CLIPPING AHPACEG 15/01/26
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Ahpaceg divulga indicadores assistenciais do setor privado
https://www.saudebusiness.com/hospitais/ahpaceg-divulga-indicadores-assistenciais-do-setor-privado/
Fusões e aquisições em hospitais e laboratórios tiveram alta de 37%
https://medicinasa.com.br/kpmg-fusoes-aquisicoes-2/
O alinhamento de incentivos entre operadoras e prestadores de saúde
https://medicinasa.com.br/desafio-alinhamento-incentivos/
CRF-GO aposta em IA para reduzir erros de prescrição e melhorar o cuidado ao paciente
Reforma Tributária: o que muda na prática para o setor de dispositivos médicos
https://medicinasa.com.br/reforma-tributaria-dispositivos/
Sandro Mabel diz que não há abertura para diálogo com médicos em greve em Goiânia
https://ohoje.com/2026/01/14/greve-medicos-goiania-mabel/
Prefeito Sandro Mabel reconhece problemas na saúde e promete novas unidades
SAÚDE BUSINESS
Ahpaceg divulga indicadores assistenciais do setor privado
Os índices trazem a média das instituições e oferecem aos gestores um conjunto de informações objetivas sobre qualidade, segurança e eficiência da assistência hospitalar.
A Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) apresentou os primeiros indicadores assistenciais e operacionais consolidados do setor privado de saúde em Goiás, abrangendo os hospitais associados à entidade. Essa ação integra o projeto Indicadores Ahpaceg, uma iniciativa pioneira no estado, que passa a disponibilizar à população, aos planos de saúde e aos gestores um conjunto de informações claras e objetivas sobre a qualidade, segurança e eficiência dos serviços hospitalares.
O projeto foi desenvolvido com o propósito estratégico de estabelecer uma metodologia objetiva e comparável para mensurar a segurança do paciente e a qualidade do cuidado prestado nos hospitais associados.
A partir de 2026, o projeto será ampliado com a inclusão dos indicadores das áreas de farmácia, nutrição, oftalmologia e segurança e qualidade em pronto-socorro da rede associada.
Indicadores
Os dados apresentados referem-se ao segundo semestre de 2025 e refletem a média das instituições associadas participantes do projeto. Entre os indicadores, destacam-se a taxa de infecção, amplamente conhecida pela população, e outros dados relevantes, como a incidência de lesões por pressão, a taxa de ocupação de leitos e a identificação correta dos pacientes, esta última sendo uma norma fundamental de segurança nas instituições de saúde.
O presidente da Associação, Renato Daher, destaca que a divulgação trimestral dos indicadores permitirá a construção de uma série histórica consistente, capaz de apoiar análises, comparações e decisões na área da saúde.
“Nosso objetivo também é oferecer informações claras para que a população possa escolher, de forma consciente, onde deseja ser atendida com qualidade e segurança”, afirma.
Benefícios
A associação destaca que a divulgação sistemática dos indicadores traz ganhos diretos para os próprios hospitais. Entre os benefícios estão:
maior transparência e prestação de contas;
estímulo à melhoria contínua da qualidade e da segurança do paciente;
benchmarking e aprendizado coletivo entre instituições;
fortalecimento da credibilidade institucional e apoio à tomada de decisão e à formulação de políticas de saúde.
O monitoramento dos indicadores também contribui para o atendimento a exigências regulatórias e processos de acreditação, valoriza o papel da alta complexidade no sistema de saúde e estimula uma cultura de dados e de responsabilidade clínica.
Ao tornar essas informações acessíveis, a Ahpaceg amplia a capacidade de escolha da população e cria bases mais sólidas para a gestão e o aprimoramento da assistência hospitalar em Goiás.
CONFIRA OS INDICADORES DA REDE AHPACEG
*Os dados/metas usados como referência são da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) – 2017
Taxa de Ocupação: 78%
Indica a utilização dos leitos operacionais proporcionando uma gestão eficiente do hospital.
Meta: 80% a 85%
Média de permanência hospitalar (MP): 2,64 dias
Indica o tempo médio de internação dos pacientes. Quanto menor a permanência, maior tende a ser a eficiência no uso dos leitos, desde que mantida a qualidade assistencial.
Meta: 5,3 dias
Índice de giro de leitos (IGL): 6,41
Mede quantas internações ocorrem em um mesmo leito ao longo do período. Está diretamente relacionado à média de permanência: internações mais curtas aumentam o giro, enquanto permanências mais longas reduzem a rotatividade.
Média de permanência na UTI adulto: 6,88 dias
Reflete o tempo médio de internação em terapia intensiva. Em hospitais de alta complexidade, a variação é esperada conforme a gravidade dos casos, o perfil clínico dos pacientes e os protocolos assistenciais.
Meta: até 5 dias
Taxa de conversão do pronto-socorro para enfermaria/apartamento: 8,41%
Mostra a proporção de atendimentos no pronto-socorro que evoluem para internação em leitos clínicos, ajudando a compreender o perfil assistencial e a eficiência do fluxo.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de conversão do pronto-socorro para UTI: 1,69%
Indica a parcela de pacientes atendidos no pronto-socorro que necessitam de terapia intensiva, refletindo a gravidade dos casos e o uso de recursos críticos.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de mortalidade institucional (≥24 horas): 1,78%
Expressa o percentual de óbitos após 24 horas de internação. Deve ser analisada com ajuste de risco e comparada apenas com hospitais de perfil semelhante.
Meta: <3% (Anvisa, 2018)
Taxa de mortalidade operatória/cirúrgica (até 7 dias): 0,32%
Mede óbitos após procedimentos cirúrgicos e avalia critérios de cirurgia segura, variando conforme porte, risco e tipo de cirurgia.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de pacientes com identificação adequada: 98,88%
Indicador de segurança do paciente alinhado às metas internacionais, essencial para prevenir erros de medicação, exames, transfusões e procedimentos.
Meta: de 90% a 100%
Taxa de pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos: 68,06%
Caracteriza o perfil assistencial dos hospitais e auxilia no planejamento de recursos, avaliação de produtividade e análise de risco.
Sem meta. Depende da característica do hospital
Taxa de infecção de sítio cirúrgico em cirurgia limpa: 0,53%
Indicador clássico de qualidade assistencial. Resultados abaixo de 1% são considerados de excelente desempenho.
Meta: quanto menor, melhor.
Densidade de erro na administração de medicamentos: 0,34
Expressa o número de erros por mil pacientes-dia ou mil doses administradas e avalia todas as etapas do processo medicamentoso.
Não existe um valor de referência único ou um “benchmark” nacional oficial para a densidade de erro na administração de medicamentos no Brasil
Incidência de lesão por pressão: 1,47
Mede o risco de o paciente desenvolver nova lesão por pressão durante a internação, com foco no paciente.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de lesão por pressão: 0,34%
Avalia a frequência de lesões ao longo do tempo de internação, sendo complementar à incidência.
Meta: quanto menor, melhor.
Incidência de quedas: 0,85
Indica o risco de o paciente sofrer queda durante a internação.
Meta: quanto menor, melhor.
Taxa de quedas: 0,21%
Mede a frequência de eventos de quedas no período, complementando a análise do risco assistencial.
Meta: quanto menor, melhor.
REDE AHPACEG
GOIÂNIA
CDI Premium
Cebrom
Clínica da Imagem
Clínica São Marcelo
CRD
Hemolabor
Hospital Amparo
Hospital do Coração de Goiás
Hospital do Coração Anis Rassi
Hospital da Criança
Hospital de Acidentados
Hospital Ortopédico de Goiânia
Hospital Otorrino de Goiânia
Hospital Mater Dei
Hospital do Rim
Hospital Samaritano de Goiânia
Hospital Santa Bárbara
Hospital Santa Helena
Hospital São Francisco de Assis
Instituto de Neurologia de Goiânia
Instituto Ortopédico de Goiânia
Instituto Panamericano da Visão
Maternidade Ela
Oncovida
Ver Hospital de Olhos
ANÁPOLIS
Hospital Evangélico Goiano
APARECIDA DE GOIÂNIA
Hospital de Neurologia Santa Mônica
CALDAS NOVAS
Hospital e Maternidade Nossa Senhora Aparecida
CATALÃO
Hospital Nasr Faiad
Hospital São Nicolau
CERES
Hospital Ortopédico de Ceres
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MEDICINA S/A
Fusões e aquisições em hospitais e laboratórios tiveram alta de 37%
As empresas de hospitais e laboratórios de análises clínicas no Brasil realizaram 22 operações de fusões e aquisições. Desse total, 5 envolveram fundos de investimentos de private equity e venture capital. Trata-se de uma alta de cerca de 37% em comparação com o mesmo período de 2024, quando foram fechados 16 negócios. O estudo é feito trimestralmente pela KPMG com 43 setores da economia.
Com relação ao tipo de transação concretizada de janeiro a setembro de 2025, das 22, a maioria (15) foi doméstica, 4 foram realizadas por empresas estrangeiras adquirindo capital de outra estabelecida no Brasil (tipo CB1); 2 feitas por brasileiros adquirindo, de estrangeiros, capital de empresa estabelecida no exterior (tipo CB2) e 1 realizada por empresa de capital majoritário estrangeiro adquirindo, de estrangeiros, capital de empresa estabelecida no Brasil (tipo CB4).
“O jogo já mudou faz tempo: velocidade e escala definem quem vai liderar. O ecossistema da saúde está em ritmo acelerado e o foco em integração e inovação, já são a regra. Quem não acompanhar, ficará para trás”, aponta o sócio-líder de Healthcare & Life Sciences da KPMG no Brasil, Marcos Laredo.
Brasil: 3º trimestre teve o melhor desempenho do ano
No terceiro trimestre foram fechadas no Brasil 425 operações de fusões e aquisições (sendo 203 de private equity e venture capital). Este foi o melhor trimestre de 2025, já que nos períodos anteriores foram concretizados 330 (primeiro) e 409 (segundo) negócios.
Já no acumulado de nove meses deste ano, foram finalizadas 1.164 operações de fusões e aquisições, uma leve queda de 2,6% em relação aos mesmos meses de 2024, quando houve 1.196 transações, indicando um cenário de estabilidade. Se consideramos apenas os negócios envolvendo fundos de investimentos de private equity e venture capital, foram 566 (48,6% do total) contra 497 (41,6%), no acumulado dos respectivos períodos, um aumento de mais de 13%.
“A queda no número de fusões foi pequena e podemos considerar um cenário estável. Isso se deve ao contexto macroeconômico brasileiro que não está favorável, principalmente, relacionado à parte fiscal, assim como as taxas de juros brasileiras e mundiais. Por isso, não houve uma recuperação significativa em relação ao ano passado, apesar de o ticket médio por transação estar crescendo. Por outro lado, aumentou a participação de fundos de investimentos no total de operações concretizadas”, analisa o sócio da KPMG, Paulo Guilherme Coimbra.
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O alinhamento de incentivos entre operadoras e prestadores de saúde
Muito se fala em alinhamento de incentivos entre operadoras de planos de saúde e prestadores assistenciais. A premissa é criar mecanismos que promovam eficiência, previsibilidade de custos e sustentabilidade do sistema. Na prática, porém, o setor ainda convive com um desalinhamento estrutural relevante — e seus efeitos recaem, de forma direta, sobre o beneficiário.
Nesse arranjo, o beneficiário acaba funcionando como o ponto de acomodação do conflito: quando os incentivos econômicos não se alinham entre quem paga e quem presta, é sobre o acesso, a cobertura e a experiência do paciente que o sistema se ajusta.
As alavancas econômicas de cada elo são distintas. Hospitais tendem a crescer por meio do aumento da taxa de ocupação de leitos, da maior complexidade assistencial e da elevação do custo unitário de procedimentos cirúrgicos. Laboratórios ampliam receita a partir do volume de exames e do valor unitário dos serviços. Já as operadoras dependem do controle da sinistralidade, da previsibilidade do custo médico e da disciplina econômico-financeira. Esses vetores não são naturalmente convergentes.
O limite prático dos modelos de remuneração
As tentativas de alinhamento costumam passar por modelos alternativos ao fee for service. Ainda assim, a realidade do setor mostra que esse modelo permanece predominante. Dados do Painel Econômico-Financeiro da ANS indicam que 63,66% das contas médicas ainda são remuneradas por fee for service, o que ajuda a explicar por que o incentivo a volume segue estruturalmente presente.
Essa predominância não decorre de inação isolada das operadoras, mas de um desenho histórico do setor, no qual a migração para modelos prospectivos depende de maturidade clínica, padronização de dados e governança compartilhada — condições que nem sempre estão disponíveis de forma homogênea. Em estruturas verticalizadas, parte desse efeito é amortecida. Em operadoras não verticalizadas, o alinhamento precisa ser construído por contrato, o que amplia as fricções.
Com frequência, o debate escorrega para temas operacionais: escopo de cobertura, itens fora de pacotes, intercorrências, materiais, pertinência clínica, codificação e parametrizações. Esse atrito raramente é percebido como um problema estrutural. Para o beneficiário, ele se manifesta como fricção no acesso: mais autorizações, mais negativas e maior incerteza, mesmo quando o conflito real está nos bastidores econômico-contratuais do sistema.
Resultados financeiros, prazo e o efeito do floating
Nos últimos trimestres, as operadoras vêm apresentando melhora de resultados. No primeiro semestre de 2025, o setor registrou lucro líquido de R$ 12,9 bilhões, sendo R$ 6,8 bilhões provenientes do resultado financeiro e R$ 6,3 bilhões do resultado operacional. Na prática, 52,7% do resultado líquido do período teve origem financeira.
Esse dado não indica substituição da atividade assistencial por receitas financeiras, mas reflete o impacto do ambiente macroeconômico — especialmente de juros elevados — sobre a estrutura de resultados do setor. É nesse contexto que o floating deve ser compreendido. Quando a arrecadação das mensalidades ocorre em ciclos mais curtos do que o pagamento da cadeia assistencial, parte dos recursos permanece temporariamente em caixa. Em um ambiente de juros altos, esse intervalo gera rendimento financeiro e passa a compor o resultado das operadoras.
Do lado dos prestadores, esse efeito se traduz em pressão de caixa. Como exemplo público e auditável, a Rede D’Or reportou prazo médio de recebimento de 116 dias no segundo trimestre de 2025, segundo seu relatório de fluxo de caixa gerencial. Trata-se de um dado ilustrativo, não representativo de todo o setor, mas que evidencia a assimetria estrutural entre os ciclos financeiros de pagadores e prestadores.
Downgrade de planos, cobertura e perda de alcance assistencial
O número de beneficiários segue elevado, com crescimento moderado. O movimento mais relevante, porém, está no downgrade dos planos, especialmente do ponto de vista de cobertura e desenho de rede.
Redes mais restritas reduzem o alcance de parte dos prestadores dentro do universo total de beneficiários. Hospitais e clínicas que antes acessavam uma fatia maior da população passam a disputar volume em subconjuntos menores de vidas cobertas, sobretudo em redes de maior complexidade e em determinados mercados. O efeito econômico é direto: menor previsibilidade de demanda e maior pressão competitiva.
Para o beneficiário, isso se traduz em menor liberdade de escolha, maior direcionamento e aumento da fricção no acesso — novamente como reflexo de um ajuste sistêmico que ocorre longe da sua percepção direta.
O ponto central: a qualidade da base de sinistros
O debate sobre alinhamento de incentivos costuma começar pela forma de pagamento. Mas ele deveria começar antes: pela qualidade da base de sinistros.
Uma parcela relevante do custo assistencial não está associada a cuidado necessário, mas a fraudes, abusos, desperdícios e ineficiências operacionais, além de distorções de codificação de procedimentos e do uso de tabelas próprias.
Fraudes e abusos configuram desvios evidentes. A codificação e as tabelas próprias, por sua vez, são instrumentos legítimos de precificação e gestão, amplamente utilizados no setor. O problema surge quando esses instrumentos são mal calibrados, pouco transparentes ou não padronizados, gerando distorções econômicas relevantes — ainda que sem qualquer ilicitude.
Enquanto essas distorções permanecerem na base, qualquer modelo de remuneração apenas redistribui um problema estrutural. O conflito muda de forma, mas não desaparece. Esse ponto se torna ainda mais crítico diante do crescimento das terapias e dos medicamentos de alto custo, que já pressionam naturalmente a sinistralidade. Quando esses custos se somam a uma base contaminada, a sustentabilidade de qualquer arranjo contratual fica comprometida.
Conclusão: a hierarquia correta das ações
O alinhamento de incentivos entre operadoras e prestadores não começa na negociação contratual nem na escolha do modelo de remuneração. Ele exige uma hierarquia clara de ações.
Primeiro, o saneamento da base de sinistros, com foco na redução de fraudes, abusos, desperdícios e distorções de codificação. Em seguida, a padronização e a governança do custo assistencial, criando transparência, comparabilidade e previsibilidade. Somente então faz sentido discutir modelos de remuneração e compartilhamento de risco, agora sobre uma base mais limpa.
Essa hierarquia não é simples de executar nem isenta de conflitos regulatórios e operacionais. Ainda assim, ela é condição necessária para que o setor deixe de discutir diferentes formas de pagar a mesma conta inflada. Sem isso, o beneficiário continuará sendo o elo que absorve o desalinhamento entre operadoras e prestadores.
*Vagner Fujita é CEO da id.health.
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JORNAL OPÇÃO
CRF-GO aposta em IA para reduzir erros de prescrição e melhorar o cuidado ao paciente
Tecnologia tende a fortalecer o papel clínico do farmacêutico, desde que seja utilizada de forma ética
A incorporação da inteligência artificial (IA) à rotina da indústria farmacêutica e das farmácias deve transformar a forma como medicamentos são prescritos, dispensados e acompanhados no Brasil.
A avaliação é da presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás (CRF-GO), Luciana Calil, em entrevista ao Jornal Opção. Segundo ela, a tecnologia tende a fortalecer o papel clínico do farmacêutico, desde que seja utilizada de forma ética, regulada e integrada ao conhecimento técnico.
De acordo com Luciana, um dos principais ganhos da IA está no apoio à análise de interações medicamentosas, um problema frequente na prática cotidiana.
“O farmacêutico faz um trabalho muito importante de revisar toda a farmacoterapia do paciente. Muitas vezes, ele usa medicamentos prescritos por médicos diferentes, e a IA pode ajudar a identificar interações, duplicidades e doses inadequadas”, afirmou.
Ela citou situações recorrentes em que o mesmo fármaco é consumido em dose dobrada, por erro de prescrição ou confusão entre nome comercial e princípio ativo.
“Isso já aconteceu dentro da minha casa. Um médico prescreveu pelo nome comercial, outro pelo princípio ativo, e era o mesmo medicamento. O paciente acabou tomando dose duplicada. Quem identifica isso, geralmente, é o farmacêutico”, disse.
Ferramenta de apoio, não substituição
Para a presidente do CRF-GO, a IA não substitui o profissional, mas amplia sua capacidade de análise e decisão. “A dispensação não é simplesmente pegar o medicamento na prateleira e entregar. O farmacêutico avalia se a dosagem está correta, se há erro na prescrição, se aquele medicamento pode interagir com outro, com alimentos, álcool ou tabaco”, explicou.
Segundo ela, sistemas inteligentes podem tornar esse processo mais rápido e seguro. Luciana destacou ainda o potencial da tecnologia para auxiliar na definição de horários de administração, formas corretas de armazenamento e preparo de medicamentos que exigem diluição ou conservação específica.
“Tudo isso faz parte do cuidado farmacêutico, e a IA pode contribuir muito para aumentar a precisão desse trabalho”, afirmou. Ao mesmo tempo, ela alertou para os riscos do uso indiscriminado da tecnologia.
“Hoje a gente sabe que a IA pode trazer informações incorretas. Fazemos testes simples e aparecem dados equivocados. Por isso, ela precisa ser usada como ferramenta de apoio, dentro de aplicativos e sistemas voltados para profissionais habilitados”, ponderou.
Capacitação e projetos em desenvolvimento
O CRF-GO tem apostado na discussão do tema como estratégia de capacitação da categoria. No Dia Internacional do Farmacêutico, celebrado na próxima terça-feira, 20, o conselho promove uma palestra com o tema ‘IA e o farmacêutico: uma ferramenta para mais humanização e precisão do cuidado’.
“Serão apresentados projetos em que o farmacêutico utiliza a IA para melhorar o atendimento ao paciente, inclusive na anamnese, que é aquela primeira entrevista”, afirmou Luciana.
Segundo ela, a proposta é desenvolver ferramentas digitais capazes de auxiliar o profissional na formulação das perguntas corretas, na análise clínica e na tomada de decisão. “A IA pode ajudar a montar questionários, analisar interações medicamentosas, estudar doses ideais e apoiar um atendimento mais humanizado”, explicou.
A presidente do CRF-GO ressaltou que a entidade estuda o desenvolvimento de aplicativos de uso restrito a farmacêuticos e médicos registrados, como forma de garantir segurança e responsabilidade no uso da tecnologia. “A IA não vai tirar o emprego de ninguém. Mas quem não souber usar a ferramenta pode ficar para trás”, afirmou.
Na avaliação de Luciana Calil, a incorporação da IA também dialoga com o crescimento da indústria farmacêutica no período pós-pandemia. “A indústria cresceu muito, abriu novas fronteiras e hoje demanda cada vez mais profissionais qualificados, capazes de usar tecnologia para garantir segurança, qualidade e efetividade no uso dos medicamentos”, disse.
Para o paciente, o resultado esperado é um cuidado mais seguro. “Quando bem utilizada, a IA contribui para reduzir erros de prescrição, evitar reações adversas e melhorar a qualidade de vida. É um avanço importante para a farmácia, para a medicina e para toda a área da saúde”, concluiu.
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Reforma Tributária: o que muda na prática para o setor de dispositivos médicos
Aprovada em 2025, a Reforma Tributária vai modificar a base de tributação de toda a cadeia produtiva brasileira. O setor de dispositivos médicos — que inclui equipamentos hospitalares, materiais cirúrgicos, produtos para diagnóstico, próteses, itens de reabilitação e instrumentos odontológicos e laboratoriais — está entre os setores excepcionalizados.
Hoje, essa indústria é responsável por mais de US$ 1,17 Bi em exportações anuais e reúne centenas de empresas que desenvolvem tecnologias essenciais para prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de pacientes.
“O setor de dispositivos médicos é estratégico tanto para a economia quanto para a saúde pública. Por isso, precisa de previsibilidade tributária para continuar investindo em inovação e ampliar o acesso a tecnologias médicas no país”, afirma Márcio Bósio, diretor Institucional da ABIMO – Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos.
A principal mudança é a substituição de cinco tributos — PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS — por dois novos: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal. O processo começa em 2026 e será gradual até 2033, com redução progressiva de ICMS e ISS e aumento proporcional do IBS.
A Lei Complementar nº 214/2025 criou ainda um regime diferenciado de alíquotas para dispositivos médicos e produtos de acessibilidade regularizados pela Anvisa. De acordo com a norma, os itens listados nos anexos IV, V, XII e XIII terão redução de 60% ou 100% das alíquotas de IBS e CBS, a depender da categoria do produto e do tipo de comprador.
Esses anexos incluem, por exemplo:
Anexo IV: monitores cardíacos, seringas, cateteres, válvulas, equipamentos de infusão e instrumentos cirúrgicos;
Anexo V: aparelhos de apoio a pessoas com deficiência, como cadeiras de rodas, próteses auditivas e órteses;
Anexo XII: dispositivos médicos e hospitalares adquiridos por hospitais públicos e entidades filantrópicas que atendem majoritariamente pelo SUS;
Anexo XIII: reagentes e equipamentos laboratoriais usados em análises clínicas e diagnósticos.
É importante destacar que o enquadramento nos regimes diferenciados depende expressamente da listagem do produto nesses anexos. Na hipótese de o dispositivo médico não constar em nenhum dos Anexos IV, V, XII ou XIII, aplicam-se integralmente as alíquotas ordinárias de IBS e CBS.
Na prática, a nova legislação começa a corrigir uma distorção que há anos penalizava a indústria nacional: hospitais públicos e entidades filantrópicas eram imunes de tributos ao importar equipamentos, mas pagavam integralmente ao comprar de fabricantes brasileiros. A partir da reforma, essas compras, em regra, passam a ter alíquota zero também para produtos nacionais listados nos anexos da lei, tornando o ambiente de concorrência mais equilibrado e incentivando a produção local.
“Esse é um avanço importante. A isonomia tributária entre o produto nacional e o importado reduz desigualdades e fortalece a cadeia produtiva de saúde no Brasil”, explica Bósio.
Com o novo modelo, as empresas precisarão se adaptar gradualmente ao longo da transição. As principais medidas incluem:
Atualizar sistemas fiscais e de ERP para atender às exigências do IBS e da CBS a partir de 2026;
Revisar políticas de precificação e contratos, considerando a nova estrutura de créditos tributários;
Acompanhar a extinção dos incentivos fiscais de ICMS, que serão reduzidos anualmente até 2033.
“Cada etapa da transição exigirá ajustes técnicos e operacionais. O desafio será implementar as mudanças sem comprometer a competitividade da indústria e o acesso da população às tecnologias de saúde”, destaca Bósio.
A ABIMO seguirá acompanhando a regulamentação dos novos impostos e mantendo diálogo com o Governo Federal e o Comitê Gestor da Reforma para garantir segurança jurídica, equilíbrio fiscal e continuidade dos investimentos no setor.
“A reforma inaugura um novo ciclo para a indústria brasileira de dispositivos médicos. Cabe às empresas se prepararem para aproveitar esse momento de transição como oportunidade de modernização e eficiência”, conclui Márcio Bósio.
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O HOJE
Sandro Mabel diz que não há abertura para diálogo com médicos em greve em Goiânia
Prefeito afirma que adesão é pequena e que prefeitura paga acima do mercado
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, afirmou nesta quarta-feira (14) que não há abertura para diálogo com os médicos que estão em greve na capital. Segundo o gestor, a justificativa é a baixa adesão ao movimento e a limitação orçamentária do município.
De acordo com Mabel, apenas 14 médicos aderiram à paralisação e a prefeitura paga cerca de 35% a mais do que o valor praticado pelo mercado. “Não temos mais dinheiro para gastar”, declarou o prefeito.
A paralisação teve início na terça-feira (13), quando profissionais da rede municipal de saúde de Goiânia entraram em greve por tempo indeterminado. O movimento reúne médicos, enfermeiros, farmacêuticos e técnicos, e começou com uma manifestação em frente ao Ciams Jardim América, às 9h. O ato marcou o primeiro dia de uma mobilização que, segundo as entidades, deve se intensificar nas próximas semanas.
Além da manifestação central, também foram registrados protestos pontuais, como o ato contra o fechamento da urgência do Cais Cândida de Morais.
A greve foi deflagrada após semanas de tensão entre as entidades representativas da saúde e a gestão municipal. Os profissionais denunciaram o que classificam como “propaganda enganosa” da prefeitura, alegando que o discurso oficial não reflete a realidade das unidades de saúde, que enfrentam falta de insumos básicos, medicamentos e problemas recorrentes de segurança.
Embora o ato tenha ganhado maior visibilidade no Jardim América, a paralisação afeta toda a rede municipal. Conforme determina a legislação e reforça o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), os serviços de urgência e emergência estão sendo mantidos integralmente para garantir a preservação da vida.
Em contrapartida, atendimentos ambulatoriais, consultas de rotina e procedimentos eletivos foram suspensos, comprometendo o funcionamento regular da atenção básica em diversas regiões da capital.
Segundo o Simego, a insatisfação da categoria é profunda e está relacionada a perdas salariais e condições de trabalho consideradas exaustivas. O estopim da greve teria sido o Edital de Chamamento nº 03/2025, que prevê redução de até 35% nos honorários médicos e jornadas de até 24 horas contínuas, sem descanso adequado.
A diretora do sindicato, Sheila Ferro, afirmou que, mesmo com a paralisação, há preocupação com os pacientes. “Serão feitas triagens para classificação dos atendimentos e, usando o bom senso, casos como renovação de receitas controladas serão atendidos para evitar o agravamento do quadro clínico”, explicou.
Outro ponto destacado é a adesão de diferentes categorias da saúde. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde-GO), Néia Vieira, ressaltou a participação de profissionais credenciados e servidores efetivos.
“Finalizamos agora o início do movimento grevista de todos os trabalhadores e trabalhadoras credenciados do município de Goiânia. Houve participação de todas as categorias e a luta está só começando”, afirmou.
Entramos em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para mais esclarecimentos, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos resposta. O espaço segue aberto para os devidos esclarecimentos.
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PORTAL G1
Prefeito Sandro Mabel reconhece problemas na saúde e promete novas unidades
Prefeito afirma que parte da rede não tem mais condições de reforma e diz que novos Cais e UPAs começarão a ser construídos ainda este ano.
Durante visita institucional ao Grupo Jaime Câmara nesta quarta-feira (14), o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, reconheceu problemas estruturais na rede municipal de saúde e afirmou que a gestão trabalha na construção de novas unidades para substituir prédios antigos. A declaração ocorre em meio a denúncias do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), que divulgou vídeos mostrando condições precárias em unidades de saúde da capital.
Em entrevista à TV Anhanguera, Mabel afirmou que a falta de medicamentos não é generalizada, mas admitiu dificuldades operacionais no funcionamento das unidades.
“O que falta muitas vezes é o medicamento para a pessoa levar embora. Foi tratado, o médico passou a receita, mas na operação do posto de saúde não tem”, disse.
Segundo o prefeito, problemas pontuais com insumos também ocorrem, mas não comprometem totalmente os atendimentos.
“É muito raro faltar agulha, seringa, essas coisas todas. Às vezes você não tem a seringa de 20 ml ou de 10 ml, mas tem uma de 30 ou de 50”, afirmou.
Estrutura antiga será substituída
Mabel reconheceu que algumas unidades de saúde da capital não têm mais condições de funcionamento adequado e que a proposta da prefeitura não é reformar os prédios mais antigos, mas substituí-los por novas estruturas.
“Essas unidades de saúde nossas não têm mais condições. Você pega um Cais de Campinas, não tem mais o que reformar aquilo lá”, declarou.
De acordo com o prefeito, a gestão municipal planeja construir oito novos CAIS e oito novas UPAs. Segundo ele, três obras devem ser iniciadas ainda este ano. "Nós vamos fazer oito Cais novos, oito UPAs novas. Vamos começar três esse ano”, afirmou.
Mabel detalhou que as primeiras unidades devem ser implantadas em regiões estratégicas da cidade. “Vamos começar a nova de Campinas, a nova da Noroeste e uma nova Oeste, que vai ficar ali na região do Vera Cruz”, disse.
Drenagem urbana e taxa do lixo
Durante a visita, o prefeito também comentou sobre os alagamentos registrados na capital e afirmou que a prefeitura deve iniciar, nas próximas semanas, a instalação de cancelas na Marginal Botafogo e na Avenida 87 como medida emergencial. Segundo ele, equipes também foram contratadas para elaborar projetos de piscinões, embora ainda não haja data definida para o início das obras.
Sobre a taxa do lixo, Mabel afirmou que a prefeitura pretende vetar a decisão da Câmara Municipal que derrubou a cobrança.
“A taxa do lixo não pode ser derrubada. É inconstitucional”, afirmou. Segundo ele, a cobrança só poderia ser retirada se fosse apresentada outra fonte de arrecadação. “Se os vereadores acharem um outro imposto para substituir a taxa do lixo, tudo bem. Mas tem que ter uma fonte”, concluiu.
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Assessoria de Comunicação