CLIPPING AHPACEG 13/01/26
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Ahpaceg divulga indicadores assistenciais dos hospitais associados
https://medicinasa.com.br/ahpaceg-indicadores/
Por que o compliance é um ativo estratégico na saúde brasileira
https://medicinasa.com.br/compliance-ativo-estrategico/
Riscos psicossociais na NR-1: um passo necessário e ainda distante
https://medicinasa.com.br/riscos-psicossociais-nr-1/
Saúde 5.0 e o desafio de humanizar a tecnologia
https://medicinasa.com.br/saude-5-0-desafio/
Simego anuncia paralisação e manifestação de médicos credenciados à SMS de Goiânia
Sindsaúde convoca para manifestação contra fechamento da urgência do Cais Cândida de Morais em Goiânia
Goiás implanta rodízio entre hospitais de urgência para combater superlotação
https://www.youtube.com/watch?v=-H5L4jr_BRk
Goiás registra mais de 16 mil eventos adversos na saúde em 2025 e entra em alerta nacional
https://ohoje.com/2026/01/12/estado-registra-mais-de-16-mil-adversos/
MEDICINA S/A
Ahpaceg divulga indicadores assistenciais dos hospitais associados
A Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) tornou públicos os primeiros indicadores assistenciais e operacionais consolidados de seus hospitais associados. A divulgação marca o início do projeto Indicadores Ahpaceg, uma iniciativa inédita no setor privado goiano que passa a oferecer à população, aos planos de saúde e aos gestores um conjunto de informações objetivas sobre qualidade, segurança e eficiência da assistência hospitalar.
O projeto conta com apoio técnico da NCI Innova, empresa de transformação digital com atuação no segmento hospitalar, e nasce de uma pergunta central que acompanha a Ahpaceg desde sua criação, em 2003: como medir, de forma objetiva e comparável, a segurança do paciente e a qualidade do cuidado prestado?
Diante dessa necessidade, foi consolidada a parceria entre a Ahpaceg e a NCI Innova com vistas a reunir os dados assistenciais, de recursos humanos e financeiros dos hospitais e clínicas associados. Os índices divulgados são referentes ao segundo semestre de 2025 e trazem a média das instituições associadas participantes do projeto.
A partir de 2026, o projeto será ampliado com a inclusão dos indicadores das áreas de farmácia, nutrição, oftalmologia e segurança e qualidade em pronto-socorro da rede associada.
O presidente da Associação, Renato Daher, destaca que a divulgação trimestral dos indicadores permitirá a construção de uma série histórica consistente, capaz de apoiar análises, comparações e decisões na área da saúde.
“Nosso objetivo também é oferecer informações claras para que a população possa escolher, de forma consciente, onde deseja ser atendida com qualidade e segurança”, afirma.
Benefícios
Além de oferecer um referencial inédito aos usuários e compradores de serviços de saúde, como planos e operadoras, a divulgação sistemática dos indicadores traz ganhos diretos para os próprios hospitais. Entre eles estão maior transparência e prestação de contas, estímulo à melhoria contínua da qualidade e da segurança do paciente, benchmarking e aprendizado coletivo entre instituições, fortalecimento da credibilidade institucional e apoio à tomada de decisão e à formulação de políticas de saúde.
O monitoramento dos indicadores também contribui para o atendimento a exigências regulatórias e processos de acreditação, valoriza o papel da alta complexidade no sistema de saúde e estimula uma cultura de dados e de responsabilidade clínica.
Indicadores da Rede AHPACEG
Os dados/metas usados como referência são da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) – 2017.
Taxa de Ocupação: 78%
Indica a utilização dos leitos operacionais proporcionando uma gestão eficiente do hospital.
Meta: 80% a 85%
Média de permanência hospitalar (MP): 2,64 dias
Indica o tempo médio de internação dos pacientes. Quanto menor a permanência, maior tende a ser a eficiência no uso dos leitos, desde que mantida a qualidade assistencial.
Meta: 5,3 dias
Índice de giro de leitos (IGL): 6,41
Mede quantas internações ocorrem em um mesmo leito ao longo do período. Está diretamente relacionado à média de permanência: internações mais curtas aumentam o giro, enquanto permanências mais longas reduzem a rotatividade.
Média de permanência na UTI adulto: 6,88 dias
Reflete o tempo médio de internação em terapia intensiva. Em hospitais de alta complexidade, a variação é esperada conforme a gravidade dos casos, o perfil clínico dos pacientes e os protocolos assistenciais.
Meta: até 5 dias
Taxa de conversão do pronto-socorro para enfermaria/apartamento: 8,41%
Mostra a proporção de atendimentos no pronto-socorro que evoluem para internação em leitos clínicos, ajudando a compreender o perfil assistencial e a eficiência do fluxo.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de conversão do pronto-socorro para UTI: 1,69%
Indica a parcela de pacientes atendidos no pronto-socorro que necessitam de terapia intensiva, refletindo a gravidade dos casos e o uso de recursos críticos.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de mortalidade institucional (≥24 horas): 1,78%
Expressa o percentual de óbitos após 24 horas de internação. Deve ser analisada com ajuste de risco e comparada apenas com hospitais de perfil semelhante.
Meta: <3% (Anvisa, 2018)
Taxa de mortalidade operatória/cirúrgica (até 7 dias): 0,32%
Mede óbitos após procedimentos cirúrgicos e avalia critérios de cirurgia segura, variando conforme porte, risco e tipo de cirurgia.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de pacientes com identificação adequada: 98,88%
Indicador de segurança do paciente alinhado às metas internacionais, essencial para prevenir erros de medicação, exames, transfusões e procedimentos.
Meta: de 90% a 100%
Taxa de pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos: 68,06%
Caracteriza o perfil assistencial dos hospitais e auxilia no planejamento de recursos, avaliação de produtividade e análise de risco.
Sem meta. Depende da característica do hospital
Taxa de infecção de sítio cirúrgico em cirurgia limpa: 0,53%
Indicador clássico de qualidade assistencial. Resultados abaixo de 1% são considerados de excelente desempenho.
Meta: quanto menor, melhor.
Densidade de erro na administração de medicamentos: 0,34
Expressa o número de erros por mil pacientes-dia ou mil doses administradas e avalia todas as etapas do processo medicamentoso.
Não existe um valor de referência único ou um “benchmark” nacional oficial para a densidade de erro na administração de medicamentos no Brasil.
Incidência de lesão por pressão: 1,47
Mede o risco de o paciente desenvolver nova lesão por pressão durante a internação, com foco no paciente.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de lesão por pressão: 0,34%
Avalia a frequência de lesões ao longo do tempo de internação, sendo complementar à incidência.
Meta: quanto menor, melhor.
Incidência de quedas: 0,85
Indica o risco de o paciente sofrer queda durante a internação.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de quedas: 0,21%
Mede a frequência de eventos de quedas no período, complementando a análise do risco assistencial.
Meta: quanto menor, melhor.
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Por que o compliance é um ativo estratégico na saúde brasileira
Falar de compliance na saúde não é apenas discutir normas, códigos de conduta ou exigências regulatórias. É tratar, antes de tudo, de confiança, de segurança do paciente e de sustentabilidade dos negócios. Em um ambiente onde decisões comerciais impactam diretamente vidas humanas, a integridade deixa de ser uma virtude abstrata e passa a ser um ativo estratégico essencial.
A cadeia de valor da saúde é complexa, profundamente interdependente e repleta de distorções, como as retenções de faturamento, as glosas e até a inadimplência. Fabricantes, distribuidores, profissionais de saúde, hospitais e pacientes estão conectados por escolhas que precisam ser técnicas, transparentes e éticas. Quando interesses particulares, especialmente financeiros, se sobrepõem ao interesse maior, que é a saúde do paciente, essa cadeia se fragiliza. E, quando a integridade é violada, o dano não é apenas reputacional: ele é estrutural.
Ainda persiste no mercado a falsa ideia de que compliance seria um obstáculo ao crescimento, especialmente para a área comercial. A realidade é exatamente o oposto. Compliance não existe para dizer “não” à venda. Ele existe para garantir que cada “sim” seja legal, ético e sustentável. Em outras palavras, o compliance não limita a receita, ele a protege no longo prazo.
No segmento de dispositivos médicos e OPME, essa lógica se torna ainda mais evidente. Costumo recorrer a uma metáfora simples, mas poderosa: imaginem que vocês estão vendendo um paraquedas. O cliente não quer saber se o jantar da noite anterior foi bom, nem se o relacionamento é próximo. Ele quer ter certeza de que, ao saltar, o paraquedas vai abrir. Na saúde, o dispositivo médico é o paraquedas do paciente. Não há espaço para improviso, atalhos ou favores.
O compliance garante que todo o processo de venda, da indicação ao fornecimento, seja tão confiável quanto o produto que será implantado. Ele assegura que a decisão foi tomada com base em critérios técnicos, evidência clínica, qualidade, segurança e treinamento adequado. É isso que protege o paciente e, ao mesmo tempo, sustenta o negócio.
Nesse contexto, o verdadeiro diferencial competitivo não está na troca de favores, mas na venda de valor. Empresas éticas competem pela excelência de seus produtos e serviços, não pelo suborno ou por relações de interesse. Relacionamentos baseados na confiança são mais sólidos, mais duradouros e infinitamente mais saudáveis do que aqueles sustentados por benefícios indevidos.
O compliance também desempenha um papel fundamental na proteção dos profissionais. Vendedores que atuam dentro das regras reduzem drasticamente o risco de envolvimento em investigações, processos éticos ou sanções que podem comprometer não apenas uma negociação, mas toda uma carreira no setor da saúde. Integridade não é ingenuidade; é visão estratégica.
A implementação de um Sistema de Gestão de Compliance efetivo fortalece a reputação institucional, amplia a confiança de parceiros de negócio, melhora respostas em auditorias e processos de due diligence e gera vantagem competitiva real. No médio e longo prazo, reputação se transforma em lucratividade.
Vender com integridade é garantir que a venda de hoje não destrua a empresa amanhã. É assegurar que, daqui a 10, 20 ou 50 anos, a organização continue existindo, sendo respeitada pelo mercado e motivo de orgulho para quem fez, ou faz, parte dela. No fim das contas, a reflexão é inevitável: se estamos lidando com o “paraquedas” do paciente, vale mesmo a pena abrir mão da integridade?
*Davi Uemoto é gerente executivo da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI).
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Riscos psicossociais na NR-1: um passo necessário e ainda distante
Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem hoje com transtornos emocionais, sobretudo ansiedade e depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O descompasso entre quem precisa de cuidado e quem de fato recebe tratamento nunca foi tão evidente. É um alerta global, mas também um convite urgente para repensarmos como queremos desenhar o futuro da saúde.
Se um dia “saúde” foi sinônimo quase exclusivo de ausência de doença, a próxima revolução propõe uma métrica mais complexa: a regulação do bem-estar emocional como parte estruturante do trabalho, das políticas públicas e da tecnologia. No Brasil, a atualização da Norma Regulamentadora NR-1, que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais, passou a incluir diretrizes sobre riscos psicossociais. A saúde emocional deixa de ser apenas benefício ou acaso e passa a ser obrigação das empresas. Isso muda o jogo, porque falar de saúde mental no ambiente de trabalho também se torna uma questão de conformidade, processos e responsabilidade institucional.
Nesse cenário, a Tecnologia, especialmente a Inteligência Artificial sai do campo da promessa e assume o papel de aliada. Ela já apoia desde a interpretação do cumprimento das normas de saúde no ambiente corporativo até o suporte direto ao atendimento clínico. Revisões recentes apontam que métodos baseados em IA podem ampliar acesso, personalizar intervenções e monitorar sinais emocionais antes que a crise se instale, com modelos capazes de identificar risco depressivo em padrões de fala e sistemas que acompanham adesão e resposta a tratamentos ao longo do tempo.
A grande pergunta, portanto, não é se a IA chegará à psicologia. Ela já chegou. A questão é como vamos integrá-la para ampliar o cuidado, sem esvaziar o componente humano. Na minha visão, a combinação mais promissora é híbrida: algoritmos que sintetizam dados como sono, linguagem e biomarcadores funcionam como radar e triagem, enquanto profissionais capacitados utilizam esses sinais para decisões clínicas mais precisas, apoiados por soluções que ajudam a desenhar trajetórias de cuidado contínuas.
Nesse contexto, o terapeuta não perde protagonismo. Ao contrário, ganha melhores indicativos, ferramentas de priorização e tempo para o que é essencial: a escuta qualificada e a construção de vínculo. Mas, para que essa revolução seja positiva, é indispensável ter governança. O cuidado emocional lida com informações extremamente sensíveis e com decisões que podem mudar o curso de uma vida. Exige padrões éticos claros, proteção robusta de dados e critérios definidos de responsabilização quando vieses passam despercebidos, a tecnologia falha ou decisões automatizadas invadem terrenos que deveriam ser exclusivamente humanos. Sem essas garantias, qualquer avanço perde credibilidade e abre espaço para riscos que comprometem justamente aquilo que queremos proteger, a saúde psicológica das pessoas.
Ainda assim, nem a legislação, nem a capacidade ampliada pela IA, são suficientes para a transformação que esse cenário exige. Leis e tecnologias são, em grande medida, reflexos de uma realidade que já existe e mecanismos de resposta a riscos que se tornaram visíveis. Para além de tratar os sintomas, precisamos olhar para o desenho do trabalho em si. Isso significa repensar a ergonomia do trabalho atual, não apenas no sentido físico, mas também cognitivo, emocional e relacional, e caminhar para uma revisão sistêmica e sustentável de ambientes mais saudáveis e produtivos. Sem intencionalidade verdadeira para mudar o que sustenta o adoecimento, qualquer avanço normativo ou tecnológico corre o risco de se limitar a cumprir tabela.
Estamos às portas da próxima grande revolução da saúde, e ela não virá apenas de hospitais ou laboratórios. Virá, sobretudo, da forma como organizamos nossas relações humanas e aplicamos inteligência – humana e artificial – a elas. Trata-se de uma agenda que integra tecnologia, legislação e gestão, e que exige coragem para revisar processos organizacionais hoje tratados como imutáveis. Inteligência e tecnologias são grandes aliadas, mas não serão a solução final. Sem uma escolha consciente por ambientes de trabalho que favoreçam segurança psicológica, senso de propósito, autonomia responsável e relações mais justas, continuaremos apenas sofisticando ferramentas para lidar com consequências, sem alterar as causas.
As novas soluções precisam inovar com responsabilidade e, ao mesmo tempo, apoiar organizações na prática do que a NR-1 exige. Isso significa assumir um lugar ativo na construção de protocolos, oferecer formatos de avaliação de riscos realmente aplicáveis ao dia a dia e garantir que a tecnologia não seja usada como atalho, mas como instrumento de real desenvolvimento institucional. É nessa interseção entre compliance e inovação que nascem as soluções capazes de elevar o padrão de cuidado emocional e preparar as empresas para o futuro.
Saúde pública e privada terão de reinventar seus KPIs, seus orçamentos e seus critérios de sucesso. A maneira como empresas e instituições escolhem medir, investir e acompanhar o bem-estar emocional será determinante para sua capacidade de prosperar em um cenário cada vez mais complexo. A questão que fica para cada liderança, então, é simples e incômoda: vamos nos contentar em cumprir a lei e adotar novas tecnologias, ou estamos realmente dispostos a redesenhar o trabalho para que a saúde emocional deixe de ser exceção e se torne parte estrutural da forma como produzimos e convivemos?
*Lucas Arthur de Souza é cofundador da Telavita.
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Saúde 5.0 e o desafio de humanizar a tecnologia
A saúde suplementar brasileira vive um ponto de inflexão. Depois de anos discutindo digitalização, eficiência e custos crescentes, chegamos ao momento em que a tecnologia deixa de ser uma promessa e passa a ser o próprio terreno onde o setor precisa aprender a caminhar. Mas, para além do vocabulário da moda que domina as conferências e relatórios, a pergunta essencial continua a mesma: como colocar o paciente no centro de um sistema que historicamente foi construído ao redor da burocracia?
O conceito de Saúde 5.0 surge justamente como resposta a esse impasse. Ele representa mais do que a simples evolução da Saúde 4.0, marcada pela adoção maciça da telemedicina e de sistemas digitais. A quinta fase amplia o olhar e transforma a tecnologia em um meio para que o paciente assuma, de fato, o papel de protagonista. Vai além de apenas de tratar doenças para compreender a saúde como uma jornada contínua, integrada e conectada. É um modelo que une prevenção, experiência, autonomia e valor.
No cotidiano da saúde suplementar, isso significa abandonar processos que ainda dependem de e-mails perdidos, prontuários desconectados e autorizações manuais, e migrar para um ecossistema capaz de dialogar em tempo real. A interoperabilidade de dados, por exemplo, deixa de ser um desejo para se tornar a base de qualquer operação moderna. Hospitais, clínicas, laboratórios e operadoras precisam trocar informações sem atritos para que a jornada funcione do início ao fim. Quando essa engrenagem falha, quem paga o preço é o beneficiário, que enfrenta a morosidade, a duplicidade de exames e a fragmentação do cuidado.
A importância da transformação digital não está apenas na automação, mas na capacidade de interpretar e agir sobre dados. A saúde gera informações em abundância, mas só faz sentido quando elas se transformam em decisões mais rápidas, diagnósticos mais precisos e estratégias mais sustentáveis. A inteligência artificial já desempenha um papel central nessa mudança ao acelerar autorizações, prever cancelamentos, apoiar o diagnóstico e detectar fraudes com mais eficiência do que qualquer processo exclusivamente humano. O uso de big data, por sua vez, inaugura uma nova era em que a gestão deixa de ser reativa e passa a antecipar riscos, comportamentos e demandas futuras.
E há, ainda, o impacto direto sobre a experiência do beneficiário. Um sistema capaz de integrar consultas, exames, prescrições digitais, telemedicina, wearables e monitoramento remoto não apenas reduz custos como também entrega ao paciente o que ele mais espera: tempo, clareza e autonomia. Ele passa a ser atendido onde estiver, decide por qual canal prefere se comunicar, acompanha suas informações de saúde e participa ativamente do tratamento. Essa mudança não é estética; é estrutural. Ela transforma o que antes era uma relação distante e verticalizada em um modelo colaborativo, em que todos os agentes do setor trabalham conectados.
Mas a Saúde 5.0 também exige cuidado. Se depender apenas da tecnologia, ela nasce incompleta. O avanço das soluções digitais precisa ser acompanhado de uma governança robusta que respeite a privacidade dos dados, fortaleça a LGPD, evite assimetrias de informação e garanta que a automação não aprofunde desigualdades. A adoção de tecnologias como IoMT, realidade aumentada, nanotecnologia ou algoritmos preditivos só faz sentido se o beneficiário estiver no controle do próprio percurso, com segurança e transparência.
O setor passa por um momento em que as discussões sobre sustentabilidade financeira se entrelaçam com as discussões sobre transformação digital. Não existe mais futuro possível para a saúde suplementar que não seja apoiado por dados integrados, sistemas inteligentes e modelos preventivos. As tecnologias já estão prontas; o que falta é alinhamento entre todos os atores do ecossistema para que a jornada do paciente seja contínua e livre de ruídos.
A Saúde 5.0 não é sobre máquinas substituindo pessoas, mas sobre tecnologia fortalecendo a relação entre elas. O desafio é mais estratégico do que técnico. Demanda entender que eficiência e humanização não são movimentos contrários, e que investir em inovação é, inevitavelmente, investir em cuidado.
Se quisermos um setor sustentável, precisamos permitir que o paciente ocupe o lugar que sempre deveria ter sido dele. E isso só será possível quando a tecnologia for usada para integrar, simplificar e conectar, e não para criar novas barreiras. O futuro da saúde suplementar exige deixar de enxergar pessoas como números e tratá-las como protagonistas. Esse é o verdadeiro significado da Saúde 5.0.
*Anderson Farias é CEO da TopSaúde HUB.
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JORNAL OPÇÃO
Simego anuncia paralisação e manifestação de médicos credenciados à SMS de Goiânia
Manifestação perpassa desde regularização de insumos nas unidades até por melhorias nos locais de trabalho
Cerca de mil médicos credenciados à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) realizam uma paralisação a partir desta terça-feira, 13, pedindo atenção a uma série de reivindicações que vão desde a regularização de insumos nas unidades até melhorias nos locais de trabalho. A confirmação foi dada ao Jornal Opção pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego).
Os profissionais ainda vão realizar uma manifestação em frente ao Ciams Jardim América. Segundo a diretora de Assuntos Administrativos do Simego, Sheila Ferro, a paralisação não afetará os serviços de urgência e emergência. Ela afirma que todos os profissionais estarão em seus postos de trabalhos e que serão feitas triagens para classificação dos atendimentos.
“Nós não deixaremos de atender alguns casos como, por exemplo, uma pessoa que precisa de uma receita para o medicamento controlado. Naquele momento, não é nenhuma urgência ou emergência, mas pode vir a ser. Então, usando o bom senso, esses pacientes serão atendidos. Esse é um movimento respaldado por lei e que será feito com bastante ética e responsabilidade”, pontua.
A decisão da paralisação veio durante uma Assembleia Geral Extraordinária Permanente, que foi realizada no último dia 6 de janeiro. Segundo Sheila, o Executivo não tem se mostrado aberto ao diálogo.
“Nós não tivemos nenhuma abertura para diálogo, não conseguimos nenhum ajuste mesmo com os inúmeros alertas feitos pelos médicos e pelo sindicato que poderia ter essa manifestação. E, com essa inacessibilidade da Prefeitura, nós não tivemos muita opção. Mas, de qualquer jeito, a gente deixou o sindicato totalmente aberto ao diálogo, porque a gente quer avançar, mas precisamos da disposição da gestão para ouvir quem está na linha de frente, quem está no atendimento da população”, pontua.
Segundo o Simego, as principais pautas defendidas são:
a garantia de condições dignas de trabalho;
a disponibilização de recursos humanos e materiais adequados nas unidades de saúde;
a regularidade e previsibilidade dos pagamentos, evitando a repetição de atrasos que já afetaram os profissionais;
a manutenção do Edital de Chamamento nº 06/2024;
a revogação do Edital de Chamamento nº 03/2025, que promove redução de até 35% nos honorários médicos e prevê jornadas de até 24 horas contínuas, sem descanso adequado.
Sheila pontua que ainda que o movimento tem ganhado o apoio de outros sindicatos, como os de Enfermagem e de Farmácia. “Essa ampliação do movimento foi o resultado direto do esgotamento geral das condições de trabalho na saúde pública do município, infelizmente. Todos os profissionais de diferentes categorias estão vivenciando muitos problemas, como precarização, sobrecarga de atendimento, falta de estrutura física, insegurança total do profissional, além da falta de insumos. Essa manutenção das regras atuais da contratação tinha que garantir um mínimo de segurança de quem trabalha, mas as condições estão muito aquém e precisamos ter condições mínimas de trabalho.”
Sheila destaca que o sindicato tem recorrido, inclusive, ao governo estadual para resolver a situação. Vale lembrar que a Goiânia ainda está em decreto de situação de calamidade na área da saúde, que foi aprovada pelos deputados estaduais no último dia 16 de dezembro.
O Jornal Opção entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e aguarda um posicionamento.
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Sindsaúde convoca para manifestação contra fechamento da urgência do Cais Cândida de Morais em Goiânia
Preocupação dos trabalhadores é reforçada pelo fechamento da urgência e emergência do CIAMS do Novo Horizonte, que atualmente funciona apenas como ambulatório
O possível fechamento da ala de urgência e emergência do Cais Cândida de Morais tem mobilizado trabalhadores da saúde e usuários da unidade. Nesta terça-feira, 13, às 9h, o Sindsaúde realiza uma manifestação no local para denunciar o que classifica como um processo de esvaziamento deliberado do serviço por parte da gestão municipal. Em resposta ao Jornal Opção, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informou que não tem intenção de fechar o CAIS Cândida de Morais. Veja a nota ao fim da matéria.
Segundo a presidenta do sindicato, Neia Vieira, embora a Prefeitura de Goiânia negue publicamente o fechamento da unidade, o que ocorre na prática é a redução gradual da capacidade de atendimento. “É uma estratégia que já vimos antes. Eles negaram o fechamento da emergência do CIAMS do Novo Horizonte e, pouco tempo depois, fecharam. Primeiro esvaziam, depois anunciam o encerramento”, afirma.
De acordo com denúncias recebidas pelo sindicato, há meses o Cais Cândida de Morais enfrenta redução de profissionais nos plantões, retirada de insumos e falta de equipamentos básicos. Com isso, usuários chegam à unidade e são encaminhados para outros serviços sob a justificativa de ausência de atendimento, o que diminui artificialmente o fluxo e fragiliza a permanência da urgência e emergência.
Fechamento confirmado em outra unidade acende alerta
A preocupação dos trabalhadores é reforçada pelo fechamento da urgência e emergência do CIAMS do Novo Horizonte, que atualmente funciona apenas como ambulatório. Para Neia Vieira, o caso demonstra um padrão de atuação da gestão. “A urgência e emergência lá foi totalmente fechada. Isso aumenta o temor de que o mesmo caminho esteja sendo seguido no Cândida de Morais”, diz.
O sindicato avalia que essas decisões fazem parte de um projeto mais amplo de terceirização da saúde municipal. A presidenta do Sindsaúde aponta que a atual gestão mantém diretrizes herdadas da administração anterior, que defendia a transferência de unidades públicas para organizações sociais. “Já fizeram isso com hospitais e maternidades. Agora os ruídos indicam que UPAs e unidades ambulatoriais também podem ser terceirizadas”, alerta.
Falta de insumos, exames demorados e risco de erros médicos
Além do risco de fechamento de unidades, o Sindsaúde denuncia problemas estruturais graves na rede municipal de saúde. Entre eles, a falta de insumos, equipamentos defasados e a demora excessiva na liberação de exames laboratoriais após a terceirização do serviço.
Segundo Neia Vieira, exames que antes eram liberados em minutos ou poucas horas passaram a levar até 10 horas para ficarem prontos, o que compromete atendimentos de urgência e ambulatoriais. Outro problema grave envolve o sistema de imagens de raio-X, que estaria sem contrato ativo por falta de pagamento. Com isso, os exames são realizados, mas não podem ser disponibilizados adequadamente aos médicos.
“A Prefeitura está fazendo o usuário assinar um termo de responsabilidade e levar a imagem fotografada para o médico. Isso gera diagnósticos equivocados e coloca pacientes em risco”, denuncia a dirigente sindical. Técnicos de raio-X, segundo ela, são obrigados a seguir esse procedimento sob ameaça de demissão.
Greve dos credenciados amplia crise na saúde
O cenário se agrava com o início da greve dos trabalhadores credenciados da saúde, marcada também para esta terça-feira, 13, com ato no setor Jardim América. A paralisação envolve profissionais de diversas categorias e é motivada por atrasos salariais recorrentes, precarização dos contratos e más condições de trabalho.
Para o Sindsaúde, a soma desses fatores representa um grave ataque ao Sistema Único de Saúde e ao direito constitucional da população ao acesso à saúde pública. A manifestação no Cais Cândida de Morais busca pressionar a Prefeitura a manter a unidade em funcionamento pleno, garantir condições dignas de trabalho e abrir diálogo com trabalhadores e usuários.
Nota da prefeitura
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) não tem intenção de fechar o CAIS Cândida de Morais.
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PUC TV GOIÁS
Goiás implanta rodízio entre hospitais de urgência para combater superlotação
https://www.youtube.com/watch?v=-H5L4jr_BRk
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O HOJE
Goiás registra mais de 16 mil eventos adversos na saúde em 2025 e entra em alerta nacional
Levantamento da ONA, com dados da Anvisa, aponta lesões por pressão, falhas com dispositivos médicos e quedas como os incidentes mais recorrentes no Estado
O Estado de Goiás contabilizou 16.640 notificações de eventos adversos na assistência à saúde durante o ano de 2025, conforme levantamento da Organização Nacional de Acreditação (ONA).
Os dados, baseados em registros da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizados em 7 de janeiro de 2026, inserem o Estado em um cenário nacional de alerta. No Brasil, foram registradas 480.283 eventos adversos ao longo do ano, mantendo uma trajetória de crescimento contínuo no setor de saúde.
No território goiano, a análise dos eventos adversos revela que as lesões por pressão foram as falhas mais frequentes, com 2.781 registros. Em seguida, aparecem as ocorrências relacionadas ao uso de cateteres, sondas e outros dispositivos médicos, que somaram 1.693 casos.
Também foram notificadas 1.606 falhas durante a assistência à saúde, além de 1.512 problemas em processos ou procedimentos clínicos, dentre os demais eventos adversos. Os incidentes ligados à hemodiálise totalizaram 1.350 casos, enquanto as quedas de pacientes chegaram a 1.325 ocorrências. Já as falhas na identificação do paciente somaram 1.097 registros, os problemas específicos com cateter venoso contabilizaram 706 casos e os incidentes envolvendo sondas, 101 notificações.
O aumento de eventos adversos no Brasil tem sido constante, com elevação média de 12% ao ano. Em 2023, o País registrou 368.028 ocorrências, número que subiu para 425.951 em 2024 e atingiu mais de 480 mil em 2025. A grande maioria dessas falhas ocorreu em hospitais, com 428.231 registros, mas outros serviços, como clínicas e laboratórios, também contribuíram de forma significativa, com 52.052 casos.
A gravidade das notificações sobre os eventos adversos em 2025 é considerada alarmante. Ao todo, 3.158 incidentes evoluíram para óbito em todo o País. Além disso, 10.458 resultaram em lesões graves, 50.710 causaram danos moderados e 249.230 geraram danos leves aos pacientes. Outros 117.715 episódios foram notificados sem causar danos diretos, funcionando como alertas preventivos para o sistema de saúde.
Os dados demográficos indicam que os homens foram os mais afetados pelos eventos adversos no Brasil, representando 50,92% dos eventos, com 244.562 registros. Em relação à faixa etária, a população idosa concentra o maior impacto. O grupo de 66 a 75 anos lidera com 85.164 falhas, seguido por pacientes entre 56 e 65 anos, com 73.492 ocorrências, e por aqueles entre 76 e 85 anos, que somaram 68.101 registros.
A identificação dessas falhas é realizada predominantemente por profissionais de saúde, responsáveis por mais de 202 mil notificações. Ainda assim, o sistema Notivisa também recebe alertas de pacientes, que totalizaram 19.814 registros, além de familiares, com 2.988 notificações, outros pacientes, com 1.429, e cuidadores, com 432.
Especialistas alertam que, embora a notificação seja obrigatória, muitas instituições ainda deixam de registrar os incidentes, o que sugere que os números reais podem ser superiores aos apresentados oficialmente.
Para Gilvane Lolato, gerente-geral de Operações da ONA, a maioria desses eventos poderia ser evitada por meio da adoção de protocolos bem estruturados. Segundo ele, a acreditação hospitalar funciona como uma barreira estratégica, ao padronizar processos e fortalecer a cultura de qualidade e segurança.
No entanto, o cenário de certificação no Brasil ainda é considerado incipiente: apenas 0,45% das instituições de saúde brasileiras são acreditadas. Na região Centro-Oeste, esse percentual corresponde a 11,4% das certificações concedidas pela ONA.
Medidas para evitar eventos adversos
Entre as medidas de segurança apontadas como fundamentais estão os protocolos de dupla verificação, considerados essenciais para reduzir erros na identificação do paciente, como trocas de nomes; os chamados feixes de intervenção, ou bundles, que envolvem o uso de técnicas assépticas e o monitoramento contínuo no manuseio de cateteres e sondas; e a adoção da chamada Cultura Justa, que incentiva a notificação de falhas como instrumento de aprendizado organizacional, e não de punição.
Complementando esse monitoramento, a Anvisa promove anualmente a Avaliação Nacional das Práticas de Segurança do Paciente em hospitais com unidades de terapia intensiva. Em 2025, o formulário de avaliação ficou disponível entre 1º de abril e 15 de agosto, voltado para unidades que estiveram em funcionamento em 2024.
A iniciativa avalia 21 indicadores de estrutura e processo, com base na RDC nº 36/2013, que institui ações voltadas à segurança do paciente nos serviços de saúde. Os estabelecimentos que atingem 100% de adesão a essas práticas recebem uma declaração oficial emitida pelo diretor-presidente da agência.
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Assessoria de Comunicação