CLIPPING AHPACEG 12/01/26
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Ahpaceg inova e divulga indicadores assistenciais dos hospitais associados
Hospital Erastinho é o primeiro do mundo a receber certificação internacional por gerar mais energia do que consome
https://medicinasa.com.br/erastinho-certificacao-leed-zero/
Justiça condena Ipasgo a indenizar idosa após negar ambulância para tratamento urgente em Goiânia
Anvisa quer reduzir fila de análises e priorizar inovações nacionais
O POPULAR
Ahpaceg inova e divulga indicadores assistenciais dos hospitais associados
Os índices, que passarão a ser divulgados periodicamente, trazem a média das instituições associadas participantes e oferecem à população, aos planos de saúde e aos gestores um conjunto de informações objetivas sobre qualidade, segurança e eficiência da assistência hospitalar
A Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) tornou públicos os primeiros indicadores assistenciais e operacionais consolidados de seus hospitais associados. A divulgação marca o início do projeto Indicadores Ahpaceg, uma iniciativa inédita no setor privado goiano que passa a oferecer à população, aos planos de saúde e aos gestores um conjunto de informações objetivas sobre qualidade, segurança e eficiência da assistência hospitalar.
O projeto conta com apoio técnico da NCI Innova, empresa de transformação digital com atuação no segmento hospitalar, e nasce de uma pergunta central que acompanha a Ahpaceg desde sua criação, em 2003: como medir, de forma objetiva e comparável, a segurança do paciente e a qualidade do cuidado prestado?
Diante dessa necessidade, foi consolidada a parceria entre a Ahpaceg e a NCI Innova com vistas a reunir os dados assistenciais, de recursos humanos e financeiros dos hospitais e clínicas associados. Os índices divulgados são referentes ao segundo semestre de 2025 e trazem a média das instituições associadas participantes do projeto.
A partir de 2026, o projeto será ampliado com a inclusão dos indicadores das áreas de farmácia, nutrição, oftalmologia e segurança e qualidade em pronto-socorro da rede associada.
Pioneirismo
A iniciativa coloca a Ahpaceg como pioneira no registro, monitoramento e na divulgação regular desses dados entre hospitais e clínicas de imagem privados de Goiás. Dentre os índices divulgados estão indicadores, como a taxa de infecção, um dos mais conhecidos pela população, e outros, como lesões por pressão, ocupação de leitos e a identificação correta dos pacientes, uma norma básica de segurança nas instituições de saúde.
O presidente da Associação, Renato Daher, destaca que a divulgação trimestral dos indicadores permitirá a construção de uma série histórica consistente, capaz de apoiar análises, comparações e decisões na área da saúde.
“Nosso objetivo também é oferecer informações claras para que a população possa escolher, de forma consciente, onde deseja ser atendida com qualidade e segurança”, afirma.
Benefícios
Além de oferecer um referencial inédito aos usuários e compradores de serviços de saúde, como planos e operadoras, a divulgação sistemática dos indicadores traz ganhos diretos para os próprios hospitais. Entre eles estão maior transparência e prestação de contas, estímulo à melhoria contínua da qualidade e da segurança do paciente, benchmarking e aprendizado coletivo entre instituições, fortalecimento da credibilidade institucional e apoio à tomada de decisão e à formulação de políticas de saúde.
O monitoramento dos indicadores também contribui para o atendimento a exigências regulatórias e processos de acreditação, valoriza o papel da alta complexidade no sistema de saúde e estimula uma cultura de dados e de responsabilidade clínica.
Ao tornar essas informações acessíveis, a Ahpaceg amplia a capacidade de escolha da população e cria bases mais sólidas para a gestão e o aprimoramento da assistência hospitalar em Goiás.
CONFIRA OS INDICADORES DA REDE AHPACEG
*Os dados/metas usados como referência são da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) - 2017
Taxa de Ocupação: 78%
Indica a utilização dos leitos operacionais proporcionando uma gestão eficiente do hospital.
Meta: 80% a 85%
Média de permanência hospitalar (MP): 2,64 dias
Indica o tempo médio de internação dos pacientes. Quanto menor a permanência, maior tende a ser a eficiência no uso dos leitos, desde que mantida a qualidade assistencial.
Meta: 5,3 dias
Índice de giro de leitos (IGL): 6,41
Mede quantas internações ocorrem em um mesmo leito ao longo do período. Está diretamente relacionado à média de permanência: internações mais curtas aumentam o giro, enquanto permanências mais longas reduzem a rotatividade.
Média de permanência na UTI adulto: 6,88 dias
Reflete o tempo médio de internação em terapia intensiva. Em hospitais de alta complexidade, a variação é esperada conforme a gravidade dos casos, o perfil clínico dos pacientes e os protocolos assistenciais.
Meta: até 5 dias
Taxa de conversão do pronto-socorro para enfermaria/apartamento: 8,41%
Mostra a proporção de atendimentos no pronto-socorro que evoluem para internação em leitos clínicos, ajudando a compreender o perfil assistencial e a eficiência do fluxo.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de conversão do pronto-socorro para UTI: 1,69%
Indica a parcela de pacientes atendidos no pronto-socorro que necessitam de terapia intensiva, refletindo a gravidade dos casos e o uso de recursos críticos.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de mortalidade institucional (≥24 horas): 1,78%
Expressa o percentual de óbitos após 24 horas de internação. Deve ser analisada com ajuste de risco e comparada apenas com hospitais de perfil semelhante.
Meta: <3% (Anvisa, 2018)
Taxa de mortalidade operatória/cirúrgica (até 7 dias): 0,32%
Mede óbitos após procedimentos cirúrgicos e avalia critérios de cirurgia segura, variando conforme porte, risco e tipo de cirurgia.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de pacientes com identificação adequada: 98,88%
Indicador de segurança do paciente alinhado às metas internacionais, essencial para prevenir erros de medicação, exames, transfusões e procedimentos.
Meta: de 90% a 100%
Taxa de pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos: 68,06%
Caracteriza o perfil assistencial dos hospitais e auxilia no planejamento de recursos, avaliação de produtividade e análise de risco.
Sem meta. Depende da característica do hospital
Taxa de infecção de sítio cirúrgico em cirurgia limpa: 0,53%
Indicador clássico de qualidade assistencial. Resultados abaixo de 1% são considerados de excelente desempenho.
Meta: quanto menor, melhor.
Densidade de erro na administração de medicamentos: 0,34
Expressa o número de erros por mil pacientes-dia ou mil doses administradas e avalia todas as etapas do processo medicamentoso.
Não existe um valor de referência único ou um "benchmark" nacional oficial para a densidade de erro na administração de medicamentos no Brasil
Incidência de lesão por pressão: 1,47
Mede o risco de o paciente desenvolver nova lesão por pressão durante a internação, com foco no paciente.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de lesão por pressão: 0,34%
Avalia a frequência de lesões ao longo do tempo de internação, sendo complementar à incidência.
Meta: quanto menor, melhor.
Incidência de quedas: 0,85
Indica o risco de o paciente sofrer queda durante a internação.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de quedas: 0,21%
Mede a frequência de eventos de quedas no período, complementando a análise do risco assistencial.
Meta: quanto menor, melhor.
REDE AHPACEG
GOIÂNIA
CDI Premium
Cebrom
Clínica da Imagem
Clínica São Marcelo
CRD
Hemolabor
Hospital Amparo
Hospital do Coração de Goiás
Hospital do Coração Anis Rassi
Hospital da Criança
Hospital de Acidentados
Hospital Ortopédico de Goiânia
Hospital Otorrino de Goiânia
Hospital Mater Dei
Hospital do Rim
Hospital Samaritano de Goiânia
Hospital Santa Bárbara
Hospital Santa Helena
Hospital São Francisco de Assis
Instituto de Neurologia de Goiânia
Instituto Ortopédico de Goiânia
Instituto Panamericano da Visão
Maternidade Ela
Oncovida
Ver Hospital de Olhos
ANÁPOLIS
Hospital Evangélico Goiano
APARECIDA DE GOIÂNIA
Hospital de Neurologia Santa Mônica
CALDAS NOVAS
Hospital e Maternidade Nossa Senhora Aparecida
CATALÃO
Hospital Nasr Faiad
Hospital São Nicolau
CERES
Hospital Ortopédico de Ceres
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MEDICINA S/A
Hospital Erastinho é o primeiro do mundo a receber certificação internacional por gerar mais energia do que consome
O Hospital Oncopediátrico Erastinhoacaba de se tornar o primeiro hospital do mundo a receber a certificação LEED Zero, emitida pelo U.S. Green Building Council (USGBC). A auditoria confirma que a unidade gera 100% da energia que consome, atingindo um patamar de desempenho sem precedentes para edificações de saúde — uma das tipologias mais intensivas em demanda energética.
Com o reconhecimento, o Erastinho passa a ser o único hospital no mundo a reunir os selos LEED for Healthcare Gold, WELL Gold e LEED Zero Energy, conjunto de certificações que avalia desempenho operacional, qualidade ambiental interna, bem-estar dos ocupantes e impacto energético.
A operação Zero Energy é viabilizada por uma usina fotovoltaica de 950kWp, integrada ao sistema elétrico do hospital e dimensionada para suprir 100% da demanda anual. “Ao construir a usina de aproximadamente 1 megawatt no local, economizamos cerca de R$ 400 mil por ano, valor que é totalmente reinvestido em assistência, aquisição de equipamentos e melhorias clínicas. Isso mostra que sustentabilidade não é custo, é estratégia de cuidado. É uma engenharia financeira e técnica que gera impacto direto na saúde”, explica Fernando Cesar de Oliveira, Diretor Executivo Administrativo do hospital Erasto Gaertner.
As medições de desempenho realizadas ao longo de 12 meses de operação confirmaram que a geração anual cobre integralmente a demanda energética do hospital, com excedente suficiente para apoiar parcialmente o Hospital Erasto Gaertner, hospital-escola e referência nacional em oncologia.
Para a equipe da Petinelli, empresa de engenharia que fez a consultoria de engenharia e sustentabilidade do projeto – a conquista representa um novo patamar para projetos construtivos no setor de saúde no país. “O Erastinho demonstra que hospitais podem, sim, atingir patamares extremos de eficiência. Zero Energy em saúde é engenharia aplicada ao limite, com impacto direto na qualidade da operação e na sustentabilidade de longo prazo”, comenta Guido Petinelli, CEO da Petinelli.
Em hospitais — que dependem de climatização constante, controle de infecções e iluminação especializada — atingir esse nível é considerado um desafio técnico significativo. “ A certificação Zero exige que a edificação comprove, por medições anuais, um consumo energético reduzido e compatível com padrões de alta eficiência, ao mesmo tempo em que neutraliza integralmente esse uso por meio de geração renovável no próprio local. Alcançar esse nível em um hospital só é possível com uma equipe técnica qualificada, parcerias sólidas e engenharia integrada desde a concepção. O reconhecimento internacional é uma motivação para continuar inovando e elevando o padrão de desempenho das edificações no país”, conclui Petinelli.
O hospital realiza anualmente cerca de 17 mil consultas, 500 cirurgias e 85 mil procedimentos, dos quais 76% atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Ambientes certificados p ara qualidade do ar, iluminação e conforto estão associados à redução do estresse, à melhora da adesão ao tratamento e a experiências mais positivas de recuperação. Pesquisas conduzidas pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard demonstraram que fatores como ventilação adequada, qualidade do ar e da água, conforto térmico, controle de ruído, iluminação natural e vistas para o exterior têm impacto direto no bem-estar e na saúde das pessoas.
“O Erastinho foi pensado desde o início co mo um hospital resolutivo, humanizado e sustentável. Diferente de estruturas que crescem de forma modular, ele nasceu com uma visão integrada de engenharia e cuidado. As certificações são consequência natural dessa visão”, reforça o Diretor Executivo Administrativo do Erastinho, Fernando Cesar de Oliveira.
O projeto arquitetônico, desenvolvido pelo escritório Sarnelli Arquitetura, foi pensado de forma integrada à engenharia e à operação hospitalar, permitindo que decisões de layout, orientação, iluminação natural e conforto ambiental contribuíssem diretamente para o desempenho do edifício.
“A série de certificações LEED e WELL obtidas pelo Erastinho traduz um conjunto de soluções técnicas que elevam o hospital a um patamar excepcional de desempenho. O projeto integra climatização eficiente, iluminação natural e artificial de baixo consumo, materiais e sistemas otimizados, automação e gestão contínua de energia”, enumera Guido Petinelli.
Entre os resultados estão:
- Redução de 25% no consumo de energia em comparação a hospitais do mesmo porte;
- Suprimento total da demanda anual por geração renovável;
- Auditorias que confirmam qualidade da água, do ar, conforto térmico, lumínico e acústico.
Na eficiência hídrica, o Erastinho registra 36% de redução no consumo de água potável e durante a construção, 80% dos resíduos foram reciclados ou reutilizados, reforçando a abordagem de baixo impacto ao longo de todo o ciclo do projeto. Além disso, o hospital mantém monitoramento constante para garantir a continuidade dos padrões de desempenho. Todas essas soluções foram incorporadas de forma integrada e sem custo adicional de obra.
Para Felipe Faria, diretor do Green Building Council (GBC) Brasil, este projeto aborda vários temas do movimento internacional de green buildings, como espaços de conforto para maximizar bem-estar e saúde, qualidade interna do ar, conforto térmico, visual e olfativo, além da preocupação com mitigação de impactos. “Nas empresas, um prédio eficiente ajuda a aumentar a produtividade dos colaboradores. Nos hospitais, estes benefícios contribuem com uma rápida recuperação dos pacientes em momentos críticos de nossas vidas”, afirma.
Como destaca o diretor Fernando Cesar de Oliveira, a certificação consolida um aprendizado que vai além do próprio projeto. “O Erastinho está comprovando, na prática, que é possível inovar e entregar atendimento de alta qualidade para a sociedade com eficiência econômica. Já havíamos avançado nesse caminho com o Hospice Erasto Gaertner, primeira unidade de saúde da América Latina a conquistar a certificação WELL Platinum, e agora seguimos aplicando esses conceitos em novos centros de medicina nuclear, buscando ainda mais eficiência, conforto e bem-estar. O Erastinho mostrou que é possível e passou a servir como modelo e inspiração para outros hospitais.”
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MAIS GOIÁS
Justiça condena Ipasgo a indenizar idosa após negar ambulância para tratamento urgente em Goiânia
Paciente amputada e internada em UTI precisou arcar com transporte médico. Plano terá de devolver R$ 10,2 mil e pagar indenização
O Ipasgo Saúde foi condenado pela Justiça a ressarcir os gastos e indenizar uma idosa de 66 anos após negar o transporte em ambulância com acompanhamento médico, considerado essencial para a continuidade de um tratamento urgente. A paciente estava internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com mobilidade reduzida devido a uma amputação da perna direita e de um quadro infeccioso grave.
A decisão é do juiz Eduardo Alvares de Oliveira, da 7ª Vara Cível de Goiânia. O magistrado determinou que o plano de saúde devolva R$ 10,2 mil, valor pago pela família para custear o deslocamento, além de indenizar a paciente em R$ 2 mil por danos morais.
De acordo com o processo, a idosa apresentou complicações vasculares severas, evoluindo para uma infecção grave. Diante do quadro clínico, a médica responsável prescreveu a realização imediata de sessões de oxigenoterapia hiperbárica, tratamento indicado para auxiliar na recuperação de tecidos e no controle da infecção. Como a paciente não tinha condições de locomoção, foi recomendado transporte em ambulância, com suporte médico durante o trajeto entre o hospital e a clínica credenciada.
Apesar de autorizar o tratamento, o Ipasgo negou a cobertura do transporte. Segundo a defesa, a operadora chegou a autorizar inicialmente a remoção, mas voltou atrás no dia seguinte, alegando que o procedimento não se enquadrava como urgência, por se tratar de tratamento contínuo.
Na sentença, o juiz destacou que, mesmo sendo um plano de autogestão, a operadora tem obrigação de agir com boa-fé e respeitar a função social do contrato, não podendo adotar condutas que coloquem em risco a saúde e a vida do beneficiário.
O magistrado também levou em consideração parecer do Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NATJUS), que confirmou a gravidade do quadro clínico e a urgência do tratamento. Para a Justiça, o transporte especializado não era um benefício acessório, mas parte essencial para viabilizar a terapia prescrita pela equipe médica.
A decisão entendeu ainda que a negativa ultrapassou um simples descumprimento contratual, causando prejuízos financeiros e sofrimento à paciente, que teve de arcar com os custos para não interromper o tratamento indicado.
Em nota, o Ipasgo informou que o caso será acompanhado pela equipe jurídica e reforça o comprometimento com a assistência aos benefícios.
Veja a nota na íntegra:
“O caso será analisado pela área jurídica da instituição, que adotará as providências cabíveis no âmbito processual, sempre em estrita observância à legislação vigente e aos normativos que regem o sistema de autogestão em saúde.
O Ipasgo Saúde, operadora de saúde e serviço social autônomo, reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a prestação de assistência adequada aos seus beneficiários, pautando sua atuação por critérios técnicos, regulatórios e pelo respeito às decisões judiciais”
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AGÊNCIA BRASIL
Anvisa quer reduzir fila de análises e priorizar inovações nacionais
Trabalho terá reforço de 100 concursados, disse o diretor-presidente
Em agosto de 2025, o Senado aprovou três nomes para a diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluindo o novo diretor-presidente, o economista Leandro Safatle, que passou a ocupar o cargo após o fim do mandato de Antônio Barra Torres.
Safatle assumiu a presidência da Anvisa em um momento de grandes transformações no setor regulatório sanitário, onde o ritmo de descobertas, sobretudo em saúde, é intenso, mas os processos de análise e aprovação dentro da própria agência seguem a passos mais lentos.
Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o novo diretor-presidente conversou sobre as principais inovações nacionais em saúde, sobretudo do ponto de vista do Sistema Único de Saúde (SUS). “Ainda temos muita inovação vinda de fora. Agora, estamos lidando com inovação feita no país”, disse.
Safatle comentou ainda sobre o recém-criado Comitê de Inovação, com foco em temas considerados prioritários para a Anvisa; sobre um processo interno para otimizar filas de análises processuais; e sobre a possibilidade de a agência se consolidar como autoridade sanitária de referência nas Américas e globalmente.
Confira os principais trechos da conversa:
Agência Brasil: A Anvisa autorizou este mês o início da primeira fase de estudos clínicos com a polilaminina, medicamento desenvolvido por pesquisadores brasileiros para tratar lesão na medula. O que a gente pode esperar desses estudos e quais os próximos passos?
Leandro Safatle: Estamos falando de uma pesquisa nacional feita por uma pesquisadora de uma universidade pública. Com inovação nacional, cientista nacional, desenvolvimento nacional, todo um processo de desenvolvimento feito no país, e isso é muito importante. No setor saúde, a gente ainda tem muita inovação vinda de fora. Agora, estamos lidando com inovação feita no país. A indústria está fazendo inovação no país. Hoje, isso é um fato bastante importante para atender demandas do país. Esse é um desses casos.
Um laboratório nacional encampou esse projeto. Protocolaram o pedido de início de estudo de pesquisa clínica na Anvisa. Foi aprovada a fase 1, que tem o objetivo de focar na segurança do produto. São cinco pacientes que vão fazer parte desse estudo. Aprovando a fase 1, vem a fase 2, a 3, onde vamos avaliar questões como a eficácia do produto de fato, além de aprofundar mais na segurança. Precisa passar por esse ciclo regulatório completo para conseguir o registro na Anvisa. É um assunto promissor. Há fortes indícios de que o produto pode ter um segmento importante no decurso de pessoas que têm lesão medular.
É difícil falar de prazo porque estamos falando de inovação, de estudo clínico. E o estudo clínico leva seu tempo. O que eu posso dizer é que a Anvisa vai dar a celeridade necessária para o avanço desse projeto. Será prioridade.
Agência Brasil: A Anvisa realizou, em dezembro, a primeira reunião do Comitê de Inovação, criado para acompanhar e avaliar produtos e tecnologias inovadores considerados prioritários para a saúde pública brasileira. Como esse comitê vai atuar e quais os temas considerados prioritários?
Safatle: O comitê está pegando casos de inovação que estão acontecendo no país, projetos importantes que têm impacto, principalmente, na saúde pública. Selecionamos quatro produtos que estão dentro desse comitê: a polilaminina, a vacina contra o Chikungunya, o método Wolbachia para combate à dengue e endopróteses. A gente está acompanhando esses quatro casos.
Já tivemos reunião para tratar desses temas e a ideia é que a gente acompanhe e dê o apoio necessário para que a equipe técnica faça a melhor análise possível. É um comitê que puxa, para a alta gestão da Anvisa, o trabalho de acompanhar os casos. E que vai dar o apoio necessário, o subsídio necessário para que a área técnica faça o melhor trabalho possível de avaliação.
O presidente da Anvisa, Leandro Safatle, durante entrevista exclusiva à Agência Brasil - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Agência Brasil: Por que a escolha dessas quatro inovações?
Safatle: A gente tem alguns estudos, em fase inicial, de inovação radical nacional. São casos que tratam desses temas. É inovação feita no país, com desenvolvimento feito no país. Por isso, foram selecionados. Trata-se de inovação importante, que pode ter uma repercussão grande em termos de saúde pública.
Agência Brasil: Em dezembro, a Anvisa aprovou uma proposta com medidas excepcionais e temporárias para otimizar a fila de análises processuais. A expectativa é reduzir as filas pela metade em seis meses e normalizar os pedidos em um ano. Como vai funcionar esse processo?
Safatle: Nós colocamos essa questão da fila de análises processuais da Anvisa como uma das prioridades para que a gente possa atuar ao longo desse ano. Foi feita a aprovação, por meio de uma RDC [resolução da Diretoria Colegiada], de uma série de medidas para a gente poder acelerar essas filas, principalmente filas de medicamentos, vacinas, dispositivos médicos, filas de inspeção. O que a gente quer? A gente quer trazer melhores prazos. A gente viu que havia um processo, de certa forma, demorado para poder aprovar essas novas tecnologias. Elaboramos uma série de medidas para poder reduzir esses prazos.
Essas medidas envolvem força-tarefa dentro da casa, para poder agilizar esses processos; aproveitar parte de estudos clínicos feitos fora, que a gente chama de reliance (confiança regulatória), aproveitando parte da documentação que é feita fora; análises otimizadas que agregam vários produtos, fazendo análises conjuntas no intuito de ganhar tempo. Estamos com uma série de instrumentos para cada uma das filas, para ver de que forma a gente consegue atuar para poder mitigar esse problema.
Ao mesmo tempo, temos uma sala de situação dentro da agência que acompanha diariamente a evolução das filas. Já temos alguns resultados importantes de redução de fila e de tempo de análise. A ideia é fazer uma gestão regulatória ágil, para poder dar respostas mais rápidas para essas questões. Também criamos um comitê de monitoramento dessas medidas para que esse processo todo seja acompanhado pela sociedade civil e pelo setor regulado, para dar a devida transparência para essas ações.
Agência Brasil: Para que fique claro: a proposta não é afrouxar as regras em relação às análises processuais, mas dar celeridade, fazer andar mais rápido?
Safatle: Isso. São medidas temporárias. Temos o prazo de um ano para executá-las. Mas o processo de análise permanece o mesmo. As regras não estão sendo afrouxadas ou nada nesse sentido. O rigor científico e a segurança sanitária são primazia na agência, são o que traz confiança da sociedade para o trabalho da agência. Nesse sentido, a gente segue stricto sensu a questão da segurança sanitária. O que estamos fazendo é mecanismo de gestão. Gestão de pessoas, gestão de processos, para otimizar o tempo, a análise e fazer força-tarefa.
Tivemos um concurso importante. No fim do ano passado, foram chamados 100 especialistas da Anvisa. O curso de formação terminou, e essa turma deve ser nomeada agora, entre janeiro e fevereiro. É o maior reforço que a Anvisa já teve nos últimos dez anos. A ideia é que esses 100 entrem já para ajudar nesse processo de redução das filas, prioritariamente. Que eles entrem nesse esforço que a casa inteira está fazendo para redução das filas.
Agência Brasil: Sobre essa questão do rigor técnico, a Anvisa tem como meta, para 2026, o reconhecimento internacional, a consolidação da agência como uma autoridade sanitária de referência?
Safatle: Esse é um ponto muito importante. A Anvisa está sofrendo um processo de qualificação neste momento por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nós já somos uma agência de referência, mas, agora, estamos passando por um processo de qualificação como as principais agências do mundo passaram, estão passando ou vão passar em breve.
Estamos num empenho muito grande para poder seguir bem nesse processo de qualificação. A ideia é que, com essa qualificação, a OMS reconheça a Anvisa como uma agência de referência. Isso é muito importante para o Brasil, no sentido de ter uma agência de referência, para a região das Américas e para o mundo.
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Assessoria de Comunicação