a qualidade assistencial e garantir maior satisfação da equipe. “Queremos consolidar um modelo que una eficiência, humanização e ensino de excelência”, concluiu. 

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Como oferecer exames on-line com segurança e eficiência

Exames on-line garantem praticidade no acesso, envio de laudos e gestão digital em clínicas e laboratórios.

Oferecer exames on-line tornou-se uma estratégia cada vez mais adotada por clínicas e laboratórios.

Essa prática inclui desde pedidos digitais até a entrega de laudos eletrônicos, tornando o acesso aos resultados mais rápido e integrado. A digitalização dos processos melhora a experiência do paciente e otimiza a gestão das unidades de saúde.

medicina digital entrou em um novo ciclo de expansão em 2025, impulsionada por tecnologias como inteligência artificial, 5G e big data

Apenas em 2023, mais de 30 milhões de atendimentos médicos foram realizados remotamente no Brasil, segundo a Federação Nacional de Saúde Suplementar, mostrando a consolidação da telemedicina diagnóstica. 

A seguir, entenda como oferecer exames on-line com segurança e eficiência, explorando vantagens, tecnologias e boas práticas para o setor.

O que são exames on-line e como funcionam

Antes de entender as vantagens e a aplicação prática dessa modalidade, é importante esclarecer como os exames on-line são estruturados e quais tecnologias estão por trás desse processo.

Definição de exames digitais e telemedicina diagnóstica

Os exames on-line consistem em procedimentos de apoio ao diagnóstico disponibilizados de forma digital, o que inclui tanto a solicitação quanto a entrega dos resultados via plataformas seguras. 

Eles podem ser realizados presencialmente, mas o acesso, armazenamento e laudos passam a ser geridos em ambiente on-line.

Esse modelo está diretamente conectado à telemedicina diagnóstica, que possibilita a interpretação remota de exames por médicos especialistas devidamente credenciados, garantindo laudos ágeis e assinados digitalmente. 

Além de aumentar a conveniência para pacientes, a prática otimiza recursos e expande a cobertura assistencial.

Solicitação, realização e entrega dos resultados

O fluxo de exames digitais segue etapas semelhantes ao processo tradicional, mas com ganhos de eficiência:

Solicitação digital: durante uma consulta presencial ou teleconsulta, o médico pode emitir pedidos eletrônicos com assinatura digital, que ficam disponíveis ao paciente em uma plataforma on-line.

Exames on-line garantem praticidade no acesso, envio de laudos e gestão digital em clínicas e laboratórios. 

Realização do exame: dependendo do tipo, pode ocorrer em clínicas, hospitais, laboratórios ou até via coleta domiciliar, no caso de exames laboratoriais.

Entrega e acesso: os resultados são liberados em ambiente digital seguro, acessíveis por login e senha, com possibilidade de download ou impressão.

Esse processo permite que pacientes consultem laudos sem deslocamento e equipes médicas compartilhem informações em tempo real, favorecendo a continuidade do cuidado.

Tecnologias que viabilizam exames on-line (IA, nuvem, plataformas integradas)

A expansão dos exames digitais só é possível graças a tecnologias que garantem segurança, integração e escalabilidade:

Plataformas em nuvem: oferecem armazenamento seguro, acessível de qualquer lugar e com autenticação protegida por criptografia.

Inteligência Artificial (IA): auxilia na triagem de dados, interpretação de exames complexos e suporte à decisão clínica, aumentando precisão e agilidade.

Sistemas integrados de telessaúde: unificam agendamento, exames, laudos e prontuários em um único ambiente digital, reduzindo retrabalho e ampliando eficiência.

Esses recursos representam não apenas inovação, mas também um passo fundamental na digitalização da medicina diagnóstica, tema que já vem impulsionando avanços em todo o setor.

Vantagens de oferecer exames on-line

Oferecer exames digitais deixou de ser apenas um diferencial competitivo para clínicas e laboratórios: trata-se de uma solução estratégica que amplia o acesso, melhora a jornada do paciente e reduz custos. Veja as principais vantagens.

Agilidade no atendimento e redução de burocracia

A digitalização dos pedidos, laudos e resultados elimina etapas manuais que antes exigiam deslocamentos, impressões e assinaturas físicas.

Com sistemas de telemedicina integrados, o fluxo é automatizado: solicitações são feitas em poucos cliques, laudos ficam prontos rapidamente e documentos podem ser acessados com segurança a qualquer momento.

Essa agilidade contribui para diagnósticos mais rápidos e decisões clínicas mais assertivas.

Melhoria na experiência do paciente e fidelização

Para o paciente, os exames on-line representam conveniência. O acesso aos resultados pode ser feito de casa, sem filas nem necessidade de retornar ao laboratório apenas para retirar laudos. 

A integração com aplicativos e plataformas digitais facilita o compartilhamento de informações entre diferentes médicos e especialistas, fortalecendo a confiança e incentivando a fidelização ao serviço de saúde.

Redução de custos operacionais para clínicas e laboratórios

Do ponto de vista da gestão, a digitalização dos exames reduz despesas relacionadas a papel, impressão, armazenamento físico de documentos e deslocamentos de pacientes. 

Além disso, a possibilidade de laudos on-line permite que clínicas menores contem com especialistas remotos, sem necessidade de manter grandes equipes presenciais, otimizando recursos e aumentando a rentabilidade.

Acesso ampliado a regiões com menor infraestrutura de saúde

Em localidades afastadas, onde há escassez de especialistas e infraestrutura hospitalar, os exames on-line se tornam uma ferramenta importante para democratizar o acesso. 

Plataformas digitais permitem que pacientes em regiões remotas realizem exames em clínicas locais e tenham seus resultados interpretados por médicos de centros de referência em grandes cidades, reduzindo desigualdades e fortalecendo a equidade no cuidado.

Como oferecer exames on-line com segurança

Ao digitalizar exames e laudos médicos, clínicas e laboratórios precisam garantir não apenas a eficácia do serviço, mas também a proteção das informações sensíveis dos pacientes. Para isso, algumas práticas são fundamentais.

Adequação à LGPD e proteção de dados dos pacientes

Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) determina regras específicas para o tratamento de informações de saúde, que são consideradas dados sensíveis. 

Plataformas de exames on-line precisam operar com criptografia, autenticação de acesso e políticas claras de privacidade, impedindo o uso indevido das informações.

Também é necessário que os pacientes sejam informados sobre como seus dados são coletados, armazenados e compartilhados.

Certificação digital e assinatura eletrônica em laudos

Para que pedidos médicos, resultados e laudos tenham validade jurídica, é necessário o uso de certificação digital reconhecida pelo ICP-Brasil. 

A assinatura eletrônica garante autenticidade, integridade e não repúdio dos documentos, o que significa que eles não podem ser alterados ou questionados após a emissão. Essa prática assegura confiança tanto para médicos quanto para pacientes e instituições de saúde.

Treinamento de equipes e integração de sistemas

Não basta adotar tecnologia: é fundamental capacitar médicos, técnicos e agentes administrativos para o uso correto das plataformas digitais. 

O treinamento evita erros de operação e garante que todos compreendam os protocolos de segurança.

A integração dos sistemas de gestão clínica com soluções de telemedicina facilita o fluxo de informações, reduz retrabalho e melhora a experiência do paciente.

Boas práticas para garantir eficiência e confiabilidade

Entre as principais recomendações estão: limitar o acesso aos sistemas apenas a usuários autorizados, implementar rotinas de backup em nuvem, atualizar softwares regularmente e auditar os processos internos de segurança. 

A aplicação dessas medidas fortalece a proteção contra ataques cibernéticos e garante a continuidade do serviço.

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O HOJE

STJ: operadoras de saúde não são obrigadas a custear exames feitos no exterior

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que as operadoras de planos de saúde não são obrigadas a custear exames realizados no exterior. Segundo o colegiado, salvo disposição contratual expressa, a legislação exclui a obrigação de cobertura para procedimentos fora do país, não se aplicando, nesses casos, o parágrafo 13 do artigo 10 da Lei 9.656/98. A ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso, afirmou que a Lei 9.656/1998 impõe aos planos de saúde a obrigação de arcar com os procedimentos realizados exclusivamente no Brasil. Segundo ela, o artigo 10 da norma que regula o plano-referência determina que a assistência médico-hospitalar seja garantida apenas dentro do território nacional. A relatora apontou que a interpretação do artigo 1º, parágrafo 1º, inciso I, da Resolução Normativa 566/2022 da ANS, em conjunto com o artigo 10 da Lei 9.656/1998, evidencia que a área de abrangência dos planos de saúde, onde a operadora deve assegurar todas as coberturas contratadas, está restrita ao território nacional. Nancy Andrighi ainda citou decisões anteriores do próprio colegiado que reforçam essa posição, como o julgamento do REsp 1.762.313, que validou a negativa de custeio de procedimento internacional, e, mais recentemente, o do REsp 2.167.934, em que a Terceira Turma rejeitou a cobertura do exame Mammaprint justamente por ter sido realizado fora do país.

Mãe de filho com paralisia

A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho reconheceu o direito de uma técnica de enfermagem da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) de reduzir sua jornada de trabalho em 50% para cuidar do filho com paralisia cerebral, sem redução salarial e sem necessidade de compensação de horários. A decisão seguiu jurisprudência consolidada do TST, que admite a aplicação analógica do Regime Jurídico dos Servidores Públicos Federais (Lei 8.112/1990) em casos como esse.

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REVISTA HOSPITALAR

Cerca de 40% dos médicos apresentam quadros de doença mental, aponta novo estudo da Afya

No Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, Afya lança campanha “Está tudo bem?” e disponibiliza atendimento psicológico gratuito para médicos e estudantes de medicina

A Afya, maior hub de educação e soluções para a prática médica do Brasil, apresenta os resultados do estudo “Qualidade de vida dos médicos”, desenvolvido pelo Research Center, núcleo de pesquisa da companhia. Com objetivo de identificar e mapear a saúde mental dos profissionais atuantes no mercado, os dados obtidos na edição 2024 indicam uma leve melhora em relação ao último ensaio realizado em 2022. Contudo, doenças como depressão, ansiedade e burnout continuam presentes em uma parcela significativa dos médicos.
De acordo com o estudo, 39,8% dos médicos enfrentam algum tipo de doença mental, sendo que duas em cada três pessoas afetadas são do gênero feminino. Na faixa etária entre os 25 e 35 anos os dados também chamam a atenção: 49,6% dos profissionais desta idade sofre com doenças mentais.
A pesquisa ainda revelou que cerca de 3,6% dos médicos já esteve internado para tratar alguma condição mental e precisou ficar afastado cerca de 5,1 semanas nos últimos 12 meses.
“A proposta deste estudo é manter um panorama vivo e dinâmico sobre a qualidade de vida médicos e, a partir disso, incentivar a comunidade a criar soluções que deem suporte e acolhimento a este público. Ao compreender esse cenário, podemos promover um ambiente de trabalho mais saudável, prevenindo o esgotamento e assegurando a continuidade de um cuidado médico de qualidade para toda a população”, explica Eduardo Moura, médico e diretor de pesquisa do Research Center da Afya.
Depressão, Ansiedade e Burnout
O transtorno de ansiedade é o que mais acomete os médicos – 33,5% têm esse diagnóstico e 21,1% apresentaram os sintomas nos últimos 12 meses. Desses, 27,1% estão em tratamento e 6,4%, embora constatado o transtorno, não o tratam. As mulheres são as mais impactadas: quatro em cada dez médicas sofrem com a doença enquanto o percentual é de 25,1% para homens. Já 23,9% dos médicos relataram ter sintomas de transtorno de ansiedade, mas sem ter diagnóstico médico.
Em segundo lugar no ranking das doenças mentais está a depressão: 22,1% dos profissionais já receberam esse diagnóstico, sendo que 19,9% tratam e acompanham com especialistas e 2,2% não tratam. Outros 17,1% apresentam sintomas, mas não têm diagnóstico e não tratam a doença. De acordo com o estudo, 22,4% dos profissionais detectaram a condição nos últimos 12 meses.
O burnout aparece com 6,7% dos casos, e metade foram identificados nos últimos 12 meses. 2% dos médicos diagnosticados com a condição não fazem acompanhamento com especialista. Contudo, em uma avaliação mais ampla, mais de 50% dos médicos indicam já terem apresentado sintomas da doença, ainda que não tenham um diagnóstico fechado ou já tenham se curado da condição.
Quase 20% dos médicos já foram diagnosticados com burnout no passado e 27,2% apresentam sintomas, mas não foram diagnosticados e não estão em tratamento. A carga horária elevada é o principal motivo destacado: médicos com diagnóstico de burnout trabalham em média 57,2 horas por semana, cerca de sete horas a mais do que a média geral.
Médico, está tudo bem?
O estigma associado às doenças mentais e a dificuldade de acesso a serviços de apoio frequentemente levam os médicos a evitar buscar ajuda profissional. O tema que ainda é tabu na sociedade, ganha força durante o Setembro Amarelo, mês dedicado ao cuidado com a saúde mental e à prevenção ao suicídio. Ciente desse cenário, a Afya lança nesta quinta-feira, 28, a campanha “Está tudo bem?” para incentivar médicos e estudantes de medicina a procurar por ajuda especializada.
Durante o mês de setembro, médicos e alunos de medicina em todo o país terão acesso a uma nova funcionalidade nas plataformas digitais da Afya: o botão “Está tudo bem?”. Ao utilizar esse recurso, o usuário será direcionado para um mapeamento de saúde mental, que pode oferecer desde conteúdos sobre cuidados com a saúde e bem-estar até suporte médico e psicológico gratuito para aqueles que estiverem enfrentando dificuldades emocionais.
“Precisamos quebrar o estigma das doenças mentais e humanizar a figura do médico como um ser humano que também enfrenta adversidades e indecisões ao longo da jornada. Tratar corretamente sintomas oriundos de condições mentais em desequilíbrio é uma etapa importante para uma vida mais equilibrada e saudável”, finaliza Moura.
Metodologia:
A pesquisa quantitativa foi aplicada entre os dias 2 de julho e 6 de agosto de 2024 com um total de 2005 respostas. A margem de erro estimada é de 2 p.p. e o nível de confiança de 95%. A amostra contou com a participação de médicos de qualquer especialidade, independentemente do tempo de formação.
Sobre a Afya

A Afya, líder em educação e soluções para a prática médica no Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior em todas as regiões do país, 32 delas com cursos de medicina e 20 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde. São 3.583 vagas de medicina autorizadas pelo Ministério da Educação (MEC), com mais de 20 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil, e “Valor 1000” (2023) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em www.afya.com.br e ir.afya.com.br.

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PUC TV

Pedido de ajuda do Hospital do Câncer Araújo Jorge

https://www.youtube.com/watch?v=nJpA_Y1BaDw

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TV ANHANGUERA

Crise no serviço de hemodiálise atinge pacientes em Goiás

https://g1.globo.com/go/goias/videos-ja-2-edicao/video/crise-no-servico-de-hemodialise-atinge-pacientes-em-goias-13935339.ghtml

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MEDICINA S/A

Dia Mundial da Segurança do Paciente destaca cuidados pediátricos no Brasil

Em comemoração ao Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado no próximo dia 17 de setembro, a Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP) lança uma campanha nacional com foco na segurança de recém-nascidos e crianças. A iniciativa segue o tema proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2025: “Cuidados seguros para cada recém-nascido e cada criança”.

A campanha pretende conscientizar profissionais de saúde, pacientes e familiares sobre os riscos evitáveis no atendimento pediátrico, promovendo a prevenção de eventos adversos, como erros de medicação e infecções relacionadas à assistência à saúde. Serão disponibilizados webinars, lives e podcasts no site oficial da SOBRASP, abordando boas práticas e estratégias de segurança voltadas ao cuidado à saúde do público infantil.

“A SOBRASP reconhece que a segurança do paciente para o recém-nascido e a criança deve ser abordada de forma integral, desde o pré-natal até a adolescência, respeitando as particularidades de cada fase do desenvolvimento humano”, destaca Priscila Amaral, membro do núcleo de pediatria da entidade.

Ainda segundo a especialista, a campanha reforça o compromisso da SOBRASP em difundir conhecimento técnico, atuar junto a órgãos governamentais e colaborar com outras sociedades científicas para promover melhorias contínuas no cuidado em saúde e na segurança dos pacientes.

Campanha Mundial da OMS: A Campanha Mundial da OMS está estruturada em pilares essenciais para a segurança dos pacientes pediátricos. Entre os principais eixos de atuação estão: nascimento seguro e cuidados pós-natais, administração segura de medicamentos, segurança no diagnóstico, imunização segura, prevenção de infecções e reconhecimento precoce da deterioração clínica. Esses pilares visam fortalecer práticas assistenciais e reduzir riscos que afetam diretamente a saúde de recém-nascidos e crianças em diferentes contextos de cuidado.

Nascimento seguro: Um dos pilares da campanha é o nascimento seguro, que envolve uma assistência pré-natal de qualidade e com amplo acesso às gestantes. Durante esse período, são realizadas ações fundamentais de promoção da saúde, rastreamento de doenças, além de orientações sobre autocuidado, nutrição e vacinação, reforçadas nas consultas de rotina.

A especialista Priscila Amaral, do núcleo de pediatria da SOBRASP, destaca ainda a importância do período pós-natal, que vai do nascimento até as seis semanas de vida do bebê. “É um momento crítico não apenas para os recém-nascidos, mas também para as mulheres, pais, cuidadores e familiares, exigindo atenção especial dos serviços de saúde”, ressalta.

Erros de medicação ainda são frequentes em pediatria e neonatologia: A administração segura de medicamentos é uma das maiores preocupações quando se trata de segurança do paciente pediátrico. Entre os erros mais comuns estão: doses incorretas, omissão de medicamentos e uso inadequado da via de administração, como falhas no uso oral, injetável ou respiratório. A grafia ilegível de prescrições também é apontada como um fator que contribui para essas falhas.

Um estudo realizado, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre fevereiro e junho de 2024, identificou 511 eventos adversos, sendo 68,1% relacionados a erros na administração de medicamentos. Desses, 65,4% envolviam falhas no intervalo de administração, com maior incidência no uso de antimicrobianos, sedativos e analgésicos.

Para reduzir esses riscos, a SOBRASP reforça a adoção de medidas como: sistemas de prescrição eletrônica, quando disponível; aumento do número de enfermeiros por paciente; prática da dupla checagem; identificação correta do paciente e capacitação contínua das equipes.

“Precisamos refletir sobre a responsabilidade inerente à prescrição, preparo e administração de medicamentos. É essencial criar um ambiente adequado que promova a prática da ‘medicação segura'”, afirma Priscila Amaral.

Principais eventos adversos evitáveis em recém-nascidos e crianças durante internação e/ou Unidades de Terapia Intensiva: Entre os eventos adversos mais frequentes e evitáveis em recém-nascidos e crianças internados, especialmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), destacam-se: uso inadequado de dispositivos de ventilação nasal implicando na necessidade de intubação traqueal; problemas relacionados ao uso do clamp umbilical — dispositivo usado para prender o cordão umbilical e interromper o fluxo sanguíneo da placenta para o bebê logo após o parto; complicações com conectores de cateteres venosos; dobras na cânula traqueal; e lesões de pele causadas pelo uso de clorexidina alcoólica em neonatos prematuros extremos.

Segurança diagnóstica: Erros de diagnóstico podem ocorrer em até 1 a cada 14 pacientes hospitalizados (cerca de 7%), segundo um estudo realizado em um centro nos Estados Unidos, publicado no periódico BMJ Quality & Safety. A pesquisa aponta que, em países de alta renda, mais da metade dos profissionais de saúde relatam cometer erros de diagnóstico pelo menos uma ou duas vezes por mês. Já em países de baixa e média renda, os desafios são ainda maiores, devido ao acesso limitado a exames diagnósticos, à escassez de profissionais especializados e à fragilidade dos sistemas de registro clínico.

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) incentiva a adoção de estratégias para reduzir erros diagnósticos por meio de diversas intervenções. Entre as principais recomendações estão a garantia de que os profissionais de saúde tenham acesso ao histórico completo do paciente, a realização de exames clínicos detalhados, a ampliação do acesso a testes diagnósticos, além da implementação de métodos para monitorar e aprender com os erros cometidos. A OMS também destaca a importância da adoção de soluções tecnológicas como caminho eficaz para minimizar os equívocos no diagnóstico”, afirma a entidade.

Imunização segura: O Brasil ainda enfrenta dificuldades para vacinar adequadamente as crianças. Segundo o Anuário Vacina BR 2023, nenhum estado brasileiro atingiu a meta de cobertura para as quatro principais vacinas aplicadas até o primeiro ano de vida: pentavalente, poliomielite, pneumocócica e tríplice viral.

No caso de tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, apenas quatro estados alcançaram a cobertura recomendada de 95%. A redução na cobertura vacinal é preocupante e vem ocorrendo de forma contínua: em 2013, dez estados atingiram a meta para pelo menos três das quatro vacinas.

Como evitar transmissões de infecções: A higienização das mãos é a forma mais simples e eficaz de prevenir a transmissão de infecções em ambientes hospitalares, afirma Priscila Amaral, do núcleo de pediatria da SOBRASP. A limpeza pode ser feita com água e sabão ou por fricção com álcool 70%, e é recomendada para profissionais de saúde, visitantes e pacientes. Para aumentar a eficácia da higienização, é importante que adornos como anéis, pulseiras e relógios sejam retirados, além da manutenção das unhas curtas e limpas.

No caso de recém-nascidos e crianças maiores internados em Unidades de Terapia Intensiva, que utilizam dispositivos invasivos como cateteres vasculares centrais, ventilação mecânica e cateteres urinários, é necessário que sejam seguidos protocolos rigorosos para inserção e manutenção desses equipamentos para prevenir infecções e reduzir complicações.

Deterioração clínica: A sepse, definida como uma disfunção orgânica ameaçadora à vida secundária à resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção, representa uma condição grave e potencialmente fatal.

“A resposta do organismo inclui alterações na temperatura, pressão arterial, frequência cardíaca, contagem de glóbulos brancos e ritmo respiratório. Sem tratamento adequado, a sepse pode levar à parada cardíaca e à falência múltipla dos órgãos, resultando em óbito”, finaliza Priscila.

Mortalidade infantil: Em 2023, o Brasil alcançou o menor índice de mortalidade infantil e fetal por causas evitáveis em quase três décadas, conforme dados preliminares do Ministério da Saúde divulgados em 2024. Foram registradas 20,2 mil mortes, número que representa o mais baixo desde 1996, quando houve 53,1 mil óbitos – uma diferença de 62% a menos. As mortes consideradas evitáveis são aquelas que poderiam ter sido prevenidas com medidas como vacinação, acompanhamento adequado durante a gestação e o parto, além de cuidados eficazes ao recém-nascido e diagnósticos precisos.

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Cartão do SUS será unificado com dados do CPF do usuário

O novo Cartão Nacional de Saúde (CNS), a partir de agora, passa a exibir nome e CPF no lugar do antigo número. A mudança foi anunciada nesta terça-feira (16) pelos ministérios da Saúde e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI).

A previsão é que 111 milhões de cadastros sejam inativados até abril de 2026 – desde julho, 54 milhões já foram suspensos. Em entrevista coletiva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que pacientes sem CPF continuam sendo atendidos normalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Não estamos deixando ninguém para trás. As pessoas que não têm CPF ainda vão continuar a ser atendidas”, disse. “Não há sistema nacional de saúde público que tenha o volume, a diversidade e a complexidade dos dados que tem o SUS”, completou.

Higienização

Para tornar a unificação possível, a pasta iniciou uma espécie de limpeza da base de cadastros de usuários do SUS, conhecida como CadSUS. Desde então, os registros passaram de 340 milhões para 286,8 milhões de cadastros ativos.

Desse total, 246 milhões já estão vinculadas ao CPF, enquanto 40,8 milhões permanecem sem CPF, em fase de análise para inativação. O processo de higienização, de acordo com o ministério, alcança ainda cadastros inconsistentes ou duplicados.

“Estamos dando um passo muito decisivo para uma revolução tecnológica no Sistema Único de Saúde. Não é simples o que estamos fazendo”, avaliou Padilha, ao citar que o sistema nacional de saúde pública inglês, ao criar seu cartão de unificação, demorou 10 anos para conseguir implementar a ação.

Integração

A estimativa do governo é que 11 milhões de registros sejam inativados todos os meses, totalizando 111 milhões até abril de 2026. A meta é que, ao final da ação, a base de cadastros de usuários do SUS seja equivalente ao total de CPFs ativos na Receita Federal: 228,9 milhões.

O avanço, segundo o ministério, foi possível graças à interoperabilidade do CadSUS e da base de dados da Receita Federal, utilizando o CPF como identificador único do cidadão e viabilizando acesso a dados como histórico de vacinas e medicamentos garantidos no programa Farmácia Popular.

Usuários sem CPF

Em nota, a pasta informou ter estabelecido um cadastro temporário para cidadãos atendidos no SUS sem CPF, válido por um ano. A medida, de acordo com o comunicado, atende a situações em que a pessoa não consegue informar o CPF no momento do atendimento, como em casos de emergência.

“Após a alta ou regularização, é necessária a prova de vida e a inclusão do CPF”, destacou o ministério.

Populações que não utilizam CPF, como estrangeiros, indígenas e ribeirinhos, permanecem identificadas pelo Cadastro Nacional de Saúde, nomenclatura que vai substituir a expressão Cartão Nacional de Saúde “para reforçar que se trata de um registro secundário e complementar”, reforçou a pasta.

Bases de dados

O ministério informou que vai readequar todos os sistemas de informação do SUS para que passem a utilizar o CPF do paciente – a começar pelos mais utilizados por estados e municípios, como a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e o prontuário eletrônico da atenção primária.

O calendário, segundo Padilha, será pactuado com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). O prazo para conclusão é dezembro de 2026.

Ainda de acordo com a pasta, o CadSUS será integrado à Infraestrutura Nacional de Dados (IND), coordenada pelo MGI. “A medida permitirá receber informações de outros ministérios e órgão, como IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] e CadÚnico [Cadastro Único], e compartilhar dados de saúde de forma segura, sem transferência integral da base”.

“A ação vai melhorar o monitoramento, combater o desperdício e fortalecer a gestão pública”, concluiu o ministério na nota. (Com informações da Agência Brasil)

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Assessoria de Comunicação        

Terça, 16 Setembro 2025 06:28

CLIPPING AHPACEG 16/09/25

Escrito por

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Envelhecimento da população brasileira é desafio para a saúde pública

https://www.youtube.com/watch?v=HAxqV4J-CnU

16 hospitais do estado de SP estão entre melhores do mundo em ranking da Newsweek; veja quais são

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2025/09/16/16-hospitais-do-estado-de-sp-estao-entre-melhores-do-mundo-em-ranking-da-newsweek-veja-quais-sao.ghtml

MV investe na startup Sofya para acelerar superinteligência médica

https://medicinasa.com.br/mv-investimento-sofya/

Por que falhamos em transformar boas ideias em produtos de saúde?

https://medicinasa.com.br/ideias-produtos/

Disaster Recovery para a Saúde: protegendo vidas e dados

https://medicinasa.com.br/disaster-recovery-saude/

Inovação e acesso para revolucionar a saúde

https://medicinasa.com.br/inovacao-acesso-saude/

PUC TV

Envelhecimento da população brasileira é desafio para a saúde pública

https://www.youtube.com/watch?v=HAxqV4J-CnU

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PORTAL G1

16 hospitais do estado de SP estão entre melhores do mundo em ranking da Newsweek; veja quais são

Revista americana divulgou ranking anual dos melhores hospitais do mundo; entre os públicos estão o Instituto do Coração (inCor), o Hospital das Clínicas da Unicamp e Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Já entre os privados estão o Hospital Israelita Albert Einstein e Sírio-Libanês.

Dos 22 hospitais brasileiros que aparecem no ranking World’s Best Specialized Hospitals 2026, divulgado pela revista americana "Newsweek" sobre as melhores instituições de saúde do mundo, 16 ficam no estado de São Paulo, sendo 5 públicos e 11 privados.

Entre os públicos estão o instituto do Coração (inCor), o Hospital das Clínicas da Unicamp e Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. As instituições foram reconhecidas em áreas como cardiologia, cirurgia cardíaca, neurologia, ortopedia, gastroenterologia e oncologia, mantendo-se entre os melhores hospitais brasileiros no ranking internacional.

Já entre os privados estão o Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês e Hospital do Coração (HCor).

O levantamento é realizado anualmente por meio de uma pesquisa online mundial, que reúne recomendações de profissionais de saúde, dados de acreditação e certificações, além da Pesquisa de Implementação de PROMs da Statista.

Os resultados passam pela validação de um conselho global de especialistas, que avalia instituições de referência em 12 áreas médicas: cardiologia, cirurgia cardíaca, oncologia, endocrinologia, neurologia, neurocirurgia, ortopedia, ginecologia e obstetrícia, gastroenterologia, pneumologia, pediatria e urologia.

Veja lista:

Hospitais públicos

Hospital das Clínicas da Unicamp de Campinas — Campinas, SP

Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) — São Paulo, SP

Hospital São Paulo – Unifesp — São Paulo, SP

Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia — São Paulo, SP

Instituto do Coração (InCor) — São Paulo, SP

Hospitais privados e filantrópicos (com ou sem parceria com o SUS):

A.C. Camargo Cancer Center – São Paulo

BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo – São Paulo

Hospital do GRAACC – São Paulo

HCor (Hospital do Coração) – São Paulo

Hospital Alemão Oswaldo Cruz – São Paulo

Hospital Infantil Sabará – São Paulo

Hospital Israelita Albert Einstein – São Paulo

Hospital Sírio-Libanês – São Paulo

Hospital e Maternidade Santa Joana – São Paulo

Hospital São Luiz Itaim – São Paulo

Pro Matre Paulista – São Paulo

Segundo a Secretaria Estadual da Educação, o InCor alcançou sua melhor colocação histórica no mundo em cardiologia, chegando à 12ª posição, nove lugares acima em relação a 2024. Também avançou em cirurgia cardíaca, subindo da 43ª para a 28ª colocação mundial.

Em dois anos, o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia apresentou expressivo crescimento, subindo 18 posições, do 64º, em 2024, para o 46º lugar. Já em cirurgia cardíaca, a unidade subiu oito posições, saindo de 70º para 64º.

Já o Hospital das Clínicas está entre os 100 melhores do mundo em ortopedia (74º) e neurocirurgia (90º), além de ocupar a 117ª posição em gastroenterologia. No ranking de 2024, apareceu em 71º em ortopedia, 90º em neurocirurgia e 114º em gastroenterologia.

O Icesp alcançou a 182ª posição mundial em oncologia. Reconhecido como um dos maiores centros oncológicos da América Latina, a unidade atua exclusivamente no atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

“O destaque no ranking internacional reforça o trabalho contínuo do governo de São Paulo nos investimentos em saúde pública, inovação e qualidade assistencial para salvar vidas. É um orgulho ver hospitais que atendem o SUS paulista entre os melhores do mundo”, disse o secretário da Saúde do estado de São Paulo, Eleuses Paiva, em nota divulgada.

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MEDICINA S/A

MV investe na startup Sofya para acelerar superinteligência médica

MV, líder latino-americana em soluções de saúde digital, anunciou a aquisição de participação na Sofya, startup brasileira de inteligência artificial aplicada à saúde. A operação fortalece o portfólio da companhia e marca um passo decisivo em sua estratégia de impulsionar a transformação digital do setor, apoiando profissionais de saúde com ferramentas mais assertivas, humanizadas e menos sujeitas a erros.

Fundada em 2022 no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP), a Sofya nasceu com a missão de elevar a qualidade clínica e tornar o cuidado em saúde mais eficiente. Em poucos anos, ultrapassou 1 milhão de consultas apoiadas por sua IA e ganhou projeção internacional ao ser aceita para o Mayo Clinic Platform Accelerate, o mais respeitado programa global de desenvolvimento de tecnologias médicas baseadas em inteligência artificial. A startup também integra o Brazil Florida Business Council, ampliando sua rede estratégica de conexões nos Estados Unidos e na América Latina.

Com valuation de R$ 50 milhões em 2025, a startup já recebeu prêmios relevantes no ecossistema global de inovação, como o Johnson & Johnson Health-Tech LATAM e Mana Tech LATAM Competition. Também teve destaque em eventos como Stanford AIMI, Oracle World e publicação na AAAI (Associação para Avanço da Inteligência Artificial) , sendo reconhecida como pioneira no primeiro treinamento de Clinical LLM para interoperabilidade no mundo.

A Sofya desenvolve soluções que vão desde a automação de tarefas rotineiras, como o preenchimento de documentos por comando de voz, até o suporte em decisões clínicas complexas, oferecendo diagnósticos diferenciais, recomendações de exames, otimização de filas em pronto atendimentos e identificação de riscos críticos em prontuários eletrônicos.

Para Paulo Magnus, CEO da MV, a parceria reforça o protagonismo da companhia na transformação digital da saúde. “Estamos unindo a eficiência da nossa plataforma à sofisticação da inteligência artificial da Sofya. Não tenho dúvidas de que essa colaboração vai permitir o desenvolvimento de uma inteligência médica capaz de transformar a prática clínica e levar a inovação da MV a um novo patamar, com alcance internacional e impulsionar cada vez mais a transformação digital na saúde”, afirma.

Já para Igor Couto, um dos fundadores da Sofya, o investimento da MV potencializa a expansão da startup. “Nosso propósito sempre foi aliviar a carga cognitiva dos profissionais de saúde, funcionando como um segundo cérebro que apoia diagnósticos e decisões. A parceria com a MV acelera esse objetivo e projeta muito mais nossa capacidade de levar a expertise clínica brasileira para o mundo”, aponta.

Até o fim de 2025, a tecnologia da Sofya será incorporada em todas as soluções MV, presente em milhares de hospitais e clínicas na América Latina. Além disso, MV e Sofya irão desenvolver conjuntamente algoritmos de IA de fronteira para medicina de precisão e cuidado centrado no paciente, consolidando a visão de uma superinteligência clínica a serviço da vida.

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Por que falhamos em transformar boas ideias em produtos de saúde?

Por Marina Domenech

O Brasil vive um ponto de inflexão. De um lado, temos excelência clínica e acadêmica, modernização regulatória, investimentos relevantes em pesquisa e desenvolvimento, programas de fortalecimento da indústria e de fomento à inovação. De outro, ainda tropeçamos na translação de conhecimento em escala. Projetos de pesquisa nascem muitas vezes descolados da prática, sem clareza de viabilidade e sem um olhar integrado entre ciência, sistema de saúde e mercado.

Essa não é uma realidade exclusiva do nosso país: estudos globais estimam que menos de 10% das descobertas acadêmicas em biomedicina chegam à fase de desenvolvimento clínico, com 1% alcançando o mercado. Aqui, no entanto, esse problema é estrutural e permanece como o maior gargalo do desenvolvimento em saúde. Detemos cerca de 13% da produção científica mundial em biotecnologia, mas nossa capacidade de converter ciência em produto é desproporcionalmente baixa: mais de 70% das startups e spin-offs biotecnológicas brasileiras estagnam no exato momento da translação para a etapa clínica e regulatória, sem a estratégia adequada para que a inovação escale e chegue ao mercado.

Frequentemente chamado de Vale da Morte, esse momento é o ponto crítico no qual a maioria dos projetos científicos, mesmo promissores, não conseguem escalar.

Mas essa paralisia não decorre apenas da falta de investimento. O que está em jogo é a ausência de infraestrutura translacional integrada: ambientes e metodologias que articulem desde estudos toxicológicos, produção sob Boas Práticas de Fabricação (BPF), desenho clínico regulatório e modelagens econômicas compatíveis com tecnologias em maturação.

E é nesse ponto que se torna urgente o fortalecimento de organizações estruturantes, que apresentem capacidade técnica e articulação institucional para traduzir os requisitos regulatórios, técnicos e financeiros de forma integrada. Que consigam alinhar expectativa de risco, cronograma de maturação e modelos de impacto desde os primeiros estágios.

Vivemos uma janela única de fomento, com recursos públicos e privados sendo mobilizados como nunca antes no campo da biotecnologia e da saúde avançada, atualização da lei de pesquisa clínica, o Nova Indústria Brasil e o programa piloto do Ministério da Saúde para inovação radical de fármacos.

Para aproveitá-la, não basta acelerar: é preciso acelerar com segurança. E isso só será possível se reconhecermos que o serviço estruturante é o que viabiliza o produto. Sem serviços especializados, interoperáveis e com capacidade de translação, não há escalada. É hora de valorizar as organizações que ocupam esse papel invisível e essencial. Porque sem estrutura, não há inovação.

*Marina Domenech é CEO e fundadora da SAIL for Health.

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Disaster Recovery para a Saúde: protegendo vidas e dados

Em um cenário onde a digitalização da saúde avança a passos largos, a dependência de sistemas de informação e prontuários eletrônicos tornou-se uma faca de dois gumes para hospitais e clínicas. Se, por um lado, a tecnologia otimiza o atendimento e a gestão, por outro, expõe essas instituições a riscos operacionais e cibernéticos sem precedentes. Nesse contexto, o investimento em uma solução robusta de Disaster Recovery (DR) ou Recuperação de Desastres, deixa de ser um mero item orçamentário de TI para se tornar um pilar estratégico essencial à continuidade do negócio, do cuidado com a segurança do paciente e à sustentabilidade financeira da instituição.

Os benefícios de um plano de recuperação de desastre bem estruturado transcendem a simples recuperação de dados. Para uma instituição de saúde, significa a garantia da continuidade operacional em meio a uma crise, seja ela causada por uma falha de hardware, um desastre natural ou um ataque cibernético. Isso se traduz na capacidade de manter o acesso a prontuários eletrônicos, resultados de exames e sistemas de prescrição, assegurando que a equipe médica possa tomar decisões críticas sem interrupções. Além disso, a implementação de um sistema de recuperação de desastres robusto auxilia na conformidade com regulamentações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), mitigando riscos jurídicos e fortalecendo a confiança de pacientes e parceiros na instituição.

A ausência de um investimento em DR, por outro lado, expõe as instituições de saúde a um espectro de riscos alarmantes. A interrupção dos sistemas pode levar à paralisação completa das operações, resultando no cancelamento de cirurgias, na impossibilidade de realizar diagnósticos precisos e, em última instância, colocando vidas em risco. A perda de dados de pacientes não apenas representa uma grave violação de privacidade, mas também pode acarretar multas vultosas e danos irreparáveis à reputação da organização. Ignorar essa necessidade é assumir um risco que pode comprometer a missão fundamental de qualquer entidade de saúde: cuidar de pessoas.

No atual panorama de ameaças, os riscos cibernéticos representam um dos maiores desafios para a continuidade dos negócios na área da saúde. Ataques de ransomware, que sequestram os dados da instituição e exigem um resgate para sua liberação, tornaram-se cada vez mais comuns e sofisticados. Sem um plano de DR eficaz, que permita a restauração rápida e segura dos sistemas a partir de backups íntegros e isolados, as instituições ficam à mercê dos cibercriminosos. Uma estratégia de recuperação de desastres é, portanto, um componente crítico da segurança cibernética, funcionando como a última e mais importante linha de defesa para garantir que, mesmo após um ataque bem-sucedido, a operação possa ser retomada com o mínimo de impacto.

Os números do setor reforçam a urgência dessa pauta. O mercado global de soluções de recuperação de desastres projeta um crescimento anual composto (CAGR) de 35,8% entre 2025 e 2033, um claro indicador da crescente conscientização sobre sua importância. No Brasil, o setor de saúde já figura como o terceiro mais visado por ataques cibernéticos em 2024, com prejuízos que já alcançam a marca de R$10,5 bilhões para o setor no país. O custo médio de uma violação de dados no Brasil, segundo relatórios da indústria, pode chegar a milhões de reais, um valor que, para muitas instituições, pode ser a diferença entre a continuidade de suas atividades e o encerramento de suas operações. Investir em Disaster Recovery não é mais uma opção, mas uma necessidade imperativa para a resiliência e o futuro das instituições de saúde.

*Saulo Lima é Diretor da Flowti.

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Inovação e acesso para revolucionar a saúde

Por Carlos Gil Ferreira

As gerações com mais de 35 anos certamente se lembram de uma época em que a epidemia de AIDS causou pânico em todo o mundo, ceifando milhões de vidas, nas décadas de 1980 e 1990. Ainda sem um tratamento eficaz disponível, contrair o HIV era como uma sentença de morte diante de um vírus que não escolhia cor de pele, escolaridade ou classe social. Graças à evolução da ciência e das tecnologias, em especial nos últimos 15 anos, que foi possível chegar a soluções capazes de limitar a transmissão, tornando esses tempos apenas tristes lembranças que não voltam mais. Hoje em dia, novos casos de contaminação por HIV e mortes em decorrência dele basicamente são frutos de dois fatores: falta de diagnóstico e falta de acesso à medicação adequada (muitas das vezes, sendo o segundo fator consequência do primeiro).

O caso mencionado acima é um exemplo evidente e atual de como a inovação e a ampliação do acesso a tratamentos adequados vêm, juntas, revolucionando a medicina. Trinta e cinco anos atrás, quem diria que uma pessoa com HIV poderia viver uma vida com qualidade e longevidade, tendo apenas como rotina diária tomar alguns comprimidos? Tal qual a lenda grega de Perseu que, com inteligência, destreza e abordagem acertada, derrotou a temida e até então invencível Medusa, o binômio mencionado acima, embora não tenha chegado ao que podemos chamar de cura, foi capaz de trazer esperança, tranquilidade e expectativa de vida a quem recebe um resultado reagente para o vírus.

Outro “monstro” nada mitológico, que segue como enorme desafio, é o câncer e suas mais de cem variações. Segunda maior causa de mortes no Brasil, somente em 2025 são esperados mais de 700 mil novos casos em todo o país. E vivemos um paradoxo em relação a isso: quanto mais a ciência avança e nos permite aumentar a expectativa de vida da população, maior a prevalência de câncer. Até o momento, os mesmos esforços que nos ajudam a prolongar a vida na terceira idade ainda não são capazes de fazer com que os casos da doença entrem em declínio.

Além da idade mais avançada, que naturalmente nos torna mais suscetíveis a mutações genéticas que resultem em tumores, outros fatores comuns em nosso dia a dia são apontados como possíveis riscos oncogênicos: o consumo de agrotóxicos, a presença de corantes e outros aditivos nos alimentos, poluição ambiental, a disseminação silenciosa de determinados vírus, como o HPV ou das hepatites virais (B, C e, mais recentemente classificada neste rol, a do tipo D), entre outros. Infelizmente, nossa exposição a uma ou mais dessas variáveis é praticamente inevitável e, somada ao envelhecimento populacional, nos permite estimar que tenhamos uma escalada no número de casos de câncer na próxima década, de 2030.

A única forma que temos de reverter esse quadro é exatamente investindo na combinação de inovação e ampliação do acesso. Seja no tratamento, seja na prevenção. Uma técnica promissora, que deixou o meio científico bastante esperançoso e que pode representar uma revolução no combate ao câncer, é a vacina formulada com RNA mensageiro (mRNA). Sua tecnologia utiliza a molécula de mRNA envolta em partículas de gordura microscópicas para levar instruções às células e gerar uma resposta imunológica.

Curiosamente, o mecanismo foi empregado pela primeira vez de forma ampla muito recentemente: nas vacinas para controlar a pandemia de covid-19, em que o mundo teve que desenvolver, em tempo recorde, técnicas inovadoras (e seguras) para evitar uma tragédia ainda maior causada por aquele coronavírus. A nova abordagem vacinal começou a ser testada em outras frentes e se mostrou eficaz no combate a alguns tipos de câncer quando combinada com os atuais medicamentos imunoterápicos. Nos experimentos em camundongos, ela foi capaz de estimular o organismo a combater diferentes tipos de tumor, em muitos casos fazendo-os desaparecer por completo – incluindo os resistentes a tratamento.

A medicina vive de evoluções, mas, sobretudo, de revoluções. Assim foi com o desenvolvimento da primeira vacina, com o advento da anestesia, com a descoberta da penicilina; assim tem sido com os tratamentos antirretrovirais para o HIV e nas novas tecnologias que nos permitiram voltar à normalidade após a pandemia de covid-19. De cada um desses marcos, pudemos tirar diversos aprendizados que, universalizados, trouxeram mais saúde e qualidade de vida à Humanidade. Que o otimismo trazido pelos primeiros (e promissores) testes possa se converter em realidade brevemente e sacramentar a vacina de mRNA como ferramenta eficaz na luta contra o câncer, assim como a mitológica Harpe, a espada empunhada por Perseu, o fez na vitória sobre a Medusa. Que esses monstros, sejam mito ou realidade, estejam longe de nos assombrar mais no futuro.

*Carlos Gil Ferreira é oncologista torácico, pesquisador e presidente do Instituto Oncoclínicas.

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Assessoria de Comunicação        

Segunda, 15 Setembro 2025 06:51

CLIPPING AHPACEG 13 A 15/09/25

Escrito por

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Melhores hospitais do Brasil em 2026: Veja o ranking da Newsweek 

https://www.saudebusiness.com/mercado-da-saude/melhores-hospitais-do-brasil-em-2026-veja-o-ranking-da-newsweek/

Médicas são denunciadas pela morte de menino que colocou grão de milho no nariz

https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2025/09/13/medicas-sao-denunciadas-pela-morte-de-menino-que-colocou-grao-de-milho-no-nariz.ghtml

Pacientes são transferidos de setor após ácido ser derramado em UTI do Hospital Araújo Jorge

https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2025/09/13/pacientes-sao-transferidos-de-setor-apos-acido-ser-derramado-em-uti-do-hospital-araujo-jorge.ghtml

Médico brasileiro tem visto dos EUA proibido após postagem elogiosa a assassinato viralizar; 'peço desculpas'

https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2025/09/14/medico-brasileiro-assassinato-de-charlie-kirk.ghtml

Colírios especiais podem reduzir necessidade de óculos de leitura com o avanço da idade, diz estudo

https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2025/09/15/colirios-especiais-podem-reduzir-necessidade-de-oculos-de-leitura-com-o-avanco-da-idade-diz-estudo.ghtml

SAÚDE BUSINESS

Melhores hospitais do Brasil em 2026: Veja o ranking da Newsweek 

Ranking destaca 22 hospitais brasileiros entre os melhores do mundo, incluindo Albert Einstein, Sírio-Libanês, InCor, Pequeno Príncipe e Mater Dei. Saiba mais!

A revista Newsweek, em colaboração com a empresa de análise de dados Statista, divulgou recentemente a lista dos melhores hospitais do Brasil em 2026. O ranking integra o estudo “World’s Best Specialized Hospitals”, que avaliou milhares de instituições de saúde em mais de 20 países, considerando critérios como: 

Recomendações de profissionais de saúde; 

Dados de acreditação e certificações; 

Pesquisa de Implementação de PROMs (Patient-Reported Outcome Measures); 

Produção científica e impacto das publicações. 

Segundo a Newsweek, hospitais especializados estão em franca expansão, impulsionados pela busca por tratamentos avançados e personalizados. Em 2023, o mercado global de hospitais especializados movimentou cerca de US$ 74,87 bilhões, com projeção para atingir US$ 176,53 bilhões até 2032. 

“Esses hospitais demonstram o melhor cuidado especializado, estabelecendo o padrão de excelência global”, destaca a publicação. 

Como é feita a seleção? 

O ranking World’s Best Specialized Hospitals 2026 destaca os líderes mundiais em 12 áreas médicas. Este ano, foram incluídos: 

300 hospitais para cardiologia e oncologia; 

250 para pediatria; 

150 para cirurgia cardíaca, endocrinologia, gastroenterologia, pneumologia e ortopedia; 

125 para neurocirurgia e urologia; 

150 para neurologia e 125 para ginecologia e obstetrícia (ambos ampliados este ano). 

A pesquisa foi realizada entre maio e julho de 2025, com milhares de médicos e gestores hospitalares. Entre os hospitais reconhecidos globalmente estão Cleveland Clinic, Johns Hopkins Hospital, Mayo Clinic-Rochester e Memorial Sloan Kettering Cancer Center. 

Destaques brasileiros no ranking global 

O Brasil teve 22 hospitais reconhecidos, sendo 16 privados e 6 públicos. Entre os destaques: 

Hospital Israelita Albert Einstein: 8º lugar em gastroenterologia e 16º em cardiologia. 

Hospital Sírio-Libanês: 15º lugar em urologia e 43º em cardiologia. 

Instituto do Coração (InCor): 12º lugar em cardiologia, sendo o mais bem posicionado da América Latina. 

Hospital Pequeno Príncipe: único exclusivamente pediátrico da América Latina, subiu para a 70ª posição global em pediatria. 

“Celebramos esse momento muito especial: pelo quinto ano consecutivo, o Hospital Pequeno Príncipe é reconhecido como o melhor exclusivamente pediátrico da América Latina”, destacou José Álvaro da Silva Carneiro, diretor-corporativo do Complexo Pequeno Príncipe. 

“Conquistar esse reconhecimento mundial pela sexta vez consecutiva é motivo de grande honra e reflete, acima de tudo, a excelência das nossas equipes médicas, multiprofissionais e de apoio, além da força do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirmou Dr. Roberto Kalil Filho, presidente do Conselho do InCor. 

A Rede Américas também marcou presença com duas unidades: o Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, e o Hospital Nove de Julho, em São Paulo. 

“A presença de ambas as instituições no ranking internacional reforça o propósito da Rede em oferecer cuidado de excelência, inovação e acolhimento”, informou a rede em comunicado. 

Lista completa dos hospitais brasileiros no ranking 2026 

Hospital  Cidade 
Mater Dei Hospital Santo Agostinho  Belo Horizonte 
Hospital das Clínicas da Unicamp de Campinas  Campinas 
Hospital Infantil Pequeno Príncipe  Curitiba 
Hospital Moinhos de Vento  Porto Alegre 
Hospital Pró-Cardíaco  Rio de Janeiro 
Pro Matre Paulista  São Paulo 
A.C. Camargo Cancer Center  São Paulo 
BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo  São Paulo 
GRAACC – Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP)  São Paulo 
HCor (Hospital do Coração)  São Paulo 
Hospital Alemão Oswaldo Cruz  São Paulo 
Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo  São Paulo 
Hospital e Maternidade Santa Joana  São Paulo 
Hospital e Maternidade Sepaco  São Paulo 
Hospital Infantil Sabará  São Paulo 
Hospital Israelita Albert Einstein  São Paulo 
Hospital Nove de Julho  São Paulo 
Hospital São Luiz Itaim  São Paulo 
Hospital São Paulo – UNIFESP  São Paulo 
Hospital Sírio-Libanês  São Paulo 
Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia  São Paulo 
Instituto do Coração (InCor)  São Paulo 

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PORTAL G1/GOIÁS

Médicas são denunciadas pela morte de menino que colocou grão de milho no nariz

Ministério Público denunciou as profissionais por homicídio ocorrido sem intenção de matar. Defesa de uma das médicas disse que só vai se manifestar durante o processo

As duas médicas que atenderam Ravi de Souza Figueiredo, de 2 anos, para a retirada de um grão de milho no nariz, foram denunciadas pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO). O menino morreu após o procedimento realizado no Hospital Municipal de Goiatuba, no sul de Goiás. O MPGO afirmou que elas foram denunciadas por homicídio culposo, ou seja, pela morte de alguém sem intenção, por meio de ação ou omissão voluntária.

A defesa de Isabella Helena Caixeta de Oliveira afirmou ao g1, por nota, que irá se manifestar exclusivamente no processo, "respeitando o curso legal das investigações e o devido contraditório". A reportagem não conseguiu contato com a defesa da outra médica, Daniella Carvalho Ferreira, até a última atualização desta reportagem.

A defesa da família disse ao g1 que, após os procedimentos para tentar retirar o grão de milho, a criança sofreu perfurações no pulmão e no estômago. O prontuário do Hospital de Goiatuba recebido pela família de Ravi e divulgado pela TV Anhanguera, informa que, após o uso do ar comprimido, a equipe médica utilizou um aparelho de video-otoscópio e uma pinça para retirar o milho.

O Ministério Público afirmou à TV Anhanguera que pediu uma indenização de R$ 150 mil para a família da criança e que o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) se manifeste nesse caso. O Cremego informou ao g1, por meio de nota, que não recebeu qualquer notificação/solicitação do MPGO sobre este caso.

O Cremego disse, ainda, que , já se posicionou sobre o assunto, por meio de parecer da Câmara Técnica de Otorrinolaringologia do Conselho, atendendo a uma solicitação da Delegacia de Polícia de Hidrolândia.

A entidade afirmou também que, em relação a denúncias sobre conduta ética de médicos, todas as queixas recebidas, ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em sigilo, conforme o Código de Processo Ético-Profissional Médico.

Como foi o procedimento

As profissionais foram indiciadas pela Polícia Civil no mês passado, por homicídio culposo por negligência. Ravi morreu no dia 5 de abril, mas a família só divulgou o acontecido em julho. Segundo a família, o menino inseriu um caroço de milho de pipoca em uma das narinas. Os pais tentaram retirar o grão, mas não conseguiram e, então, o levaram para o Hospital Municipal de Goiatuba.

De acordo com o pai de Ravi, Josenilson Figueiredo, a equipe do hospital tentou retirar o grão com uma pinça, mas sem sucesso. Depois, foi utilizada uma espécie de “cânula de borracha”, por onde saía ar. Segundo Josenilson, após o procedimento, a barriga do menino ficou inchada e a equipe deu remédios para gases.

Depois de apresentar fraqueza, vomitar e nem conseguir falar, o menino foi levado novamente ao hospital e, então, foi encaminhado para Goiânia, em uma ambulância. Mas no caminho ele passou mal novamente e morreu no Hospital Municipal de Hidrolândia, onde foi atendido de forma emergencial.

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Pacientes são transferidos de setor após ácido ser derramado em UTI do Hospital Araújo Jorge

De acordo com os bombeiros, a água utilizada para limpar o ácido após a transferência dos pacientes parece ter causado uma reação que liberou gases irritantes. Funcionários foram atendidos no hospital e encaminhados para um Cais, mas já receberam alta.

Pacientes foram transferidos de setor após um ácido ter sido derramado em uma sala de UTI do Hospital Araújo Jorge, em Goiânia (veja o vídeo acima). Segundo o Corpo de Bombeiros, após a remoção dos pacientes, os funcionários tentaram limpar o produto com água, o que pareceu ter causado uma reação química que liberou gases irritantes. Segundo a assessoria do hospital, todos os funcionários que precisaram de atendimento já receberam alta.

Em nota, o Hospital Araújo Jorge informou que os pacientes da sala foram transferidos imediatamente para outros setores, estando em segurança clínica. Disse ainda que os colaboradores foram avaliados na unidade e, posteriormente, transferidos para um Cais, onde ficaram em observação e receberam alta médica (leia a nota na íntegra ao fim do texto).

O incidente aconteceu na noite desta quinta-feira (11), por volta das 20h. Segundo a assessoria do hospital, um técnico de uma empresa terceirizada fazia o manuseio de um equipamento de hemodiálise quando o ácido peracético foi derramado no chão.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, funcionários do hospital tentaram limpar o produto com água, o que causou a liberação de gases irritantes. Ao todo, nove colaboradores do Araújo Jorge, um funcionário terceirizado, e seis pacientes se envolveram no incidente.

Veja como aconteceu o incidente:

Ácido cai no chão

Pacientes são imediatamente transferidos para setores seguros

Funcionários tentam fazer a limpeza com água

Reação libera gases irritantes

Bombeiros são acionados, isolam e fazem a limpeza do local

Funcionários são avaliados e transferidos para unidade de saúde e recebem alta

Segundo o hospital, os pacientes foram imediatamente removidos do local e transferidos para outros setores, onde foram avaliados. Os funcionários passaram por atendimento primeiramente no Hospital, seguindo os protocolos, e depois foram encaminhados para um Cais, onde passaram por atendimento, ficaram em observação e receberam alta médica.

O bombeiros isolaram o local e conseguiram neutralizar o produto. De acordo com o hospital, os militares fizeram a higienização completa da área afetada, seguindo rigorosamente os protocolos de segurança.

Ainda de acordo com o hospital, a empresa terceirizada responsável já foi notificada e um processo de apuração está em andamento.

Nota do Hospital Araújo Jorge na íntegra

Em resposta ao questionamento do Portal G1, o Araújo Jorge – Hospital de Câncer informa que, na noite dessa quinta-feira (11/09), por volta das 20h, houve um incidente durante o manuseio de um equipamento de hemodiálise por um técnico de empresa terceirizada, ocasionando o derramamento de ácido peracético.

A equipe do hospital prestou atendimento imediato aos pacientes e aos colaboradores que estavam no local. Os pacientes foram transferidos para outros setores do hospital, avaliados pela equipe de saúde, estando em segurança clínica.

Quanto aos colaboradores, estes foram avaliados pela equipe da própria unidade e, em seguida, encaminhados para outra unidade de saúde, onde ficaram em observação e, posteriormente, receberam alta médica.

 O Corpo de Bombeiros foi acionado e realizou a higienização completa da área afetada, seguindo rigorosamente os protocolos de segurança. A empresa terceirizada responsável já foi notificada e um processo de apuração está em andamento.

 O Araújo Jorge reforça que a segurança e o cuidado com pacientes e profissionais são prioridades permanentes da instituição.

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PORTAL G1

Médico brasileiro tem visto dos EUA proibido após postagem elogiosa a assassinato viralizar; 'peço desculpas'

Ativista conservador de 31 anos foi assassinado enquanto fazia uma palestra em um evento na universidade de Utah Valley. Ele deixa a mulher e dois filhos.

O médico brasileiro Ricardo Jorge Vasconcelos Barbosa teve o visto dos Estados Unidos proibido após uma mensagem elogiosa ao assassinato do ativista conservador Charles Kirk viralizar.

A postagem diz: "um salve a este companheiro de mira impecável. Coluna cervical".

O vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, citou a postagem ao anunciar, no sábado (13), a proibição de vistos para Barbosa. O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) informou ter aberto uma sindicância para investigar o médico e uma clínica particular, que o demitiu (saiba mais abaixo).

Neste domingo (14), Barbosa pediu desculpas à família de Kirk.

"Trata-se de uma colocação infeliz, fora de contexto e divulgada por pessoas alheias ao meu círculo. Peço desculpas à família enlutada e registro que montagens e sobreposições de imagens distorceram o conteúdo original, em nada condizendo com os princípios que sempre nortearam minha conduta pessoal e profissional: o respeito à vida e à ética".

O médico disse que o conteúdo tem sido usado "por pessoas que estão ameaçando" a família dele, incluindo a esposa e os irmãos. "Muitas ameaças de morte. [...] Temos print de tudo. Todas as pessoas serão denunciadas", afirmou.

Jovem conservador foi assassinado durante discurso

Kirk, de 31 anos, foi assassinado em plena luz do dia, com um tiro no pescoço, enquanto discursava em um evento na Universidade de Utah Valley. Ele deixa a mulher e dois filhos.

Um homem identificado como Tyler Robinson, de 22 anos, foi preso suspeito de ser o autor do assassinato.

Segundo o FBI, estojos de balas apreendidas junto com a arma do crime incluíam frases como "Ei, fascista! PEGUE!"; "O Bella ciao, Bella ciao, Bella ciao, Ciao, ciao!" (uma referência a uma canção italiana de resistência ao fascismo e ao nazismo); e "Se você ler isso, você é GAY, kkkk".

Investigação pelo Cremepe

Em nota publicada no Instagram na sexta (12), o Cremepe informou que recebeu uma denúncia, "motivada por ampla repercussão nas redes sociais", envolvendo a conduta do médico.

A entidade disse também que "seguirá o rito processual previsto para a devida apuração do caso" e afirmou que "todas as sindicâncias instauradas pela autarquia tramitam sob sigilo", com o intuito de preservar "a lisura e a efetividade da investigação".

Em seu currículo, Ricardo Barbosa informa que é formado em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e fez residência em neurocirurgia no Hospital da Restauração, maior hospital público do Recife. No perfil acadêmico, ele diz, ainda, que fez treinamentos em cirurgia na Dinamarca.

O médico afirma, na página, que atua na Restauração, no Hospital Unimed III, localizado no Centro da capital pernambucana. Em nota, a Unimed disse que o caso será analisado "com máxima brevidade" em reunião extraordinário do Conselho de Administração da rede, composta por 2.228 médicos cooperados.

"Por ser uma cooperativa, algumas medidas não podem ser tomadas de forma imediata, como no caso de empresas particulares. Serão adotadas as medidas cabíveis, à luz da legislação aplicável e das normas internas da cooperativa, diante de tão grave conduta, que repercutiu na classe médica e na sociedade", afirmou a organização.

Ele também trabalhava na clínica particular Recife Day Clinic, que anunciou o desligamento do profissional no sábado (13).

"Temos como compromisso fundamental a ética médica, o respeito à vida, à diversidade de opiniões e ao acolhimento humano [...]. Diante da gravidade do ocorrido, comunicamos que o profissional em questão foi banido definitivamente das atividades no Recife Day Clinic", informou a empresa em nota divulgada nas redes sociais.

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O GLOBO

Colírios especiais podem reduzir necessidade de óculos de leitura com o avanço da idade, diz estudo

Testes com mais de 700 pacientes mostraram que tratamento farmacológico melhora a visão por até dois anos

Uma das certezas com o passar do tempo é o desenvolvimento da presbiopia, também conhecida como vista cansada. O quadro é caracterizado por uma dificuldade em focar objetos e textos próximos, levando muitas pessoas a precisarem adotar os famosos óculos de leitura. No entanto, uma nova solução pode ser tão simples quanto usar colírios especiais duas ou três vezes ao dia.Um novo estudo apresentado no 43º Congresso da Sociedade Europeia de Cirurgiões de Catarata e Refrativa (ESCRS) avaliou 766 pacientes e apontou que a maioria teve uma melhora da visão com o novo medicamento, e que esse benefício durou até dois anos.

" As soluções atuais, como óculos de leitura ou intervenções cirúrgicas, têm limitações, incluindo inconveniência, desconforto social e potenciais riscos ou complicações. Buscamos fornecer evidências clínicas robustas apoiando uma solução farmacológica inovadora para oferecer aos pacientes uma alternativa não invasiva, conveniente e eficaz", diz Giovanna Benozzi, diretora do Centro de Pesquisa Avançada em Presbiopia de Buenos Aires, na Argentina, em comunicado.

O colírio foi desenvolvido pelo pai de Giovanna, Jorge Benozzi, que atuava no mesmo centro de pesquisa. Ele contém uma combinação de dois agentes ativos: pilocarpina, um medicamento que contrai a pupila e o músculo ciliar, responsável pela acomodação do olho para enxergar objetos em diferentes distâncias, e diclofenaco, um anti-inflamatório que reduz o desconforto frequentemente causado pela pilocarpina.

No estudo, os pacientes usaram o colírio duas vezes ao dia, geralmente ao acordar e cerca de seis horas depois, com uma terceira dose opcional se os sintomas retornassem ou fosse necessário mais conforto visual. Os voluntários, de em média 55 anos, foram divididos em três subgrupos para receber uma de três formulações. Cada uma tinha a mesma dose de diclofenaco, mas concentrações de pilocarpina de 1%, 2% ou 3%.

Os pesquisadores avaliaram a melhora na leitura do gráfico de Jaeger, muito usado em testes de visão, uma hora após a primeira aplicação do colírio, e acompanharam os pacientes por dois anos.

"Nosso resultado mais significativo mostrou melhorias rápidas e sustentadas na visão de perto para todas as três concentrações. Uma hora após a primeira aplicação, os pacientes apresentaram uma melhora média de 3,45 linhas de Jaeger. O tratamento também melhorou o foco em todas as distâncias", contou Giovanna.

A especialista disse que 99% dos 148 pacientes no grupo de concentração de 1% de pilocarpina alcançaram visão de perto ótima e conseguiram ler duas ou mais linhas extras. No grupo de 2%, 69% dos 248 pacientes conseguiram ler três ou mais linhas adicionais no gráfico de Jaeger, e, no grupo de 3%, 84% dos 370 pacientes alcançaram o mesmo resultado.

No geral, 83% de todos os pacientes mantiveram boa visão funcional de perto em 12 meses. A melhora da visão dos pacientes foi sustentada por até dois anos, com duração mediana de 434 dias.

O produto também foi considerado seguro, não tendo sido observados eventos adversos significativos, como aumento da pressão intraocular ou descolamento de retina. Os efeitos mais comuns foram leves, como visão temporariamente escurecida (32% dos casos), irritação na aplicação do colírio (3,7%) e dor de cabeça (3,8%). Nenhum paciente interrompeu o tratamento.

"Esses resultados sugerem que essa terapia combinada oferece uma alternativa segura, eficaz e bem tolerada ao manejo tradicional da presbiopia. Ela reduz significativamente a dependência de óculos de leitura, proporcionando uma opção conveniente e não invasiva, embora não elimine completamente a necessidade de óculos em todos os indivíduos", diz a pesquisadora.

Além do grupo deste estudo, ela tem outros pacientes que recebem o tratamento há mais de dez anos. Novos estudos, porém, são necessários para reforçar a eficácia do colírio, explica o presidente eleito da ESCRS e chefe do departamento de oftalmologia do Hospital Universitário de Olhos de Bochum, na Alemanha, Burkhard Dick:"Estudos mais amplos, de longo prazo e multicêntricos são necessários para confirmar a segurança e a eficácia antes que esse tratamento possa ser amplamente recomendado".

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Assessoria de Comunicação       

9 Higicon 1

Com o apoio da Ahpaceg, Goiânia sediou nesta quinta-feira o Higicon Experience Centro-Oeste.

Promovido pela Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (Abralimp), o evento foi um sucesso ao reunir profissionais de saúde e de higienização de hospitais públicos e privados de Goiás.

A programação trouxe temas de grande relevância, como o combate às Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) e a importância da adoção de estratégias eficazes para prevenir infecções, protegendo tanto os pacientes quanto os profissionais.

As discussões foram conduzidas por especialistas renomados: Marcos Cyrillo, infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia; Ellen Dreger Cardoso, enfermeira e mestre em infectologia em Saúde Pública; João Carlos Caldeira, enfermeiro e gestor do Hospital do Coração Anis Rassi; Edmilsom Amaral da Silva, coordenador de Operações e Infraestrutura do HMAP; e Marcelo Boeger, referência nacional em gestão hospitalar.

9 Higicon 2

A coordenadora de Educação Continuada da Ahpaceg, Madalena Del Duqui, participou do encontro ao lado de representantes de diversas instituições associadas.

Sexta, 12 Setembro 2025 07:04

CLIPPING AHPACEG 12/09/25

Escrito por

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Lula sanciona lei que transforma Setembro Amarelo em política pública nacional

https://oimparcial.com.br/brasil/2025/09/lula-sanciona-lei-que-transforma-setembro-amarelo-em-politica-publica-nacional/

Imas tem pouco mais de 1 mês para apresentar plano de reestruturação ao MPGO

https://www.aredacao.com.br/noticias/240025/imas-tem-pouco-mais-de-1-mes-para-apresentar-plano-de-reestruturacao-ao-mpgo

Segurança jurídica na assistência médica salva vidas e reduz litígios

https://medicinasa.com.br/seguranca-juridica-litigios/

Secretaria de Saúde de Goiás confirma mais casos de febre amarela no estado

https://www.youtube.com/watch?v=5kPl3q8-CSk

O IMPARCIAL

Lula sanciona lei que transforma Setembro Amarelo em política pública nacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta semana, a Lei nº 15.199/2025, que institui oficialmente a campanha Setembro Amarelo como política pública nacional. A mobilização será realizada todos os anos, em setembro, com foco na promoção da saúde mental e na prevenção da automutilação e do suicídio.

Criada em 2014 por entidades da sociedade civil, a campanha passa agora a ter respaldo legal. Só em 2023, mais de 16,8 mil mortes por suicídio foram registradas no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.

Publicada no Diário Oficial da União na terça-feira (9), a lei determina que a campanha deve informar a população sobre riscos, orientar sobre recursos de apoio e tratamento, além de fortalecer o acolhimento às pessoas em sofrimento psíquico.

Também foram instituídas duas datas: 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio e 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação. Governos estaduais poderão realizar ações como iluminar prédios públicos de amarelo e veicular campanhas de conscientização.

Campanha e tema de 2025

O Setembro Amarelo, realizado desde 2015, é conduzido atualmente pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e Conselho Federal de Medicina (CFM).

Neste ano, a campanha tem como tema “Conversar pode mudar vidas”, reforçando o diálogo como ferramenta fundamental para acolher pessoas em sofrimento e estimular a prevenção ao suicídio.

Cartilha Amarela

Como parte da mobilização, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou, na quarta-feira (10), a Cartilha Amarela – Prevenção e combate ao assédio, a outras formas de violências e ao suicídio relacionado ao trabalho.

O documento alerta para os efeitos nocivos de ambientes laborais hostis e práticas abusivas, apontando como principais vítimas do assédio moral mulheres, pessoas com deficiência, população LGBTQIAPN+, idosos, migrantes, estrangeiros e trabalhadores que sofreram acidentes ou adoecimento.

A cartilha também desmistifica crenças equivocadas sobre o tema, como a ideia de que falar sobre suicídio aumenta o risco. Segundo o material, discutir o assunto de forma responsável ajuda a proteger vidas e reduzir estigmas.

Rede de apoio

O Brasil conta com uma rede de apoio para assistência em saúde mental, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que oferecem atendimento especializado com equipes multiprofissionais.

O CVV também presta apoio gratuito e sigiloso, disponível 24 horas por dia pelo telefone 188, chat ou e-mail. Em situações de emergência, a população pode acionar o Samu (192) e a Polícia Militar (190).

Desafio global

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 720 mil pessoas morram por suicídio a cada ano no mundo, sendo a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

No Brasil, o número de casos cresceu 66,47% em dez anos (2013–2023), segundo o Atlas da Violência 2025, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em média, 46 brasileiros tiram a própria vida todos os dias.

O país assumiu junto à Organização das Nações Unidas (ONU) o compromisso de reduzir em um terço os casos de suicídio até 2030, conforme a meta 3.4 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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A REDAÇÃO

Imas tem pouco mais de 1 mês para apresentar plano de reestruturação ao MPGO

Dívida do Instituto chega a R$ 145 mi 

O Ministério Público de Goiás (MPGO) estabeleceu o dia 16 de outubro como prazo final para que o Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores (Imas) apresente o Plano de Transformação Estrutural da entidade. A definição ocorreu durante reunião realizada nesta quarta-feira (10/9) na sede do MP, conduzida pela promotora de Justiça Carmem Lúcia Santana de Freitas, titular da 20ª Promotoria da capital, e pelo promotor de Justiça Cassius Marcellus de Freitas Rodrigues, da 88ª Promotoria.

Participaram ainda a presidente do Imas, Gardene Fernandes Moreira; a gerente de Credenciamento, Paula Taisa Rezende Borges; a chefe da Advocacia Setorial, Graziane Cardoso Lourenço; o representante do Conselho de Assistência à Saúde e Social dos Servidores Municipais de Goiânia (Conas), Weyner Alves Rosa; e a assistente administrativa da Controladoria-Geral do Município Juliana Evangelista Mendonça Correa.

Inconsistências de funcionamento 
Durante a reunião, os promotores destacaram as principais inconsistências identificadas no funcionamento do instituto, especialmente no atendimento à saúde. Carmem Lúcia ressaltou a necessidade de transparência nos atos da gestão, com acesso facilitado a informações de interesse dos usuários. Já Juliana Evangelista observou que a falta de confiança da população no Imas é resultado de irregularidades acumuladas ao longo dos anos, defendendo a construção de um vínculo sólido entre usuários e a instituição.

Questionada sobre a composição da diretoria, a presidente do Imas informou que os cargos de secretaria executiva e da Diretoria de Assistência à Saúde permanecem vagos. Também confirmou, após ser indagada pelo promotor de Justiça Cassius Marcellus, que os resultados da auditoria feita pela Universidade Federal de Goiás (UFG) já foram analisados e serão implementados conforme a realidade do órgão. Segundo ela, o Imas enfrenta gargalos financeiros e organizacionais, sendo totalmente dependente do Poder Executivo municipal.

Viabilidade do instituto
A gerente de Credenciamento, Paula Taisa Rezende Borges, apresentou um levantamento das inconsistências apontadas pelo MP e afirmou acreditar na viabilidade do instituto. Ela destacou a importância da reestruturação para garantir qualidade à prestação do serviço de saúde aos servidores e apresentou aos promotores as ferramentas já disponibilizadas no Portal do Beneficiário.

Na ocasião, ficou determinado que o plano deve prever medidas imediatas, como a melhoria qualitativa e a estabilização do quadro de pessoal, a nomeação de gestores com capacidade técnica e conhecimento relacionados às áreas de atuação, bem como o acompanhamento rigoroso da execução e dos pagamentos dos contratos de credenciamento.

A presidente Gardene Fernandes expôs que a dívida do Imas está estimada em mais de R$ 145 milhões. Ela garantiu que a gestão está empenhada em encontrar soluções.

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MEDICINA S/A

Segurança jurídica na assistência médica salva vidas e reduz litígios

Por Gustavo Clemente

Nos primeiros cinco meses de 2025, o Brasil registrou impressionantes 37.170 novos casos de falhas assistenciais na área da saúde. Esses incidentes resultam diretamente em danos morais ou materiais e estão entre os principais motores do crescente número de processos judiciais envolvendo o setor, que chegaram a 74.358 ações em 2024, um aumento de 506 % em relação a 2023, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Diante dessa realidade preocupante, é imprescindível adotar medidas jurídicas preventivas robustas, com participação ativa de advogados especializados em Direito Médico e da Saúde. A construção de protocolos assistenciais ricamente detalhados, combinados com orientação jurídica em todas as etapas, estabelece um padrão operacional seguro e confiável. Esses documentos devem expor com clareza cada etapa do atendimento, os resultados esperados, bem como os riscos e possíveis eventos adversos, assegurando que não haja surpresas no percurso assistencial, o que representa segurança tanto para os pacientes quanto para os profissionais.

Nesse contexto, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) assume papel central. Ele formaliza, em linguagem acessível ao paciente, as informações sobre o procedimento, suas possibilidades de sucesso ou complicações, proporcionando transparência e empoderamento do paciente ao decidir com base em dados claros.
Paralelamente, o prontuário médico funciona como instrumento jurídico imprescindível: nele são registradas todas as intervenções e condutas da equipe assistencial, servindo como prova incontestável da trajetória clínica do paciente.

A colaboração entre equipes multidisciplinares assistenciais e a assessoria jurídica é igualmente essencial. O advogado especializado em Direito Médico aporta visão técnica e estratégica nas revisões e criação de protocolos internos, apontando eventuais brechas, sugerindo ajustes e promovendo uma cultura preventiva que orienta a prática diária dos profissionais. Isso permite não apenas a mitigação de riscos jurídicos, mas também a efetiva redução de eventos adversos, contribuindo para um ambiente mais seguro e confiável na prestação de serviços de saúde.

Outro aspecto crucial é a adoção de ferramentas de gestão como o ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act), amplamente usado em ambiente hospitalar. Essas práticas de gestão contínua permitem que protocolos sejam avaliados, executados, monitorados e aprimorados de forma sistemática, fortalecendo a cultura de segurança do paciente e a aderência às normas jurídicas.

A segurança do paciente no Brasil também se beneficia da acreditação hospitalar. A Organização Nacional de Acreditação (ONA), com dados baseados na Anvisa, associou a adoção de acreditações à redução significativa de falhas: queda de até 51 % em erros de medicação, 52 % em identificação de pacientes, 42 % nas infecções hospitalares, entre outros ganhos. Apesar de os números iniciais de falhas frequentemente aumentarem numa etapa de implementação – reflexo da subnotificação anterior, com trabalho sistemático, os casos tendem a cair e estabilizar.
Além disso, dados da ONA também indicam que, entre agosto de 2023 e julho de 2024, o Brasil contabilizou aproximadamente 396.629 falhas assistenciais, das quais resultaram 2.363 mortes. Muitas dessas tragédias poderiam ter sido evitadas com processos assistenciais mais estruturados e seguros. A OMS estima que globalmente mais de 80 % das falhas assistenciais poderiam ser prevenidas, reforçando a importância da prevenção jurídica e operacional desde o planejamento até a execução dos cuidados.

De forma integrada e preventiva, o advogado da saúde deve ser mais do que um consultor jurídico; deve participar diretamente do cotidiano de uma unidade de saúde, compreendendo gestão hospitalar, logística, fluxos assistenciais e comunicação interna. Essa vivência permite que ele fale a “mesma língua” dos profissionais de saúde e elabore estratégias jurídicas que se adequem à realidade operacional. Sua atuação é fundamental para identificar falhas nos protocolos, treinar equipes quanto ao cumprimento adequado de normas e documentações e garantir que cada etapa do atendimento esteja juridicamente respaldada.

Em resumo, com base no cenário brasileiro atual, marcado pelo alto número de falhas assistenciais, mortalidade evitável, e explosão de processos judiciais, a integração de protocolos detalhados, termos de consentimento transparentes, registros médicos completos e atuação jurídica especializada se revela absolutamente essencial. Essa atuação preventiva não só reduz riscos e litígios, mas fortalece a confiança entre profissional e paciente, eleva a qualidade dos serviços prestados e contribui para a construção de um sistema de saúde mais seguro e eficiente.

* Gustavo Clemente é sócio do Lara Martins Advogados e Presidente do Sindicato dos Hospitais do Estado de Goiás (SINDHOESG).

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TV SERRA DOURADA

Secretaria de Saúde de Goiás confirma mais casos de febre amarela no estado

https://www.youtube.com/watch?v=5kPl3q8-CSk

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Assessoria de Comunicação        

Quinta, 11 Setembro 2025 06:58

CLIPPING AHPACEG 11/09/25

Escrito por

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Deputado Cairo Salim defende uso de videomonitoramento em UTIs

https://portal.al.go.leg.br/noticias/157908/deputado-cairo-salim-defende-uso-de-videomonitoramento-em-utis

Unicef: obesidade infantil supera desnutrição pela 1ª vez no mundo

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-09/unicef-obesidade-infantil-supera-desnutricao-pela-1a-vez-no-mundo

Como as parcerias público-privadas estão ampliando o acesso aos cuidados na AL

https://medicinasa.com.br/ppp-saude/

A redefinição do cuidado em saúde no Brasil passa pela IA

https://medicinasa.com.br/redefinicao-cuidado-ia/

Verdade inconveniente: setor de saúde ainda venera o papel

https://www.saudebusiness.com/colunistas/verdade-inconveniente-setor-de-saude-ainda-venera-o-papel/

Paciente fica ferido após incêndio durante ressonância

https://g1.globo.com/go/goias/videos-ja-1-edicao/video/paciente-fica-ferido-apos-incendio-durante-ressonancia-13917255.ghtml

A nova experiência do paciente com a digitalização da saúde

https://futurodasaude.com.br/experiencia-do-paciente-brd-yt-einstein/

Judicialização da saúde segue em alta e governo busca soluções

https://futurodasaude.com.br/judicializacao-solucoes/

Ministro da Saúde detalha aumento das despesas e pede mais recursos para a Pasta

https://www.camara.leg.br/noticias/1199002-ministro-da-saude-detalha-aumento-das-despesas-e-pede-mais-recursos-para-a-pasta/

ALEGO

Deputado Cairo Salim defende uso de videomonitoramento em UTIs

Na audiência pública em curso na manhã desta terça-feira, na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), que debate a instalação de câmeras em unidades de terapia intensiva (UTIs), o deputado Cairo Salim (PSD), propositor do encontro, abriu os trabalhos ressaltando a importância do Parlamento como espaço de escuta da sociedade e de discussão de temas sensíveis na área da saúde.

“Estamos aqui hoje cumprindo uma das nossas missões, que é debater, ouvir a população, ouvir os segmentos organizados da sociedade, as entidades que participam desse tema tão caro para nós, que é a saúde, seja ela pública ou privada”, afirmou o parlamentar. Ele lembrou que já apresentou proposta semelhante em 2019, aprovada pelo Legislativo, mas vetada pelo Executivo.

Salim destacou que a tecnologia já faz parte do cotidiano da sociedade e deve ser utilizada também para garantir segurança e transparência dentro das unidades de saúde. “Vivemos num 'big brother'. Olha o tanto de câmera aqui nesta sala. Como está a cidade de Goiânia agora? Há câmera para todo lado. E é assim no mundo todo”, exemplificou.

O deputado defendeu a medida como forma de proteção tanto para pacientes quanto para profissionais da saúde, citando casos em que o videomonitoramento foi essencial para esclarecer situações graves. “Por que colocar a câmera? Para prevenir abusos que podem, sim,  acontecer e já aconteceram em Goiás”, pontuou, ao mencionar o episódio de uma paciente abusada dentro de uma UTI, caso solucionado graças às imagens gravadas.

Preservar

Salim também argumentou que o recurso pode auxiliar a preservar a atuação correta de médicos e enfermeiros. “A câmera também pode ser um grande solucionador dessas demandas, ajudando os bons profissionais que estão nessas unidades de saúde, poupando-os de processos injustos.”

O parlamentar reiterou que respeita os diferentes posicionamentos sobre o tema, inclusive de entidades médicas e hospitalares, mas defendeu que a decisão sobre a obrigatoriedade cabe ao Parlamento. “Quem tem que definir isso? São os deputados. E eu acredito que essa é uma demanda importante da sociedade”, afirmou.

Ao finalizar sua fala de abertura, Cairo Salim registrou agradecimentos aos representantes presentes, como o gerente de Telessaúde, Rafael Souto, o advogado Leonardo Rocha Machado, representante da Associação dos Hospitais do Estado de Goiás (AHEG), e o médico Frank Cardoso, da Secretaria de Saúde de Goiânia, ressaltando sua disposição em conduzir o debate de forma ampla e democrática.

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AGÊNCIA BRASIL

Unicef: obesidade infantil supera desnutrição pela 1ª vez no mundo

Rio de Janeiro - Uma em cada cinco crianças ou adolescentes do mundo está acima do peso, o que representa cerca de 391 milhões de indivíduos. Quase metade delas - 188 milhões - apresenta obesidade. Com isso, pela primeira vez na história, o excesso de peso grave superou a desnutrição como a maior forma de ná nutrição infantil. Os dados são do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) que alerta para o risco de adoecemento.

Em um relatório com dados de mais de 190 países, a organização mostra que a prevalência de desnutrição entre crianças de 5 a 19 anos caiu de quase 13% para 9,2%, entre 2000 e 2025 Enquanto isso as taxas de obesidade aumentaram de 3% para 9,4%. A obesidade só não superou a desnutrição em duas regiões do mundo: a África Subsaariana e o Sul da Ásia.

No Brasil, esse já é o panorama há algumas décadas. No ano 2000, 5% das crianças e adolescentes apresentavam obesidade, contra 4% afetados pela desnutrição. Até 2022, o índice de obesidade triplicou, chegando a 15%, enquanto a desnutrição continuou caindo para 3% dessa população. Além disso, o sobrepeso dobrou de 18% para 36%.

Segundo o relatório, as maiores taxas de obesidade entre crianças e adolescentes foram encontradas em países das Ilhas do Pacífico, passando de 30%. A principal razão, segundo o Unicef, é a substituição da alimentação tradicional por alimentos ultraprocessados, que são mais baratos.  

Ultraprocessados
Mas as taxas de obesidade e o consumo de ultraprocessados também preocupam em países de alta renda, de continentes e com contextos culturais diferentes. No Chile, 27% das habitantes entre 5 a 19 anos vivem com obesidade, e a proporção é de 21% nos Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos, ou seja, 2 a cada 10.

“A obesidade é uma preocupação crescente que pode impactar a saúde e o desenvolvimento das crianças. Os alimentos ultraprocessados estão substituindo cada vez mais frutas, vegetais e proteínas, justamente quando a nutrição desempenha um papel crítico no crescimento, desenvolvimento cognitivo e saúde mental das crianças”, lamenta Catherine Russell, Diretora Executiva do Unicef.

De acordo com a organização, a mudança não se deve a escolhas pessoais, mas a "ambientes alimentares prejudiciais que estão moldando a dieta das crianças, para privilegiar alimentos ultraprocessados e fast foods", que contém altas concentrações de açúcar, amido refinado, sal, gorduras não saudáveis e aditivos. "Esses produtos dominam comércios e escolas, enquanto o marketing digital dá à indústria de alimentos e bebidas acesso poderoso ao público jovem", alerta a publicação.

Idades
O relatório mostra também que a desnutrição continua sendo uma preocupação significativa entre crianças menores de 5 anos em muitos países de baixa e média renda, enquanto o excesso de peso é mais prevalente entre as crianças em idade escolar e adolescentes.

De acordo com o relatório, a condição aumenta o risco de desenvolver resistência à insulina, pressão alta e doenças graves ao longo da vida, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer.

O Unicef calcula que, se os países não intervirem para prevenir o excesso de peso infantil,  podem enfrentar grandes impactos econômicos, por causa das consequências na saúde pública. Até 2035, o impacto econômico global do sobrepeso e da obesidade deve ultrapassar US$ 4 trilhões por ano.

Por outro lado, alguns países aparecem como exemplos positivos, incluindo o Brasil. A organização destaca: a restrição progressiva da compra de ultraprocessados no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); a vedação de propagandas de alimentos não saudáveis para crianças; a rotulagem frontal, que destaca quando um produto é rico em substâncias nocivas, como açúcar e sódio; e a proibição do uso de gorduras trans na produção de alimentos.

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MEDICINA S/A

Como as parcerias público-privadas estão ampliando o acesso aos cuidados na AL

Acho que tenho um dos melhores empregos do mundo. Isso pode soar como uma afirmação ousada, mas como alguém que trabalha na interseção de inovação e propósito, ajudando os sistemas de saúde em toda a América Latina a melhorar e expandir seu alcance, sinto isso todos os dias. No entanto, nossa região enfrenta uma realidade preocupante: cerca de 30% da população ainda enfrenta barreiras para acessar serviços essenciais de saúde. São mais de 200 milhões de pessoas que não conseguem entrar em contato facilmente com um médico quando precisam de um. E isso não é algo que qualquer organização possa consertar.

A saúde é um dos maiores dilemas para a sociedade resolver. Quer estejamos falando de infraestrutura desatualizada ou escassez de pessoal nas áreas rurais, a necessidade de ação coletiva nunca foi tão clara. A colaboração não é apenas útil, é fundamental. Na verdade, eu diria que é a chave para uma mudança duradoura.

Por que as parcerias público-privadas são importantes

Para causar um impacto real na área da saúde, não podemos olhar para iniciativas de curta duração ou melhorias isoladas. O que precisamos são soluções escaláveis criadas por diversas partes interessadas que se unem em torno de um objetivo comum. E é aqui que entram em jogo as parcerias público-privadas (PPPs).

Ao reunir representantes de todo o ecossistema de saúde – governos, empresas de tecnologia, hospitais e muito mais – as PPPs oferecem uma estrutura para o desenvolvimento em conjunto de serviços eficientes, eficazes e acessíveis. Eles não apenas fornecem ferramentas; eles entregam transformação. Quando implantadas com cuidado, essas parcerias melhoram a saúde da comunidade, coordenam o atendimento de forma mais eficaz e disponibilizam serviços para mais pessoas em mais lugares.

Os líderes de saúde estão a bordo

Esse compromisso com a colaboração se reflete em nosso relatório Future Health Index Brazil 2024. Os líderes de saúde no Brasil estão cada vez mais olhando além de suas organizações para aumentar a qualidade e a acessibilidade do atendimento em suas comunidades. Eles veem um papel claro para parcerias estratégicas para apoiar a saúde da comunidade e preencher lacunas na prestação de cuidados.

Então, com quem eles estão fazendo parceria? Muitos estão de olho em empresas de tecnologia de saúde (42%) e instituições educacionais (33%), com entidades governamentais e seguradoras/pagadoras vistas como igualmente vitais (ambas com 44%), especialmente para melhorar a pontualidade e a qualidade do atendimento. Essas parcerias ajudaram a modernizar os hospitais públicos, simplificando o gerenciamento e integrando tecnologias avançadas, aumentando a sustentabilidade financeira e elevando o atendimento.

Um exemplo disso é o surgimento de redes de tele radiologia, que permitem diagnóstico por imagem e revisão especializada a partir de locais centralizados. Em vez de depender de um único técnico ou médico em um hospital público sobrecarregado, as imagens médicas podem ser processadas remotamente por profissionais treinados. Isso é um divisor de águas para regiões remotas do Brasil, onde o acesso aos cuidados tem sido um desafio. Por meio de análise virtual e suporte de telessaúde, pacientes em áreas carentes recebem diagnósticos mais rápidos e precisos.

Destaque: a transformação diagnóstica da Bahia

Veja a Bahia, um dos maiores estados do Brasil. Com desafios de infraestrutura e escassez contínua de pessoal, o governo enfrentou lutas reais para manter os serviços hospitalares. Em resposta, eles formaram uma parceria público-privada com a Philips e um consórcio de diagnósticos. Juntos, entregamos um novo centro de radiologia centralizado e 44 equipamentos, incluindo 12 unidades de imagem em 12 hospitais. Essa iniciativa não se tratava apenas de colocar máquinas no prédio, mas de conectar equipes de especialistas com médicos da linha de frente em comunidades carentes. Com R$ 120 milhões investidos em infraestrutura e equipamentos, essa colaboração possibilitou mais de 500 mil exames diagnósticos em apenas um ano.

Na década seguinte, mais de 3.5 milhões de pessoas se beneficiaram de exames realizados por meio dessa parceria. Adoro o fato de que esse impacto começou com uma visão compartilhada de construir algo maior do que qualquer organização poderia alcançar sozinha.

Pequenas parcerias, grandes inovações

Embora as colaborações em larga escala muitas vezes ganhem as manchetes, há outro lado da inovação por meio de PPPs: as parcerias menores e ágeis que testam novos modelos e melhoram a eficiência. Esses projetos, muitas vezes combinando necessidades públicas com precisão do setor privado, são um terreno fértil para a implantação de tecnologia de ponta.

Ao emprestar estratégias de produtividade de fluxos de trabalho do setor privado e integrar os melhores sistemas da categoria em ambientes públicos, essas parcerias ajudam a ampliar ainda mais os recursos existentes. Não se trata apenas de aumentar o número de pacientes atendidos, mas também a eficácia. É aí que a mágica acontece: quando a implantação inteligente encontra o compromisso público.

Redefinindo o que o acesso realmente significa

Em última análise, as parcerias público-privadas não têm a ver com a entrega de novas tecnologias brilhantes. Trata-se de redefinir o acesso aos cuidados e colaborar para possibilitar que mais pessoas, independentemente de quem sejam ou de onde morem, obtenham os cuidados de que precisam. Como diz o ditado: se você quer ir rápido, vá sozinho. Mas se você quer ir longe, vá acompanhado.

*Felipe Basso é Diretor Geral da Philips América Latina.

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A redefinição do cuidado em saúde no Brasil passa pela IA

A área da saúde vive uma transformação concreta e em ritmo acelerado, impulsionada por soluções de Inteligência Artificial (IA) cada vez mais especializadas. Mais do que uma promessa futurista, essas tecnologias já estão redefinindo diagnósticos, tratamentos, a gestão hospitalar e, principalmente, abrindo caminho para um sistema de saúde mais acessível, preciso e sustentável.

Um dos exemplos mais impactantes é o AI Diagnostic Orchestrator (MAI-DxO), da Microsoft, que alcançou 85,5% de acurácia em diagnósticos complexos em testes controlados com 304 casos, desempenho muito superior à média de 20% entre médicos experientes em situações semelhantes, segundo publicação no New England Journal of Medicine. Modelos de IA treinados para medicina como esse demonstram um potencial disruptivo: reduzir significativamente os custos com exames complementares ao mesmo tempo em que ampliam a precisão diagnóstica. Este é um avanço especialmente valioso em regiões com acesso limitado a especialistas, onde a carência de profissionais qualificados é um desafio crônico.

A aplicação da IA já apresenta resultados relevantes em áreas como radiologia, cardiologia e urologia, atingindo até 94% de precisão na identificação de patologias específicas. Em cirurgias de alta complexidade, algoritmos já atuam para minimizar riscos e aumentar a eficiência, reforçando o papel da tecnologia como apoio à decisão médica e não como substituto.

O mercado reflete esse movimento. Segundo projeção do GlobeNewswire, o setor de IA em saúde deve crescer de US$ 21,66 bilhões em 2025 para US$ 110,61 bilhões em 2030. Mais do que uma tendência, trata-se de um imperativo estratégico: 94% das organizações de saúde já veem a IA como essencial para suas operações, e 86% utilizam essas ferramentas extensivamente, de acordo com estudo da SS&C Blue Prism.

No Brasil, o cenário começa a avançar. A TIC Saúde 2024 mostra que 17% dos médicos já utilizam IA generativa, enquanto um levantamento da Anahp com a ABSS aponta que 62,5% dos hospitais privados pesquisados aplicam IA em suas rotinas. A adesão ainda é incipiente, mas a curva é positiva, impulsionada pela busca por eficiência e melhoria no atendimento.

Na prática, a IA especializada já tem transformado não apenas o diagnóstico clínico, mas toda a jornada do cuidado. Em projetos estratégicos, já foram implementadas soluções que otimizam a gestão hospitalar, integram assistentes inteligentes e personalizam tratamentos com base em análises genômicas, entregando ganhos concretos em tempo, precisão e experiência do paciente.

É essencial reforçar que a IA é uma aliada estratégica, não um substituto. Sua função é potencializar a atuação médica, liberando os profissionais de tarefas repetitivas para que possam se concentrar em análises clínicas mais complexas e em um cuidado mais próximo e humano. A colaboração entre a expertise humana e a capacidade analítica da IA é o caminho para um sistema de saúde mais robusto.

Mais do que adotar tecnologia, o setor de saúde brasileiro precisa avançar em mentalidade e cultura. Integrar a IA de forma estratégica é o caminho para reduzir desigualdades no acesso à saúde, otimizar recursos e oferecer um cuidado mais eficiente e empático em todas as regiões do país. A pergunta que precisa ser feita é: “como a inteligência artificial pode ampliar a capacidade de cuidado e transformar a experiência do paciente, garantindo um futuro mais equitativo e inovador para a saúde brasileira?”. É essa integração inteligente e humana que guiará o futuro da saúde no Brasil.

*Jefferson Sá é Diretor de Inovação da V8.Tech.

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SAÚDE BUSINESS

Verdade inconveniente: setor de saúde ainda venera o papel

ESG e a inconsciência coletiva.

Considerando o número nacional de internações em 2021, cerca de 19 milhões (SUS e Saúde Suplementar), o setor hospitalar nacional consome, apenas no eixo das internações, cerca de 1,34 bilhão de folhas de papel A4, a um custo aproximado de R$ 340 milhões (podendo ultrapassar 1,73 bilhão). Mesmo com todos os ativos computacionais em uso (desktops, notebooks, smartphones, impressoras, redes de interconectividade, sistemas e aplicações setoriais e/ou hospitalares, IA, etc.) a cadeia hospitalar ainda se vê obrigada a gerar, armazenar e distribuir quase “40 páginas diárias por cada paciente internado”.

Da ‘documentação de entrada’ do paciente (RG, Carteira de Trabalho, CPF, Cartão e guia do Convênio, Prescrições, Laudos, Avaliação pré-anestésica, termos de consentimento, etc.) à ‘documentação intrínseca do hospital’ (AIH, prontuário do paciente, anamnese, evolução diária, prescrições médicas, avaliação pré-anestésica, relatórios cirúrgicos, resumo de alta, dados de catering, etc.), o setor consome só nas internações cerca de 134 mil árvores ao ano, sem falar, é claro, de outro brutal volume de papel gerado pelo back-office de cada entidade, que aqui não está contabilizado.

Mais de 6 mil hospitais nacionais, com poucas exceções, gravitam na quintessência cultural do setor: se puder imprimir ou copiar, faça-o. Abarrote os andares, acumule os SAMEs, lote as gavetas, escaninhos, empanturre aquelas pastas do século XIX (pretas, enormes, que acomodam uma centena de páginas) e mapeie a localização para as necessidades mais bizarras (incêndios, roubo de prontuários, má-fé de funcionários, enxurradas, etc.). Sim, claro, o judiciário pode solicitar nas ações em curso, e como ele, em geral, também ama o papel, não adianta armazenar em arquivos digitais…

Dois modelos de IA generativa, bem municiados com informações de 2021 (múltiplas fontes, mas todas confiáveis), realizaram essa pesquisa em pouco mais de 3 horas (sem papel). Certamente que o volume de sulfite consumido em internações tem múltiplos motivos, dos mais insubstituíveis (regulações, legislação, compliance, etc.), passando pelos mais ultrapassados (insegurança dos dados digitais, base de informações não-confiáveis, questões de interoperabilidade, legado de registros perdidos, etc.) até chegar aos mais arriscados e discutíveis motivos (medo da inovação, zonas de conforto, baixa hierarquia em transformação digital, manutenção do Poder, etc.).

A questão ESG é relevante, mas não é única. A inconsciência coletiva é pior.

Mais da metade de todo papel que circula dentro das empresas de saúde não tem nenhuma utilidade, pelo contrário: tem custo alto, desperdiça tempo e gera uma enorme precariedade operacional. Um paciente que precisa realizar um exame de imagem, e se dirige a um dos dez mais importantes laboratórios de análises clínicas do país, gera mais de 8 folhas de papel, incluindo cópias, impressões de docs, questionários preenchidos à mão, ticket de senhas, laudos, etc. Metade desse montante é por força de regulação e segurança do paciente, o resto é de uma inutilidade atroz. Cada folha de papel consome em média 30 segundos de recursos humanos. Na entrada da unidade de coleta dos exames, existem 10 baias de atendimento, com seus respectivos atendentes. Atrás deles, três gigantescas máquinas copiadoras emitem, sem parar, cópias de tudo aquilo que os atendentes registram de cada paciente.

Na sala de espera, mais de 60 pacientes aguardam, em média, de 30 a 40 minutos para chegarem aos pés do atendente (ainda longe das salas de coleta ou ultrassonografia). Como toda essa operação é orquestrada, todos são avisados a chegar pelo menos 30 minutos antes da hora agendada. Os pacientes aguardam sentados ou em pé, sempre utilizando seus smartphones para distração, irritação ou para comunicar alguém que está tudo atrasado. Enquanto isso, milhares de folhas de papel são geradas incessantemente, a maioria sem nenhuma razão (por que o paciente precisa levar para casa uma cópia dos exames que ele mesmo solicitou?).

Todos os atendentes zelosos e solícitos sentados nas bancadas não estarão mais lá em menos de dois anos. Serão substituídos por “agentes-artificiais”, embarcados em modelos de IA. Todavia, é muito provável que as mesmas copiadoras continuem vomitando cópias, agora, solicitadas pelos Agentes. Isso só revela uma relação de “papel-dependência”, ou até de veneração entre o setor de saúde e o papel. São inseparáveis.

Apesar dos avanços nos Registros Eletrônicos de Saúde (RES), ou da crescente usabilidade da gestão digital de pacientes, a grande maioria dos hospitais e clínicas ainda dependem dos fluxos de trabalho em papel, como admissão de pacientes, gestão de consentimento, laudos clínicos, etc. A “carga papelocrática” do paciente na entrada da internação traz morosidade ao processo, preenchendo vários formulários em papel até chegar ao leito. As equipes clínico-administrativas ainda inserem manualmente muitos dados, aumentando não só o tempo de processamento quanto a possibilidade de erros. Papéis são extraviados, esquecidos, duplicados, triplicados, exigem o dobro de esforço na tomada de decisão. Sem falar que um paciente internado é obrigado a repetir seus dados várias vezes pela baixa integração dos sistemas ou pelas “camadas empilhadas de comando”, sem que ninguém saiba bem quem manda ou quem obedece. Na dúvida, crie mais um registro em papel, ou imprima, copie ou mesmo faça anotações auxiliares em todos os cantos do documento. Sistemas baseados em papel não garantem a continuidade assertiva dos cuidados, mas fornecem álibis, “provas” ou defesas em caso de desconfiança de que “a minha papelada é mais importante que a sua”.

A praga mais comum e antiga são os ‘formulários de consentimento’, em geral exigidos por forças advocatícias que protegem os hospitais de seus pacientes. Por outro lado, a legibilidade de um documento em papel é um oásis para o erro, confusão e repetição. Não importa quem escreve: pacientes, médicos, enfermagem, familiares, etc. É provável que um bom “investigador de escritos” seja sempre requisitado, aquele funcionário que se acostumou a decifrar letras e garranchos em qualquer papel de circulação. Os Registros Clínicos em papel ainda se expandem por milhares de hospitais e clínicas do país. Mesmo que digital, a cópia em papel sempre parece necessária ao fluxo hospitalar. Trata-se de uma inconsciência tóxica e persistente. Um modo de ver as tarefas sob a ótica copista. 

Dados da pesquisa TIC Saúde 2024, mostram que mesmo com registros eletrônicos em 92% dos estabelecimentos no Brasil, cerca de 55% das informações dos pacientes ainda são mantidas simultaneamente em papel e meio eletrônico, sendo que 6% só em papel (apenas 37% dos estabelecimentos registram as informações nos prontuários dos pacientes unicamente em formato digital).

Mas não é só no Brasil, o mundo inteiro ainda tem uma formidável admiração pela papelaria informacional. Segundo relatório “2024 CAQH Index Report”, nos EUA, dos chamados “clinical attachments” (laudos, prontuários anexados, autorizações, etc.) apenas 32% são trocados de forma eletrônica; sendo que 68% ainda são transmitidos via telefone, correio, fax ou e-mail (não há uma padronização federal). Além disso, na ‘autorização prévia’, o telefone é o método mais comum e só 23% dos médicos dizem que seu EHR fornece autorização eletrônica para prescrições (o resto recorre a fluxos manuais, segundo a American Medical Association em 2024).

O Reino Unido e seu formidável sistema público de saúde (NHS), ainda luta arduamente contra a papelaria clínico-assistencial. Uma das prioridades do atual governo para o NHS England é incentivar a força de trabalho a reduzir a enorme circulação de papel que ainda navega pelo oceano de suas instituições. Treinar, treinar e treinar é a forma como o NHS pretende reverter esse quadro. O sistema britânico ainda “luta nas trincheiras do paperless”: em muitas áreas os registros médicos continuam em papel, mesmo com “90% dos fundos fiduciários do NHS (e fundos fiduciários de outras entidades) determinarem que até dezembro de 2023 todo e qualquer registro médico deveria ser só digital (95% até março de 2025)”. A sanha de um século de papel-hospitalar talvez precise de outro século para desaparecer.

Dados indicam que cartas atrasadas enviadas pelo correio são responsáveis ​​por 25% das consultas hospitalares perdidas no Reino Unido, incluindo consultas críticas, planos de tratamento e resultados de exames (a maioria depende ainda de selos postais). Listas de espera do NHS, que chegaram a 9,7 milhões de pessoas em 2024, ainda dependem de atrasos de notificações pelo correio (fonte: Escritório de Estatísticas Nacionais). Na rica Alemanha, mesmo após a obrigatoriedade em 2024 do E-Rezept (prescrição eletrônica), de 10 a 20% das receitas médicas ainda continuam sendo impressas em papel. No Canadá, perto de 29% dos médicos compartilham resumos clínicos de forma eletrônica, o restante depende de meios jurássicos, como fax.

Na Índia, a intervenção governamental passou a ser decisiva. Somente em 2019 foi inaugurado um hospital totalmente sem-papel (Instituto Sardar Vallabhbhai Patel de Pesquisa e Ciências Médicas), cujos médicos agora utilizam tablets em vez de pranchetas e esferográficas. No último mês de julho de 2025, um dos maiores hospitais acadêmicos do país, localizado em Belagavi (cerca de 600 mil habitantes), o KLES Dr. Prabhakar Kore Hospital (2000 leitos), anunciou dados extraordinários: o hospital utiliza cerca de 12,5 milhões de páginas de papel anualmente, o que significa mais de 1500 árvores sintetizadas todos os anos em folhas sulfite. Um colossal projeto foi iniciado para reduzir esse fardo, mas o curioso é que o hospital é um dos mais digitalizados da Índia, mostrando que a transformação digital por si só não garante o desuso do papel.

No final do século passado, a assistência residencial anunciou o “home care hospital”. A desospitalização, no início dos anos 2010, instituiu o “hospital sem tijolos” e a Covid-19 forjou o “hospital sem paredes”. Mas, quase meio século depois do início da digitalização hospitalar, o “hospital sem papel” (paperless) insiste em resistir bravamente à veiculação dos meios digitais, mesmo com cada indivíduo tendo seu celular como dispositivo cativo. Não se trata de eliminar o papel por “fadiga existencial”, ou apenas pela conveniência com práticas de sustentabilidade ambiental (ESG). Nada disso. Em muitos casos, a folha solta, física e escriturada a mão tem o seu lugar. O que atrapalha é o “vício papelocrático”, onde se imprime e se fotocopia por metodologia, por regramento infundado, por insegurança ao meio digital, ou simplesmente devido ao fato de: “por via das dúvidas, vamos deixar uma cópia”.

Um exemplo são as reuniões gerenciais/executivas, em que a pauta e os documentos (clínicos ou administrativos) a serem discutidos são previamente enviados por meio digital. Todavia, na data do encontro, todos levam uma cópia de tudo para “facilitar o debate”, isso quando os próprios protagonistas do encontro não deixam as cópias na mesa de reunião (“precisamos ganhar tempo”). Essa cólera burocrática inunda os ambientes assistenciais, que passam a ser reféns da cópia em papel.

A responsabilidade transcende a cadeia de saúde: o paciente é tanto ou mais culpado (ou refém) da papelada. No Brasilestima-se que o consumo de papel por habitante seja de 50kg ao ano (fonte: PWC), o equivalente a quase uma árvore e meia de eucalipto (ou 10 mil-folhas de sulfite tamanho A4). As embalagens são hors-concours (mais de 60% de tudo o que é consumido), seguida dos materiais de suporte laboral (cadernos, folhas A4, blocos de notas, agendas, registros e uma infinidade de itens), ou seja, todo e qualquer material escriturário, que engole 25% de toda a celulose produzida. A consultoria Gartner também dá seu pitaco na algazarra papelatória: “em todo o mundo, aproximadamente 3% do lucro das empresas é destinado a papel, impressão, armazenamento e manutenção de documentos”. Além disso, ela especifica: 50% dos desperdícios das empresas são em papel (de acordo com Water Footprint Network, uma única folha de papel consome em sua produção cerca de 10 litros de água).

Você pode duvidar, mas nenhuma organização de saúde no Brasil, ou nos principais países do mundo, ainda prescinde do carimbo, que nasceupara validar o papel. Por exemplo:nosso Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) estabeleceu em maio de 2017 aResolução nº 545/2017que define as normas para o uso do carimbo pelos profissionais de Enfermagem. Muitos outros documentos circulantes nos sistemas de saúde são dependentes de carimbo, como as Operadoras de Saúde, que exigem “carimbo do médico” em pedidos e relatórios.

carimbo é mais antigo do que as múmias egípcias, mas seu uso nas instâncias de saúde ainda é febril. Na China, por exemplo, todos os “documentos de prova médica” exigem carimbo e selo oficial da instituição, sendo uma parte obrigatória do processo (além da assinatura do médico). O órgão máximo chinês na saúde (NHC – National Health Commission of the People’s Republic of China) determinou em janeiro de 2024 que cada documento tenha “carimbo” e que haja ‘gestão específica’ do uso deles (seja lá o que isso signifique). Na Índia, o Guia Oficial (2024) exige assinatura e carimbo do médico ou do hospital nos encaminhamentos/autorizações (CAPF). Na Indonésia, o mesmo: regulamento federal (MoH 2024) requer carimbo da unidade de saúde em qualquer cópia de prescrição e prontuário médico (mesmo eletrônico). Mesmo na Coreia do Sul, esfinge da transformação digital, há exigênciade carimbo oficial do hospital em resultados de exames desde 2023. Lembre-se: onde há carimbos, há milhões de toneladas de papel. Um não existe sem o outro.

Em 2006, Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA, lançou o documentário “An Inconvenient Truth” (Uma Verdade Inconveniente), um filme que alertava sobre a crise do aquecimento global e os impactos das atividades humanas no planeta. A obra desmistificava o tema, apresentando dados científicos para mostrar a urgência de ações individuais e coletivas para salvar o mundo. Vinte anos depois do documentário, as emissões globais de CO saltaram de 29 giga-toneladas/ano para 37,8 (2024), um recorde histórico. 2024 foi também o ano mais quente desde 1850, com +1,29 °C acima da média do século XX. Só nos EUA, o complexo de saúde gera quase 1 milhão de toneladas de papel/ano, respondendo por quase “um quarto de todo o lixo hospitalar”.

No fim dos anos 1990, ainda mergulhávamos ‘rolos de filme em banhos químicos para revelar milhões de fotografias em papel glossy’ (brilhante e caríssimo: uma única folha custava o mesmo que 23 folhas de sulfite comum). Duas décadas depois, captamos bilhões de imagens por dia, cada uma já parida em bits, sem exigir uma única grama de celulose. O digital alterou a cultura e o comportamento humano na captação de imagens, além de reinventar a memória coletiva. Nos hospitais, entretanto, a impressora laser ainda dita as regras do plantão (receitas, etiquetas, laudos, prontuários, autorizações, etc.) e o toner dita o ritmo. A verdade inconveniente não é o uso do papel na Saúde, mas o desuso da inteligência em estratificar a sua utilidade. Ter consciência é frequentemente uma condição temporária. Não desistir dela é o que nos torna conscienciosos, aqueles que são diligentes, atentos e que percebem, de súbito, a angústia do inconsciente coletivo.

Guilherme S. Hummel
Head Mentor – EMI (eHealth Mentor Institute)

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TV ANHANGUERA

Paciente fica ferido após incêndio durante ressonância

https://g1.globo.com/go/goias/videos-ja-1-edicao/video/paciente-fica-ferido-apos-incendio-durante-ressonancia-13917255.ghtml

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FUTURO DA SAÚDE

A nova experiência do paciente com a digitalização da saúde

Na era digital, a jornada do paciente se torna híbrida. Criar espaços e estratégias para ouvi-lo é fundamental para que tal experiência seja aprimorada

Dentre as várias transformações em andamento da saúde, uma delas envolve a experiência do paciente. Com mais tecnologia e dados à disposição, a jornada do paciente virou foco não apenas do ponto de vista do cuidado, mas desde o primeiro contato com o serviço de saúde até o pós-atendimento. Ao organizar a navegação e zelar por todos os pontos de contato, a própria qualidade dos serviços aumenta - assim como se amplia o engajamento dos pacientes.

Esse foi o tema do novo episódio do Pensando no Futuro, que ouviu Claudia Garcia, diretora do escritório de excelência do Einstein, e Flávia Camargo, diretora de experiência em saúde da organização. As especialistas abordaram estratégias para equilibrar uma boa experiência do paciente e a excelência no cuidado prestado, formas de garantir a participação ativa do paciente na construção dessa experiência e a relevância de ter uma equipe integrada e focada na excelência da jornada.

Essa nova fase anda lado a lado com a evolução da tecnologia. Afinal, hoje o paciente está a alguns cliques de distância de aplicativos que centralizam agendamentos, exames e facilitam o contato com o time de saúde. Mesmo a jornada presencial em um hospital de ponta já está digitalizada, através de totens para check-in antecipado e triagem, ferramentas avaliativas pós atendimento e tantos outros recursos.

Mais do que uma simples transformação do analógico para o digital, o momento é de uma transformação de comportamento, reflete Camargo. A maneira como as pessoas se relacionam com a própria saúde e com os serviços de saúde não é mais a mesma de décadas atrás. E entender essa nova dinâmica é um ponto central para desenhar uma jornada de cuidado que seja satisfatória para o paciente.

"Cada um de nós cuida da nossa saúde 365 dias no ano. Não é quando a pessoa vai ao hospital que ela está cuidando da sua saúde. Ali é um momento de cuidado", pondera a diretora de Experiência em Saúde. "Nosso desafio, como time de experiência, é entender comportamento, entender pessoas, para então escolher as melhores tecnologias."

Essa movimentação do paciente e do seu entorno tecnológico demanda também uma mudança interna das instituições. Mas, segundo Garcia, é uma realidade que veio para ficar: "A gente vem se moldando, aprendendo, e descobrindo como utilizar essas tecnologias para a melhoria da saúde de todos."

Novo paciente, novas demandas

O novo paciente apresenta um perfil mais inovador e disruptivo do que se tinha até então. Ele é mais bem informado, ativo no próprio cuidado, e se apoia em tecnologias de suporte como os wearables e ferramentas de inteligência artificial. O paciente do Século XXI busca agilidade, compartilhamento das decisões sobre a sua saúde, respeito e uma relação mais harmoniosa com o seu time de cuidados.

Diante desse cenário, tão importante quanto estimular o letramento desse paciente, é também oferecer suporte para que o profissional de saúde esteja preparado para atendê-lo, como explica Camargo: "Quando a gente modela alguma solução, a gente também tenta entender qual é o impacto para a prática do profissional."

Ela cita como exemplo o fato de que, graças à agilidade do digital, é comum que o paciente tenha acesso ao resultado dos exames antes mesmo do médico, o que pode provocar uma situação mais estressante do que benéfica. "Temos que modelar isso de uma forma em que a jornada seja fluida, transparente, mas também não gere um desconforto no processo do atendimento."

Apesar de a nova geração ter nascido inserida nesse contexto digital, é preciso olhar também para os profissionais que se formaram em um mundo ainda analógico e encontrar estratégias para trazê-los para essa nova realidade, defende Garcia. Por isso, em sua visão, um dos principais desafios atuais da gestão é construir um sistema mais tecnológico ao mesmo tempo em que remodela a capacitação dos profissionais, de maneira simultânea.

"Essas tecnologias estão entrando em todas as dimensões, não só assistencial, mas também para trazer os médicos para esse universo de formas e linguagens de maneira que eles também se sintam confortáveis e não olhem para a tecnologia como algo ameaçador, mas como uma aliada", aponta Garcia.

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Judicialização da saúde segue em alta e governo busca soluções

Mesmo após decisão do STF, país já soma mais de 380 mil novas ações em 2025. Somente em julho, mais de 60 mil processos foram ajuizados

judicialização da saúde responde em média por 33% dos gastos em medicamentos no país, conforme pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em 2024, foram gastos cerca de R$3,2 bilhões no cumprimento de decisões judiciais pelo Ministério da Saúde. Nesse sentido, representantes do executivo e do judiciário defendem iniciativas para conter a judicialização excessiva, bem como estratégias de aproximação entre os processos de registro, precificação e incorporação de medicamentos.

Com o intuito de regulamentar o tema e diminuir os impactos, em outubro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu critérios mais rigorosos para a concessão de medicamentos por via judicial. Entre eles a obrigatoriedade de incorporação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) e apresentação de evidências científicas. No entanto, após quase um ano da decisão, a medida ainda não gerou efeitos significativos para a redução da judicialização.

Segundo dados do Painel de Estatísticas Processuais de Direito à Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), até julho de 2025 houve o ingresso de mais de 383 mil novas ações. Destas, mais de 60 mil foram ajuizadas somente em julho deste ano. Em comparação ao primeiro semestre de 2024 a quantidade de novos processos diminuiu 5,5% para casos que envolvam a saúde pública. Contudo, a saúde suplementar registrou um aumento de quase 7% nesse período.

Um dos principais motivos apontados pelo Executivo para o constante aumento de processos judiciais na saúde é a litigância abusiva. A situação ocorre quando o direito de ação é usado de forma distorcida ou desleal, com o objetivo de obter vantagens indevidas, tumultuar o Judiciário ou fraudar o sistema de justiça. Durante evento realizado em Brasília na terça-feira, 9, representantes do governo apontaram que muitas vezes a judicialização tem se tornado uma ferramenta comercial de venda alternativa pela indústria farmacêutica.

O secretário executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, reconhece que parte do problema se deve a problemas estruturais do sistema de saúde e o direito da sociedade de acionar a justiça. No entanto, avalia que o cenário atual se tornou excessivo e abusivo. "Vemos isso como uma estratégia comercial da indústria para introduzir medicamentos de altíssimo custo que são desenvolvidos em uma velocidade exponencial. Precisamos proteger o SUS dessa litigância abusiva que afeta o orçamento público e a nossa capacidade de entregas", avalia o secretário.

Desse modo, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) têm destinado esforços para combater a prática. Em março deste ano o STJ definiu que os juízes podem pedir informações complementares para comprovar a legitimidade da ação. Além disso, uma resolução do CNJ de outubro de 2024 também estabeleceu medidas para a identificação, o tratamento e a prevenção da litigância abusiva no Judiciário.

"Se tem uma área que a gente não pode permitir a litigância abusiva é a saúde. Estamos falando de um bem fundamental e que não pode ser objeto de fraude de forma nenhuma. Estamos colocando todos os nossos centros de inteligência do país para identificar esse uso abusivo. O sistema de justiça não pode deixar espaço para ser utilizado indevidamente", afirmou a conselheira do CNJ, Daiane de Lira.

Integração do registro, precificação e incorporação

Outro mecanismo para combater a judicialização na saúde defendido pelos especialistas no evento é a aproximação das etapas do ciclo de avaliação de medicamentos, como a integração dos processos de registro e precificação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a incorporação pela Conitec. Uma opção considerada pelos representantes do governo como positiva é a revisão das regras de precificação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

A proposta, que passou por consulta pública e está em fase de análise das contribuições, tem como objetivo trazer maior transparência e atualizar os ritos procedimentais que as empresas devem adotar junto ao órgão. Para diminuir o intervalo da avaliação de medicamentos, a normativa traz como novidade a obrigatoriedade da apresentação do pedido de preços 60 dias após o registro na Anvisa.

"A necessidade de encurtar os prazos foi uma das questões debatidas e trazidas nos acordos decorrentes da decisão do STF. A gente precisa ter o registro mais próximo da precificação e mais próximo do processo de incorporação para evitar essa via alternativa pela justiça de fornecimento de medicamentos", explica a diretora da Anvisa, Daniela Marreco.

Outras alternativas consideradas são o aumento na transparência dos dados para o fomento de acordos de compartilhamento de risco, bem como o fortalecimento da capacidade de negociação do setor público. "Precisamos aumentar a ambição da indústria de negociar com o poder público. A judicialização é um cenário que dificulta e traz um custo muito maior de aquisição de quando as compras são feitas de forma regular", aponta a secretária adjunta do Ministério da Fazenda, Ana Maria Melo Netto.

Plataforma Nacional de Medicamentos

A decisão do STF também exige que seja criada uma plataforma nacional para centralizar demandas envolvendo o acesso e aquisição de medicamentos pelo SUS. A criação do sistema é considerada como crucial para facilitar a análise, a resolução administrativa dos pedidos e o controle judicial. Ainda em fase de desenvolvimento, a ferramenta será gerida em governança colaborativa pelo CNJ, Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais de saúde, sociedade civil organizada, Ministério Público, Defensoria Pública e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

De acordo com o juiz auxiliar do STF, Diego Viegas Veras, a plataforma será um BI de dados com diferentes perfis de acesso e deve respeitar os limites da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Conforme Veras, o sistema é importante para permitir uma visão abrangente das políticas públicas, além de tornar a decisão judicial mais próxima da realidade. "Agora vamos poder saber quantos medicamentos estão sendo pedidos e qual o valor realmente está sendo pago. Por força de decisão judicial alguns medicamentos estão sendo comprados por preço dez vezes mais caro do que em uma compra regular. Esse é um gargalo que podemos enfrentar", diz o magistrado.

A ferramenta estará integrada e interoperável com os sistemas públicos de saúde como a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), atas de registro de preços, estoques de medicamentos, entre outros. Também contará com dados da análise de incorporação da Conitec, Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), registros da Anvisa e processo de precificação da CMED. O sistema também tem sido articulado com o Conselho Federal de Medicina (CFM) para poder ser acessado por profissionais de saúde e conter informações dos médicos prescritores.

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PORTAL CÂMARA DOS DEPUTADOS

Ministro da Saúde detalha aumento das despesas e pede mais recursos para a Pasta

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, manifestou aos parlamentares da Comissão Mista de Orçamento a sua preocupação com algumas despesas que cresceram e que não estão no Orçamento deste ano. Ele foi à comissão para atender uma regra que estabelece prestação de contas quadrimestral ao colegiado (Lei Complementar 141/12).

O ministro citou o custo do programa Farmácia Popular, que passou de R$ 2,2 bilhões em 2022 para R$ 6 bilhões neste ano. Ele explicou que houve um aumento da lista de medicamentos gratuitos e a distribuição de fraldas geriátricas. Segundo Padilha, são 60 milhões de fraldas por mês.

Também o programa Agora Tem Especialistas, criado recentemente, não tem todos os recursos necessários. O ministro pediu a colaboração dos parlamentares com o remanejamento de emendas orçamentárias de bancadas estaduais e de comissão para ações como a contratação de carretas e de mutirões de procedimentos especializados; além da aquisição de veículos de transporte, como ambulâncias.

"Às vezes, um recurso de emenda de comissão já está na ata para colocar R$ 1 milhão na cidade. Em vez de botar R$ 1 milhão no fundo municipal, no fundo estadual, você transformar isso numa carreta que fique lá um mês, dá até um protagonismo maior para o parlamentar, para a ação da comissão", disse.

Renato Araújo/Câmara dos Deputados Mauro Benevides Filho sugeriu aumento das emendas obrigatórias para saúde, de 50% para 65%

Decisões judiciais

A terceira fonte de pressão de gastos, segundo Alexandre Padilha, é o cumprimento de decisões judiciais para a compra de medicamentos e realização de procedimentos de média e alta complexidade. O total passou de R$ 1,5 bilhão em 2022 para R$ 2,5 bilhões neste ano.

Apesar do aumento das demandas, o ministro disse que houve um crescimento de 75% na aplicação mínima em saúde entre 2022 e 2025. Para 2026, são R$ 245,5 bilhões. Ainda assim, Padilha afirmou que o país aplica 4,5% do PIB em saúde enquanto países desenvolvidos da OCDE aplicam 7,4%.

Emendas obrigatórias

O deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE) disse que vai propor que a destinação obrigatória das emendas orçamentárias parlamentares para a saúde passe de 50% para 65%. "Apesar da crítica que isso é muito centralizado e a emenda tenta dar essa descentralização, mas eu acho que o parlamentar ainda consegue visualizar melhor esses lugares onde ainda falta uma intervenção mais precisa", afirmou.

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Assessoria de Comunicação        

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